- (01) A Tradição Oral | Rev. Ageu Magalhães
- (02) O Monopólio da Interpretação | Rev. Ageu Magalhães
- (03) O A Adulteração dos Dez Mandamentos | Lauro A. Cangussu
- (04) A Proibição da Bíblia | Pb. Eduardo Salerno
- (05) Os Apócrifos | Sem. Thiago Fortunato
- (06) Pedro como o primeiro papa | Rev. Ageu Magalhães
- (07) O Papa como o cabeça da igreja | Gustavo Alves
- (08) A Infalibilidade Papal | Pb. Marcos Serra
- (09) A Confissão Auricular | Rev. Ageu Magalhães
- (10) A ostentação e riqueza do clero | Pb. Eduardo Salerno
- (11) O Ritualismo e o Latim na Missa | Rev Ageu Magalhães
- (12) O Celibato obrigatório dos Padres | Pb. Marcos Serra
- (13) O Culto das Imagens | Eduardo Koscak
- (14) O Uso de Imagens de Jesus | Rev. Ageu Magalhães
- (15) Maria como a "Nova Eva" | Rev Ageu Magalhães
- (16) Velas, Incensos e o princípio normativo do culto | Pb Marcos Serra
- (17) A Imaculada concepção de Maria | Gustavo Alves
- (18) A Falsa mediação dos santos | Pb Eduardo Salerno
- (19) A Virgindade Perpétua de Maria | Eduardo KoskaK
- (20) A santidade de Maria | Gustavo Alves
- (21) Culto aos Santos | Lauro Cangussu
- (22) O vinho na Eucaristia Romana | Pb. Marcos Serra
- (23) A Transubstanciação | Pb Eduardo Salerno
- (24) A Adoração da Hóstia | Sem. Thiago Fortunato
- (25) A oração como penitência | Eduardo Koscak
- (26) A Salvação pelas Obras | Gustavo Alves
- (27) O Purgatório | Lauro Cangussu
- (28) O Sinal da Cruz | Rev. Ageu Magalhães
- (29) As Indulgências | Pb. Marcos Serra
- (30) A Inquisição Romana | Pb. Eduardo Salerno
- (31) A Água Benta | Sem. Thiago Fortunato
- (32) A Missa como Sacrifício | Gustavo Alves
- (33) O Rosário | Lauro Cangussu
- (34) A Mariolatria | Rev. Ageu Magalhães
- (35) Introdução aos Sacramentos - 1ª parte | Pb. Marcos Serra Ribeiro
- (36) Introdução aos Sacramentos - 2ª parte | Pb. Eduardo Salerno
- (37) O Batismo | Rev. Ageu Magalhães
- (38) A Confirmação | Sem. Thiago Fortunato
- (39) A Penitência | Gustavo Alves
- (40) Eucaristia | Eduardo Koscak
- (41) A Unção dos Enfermos | Pb. Eduardo Salerno
- (42) O Sacramento da Ordem | Pb. Marcos Serra
- (43) O matrimônio | Rev. Ageu Magalhães
- (44) As Relíquias | Lauro Cangussu
- (45) Os Votos Monásticos | Rev. Ageu Magalhães
- (46) Os 10 piores papas | Rev. Ageu Magalhães
- (47) O Vaticano | Lauro Cangussu
- (48) O Jejum e a Quaresma | Gustavo Alves
- (49) A Assunção de Maria | Rev. Nelson Ferreira
- (50) A Ave Maria | Thiago Fortunato
- (51) A Missa de Sétimo Dia | Pb. Eduardo Salerno
- (52) A intercessão pelos mortos | Pb. Marcos Serra
- (53) É a Igreja Católica Apostólica Romana cristã? - Parte 1 | Rev. Ageu Magalhães
- (54) É a Igreja Católica Apostólica Romana cristã? - Parte 2 | Rev. Ageu Magalhães
- (55) É a Igreja Católica Apostólica Romana cristã? - Parte 3 | Rev. Ageu Magalhães
- (56) Série: Os Erros do Romanismo | Vários Pregadores (Completa) Estudos em Áudio Spotify
- (57) Série: Os Erros do Romanismo | Vários Pregadores (Completa) Playlist Youtube
terça-feira, 27 de fevereiro de 2024
(ED) - Os Erros do Romanismo (27) O Purgatório | Lauro Cangussu
quinta-feira, 26 de junho de 2014
A Bíblica Revelação do Inferno | Augustus Nicodemus (Áudio)
Por: Augustus Nicodemus
Palestra realizada na Conferência de Teologia Vida Nova.
Fonte: www.vidanova.com.br
domingo, 13 de abril de 2014
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Os perigos do universalismo | Ronaldo Lidório
Doutrina que garante a salvação de todos ganha adeptos mas contraria frontalmente as escrituras.
É da natureza humana buscar respostas aos questionamentos da mente, bem como sobre as impressões e situações da vida. Esta irremediável busca torna-se ainda mais insistente perante assuntos ligados à nossa própria existência. "De onde viemos?", "Por que somos como somos" e "O que há após a morte" são algumas perguntas repetidas em praticamente todas as 6,9 mil línguas vivas em nossos dias.
Diferentes grupos usam diferentes fontes para perseguir as respostas, e cada uma delas revela seus critérios e pressupostos.
A ciência utiliza aquilo que pode ser comprovado mediante provas científicas. Como diversos assuntos (espirituais, por exemplo) não cabem na régua científica, são reputados a outras categorias.
A filosofia utiliza a lógica humana para aquilo que lhe parece fazer sentido. Assim, as hipóteses são submetidas ao confronto das antíteses com a possibilidade do encontro de uma síntese que faça sentido ao assunto estudado. É o conhecido método dialético.
A teologia cristã baseia-se na revelação bíblica que guia, expõe e esclarece as verdades simples e complexas da vida – e também estrutura tais verdades em doutrinas que tratam de temas específicos, além das confissões de fé.
Tratando-se de apologia cristã, apesar de teólogos usarem com liberdade outros campos de estudo (como a ciência e a filosofia) para suas abordagens, é vital que se defina qual é a fonte primária para a construção das respostas. Um teólogo reformado, que crê na Bíblia como Palavra inspirada por Deus em sua totalidade, inerrante em sua revelação e provedora de orientação para a humanidade em todas as gerações, entende que ela é a fonte de verdade e vida.
O universalismo é a crença de que todos serão salvos e o inferno não existe. Foi promovido por autores como Gerrard Winstanley, Richard Coppin e George de Benneville no século 17: portanto, não é novo. Na América do Norte, os que aderiram a essa linha teológica passaram a ser chamados de universalistas. Há até uma Igreja Universalista, que abriga tais ensinos. George Knight tornou-se o maior defensor do universalismo sob influência dos escritos de Friedrich Schleiermarcher e George MacDonald.
Quanto Rob Bell, pastor norte-americano, até pouco tempo atrás ligado à Mars Hill Bible Church, em Grandville, no estado americano do Michigan, expõe sobre suas crenças universalistas, faz uma confusa mistura de fontes – assim como outros pensadores que defendem essa abordagem teológica. Em alguns momentos, as Escrituras são usadas para justificar e trazer respostas; em assuntos mais desconfortáveis, como o pecado e o inferno, porém, a filosofia ou a ciência é escolhida para propor as soluções, mesmo que contraditórias à Palavra. É importante lembrar que escolher as partes bíblicas nas quais se deseja crer é um antigo costume do liberalismo teológico. Bell tem levado adiante a proposta por meio de carismáticas e bem articuladas palestras, além do seu livro O amor vence – Um livro sobre o céu, o inferno e o destino de todas as pessoas que já passaram pela terra, publicado no Brasil pela editora Sextante. O livro fez barulho. Bell foi entrevistado para a capa da revista Time, viu sua obra ser transformada em filme – Hellbound?, ou "Quem vai para o inferno?" – e teve seu nome entre os mais comentados no Twitter. Aqui no Brasil, ele foi entrevistado pela revista Veja, numa conversa intitulada Quem falou em céu e inferno?, e motivou sérias discussões teológicas e debates na internet. E o assunto é mesmo palpitante. O universalismo está ligado a outros movimentos como o inclusivismo – a ideia de que Deus salvará a humanidade por outros meios, além do Evangelho –; a teologia do processo, pela qual Deus conhece o futuro, mas não todo ele; e a hipercontextualização, segundo a qual Deus se revela em todas as religiões e o sincretismo religioso deve ser o alvo da fé cristã. De fato, dizer que o inferno existe é um discurso meio fora de moda.
"Você defende o inferno?" Esta foi a pergunta que ouvi, em tom confrontador, de um universitário, enquanto conversávamos sobre a salvação em Cristo. Minha resposta foi sobre minha crença em Deus e na autoridade da Bíblia, a qual nos apresenta o inferno como verdade, assim como o céu. Trata-se, então, simplesmente de aceitação da autoridade bíblica. O inferno é uma tragédia sem precedentes. Não é assunto a ser defendido com empolgação, mas reconhecido com profundo lamento. Junto à queda dos nossos pais, narrada no Gênesis, é possivelmente o assunto mais trágico e agonizante de toda a Palavra.
RELATIVISMO
As Escrituras expõem o assunto de forma abundante. Jesus nos falou sobre o "inferno de fogo" em Mateus 5.22, e admitiu a possibilidade de o corpo ser "lançado no inferno" mais adiante, no versículo 29. "Perecer no inferno" e "portas do inferno" são outras expressões de Cristo registradas no mesmo evangelho, assim como a "condenação do inferno" (Mateus 23.33). As Escrituras descrevem o inferno como "fogo inextinguível" (Marcos 9.43), lugar de "tormento" (Lucas 16.23) e "fornalha acesa" (Mateus 13.42). "Fogo eterno", lugar de "choro e ranger de dentes" e "cadeias de escuridão" são outras expressões do Novo Testamento para descrevê-lo. Já o Antigo Testamento fala sobre "angústias do inferno" (Salmo 116.3), "profundezas do inferno" (Deuteronômio 32.22) e "profundo abismo", em Isaías 14.15. Isso, sem mencionar diversas outras atribuições, parábolas e narrativas bíblicas sobre o inferno.
Apesar de sermos abundantemente alertados na Palavra sobre o inferno, não temos sobre ele detalhes. Igualmente não conseguiremos compreender de forma plena, em nossa limitação humana, a grandeza de Deus e o equilíbrio entre justiça e amor, salvação e perdição, sacrifício e perdão. As Escrituras nos revelam o que precisamos saber, a passagem de Deuteronômio 29.29 nos esclarece que "as coisas encobertas pertencem ao Senhor", enquanto que as reveladas foram dadas "a nós e nossos filhos". O texto acrescenta o propósito disso: "Para que cumpramos todas as palavras desta lei".
Infelizmente, os problemas teológicos cristãos são mais profundos do que apenas um posicionamento a favor ou contra a existência do inferno. Eles estão alicerçados nas marcas do nosso tempo, onde o homem, e não Deus, é cultuado e no qual qualquer assunto que causa desconforto é evitado. A prosperidade do homem substituiu a cruz de Cristo em diversos púlpitos. Dentre diversos fatores que influenciam e definem o pensar do homem na atualidade, dois dos principais são o relativismo e o antropocentrismo. O relativismo cultural é um conceito atraente que parte de uma premissa de tolerância e equilíbrio. Na antropologia, a grande contribuição do relativismo foi abrandar a arrogância das nações conquistadoras e gerar uma visão de tolerância, especialmente nos encontros interculturais.
Porém, apresentado em sua forma radical – cada vez mais presente na condução do pensamento da atualidade –, percebe-se que neste sistema não há valores universais, uma vez que todo valor é relativo a si mesmo. Assim, em sua compreensão, conceitos como a ética, o bem e o mal são relativos em relação à ótica de quem os observa e experimenta. Tal pensamento, dessa forma, promove uma das mais inteligentes armadilhas para o Cristianismo que se fundamenta na Palavra: diluir a linha divisória entre discordância e discriminação. Sob uma ótica relativista radical, toda discordância é vista como ato de discriminação em relação ao que é diferente. Assim, o cristão é constrangido a não expor de forma clara a sua fé.
A sociedade utiliza sua própria compreensão de cultura para justificar seus desvios; porém, nem tudo o que é cultural é puro. O relativismo ético extremado tem tentado moldar esta geração, convencendo-a de que toda prática humana é justificável desde que seja aceita por um grupo, ou seja, pelo próprio homem. Em última análise, o relativismo radical nega as trevas. Assim fazendo, torna-se desnecessária a luz e a verdade. Este é o ponto mais sutil e perigoso dessa tendência antropológica e filosófica.
CONDIÇÃO CAÍDA
A Palavra nos afirma o contrário. O Evangelho não foi enviado ao mundo por um desejo divino desconectado da realidade humana, mas como solução de Deus perante a morte da humanidade. Assim, a condição humana, caída e em trevas, além do universo quebrado – que, segundo as Escrituras, geme por restauração –, são as principais necessidades missionais para o plano de Deus. A humanidade precisa de luz. Sem nossas trevas, não seriam necessárias a cruz nem a ressurreição de Cristo. É preciso relembrar que Jesus Cristo é o cumprimento da promessa de Deus como resposta à angústia do universo caído.
O primeiro capítulo da Epístola aos Romanos nos fala sobre a separação entre Criador e criatura. No verso 18, lemos: "A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça". No verso 20, Paulo afirma que Deus se manifestou desde a criação – e, mesmo assim, continuamos impiedosos e perversos. Somos, assim, indesculpáveis. Convém notar que a expressão "ira de Deus" não se manifesta contra o ser humano, mas contra a impiedade e a perversão do homem. Deus ama o homem, mas odeia o pecado.
A sociedade hoje é uma evidência de nossa separação de Deus, tanto pela impiedade quanto pela perversidade. E é pela existência da separação (trevas) que se faz necessária a luz: a luz irradiada na cruz para salvação de todo aquele que crê ainda brilha hoje. Jesus, nossa luz, raiou e brilha em nós. Em Mateus 4.16 confirma-se o que Isaías já havia dito: "O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz".
Nos versículos 19 e 20 do primeiro capítulo da carta aos Romanos, Deus se manifesta através da criação. Há aqui um elemento fundamental: Deus é soberano, criador de todas as coisas, controlador do universo e detentor da autoridade sobre a nossa história. Os homens, citados no verso 18, tornam-se indesculpáveis por ser Deus revelado na criação "desde o princípio do mundo", sendo revelado tanto o "seu eterno poder" quanto "a sua própria divindade".
Portanto, perante um homem caído, existente em sua própria injustiça, impiedoso e perverso, Paulo não destaca soluções humanas, eclesiásticas ou mesmo sociais. Ele nos apresenta Deus. Na teologia paulina, a solução para o homem não é o homem, mas é Deus e sua revelação em Cristo. O apóstolo enumera alguns atos de perversão. No verso 20, ele nos fala da perversão filosófica em que os homens, mesmo perante a manifestação de um Deus que tudo criou, procuram alicerçar suas vidas com base em seus próprios pensamentos corruptíveis. No verso 23, ele aborda a perversão religiosa, manifesta na mudança da glória de Deus, incorruptível, em imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Isso nos remete à realidade da idolatria.
Do verso 26 em diante, Paulo fala a respeito da perversão ética e moral e menciona que o homem deixa o contato natural com a mulher, havendo até relacionamentos "homens com homens, cometendo torpeza". Ou seja, a natureza humana é pecaminosa e o homem se põe a cometer "atos inconvenientes, cheios de injustiça, malícia, avareza e maldade". Alguns desses atos pecaminosos são enumerados a seguir: inveja, homicídio, contenda, dolo, malignidade, soberba, insolência.
O homem, portanto, não é condenado por não conhecer a história bíblica; ele é condenado por não glorificar ao Senhor. Os homens não são condenados por não ouvirem a Palavra; eles são condenados, cada um, por seus pecados. O desenvolvimento do texto deixa claro que, perante semelhante quadro de escuridão e perdição, Deus se levanta e nos atrai a ele, em Cristo Jesus.
É comum ao homem caído gerar a ideia de um deus que simplesmente satisfaça aos seus anseios sem lhe confrontar. Esses deuses utilitários e manipuláveis são encontrados em abundância em toda a história da humanidade e das religiões. Biblicamente, porém, não há sentido em apresentar Deus que busca se relacionar com o homem sem expor o pecado humano e seu estado de total carência de salvação.
O relativismo radical, associado ao individualismo, tem levado muitos cristãos a apresentarem o lado consolador do Evangelho, omitindo, contudo, sua realidade confrontadora.
Fala-se sobre um Deus que salva o perdido, mas deixa-se de lado a realidade do estado humano de perdição. Fala-se sobre o céu, mas não sobre o inferno. Fala-se sobre a cura que alegra, mas não sobre o sofrimento que burila. Dentro dessa lógica, "pecado" tornou-se um termo politicamente incorreto e associado à descriminação do indivíduo. Paulo, porém, nos lembra que é vã qualquer tentativa de se expor o Evangelho de salvação sem a apresentação da verdade do homem caído, perdido, em trevas e com total carência da luz de Deus.
SATISFAÇÃO HUMANA x GLÓRIA DE DEUS
Já o movimento sociocultural histórico e mundial do antropocentrismo vem se delineando na pós-modernidade a partir de uma perspectiva individualista que desenvolve o hedonismo e narcisismo. Apesar dos termos repaginados a cada geração, o antropocentrismo tem sua raiz em Gênesis 3, quando nossos pais escolheram satisfazer um desejo pessoal em detrimento da obediência a Deus. Em seu coração, o homem colocava-se pela primeira vez no centro da criação. Hoje, não é diferente. O homem busca ser o centro do universo e da teologia. Assim, mesmo na teologia os temas mais celebrados em nossos dias giram em torno da satisfação humana, e não da verdade divina. Fala-se de céu, e não de inferno. Promete-se a prosperidade que satisfaz e omite-se o sofrimento e a perseguição. Contudo, na galeria dos heróis da fé, mencionados em Hebreus 11, encontramos cristãos fiéis sofrendo, cortados ao meio, lançados em covas de leões, torturados, maltratados e encarcerados. Lemos que ali mulheres perderam, repentina e tragicamente, seus maridos, e filhos perderam seus pais.
A influência antropocêntrica também leva a Igreja a desenvolver um perfil contrário à missão. Ela passa a escolher e destacar os versos bíblicos que prometem felicidade e paz, deixando em segundo plano os trechos que falam sobre missão, responsabilidade e serviço. O hedonismo e o narcisismo são variantes deste movimento antropocêntrico que tem influenciado a Igreja de Cristo de forma extremamente rápida em nossos dias. O hedonismo – a busca pelo prazer e realização pessoal – tem tentado extinguir toda chama de abnegação, disposição e sacrifício do crente pela causa de Deus. Ele também impele o cristão a escolher suas crenças aceitando aquilo que não o confronta. A cultura do entretenimento tenta substituir a cultura do serviço. Assim, a humanidade passou a definir suas atitudes e expectativas perante um único crivo: o que lhe dá prazer.
Outra influência antropocêntrica é o narcisismo. Este desejo de ser belo e reconhecido como tal é outro elemento que cativa a Igreja a andar em caminhos nos quais se substitui a glória de Deus pela humana. Se o motivo maior da existência da Igreja é glorificar a Deus, o narcisismo é uma das maiores barreiras em nossa caminhada. Por estímulo narcisista, diversos crentes fazem a coisa certa pela motivação errada. A armadilha contida nessa variante antropocêntrica é nos tornarmos pessoas envolvidas com Deus e a sua obra, ativas na igreja e na missão, solícitas para cooperar com o próximo – porém, tudo é feito para nossa própria exaltação e glória. Enganoso é o coração!
O narcisismo tenta despertar em nós a vaidade que faz nascer o desejo de sermos reconhecidos, bajulados e mencionados por outros de forma destacada. É preciso, porém, compreender que, para cumprir a vontade do Pai, não nos basta colocar a mão no arado: é necessário buscar um coração puro. Perante os desafios da vida e da fé, é preciso definir a fonte. O que a Reforma Protestante produziu no século 16 foi um retorno à Palavra que necessita ser exercitado a cada dia. Vivemos um dos momentos mais sensíveis quanto ao ataque à fé cristã em nossa geração.
A Igreja está sendo influenciada por relativismos e antropocentrismos que a levam a buscar a fórmula da felicidade, e não a obediência ao Pai.
Também nossos jovens estão sendo frontalmente combatidos nos meios universitários em razão de sua fé. A promoção do ateísmo, em todas as instâncias de convívio social, jamais foi tão forte. Perante tais ataques devemos dobrar nossos joelhos em oração, alicerçar nossa fé nas Escrituras e ensinar abundante e insistentemente aos nossos filhos as verdades de Deus.
Por: Ronaldo Lidório
Fonte: Cristianismo Hoje
Ronaldo Lidório é pastor presbiteriano, teólogo e antropólogo. Serve como missionário junto aos povos indígenas do Brasil (APMT/AMEM) e coordena o Instituto Antropos, que treina e assessora missionários em diversos países
sexta-feira, 5 de julho de 2013
quinta-feira, 23 de maio de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
sábado, 30 de março de 2013
Jesus Passou o Sábado no Inferno? | John Piper
A declaração de fé dos Apóstolos diz, "[Ele] foi crucificado, morto e sepultado. Ele desceu ao inferno. Ao terceiro dia Ele ressuscitou dentre os mortos." Existem muitos significadosdados a esta frase. Eu só quero meditar a respeito da interpretação tradicional de que Cristo foi ao lugar dos mortos pregar o evangelho aos santos do Velho Testamento, a fim de libertá-los para a plena experiência do céu. Essa é a visão do catecismo Católico e também de muitos protestantes. Eu não creio que seja isso o que o Novo Testamento ensina.
Essa visão é baseada primordialmente em duas passagens de 1 Pedro.
"18Pois também Cristo sofreu pelos pecados uma vez por todas, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus. Ele foi morto no corpo, mas vivificado pelo Espírito, 19no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão 20que há muito tempo desobedeceram, quando Deus esperava pacientemente nos dias de Noé, enquanto a arca era construída. Nela apenas algumas pessoas, a saber, oito, foram salvas por meio da água." (1 Pedro 3:18-20)
"4Eles acham estranho que vocês não se lancem com eles na mesma torrente de imoralidade, e por isso os insultam. 5Contudo, eles terão que prestar contas àquele que está pronto para julgar os vivos e os mortos. 6Por isso mesmo o evangelho foi pregado também a mortos, para que eles, mesmo julgados no corpo segundo os homens, vivam pelo Espírito segundo Deus." (1 Pedro 4:4-6)
A respeito de 1 Pedro 3:19, entendo que Cristo, através da voz de Noé, saiu e pregou àquela geração, cujos espíritos estão agora "em prisão", ou seja, no inferno. Em outras palavras, Pedro não diz que Cristo pregou para eles enquanto eles estavam aprisionados. Ele diz que Cristo pregou para eles durante os dias de Noé, e agora eles estão aprisionados.
Acredito que essa interpretação da passagem é sugerida como a mais natural por causa do que Pedro disse anteriormente sobre o espírito de Cristo falando através dos profetas antigos.
Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir. (1 Pedro 1:10-11)
A respeito de 1 Pedro 4:6, entendo que "pregou para os mortos" se refira àqueles que, depois de ouvirem a pregação, morreram. Ele não está se referindo a pregar para eles depois de terem morrido. O contexto sugere esse tipo de interpretação, como J. N. D. Kelly explica:
Eles [os Cristãos] podem muito bem ter sido expostos às perguntas de escárnio de seus vizinhos pagãos, e às ansiosas de outros, "Qual a vantagem de vocês terem se tornado Cristãos, se aparentemente acabam morrendo como qualquer homem?" A resposta do escritor é que, longe de ser inútil, pregar a Cristo e Seu evangelho para aqueles que já tinham morrido, enquanto eles ainda viviam, tinha exatamente esse objetivo em vista, que apesar da predição humana de que eles pareciam ter sidos condenados, eles poderiam de fato desfrutar a vida eterna.” (A Commentary on the Epistles of Peter and Jude, 175)
Eu diria, portanto, que não há base textual no Novo Testamento para afirmar que entre a Sexta-feira Santa e a Páscoa, Cristo estava pregando para as almas aprisionadas no inferno ou Hades. Há sim base textual para dizer que ele estaria com o ladrão arrependido "hoje" mesmo no Paraíso (Lucas 23:43), e não passa a impressão de que Ele se refira a um lugar defeituoso onde o ladrão deva receber mais pregação.
Por essas e outras razões, me parece melhor omitir da declaração de fé dos Apóstolos esta cláusula, "ele desceu ao inferno," em vez de dar-lhe outros significados, que sejam mais defensíveis, the way Calvin does.
- Topic: A Morte de Cristo
- John Piper (@JohnPiper)
- Fonte: Satisfação em Deus
quarta-feira, 6 de março de 2013
A Ira de Deus | Paul Washer
A ira de Deus está vindo contra aqueles que estão em inimizade com Ele. A ira de Deus foi também derramada sobre Seu Filho de tal maneira que não precisaria de haver inimizade entre Ele e aqueles que confiam em Jesus Cristo.
domingo, 3 de março de 2013
O que acontece com a alma quando uma pessoa morre? Hernandes Dias Lopes.
Há muitas pessoas que não têm esperança quanto ao futuro. São como os Epicureus dos
tempos de Paulo: só creem no aqui e agora. Outros pensam que na morte a alma vai para o purgatório para purgar seus pecados até estar apta a entrar no gozo eterno.
Outras acreditam na aniquilação: morreu acabou! Há outros, que acreditam na reencarnação, em sucessivas vidas e ainda aqueles que acreditam no sono da alma.
O que a Bíblia diz? A Palavra de Deus diz que quando uma pessoa morre sua alma vai para o céu ou para o inferno, enquanto o corpo aguarda a ressurreição da vida ou da ressurreição do juízo. A alma entra imediatamente no gozo eterno ou no tormento eterno.
O apóstolo Paulo diz que;
- Morrer é deixar o corpo e habitar com o Senhor (2Co 5.8).
- Morrer é partir para estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor (Fp 1.23).
- Morrer no Senhor é uma felicidade (Ap 14.13) e lucro (Fp 1.21).
- A morte dos salvos é preciosa aos olhos do Senhor (Sl 116.15).
Hernandes Dias Lopes – Via Facebook
sábado, 2 de março de 2013
A Soberania Absoluta de Deus: De Que se Trata Romanos 9? | John Piper
Romanos 9:1-5
Digo a verdade em Cristo, não minto; minha consciência o confirma no Espírito Santo: 2 tenho grande tristeza e constante angústia em meu coração. 3 Pois eu até desejaria ser amaldiçoado e separado de Cristo por amor de meus irmãos, os de minha raça, 4 o povo de Israel. Deles é a adoção de filhos; deles é a glória divina, as alianças, e a concessão da Lei, a adoração no templo e as promessas. 5 Deles são os patriarcas, e a partir deles se traça a linhagem humana de Cristo, que é Deus acima de todos, bendito para sempre! Amém.
Há duas experiências em minha vida que fazem de Romanos 9 um dos capítulos mais importantes no processo de formação da forma como penso e vejo todas as coisas, e também da forma como fui levado ao ministério. A primeira delas aconteceu quando eu estava no seminário e virou minha mente de cabeça para baixo. A outra aconteceu no outono de 1979 e me levou a servir nesta igreja.
Eu acreditava no meu livre arbítrio quando entrei no seminário, no sentido de que eu tinha o controle supremo sob minhas decisões. Não aprendi isso na Bíblia; absolvi essa idéia do ar independente, auto-suficiente, que se auto-estima, se auto-exalta que respiramos todos os dias. A soberania de Deus significava que Ele podia fazer qualquer coisa comigo desde que eu O desse permissão para tal. Com esse tipo de mentalidade me matriculei na classe sobre o livro de Filipenses com Daniel Fuller e na classe sobre Doutrina da Salvação com James Morgan.
Em Filipenses fui confrontado com a intratável cláusula do capítulo 2 verso 13:
“ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, 13 pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele.”
Isso faz de Deus a vontade por detrás de minha vontade; aquele que realiza por detrás do meu realizar. A pergunta não era se tenho ou não vontade própria; a pergunta era por que escolho o que escolho. E a resposta, não a única, porém a definitiva é Deus.
Na classe sobre salvação lidamos logo de cara com doutrinas de eleição incondicional e graça irresistível. Romanos 9 foi o texto chave e aquele que mudou minha vida para sempre. Romanos 9:11-12 diz, “Todavia, antes que os gêmeos (Jacó e Esaú) nascessem ou fizessem qualquer coisa boa ou má – a fim de que o propósito de Deus conforme a eleição permanecesse, 12 não por obras, mas por aquele que chama – foi dito a ela: ‘O mais velho servirá ao mais novo.’” Quando Paulo levanta a pergunta no verso 14, “Acaso Deus é injusto?” Ele responde que não e cita Moisés (no verso 15) : “Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão.” E quando ele levanta a questão no verso 19, “Então, por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade?” Ele responde no verso 21, “O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso?”
Emoções afloram quando você sente que seu mundo auto-suficiente começa a se desmoronar ao seu redor.
Encontrei o Dr. Morgan no corredor um dia. Depois de alguns minutos de uma discussão acalorada a respeito do livre arbítrio, segurei uma caneta bem na frente do rosto dele e a deixei cair no chão. Então eu disse, meio que faltando com o respeito que como aluno eu deveria ter: “EU [!] a deixei cair no chão!” De alguma forma aquilo era para se provar que foi minha escolha deixar a caneta cair e isso não tinha sido controlado por nada, apenas por minha própria soberania.
Mas graças à misericórdia e paciência de Deus, ao final do semestre escrevi no meu livro de meditações para o exame final, “Romanos 9 é como um tigre que sai por aí devorando defensores do livre arbítrio como eu.” Aquele foi o fim do meu caso de amor com a autonomia humana e a absoluta auto-determinação da minha vontade. Minha visão de mundo simplesmente não podia mais se levantar contra as escrituras, especialmente Romanos 9. Foi o começo de uma paixão para vida inteira em ver e experimentar a supremacia de Deus em absolutamente todas as coisas.
O Outono de 1979
Então, dez anos mais tarde, veio o outono de 1979. Eu tinha tirado uma licença do meu cargo de professor na Faculdade Betel. Meu único propósito para essa licença era para estudar Romanos 9 e escrever um livro que definiria, em minha própria mente, o significado desses versos. Depois de seis anos lecionando e me deparando com alunos prontos a disputar por uma razão ou por outra minha interpretação desse capítulo, decidi que precisava dedicar oito meses para isso. O resultado da minha licença foi o livro: A Justificação de Deus. Tentei responder a cada objeção em relação à interpretação bíblica da soberania absoluta de Deus em Romanos 9.
Mas o resultado final daquela licença foi completamente inesperado – ao menos por mim. Meu propósito era de analisar a palavra de Deus tão de perto e interpretá-la com tanto cuidado que eu poderia escrever um livro que seria convincente e duraria o teste do tempo. O que eu não esperava era que seis meses dentro dessa análise de Romanos 9 o próprio Deus falaria comigo tão poderosamente que eu renunciaria meu cargo na Faculdade Betel e me poria à disposição da Conferência Batista de Minnesota se caso houvesse uma igreja que me aceitasse como pastor.
Em suma tudo aconteceu assim: eu tinha 34 anos de idade. Pai dois filhos e um terceiro a caminho. À medida que fui estudando Romanos 9 dia após dia, comecei a ver um Deus tão majestoso e tão livre e tão absolutamente soberano que minha análise resultou em adoração e o Senhor me disse,
"Não serei apenas analisado mas serei adorado. Não serei apenas estudado, serei proclamado. Minha soberania não é simplesmente para ser escrutinizada, mas sim para ser um sinal do que há por vir. Ela não é para ser usada para espalhar controvérsias, ela é o Evangelho para os pecadores cuja única esperança é o triunfo soberano da graça de Deus sobre a vontade rebelde deles."
Foi quando a Igreja Batista de Belém entrou em contato comigo no fim de 1979. Não hesito em dizer que por causa de Romanos 9 deixei de ser professor de seminário para ser pastor. O Deus de Romanos 9 tem sido a fundação sólida de tudo que tenho dito e feito nos últimos 25 anos.
O Testemunho de Jonathan Edwards a Respeito da Soberania Absoluta de Deus
Sinto-me assim como Jonathan Edwards sentia a respeito da verdade da soberania absoluta de Deus sobre minha vontade, sobre essa igreja, sobre as nações – mesmo não tendo a capacidade dele de ver e experimentar a verdade de Deus. Lerei a seguinte história porque ela deve ser a história de muitos nessa igreja, e talvez ainda seja, eu oro, a história de muitos outros:
Desde minha infância, minha mente era cheia de objeções contra a doutrina da Soberania de Deus, que escolhe quem teria vida eterna e rejeita quem Ele bem quisesse; deixando-os perecer eternamente e para sempre atormentados no inferno. Isso parecia para mim uma doutrina horrível. Mas me lembro muito bem do tempo quando comecei a me sentir convencido e totalmente satisfeito com essa soberania de Deus, e Sua justiça em assim se desfazer (ou lidar) eternamente com o homem, de acordo com Sua vontade soberana. Mas nunca pude determinar como, ou por quais meios, eu fui assim convencido, nem sequer podia imaginar então, nem muito tempo depois, que houve uma influencia extraordinária do Espírito de Deus em mim que me permitiu ver mais além, e minha razão compreendeu a justiça e quão razoável isso era. Então, minha mente descansou nisso, pondo um ponto final em todas minhas objeções e picuinhas. Houve também uma maravilhosa alteração em minha mente, a respeito da doutrina da soberania de Deus, desde aquele dia até hoje; que quase nunca tenho encontrado algo que se levante como uma objeção contra ela, em Deus mostrando misericórdia a quem Ele quer mostrar misericórdia, e endurecendo aqueles que Ele quiser. A soberania absoluta e a justiça de Deus, com respeito à salvação e condenação, é no que minha mente parece descansar, assim como algo que se possa ver com meu próprios olhos, pelo menos assim o é em ocasiões. A doutrina, frequentemente, tem se apresentado prazerosa, clara e doce. Soberania absoluta é o atributo de Deus que mais amo. (Jonathan Edwards, Selections [New York: Hill and Wang, 1962], pp. 58-59).
Um Breve Resumo de Romanos 9
Tudo isso parece ser uma ilusória introdução a Romanos 9. Mas é somente o começo. Pode ter dado a impressão de que Romanos 9 é uma dissertação a respeito da soberania de Deus. Mas não é. Romanos 9 é uma explicação por quê a Palavra de Deus não falhou apesar do fato de que o povo escolhido de Deus, Israel, como um todo, não ter se voltado para Cristo para serem salvos. A soberania da graça de Deus é apresentada como a peça chave da fidelidade de Deus apesar do fracasso de Israel, e, por conseguinte, como o mais profundo alicerce para as preciosas promessas de Romanos 8. Porque se Deus não é fiel à sua Palavra, não podemos contar com Romanos 8 também.
Considere esse breve resumo. Verso 3 nos mostra que Israel, como um todo, é amaldiçoado e separado de Cristo: “Pois eu até desejaria ser amaldiçoado e separado de Cristo por amor de meus irmãos, os de minha raça.” Iremos lidar com esse raciocínio de Paulo na próxima semana. Apenas perceba agora que este é o grande dilema de Israel: “amaldiçoado e separado de Cristo.” Isso levanta um grande problema! O que dizer então da Palavra de Deus – a palavra da promessa a Israel e da aliança: “Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo!” (Jeremias 31:33)
Então Paulo responde a essa pergunta no versículo 6: “Não pensemos que a palavra de Deus falhou.” Você pode ver o que estava em jogo aqui. Parece que a Palavra de Deus tinha falhado! Mas Paulo diz que não. Então ele dá uma explicação que o leva para dentro das doutrinas de eleição incondicional e soberania divina sobre a vontade humana. A explicação dele no verso 6b é: “Pois nem todos os descendentes de Israel são Israel.” Nem todo descendente físico de Israel é Israel. Em outras palavras, a Palavra de Deus não falhou porque as promessas não foram feitas a todos da descendência étnica de Israel de tal forma que garantiria a salvação de todo e qualquer indivíduo israelita.
O verso 8 diz isso novamente: “não são os filhos naturais que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que são considerados descendência de Abraão.” Em outras palavras, nem todo o descendente físico de Abraão é beneficiário das promessas da Aliança. Então, quem é? Aqui Paulo vai ao fundo da explicação. Ele diz que os beneficiários da promessa são os filhos da promessa.
- Mas, perguntamos, quem são eles?
- Quais são as condições que eles têm que cumprir para serem “filhos da promessa”?
Paulo responde a essa pergunta no verso 11, com a ilustração de Jacó e Esaú, nos confrontando com a suprema soberania de Deus em escolher quem seria o beneficiário da promessa. Em se referindo a Jacó (quem se tornaria o herdeiro) e Esaú (quem não foi) Paulo diz:
“Todavia, antes que os gêmeos nascessem ou fizessem qualquer coisa boa ou má [aí está a incondicionalidade, e aqui a razão para tal] — a fim de que o propósito de Deus conforme a eleição permanecesse, [eis aqui a explicação mais profunda que as condições humanas – o propósito soberano de Deus], não por obras, mas por aquele que chama [perceba: ele não contrasta obras com fé, mas com ‘Aquele que chama’ – nem sequer a fé está em questão aqui como uma condição] — foi dito a ela: “O mais velho servirá ao mais novo.”
Tudo isso levanta a questão a respeito da justiça de Deus. Paulo não está escondendo nada aqui. Ele está abrindo o jogo, trazendo tudo à luz. No verso 14 ele diz, “E então, que diremos? Acaso Deus é injusto?” A resposta de Paulo é não. Depois de citar Moisés a respeito da liberdade de Deus em ter misericórdia de quem Ele quiser ter misericórdia (vers. 15) ele repete a respeito da absoluta incondicionalidade de ser escolhido por Deus para ser um filho da promessa. Verso 16: “Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus.”
O que nos leva então, à questão no versículo 19, “Então, por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade?” Essas são as questões que nos confrontam neste capítulo.
- Todo o Israel são “filhos da promessa” ou apenas alguns o são?
- Se somente alguns são, o que faz de uma pessoa um filho da promessa e outra não?
- Se é acima de tudo a misericordiosa eleição incondicional, livre e soberana de Deus, então Ele é injusto?
- Se Ele que é livre para ter misericórdia de quem Ele quiser e endurecer a quem Ele quiser (vers. 18), e se isso não depende do homem desejar ou efetuar (vers. 16) então, por que Ele ainda acha culpa em nós?
O Ponto-Chave de Romanos 9: Uma Explicação e Defesa Que a Palavra de Deus Não Falhou
Então você pode ver que o assunto da eleição divina, da vontade humana, da justiça de Deus, da culpa do homem e da soberania de Deus estão todos contidos nesse capítulo. Mas não estão aí só por estar. Eles estão aqui para explicar essa questão que não quer calar:
- Como pode o povo eleito de Deus, Israel, ser amaldiçoado e separado de Cristo se a Palavra de Deus é confiável?
- Como pode o versículo 6a ser verdadeiro: “Não pensemos que a palavra de Deus falhou.”
Essa é a questão desse capítulo.
As Promessas de Romanos 8 Prevalecerão?
- E isso é absolutamente crucial para nós à medida que nos aproximamos da mesa do Senhor.
- As promessas de Romanos 8 prevalecerão?
- As promessas compradas pelo sangue que nós, gentios e judeus, confiamos nossas vidas irão prevalecer?
- Deus irá honrar seus compromissos, selados com o sangue de seu Filho?
- Ele irá fazer com que todas as coisas cooperem para o nosso bem?
- Os predestinados serão chamados e os chamados serão justificados e os justificados serão glorificados?
- Ele nos dará todas as coisas juntamente com Ele?
- Nada nos separará do amor de Deus que está em Cristo?
- Será que hoje realmente não há nenhuma condenação?
- E assim será amanhã e depois também?
Romanos 9 vem depois de Romanos 8 exatamente por essa razão crucial: nos mostrar que a palavra da aliança de Deus com Israel não falhou, porque ela está fundamentada na soberania de Deus e em sua eleição misericordiosa. Portanto, as promessas para o verdadeiro Israel e as promessas de Romanos 8 prevalecerão! Esse é o evangelho, as boas-novas, de Romanos 9. As promessas compradas pelo sangue de Cristo serão realizadas pelo poder soberano de Deus.
Oh! Quão gratos, quão humildes e quão confiantes devemos ser quando adoramos ao Senhor em Sua mesa!
Por: John Piper
Fonte; Desiring God
Você tem permissão, bem como nosso incentivo, para reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, contanto que não altere, em alguma maneira, a fraseologia e não cobre um valor além do custo de reprodução. Para postar na internet, preferimos a utilização de um link referente a este documento remetendo a nosso website. Quaisquer exceções a essas orientações têm de ser aprovadas pelo Desiring God.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Um Sumário do Evangelho para te ajudar a desfrutar dele e compartilhá-lo | John Piper
Deus nos criou para sua glória
“Trazei meus filhos de longe e minhas filhas das extremidades da terra, todos os que são chamados pelo meu nome, que criei para a minha glória” (Isaías 43.6-7). Deus fez todos nós à sua própria imagem para que pudéssemos mostrar a imagem, ou refletir, seu caráter e beleza moral.
Cada ser humano deve viver para a glória de Deus
“Quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.” (1 Coríntios 10.31). A maneira para se viver para a glória de Deis é amá-lO (Mateus 22.37), confiar nEle (Romanos 4.20), ser grato a Ele (Salmo 50.3) e obedecê-lO (Mateus 5.16). Quando fazemos estas coisas, nós mostramos a imagem da glória de Deus.
Todos nós pecamos e nos afastamos da glória de Deus
“Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3.23). “Embora conhecessem a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças... e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança de imagens” (Romanos 1.21-23). Nenhum de nós amou, ou confiou, ou foi grato ou obedeceu a Deus como devia.
Todos nós merecemos punição eterna
“Porque o salário do pecado é a (eterna) morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 6.23). Aqueles que não obedecem ao Senhor Jesus, “por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder” (2 Tessalonicenses 1.9). “E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.” (Mateus 25.46).
Na Sua grande misericórdia Deus enviou Seu Filho Único Jesus Cristo para dar aos pecadores o caminho para vida eterna
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3.16). “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gálatas 3.13). “Cristo também padeceu de uma vez por todas pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus” (1 Pedro 3.16).
A Vida eterna é um dom gratuito a todos que crerem em Cristo como Senhor e Salvador
“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos 16.31). “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus O ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Romanos 10.9). “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8). “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2.20).
Na busca do poder de Atos 1.8 com você,
Pastor John Piper
Fonte: Satisfação em Deus
Traduzido por: Lucas da Silva Maria, GT
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
O Evangelho de Jesus Cristo | Kevin Williams
Por: Kevin Williams
terça-feira, 17 de abril de 2012
O Assédio Psicológico Pastoral, a Manipulação e o Inferno | Mark Dever
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Há algo pior do que a morte | Kevin DeYoung
Nunca entenderemos a Bíblia, a missão da igreja ou a glória do evangelho, se não entendermos este aparente paradoxo: a morte é o último inimigo, mas não é o pior.
É claro que a morte é um inimigo, o último inimigo a ser destruído, Paulo nos diz (1 Co 15.26). A morte é o resultado trágico do pecado (Rm 5.12). Deve ser odiada e repudiada. Ela deve suscitar nossa ira e indignação lamentável (Jo 11.35, 38). A morte tem de ser vencida.
No entanto, por outro lado, ela não deve ser temida. Repetidas vezes, as Escrituras nos instruem a não temermos a morte. Afinal de contas, o que a carne pode fazer conosco (Sl 56.3-4)? O nome do Senhor é uma torre forte; os justos correm para ela e são salvos (Pv 18.10). Portanto, ainda que sejamos entregues aos nossos inimigos, nem um fio de cabelo cairá de nossa cabeça sem que Deus tenha ordenado (Lc 21.18). Como cristãos, vencemos pela palavra de nosso testemunho, e não por nos apegarmos à vida (Ap 12.11). De fato, não há nada mais fundamental no cristianismo do que a firme convicção de que a morte será lucro para nós (Fp 1.21).
Por isso, não tememos a morte. Antes, “estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor” (2 Co 5.8).
O testemunho consistente das Escrituras é que a morte é grave, mas não é o último desastre que pode sobrevir a uma pessoa. Na verdade, há algo pior do que a morte. Muito pior.
TEMEI ISSO
Em geral, Jesus não queira que seus discípulos ficassem temerosos. Ele lhes disse que não temessem seus perseguidores (Mt 10.26), nem temessem aqueles que matam o corpo (v. 28), nem temessem por seus preciosos cabelos em sua preciosa cabeça (v. 31). Jesus não queria que eles temessem muitas outras coisas, mas queria realmente que temessem o inferno. Jesus lhes advertiu: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo” (v. 28).
Muitos falam freqüentemente como se Jesus estivesse no céu intimidando as pessoas com cenas de juízo. Mas esse sentimento expõe preconceito insensato, em vez de exegese cuidadosa. Jesus proferiu várias advertências quanto ao dia do juízo (Mt 11.24; 25.31-46), falou sobre condenação (Mt 12.37; Jo 3.18) e descreveu o inferno com termos vívidos e chocantes (Mt 13.49-50; 18.9; Lc 16.24). Precisamos apenas ler as suas parábolas sobre os lavradores maus, ou sobre as bodas, ou sobre as virgens, ou sobre os talentos, para compreendermos que Jesus motivava freqüentemente os seus ouvintes a atentarem à sua mensagem por adverti-los quanto ao juízo vindouro. Não era apropriado Jesus amedrontar as pessoas.
Obviamente, seria inexato caracterizar Jesus e os apóstolos como nada mais do que fanáticos propagandistas ambulantes, de olhares inexpressivos, os quais gritavam que as pessoas deviam arrependerem-se ou perecer. Deformamos o Novo Testamento se o transformamos em um grande panfleto a respeito de como salvar almas do inferno. Retratar Jesus e os apóstolos (sem mencionar João Batista) como que rogando fervorosamente às pessoas que fugissem da ira por vir e não imaginá-los como que delineando planos para uma renovação cósmica e ajudando as pessoas em sua jornada espiritual – isso seria mais próximo da verdade. Qualquer de nós que lê os evangelhos, as epístolas e o Apocalipse, com mente aberta, tem de concluir que a vida eterna após a morte é a grande recompensa pela qual esperamos e que a destruição eterna após a morte é o terrível julgamento que devemos querer evitar a todo custo. De João 3, Romanos 1, 1 Tessalonicenses 4 e Apocalipse..., bem, de todas esses passagens, não há nenhum capítulo que não mostre a Deus como grande Salvador dos justos e reto juiz dos ímpios. Há uma morte para os filhos de Deus que não deve ser temida (Hb 2.14-15) e uma segunda morte para os ímpios que deve ser temida (Ap 20.11-15).
FIRME ENQUANTO AVANÇA
Embora seja bastante impopular e desejemos abrandar suas implicações desagradáveis, a doutrina sobre o inferno é essencial ao testemunho cristão fiel. A crença de que há algo pior do que a morte é, evocando a figura empregada por John Piper, lastro para nossos navios ministeriais.
O inferno não é a Estrela Polar. Ou seja, a ira de Deus não é a luz que nos guia. Não estabelece a direção para tudo que diz respeito à fé cristã, como, por exemplo, a glória de Deus na face de Cristo. O inferno também não é o leme de fé que guia o navio, nem o vento que nos impele ao longo da viagem, nem as velas que captam as brisas do Espírito. Contudo, o inferno não é incidental ao navio que chamamos igreja. É o nosso lastro, e o lançamos fora ao custo de grande perigo para nós mesmos e para todos os que se afogam no mar.
Para aqueles que não são familiarizados com termos de navegação (e para mim, que os acho misteriosos), lastro se refere aos pesos, colocados geralmente na parte de baixo, no meio do navio, que são usados para mantê-lo estável na água. Sem lastro, o navio não se assentará apropriadamente na água. Ele sairá do curso mais facilmente ou será lançado de um lado para outro. O lastro mantém o navio em equilíbrio.
A doutrina sobre o inferno é como lastro para a igreja. A ira divina não pode ser um mastaréu decorativo ou a bandeira que erguemos no mastro. Essa doutrina pode estar por baixo das outras doutrinas. Pode até não ser vista. Mas sua ausência sempre será sentida.
Visto que o inferno é real, temos de preparar as pessoas para morrerem bem, muito mais do que nos esforçamos para ajudá-las a viver confortavelmente. Visto que o inferno é real, nunca devemos pensar que aliviar os sofrimentos na terra é a coisa mais amável que podemos fazer. Visto que o inferno é real, a evangelização e o discipulado não devem ser marginalizados como tarefas importantes que são equivalentes a pintar uma escola ou produzir um filme.
Se perdermos a doutrina sobre o inferno, sentindo-nos tão embaraçados que não a mencionamos ou tão sensíveis à cultura que não a afirmamos, podemos ter certeza disto: o navio vagueará. A cruz será destituída da propiciação, nossa pregação perderá a urgência e o poder, e nossa obra no mundo não mais se centralizará em chamar as pessoas à fé e ao arrependimento e em edificá-las para a maturidade em Cristo. Perder o lastro do juízo divino causará, por fim, mudança em nossa mensagem, nosso ministério e nossa missão.
PERMANECENDO NO CURSO
Toda a vida deve ser vivida para a glória de Deus (1 Co 10.31). E temos de fazer o bem a todas as pessoas (Gl 6.10). Não precisamos justificar o preocupar-nos com nossas cidades, o amar o nosso próximo e o trabalhar duro em nossa vocação. Essas coisas são, também, “obrigações”. Contudo, tendo a doutrina sobre o inferno como lastro em nossos navios, nunca zombaremos dos velhos hinos que nos exortam a resgatar os que perecem, nem escarneceremos da obra de salvar almas, como se isso fosse nada mais do que um glorioso seguro contra incêndio.
Há algo pior do que a morte. E somente o evangelho de Jesus Cristo, proclamado pelos cristãos e protegido pela igreja, pode livrar-nos daquilo que devemos temer verdadeiramente. A doutrina sobre o inferno nos lembra que a maior necessidade de cada pessoa não será satisfeita por instituições como Nações Unidas, Habitat para a Humanidade ou United Way. É somente por meio do testemunho cristão, da proclamação do Cristo crucificado, que a pior coisa do mundo não recairá sobre todos os que estão no mundo.
Portanto, a todos os pastores admiráveis que se sacrificam, assumem riscos, amam a justiça, preocupam-se com os que sofrem e anelam renovar suas cidades, Jesus diz: “Muito bem, mas não esqueçam o lastro, rapazes”.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Deus É o Evangelho | John Piper
Você já se perguntou por que o perdão de Deus tem algum valor? E quanto à vida eterna? Você alguma vez se perguntou por que uma pessoa iria querer ter vida eterna? Por que deveríamos desejar viver eternamente? Estas indagações têm importância porque é possível querer o perdão e a vida eterna por razões que provam que você não os tem.
Vejamos o perdão, por exemplo. Você pode desejar o perdão de Deus porque é muito infeliz com sentimentos de culpa. Você quer apenas um alívio. Se você crê que Ele o perdoa, então terá algum refrigério, mas não necessariamente a salvação. Se deseja o perdão simplesmente por causa de alívio emocional, não terá o perdão de Deus. Ele não o dá para aqueles que o usam unicamente para obter as Suas dádivas e não desejam ter a Ele mesmo.
Ou você pode querer ser curado de uma enfermidade ou conseguir um emprego ou encontar um cônjuge. Você então toma conhecimento de que Deus pode ajudá-lo a conquistar estas coisas, mas que primeiramente os seus pecados deveriam ser perdoados. Alguém orienta você a crer que Cristo morreu pelos seus pecados, e que se você crer nisto, seus pecados serão perdoados. Você então crê a fim de remover o obstáculo à saúde, ao emprego, e ao cônjuge. Essa é a salvação do evangelho? Penso que não.
Em outras palavras,importa o que se espera obter através do perdão. Importa o porquê de desejá-lo. Se quiser o perdão exclusivamente pelo interesse de saborear a criação, então o Criador não é honrado e você não está salvo. O perdão é precioso por uma razão definitiva: ele o capacita a desfrutar comunhão com Deus. Se não quiser o perdão por essa razão, não o terá de maneira alguma. Deus não será usado como moeda para a aquisição de ídolos.
Semelhantemente, perguntamos: por que queremos vida eterna? Alguém pode dizer: porque o inferno é a alternativa, e essa é dolorosa. Outro pode dizer: porque não haverá tristeza lá. Outro pode dizer: meus entes queridos foram para lá e quero estar com eles. Outros podem sonhar com sexo e comida incessantes. Ou riquezas mais nobres. Em todos estes propósitos uma coisa está faltando: Deus.
O motivo salvífico para se querer a vida eterna é apresentado em João 17.3: "Esta é a vida eterna: que Te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste". Se você não desejar a vida eterna porque esta representa satisfação em Deus, então você não terá vida eterna. Simplesmente mentimos a nós mesmos que somos cristãos, se usarmos o glorioso evangelho de Cristo para conseguir o que amamos mais do que a Cristo. As “boas novas” não se mostrarão boas a ninguém para quem Deus não seja o benefício principal.
Esta está a maneira como Jonathan Edwards expressa estas verdades em um sermão para o seu povo em 1731. Leia o texto lentamente e deixe-o despertá-lo à verdadeira excelência do perdão e da vida.
"Os redimidos têm todos os seus reais benefícios em Deus. O próprio Deus é o maior bem que possuem e desfrutam por meio da redenção. Ele é o bem mais sublime, e a soma de todos os benefícios que Cristo adquiriu. Deus é a herança dos santos; Ele é a porção de suas almas. Deus é a sua riqueza e o seu tesouro, seu alimento, sua vida, sua moradia, seu adorno e diadema, sua honra e glória eternas. Eles não têm ninguém no céu, além de Deus; Ele é o grande bem a quem os redimidos são acolhidos na hora da morte, e para o qual eles ressuscitarão no fim dos tempos. O Senhor Deus, Ele é a luz da Jerusalém celestial; é o “rio da água da vida” que corre, e a árvore da vida que cresce, “no meio do paraíso de Deus”. As magníficas excelências e beleza de Deus serão o que, por todo o sempre, nutrirão os pensamentos dos santos, e o amor de Deus será o seu banquete eterno. Os redimidos desfrutarão de outras coisas; eles desfrutarão dos anjos, e desfrutarão uns dos outros: mas o que eles apreciarão nos anjos e uns nos outros, ou em qualquer outra coisa, o que irá conceder-lhes gozo e satisfação, será o que, de Deus, é visto neles."(Os Sermões de Jonathan Edwards: Um Leitor [New Haven: Yale University Press, 1999], pp. 74-75)
Deleitando-me em Deus através do evangelho, com você,
Pastor John
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Cristo Desceu ao Inferno?
O outro texto é 1 Pedro 3:18-20, onde é dito que Cristo foi pregar aos espíritos que agora estão em prisão. Isto é, eles tinham morrido – tendo vivido nos dias de Noé – e estão agora em prisão; e Cristo foi pregar a eles. Alguns tomam isso como significando que entre a Sexta Feira da Paixão e o Domingo da Ressurreição, Cristo desceu ao inferno e pregou o evangelho ali. Mas tampouco penso que esse seja o significado desse texto. Acredito que ele significa que, quando essas pessoas estavam vivas nos dias de Noé, o Espírito de Cristo pregou a eles através da pregação de Noé; e agora eles estão em prisão.
Assim, minha conclusão é que não existe nenhuma base textual para crer que Cristo desceu ao inferno. De fato, ele disse ao ladrão sobre a cruz: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.” Essa é a única pista que temos quanto ao que Jesus estava fazendo entre a morte e a ressurreição. Ele disse, “Hoje — na tarde dessa Sexta, após estarmos mortos — você e eu estaremos no Paraíso juntos.” Não penso que o ladrão foi ao inferno e que o inferno seja chamado Paraíso. Acredito que ele foi para o céu, e que Jesus estava ali com ele.
Dessa forma, eu não digo aquela frase “ele desceu ao inferno [hades]” quando recito o Credo Apostólico. Estude você mesmo e veja se encontra outros fundamentos para tal afirmativa. Quanto a mim, diria que o fundamento para essa sentença particular no Credo Apostólico é, biblicamente falando, muitíssimo fraco.
Por: John Piper
Fonte: http://www.desiringgod.org/
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
O que devemos pregar sobre o inferno?
Falar sobre o inferno significa falar sobre coisas tão impressionantes, que isso não pode ser feito com tranqüilidade.
No entanto, o inferno existe. Esse é o testemunho das Escrituras, dos apóstolos e do próprio Senhor Jesus. Aquilo que é emocionalmente intolerável também é verdade – e nisso está o seu terror.
Cumpre ao pastor cristão familiarizar-se com o ensino sobre o inferno, sentir a sua importância, pregar sobre ele e aconselhar seu rebanho em relação ao seu significado e suas implicações.
PECAMINOSIDADE REVELADA
O pregador fala como alguém consciente de que ele mesmo tem de apresentar-se diante do tribunal de Cristo: “Importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Co 5.10). Talvez mais do que qualquer outra coisa, isso tem de se tornar a atmosfera a partir da qual os servos de Deus abordam suas tarefas como pregadores e pastores. Eles comparecerão no tribunal de Cristo. Somente aqueles que estão plenamente cônscios de que se apresentarão diante do tribunal de juízo podem falar com um senso de relevância sobre as questões da vida e da morte, do céu e do inferno.
É nesse ponto que aprendemos para nós mesmos a terrível revelação de nossa pecaminosidade. E isso, por sua vez, nos capacita a enfatizar três coisas essenciais à nossa pregação.
• A justiça de Deus
• A pecaminosidade de nosso pecado
• A absoluta justiça da condenação de Deus sobre nós
A menos que estabeleçamos esses princípios coordenados e os inculquemos na mente e consciência de nossos ouvintes, há pouca probabilidade de que lhes impressionaremos com a pregação sobre o inferno.
Todo membro da raça humana decaída precisa ter colocada diante de si a total e radical inescusabilidade do pecado e da absoluta justiça da condenação da parte de Deus. Somente assim o homem caído pode levar e levará a sério o inferno. A pregação dessas verdade tenciona remover a cegueira, despertar e aguçar a consciência dormente. Do contrário, persistimos em nossa suposição de que, não importando o destino que sobrevenha a outros (um Nero, um Hitler ou um Idi Amin), nós mesmos estamos seguros em relação à condenação divina.
O QUE DEVEMOS PREGAR SOBRE O INFERNO?
Então, o que devemos pregar sobre o inferno? Há várias coisas que precisamos afirmar.
1. O inferno é real.
Uma das características da pregação de Jesus foi advertir quanto a perspectiva do inferno, assim como lhe foi característico falar sobre os elevados privilégios do céu. Pelo menos para ele o inferno era tão real quanto o céu.
2. O inferno é descrito vividamente nas passagens do Novo Testamento.
No decorrer dos séculos, os teólogos têm debatido se o vocabulário bíblico referente ao inferno deve ser tomado literal ou metaforicamente. Minha opinião é que, em qualquer aspecto do ensino bíblico em que várias descrições contêm elementos que se encontram em tensão com outros, essas descrições são provavelmente metafóricas. Mas, havendo dito isso, precisamos afirmar também – e este é um fato crucial – que as metáforas são empregadas precisamente para descrever realidades maiores do que elas mesmas.
O inferno é uma esfera de separação e privação, de sofrimento e punição, de trevas e destruição, de desintegração e perecimento. O vocabulário do Novo Testamento inclui: trevas exteriores, choro e ranger de dentes, destruição do corpo e da alma, fogo eterno, fogo do inferno, condenação do inferno, perder a vida eterna, a ira de Deus, eterna destruição longe da presença do Senhor, perecer, separação, negridão das trevas.
O que o pregador deve fazer com essa linguagem? Deve fazer exatamente o que fazemos com qualquer linguagem bíblica: usá-la até aos limites de seu significado no texto, nem mais, nem menos. Em particular, a palavra “eterno” ressalta a magnitude do que está em vista. Essa condição não é somente uma condição de separação de Deus e desintegração de tudo que é agradável; é tudo isso com duração perpétua e permanente. Foi isso que levou Thomas Brooks, grande pregador do século XVII, a clamar em palavras que encontramos também nos lábios de seus contemporâneos:
Oh! esta palavra eternidade, eternidade, eternidade! Esta palavra eterno, eterno, eterno! Esta palavra para sempre, para sempre, para sempre, espedaçará o coração dos condenados em inúmeras partes... No inferno, os pecadores impenitentes terão fim sem fim, morte sem morte, noite sem dia, lamento sem consolo, tristeza sem alegria e escravidão sem liberdade. Os condenados viverão por tanto tempo no inferno quanto Deus mesmo viverá no céu.
3. O inferno, embora preparado par o Diabo e seus anjos, é compartilhado por seres humanos.
O inferno é o deserto da humanidade, habitado por aqueles que rejeitam a Cristo e sua revelação. Aqueles que não pertencem ao reino de Deus estão lá: “Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira” (Ap 22.15; cf. 1 Co 6.9). O homem rico está lá (Lc 16.19-31); aqueles que não amaram os irmãos de Cristo estão lá (Mt 25.41-46); alguns que profetizaram, expulsaram demônios, realizaram milagres em nome de Cristo estão lá (Mt 7.21-23); “os que não conhecem a Deus e... não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus” estão lá (2 Ts 1.8); Judas Isacriotes está lá (At 1.25), porque melhor lhe fora não haver nascido (Mt 26.24); o Diabo e seus anjos, a besta e o falso profeta estão lá, “atormentados... pelos séculos dos séculos” (Ap 19.19-20; 20.10, 15).
A perspectiva desse juízo é tão terrível que, ao ser revelado:
Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se? (Ap 6.15-17)
De fato, isso é muito terrível para ser contemplado – é mais terrível do que o vocabulário usado para descrevê-lo, assim como o céu é mais glorioso do que nossas palavras talvez possam descrever.
Como milhões de outras pessoas, assisti em 11 de setembro de 2011, com horror e presságio, em tempo real, pela televisão, no Reino Unido, ao segundo avião se chocando nas Torres Gêmeas, em Nova Iorque; e, depois, vi os prédios caindo em escombros, enquanto as pessoas corriam para salvar sua vida. Foi um dos mais horríveis acontecimentos que testemunhamos “ao vivo”. Enquanto eu assistia ao acontecimento, perguntei-me: que tipo de horror cataclísmico faria homens fortes correrem para aqueles escombros cadentes a fim de acharem proteção, preferindo esse holocausto à ira do Cordeiro?
4. O mais importante em expormos e aplicarmos o ensino bíblico sobre o inferno é isto: temos de enfatizar que há um caminho de salvação. Há um lugar de abrigo para nos escondermos da ira do Cordeiro.
O evangelho não é essencialmente uma mensagem sobre o inferno. Contudo, não podemos ser fiéis às Escrituras se não pregamos sobre o inferno pela simples razão de que o próprio evangelho não pode ser entendido sem a realidade do inferno.
“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós” (2 Co 5.21). Em resumo, o evangelho é isto: Cristo tomou o nosso lugar, levando sobre si o nosso pecado, provando o nosso julgamento, morrendo a nossa morte – para que compartilhemos do seu lugar, sejamos vestidos de sua justiça, provemos sua vindicação e experimentemos sua vida.
No entanto, ser feito pecado implica sujeição à condenação de Deus e ao justo juízo da punição do inferno. De fato, essa é maneira como o Novo Testamento (sempre à luz do Antigo) vê o significado da morte de Jesus.
O QUE OS PASTORES PRECISAM PREGAR SOBRE O INFERNO?
É nesse contexto que a pregação sobre o inferno faz parte da pregação do evangelho. Quando entendemos que isso é o que a morte de Cristo significa, quando isso domina nossa alma, começamos a ver o modelo da pregação dos apóstolos reproduzida em nosso próprio ministério. Assim, constrangidos pelo amor, temos algumas implicações.
1. Coragem e compromisso
Pregar sobre o inferno exige coragem e compromisso. Coragem é necessária porque em alguns contextos contemporâneos apenas uma menção do inferno é suficiente para garantir a acusação de que temos um espírito severo e mente intolerante.
Compromisso é necessário porque esse ministério exige um desejo de viver para Cristo (2 Co 5.15) e de ver homens e mulheres vindo a Cristo. E isso é superior ao nosso desejo natural por segurança e popularidade. Não é possível ser apreciado por pregar a verdade sobre o inferno (embora seja possível, de modo paradoxal e com gratidão, ser amado por pregá-la).
2. Uma perspectiva verdadeiramente bíblica
A humanidade pecaminosa olha naturalmente para a vida por meio da extremidade errada do telescópio. Para eles, o tempo é longo, e a eternidade, curta; esta vida é extensa, e a vida por vir, breve; este mundo é real, e o mundo por vir, irreal. Isso é o que significa viver kata sarka(“segundo a carne”), e não kata pneuma (“segundo o Espírito” – Rm 8.4). Todavia, os olhos do cristão foram abertos e estão fixos em Cristo e na eternidade.
Um cristão olha para vida à luz do destino ao qual ela conduz e vê cada pessoa nesse contexto. As famosas palavras escritas por volta de 1834 pelo ainda jovem, mas que morreria em breve, Robert M’Cheine expressam bem esse ponto de vista e suas implicações: “Enquanto andava pelos campos, sobreveio-me, com poder quase avassalador, o pensamento de que cada pessoa de meu rebanho estará em breve no céu ou no inferno. Oh! como desejei que tivesse uma língua semelhante a um trovão, para que fizesse todos ouvir; ou que tivesse uma estrutura física como que de ferro, para que visitasse cada um deles e lhe dissesse: fuja, por amor à vida”. Por trás de todos que conhecemos e encontramos está a sombra do julgamento.
Sabendo isso, como podemos nos manter em silêncio – ou em covardia? Só podemos fazer isso se nós mesmos vivemos em negação da realidade que sabemos foi revelada no evangelho.
3. Uma profunda consciência de nossa vocação
“Deus... nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação... e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” (2 Co 5.18-20).
O pregador cristão é um devedor porque, por meio de Cristo, ele mesmo foi liberto do juízo vindouro. Ele é um mordomo porque a mensagem de reconciliação lhe foi confiada. Ele tem de empregar os recursos providos por seu Senhor, não para diminuir, nem para acrescentar, nem para transformá-los. Ele é, também, um embaixador cuja tarefa consiste em representar sempre seu Senhor e anunciar fielmente a sua mensagem.
Essa é a razão por que nossas próprias desculpas jamais devem prevalecer (“Eu não sou esse tipo de pregador”; “a congregação não receberia bem essa mensagem”; “as pessoas não levam mais essas coisas muito a sério”; “estamos vivendo numa época em que esse tipo de ênfase não atrai as pessoas para Cristo”).
Quando Robert M’Cheyne encontrou-se com seu querido amigo Andrew Bonar numa segunda-feira e perguntou-lhe o que havia pregado no dia anterior, recebeu esta simples resposta: “O inferno”. Em seguida, perguntou-lhe mais: “Você pregou com lágrimas?”
CONCLUSÃO
Portanto, somos chamados a pregar como representantes de Cristo: pregar com equilíbrio bíblico, com um foco cristocêntrico, com a humanidade daqueles que reconhecem sua própria necessidade de graça perante o tribunal de Cristo, com uma disposição de sofrer à luz da glória vindoura, com amor e compaixão em nosso coração e de um modo que recomenda e adorna a doutrina de Deus, nosso Salvador.
(Este artigo é uma condensação do capítulo “Pastoral Theology: The Preacher and Hell”, escrito por Sinclair Ferguson e publicado no livro Hell Under Fire: Modern Scholarship Reinvents Eternal Punishment, editado por Christopher W. Morgan e Robert A. Peterson. Copyright © 2004 Christopher W. Morgan e Robert A. Peterson. Usado com permissão de Zondervan.)
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