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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

“Quando Deus age, o diabo trabalha em dobro!”

“Quando Deus age, o diabo trabalha em dobro!” 

Essa é uma frase que minha querida mãe — que agora está na glória — costumava dizer a mim e aos meus irmãos o tempo todo.

Ao estudar o livro de Atos este ano para a nossa série de Estudos Bíblicos de 5 Minutos, lembrei-me dessa frase marcante, pois observamos um padrão cíclico ao longo de todo o livro. 

O padrão é este: Deus levanta porta-vozes do evangelho que proclamam corajosamente as Boas Novas; as pessoas ouvem, creem e são convertidas pela graça de Deus; surge oposição contra essas testemunhas; Deus age poderosamente para resgatar seus embaixadores. 

Vemos esse padrão se repetir várias vezes em Atos, mas há algo ainda mais importante e empolgante nisso que não quero que você deixe passar. Sim, a pregação é poderosa, a oposição é poderosa e o resgate é poderoso, mas o que é talvez ainda mais significativo? Mencionei isso ontem no artigo "Grace & Knowledge" (Graça e Conhecimento): Deus usa os mensageiros mais improváveis, o que é fruto exclusivo de Sua capacitação divina. 

Considere Atos 4. Trata-se de Pedro e João diante do conselho; estou citando apenas trechos para economizar espaço. Você deve ler Atos 4:1–22 na íntegra, agora ou mais tarde: “Enquanto eles falavam ao povo, os sacerdotes, o comandante do templo e os saduceus vieram até eles, muito irritados porque ensinavam o povo e anunciavam, em Jesus, a ressurreição dos mortos. Eles os prenderam e os mantiveram sob custódia até o dia seguinte, pois já era tarde. Mas muitos dos que ouviram a palavra creram, e o número de homens chegou a cerca de cinco mil [...] E, quando os colocaram no meio, perguntaram: ‘Com que poder ou em que nome vocês fizeram isso?’ Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes... ‘Este Jesus é a pedra que foi rejeitada por vocês, os construtores, e que se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro, pois não há outro nome debaixo do céu, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.’ Ao verem a coragem de Pedro e João, e perceberem que eram homens sem instrução e comuns, ficaram admirados. E reconheceram que eles haviam estado com Jesus.” 

Pare e pense em quem está pregando o evangelho a uma oposição hostil. Pedro era o discípulo que constantemente fazia e dizia as coisas erradas. Foi Pedro quem sacou a espada e decepou a orelha de um dos soldados que tentavam prender Jesus. Pedro foi o discípulo que disse que seguiria Jesus em seu sofrimento, mas depois, após a prisão de Jesus, negou qualquer ligação com Ele. O homem que fala em Atos 4 é um Pedro muito diferente! Ele fala com a clareza e a ousadia do evangelho. Ele não apenas não teme associar-se a Jesus, mas repreende aqueles líderes pelo tratamento vil dispensado ao seu Salvador. Pedro os confronta com o fato de que aquele a quem crucificaram é o único meio de salvação deles. E ele diz tudo isso com a clareza e a confiança do evangelho. 

Pedro apresenta-se diante daqueles governantes poderosos como um testemunho vivo do poder extraordinário da graça transformadora de Deus. Até mesmo aqueles líderes religiosos de coração endurecido ficam admirados com a brilhante postura de Pedro: "Reconheceram que eles haviam estado com Jesus". Simplesmente não há outra explicação para a mudança drástica na vida desse homem. O poder da graça transformadora de Deus, na pessoa de seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, transformou esse discípulo. 

A graça de Deus não apenas perdoa, reconcilia e concede a vida eterna; ela capacita e transforma. E essa graça que capacita e transforma está disponível para você, aqui e agora. O que, em seu coração e em sua vida hoje, precisa ser transformado pela maravilhosa graça de Deus? Onde você precisa buscar, pedir e receber a mesma graça capacitadora que deu coragem a Pedro? 

Uma Oração para Hoje: Espírito Santo, concede-me a clareza e a confiança do evangelho para viver uma vida que glorifique o teu nome e promova a minha santificação. Senhor, preciso do teu poder para transformar o meu dia a dia — desde questões evidentes e gritantes até os pequenos deslizes comuns que cometo o tempo todo. O Teu Espírito é o que me atraiu a Ti, e o Teu Espírito é o que me aproxima mais de Ti, para que eu possa me tornar mais semelhante ao Teu Filho. Ajuda-me, Senhor, eu Te peço. Em nome de Jesus, amém.

Paul Tripp

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Breve Curso - Gálatas: A Carta Magna da Liberdade Cristã


A Declaração de Independência do Cristão (Estudo em Gálatas) Descrição: Bem-vindos à série de exposições bíblicas na Epístola aos Gálatas, uma das porções mais preciosas e relevantes da Palavra de Deus. Frequentemente chamada de "O Grito de Batalha da Reforma" e "A Declaração de Independência do Cristão", esta carta foi escrita pelo Apóstolo Paulo para combater o vírus latente do legalismo e preservar a pureza do genuíno Evangelho. Ao longo desta série, o Pastor [Seu Nome] conduz um estudo detalhado sobre a doutrina da salvação exclusivamente pela graça, mediante a fé em Cristo Jesus, à parte das obras da lei. Exploraremos temas fundamentais como: - A Autoridade Apostólica: O chamado direto de Paulo por Jesus Cristo. - A Defesa do Evangelho: O perigo de abandonar a graça por perversões legalistas. - O Resgate de Cristo: O propósito da cruz em nos libertar deste século maligno. - A Ética da Liberdade: Como viver de modo a não dar ocasião à carne, fugindo tanto do legalismo quanto da licenciosidade. Prepare-se para compreender a natureza da liberdade cristã e ser edificado por esta mensagem que, há 20 séculos, continua sendo a pedra angular do protestantismo e a esperança de todo crente.

terça-feira, 19 de abril de 2022

Introdução Ao Livro Ouro de Tolo? | John MacArthur

Certa vez, uma mulher me escreveu para dizer que pensava que o cristianismo eraf09043 bom, mas ela, em particular, era ligada ao zenbudismo. Gostava de ouvir a rádio evangélica, enquanto dirigia, porque a música “aliviava o seu carma”. Mas, ocasionalmente, ela sintonizava um dos ministérios de ensino bíblico. Em sua opinião, todos os pregadores que ouvira tinham a mente muito fechada no que diz respeito a outras religiões; por isso, ela decidira escrever para vários pastores que ministravam no rádio e encorajá-los a terem a mente mais aberta.

“Deus não se importa com o que você acredita, contanto que seja sincero”, ela escreveu, ecoando uma opinião que tenho ouvido muitas vezes. “Todas as religiões nos levam, finalmente, à mesma realidade. Não importa que estrada você tome para chegar lá, contanto que siga com fidelidade o caminho escolhido por você mesmo. Não critique os caminhos alternativos que as outras pessoas escolhem.”

Para aqueles que aceitam a Bíblia como a Palavra de Deus, a loucura desse raciocínio deve ser logo evidente. Se as conseqüências do que acreditamos significam a diferença entre certo e errado, o agradar a Deus e o receber sua punição, a vida e a morte, então, precisamos ter certeza de que aquilo em que cremos está baseado num pensamento claro. Em outras palavras, precisamos exercitar o discernimento.

De fato, o discernimento está tão na moda, em nossa cultura, quanto a verdade absoluta e a humildade. Fazer distinções e julgamentos claros contradiz os valores relativistas da cultura moderna. O pluralismo e a diversidade têm sido exaltados como virtudes mais elevadas do que a verdade. Não devemos estabelecer limites definitivos ou afirmar qualquer absoluto. Isto é considerado retrógrado, antiquado, deselegante. E, embora esta atitude para com o discernimento bíblico seja esperada do mundo secular, ela tem sido lamentavelmente abraçada por um número cada vez maior de cristãos evangélicos.

Como resultado, o evangelicalismo tem começado a perder as características que o distinguia do mundo – preferindo freqüentemente a tolerância à verdade. A maioria dos evangélicos não está aceitando o islamismo, hinduísmo ou outras religiões anticristãs. Entretanto, muitos parecem imaginar que não importa realmente o que você crê, contanto que tenha o nome de cristão.

Com exceção de algumas seitas que rejeitam ostensivamente a Trindade, quase tudo o mais que for ensinado em nome de Cristo é aceito pelos evangélicos – desde o catolicismo romano (o qual nega que os pecadores são justificados somente pela fé) ao movimento Palavra da Fé (que corrompe a doutrina de Cristo, ao fazer da saúde e da riqueza temporal o foco da salvação).

Em nome da unidade, esses assuntos de doutrina jamais devem ser contestados. Somos encorajados a insistir em nada mais do que uma simples afirmação de fé em Jesus. Além disso, o conteúdo específico da fé deve ser um assunto de preferências pessoais.

É claro que esta atitude geral de aceitação não é nova; a igreja tem travado uma luta contínua sobre o assunto de discernimento doutrinário, pelo menos desde o início do século XX. Este mesmo apelo para que tenhamos uma mente mais aberta no que concerne a padrões e crenças religiosas sempre esteve no topo da agenda do liberalismo teológico. Na verdade, isto é exatamente o que o termo liberal significava originalmente. A novidade nos apelos à tolerância, em nossos dias, é que eles vêm de dentro do evangelicalismo.

Nada é mais desesperadamente necessário à igreja contemporânea do que um novo movimento para enfatizar, outra vez, a necessidade de discernimento bíblico. Sem um movimento assim, a verdadeira igreja está em sérios apuros. Se a ânsia atual por um compromisso ecumênico, santificação pragmática e sucesso numérico continuar ganhando espaço no evangelicalismo, o resultado sera um desastre espiritual absoluto.

Este livro, portanto, é um apelo ao discernimento. É um lembrete de que a verdade de Deus é um bem precioso que deve ser tratado com cuidado – e não diluído em crenças extravagantes ou amarrado às tradições humanas. Quando igrejas ou crentes individuais perdem sua resolução de discernir entre a sã doutrina e o erro, entre o bem e o mal, entre a verdade e a mentira, eles se abrem a todo tipo de engano. Mas aqueles que aplicam consistentemente o discernimento bíblico, em todas as areas da vida, podem ter a certeza de caminhar na sabedoria do Senhor (Pv 2.1-6).

Em contraste, os crentes contemporaneous se conformam com a opinião de que poucas coisas precisam ser definidas com exatidão. Assuntos doutrinários, questões morais e princípios cristãos são todos classificados como ambíguos. Toda pessoa é encorajada a fazer aquilo que é certo aos seus próprios olhos – exatamente o que Deus proíbe (Dt 12.8; Jz 17.6; 21.25).

A igreja jamais manifestará seu poder na sociedade, se não recuperar um amor ardente pela verdade e aversão à mentira. O verdadeiro crente não pode fechar os olhos ou negligenciar as influências anticristãs em seu meio, esperando desfrutar das bênçãos de Deus.

“E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos. Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz” (Rm 13.11-12).

Portanto, “também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus” (Fp 1.9-11).

por: John MacArthur
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(Extraído do livro Ouro de Tolo?, Editora Fiel, São José dos Campos, SP)

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

A Incumbência Final Dada aos Discípulos | J.C. Ryle

Leia Mateus 28.11-20

Estes versículos formam a conclusão do evangelho de Mateus. Começam nos mostrando o quanto o preconceito cego prejudica o crente, antes que ele creia na verdade pura. Também nos mostram as fraquezas que havia nos corações de alguns discípulos, e como eles custaram a crer. A passagem se encerra contando-nos algumas das últimas pala­vras de nosso Senhor sobre a terra, palavras tão importantes que exigem e merecem toda nossa atenção.

Em primeiro lugar, devemos observar a honra conferida por Deus a nosso Senhor Jesus Cristo. Nosso Senhor diz: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra”. Essa também é uma verdade declarada por Paulo aos Filipenses: “Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome” (Fp 2.9). 

Essa é uma verdade que, sob hipótese alguma, contradiz a verdadeira noção da divindade de Cristo, conforme alguns, por ignorância, têm imaginado. Ela é simplesmente uma declaração de que, nos conselhos da Trindade eterna, Jesus, o Fi­lho do homem, é designado herdeiro de todas as coisas e Mediador entre Deus e os homens e de que a Ele cabe a salvação de todos os que são salvos; é uma declaração de que Ele é a grande fonte de misericórdia, graça, vida e paz. Foi por causa dessa “alegria que lhe estava proposta” que Ele “suportou a cruz” (Hb 12.2).

Com toda a reverência, apeguemo-nos decididamente a essa ver­dade. Cristo é aquele que tem as chaves da morte e do inferno. Cristo é o Sacerdote ungido, o único que pode absolver pecadores. Cristo é a fonte das águas vivas, o único que pode nos purificar. Cristo é o Prín­cipe e Salvador, o único que pode outorgar arrependimento e remissão de pecados. Nele habita toda a plenitude. Ele é o caminho, a porta, a luz, a vida, o Pastor, o altar de refúgio. Aquele que tem o Filho tem a vida, e quem não tem o Filho não tem a vida eterna. Que todos nós nos esforcemos para entender isto. É certo que os homens podem fa­cilmente pensar em termos pequenos demais acerca de Deus Pai e de Deus Espírito Santo, mas ninguém jamais pensou em termos demasia­damente grandes a respeito de Cristo.

Observemos, em segundo lugar, o dever de que Jesus incumbiu os seus discípulos. Jesus lhes disse: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações’’. Eles não deveriam reter para si mesmos o seu conhecimento de Jesus Cristo, e, sim, deveriam comunicá-lo a outras pessoas. Não deveriam supor que a salvação fora revelada exclusiva­mente para os judeus, e deviam fazê-la conhecida do mundo inteiro. Deveriam esforçar-se para fazer discípulos de todas as nações, e anun­ciar a todos os povos que Cristo havia morrido pelos pecadores.

Nunca nos esqueçamos de que essa solene determinação conti­nua ainda em pleno vigor. Continua sendo dever obrigatório de todo discípulo de Cristo fazer tudo quanto seja possível, pessoalmente, ou pela oração, para que outras pessoas venham a conhecer a Cristo. Se negligenciamos este dever, onde está a nossa fé? Onde está o nosso amor cristão? Se uma pessoa não tem o desejo de fazer o evangelho conhecido no mundo inteiro, bem se pode questionar se essa pessoa conhece mesmo o valor do evangelho.

Notemos, em terceiro lugar, a confissão pública que Jesus re­quer daqueles que creem em seu evangelho. Ele disse aos apóstolos para batizarem todos quantos recebessem como discípulos. Quando le­mos esse mandamento final de nosso Senhor, é muito difícil entender como os homens podem evitar a conclusão de que o batismo é necessário quando pode ser administrado. Parece impossível explicar o significado desta passagem como sendo outra coisa que não uma ordenança externa, a ser administrada a todos quantos se unem à igreja. 

Que o batismo externo não é algo absolutamente necessário para a salvação, fica cla­ramente demonstrado pelo caso do ladrão penitente que morreu ao lado de Jesus. Ele foi para o paraíso sem ter sido batizado. E que o batismo externo, apenas, não transmite qualquer benefício espiritual, o caso de Simão, o mago, o demonstra claramente. Embora batizado, ele per­manecia no “fel de amargura e laço de iniquidade” (At 8,23). Porém, a afirmação de que o batismo é uma questão totalmente indiferente e que nem mesmo precisa ser usado, parece algo que não concorda com as palavras de nosso Senhor nesta passagem.

A lição prática e clara, nestas palavras, é a necessidade de uma confissão pública de fé em Cristo. Não basta ser um discípulo secreto. Não devemos nos envergonhar por deixar que os homens vejam de quem somos e a quem servimos. Não devemos nos comportar como se não gostássemos de ser identificados como crentes; devemos tomar a nossa cruz e confessar o nosso Mestre perante o mundo. 

As palavras dEle são muito solenes: “Porque qualquer que... se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos” (Mc 8.38).

Em quarto lugar, sublinhemos a obediência que Jesus requer de todos os que se declaram seus discípulos. Ele disse aos apóstolos para ensinarem os novos discípulos a “guardar todas as cousas”, tudo o que Ele ordenou. Essa é uma expressão perscrutante que demonstra a inu­tilidade de um cristianismo apenas de nome e de aparência; demonstra que somente devem ser contados como verdadeiros cristãos aqueles que vivem em obediência prática à Palavra e se esforçam por cumprir as coisas que Ele ordenou. 

A água do batismo e o pão e vinho da Ceia do Senhor sozinhos, não salvarão a alma de ninguém. De nada adianta ir a uma igreja, e ouvir os ministros de Cristo, e concordar com o evan­gelho, se nossa religião não vai além disso. 
  • Como está a nossa vida? 
  • Qual é a nossa conduta diária, no lar e fora dele? 
  • O Sermão do Monte é a nossa regra e padrão de conduta? 
  • Nós nos esforçamos por copiar o exemplo de Cristo? 
  • Procuramos fazer as coisas que Ele ordenou? 
Es­tas são perguntas que precisam ser respondidas afirmativamente se somos realmente nascidos de novo e filhos de Deus. A obediência é a única prova dessa realidade. A fé sem obras, por si só está morta. “Vós sois meus amigos”, diz Jesus, “se fazeis o que eu vos mando” (Jo 15.14).

Em quinto lugar, assinalemos a solene menção à Trindade ben­dita, que nosso Senhor faz nestes versículos. Ele manda batizar “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Este é um daqueles gran­des textos bíblicos que direta e claramente ensinam a poderosa doutrina da Trindade. O texto fala do Pai, Filho e Espírito Santo como três pes­soas distintas, e todos os três como co-iguais. Assim como é o Pai, também é o Filho e o Espírito Santo. Não obstante, os três são um.

Essa verdade é para nós um grande mistério. Que nos seja su­ficiente receber e crer nessa doutrina, e que nos abstenhamos de qualquer tentativa de explicação. É tolice infantil recusar aceitação a alguma coisa, simplesmente porque não a entendemos. Nós somos como uns vermes que rastejam pelo chão, por breve tempo; quando muito, pouco conhe­cemos a respeito de Deus e da eternidade. Que seja suficiente recebermos no coração a doutrina da Trindade em Unidade, com uma atitude hu­milde e reverente, sem perguntas presunçosas. 

Creiamos que nenhuma única alma pecaminosa poderia ser salva sem a operação conjunta de todas as três pessoas na bendita Trindade; e regozijemo-nos, porque Pai, Filho e Espírito Santo, que cooperaram para criar o homem, tam­bém cooperam na salvação do mesmo. Convém que paremos por aqui. Podemos receber praticamente aquilo que não podemos explicar teori­camente.

Finalmente, observemos nestes versículos a graciosa promessa com que Jesus encerra suas palavras. Ele diz aos seus discípulos: “Es­tou convosco todos os dias até à consumação do século”. É impossível concebermos palavras mais consoladoras, fortalecedoras, animadoras e santificadoras do que essas. 

Embora deixados a sós, como crianças órfãs em um mundo frio e hostil, os discípulos não deveriam pensar que tivessem sido abandonados. O Mestre estaria sempre com eles (“con­vosco”). Embora comissionados a realizar uma obra tão dura quanto aquela para a qual Moisés fora enviado a Faraó, eles não deveriam ficar desencorajados. O Mestre certamente estaria “com eles”. Por conse­guinte, não havia palavras mais apropriadas para serem proferidas a quem o foram pela primeira vez. Nenhuma palavra poderia ser mais adequada à posição daqueles primeiros discípulos. Também não é pos­sível imaginar uma palavra mais consoladora para os crentes de todos os séculos.

Que todos os verdadeiros crentes se apossem dessas palavras de Jesus e as tenham sempre em mente. Cristo está “conosco” todos os dias. Cristo está “conosco” em todo lugar que vamos. Quando nasceu neste mundo, Ele veio para ser “Emanuel, Deus conosco”. Agora, quando chega ao fim de seu ministério terrestre e está prestes a deixar o mundo, Ele declara que é Emanuel, sempre “conosco”. 
  • Ele está co­nosco diariamente para perdoar e absolver; 
  • conosco diariamente para santificar e fortalecer; 
  • conosco diariamente para defender e guardar; 
  • conosco diariamente para conduzir e guiar; 
  • conosco em tristezas e ale­grias; 
  • conosco em saúde ou enfermidade; 
  • conosco na vida e na morte; conosco no tempo e na eternidade.
Que maior consolação os crentes poderiam desejar do que esta? Não importa o que aconteça, nunca estamos completamente sozinhos ou sem amigos. Cristo está sempre conosco. 

Podemos olhar para den­tro da sepultura e dizer, com Davi: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo” (SI 23.4). Podemos olhar para além da sepultura e dizer, com Paulo: “Estaremos para sempre com o Senhor” (1 Ts 4.17). Jesus o disse e o cumprirá: “Estou convosco todos os dias até à consumação do sé­culo”. E, igualmente: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13.5). 

Não podríamos pedir mais do que isso! Prossigamos, confiando em Cristo e não tendo receio de coisa alguma. Ser um crente verdadeiro é tudo. Não há quem tenha semelhante Rei, um tal Sacerdote, um Companheiro tão constante e um Amigo assim, infalível, como têm os verdadeiros servos de Jesus Cristo.

Por J.C. Ryle 
In: Meditações no Evangelho de Mateus 
Editora Fiael

domingo, 13 de abril de 2014

"Uma Igreja Complicada" | Augustus Nicodemus Lopes [3/9]

Terceira Mensagem pregada pelo Rev. Augustus Nicodemus; durante o II SEMEAR - Simpósio Estadual de Missão, Evangelização, e Administração Reformada, ocorrido na IPC, cujo tema geral foi "Uma Igreja complicada - Exposições bíblicas da primeira epístola de Paulo aos Coríntios. [1 Co. 7].

Fonte: Igreja Presbiteriana de Canoas

Demais Mensagens: [][][][][][][][][]

sábado, 22 de fevereiro de 2014

sábado, 14 de dezembro de 2013

A Nova Perspectiva em Paulo (10 Palestras) | Roque Albuquerque

Esta postagem é uma “Playlist” contendo dez aulas consecutivas.

Por: Roque Albuquerque

Relizada na Igreja Batista Parquelândia – Fortaleza-Ce.

Fonte: Escola Teológica Charles Spurgeon

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Os Alertas do Evangelho (Mateus 7.13-23) | Paul Washer

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramemnte: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. - (Mateus 7:21-23)

Fonte: Editora Fiel

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

“Quem tem ouvidos [para ouvir], ouça” | Rev. Jailto Lima do Nascimento

Assim o Senhor Jesus concluiu a parábola do semeador (Mt 13.9). Presente nos Sinóticos, ouvidosa parábola tem como objetivo ensinar que todo aquele que ouve e acolhe a mensagem do evangelho produz frutos em abundância.

Os versículos iniciais (Mt 13.1-3), nos informam que grandes multidões se reuniram para ouvir os ensinamentos do Mestre. Podemos inferir do texto que elas passaram muito tempo de pé, aglomeradas sem nenhum conforto e dispostas ao sacrifício, tudo para ouvir preciosos ensinamentos.

O Senhor Jesus nunca demonstrou preocupações de caráter populista, ele não estava preocupado com a quantidade de ouvintes durante suas exposições e nem se a sua fala agradaria aos ouvidos dos espectadores (Jo 6.60-67). Seu objetivo sempre foi ensinar a verdade e conclamar ao arrependimento, mostrando a necessidade vital da experiência do novo nascimento para todo aquele que almeja tornar-se seu discípulo (Jo 3.5).

Diante de tão grande público, valendo-se de uma prática comum em sua época (a semeadura), verdades eternas foram ensinadas com extrema simplicidade e objetividade, sem superficialidade por Aquele que com propriedade conhece os corações (Jo 2.23-25).

A parábola é composta de semeador (Jesus, e por extensão legítima todo aquele que prega a palavra – Mt 13.37; 10.40), semente (a palavra de Deus – Lc 8.11) e solo (o coração do ouvinte – Mt 13.19). Atento para com o estado espiritual do seu público Jesus, por meio da parábola, ensina que ouvir a palavra não é tudo, ouvir e não obedecer, na verdade é absolutamente nada (Mt 7.26-27).

Quatro tipos de ouvintes são apresentados na parábola. São eles:

1 – O QUE POSSUI UM CORAÇÃO ENDURECIDO – A semente que foi comida pelas aves, foi aquela que não conseguiu penetrar o solo endurecido pelo contínuo tráfego de pedestres e ausência do arado. A cena aponta para o ouvinte que não atenta para a urgência em obedecer à palavra, e então é impiedosamente atingido pela ação de Satanás que “arrebata” o que foi “semeado” (Mt 13.4,19).

2 – O QUE POSSUI UM CORAÇÃO COVARDE – A semente que caiu em solo rochoso germinou com rapidez e logo a planta se desenvolveu, porém muito rápido pereceu. O segundo exemplo aponta para o ouvinte que empolgado com as verdades eternas pensa ser convertido e passa a imitar o comportamento de quem verdadeiramente é um regenerado, porém, diante de uma situação em que a fidelidade a Cristo signifique sofrimento, ele rapidamente deixa a máscara cair e revela sua verdadeira natureza (MT 13.5-6, 20-21).

3 – O QUE POSSUI UM CORAÇÃO SECULARIZADO – A semente que foi sufocada pelos espinhos representa aquele que despreza o evangelho em troca dos prazeres efêmeros que o mundo pode proporcionar. Tais ouvintes podem ser representados por Esaú, que trocou sua primogenitura por um prato de lentilhas (Hb 12.16). Não poucos trocam o Salvador pelas “trinta moedas de prata” que o mundo diariamente anda a oferecer (Mt 13.8,23).

4 – O QUE POSSUI UM CORAÇÃO “ARADO” PELA GRAÇA DE DEUS – A semente que foi lançada em boa terra, germinou, cresceu e frutificou, representa o ouvinte que, alcançado pelo evangelho, teve sua vida transformada e frutifica abundantemente para a glória de Deus (Mt 13.8,23). Ouvir, gostar e se emocionar com o evangelho não significa absolutamente nada se não houver frutos dignos de arrependimento (Mt 3.8).

Que tipo de ouvinte é você? Como pode ser classificado o seu coração? “Confessar exteriormente o cristianismo e servir-se formalmente das ordenanças jamais outorga a alguém uma boa esperança durante a vida, paz na hora da morte e descanso no mundo por vir. Precisa haver os frutos do espírito em nosso coração e em nossa vida; do contrário, o evangelho foi-nos pregado em vão.”

Rev. Jailto Lima do Nascimento

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Jonas e o Crescimento da Igreja | Heber Campos Jr. [5/5]

A última lição evangelística. - Jonas 4:1-11Mensagens: [][][][][]

O estudo de Jonas mostra a preocupação de Deus com o perdido em contraste com a indiferença de seu povo. Qualquer cristão que ama o Senhor verdadeiramente quer ver a Sua igreja crescer, tanto em saúde quanto em números. Mas o custo de crescer na fé e se tornar perseverante é passar por várias provações. Um custo alto, que faz alguns vacilarem quanto ao desejo original e retrocederem na caminhada.

Por: Pr. Heber Campos Jr.

Fonte: Igreja Presbiteriana Aliança Lieira

Jonas e o Crescimento da Igreja | Heber Campos Jr. [4/5]

A segunda chance não está em suas mãos. - Jonas 3:1-10Mensagens: [][][][][]

O estudo de Jonas mostra a preocupação de Deus com o perdido em contraste com a indiferença de seu povo. Qualquer cristão que ama o Senhor verdadeiramente quer ver a Sua igreja crescer, tanto em saúde quanto em números. Mas o custo de crescer na fé e se tornar perseverante é passar por várias provações. Um custo alto, que faz alguns vacilarem quanto ao desejo original e retrocederem na caminhada.

Por: Pr. Heber Campos Jr.

Fonte: Igreja Presbiteriana Aliança Lieira

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

As estratégias de Jesus para salvar uma vida | Rev. Hernandes Dias Lopes

Mensagem: As estratégias de Jesus para salvar uma vida. [1ª Parte]

Referência Bíblica: João 4.1-30; 39-40.

Por: Rev. Hernandes Dias Lopes

Local: Congresso Nacional APECOM 2012 - em Águas de Lindoia/SP.

Tema: "Evangelizar é Preciso".

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O Universalismo de Francisco | Evandro Marinho

papaUm breve comentário sobre a afirmação do Papa Francisco. (Abaixo)
Não é necessário crer em Deus para ir para o céu, afirma papa Francisco

Para reforçar ainda mais a sua reputação progressista, o papa Francisco escreveu uma carta aberta para o fundador do La Repubblica jornal, Eugenio Scalfari, afirmando que os não-crentes seriam perdoados por Deus, se eles seguirem suas consciências.

Respondendo a uma lista de perguntas publicadas no jornal por Scalfari, que não é um católico romano, Francisco escreveu:

"Você me pergunta se o Deus dos cristãos perdoa aqueles que não acreditam e que não buscam a fé. Gostaria de dizer - e isso é o fundamental - que a misericórdia de Deus não tem limites, se você ir até Ele com um coração sincero e contrito. A questão para aqueles que não acreditam em Deus é que eles devem obedecer a sua consciência",

disse Francisco. "O pecado, mesmo para aqueles que não têm fé, existe quando as pessoas desobedecem a sua consciência."

Robert Mickens, correspondente do Vaticano para o jornal católico The Tablet , disse que os comentários do pontífice foram mais uma prova de suas tentativas para "melhorar" a imagem extremamente conservadora da Igreja Católica, imagem que reforçada pelo antecessor de Francisco, Bento XVI. "Francisco ainda é um conservador", disse Mickens. "Mas isso tudo é uma tentativa dele de ter um diálogo mais significativo com o mundo."

Fonte: The Independent, via WND

Não vou bater a cabeça com a afirmação de Francisco, Jesus já fez isto quando falou com um religioso semelhante a ele, vejamos alguns versos de João 3.

3:1 Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. 3:2 Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. 3:3 A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

Sem o novo nascimento, nem Francisco verá o “reino de Deus” a palavra nos versos acima (1 a 3) valem para todos, Jesus estava naquele momento falando com uma autoridade religiosa de Israel, pelo monos ao olhos humanos. Como pode o Sr. Francisco afirmar que não é basta seguir a consciência: A consciência do homem é cauterizada pelo pecado e seu olhos cegos pelo mesmo, o coração do homem é enganador e corrupto.


3:4 Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? 3:5 Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. 3:6 O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. 3:7 Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo.

O próprio Nicodemos sendo estudioso e religioso cheio de justiça própria não entendeu que sem que o Espirito o tornasse em nova criatura ele não teria como estar com Deus. Isaias diz:

59:2 Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.

Agora imagine, se Deus esta separado de nós pelos nossos pecados e somente mediante a arrependimento “genuíno” pelos nossos pecados e a fé de que Cristo nos perdoou dos pecados dos quais nós nos arrependemos e confessamos é que que poderemos ser reconciliados com Deus.


3:8 O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.

Nós não temos como fazer Deus agir em nossas vidas, somos salvos pela graça (Ef.2.10) não somos merecedores não obrigamos o Espirito entrar em nossos coração, recebemos pela fé em cumprimento da promessa da palavra de Deus.

3:16 Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. 3:17 Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. 3:18 Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. 3:19 O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. 3:20 Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem arguidas as suas obras. 3:21 Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.

O Evangelho é para a salvação dos que creem, não de todos, os que não creem já estão condenados, o nome de Deus é glorificado de todas as formas. Os homens que estão em trevas só sairão delas “quando ou se” Deus os tirar de lá, todos estamos (estávamos nos caso dos crentes genuínos) mortos em nossos delitos e pecados. Deus é quem tira das trevas e leva para o reino do filho do seu amor, e se Deus não o fizer, não acontecerá.

Se Francisco que ser politicamente correto com seu “universalismo” que seja mas por favor não distorça o evangelho da cruz para ficar bem na foto.

Por: Evandro Marinho

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Quem foi Jesus realmente? | Augustus Nicodemus Lopes

Nem todos os que hoje se consideram cristãos aceitam que Jesus, foi e fez o que os Evangelhos nos dizem. Em 1994 uma pesquisa. revelou que 87% dos americanos acreditavam que Jesus ressuscitou literalmente dos mortos. Três anos depois, a pesquisa descobriu que 30% dos americanos que se consideram verdadeiros cristãos não aceitavam que a ressurreição de Jesus tenha sido algo físico e literal, mas sim uma série de experiências psíquicas dos seus discípulos, que de alguma forma os transformou completamente.

O Jesus sobrenatural

Durante séculos o relato dos Evangelhos acerca de Jesus vem sendo aceito pela Igreja cristã em geral como sendo fidedigno, isto é, correspondendo com exatidão aos fatos que realmente ocorreram no início do primeiro século, e que formam, a base histórica do cristianismo. Baseando-se nesse relato, o cristianismo vem ensinando, desde o seu surgimento, que Jesus é o verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que nasceu de uma virgem, que realizou milagres e que ressuscitou fisicamente de entre os mortos. A teologia cristã nunca teve dificuldade séria em admitir a atuação miraculosa de Deus na história, e sempre encarou a mensagem da Igreja apostólica registrada no Novo Testamento (como as cartas de Paulo e os Evangelhos) como sendo o registro acurado dos eventos sobrenaturais que se sucederam na vida de Jesus de Nazaré. Os Concílios cristãos que elaboraram dogmas a respeito da pessoa de Jesus (Nicéia, 325; Constantinopla, 381; Calcedônia, 451), não o fizeram como meras idéias divorciadas da história e de fatos concretos. Para eles, a Segunda Pessoa da Trindade encarnou, viveu, atuou, morreu e ressuscitou dentro da história real.

O Jesus racional

A situação mudou, com o surgimento do Iluminismo no início do século XVIII. A razão humana foi endeusada como capaz de explicar todas as dimensões do universo e da existência do homem. Tudo que não pudesse ser aceito pela razão deveria ser rejeitado. Houve uma “desmistificação” de todos os aspectos da vida e do pensamento. A própria Igreja se viu invadida pelo racionalismo. Muitos estudiosos cristãos se tornaram racionalistas em alguma medida. Como resultado, em muitas universidades e seminários chego-se à conclusão de que milagres realmente não acontecem. Os relatos dos Evangelhos acerca da divindade de Jesus e de sua atividade sobrenatural passaram a ser desacreditados. Era preciso pesquisar para encontrar o verdadeiro Jesus, já que aquele pintado nos Evangelhos nunca poderia ter realmente existido. E assim teve início a “busca do Jesus histórico”, levada a efeito por professores e eruditos de universidades e seminários cristãos que achavam irracional o Jesus sobrenatural dos Evangelhos.

Eles afirmaram que para reconstruir o verdadeiro Jesus era necessário abandonar os antigos dogmas da Igreja acerca da inspiração e infalibilidade das Escrituras, bem como sobre a divindade de Jesus Cristo. Era preciso usar o critério da razão para separar nos relatos bíblicos a verdade da fantasia, Para isso, desenvolveram vários métodos que analisavam os Evangelhos como qualquer outro livro antigo de religião, procurando descobrir como as idéias fantasiosas acerca de Jesus se originaram nas igrejas cristãs primitivas. Pensavam (ingenuamente) que seria possível examinar a história de forma isenta de preconceitos ou pressuposições. Acreditavam. que o historiador era tão inocente quanto um eunuco. Entretanto, quando os resultados apareceram, verificou-se que o Jesus reconstruído por eles tinha a "cara" de seus criadores.

No século XVII alguns desses estudiosos publicaram obras asseverando que os escritores bíblicos eram impostores fraudulentos; estes estudiosos ofereceram suas próprias reconstruções do verdadeiro Jesus de uma perspectiva totalmente humanística. Segundo alguns deles, Jesus fora um judeu que se considerava como o messias de Israel, e que tentara estabelecer um reino terreno e libertar os judeus da opressão política. Ele pensava que Deus o ajudaria nisto, mas desapontou-se ao ser preso e crucificado (“Deus meu, Deus meu, por desamparastes ... ?”). Os discípulos, disseram estes estudiosos, a principio ficaram atônitos com o fracasso de Jesus; mas depois roubaram seu corpo e substituíram a idéia de um reino messiânico terreno pela idéia de uma “segunda vinda”. Também inventaram os relatos dos milagres tendo como base os milagres do Antigo Testamento, quando Jesus, na verdade não havia feito milagre algum. O propósito dos discípulos com esse embuste, afirma os racionalistas, fora ter um meio de vida, pois não queriam voltar a trabalhar. Obras desse tipo hoje estão desacreditadas e mesmo estudiosos críticos as consideram como amadorísticas e superficiais. Entretanto, elas deram o impulso inicial à busca do Jesus da história, que para seus empreendedores, não era o mesmo Cristo da fé da Igreja.

No século XVIII apareceram muitas "vidas de Jesus", que eram tentativas de reconstrução novelística do que teria sido a verdadeira vida de Jesus de Nazaré. Nelas, Jesus foi geralmente considerado como um reformador social, um visionário, que pretendia construir uma sociedade melhor através de uma religião associada à razão. Os milagres dos Evangelhos foram explicados apelando-se para causas naturais. As explicações para o surgimento da crença dos discípulos na ressurreição são por vezes curiosas. A mais freqüente é a de que Jesus não havia morrido realmente, mas entrado em coma. Algumas são criativas: uma delas sugere que após a morte de Jesus, um terremoto sacudiu o local onde estava o túmulo de José de Arimatéia, dando a impressão de que o corpo morto de Jesus se movia com vida. Isso explicaria o surgimento da crença na ressurreição de Jesus. Outras, relacionadas às curas, dizem que Jesus nunca curou sem usar remédios. O vinho de Caná havia sido trazido pelo próprio Jesus. Para outros, algumas vezes Jesus atuava no sistema nervoso das pessoas através de seu poder espiritual. Milagres sobre a natureza foram, na verdade, ilusões que os discípulos tiveram acerca de Jesus, como por exemplo, o andar sobre as águas. Os discípulos, afirmam os estudiosos liberais, imaginaram coisas como a transfiguração, entre outras. As ressurreições de mortos foram, na verdade, casos em que pessoas não estavam mortas de fato, mas apenas em estado de coma.

O Jesus liberal

Com a queda do racionalismo e o surgimento do existencialismo, alguns estudiosos procuraram entender Jesus à luz da experiência religiosa. Jesus passou a ser visto como um homem cujo sentido de dependência de Deus havia alcançado a plenitude. Esse conceito serviu de base para o desenvolvimento do seu retrato pintado pelos liberais, em que Ele era simplesmente um homem divinamente inspirado.

No século passado, os estudiosos, em busca do Jesus histórico, começaram a aceitar a idéia do "mito", ou seja, a idéia de que os Evangelhos são relatos mitológicos sobre Cristo, lendas piedosas criadas cm torno da figura histórica de Jesus pelos seus discípulos. Assim, firmou-se a idéia de que Jesus não ressuscitou fisicamente. A ressurreição, na verdade, era a crença dos discípulos na presença espiritual de Jesus.

A essa altura, os próprios estudiosos perceberam que a "busca" não os estava levando a lugar algum. Era fácil destruir o Cristo dos Evangelhos, mas eles não conseguiam reconstruir um Jesus histórico que os satisfizesse. As vidas de Jesus reconstruídas pelos pesquisadores diziam mais acerca dos autores do que da pessoa que eles tentavam descrever. Os autores olharam no poço profundo da história em busca de Jesus, e o que viram foi seu próprio reflexo no fundo do poço. Também perceberam que haviam esquecido ou minimizado um importante aspecto da vida e do ensino de Jesus, que foi o escatológico-apocalíptico, proclamando o aspecto ainda futuro do reino de Deus. Essa conscientização desfechou um golpe fatal na concepção liberal de um reino de Deus que se confundia com uma sociedade ética no mundo presente, ou numa experiência espiritual interior, que dominava na época.

Além disso, o estudo crítico dos Evangelhos começou a afirmar que eles (os Evangelhos) não eram biografias no sentido moderno, mas apresentações de Jesus altamente elaboradas e adaptadas por diferentes alas da comunidade cristã nascente. Portanto, era impossível, achar o verdadeiro Jesus, pois ficara soterrado debaixo da maquiagem imposta pela Igreja primitiva. Como conseqüência, alguns começaram a insistir que o centro da fé para a Igreja não era o Jesus da história, mas o Cristo da fé, criado pela igreja nascente. Portanto, a busca estava baseada num erro (que o Jesus histórico era importante) e era teologicamente sem valor. O único Jesus em que os estudiosos deveriam se interessar era o Cristo da fé da igreja, pois foi o único que influenciou a história. Alguns, assim, se tornaram absolutamente cépticos quanto à possibilidade de se recuperar o Jesus histórico.

Tentando "salvar" a busca, esses estudiosos acabaram por piorar a situação. Quando separamos a fé dos fatos históricos, o Cristianismo, despido do seu caráter histórico, e dos fatos que lhe servem de fundamento, torna-se uma filosofia de vida. Uma fé que se apoia num Cristo que não tem nenhum ancoramento histórico toma-se gnosticismo ou docetismo.

Assim, os Evangelhos e o retrato de Jesus que eles nos trazem, passaram a ser vistos como uma elaboração mitológica produzida pela fé da Igreja. Segunso seus defensores, foi a imaginação da comunidade que criou as histórias dos milagres e muitos dos ditos de Jesus.

Apesar das diversas tentativas de reconstrução, ao fim chegava-se a um Jesus cuja existência era não apenas implausível, como impossível de ser provada. O Jesus liberal, desprovido do sobrenatural e da divindade , foi uma criação da obstinação liberal, que se recusava a receber como autêntico o relato dos Evangelhos sobre Jesus. A falta de comprovação histórica e documentária quanto ao Jesus liberal acabou por dar fim à "busca".

O Jesus do liberalismo pouco se parecia com o Jesus da concepção histórica da Igreja de Jesus Cristo, como sendo tanto humano quanto divino, as duas naturezas unidas organicamente numa mesma pessoa. O racionalismo eliminou a natureza divina de Cristo e a considerou como produto da Igreja, dissociada do Jesus da história. Jesus era apenas o grande exemplo, e a religião que Ele ensinou era simplesmente um moralismo ético e social.

O Jesus liberal fracassou cm todos os sentidos! Ele acabou fundando uma nova religião, mesmo sem querer. Acabou sendo "endeusado" pelos seus discípulos, contra a sua vontade. O seu ensino social e ético de um reino de Deus meramente humano acabou sendo sobrepujado pelo ensino de um reino de Deus sobrenatural, presente e ainda por vir. E sua verdadeira identidade se perdeu logo nos primeiros séculos, para ser "redescoberta" apenas depois de 2.000 anos de ilusões. Que ironia!
 
O Jesus libertador

Mas a tentativa dos estudiosos que não criam nos relatos miraculosos dos Evangelhos não parou com o fracasso. Em meados da década de 50, outros estudiosos, igualmente céticos, acharam que poderiam acertar onde os antigos liberais falharam, desde que não fossem tão radicais em seu ceticismo quanto aos relatos dos Evangelhos. Alguns discípulos dos teólogos liberais afirmaram que, apesar dos muitos erros nos Evangelhos, havia neles elementos históricos suficientes para se tentar chegar ao Jesus que realmente existiu. Um deles chegou mesmo a questionar: "se a Igreja primitiva era tão desinteressada na história de Jesus, por que os quatro Evangelhos foram escritos?" Os que escreveram os Evangelhos acreditavam seguramente que o Cristo que eles pregavam não era diferente do Jesus terreno, histórico.

Mas, ao fim, esses pesquisadores da "nova busca" pensavam de forma muito semelhante à dos seus antecessores: o Jesus que temos nos Evangelhos não corresponde ao Jesus que viveu em Nazaré há 2.000 anos, o qual pode ser recuperado pelo uso da crítica histórica. Uma coisa todos estes pesquisadores, antigos e novos, tinham cm comum: não criam na divindade plena de Jesus, na sua ressurreição nem nos milagres narrados nos Evangelhos. Para eles, tudo isso havia sido criado pela Igreja. Além disso, eram todos comprometidos com a filosofia existencialista em sua interpretação dos Evangelhos. Os resultados da pesquisa feita individualmente por eles, porém, eram tão divergentes, que a "nova busca" acabou desacreditada em meados da década de 70.

Mas o ceticismo destes estudiosos não deixou a coisa parar por aí. Faz poucos anos, um grupo de 75 estudiosos de diversas orientações religiosas reuniu-se nos Estados Unidos para fundar o "Simpósio de Jesus" ( The Jesus Seminar ), que os reúne regularmente duas vezes ao ano para levar adiante a "busca pelo verdadeiro Jesus". Suas idéias básicas são fundamentalmente as mesmas dos que empreenderam a "busca" antes deles, ou seja, que o retrato de Jesus que temos nos Evangelhos é uma caricatura altamente produzida, resultado da imaginação criativa da Igreja primitiva. A novidade é que agora incluíram material extrabíblico em suas pesquisas, como o evangelho apócrifo de Tomé, o suposto documento "Q" contendo ditos antigos de Jesus e os Manuscritos do Mar Morto.

A conclusão do simpósio é que somente 18% dos ditos dos Evangelhos atribuídos a Jesus foram realmente pronunciados por Ele. O simpósio, trouxe a público esse resultado de suas pesquisas bastante cépticas quanto á confiabilidade dos Evangelhos, causando grande sensação e furor nos Estados Unidos e na Europa, e reacendendo, em certa medida, o interesse pelo Jesus histórico. E mais uma vez a polêmica acerca de Jesus foi reacendida, desta feita ganhando até a capa de revistas internacionais como Time , Newsweek e U.S. News & World Report , e do Brasil, como Veja e Isto É . Ao final, o Jesus do simpósio é uma mistura de sábio tímido, modesto demais para falar de si mesmo ou de sua missão neste mundo. A pergunta é: como uma pessoa assim conseguiu ganhar o ódio dos judeus e acabar sendo crucificada, um fato que até os antigos liberais radicais reconhecem como histórico?

Várias outras tentativas têm sido feitas cm tempos recentes para se descobrir o Jesus que realmente existiu por detrás daquele que é representado nos textos dos Evangelhos. Ele tem sido retratado diferentemente como profeta e libertador social, simpatizante dos Zelotes e de suas idéias libertárias, reformador social por meio pacíficos e espirituais, pregador itinerante carismático e radical, instigador de um movimento, de reforma, libertador dos pobres, "homem, do Espírito", que tinha visões e revelações e uma profunda intimidade com Deus, de quem recebia poder para curar, fazer milagres e expelir demônios. Um hasid , homem santo da Galiléia, um judeu piedoso, uma figura carismática, um operador de milagres, movendo-se fora do ambiente oficial e tradicional do judaísmo, um exorcista poderoso e bem sucedido - o catálogo é interminável. Mas todas essas tentativas têm uma coisa em comum: para seus autores, o Jesus pintado pelos Evangelhos é o produto da imaginação criativa e piedosa, da fé dos discípulos de Jesus. Os defensores destas idéias partem do conceito de que a Bíblia nos oferece um quadro distorcido do verdadeiro Jesus.

 
De volta ao Jesus sobrenatural

Entretanto, é preciso mais do que teorias, como estas que acabei de expor, para tornar convincente a tese de que a comunidade cristã inventou tanto material sobre Cristo, e que ela mesma acabou crendo em sua mentira. É quase inconcebível que uma comunidade tenha criado material histórico para dar sustentação histórica à sua fé. Uma comunidade que dá tal importância aos fatos históricos, não os criaria! Além do mais, essas teorias não levam em conta o fato de que os eventos e ditos de Jesus foram testemunhados por pessoas que estiveram com Ele, e que essas testemunhas oculares certamente teriam exercido uma influência conservadora na imaginação criativa da Igreja. Também ignoram o fato de que os líderes iniciais da comunidade os apóstolos, estiveram com Jesus e muito perto dos fatos históricos para dar asas à livre imaginação. Também deixa sem explicação o alto grau de unanimidade que existe entre os Evangelhos. Se cada Evangelho é o produto da imaginação criativa da igreja, como explicar diferenças entre eles? E se é o produto de comunidades isoladas, como explicar as semelhanças? Essas teorias são especulações e nada podem nos dar de evidência concreta. Portanto, continuamos a crer nas evidências internas e externas de que os Evangelho dão testemunho confiável do Jesus histórico, que é o mesmo Cristo da fé. Entretanto, o ceticismo crítico desses estudiosos influenciou de tal maneira os seminários que introduziu na Igreja de Cristo uma semente que produziu seu fruto amargo: um Evangelho e um Cristo, fruto da imaginação da Igreja, e que, portanto não tinham. poder, vitalidade nem respostas para as questões humanas. Resultado: igrejas esvaziadas por toda a Europa, em uma geração.

Queira Deus guardar as igrejas brasileiras dessas pessoas, e firmá-las cada vez mais no Senhor Jesus Cristo, fielmente retratado nas páginas dos Evangelho .
Por: Rev. Augustus Nicodemus Lopes