- Como as coisas devem acontecer (O Ideal): O pregador explica como o assunto deve ocorrer na experiência do crente através do trabalho do Espírito Santo, levando-o a crescer, ser mais que vencedor e ter segurança da salvação.
- Como as coisas de fato acontecem (A Realidade): Beeke enfatiza que o pregador deve reconhecer que a vida cristã nem sempre segue o ideal. Por isso, ele deve pregar sobre as lutas e os dilemas que os cristãos enfrentam, citando como exemplo o conflito de Paulo em Romanos 7 ("miserável homem que sou").
- Como as coisas finalmente acontecerão (A Glória Futura): O pregador deve mostrar como as coisas serão na eternidade, baseando-se em textos como Apocalipse 21, onde o crente viverá em uma terra livre do pecado junto ao Cordeiro.
sábado, 17 de janeiro de 2026
Por que a Pregação Expositiva é a alma da Fé Reformada?
sábado, 1 de fevereiro de 2025
Alegria centrada em Deus | Bíblia Herança Reformada
Leia o salmo 63 | Buscando a Deus | Salmo de Davi, quando no deserto de Judá
1) O desejo de Davi de sentir a presença de Deus no deserto estabelece um modelo para reagirmos adequadamente a provações e tribulações.
- Primeiro, nenhuma provação nos impede de contemplar e desejar a presença de Deus (v. 1-5). A glória de Deus não é limitada a uma localização ou a uma circunstância.
- Segundo, nenhuma provação nos impede de nos lembrarmos da fidelidade de Deus, que experimentamos tantas vezes no passado (v. 6-8).
- Terceiro, nenhuma provação nos faz esquecer que a justiça de Deus, cedo ou tarde, alcançará aqueles que procuram nos ferir e eles receberão de Deus o que merecem (v. 9-11).
Assim, se buscarmos ao Senhor com todo o nosso coração, independentemente de onde estivermos ou do que estivermos enfrentando, nós o encontraremos. A verdadeira religião é encontrada onde nos satisfazemos em Deus e o louvamos.
Como um crente pode cultivar hoje essa alegria centrada em Deus?
2) “O rei, porém, se alegra em Deus” (v. 11). Nenhum homem ou anjo tem mais alegria que o Senhor Jesus Cristo, exaltado à destra de Deus e tendo recebido a plenitude do Espírito Santo (16.11; 45.7; 110.1). Surpreendentemente, Cristo deseja compartilhar sua alegria com seus seguidores, para que a alegria deles seja completa (Mt 25.21; Jo 15.11).
Como podemos degustar essa alegria estando neste mundo e ainda esperando que venha a plenitude de seu reino?
Fonte: Bíblia Herança Reformada
Editora Cultura Cristã
sábado, 3 de setembro de 2022
domingo, 17 de abril de 2022
João Calvino, o Evangelista em Genebra | Dr. Joel Beeke
Calvino acreditava que devemos fazer uso total das oportunidades que Deus dá para evangelizar.
“Quando uma oportunidade para edificação se apresenta, devemos perceber que uma porta foi aberta para nós pela mão de Deus a fim de que possamos introduzir Cristo naquele lugar e não devemos nos recusar a aceitar o generoso convite que Deus nos faz”, ele escreve. [1]
Por outro lado, quando as
oportunidades são restritas e as portas do evangelismo estão fechadas ao nosso
testemunho, não devemos persistir em tentar fazer o que não pode ser feito. Ao
contrário, devemos orar e buscar outras oportunidades. “A porta está fechada
quando não há expectativa de sucesso. [Então] temos que tomar um caminho
diferente ao invés de desgastarmos-nos em vãos esforços para alcançá-los”,
Calvino escreve. [2] Entretanto, dificuldades para testemunhar não são
desculpas para deixar de tentar. Para aqueles que estavam sofrendo restrições e
perseguições severas na França, Calvino escreveu: “Vamos, cada um, empenhar-nos
em atrair e ganhar para Jesus Cristo aqueles que pudermos”. [3] “Cada homem
deve cumprir seu dever sem ceder a qualquer impedimento. No fim, nosso esforço
e nossas fadigas não falharão; eles receberão o sucesso que ainda não aparece”.
[4]
Vamos examinar neste artigo a
prática de evangelização de Calvino em sua congregação e na sua própria cidade
de Genebra.
Com frequência pensamos em evangelização
hoje apenas como a obra regeneradora do Espírito e da consequente recepção de
Cristo pelo pecador através da fé. Por isto, rejeitamos a ênfase de Calvino na
conversão como um processo contínuo envolvendo a pessoa como um todo.
Para Calvino, evangelização envolve um chamado contínuo e autoritativo ao crente na igreja para exercer a fé no Cristo crucificado e ressurreto. Esta convocação é um compromisso para a vida toda. Evangelização significa apresentar Cristo de modo que as pessoas, pelo poder do Espírito, possam vir a Deus em Cristo. Mas também significa apresentar Cristo de modo a que o crente possa servi-lo como Senhor na comunhão da Sua igreja e no mundo. Evangelização requer edificar crente na fé mais santa de acordo com os cinco princípios-chave da Reforma:
- Sola Scriptura,
- Sola Fide,
- Sola Gracia,
- Solus Christus,
- Sole Deo Gloria.
Calvino foi um notável
praticante deste tipo de evangelização dentro de sua própria congregação. Para
Calvino, o evangelismo começa com a pregação. Como escreve William Bouwsma:
“Ele pregava regularmente e com frequência: no Velho Testamento nos dias de
semana às seis da manhã (sete no inverno), alternadamente; no Novo Testamento,
nas manhãs de domingo e nos Salmos, no domingo à tarde. Durante a sua vida ele
pregou, neste sistema, cerca de 4.000 sermões depois do seu retorno a Genebra:
mais de 170 sermões por ano”. Pregar era tão importante para Calvino que,
quando estava rememorando as realizações da sua vida, no seu leito de morte,
ele mencionou seus sermões na frente dos seus escritos. [5]
O intento de Calvino na sua
pregação era evangelizar tanto quanto edificar. Em média ele pregava em quatro
ou cinco versículos do Velho Testamento e dois ou três versículos do Novo
Testamento. Ele refletia sobre uma pequena porção do texto de cada vez,
explicando primeiro o texto e depois, aplicando-o às vidas da sua congregação.
Os sermões de Calvino jamais eram curtos na aplicação; ao contrário, a
aplicação era mais longa do que a exposição em seus sermões. Os pregadores devem
ser como pais, ele escreveu, “dividindo o pão em pedaços pequenos para
alimentar seus filhos”.
Ele também era sucinto. Como o
sucessor de Calvino, Theodoro Beza, disse da pregação do reformador: “Cada
palavra pesava uma libra”.
Calvino instruía frequentemente
sua congregação sobre como ouvir um sermão. Ele os ensinava o que procurar na
pregação, em que espírito eles deveriam ouvir. Seu alvo era ajudar as pessoas a
participarem do sermão o mais que pudessem de modo a alimentar suas almas. A
atitude de alguém que vem para um sermão, dizia Calvino, deveria incluir
“prontidão para obedecer a Deus completamente e sem qualquer reserva”. [6] “Nós
não vimos para a pregação unicamente para ouvir o que não sabemos”, Calvino
acrescentou, “mas para ser incitado a cumprir o nosso dever”. [7]
Calvino também alcançava os não
salvos através de sua pregação, impressionando-os com a necessidade de ter fé
em Cristo e o que isto significava. Ele deixava claro que não acreditava que
todos no seu rebanho estavam salvos. Embora caridoso com os membros da igreja
que mantinham um estilo de vida aparentemente recomendável, ele também
referiu-se mais de trinta vezes em seus comentários e nove vezes em suas
Institutas (contando apenas as referências de 3.21 a 3.24) ao pequeno número daqueles
que recebem a Palavra pregada com fé salvífica: “Se um sermão é pregado,
digamos, a cem pessoas, vinte o recebem com a obediência pronta de fé, enquanto
o resto o toma como sem valor, ou ri, ou vaia ou detesta-o”, disse Calvino. [8]
Ele também escreveu: “pois, embora todos, em exceção, a quem a Palavra de Deus
é pregada, sejam ensinados, mesmo assim apenas um em dez, se tanto, o saboreia;
sim, escassos um em cem aproveita ao ponto de ser habilitado, desse modo, a
prosseguir num rumo certo até o final”.
Calvino não limitava a pregação
à sua própria congregação. Ele também a usava como instrumento para divulgar a
Reforma de um extremo ao outro da cidade de Genebra. Aos domingos os Estatutos
Genebrinos requeriam sermões em cada uma das três igrejas na alvorada e às 9 da
manhã. À tarde as crianças vinham para as classes de catecismo. Às três da
tarde, sermões eram pregados novamente em cada igreja.
Durante a semana eram
programados sermões em diferentes horários nas três igrejas nas Segundas,
Quartas e Sextas. Ao tempo da morte de Calvino, um sermão era pregado em cada
igreja, todos os dias da semana.
Mesmo assim não era suficiente.
Calvino desejava reformar os genebrinos em todas as esferas da vida. Em seus
estatutos eclesiásticos ele requeria três funções adicionais além da pregação
que cada igreja deveria oferecer:
1. Ensino. Os doutores em
teologia deveriam explicar a Palavra de Deus, primeiro em conferências
informais, depois em ambiente mais formal da Academia de Genebra, estabelecida
em 1559. Ao tempo da aposentadoria do sucessor de Calvino, Theodoro Beza, a
Academia de Genebra havia treinado 1.600 homens para o ministério.
2. Disciplina. Os presbíteros
designados dentro de cada congregação deviam, com a assistência dos pastores,
manter a disciplina cristã, observando os membros da igreja e seus líderes.
3. Caridade. Os diáconos em
cada igreja deviam receber as contribuições e distribuí-las aos pobres.
Inicialmente a reforma de
Calvino encontrou dura oposição local. As pessoas particularmente objetavam a
utilização pela igreja de excomunhão para reforçar a disciplina eclesiástica.
Depois de anos de controvérsias, os cidadãos locais e refugiados religiosos que
apoiavam Calvino ganharam o controle da cidade. Nos últimos nove anos da sua
vida, o controle de Calvino sobre Genebra foi quase total.
Entretanto, Calvino desejava
fazer mais do que reformar Genebra. Ele queria que a cidade se tornasse uma
espécie de modelo do reino de Cristo para o mundo inteiro. Na verdade a
reputação e a influência da comunidade genebrina espalhou-se para a vizinha
França, depois para a Escócia, Inglaterra, Holanda, parte da Alemanha
ocidental, e partes da Polônia, Tchecoslováquia e Hungria. A igreja de Genebra
tornou-se um modelo para o movimento reformado inteiro.
A Academia de Genebra também
assumiu um papel criticamente importante, pois logo se tornou mais que um lugar
para se aprender teologia. Em “João Calvino: Diretor de Missões”, Philip Hugues
escreve:
“A Genebra de Calvino não foi
uma torre de marfim teológico que viveu para si mesma. As naves humanas eram
equipadas e reparadas neste porto…para que pudessem ser lançadas nos
circunvizinhos oceanos das necessidades do mundo, encarando bravamente cada
tempestade e cada perigo que as aguardava, a fim de trazer a luz do Evangelho
de Cristo para aqueles que estavam na ignorância e escuridão de onde eles
próprios originalmente vieram”. [10]
Através da influência da
Academia, John Knox levou a doutrina evangélica para a sua Escócia natal;
ingleses foram equipados para liderar a causa na Inglaterra; italianos tiveram
o que necessitavam para ensinar na Itália e os franceses (que formavam a grande
massa de refugiados) estenderam o Calvinismo para a França. Inspirados pela
visão verdadeiramente ecumênica de Calvino, Genebra tornou-se o núcleo de onde
a evangelização se espalhou por todo o mundo. De acordo com o Registro da
Companhia de Pastores, entre 1555 e 1562, oitenta e oito homens foram enviados
para fora de Genebra, para diferentes lugares do mundo. Estes dados são
lamentavelmente incompletos. Em 1561, que parece ter sido o ano culminante da
atividade missionária, o envio de apenas doze homens está registrado, enquanto
que outras fontes indicam que perto de vinte vezes aquele número – não menos do
que 142 – saíram em missões particulares. [11]
Esta é uma espantosa realização
para um esforço que começou com uma pequena igreja se debatendo dentro de uma
minúscula cidade – república. Contudo, o próprio Calvino reconheceu o valor
estratégico do esforço. Ele escreveu para Bullinger: “Quando considero quão
importante é este recanto (de Genebra) para a propagação do reino de Cristo, eu
tenho uma boa razão para desejar que ele seja cuidadosamente vigiado”. [12]
Em um sermão em 1 Timóteo 3:14,
Calvino pregou: “Que possamos atentar para o que Deus tem nos ordenado, que Ele
teria prazer em mostrar Sua graça, não apenas sobre uma cidade ou um punhado de
pessoas, mas que reinaria sobre todo o mundo; que cada um possa servi-lo e
adorá-lo em verdade”.
NOTAS:
1 – Comentário sobre 2
Coríntios 2:12;
2 – Ibidem.
3 – Bonnet: Cartas de Calvino,
3: 134.
4 – Comentário sobre Gênesis
17:23.
5 – William Bouwsma: John
Calvin: Um Retrato do Século Dezesseis (New York: Oxford, 1988), pg 29.
6 – Leroy Nixon: John Calvin:
Pregador Expositivo (Grand Rapids: Eerdmans, 1950), pg 65.
7 – John Calvin: Opera quase
supersunt omnia, 79: 783.
8 – Institutas 3.24.12.
9 – Comentário sobre Salmos
119:101.
10 – A Herança de João Calvino,
ed. John H. Bratt, pg. 44.
11 – Ibid., pgs 45-46.
12 – Bonnet, Cartas de Calvino
2: 227
Fonte: Revista “Os
Puritanos”, ANO XII: Nº 01: 2004
segunda-feira, 20 de setembro de 2021
Série - Pregação Expositiva Reformada | 01 - Dr Joel Beeke
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
La Adoración Familiar | Joel Beeke (Español - English)
V Convención de Pastores Reformados de Colombia en Cartagena (Febrero 2015), bajo la traducción del Pastor Eduar Fergusson.
domingo, 18 de janeiro de 2015
O gozo da santidade cultivado | Joel Beek
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Filipenses 1.19-26 “A única forma de viver e morrer” | Dr. Joel Beeke
Fonte: Igreja Presbiteriana de Brotas
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Viver Cristo, Morrer Lucro | Joel Beeke (1/3)
Pastor Joel Beeke: {1º Palestra}{2º Palestra}{3º Palestra}
XXIII Simpósio Reformado Os Puritanos 2014
Fonte: Os Puritanos
John Owen e a Comunhão com Deus | Joel Beeke (2/3)
Pastor Joel Beeke: {1º Palestra}{2º Palestra}{3º Palestra}
XXIII Simpósio Reformado Os Puritanos 2014
Fonte: Os Puritanos
Os Puritanos e a Providência de Deus | Joel Beeke (3/3)
Pastor Joel Beeke: {1º Palestra}{2º Palestra}{3º Palestra}
XXIII Simpósio Reformado Os Puritanos 2014
Fonte: Os Puritanos
quarta-feira, 11 de junho de 2014
João Calvino, O Evangelista em Genebra | Joel Beeke
Calvino acreditava que devemos fazer uso total das oportunidades que Deus dá para evangelizar. “Quando uma oportunidade para edificação se apresenta, devemos perceber que uma porta foi aberta para nós pela mão de Deus a fim de que possamos introduzir Cristo naquele lugar e não devemos nos recusar a aceitar o generoso convite que deus nos faz”, ele escreve.[1]
Por outro lado, quando as oportunidades são restritas e as portas do evangelismo estão fechadas ao nosso testemunho, não devemos persistir em tentar fazer o que não pode ser feito. Ao contrário, devemos orar e buscar outras oportunidades. “A porta está fechada quando não há expectativa de sucesso. [Então] temos que tomar um caminho diferente ao invés de desgastarmos-nos em vãos esforços para alcançá-los”, Calvino escreve.[2] Entretanto, dificuldades para testemunhar não são desculpas para deixar de tentar. Para aqueles que estavam sofrendo restrições e perseguições severas na França, Calvino escreveu: “Vamos, cada um, empenhar-nos em atrair e ganhar para Jesus Cristo aqueles que pudermos”.[3] “Cada homem deve cumprir seu dever sem ceder a qualquer impedimento. No fim, nosso esforço e nossas fadigas não falharão; eles receberão o sucesso que ainda não aparece”.[4]
Vamos examinar a prática de evangelização de Calvino em sua congregação e na sua própria cidade de Genebra, neste artigo.
Com freqüência pensamos em evangelização hoje apenas como a obra regeneradora do Espírito e da conseqüente recepção de Cristo pelo pecador através da fé. Por isto, rejeitamos a ênfase de Calvino na conversão como um processo contínuo envolvendo a pessoa como um todo.
Para Calvino, evangelização envolve um chamado contínuo e autoritativo ao crente na igreja para exercer a fé no Cristo crucificado e ressurreto. Esta convocação é um compromisso para a vida toda. Evangelização significa apresentar Cristo de modo que as pessoas, pelo poder do Espírito, possam vir a Deus em Cristo. Mas também significa apresentar Cristo de modo a que o crente possa servi-lo como Senhor na comunhão da Sua igreja e no mundo. Evangelização requer edificar crentes na fé mais santa de acordo com os cinco princípios-chave da Reforma: Sola Scriptura, Sola Fide, Sola Gracia, Solus Christus, Sole Deo Gloria.
Calvino foi um notável praticante deste tipo de evangelização dentro de sua própria congregação. Para Calvino, o evangelismo começa com a pregação. Como escreve William Bouwsma: “Ele pregava regularmente e com freqüência: no Velho Testamento nos dias de semana às seis da manhã (sete no inverno), alternadamente; no Novo Testamento, nas manhãs de domingo e nos Salmos, no domingo à tarde. Durante a sua vida ele pregou, neste sistema, cerca de 4.000 sermões depois do seu retorno a Genebra: mas de 170 sermões por ano”. Pregar era tão importante para Calvino que, quando estava rememorando as realizações da sua vida, no seu leito de morte, ele mencionou seus sermões na frente dos seus escritos.[5]
O intento de Calvino na sua pregação era evangelizar tanto quanto edificar. Em média ele pregava em quatro ou cinco versículos do Velho Testamento e dois ou três versículos do Novo Testamento. Ele refletia sobre uma pequena porção do texto de cada vez, explicando primeiro o texto e depois, aplicando-o às vidas da sua congregação.
Os sermões de Calvino jamais eram curtos na aplicação; ao contrário, a aplicação era mais longa do que a exposição em seus sermões. Os pregadores devem ser como pais, ele escreveu, “dividindo o pão em pedaços pequenos para alimentar seus filhos”.
Ele também era sucinto. Como o sucessor de Calvino, Theodoro Beza, disse da pregação do reformador: “Cada palavra pesava uma libra”.
Calvino instruía frequentemente sua congregação sobre como ouvir um sermão. Ele os ensinava o que procurar na pregação, em que espírito eles deveriam ouvir. Seu alvo era ajudar as pessoas a participarem do sermão o mais que pudessem de modo a alimentar suas almas. A atitude de alguém que vem para um sermão, dizia Calvino, deveria incluir “prontidão para obedecer a Deus completamente e sem qualquer reserva”.[6] “Nós não vimos para a pregação unicamente para ouvir o que não sabemos”, Calvino acrescentou, “mas para ser incitado a cumprir o nosso dever”.[7]
Calvino também alcançava os não salvos através de sua pregação, impressionando-os com a necessidade de fé em Cristo e o que isto significava. Ele deixava claro que não acreditava que todos no seu rebanho estavam salvos. Embora caridoso com os membros da igreja que mantinham um estilo de vida aparentemente recomendável, ele também referiu-se mais de trinta vezes em seus comentários e nove vezes em suas Institutas (contando apenas as referências de 3.21 a 3.24) ao pequeno número daqueles que recebem a Palavra pregada com fé salvífica. “Se um sermão é pregado, digamos, a cem pessoas, vinte o recebem com a obediência pronta de fé, enquanto o resto o toma como sem valor, ou ri, ou vaia ou detesta-o”, disse Calvino.[8] Ele escreveu também: “pois, embora todos, sem exceção, a quem a Palavra de Deus é pregada, sejam ensinados, mesmo assim apenas um em dez, se tanto, a saboreia; sim, escassos um em cem aproveita ao ponto de ser habilitado, desse modo a prosseguir num rumo certo até o final”.[9]
Para Calvino, a tarefa mais importante do evangelismo era a edificação dos filhos de Deus na fé mais santa e convencer os incrédulos da hediondez do pecado, dirigindo-os a Cristo Jesus como o único Redentor.
Evangelismo em Genebra
Calvino não limitava a pregação à sua própria congregação. Ele também a usava como instrumento para divulgar a Reforma de um extremo a outro da cidade de Genebra. Aos domingos os Estatutos Genebrinos requeriam sermões em cada uma das três igrejas na alvorada e às 9 da manhã. À tarde as crianças vinham para as classes de catecismo. Às três da tarde, sermões eram pregados novamente em cada igreja.
Durante a semana eram programados sermões em diferentes horários nas três igrejas nas Segundas, Quartas e Sextas. Ao tempo da morte de Calvino, um sermão era pregado em cada igreja, todos os dias da semana.
Mesmo assim não era suficiente. Calvino desejava reformar os genebrinos em todas as esferas da vida. Em seus estatutos eclesiásticos ele requeria três funções adicionais além da pregação que cada igreja deveria oferecer:
1. Ensino. Doutores em teologia deveriam explicar a Palavra de Deus, primeiro em conferências informais, depois em ambiente mais formal da Academia de Genebra, estabelecida em 1559. Ao tempo da aposentadoria do sucessor de Calvino, Theodoro Beza, a Academia de Genebra havia treinado 1.600 homens para o ministério.
2. Disciplina. Anciãos designados dentro de cada congregação deviam, com a assistência dos pastores, manter a disciplina cristã, observando os membros da igreja e seus líderes.
3. Caridade. Diáconos em cada igreja deviam receber as contribuições e distribuí-las aos pobres.
Inicialmente a reforma de Calvino encontrou dura oposição local. As pessoas particularmente objetavam a utilização pela igreja da excomunhão para reforçar a disciplina eclesiástica. Depois de anos de controvérsias, os cidadãos locais e refugiados religiosos que apoiavam Calvino ganharam o controle da cidade. Nos últimos nove anos da sua vida, o controle de Calvino sobre Genebra foi quase total.
Entretanto, Calvino desejava fazer mais do que reformar Genebra. Ele queria que a cidade se tornasse uma espécie de modelo do reino de Cristo para o mundo inteiro. Na verdade, a reputação e a influência da comunidade genebrina espalhou-se para a vizinha França, depois para a Escócia, Inglaterra, Holanda, partes da Alemanha ocidental, e partes da Polônia, Tchecoslováquia e Hungria. A igreja de Genebra tornou-se um modelo para o movimento reformado inteiro.
A Academia de Genebra também assumiu um papel criticamente importante, pois tornou-se logo mais que um lugar para se aprender teologia. Em “João Calvino: Diretor de Missões”, Philip Hugues escreve:
“A Genebra de Calvino não foi uma torre de marfim teológico que viveu para si mesma. As naves humanas eram equipadas e reparadas neste porto...para que pudessem ser lançadas nos circunvizinhos oceanos das necessidades do mundo, encarando bravamente cada tempestade e cada perigo que as aguardava, a fim de trazer a luz do Evangelho de Cristo para aqueles que estavam na ignorância e escuridão das quais eles próprios originalmente vieram”.[10]
Através da influência da Academia, John Knox levou a doutrina evangélica para a sua Escócia natal; ingleses foram equipados para liderar a causa na Inglaterra; italianos tiveram o que necessitavam para ensinar na Itália e os franceses (que formavam a grande massa de refugiados) estenderam o Calvinismo para a França. Inspirados pela visão verdadeiramente ecumênica de Calvino, Genebra tornou-se o núcleo do qual a evangelização se espalhou por todo o mundo. De acordo com o Registro da Companhia de Pastores, entre 1555 e 1562 oitenta e oito homens foram enviados para fora de Genebra, para diferentes lugares do mundo. Estes dados são lamentavelmente incompletos. Em 1561, que parece ter sido o ano culminante da atividade missionária, o envio de apenas doze homens está registrado, enquanto que outras fontes indicam que perto de vinte vezes aquele número – não menos do que 142 – saíram em missões particulares.[11]
Esta é uma espantosa realização para um esforço que começou com uma pequena igreja se debatendo dentro de uma minúscula cidade – república. Contudo, o próprio Calvino reconheceu o valor estratégico do esforço. Ele escreveu para Bullinger: “Quando considero quão importante é este recanto (de Genebra) para a propagação do reino de Cristo, eu tenho uma boa razão para desejar que ele seja cuidadosamente vigiado”.[12]
Em um sermão em 1 Tm 3:14, Calvino pregou: “Que possamos atentar para o que Deus tem nos ordenado, que Ele teria prazer em mostrar Sua graça, não apenas sobre uma cidade ou um punhado de pessoas, mas que Ele reinaria sobre todo o mundo; que cada um possa servi-lo e adorá-lo em verdade”.
Por: Joel Beeke
Fonte: Os Puritanos
____________
[1] Commentary sobre 2 Co 2:12.
[2] Ibidem
[3] Bonnet: Cartas de Calvino, 3: 134.
[4] Commentary sobre Gn 17:23
[5] William Bouwsma: John Calvin: Um Retrato do Século Dezesseis (NewYork: Oxford, 1988), pg 29.
[6] Leroy Nixon: John Calvin: Pregador Expositivo (Grand Rapids: Eerdmans, 1950), pg 65.
[7] John Calvin: Opera quae supersunt omnia, 79:783.
[8] Intitutas 3.24.12.
[9] Commentary on Psalm 119:101.
[10] A Herança de John Calvino, ed. John H. Bratt, pg 44.
[11] Ibid., pgs 45-46.
[12] Bonnet, Cartas de Calvino 2: 227
domingo, 10 de fevereiro de 2013
João Calvino: Quatro regras da oração | Joel Beeke
Para Calvino, a oração não podia ser realizada sem disciplina. Ele escreveu: “Se não fixamos certas horas do dia para a oração, ela escapará “. Ele prescreveu varias regras para orientar os crentes a oferecerem oração fervorosa e eficaz.
1. A primeira regra é um senso sincero de reverência.
Na oração, precisamos estar “dispostos de coração e mente, como convém àqueles que entram em conversa com Deus”. Nossas orações devem brotar do “fundo de nosso coração”. Calvino recomendava uma mente e um coração disciplinados, afirmando: “As únicas pessoas que se preparam devida e apropriadamente para orar são aquelas que são movidas de tal maneira pela majestade que, livres dos cuidados e afeições terrenos, se aproximam da oração”.
2. Segunda regra é um senso sincero de necessidade e arrependimento.
Temos de “orar com um senso sincero de carência e arrependimento”, mantendo “a disposição de um pedinte”. Calvino não estava dizendo que os crentes devem orar em favor de cada capricho que surge em seu coração, e sim que devem penitentemente, de acordo com a vontade de Deus, tendo em foco sua glória e anelando resposta, “com afeição sincera, e, ao mesmo tempo, desejando obtê-la de Deus”.
3. Terceira regra é um senso sincero de humildade e confiança em Deus.
A verdadeira oração exige que “abandonemos toda confiança em nós mesmos e supliquemos humildemente o perdão”, confiando somente na misericórdia de Deus para recebemos bênçãos espirituais e temporais, lembrando sempre que a menor gota de fé é mais poderosa do que a incredulidade. Qualquer outra maneira de nos aproximarmos de Deus promoverá o orgulho, que será letal. “Se reivindicarmos algo para nós mesmo, por mínimo que seja”, estaremos em perigo de destruir a nós mesmo na presença de Deus.
4. A regra final é ter um senso sincero de esperança confiante.
A confiança de que nossas orações serão respondidas não surge de nós mesmos, mas do Espírito Santo agindo em nós. Na vida dos crentes, a fé e a esperança vencem o temor, para que sejamos capazes de pedir “com fé, em nada duvidando” (Tg 1.6). Isso significa que a verdadeira oração é confiante na resposta, por causa de Cristo e do pacto, “pois o sangue de nosso Senhor Jesus Cristo sela o pacto que Deus estabeleceu conosco”. Assim, os crentes se aproximam de Deus com ousadia e entusiasmo porque essa “confiança é necessária à verdadeira invocação... que se trona a chave que abre a porta do reino dos céus”.
Opressivas? Inatingíveis?
Essas regras talvez pareçam opressivas – até inatingíveis – em face de um Deus santo e onisciente. Calvino reconheceu que nossas orações estão repletas de fraqueza de imperfeição. Ele escreveu: “Ninguém jamais cumpriu esse dever com a retidão que lhe era devida”. Mas Deus tolera “até o nosso gaguejo e perdoa a nossa ignorância”, permitido que ganhemos familiaridade com Ele, em oração, embora esta seja pronunciada de “forma balbuciante”. Em resumo, nunca nos sentiremos como pedintes dignos. Nossa inconsistente vida de oração é freqüentemente atacada por dúvidas, mas essas lutas mostram nossa necessidade contínua da oração como uma “elevação do espírito” e nos impele sempre a Jesus Cristo, que “transformará o trono da glória terrível em trono da graça”. Calvino concluiu que “Cristo é o único caminho e o único acesso pelo qual temos permissão de ir a Deus”.
João Calvino: 4 regras da oração - Joel Beeke
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Lições Fundamentais dos puritanos | Joel Beeke
Perseverando na Fé - Hebreus 12 | Joel Beeke
Os Fundamentos da Segurança na Fé | Joel Beeke
Como Fazer Uso dos Meios de Graça | Joel Beeke
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Como Cristo Amadurece a Nossa Fé | Joel Beeke
Sermão do Dr. Joel Beeke
Culto da noite de 07/10/2012
Primeira Igreja Batista Bíblica do Rio de Janeiro
Texto: Mateus 15:21-28
Intérprete: Tiago Santos
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Os Puritanos e a Leitura da Palavra e Oração | Dr. Joel Beeke
Os Puritanos e a Leitura da Palavra e Oração (10/22)
Dr. Joel Beeke • Projeto Os Puritanos • 59 min.
Westminster Presbyterian
Série dos Sermões realizado no Simpósio Os Puritanos (2007)
com tradução simultâneas. XVI Sympósio Reformado, Maragogi-AL, Brazil (2007)
Vários autores: Sherman Isbell, Rev. Cornelis (Neil) Pronk, Dr. Joel Beeke
Sermão Nº [1][2][3][4][5][6][7][8][9][10][11][12][13][14][15][16][17][18][19][20][21][22]
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Os Puritanos e a Ceia do Senhor | Dr. Joel Beeke
Os Puritanos e a Ceia do Senhor (6/22)
Dr. Joel Beeke • Projeto Os Puritanos • 62 min.
Westminster Presbyterian
Série dos Sermões realizado no Simpósio Os Puritanos (2007)
com tradução simultâneas. XVI Sympósio Reformado, Maragogi-AL, Brazil (2007)
Vários autores: Sherman Isbell, Rev. Cornelis (Neil) Pronk, Dr. Joel Beeke
Sermão Nº [1][2][3][4][5][6][7][8][9][10][11][12][13][14][15][16][17][18][19][20][21][22]
