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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

(ED) Identidade Presbiteriana (52) A Predestinação | Pb. Marcos Serra


Fonte Igreja Presbiteriana Vila Guarany
Relação das Aulas Individuais
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Índice Geral
(1): O Governo da Igreja | Rev. Ageu Magalhães 
(2): O Presbítero Regente | Rev. Ageu Magalhães 
(3): O Diaconato em Genebra | Rev. Ageu Magalhães 
(4): Diaconato, o Ministério da Misericórdia | Rev. Marcos Cléber 
(5): O Presbítero Docente | Rev. Ageu Magalhães 
(6): Agostinho de Hipona | Rev. Ageu Magalhães 
(7): Valdo | Pb. Marcos Serra 
(8): John Wycliffe | Lauro Cangussu 
(9): John Hus | Rev. Ageu Magalhães 
(10): Girolamo Savonarola | Eduardo Koscak 
(11): A Reforma Protestante | Rev. Ageu Magalhães 
(12): Martinho Lutero | Sem. Thiago Fortunato 
(13): Ulrico Zuínglio | Pb. Marcos Serra
(14): Guilherme Farel | Lauro Cangussu 
(15): João Calvino | Rev. Ageu Magalhães 
(16): A Influência do Calvinismo | Rev. Ageu Magalhães 
(17): Martin Bucer | Pb. Marcos Serra 
(18): John Knox | Eduardo Koscak 
(19): As Mulheres da Reforma | Rev. Ageu Magalhães 
(20): Solus Christus | Pb. Marcos Serra 
(21): Sola Scriptura | Sem. Thiago Fortunato 
(22): Sola Gratia | Lauro Cangussu
(23): Sola Fide | Pb. Marcos Serra 
(24): Soli Deo Gloria | Eduardo Koscak 
(25): O Sínodo de Dort | Sem. Thiago Fortunato 
(26): A Depravação Total | Rev. Ageu Magalhães 
(27): Eleição Incondicional | Pb. Marcos Serra 
(28): Expiação Limitada | Lauro Cangussu 
(29): Graça Irresistível | Pb. Marcos Serra 
(30): Perseverança dos Santos | Eduardo Koscak 
(31): Os Puritanos | Sem. Thiago Fortunato
(32): A Assembleia de Westminster | Rev. Ageu Magalhães
(33): Franceses Calvinistas no Brasil | Pb. Marcos Serra
(34): Holandeses Reformados no Brasil | Lauro Cangussu
(35): Imigrantes Protestantes no Brasil | Pb. Marcos Serra
(36): Ashbel Green Simonton | Eduardo Koscak
(37): Alexander Blackford | Rev. Ageu Magalhães
(38): Francis Schneider | Sem. Thiago Fortunato
(39): José Manoel da Conceição | Pb. Marcos Serra
(40): Os Primeiros Passos da IPB | Rev. Ageu Magalhães
(41): Inspiração e Inerrância das Escrituras | Rev. Ageu Magalhães
(43): A Teologia da Aliança | Rev. Ageu Magalhães
(44): O Princípio Regulador do Culto | Rev. Ageu Magalhães
(45): As Bases do Culto Reformado | Rev. Ageu Magalhães
(46): A Soberania de Deus | Pb. Marcos Serra
(47): A Liturgia Presbiteriana | Rev. Ageu Magalhães
(48): A Participação das Crianças no Culto | Rev. Ageu Magalhães
(49): O Cessacionismo Bíblico | Eduardo Koscak
(50): A Ceia do Senhor | Rev. Ageu Magalhães
(51): O Batismo Bíblico | Sem. Thiago Fortunato
(52): A Predestinação | Pb. Marcos Serra

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domingo, 5 de junho de 2022

Salvação, obra de Deus | Rev. Hernandes Dias Lopes

E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.” (Rm 8.30).

O texto em epígrafe diz, com diáfana clareza, que a salvação é uma obra de Deus. Ele a planejou, a executou e a consumou. O homem não é o agente de sua própria salvação, Deus é. Quatro verdades solenes são, aqui, acentuadas:

Em primeiro lugar, Deus predestina para a salvação. 

A predestinação é um decreto eterno e soberano de Deus, no qual, ele, livremente, nos escolheu para a salvação, não com base nos nossos méritos, mas conforme a sua própria determinação e graça. A eleição divina não ocorreu no tempo, mas antes da fundação do mundo. Não com base em nossas obras, mas conforme o seu favor imerecido. Não porque Deus previu que iríamos crer em Jesus, mas para a fé a Jesus. Não porque Deus previu que iríamos ser santos, mas para sermos santos e irrepreensíveis perante ele.

Em segundo lugar, Deus chama eficazmente para a salvação. 

Há dois chamados, um externo e outro interno. Um dirigido aos ouvidos e outro dirigido ao coração. Muitos são chamados, mas poucos escolhidos. Jesus diz que suas ovelhas ouvem sua voz e lhe seguem. Ele dá a elas a vida eterna e ninguém as arrebatará de suas mãos. A voz do pastor é o evangelho. Quando o eleito ouve o evangelho, o próprio Deus tira o tampão de seus ouvidos, a venda de seus olhos e transforma o seu coração de pedra num coração de carne. O chamado divino é eficaz. A voz de Deus é poderosa. O evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. É evidente, portanto, que a doutrina da predestinação não é um desestímulo à pregação, mas uma garantia de sua eficácia. O Senhor Jesus disse a Paulo, na cidade de Corinto: “…fala e não te cales; …pois tenho muito povo nesta cidade.” (At 18.9-10).

Em terceiro lugar, Deus justifica os que são chamados para a salvação. 

A justificação é um ato livre e soberano de Deus, no qual, ele declara justo, diante do seu tribunal, todos aqueles que creem em Cristo. A justificação não acontece em nós, mas fora de Deus. Não é um processo, mas um ato. Não possui graus, ou seja, todos aqueles que são justificados estão plenamente quites com a lei de Deus e com sua justiça. Na justificação, nossos pecados foram imputados a Cristo e a justiça de Cristo foi imputada a nós. Na cruz, Jesus pagou a nossa dívida e agora, portanto, nenhuma condenação há mais para aqueles que estão em Cristo Jesus. Não apenas nossa dívida foi paga, mas temos um crédito infinito diante do tribunal de Deus, a justiça de Cristo depositada em nossa conta.

Em quarto lugar, Deus glorifica a todos quantos foram predestinados, chamados e justificados. 

A glorificação é uma realidade futura. Dar-se-á na segunda vinda de Cristo, quando os mortos ressuscitarão com corpos glorificados, semelhantes ao corpo da glória do Senhor Jesus e os vivos serão transformados e arrebatados para encontrar o Senhor nos ares. Muito embora, esse auspicioso evento se dará no fim, nos decretos de Deus, a glorificação já um fato consumado. Por isso, Paulo colocou o verbo “glorificou” no pretérito perfeito. A salvação não apenas é uma obra exclusiva de Deus, mas é, também, assegurada pelo próprio Deus. É impossível um salvo perder a salvação. É impossível alguém predestinado, chamado, justificado e glorificado perecer eternamente. O mesmo Deus que começou a boa obra em nós, completá-la-á até o dia de Cristo Jesus. Ninguém pode ir a Jesus sem que o próprio o Pai o traga a ele e ninguém vai a ele para ser lançado fora. Das mãos de Jesus ninguém pode nos arrebatar. É digno de nota, porém, que não somos salvos no pecado, mas do pecado. Somos salvos para vivermos uma vida santa e irrepreensível. A evidência da salvação é a santidade, pois sem santidade ninguém verá o Senhor.

Rev. Hernandes Dias Lopes

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

A Predestinação | R. C. Sproul

Provérbios 16.4

O SENHOR fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade.

João 13.18

Não falo a respeito de todos vós, pois eu conheço aqueles que escolhi; é, antes, para que se cumpra a Escritura: Aquele que come do meu pão levantou contra mim seu calcanhar.

Romanos 8.30

E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.

Efésios 1.4-5

assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade,

2 Tessalonicenses 2.13-14

Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.

****

Poucas doutrinas suscitam tanta polêmica ou provocam tanta consternação como a doutrina da predestinação. Trata-se de uma doutrina difícil, que precisa ser discutida com grande cuidado e precaução. Apesar disso, trata-se de uma doutrina bíblica, com a qual temos de lidar. Não devemos ousar ignorá-la.

Praticamente, todas as igrejas cristãs têm algum tipo de doutrina sobre a predestinação. Isso é inevitável, visto que o conceito claramente se encontra nas Escrituras. 

Muitas igrejas, entretanto, discordam—muitas vezes veementemente — quanto ao seu significado. O ponto de vista metodista é diferente do ponto de vista luterano, o qual discorda do ponto de vista presbiteriano. Embora seus pontos de vista difiram, cada um deles está tentando chegar a uma sólida compreensão desta difícil questão de maneira apropriada.

Em sua forma mais elementar, a predestinação significa que nosso destino final, seja o céu ou o inferno, é decidido por Deus não somente antes de irmos para lá, mas até mesmo antes que tivéssemos nascido. 

A predestinação ensina que nosso destino final está nas mãos de Deus. Outra maneira de expressar isso é: Desde toda a eternidade, antes mesmo que nós existíssemos, Deus decidiu salvar alguns membros da raça humana e permitir que o resto da raça humana perecesse. Deus fez uma escolha— escolheu alguns indivíduos para serem salvos na eterna bênção do céu e escolheu passar por sobre outros, permitindo que sofressem as consequências dos seus pecados no tormento eterno do inferno.

A aceitação desta definição é comum a muitas igrejas. Para chegar ao âmago da questão, alguém deve perguntar: como Deus fez tal escolha? O ponto de vista não-reformado, defendido pela grande maioria dos cristãos, é que Deus faz essa escolha com base em sua presciência. Deus escolhe para a vida eterna aqueles que sabe que o escolherão. Esse conceito é chamado de visão presciente da predestinação, porque baseia-se na presciência de Deus quanto às decisões ou ações humanas.

A visão reformada difere no fato de que ela vê a decisão final para a salvação nas mãos de Deus, e não nas mãos do homem. Segundo este ponto de vista, a eleição de Deus é soberana. Não se baseia em decisões ou respostas previstas por parte dos seres humanos. Aliás, vê tais decisões fluindo da graça soberana de Deus.

O ponto de vista da Reforma afirma que nenhuma pessoa caída jamais escolheria a Deus por iniciativa própria. Pessoas caídas ainda têm livre-arbítrio* [livre-agencia] e podem escolher o que desejam. O problema é que não nutrem nenhum desejo por Deus e não escolherão a Cristo a menos que sejam antes regeneradas. A fé é um dom que procede do novo nascimento. Somente aqueles que foram eleitos responderão com fé ao Evangelho.

Os eleitos escolhem a Cristo somente porque antes foram escolhidos por Deus. Como no caso de Esaú e Jacó, o eleito foi escolhido exclusivamente com base no beneplácito soberano de Deus e não com base em algo que tivessem feito ou desejado fazer. Paulo declara:

“E não ela somente, mas também Rebeca, ao conceber de um só, Isaque, nosso pai. E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela. O mais velho será servo do mais moço... Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.” Romanos 9.10-12, 16

O problema mais incômodo envolvendo a predestinação é que Deus não escolhe ou elege salvar todas as pessoas. Ele reserva para si o direito de ter misericórdia de quem quer ter misericórdia. Alguns membros da humanidade caída recebem a graça e a misericórdia da eleição. Deus ignora o restante, deixando-os em seus pecados. Os não-eleitos recebem justiça. Os eleitos recebem misericórdia.

Ninguém é tratado com injustiça. Deus não é obrigado a ser misericordioso igualmente com todos. É decisão dele o quanto será misericordioso. Mesmo assim, nunca pode ser acusado de ser injusto com qualquer pessoa (ver Rm 9.14,15).

Sumário
1. A predestinação é uma doutrina difícil e deve ser tratada com cuidado.
2. A Bíblia ensina a doutrina da predestinação.
3. Muitos cristãos definem a predestinação em termos de presciência de Deus.
4. A visão da Reforma não considera a presciência como uma explicação para a predestinação bíblica.
5. A predestinação baseia-se na escolha de Deus e não na escolha dos seres humanos.
6. Pessoas não-regeneradas não nutrem nenhum desejo de escolher a Cristo. 
7. Deus não elege todas as pessoas. Reserva para si o direito de ter misericórdia de quem quer.
8. Deus não trata nenhuma pessoa injustamente.

Nota do Blogueiro: *Creio que houve um erro em que neste pont a tradução usou o termo "livre árbitro", visto que o mesmo foi perdido na queda em Gn. 3, neste caso coloquei entre colchetes o termo que considero mais adequado que é "livre agência" que se adequa mais a teologia de R.C. Sproul.

Fonte: Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. 
Editora Cultura Cristã. 

terça-feira, 16 de junho de 2015

A Predestinação | R. C. SproulA Predestinação | R. C. Sproul

caminhada31

    • Provérbios 16.4 : O SENHOR fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade.
    • João 13.18: Não falo a respeito de todos vós, pois eu conheço aqueles que escolhi; é, antes, para que se cumpra a Escritura: Aquele que come do meu pão levantou contra mim seu calcanhar.
    • Romanos 8.30: E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.
    • Efésios 1.4-5: assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade,
    • 2 Tessalonicenses 2.13-14: Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.

Poucas doutrinas suscitam tanta polêmica ou provocam tanta consternação como a doutrina da predestinação. Trata-se de uma doutrina difícil, que precisa ser discutida com grande cuidado e precaução. Apesar disso, trata-se de uma doutrina bíblica, com a qual temos de lidar. Não devemos ousar ignorá-la.

Praticamente, todas as igrejas cristãs têm algum tipo de doutrina sobre a predestinação. Isso é inevitável, visto que o conceito claramente se encontra nas Escrituras. Muitas igrejas, entretanto, discordam—muitas vezes veementemente — quanto ao seu significado. O ponto de vista metodista é diferente do ponto de vista luterano, o qual discorda do ponto de vista presbiteriano. Embora seus pontos de vista difiram, cada um deles está tentando chegar a uma sólida compreensão desta difícil questão de maneira apropriada.

Em sua forma mais elementar, a predestinação significa que nosso destino final, seja o céu ou o inferno, é decidido por Deus não somente antes de irmos para lá, mas até mesmo antes que tivéssemos nascido. A predestinação ensina que nosso destino final está nas mãos de Deus. Outra maneira de expressar isso é: Desde toda a eternidade, antes mesmo que nós existíssemos, Deus decidiu salvar alguns membros da raça humana e permitir que o resto da raça humana perecesse. Deus fez uma escolha— escolheu alguns indivíduos para serem salvos na eterna bênção do céu e escolheu passar por sobre outros, permitindo que sofressem as conseqüências dos seus pecados no tormento eterno do inferno.

A aceitação desta definição é comum a muitas igrejas. Para chegar ao âmago da questão, alguém deve perguntar: como Deus fez tal escolha? O ponto de vista não-reformado, defendido pela grande maioria dos cristãos, é que Deus faz essa escolha com base em sua presciência. Deus escolhe para a vida eterna aqueles que sabe que o escolherão. Esse conceito é chamado de visão presciente da predestinação, porque baseia-se na presciência de Deus quanto às decisões ou ações humanas.

A visão reformada difere no fato de que ela vê a decisão final para a salvação nas mãos de Deus, e não nas mãos do homem. Segundo este ponto de vista, a eleição de Deus é soberana. Não se baseia em decisões ou respostas previstas por parte dos seres humanos. Aliás, vê tais decisões fluindo da graça soberana de Deus.

O ponto de vista da Reforma afirma que nenhuma pessoa caída jamais escolheria a Deus por iniciativa própria. Pessoas caídas ainda têm livre-arbítrio e podem escolher o que desejam. O problema é que não nutrem nenhum desejo por Deus e não escolherão a Cristo a menos que sejam antes regeneradas. A fé é um dom que procede do novo nascimento. Somente aqueles que foram eleitos responderão com fé ao Evangelho.

Os eleitos escolhem a Cristo somente porque antes foram escolhidos por Deus. Como no caso de Esaú e Jacó, o eleito foi escolhido exclusivamente com base no beneplácito soberano de Deus e não com base em algo que tivessem feito ou desejado fazer. Paulo declara:

“E não ela somente, mas também Rebeca, ao conceber de um só, Isaque, nosso pai. E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela. O mais velho será servo do mais moço... Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.” Romanos 9.10-12, 16

O problema mais incômodo envolvendo a predestinação é que Deus não escolhe ou elege salvar todas as pessoas. Ele reserva para si o direito de ter misericórdia de quem quer ter misericórdia. Alguns membros da humanidade caída recebem a graça e a misericórdia da eleição. Deus ignora o restante, deixando-os em seus pecados. Os não-eleitos recebem justiça. Os eleitos recebem misericórdia.

Ninguém é tratado com injustiça. Deus não é obrigado a ser misericordioso igualmente com todos. É decisão dele o quanto será misericordioso. Mesmo assim, nunca pode ser acusado de ser injusto com qualquer pessoa (ver Rm 9.14,15).

 
Sumário

  • 1. A predestinação é uma doutrina difícil e deve ser tratada com cuidado.
  • 2. A Bíblia ensina a doutrina da predestinação.
  • 3. Muitos cristãos definem a predestinação em termos de presciência de Deus.
  • 4. A visão da Reforma não considera a presciência como uma explicação para a predestinação bíblica.
  • 5. A predestinação baseia-se na escolha de Deus e não na escolha dos seres humanos.
  • 6. Pessoas não-regeneradas não nutrem nenhum desejo de escolher a Cristo.
  • 7. Deus não elege todas as pessoas. Reserva para si o direito de ter misericórdia de quem quer.
  • 8. Deus não trata nenhuma pessoa injustamente.

Fonte: Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã.

Fonte: Monergismo

sábado, 7 de dezembro de 2013

Seis pontos de meu calvinismo | Augustus Nicodemus Lopes

augustusÉ claro que estou brincando – o calvinismo tem muito mais do que cinco ou seis pontos. Esses que vou citar são alguns dos que creio com respeito à salvação. E mesmo assim, nem todos os que se consideram calvinistas concordariam completamente comigo. Meu alvo é tentar esclarecer o que calvinistas, em geral, acreditam sobre a soberania de Deus e a responsabilidade humana. Não coloquei textos bíblicos, pois não quero provar nada – só explicar o que acredito como calvinista.

1 – Creio que Deus predestinou tudo o que acontece. O Deus que determinou todas as coisas é um Deus pessoal, inteligente, justo, santo e bom, que traçou seus planos infalíveis levando em conta a responsabilidade moral de suas criaturas. Ele não é uma força impessoal, como o destino. Portanto, as decisões que tomamos não são mera ilusão e nossa sensação de liberdade ao tomá-las não é uma farsa. Eu acredito que as nossas decisões e escolhas são bem reais e que fazem a diferença. Elas não são uma brincadeira de mau gosto da parte de Deus. De uma maneira para mim misteriosa, porém perfeitamente compatível com um Deus onipotente e infinito, ele consegue ser soberano sem que a vontade de suas criaturas seja violentada. Ao mesmo tempo, ao final, sempre prevalecerá aquilo que Deus já determinou desde a eternidade.

Encaro essa relação entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana como sendo parte dos mistérios acerca do ser Deus, como a doutrina da Trindade e das duas naturezas de Cristo.

2 – Creio que Deus predestinou desde a eternidade aqueles que irão se salvar. Esta convicção não me impede de orar pelos descrentes e evangelizar. Ao contrário, evangelizo com esperança, pois Deus haverá de salvar pecadores. Creio que Deus já sabe, mas oro assim mesmo. Sei que ele ouve e responde, e que minhas orações fazem a diferença. Sei também que, ao final, através de minhas orações, Deus terá realizado toda a sua vontade. Não sei como ele faz isso. Mas, não me incomoda nem um pouco. Não creio que minha oração seja um movimento ilusório no tabuleiro da soberania divina.

3 – Não creio que Deus predestinou todos para a salvação. Da mesma forma, não creio que ele foi injusto e nem que ele fez acepção de pessoas para com aqueles que não foram eleitos. Não creio que Deus tenha predestinado inocentes ao inferno, pois não há inocentes entre os membros da raça humana. E nem acredito que ele tenha deixado de conceder sua graça a quem merecia recebê-la, pois igualmente não há pessoa alguma que mereça qualquer coisa de Deus, a não ser a justa condenação por seus pecados.

Deus predestinou para a salvação pecadores perdidos, merecedores do inferno. Ao deixar de predestinar alguns, ele não cometeu injustiça alguma, no meu entender, pois não tinha qualquer obrigação moral, legal ou emocional de lhes oferecer qualquer coisa.

4 – Creio que Deus sabe o futuro, não porque previu o que ia acontecer, mas porque já determinou tudo que acontecerá. Por isso, entendo que a presciência de que a Bíblia fala é decorrente da predestinação, e não o contrário. Negar a predestinação e insistir somente na presciência de Deus com o alvo de proteger a liberdade do homem levanta outros problemas. Quem criou o que Deus previu? E, se Deus conhece antecipadamente a decisão livre que um homem vai tomar no futuro, então ela não é mais uma decisão livre.

5 – Creio que apesar de ter decretado tudo que existe desde a eternidade, Deus acompanha a execução de seus planos dentro do tempo, e se comunica conosco nessa condição. Quando a Bíblia fala de um jeito que parece que Deus nem conhece o futuro e que muda de ideia algumas vezes, é Deus falando como se estivesse dentro do tempo e acompanhando em sequência, ao nosso lado, os acontecimentos. É a única maneira pela qual ele pode se fazer compreensível a nós. Quem melhor explica isso é John Frame, no livro "Não Há Outro Deus," da Editora Cultura Cristã, que recomendo entusiasticamente.

6 – Creio que Deus é soberano e bom. A contradição que parece haver entre um Deus soberano e bom que governa totalmente o universo, por um lado, e por outro, e a presença do mal nesse universo é apenas aparente e, por enquanto, sem explicação. Diante da perversidade e dos horrores desse mundo, alguns dizem que Deus é soberano mas não é bom, pois permite tudo isto. Outros, que ele é bom mas não é soberano, pois não consegue impedir tais coisas. Para mim, a Bíblia diz claramente que Deus não somente é soberano e bom – mas que ele é santo e odeia o mal.

Ao mesmo tempo, a Bíblia reconhece a presença do mal do mundo e a realidade da dor e do sofrimento que esse mal traz. Ainda assim, não oferece qualquer explicação sobre como essas duas realidades podem existir ao mesmo tempo. Simplesmente afirma ambas e pede que vivamos na certeza de que um dia Deus haverá, mediante Jesus Cristo, de extinguir completamente o mal e seus efeitos nesse mundo.

Deve ter ficado claro que um calvinista, para mim, é basicamente um cristão que aceita o que a Bíblia diz sobre a relação entre Deus e o homem e reconhece que não tem todas as explicações para as questões levantadas. Para muitos, esse retrato é de alguém teologicamente fraco e no mínimo confuso. Mas, na verdade, é o retrato de quem deseja calar onde a Bíblia se cala.

Por: Augustus Nicodemus Lopes – Via: Facebok

domingo, 3 de março de 2013

Reconstruindo Algumas das Bases de Bethlehem: As Doutrinas da Graça | John Piper

tulip

Acreditamos que essas 5 verdades são bíblicas e, portanto, verdadeiras. Acreditamos que elas magnificam a graça preciosa de Deus e dão gozo inefável aos pecadores que se desesperam tentando salvar a si mesmo.

Depravação Total

Nossa corrupção pecaminosa é tão profunda e tão forte que nos faz escravos do pecado e moralmente incapazes de superar nossa própria rebelião e cegueira. Esta incapacidade de nos salvarmos de nós mesmos é total. Estamos totalmente dependentes da graça de Deus para superar nossa rebelião, dar-nos olhos para ver, e efetivamente nos atrair ao Salvador.

Estando nós ainda mortos em nossas ofensas. (Efésios 2:5)

Porque a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus; na verdade, não pode ser. Portanto os que estão na carne não podem agradar a Deus. (Romanos 8:7-8)

Ora o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura, e não pode entende-las, porque elas se discernem espiritualmente. (1 Coríntios 2:14)

Eleição Incondicional

A eleição de Deus é um ato incondicional da graça que foi dada através de seu Filho Jesus antes que o mundo começasse. Por meio deste ato, Deus escolheu, antes da fundação do mundo, aqueles que seriam libertos da escravidão do pecado e trouxe ao arrependimento e à fé salvadora em Jesus.

Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo. (Efésios 1:4).

Todos quantos estavam ordenados para a vida eterna. (Atos 13:48)

"Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia." Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. (Romanos 9:15-16)

Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias. (1 Coríntios 1:27)

Israel falhou ao obter o que ele estava procurando. Os eleitos obtiveram, mas os demais foram endurecidos. (Romanos 11:7;. Cf 9:11-12, João 6:37)

O meu servo, a quem escolhi, para que saibais e me creiais. (Isaías 43:10)

Graça Irresistível

Isso significa que a resistência que todos os seres humanos exercem contra Deus todos os dias (Romanos 3:10-12, Atos 7:51) é maravilhosamente superada em tempo oportuno pela graça salvadora de Deus à indignos rebeldes que ele escolheu livremente para salvar.

Mesmo quando estávamos mortos em nossos delitos, [Deus] nos deu vida juntamente com Cristo — pela graça sois salvos. (Efésios 2:5)

Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai lhe não for concedido. (João 6:65)

Deus porventura, lhes dará o arrependimento para conhecerem a verdade. (2 Timóteo 2:25)

Expiação Limitada

A expiação de Cristo é suficiente para todos os seres humanos e eficaz para aqueles que confiam nele. A completa, salvação eficaz da expiação que Jesus realizou é limitada àqueles para quem o efeito salvador foi preparado. A disponibilidade da total suficiência da expiação é para todas as pessoas. Todo aquele que quiser — todo aquele que crer — será coberto pelo sangue de Cristo. E há um projeto divino na morte de Cristo para cumprir as promessas da nova aliança para a noiva escolhida de Cristo. Assim, Cristo morreu por todos, mas não por todos da mesma forma.

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (João 3:16;. Cf. Apocalipse 22:17).

Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós. (Lucas 22:20)

Cristo também amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela. (Efésios 5:25)

Eu dou a minha vida pelas ovelhas. (João 10:15)

E rogo por eles. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus... E por eles me santifico a mim mesmo [isto é, se preparar para morrer], para que também eles sejam santificados na verdade. (João 17:09, 19)

Aquele que nem mesmo seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas? (Romanos 8:32)

Perseverança dos Santos

Nós acreditamos que todos os que são justificados vencerão a luta da fé. Eles vão perseverar na fé e nunca se renderão ao inimigo de suas almas. Esta perseverança é a promessa da nova aliança, obtida pelo sangue de Cristo, e trabalhada em nós pelo próprio Deus, no entanto, não para diminuir, mas apenas para capacitar e encorajar a nossa vigilância, de modo que nós podemos dizer no final, Combati o bom combate, mas não era eu, mas a graça de Deus, que estava comigo

Aos que justificou, estes também glorificou. (Romanos 8:30)

As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem. E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. (João 10:27-28)

Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus. (Filipenses 1:6)

Prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. (Filipenses 3:12)

Descansando em Cristo e prosseguindo para o alvo.

Por John Piper

Fonte: Desiring God.

Foto por: Victor Silva, Projeto Castelo Forte

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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Livre-Arbítrio: A Salvação Depende da Escolha da Pessoa? | Rev. Ronald Hanko

No tempo da Reforma Protestante, Martinho Lutero escreveu um livro intitulado “The Bondage of the Will” [O Cativeiro da Vontade]. Este livro foi escrito contra um homem chamado Erasmo e seus ensinos de que o homem tinha livre-arbítrio, isto é, a capacidade de escolher se seria ou não salvo. Lutero disse a Erasmo que esta questão sobre o livre-arbítrio era o assunto mais importante da Reforma. Ele disse:

“Você [Erasmo] não tem me importunado com assuntos irrelevantes sobre o papado, purgatório, indulgências, e coisas semelhantes, que são mais bagatelas do que assuntos ... você, e somente você, tem visto a dobradiça sobre a qual tudo gira, e têm apontado para o ponto vital.”

A despeito do que Lutero escreveu, o ensino de Erasmo com respeito ao livre-arbítrio se tornou o ensino da maioria do Protestantismo de hoje. O livre-arbítrio é:

(1) Uma negação da predestinação. Predestinação significa que a vontade de Deus (a escolha de Deus) determina todas as coisas, incluindo quem serão salvos (Efésios 1:3-6). O livre-arbítrio ensina que a escolha do homem é o fator decisivo na salvação.

(2) Uma negação da verdade bíblica da fé salvífica como um dom de Deus (Efésios 2:8-10). O livre-arbítrio ensina que fé é uma decisão da própria pessoa de confiar em Cristo.

(3) Uma negação da verdade que Cristo morreu somente por seu povo (Mateus 1:21). O livre-arbítrio ensina que Cristo morreu por todos sem exceção, e que a salvação deles depende agora da aceitação que fazem de Cristo, isto é, de uma escolha do seu próprio “livre-arbítrio”.

A crença no livre-arbítrio também é manifesta no tipo de pregação e evangelismo que é mais popular hoje, o tipo que implora para os pecadores aceitarem a Cristo, que usa a chamada ao altar, os apelos, os momentos de decisão, o levantar de mãos, e outras táticas semelhantes para persuadi-los a agirem assim. Todas estas coisas pressupõem que a salvação de uma pessoa depende da sua própria escolha.

Cremos que a vontade do homem está cativa ao pecado e que ele não somente não pode fazer o bem, mas nem mesmo pode desejar (querer) fazê-lo (Romanos 8:7-8). Particularmente, ele não pode praticar o maior de todos os bens, ou seja, escolher a Deus e a Cristo.

Cremos, portanto, que o homem não pode crer em Cristo, a menos que isso lhe “seja dado do alto” (João 6:44).

Cremos também que não é a vontade do homem, mas sim a vontade soberana e eterna de Deus (predestinação) que é o fator decisivo na salvação (Atos 13:48; Filipenses 2:13).

Então, qual é o objetivo de pregar o evangelho? Ele é “o poder de Deus para salvação” (Romanos 1:16), a maneira na qual Deus dá fé e arrependimento a todos aqueles a quem ele escolheu desde a eternidade, e remiu em Cristo. Que este poder seja para a salvação de muitos!

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto - Monergismo.com

sexta-feira, 16 de março de 2012

Cinco Pecados que Ameaçam os Calvinistas: Parte 4 - O Pecado da Falta de Ação

Uma Grave Distorção
Esse pecado tem muita relação com o pecado anteriormentemencionado e representa uma grave distorção da doutrina da soberania de Deus.Muitas vezes seguimos adquirindo conhecimento e profundidade na nossa fé, masficamos inativos e não temos colocado a nossa fé em prática – não temos a açãoque deveríamos ter. Entendemos e nos convencemos das verdades que dizemrespeito à soberania de Deus, mas indolentemente ficamos aguardando ocumprimento dos Seus decretos.

Falta de Compreensão da Responsabilidade Humana.
Esse pecado é aquele que leva calvinistas a cruzarem osbraços, quando deveriam estar agindo, achando que Deus vai atuar de qualquerforma. É aquele pecado que faz com que a gloriosa doutrina da predestinação, emvez de ser alvo de admiração e humildade, seja utilizada como uma desculpa. É opecado que evidencia a falta de compreensão do que é o ensinamento bíblicosobre a responsabilidade humana. Temos que nos mirar no exemplo de Paulo. Elefoi o magistral expositor das doutrinas da graça, escolhido para isso peloEspírito Santo de Deus. Mesmo assim, ou melhor, precisamente pela sua completacompreensão da soberania divina e da responsabilidade humana, vemos Paulotrabalhando, lutando, sofrendo, escrevendo cartas, chegando a perder o sono,com o propósito de executar o serviço de Deus.

A “História” de um Casal Puritano
Lembro-me de uma ilustração que ouvi sobre um casal, daépoca dos puritanos. Por mais duvidoso que seja o relato, ele estimula o nossopensamento sobre a atitude de pessoas com relação à questão da responsabilidadehumana. Conta-se que um puritano, na Nova Inglaterra, habitava com sua famíliaem uma cabana no meio da floresta, distante de tudo e de todos, cuidando apenasdos campos plantados, em clareiras abertas no meio da floresta. Certo dia teveque sair de sua cabana para ir ao vilarejo, atravessando aquela florestainfestada de ursos ferozes, que atacavam animais e pessoas. O puritano colocoua sua melhor roupa preta e começou a se preparar para a jornada. Ao chegarperto da porta de saída, ele estendeu a mão e pegou sua espingarda, verificandose estava carregada. Nesse momento sua esposa exclamou!
– Não entendo essa sua preocupação com a espingarda, porquese você estiver predestinado a ser devorado por um urso, será devorado por ele;mas se estiver predestinado a chegar ao vilarejo em segurança, assim chegará!Deixe essa arma aí!
O puritano voltou-se à esposa, e com toda longanimidade quelhe era habitual, respondeu:
– Ó mulher! E se eu encontrar um urso que estejapredestinado a levar um tiro da minha espingarda e eu estiver sem ela, como éque eu vou fazer?

Podemos rir com a história, mas muitas vezes estamos, emnossas vidas, retratando aquela atitude da mulher daquele puritano. Comfreqüência, passamos a descansar indevidamente na soberania de Deus, quando Eleestá colocando as coisas na nossa frente, requerendo, de nós, alguma ação.

Temos que nos conscientizar que vivemos sob a égide davontade decretiva de Deus, mas no conhecimento e sob a diretriz clara de suavontade prescritiva. Nela, conforme expressa nas Escrituras, temos tudo o queprecisamos saber para agirmos responsavelmente, da forma como Ele quer quevenhamos a agir.

Um exemplo prático de Paulo
Talvez a maior confirmação prática, de como Paulo conjugavaesses dois lados da moeda, da soberania divina e da responsabilidade humana, éencontrado em Atos 27, no relato do naufrágio que sofreu, a caminho de Roma.Principalmente os versículos 22 a 44.

Uma das dramáticas declarações de Paulo, no meio datempestade que precedeu o naufrágio, é que nenhuma vida iria se perder! Eleafirma esse prognóstico com tanta segurança porque o anjo de Deus lhe disseraisso. Paulo era possuidor, nesse evento, de um conhecimento específico, porrevelação. No auge da época apostólica ele recebe esta revelação, que todosaqueles no navio seriam preservados. Ninguém iria se perder, pois Deus tinhaoutros propósitos. Assim, com uma determinação tão clara, Paulo transmite comtoda segurança a informação recebida – apesar de todos estarem temerosos, asvidas seriam poupadas, no meio da feroz tempestade. Notemos, entretanto, quePaulo não fica de braços cruzados, dormindo, esperando a milagrosa preservaçãode todos. Pelo contrário – encontramos Paulo ativo, dialogando e persuadindo aocenturião que era necessário que aqueles que procuravam safar-se do barco,voltassem ao navio. Paulo manda que se alimentem, para ficarem fortes, apesarde saber que Deus iria salvar a todos, mesmo em jejum. Ele estava ali cumprindoas suas responsabilidades, aquelas que foram colocadas por Deus perante ele.Paulo andava passo a passo, sob a vontade prescritiva do Senhor. Depois quetodas as 270 pessoas que se encontravam a bordo se alimentaram, passaram afazer o que estava à frente para ser feito: aliviaram o navio, lançando a cargaao mar. Diz-nos o verso 44 que “foi assim que todos se salvaram em terra”.

A plena consciência e convicção da soberania de Deus, navida de Paulo, nunca o levou a ser vítima do pecado da falta de ação. Que estepecado nunca esteja presente em nossas vidas, mas que, como Paulo, estejamosandando passo a passo debaixo da vontade prescritiva de Deus, revelada nasSagradas Escrituras. Que possamos, como calvinistas, ser confiantes nasoberania de Deus, mas também que estejamos engajados nas Suas verdades, na Suaobra e na Sua palavra.

Sequência: [Introdução][1ªParte][2ªParte][3ªParte][4ªParte][5ªParte]

Por: Solano Portela
Fonte: solanoportela.com

Este livreto foi publicado no site da 1a Igreja Presbiteriana do Recife contendo uma versão preliminar publicana na revista "Os Puritanos". A versão publicada aqui é a completa. Este texto completo foi publicado pela Editora PES e pode ser adquirido através do site da editora:
http://www.editorapes.com.br

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Somos Capazes de Cooperar: Semipelagianos | R.C. Sproul

Embora a controvérsia pelagiana tenha terminado com a condenação de Pelágio e seus seguidores, as concepções de Agostinho não foram universalmente aceitas em todos os seus detalhes. A oposição a alguns elementos do pensamento de Agostinho surgiu, primeiramente, na África do Norte. Alguns monges do monastério de Adrumetum, na África do Norte, fizeram uma objeção à visão de Agostinho da predestinação e à sua visão de que o homem caído é moralmente incapaz de se inclinar à graça de Deus. As questões levantadas nesse debate induziram Agostinho a escrever On Grace and Free Will e On Rebuke and Grace. Essas obras foram respondidas pelo abade do monastério, Valentino, de uma forma respeitosa e cordial.

Como a discussão continuava na Africa do Norte, uma oposição mais violenta aos pontos de vista de Agostinho estourou na França, particularmente no sul, em Massilia. Os amigos de Agostinho, Hilary e Próspero, o informaram a respeito dessa oposição e o persuadiram a escrever uma resposta. Agostinho assim o fez nas suas duas últimas obras, On the Predestination of the Saints e On the Gift of Perseverance. Nessas obras, Agostinho tratou seus críticos de forma mais gentil do que fez com Pelágio, considerando-os irmãos na fé. Essa atitude antecipou a aura das futuras controvérsias. Essencialmente, tanto os agostinianos quanto os semipelagianos tendem a considerar o pelagianismo como uma heresia tão séria a ponto de chamá-lo de não-cristão, enquanto a controvérsia em vigor entre os agostinianos e semipelagianos é um debate intramural entre crentes. Embora os temas envolvidos sejam tidos como completamente sérios por ambos os lados, não são considerados tão sérios a ponto de serem essenciais para a fé cristã.

O porta-voz do partido semipelagiano foi João Cassiano, abade do monastério de Massilia. Ele é tão identificado com o semipelagianismo que este, algumas vezes, é chamado de cassianismo. Cassiano curvou-se diante do mistério inescrutável dos decretos de Deus e foi relutante em investigar profundamente a questão da predestinação. Sua principal preocupação era salvaguardar a universalidade da graça de Deus e a responsabilidade moral real do homem caído.

Quando uma controvérsia teológica surge, é sábio parar um pouco e perguntar, “Quais são os interesses?”. Tendo em foco os interesses de ambas as partes na disputa, criamos uma atmosfera na qual ambos os lados podem ser ouvidos imparcialmente. Os lados freqüentemente descobrem que compartilham interesses, mas têm diferentes modos de lidar com eles ou enfatizam diferentes áreas de importância. Por exemplo, Agostinho claramente tinha um forte desejo de manter a primazia da graça divina e da soberania. Os semipelagianos queriam preservar as mesmas verdades, mas eram também profundamente preocupados com a liberdade e a responsabilidade humanas assim como com a disponibilidade universal da graça salvadora.

Quando os interesses mútuos são declarados e mesmo quando ambos os lados compartilham certos interesses, isso não resolve automaticamente a questão. Encontrar pontos de concordância pode melhorar a atmosfera da discussão e fornecer uma base para a confiança mútua entre os contendores.

E, então, a discussão deve prosseguir finalmente para as questões nas quais os lados diferem.


O Semipelagianismo de Cassiano


As preocupações de Cassiano e de seus seguidores abrangem o que se segue:

1. As concepções de Agostinho são novas e representam um afastamento dos ensinos dos pais da igreja, especialmente Tertuliano, Ambrósio e Jerônimo. O próprio Cassiano foi aluno de Crisóstomo.

2. O ensino de Agostinho sobre a predestinação “mutila a força da pregação, reprovação e energia moral,... imerge os homens no desespero”, e introduz “uma certa necessidade fatal”. (1)

3. As fortes concepções de Agostinho não são necessárias para refutar as heresias de Pelágio e fugir delas.

4. Embora a graça de Deus seja necessária para a salvação e assista a vontade humana no fazer o bem, é o homem, não Deus, quem deve desejar o que é bom. A graça é dada “a fim de que aquele que começou a desejar, seja assistido”, não para dar “o poder de desejar”.(2)

5. Deus deseja salvar todas as pessoas e a propiciação da expiação de Cristo está disponível a todos.

6. A predestinação baseia-se na presciência divina.

7. Não há “um número definido de pessoas a serem eleitas ou rejeitadas”, desde que Deus “deseja que todos os homens sejam salvos, porém nem todos os homens são salvos”.(3)

Cassiano escreveu doze livros investigando as lutas e virtudes da vida monástica. No Collationes patrum, ele detalha suas diferenças tanto com Pelágio quanto com Agostinho. “Nessa obra, especialmente no décimo terceiro Colóquio, ele rejeita decididamente os erros de Pelágio e afirma a pecaminosidade universal dos homens, a introdução desta por meio da queda de Adão e a necessidade da graça divina para cada ato individual”, escreve Philip Schaff. “Mas, com referência evidente a Agostinho, sem o mencionar, ele combate as doutrinas da eleição e da operação particular e irresistível da graça, as quais estavam em conflito com a tradição da igreja, especialmente com a teologia oriental e com o seu próprio legalismo asceta sério”. (4)

Cassiano enfatizou a realidade tanto da pecaminosidade humana quanto da responsabilidade moral do homem. Ele manteve que o pecado de Adão é uma doença hereditária. Desde a queda de Adão tem havido um infirmitas liberi arbitrii.(5) Cassiano afirma a doutrina do pecado original na qual o homem é decaído em Adão. Mesmo o livre-arbítrio de Adão foi infectado pela queda, pelo menos a um grau que é agora “débil”. A vontade não foi destruída e nem ele é moralmente impotente de forma completa. Aqui, Cassiano rejeita o ponto de vista de Agostinho sobre a incapacidade moral da vontade em se inclinar para o bem ou para Deus.

Completamente contra Pelágio, Cassiano insistiu que a graça e necessária para a justiça. Essa graça, no entanto, é resistível. Porque para ser efetiva, a vontade humana deve cooperar com ela. Cassiano estava essencialmente preocupado aqui em manter que somos incapazes de fazer qualquer bem sem a ajuda de Deus e que o nosso livre-arbítrio deve ser ativo.

Adolph Harnack resume a visão de Cassiano:

“A graça de Deus é a base da nossa salvação; cada começo deve ser traçado por ela, porquanto ela proporciona a chance da salvação e a possibilidade de se ser salvo. Mas essa é a graça exterior; a graça interior é a que se apodera do homem, aclara, purifica, santifica e penetra tanto na sua vontade quanto na sua inteligência. A virtude humana não pode crescer nem ser aperfeiçoada sem essa graça — logo, as virtudes dos pagãos são muito pequenas. Mas o início das boas decisões, bons pensamentos e fé — entendidos como a preparação para a graça — pode ser devido a nós mesmos. Conseqüentemente, a graça é absolutamente necessária para alcançarmos a salvação final (perfeição), mas não tanto para dar a partida. Ela nos acompanha em todos os estágios do nosso crescimento interior, e as nossas manifestações não são úteis sem ela (libero arbitrio semper co-operatur); mas ela apenas apóia e acompanha aquele que realmente se esforça... mesmo essa... ação da graça não é irresistível".(6)

Na visão de Cassiano, a diferença-chave com Agostinho se encontrava na graça irresistível. Para Agostinho, a vontade do homem, embora ainda capaz de fazer escolhas, é moralmente incapaz de se inclinar em direção ao bem. A vontade não é espiritualmente débil, mas espiritualmente morta. Apenas a graça eficaz de Deus pode liberar o pecador para crer. A diferença entre Agostinho e Cassiano é a diferença entre monergismo e sinergismo no começo da salvação. Cassiano e o semipelagianismo são, com relação ao passo inicial do pecador em direção à salvação, decididamente sinergísticos. Deus torna sua graça disponível ao pecador, mas o pecador deve, com sua vontade débil, cooperar com essa graça a fim de ter fé ou para ser regenerado. A fé precede a regeneração. Para Agostinho, a graça da regeneração é monergística. Isto é, a iniciativa divina é uma condição prévia necessária para a fé.

Quando Agostinho diz que a graça é irresistível, ele quer dizer que ela é eficaz. Ela é uma obra monergística de Deus que realiza o que ele pretende que ela realize. A graça divina muda o coração humano, ressuscitando o pecador da morte espiritual para a vida espiritual. A graça regeneradora faz com que o pecador deseje crer e se aproxime de Cristo. Anteriormente, o pecador não desejava e não estava inclinado a escolher Cristo, mas agora ele não apenas deseja, mas está ansioso por escolher Cristo. O pecador não é arrastado a Cristo contra a sua vontade ou forçado a escolher algo que não quer escolher. A graça divina da regeneração muda a disposição do coração de forma a levantar o pecador da morte para a vida, da incredulidade para a fé.

Essa concepção é claramente monergística no ponto inicial do movimento do pecador da incredulidade para a fé. O processo todo, no entanto, não é monergístico. Uma vez dada a graça operante da regeneração, o resto do processo é sinergístico. Isto é, depois da alma ter sido mudada pela graça irresistível ou eficaz, a própria pessoa escolhe Cristo. Deus não faz a escolha por ela. É a pessoa que crê, não Deus que crê por ela. De fato, o resto da vida cristã de santificação se revela num modelo sinergístico.

Há muita confusão sobre o debate entre o monergismo e o sinergismo. Quando o agostinianismo é definido como monergístico, devemos nos lembrar de que ele é monergístico com relação ao começo da salvação, não com relação a todo o processo. O agostinianismo não rejeita todo o sinergismo, mas rejeita um sinergismo que é todo sinergismo.

Por outro lado, o semipelagianismo é todo sinergismo. Isto é, é sinergístico desde o começo. Reinhold Seeberg comenta:

A idéia de Cassiano é que a vontade humana foi, de fato, mutilada pelo pecado, mas que uma certa liberdade permaneceu nela. Por causa disso, ela é capaz de se voltar para Deus e, justamente como Deus tinha primeiramente se voltado para ela, é capaz, com a assistência da graça divina colocando a lei diante dela e infundindo o poder necessário, de desejar e fazer o que é bom. Conseqüentemente, o pecador não está mono, mas ferido. A graça surge à vista, não como operans, mas como cooperans; a ela não deve ser atribuída a atividade exclusiva, mas sinergia... Isso foi uma tentativa instrutiva de preservar a relação pessoal e espiritual do homem com Deus. Mas a tentativa da necessidade rendeu-se ao que era melhor em Agostinho — o sola gratia. (7)

Um resumo similar é oferecido por Schaff:

Em oposição a ambos os sistemas [pelagianismo e agostinianismo], ele [Cassiano] pensava que a imagem divina e a liberdade humana não haviam sido aniquiladas, mas apenas enfraquecidas pela queda; em outras palavras, que o homem estava doente mas não morto, que não podia, de fato, ajudar-se, mas podia desejar a ajuda de um médico e aceitá-la ou recusá-la quando oferecida, e que ele devia cooperar com a graça de Deus na sua salvação. À questão sobre qual dos dois fatores tem a iniciativa, ele responde de forma completamente empírica: que algumas vezes, e, de fato normalmente, a vontade humana, como nos casos do Filho Pródigo, Zaqueu, do Ladrão Penitente e de Cornélio, orienta-se para a conversão; algumas vezes a graça a antecipa e, como com Mateus e Paulo, retira a vontade resistente — porém, mesmo nesse caso, sem coerção — a Deus. Aqui, conseqüentemente, a gratia praeveniens é manifestamente negligenciada. (8)

Schaff é um pouco impreciso quando conclui que Agostinho ensinou que a queda “aniquilou” a liberdade humana. Nós nos lembramos da distinção de Agostinho entre autonomia (livre-arbítrio) e liberdade. O livre-arbítrio não foi aniquilado no sentido de que a vontade foi obliterada ou destruída. O poder moral de se inclinar para o bem é que foi aniquilado. De acordo com Agostinho, a liberdade foi aniquilada, não o livre-arbítrio. Para Cassiano, a graça que Deus dá ao pecador, com a qual o pecador deve cooperar para ser salvo, é essencialmente a graça da iluminação ou instrução. A conversão é efetivada deste modo: “...quando ele observa em nós o início de uma boa vontade, [Deus] imediatamente a ilumina, conforta e incita rumo à salvação, conferindo um aumento sobre o que ele mesmo implantou ou viu surgir a partir de nosso próprio esforço”.(9) O ponto crucial é que o início da salvação depende de um movimento inicial de boa vontade dentro do pecador caído. Deus concede a assistência da graça àqueles que fazem esse bom movimento inicial. Para Agostinho, nenhum pecador pode fazer esse bom movimento inicial a não ser que Deus primeiramente o liberte.

Resistência ao Semipelagianismo

Contra a obra de Cassiano, o amigo de Agostinho, Próspero de Aquitaine, escreveu um livro sobre graça e liberdade em 432. Cassiano teve como aliados o monge Vicente de Lerins, Fausto de Riez, Genádio de Massilia e Arnóbio. O debate continuou a vociferar por décadas. O semipelagianismo venceu na Gália nos Sínodos de Arles (471) e Lyons (475). Enquanto isso, o agostinianismo foi sendo atenuado pelos sucessores de Agostinho. Em 496, o papa Gelásio 1 sancionou os escritos de Agostinho e Próspero e condenou os de Cassiano e Fausto. O debate alcançou o seu clímax em 529 no Sínodo de Orange, o qual condenou o sistema do semipelagianismo. Schaff fornece uma lista das proposições cruciais estabelecidas pela igreja no Sínodo de Orange:

• O pecado de Adão não prejudicou apenas o corpo, mas também a alma do homem.

• O pecado de Adão trouxe o pecado e a morte sobre a humanidade.

•A graça não é meramente conferida quando oramos por ela, mas é a própria graça quem nos faz orar por ela.

• Até mesmo o início da fé, a disposição para crer, é efetivada pela graça.

• Todos os bons pensamentos e obras são dons de Deus.

• Mesmo os regenerados e santos precisam continuamente da ajuda divina.

• O que Deus ama em nós não é nosso mérito, mas seu próprio dom.

• O livre-arbítrio enfraquecido em Adão só pode ser restaurado pela graça do batismo.

• Todo o bem que possuímos é dom de Deus e, conseqüentemente, ninguém deveria vangloriar-se.

• Quando o homem peca, ele faz a sua própria vontade; quando ele faz o bem, ele executa a vontade de Deus, mas voluntariamente.

• Com a queda, o livre-arbítrio foi tão enfraquecido que sem a graça preveniente ninguém pode amar a Deus, crer nele ou fazer o bem em nome de Deus....

• Em cada boa obra, o início não procede de nós, mas Deus inspira em nos a fé e o amor a ele, sem mérito precedente de nossa parte, para que desejemos o batismo e, após o mesmo possamos, com a sua ajuda, cumprir a sua vontade.(10)

A igreja Católica Romana estava claramente rejeitando a visão de que o ponto de partida da fé é a vontade caída. A capacidade para fazer o bem procede da graça, a graça concedida na regeneração. Deve ser notado aqui que, tanto quanto em Agostinho, a graça da regeneração é efetivada pelo sacramento do batismo. A regeneração batismal foi, mais tarde, categoricamente rejeitada pelos calvinistas e também pela maioria do outros protestantes.

A predestinação e a graça irresistível foram mais ou menos omitidas nos pronunciamentos dos sínodos. A igreja adotou um caminho mais agostiniano do que pelagiano. Alguns têm referido-se a ele mais como semiagostinianismo do que semipelagianismo, achando-o mais próximo de Agostinho do que de Cassiano.
Por: R.C. Sproul
NOTAS:

1. Reinhold Seeberg, Text-Book of the History of Doctrines, vol. 1, History of Doctrines in the Ancient Church, trad. por Charles E. Hay (1905; Grand Rapids: Baker, 1977), p. 369.

2. Ibid.

3. Ibid.

4.Philip Schaff, History of the Christian Church, 8 vols. (1907-10; Grand Rapids: Eerdmans, 1952-53), 3:861.

5.Seeberg, History of Doctrines, 1:370. Seeberg cita João Cassiano, Collationum, 3.12.

6.Adolph Harnack, History of Dogma, parte 2, livro 2, trad. por James MilIar (1898: Nova York: Dover, 1961), p. 247.

7.Seeberg, History of Doctrines, 1:37 1-72.

8. Schaff, History of the Christian Church, 3:861.

9.João Cassiano, Collationum, 13.8, 7. Citado por Seeberg, History of Doctrines, 1:371.

10.Schaff, History of the Christian Church, 3:867, 869.


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Fonte: Sola Gratia – A controvérsia sobre o livre-arbítrio na História. – R.C.Sproul
Editora Cultura Cristã – 1a Edição – 2001 – 3.000 exemplares – Tradução: Mauro Meister
Extraido do: Monergismo.com

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Igreja Cristã - Charles H. Spurgeon


A Igreja de Deus é um jardim, assim chamada no livro de Cantares de Salomão; portanto, sei que não estamos errados em usar esta ilustração.

Mas o que representa um jardim?

Em primeiro lugar, ele implica separação.

Um jardim não é uma terra não cultivada, um matagal, uma terra pública, nem tão pouco um deserto. Ele é cercado ao redor; está encerrado ali. Ah, cristãos! quando vocês se unem a Igreja, lembrem-se, também, que se tornam, por profissão, guardados nela, para o Rei Jesus. Eu desejo, sinceramente, ver a parede de separação entre a Igreja e o mundo tornar-se mais ampla e forte. Creiam-me, nada me entristece mais do que quando ouço membros da Igreja dizendo: "Bem, não há nenhum mal nisto; não há mal naquilo", e vão se aproximando do mundo tanto quanto possível. Não importa o que você pense disto, mas estou certo que você está decaindo da graça até mesmo quando você levanta a questão de quão longe você pode ir na conformidade mundana. Devemos evitar a aparência do mal, e especialmente nesta época festiva do ano, este natal, quando tantos de vocês estão tendo suas festas, suas brincadeiras de crianças e todo aquele tipo de coisa.

Eu queria vocês duplamente zelosos e recordados, membros de igreja, de que vocês são cristãos sempre, se de fato o são. Não podemos conceder dispensações ao pecado, como a Igreja Católica fez nos dias de Lutero. Vocês devem estar sempre vestidos com suas fardas, como soldados de Cristo, e nunca, em tempo algum, dizer: "Bem, eu vou fazer isto só agora; é somente uma vez no ano; farei como o mundo faz; não posso ficar fora de moda" .

Você deve estar fora de moda, ou fora da Igreja verdadeira, lembre-se disto, porque o lugar da Igreja de Cristo é inteiramente fora dos costumes do mundo. Vocês são chamados para ir avante sem o regimento, suportando sua reprovação. Se você quer ficar no acampamento, você não pode ser um discípulo de Cristo, pois o amor do mundo é inimizade com Cristo. Você deve ser separado ou ser perdido. Se você quer ser comum, você não pode ser jardim; e se você está desejoso e ansioso para ser jardim, ora, então, não procure ser o comum. Mantenha as cercas levantadas; mantenha os portões bem trancados; os jardins do rei não devem ser deixados abertos para ladrões e salteadores.

Não se conforme com o mundo, mas seja transformado pela renovação da sua mente.

O jardim do Rei é um lugar separado - guarde isto.

O jardim do rei é um lugar de ordem.

Quando você vai para o seu jardim, você não encontra as flores todas espalhadas de qualquer modo, mas o jardineiro sábio as dispõe de acordo com suas matizes e colorações, de modo que no meio do verão o jardim pareça com um arco-íris que tenha sido quebrado em pedaços e deixado sobre a terra, prazeroso de se contemplar. Todos os cercados são regulares, os canteiros proporcionais, e as plantas bem arrumadas, como deveriam ser. Tal deveria ser a Igreja cristã - pastores, diáconos, presbíteros, membros, todos em seus devidos lugares. Nós não somos um monte de tijolos, mas uma casa. A Igreja não é um mero montão, mas é para ser um palácio construído para Deus, um templo onde Ele se manifesta. Vamos todos tentar manter ordem na casa de Cristo, e acima de tudo, detestar discórdia e confusão. Sejamos homens que sabem como manter a dignidade, mantendo uma ordem apropriada e regularidade em todas as coisas. Nós buscamos não uma ordem que consista em todas as pessoas dormindo em seus lugares, como corpos em catacumbas, mas desejamos a ordem que encontre todos trabalhando em seus lugares para a causa comum do Senhor Jesus.

Que nós nunca sejamos uma Igreja desordenada, desunida, irregular.

Que possa haver ordem no jardim, preservada pelo poder do amor e graça.

O jardim é um lugar de beleza.

Tal deveria a Igreja de Cristo ser. Você colhe as mais belas flores de todas as terras, e coloca-as no seu jardim, e se não há beleza nas ruas, você espera que haja nos canteiros do floricultor. Então, se não existe santidade, amor, zelo, nem devoção fora, no mundo, que possamos ver estas coisas na Igreja. Não devemos tomar o mundo como nosso guia, mas devemos excedê-lo. Devemos fazer mais do que outros. O Senhor Jesus Cristo disse a seus discípulos que a justiça deles deveria exceder, em muito, a dos escribas e fariseus, ou eles não poderiam entrar no reino; e o genuíno cristão deve buscar ser mais excelente em sua vida do que o melhor dos moralistas, porque o jardim de Cristo deve ter as mais belas flores de todo mundo. Mesmo o melhor é pouco comparado com os méritos de Cristo; não O coloquemos com plantas murchas e secas.

Os lírios e rosas mais raros, valioso e finos devem florir no lugar que Jesus chama de seu.

O jardim do rei é um lugar de crescimento, também.

Não acho que o floricultor pudesse pensar que o solo no qual suas plantas não crescem, é próprio para ser um jardim. Seria um desperdício total para ele, se as mudas continuassem mudas e os botões nunca se tornassem flores. Assim na Igreja de Deus. Não somos introduzidos na comunhão para sermos sempre os mesmos, sempre crianças e bebês na graça. Devemos crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Reuniões de oração deveriam ser escolas de educação prática para nossos amados jovens membros; um lugar onde os pequenos pássaros tentem alçar vôo. Se eles tentarem orar, talvez no princípio possam quase falhar, mas se não derem espaço para uma timidez tola, eles logo a superarão e se acharão úteis, não só nas orações públicas, mas em milhares de deveres úteis, também. O crescimento deve ser rápido onde Jesus é o lavrador e o Espírito Santo o orvalho do alto.

Mais uma vez, um jardim é um lugar de retiro.

Quando um homem está em seu jardim, ele não espera ver todos seus clientes andando entre os canteiros para fazer negócios com ele. "Não", ele diz, "estou andando no meu jardim e espero estar só". Assim o Senhor Jesus Cristo nos reservou a Igreja para ser um lugar onde Ele pode manifestar-se a nós, do modo como Ele não o faz ao mundo. Ó, eu desejo que os cristãos sejam mais quedados, e mantivessem seus corações mais calados para ouvir a Cristo! Receio que freqüentemente nos preocupamos e agitamos, como Marta, com muito serviço, de tal modo que não temos um tempo para Cristo como o que Maria teve, e não nos sentamos aos Seus pés como deveríamos fazer.

O Senhor nos conceda graça para manter nossos corações como jardins isolados para que Cristo ande neles.

Esta, então, é uma pobre descrição do que a Igreja é; e a partir de agora, muito resumidamente, trataremos de quem ela é.

A Igreja é um jardim, mas é o jardim do Rei.

A Igreja não é minha, nem de vocês, mas do Rei. É o jardim do Rei, porque Ele a escolheu para Si.

"Somos um jardim, ao redor protegido,
propriedade particular, escolhido;
Um pequeno lugar pela graça cercado,
Fora do mundo, este deserto descerrado."

Somos do Rei, porque Ele nos comprou.

Nabote disse que não entregaria sua vinha porque a tinha herdado. Assim também, Cristo nos recebeu por herança através de um título irrevogável. Somos Sua herança, e Ele tão ternamente nos comprou com Seu próprio sangue, que nunca nos entregaria, abençoado seja Seu nome! Somos dEle, porque nos conquistou. Ele nos ganhou numa justa batalha e agora nós reconhecemos a validade da Sua escritura, e confessamos, cada um de nós, como membros da Igreja, que somos dEle e que Ele é nosso.

Que nobreza isto confere à Igreja de Cristo!

Algumas vezes escuto pessoas falando afrontosamente das reuniões de igreja; podem estar presentes poucas pessoas, algumas delas podem ser jovens membros, outras muito idosas, ainda assim, eu me ofendo quando ouço pessoas menosprezarem tal encontro, pois Cristo não o desprezaria. Sempre que a Igreja se reúne, tanto como um todo, ou representativamente, há uma dignidade solene sobre aquela assembléia que não é encontrada num parlamento de reis e príncipes. Se Napoleão pudesse formar um senado com todos os potentados deste mundo, em Paris, e tivesse um congresso lá, todos eles juntos não se comparariam com uma meia dúzia de mulheres idosas piedosas que estivessem juntas, como Igreja, no nome de Cristo, em obediência ao mandamento do Senhor; pois Deus não estaria com os potentados, mas estaria com o mais humilde e desprezado do seu povo que reúne-se como Igreja no nome de Jesus. "Eu estou com vocês até o fim do mundo" é mais glorioso do que arminho, ou púrpura, ou coroa.

Fazer parte da Igreja no nome de Cristo, e reunir-se como tal, suplanta qualquer assembléia sobre a face da terra, e até mesmo a assembléia celeste dos nascidos primeiros, é somente uma parte do grande todo no qual as assembléias da Igreja na Terra, são parte essencial.

A Igreja é o jardim do Rei.

Agora pergunto:
"Mas se a Igreja é um jardim, de que ela precisa?"

Uma coisa que certamente requer, é trabalho.

Você não pode manter um jardim em ordem sem trabalho. Precisamos de mais trabalhadores nesta Igreja, especialmente de uma espécie. Precisamos de alguns para ser agricultores. Eu recebi uma carta semana passada, de uma moça; eu não a conheço, mas ela disse que tem vindo aqui por dois anos; que anseia por sua alma, e freqüentemente tem desejado que alguém falasse com ela, mas ninguém o faz. Se eu soubesse onde ela senta, eu diria para os amigos que sentam lá, que me envergonho deles! Não sei como vocês deixam uma pessoa vir a este Tabernáculo por dois anos sem nunca falar com ela! Alguém tem sido negligente, muito negligente. Não digo que vocês devam falar sobre as melhores coisas na primeira vez que os virem, apesar de tentarem fazer isto a qualquer custo; mas como estar em silêncio por dois anos? Vocês vêm duas vezes no domingo, e aquela jovem também; bem, houve duzentas oportunidades que você perdeu; duzentas vezes que vocês deixaram aquela pobre alma ir embora, queimando, sem falar com ela!

Eu quero trabalhadores, reais e esforçados ganhadores de alma.
Eu quero agricultores que coloquem a muda onde ela crescerá.

Eu quero ajudantes que apanhem o cordeirinho, assim que nasçam, e o carreguem em seu peito por algum tempo; enfermeiros espirituais que dêem conforto aos de coração quebrantado e que coloquem o óleo da consolação nas feridas dos pobres pecadores vacilantes.Em cada igreja deve haver quem olhe por aqueles que foram plantados. Quando recebemos membros, devemos olhar por eles, e como uma só pessoa não pode fazê-lo totalmente, e mesmo os presbíteros e diáconos dificilmente serão em número suficiente para tão grande trabalho, deveria ser o propósito e dever de todo cristão experiente na igreja cuidar, atenciosamente, dos inexperientes.

Creio que muitos de vocês fazem isto, e sou muito agradecido aos amigos zelosos que não tem ofício na igreja, mas que fazem um grande trabalho na visitação dos enfermos e no cuidado com os neófitos. Só o que eu quero é que todos vocês façam o mesmo. Ó! se todos nós estivéssemos devidamente preocupados em manter este jardim em ordem, quão bem tratado toda a bordadura seria, e quão poucas ervas-daninhas encontraríamos brotando nos canteiros! Posso perguntar-lhes, membros de igreja, se vocês estão fazendo seus deveres pelo jardim de Deus? Vocês são seus escolhidos e Ele trabalhou por vocês de forma que não precisam fazer nada para obter a salvação; mesmo assim, você não deve ser inativo, pois o seu Senhor disse para você: "Vá, trabalhe hoje na minha vinha". Você está fazendo isto? Agradeço-lhe se estiver. Se não, acusem-se.

Deveria existir uma pequena laçada em cada igreja, para recolher os espalhados. Nossas videiras crescerão desordenadamente se lhes for permitido, mas devemos lidar sabiamente com elas, e fixá-las em seus lugares. Devemos estar alertas onde vemos apostasia começar. Quanto pode ser feito por cristãos maduros, na tentativa de deter a apostasia entre os mais novos! Creio que metade dos casos de declínio, podiam ter sido detidos através de uma pequena providência judiciosa, se os crentes a tivessem tomado em tempo.Eu digo outra vez, o que nós, que somos os oficiais desta igreja, podemos fazer com tantos? Ora, nós somos mais do que três mil e quinhentos membros; mas, se vocês zelarem uns pelos outros, e procurarem, sempre que verem um pequeno declínio, uma pequena frieza, trazer de volta o seu irmão, o jardim do Rei será bem cuidado.

O jardim do Rei necessita de trabalhadores; que todos vocês trabalhem e esta necessidade será satisfeita. Algumas vezes, irmãos, precisamos queimar o entulho e varrer as folhas. Na melhor da igrejas sempre haverá folhas caindo. Nenhum de nós é perfeito. Sempre há algumas folhas em redor e não pouco cisco para ser colocado num canto e queimado. Posso pedir a um irmão, sempre que ele vir algum erro, para varrê-lo e não comentar nada com ninguém. Sempre que vocês acharem que aquele tal irmão está se portando inconvenientemente, falem com ele sobre isto com quietude; não espalhe por toda a igreja e produza desconfiança e suspeita. Pegue a folha e a destrua. Quando um irmão o ofender, de forma que o aborreça, perdoe-o; porque, eu ouso dizer, você necessitará de perdão um pouco mais tarde. Nenhum de nós, talvez, tenha o mais doce dos temperamento, mas, se o temos, a forma de prová-lo é perdoando aqueles que não o tem. Se todos nós buscarmos fazer a paz, nunca haverá discórdia no jardim do Rei que O possa incomodar; mas quando Ele andasse no seu jardim, o acharia bonito e em ordem, e todas as flores brotando encantadoramente, e Ele encontraria prazeres com os filhos dos homens.
Eu disse que a igreja necessita de trabalhadores, mas, queridos amigos, ela necessita de algo mais. Necessita de novas plantas. Desejo achar algumas hoje a noite. Nosso Rei encontra plantas para seu jardim fora do muro. Ele toma os galhos da oliveira selvagem e os enxerta na boa oliveira, e então, a seiva faz a mudança. Que coisa estranha! Não é assim em nossos jardins, mas maravilhas são feitas no jardim do Rei. Ele transporta ervas-daninhas do monturo e as faz crescer como lírios no meio do seu belo jardim. Vocês serão tal planta? Que o amor do Mestre possa constrangê-los a desejar ser uma delas, e, se quiserem, vocês conseguirão. Confie no Senhor Jesus Cristo e você será dEle. Descanse somente nEle, e você será uma planta que foi plantada por Sua mão direita e nunca será arrancada . Deus conceda que vocês floresçam nos céus.

Mas, queridos amigos, todos os trabalhadores e todas as plantas novas, não serão o que a igreja requer, se ela não tiver alguma coisa mais, pois todo jardim necessita de chuva e sol. Esta igreja nunca prosperaria sem o orvalho do Espírito Santo e o sol do favor divino. Temos tido esta bênção grandemente. Devemos orar para que tenhamos mais. Gostaria de saber de vocês quanto tempo faz que não vem a uma reunião de oração? Bem, vocês não tem vindo ultimamente porque é época de natal. Muito bem, não esperava vê-los; e, se esperasse, teria sido desapontado. Mas não era época de natal até outubro, e vocês não estavam aqui também. Alguns de vocês muito raramente vem. Se vocês são legitimamente impedidos em casa, eu nunca pediria que viessem, ou os repreenderia por dedicarem-se aos seus deveres domésticos, pois vocês não tem o direito de deixar negócios legítimos, que devem ser feitos, para estar aqui. Mas, estou certo que alguns de vocês são desocupados, e poderiam vir se quisessem. Eu oro ao Senhor para mandar-lhes um chicote na forma de peso em suas consciências, até que venham, pois quando nosso número declina, nos enfraquecemos em nossas orações; e sempre que desprezamos os cultos da noite, no meio da semana, estejam certos de que o poder da piedade se vai, pois os cultos do meio da semana distinguem, bem, um homem. Qualquer hipócrita virá no domingo, mas um homem precisa ter algum interesse no culto religioso para ser encontrado no meio do povo de Deus em oração.

Devo crer que alguns de vocês não se interessam se almas são ou não salvas?
Devo crer que alguns de vocês não se interessam se seu pastor é ou não abençoado?
Devo crer que vocês continuam membros de uma igreja na qual não tem interesse?
Devo crer que não significa nada para vocês se Cristo é desprezado ou exaltado?

Eu não acreditarei nisto, e contudo suas ausências das reuniões de oração tendam a me fazer temer que seja assim. Eu imploro a vocês: corrijam-se nesta questão, e assim como o jardim do Rei precisa de chuva e sol, e não podemos esperar ter isto sem oração, não nos esqueçamos de nos congregarmos, como é costume de alguns.

Ó, mais orações e mais pessoas que orem! e por aqueles que oram, orar com mais fervor e mais constância na súplica! Um favor eu pediria. Se vocês não vem às reuniões de oração, e muitos, eu sei, não podem, e eu não estou falando com vocês, nem os culpando, orem em família, orem em secreto por nós. Não nos deixe ser escasso em oração. É muito ruim vir a ser pobre financeiramente, porque nós necessitamos disto para mil causas e não podemos continuar sem ele. Mas podemos fazer melhor sem dinheiro do que sem oração. Devemos ter suas orações. Eu quase digo que se não nos derem suas orações diárias, desistam de sua comunhão, pois não é proveitosa para vocês e não pode ser útil para nós.

O mínimo que um membro de igreja pode fazer é suplicar a Deus que derrame suas bênçãos.
É o jardim do Rei, e vocês não orarão por ele?
É o jardim onde Ele sente prazer em estar, e o qual Ele adquiriu com Seu sangue; suas orações
não subirão em favor do florescimento desta igreja e para que Seu reino venha?

Por último, o que este jardim produz?
Algumas vezes em nosso jardim temos uma árvore que está tão carregada de frutos que temos que colocar escoras em seus galhos; existem um ou dois deste tipo nesta igreja, que carregam muito fruto para Deus e são tão fracos, fisicamente, que sua própria frutificação no zelo e dedicação parece que os quebrarão.

Eu oro a Deus que com Sua promessa graciosa possa sustentá-los.
Temo, porém, que este não seja o retrato da maioria de nós.
As vezes você diz ao jardineiro:
"Aquela árvore dará frutos nesta estação? Já era hora deles aparecerem".
Ele olha, olha e olha de novo, e por fim o bom homem diz:
"Acho que estou vendo um pequenino lá no topo, senhor, mas não sei se dará muito". Este, receio, é a fotografia de muitos professos. Há fruto, ou então eles não seriam salvos, mas é "um pequenino".

Que sua oração seja, não somente por fruto, mas por muito fruto e que Deus possa enviá-los. Lembre-se, se existir algum fruto, ele pertencerá ao Rei.
Se uma alma é salva, Ele deve ter a glória por isso.
Se algum avanço é feito na grande causa da verdade e da justiça, a coroa deve ser posta na cabeça dEle.

Os guardiões da vinha podem receber suas centenas, mas o Rei mesmo deve receber seus milhares vezes dezenas de milhares, pois Ele merece tudo.

Fonte: Monergismo