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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Implantação e Revitalização de Igrejas Pt. 03 - Ronaldo Lidorio (Culto)


Implantação e Revitalização de Igrejas Pt. 01 | Ronaldo Lidório
Implantação e Revitalização de Igrejas Pt. 02 | Ronaldo Lidório
Implantação e Revitalização de Igrejas Pt. 03 | Ronaldo Lidório (Culto)

Implantação e Revitalização de Igrejas Pt. 02 | Ronaldo Lidório


Implantação e Revitalização de Igrejas Pt. 01 | Ronaldo Lidório
Implantação e Revitalização de Igrejas Pt. 02 | Ronaldo Lidório
Implantação e Revitalização de Igrejas Pt. 03 | Ronaldo Lidório (Culto)

Implantação e Revitalização de Igrejas Pt. 01 | Ronaldo Lidório


Implantação e Revitalização de Igrejas Pt. 01 | Ronaldo Lidório
Implantação e Revitalização de Igrejas Pt. 02 | Ronaldo Lidório
Implantação e Revitalização de Igrejas Pt. 03 | Ronaldo Lidório (Culto)

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Revitalização de Igrejas - Valdeci Santos | Programa Fides Reformata T03/E01


Neste programa recebemos o professor Dr. Valdeci Santos para uma entrevista a respeito do seu artigo "Revitalização de Igrejas: uma reflexão teologicamente orientada". O entrevistador é o prof. Dr. João Paulo Thomaz de Aquino. O artigo está disponível na Revista Fides Reformata edição nº01/2011. Sobre o Programa: O Programa Fides Reformata traz como convidados os autores de artigos publicados na Fides para debater o assunto de seu artigo. Link para o artigo

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

A VIDA DE DAVID BRAINERD

David Brainerd, um dos maiores missionários que a igreja já conheceu, é uma figura de profunda inspiração na vida cristã, especialmente no contexto da missão e do sofrimento. Brainerd dedicou sua vida a trabalhar entre os índios nos Estados Unidos, em um ministério marcado por intensos desafios e provações.

David Brainerd nasceu em 1718 em Haddam, Connecticut, e faleceu em 1747 em Northampton, Massachusetts. Ele foi expulso da Universidade de Yale devido a um conflito com um dos professores, o que foi um ponto de virada significativo em sua vida. Após sua expulsão, ele se dedicou ao trabalho missionário. Brainerd era um cristão calvinista fervoroso.

A relação de Brainerd com Jonathan Edwards é notável. Edwards, um importante teólogo e pregador do Grande Despertamento, ficou profundamente impressionado com o fervor e a dedicação de Brainerd à missão. Após a morte precoce de Brainerd devido à tuberculose, Edwards editou e publicou o diário de Brainerd. Este diário se tornou uma influente fonte de inspiração para futuros missionários e cristãos em geral.

A história de Brainerd é notável por vários motivos. Seu diário, repleto de relatos de angústia e dor, revela a sensibilidade e a profundidade de sua alma aflita. Mesmo enfrentando sentimentos de abandono por Deus e lutando para sentir o amor e conforto divinos, Brainerd persistiu em sua missão. Sua experiência demonstra uma fé resiliente, mesmo quando as práticas espirituais pareciam não trazer alívio imediato e suas orações pareciam sem resposta.

A vida de Brainerd nos inspira de várias maneiras:

  1. Perseverança na Fé: Apesar dos desafios emocionais e físicos, Brainerd continuou sua missão, demonstrando uma fé inabalável em Deus.
  2. Compromisso com a Missão: Sua dedicação aos povos indígenas, mesmo em face de adversidades, ressalta a importância de seguir o chamado de Deus, independentemente das circunstâncias.
  3. Honestidade Espiritual: Brainerd não escondeu suas lutas e dúvidas, mostrando que é normal enfrentar períodos de questionamento e dificuldade na jornada espiritual.
  4. Impacto Duradouro: Seu legado continua a inspirar missionários e cristãos, demonstrando que o trabalho feito em fé pode ter um impacto significativo além do nosso tempo na Terra.
  5. Dependência de Deus: A história de Brainerd nos lembra da necessidade de dependermos de Deus, especialmente nos momentos em que nos sentimos fracos e incapazes.

Assim, a história de David Brainerd oferece um poderoso testemunho de fé, resistência e compromisso com a obra de Deus, mesmo diante de grandes dificuldades e desafios pessoais.

Viva a fé bíblica no seu dia-a-dia!

Por Augustus Nicodemus

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Conselhos aos que sofrem (8) | Rev. Ronaldo Lidório

Parte: 08 AOS QUE SÃO PERSEGUIDOS

A Palavra afirma que aqueles que viverem em Cristo serão perseguidos (2 Tm 3:12). Também que alguns sofrerão perseguição por causa da justiça (Mt 5:10) e que isto envolverá não apenas o sofrimento do corpo, mas também a difamação pessoal e moral (Mt 5:11).

Em meio à perseguição somos ensinados a guardar a Palavra de Deus (Jo 15:20) e à medida que a igreja é perseguida, o Senhor a fortalece para permanecer inabalável (Ef. 6:13). Em momentos difíceis, a mesma igreja que sofre é também aquela que se encontra em posição de dar grande testemunho de Cristo!

Em Atos capítulo 8, a igreja primitiva passou por forte perseguição. Ensina a Palavra que o sofrimento era físico, emocional e espiritual. No verso 1 o autor fala que a igreja “sofria perseguição”, usando o vocábulo diogmos que indica dor física. No verso 2 lemos que a igreja “pranteava” a morte de Estêvão, do grego kopeton que significa dor na alma – um sofrimento emocional. Por fim, no verso 3 vemos que Paulo “assolava” a igreja, onde encontramos o termo elumaineto, também usado em João 10:10 para se referir à ação do ladrão e inimigo que veio roubar, matar e destruir, ou seja, um sofrimento espiritual.

Entretanto, em meio a essas perseguições e sofrimento, de alguma forma que não compreendemos, Deus produz valentia e perseverança nos seus filhos e abre largas portas para que Jesus se torne mais e mais conhecido.

O mesmo ocorreu em Atos 8. Em meio a todo o sofrimento – físico, emocional e espiritual – a igreja foi dispersa por toda parte (v.1); porém, como consequência dessa dispersão, o evangelho também se difundiu, pois proclamavam a Cristo (v.4). Vemos que multidões se converteram (v.6), Deus mostrou sinais e maravilhas (v.7) e, por fim, houve grande alegria em Samaria com vidas sendo transformadas (v.8.)

Atos 8 é um texto que narra a poderosa intervenção de Deus em ambientes improváveis. Começa no verso primeiro com uma grande perseguição e termina no verso oito com uma grande alegria. Parece que esse modo de operação de Deus continua o mesmo hoje. Em meio a grandes perseguições o Senhor tem produzido também grandes alegrias. Talvez, em virtude disso, quem sai andando e chorando enquanto semeia volta sempre com alegria trazendo os frutos colhidos, pela graça do Pai.

Durante um seminário em área resistente à pregação do evangelho na Ásia central, procurei uma analogia que pudesse representar as equipes missionárias naquela região. Veio à mente a figura dos barcos usados para quebrar o gelo marítimo do Alasca, os conhecidos ice-breakers. São barcos pequenos, com motores potentes e a proa construída de aço com espessura dobrada e afiada, que funciona como um machado que bate e racha a superfície congelada à medida que o barco avança.

Após tais barcos realizarem seu trabalho, chegam os grandes navios turísticos que seguem para conhecer a linda e exótica região. Nesse momento o clima é de festa e deslumbramento, porém quebrar o gelo não foi tarefa fácil nem rápida. Olhando os ice-breakers de longe, tem-se a impressão de que estão parados em meio a enormes blocos de gelo. Observando mais de perto, porém, nota-se que o gelo tem sido quebrado, metro a metro, e os pequenos barcos se movem a frente, vagarosamente, realizando tão pesado trabalho.

Em várias partes do mundo a igreja de Cristo enfrenta restrição para existir e, às vezes, perseguição por partilhar a fé. Em outras, a pregação do evangelho é restrita, seja por barreiras políticas, linguísticas, culturais, climáticas, religiosas ou sociais. Também em nosso país, cristãos evangélicos frequentemente experimentam pressões e críticas. O trabalho é vagaroso e tem-se a impressão de que nada novo acontecerá.

Devemos, entretanto, lembrar que após o gelo quebrado virão navios com multidões que passarão pelo caminho aberto. Nesse dia haverá deslumbramento e alegria pela bondade do Senhor que em meio ao contexto mais improvável fez algo novo acontecer.

Para vocês que andam e choram enquanto semeiam, continuem a andar, chorar e semear, pois um dia o fruto da semente estará perante o Santo Cordeiro de Deus. Guarde a sua fé enquanto anda e chora. Não perca a alegria, a mansidão, a oração e a paz. E não deixe de semear mesmo no sofrimento, pois há promessa de frutos para os que semeiam na dor. Também não dê ouvidos àqueles que dizem que o Eterno o abandonou, que a semente não frutificará, que o caminho não tem fim. Eles não sabem que o Cordeiro de Deus é também o Leão de Judá.

Conselhos aos que sofrem (7) | Rev. Ronaldo Lidório

 Parte 07 – AOS QUE TEM A FÉ ABALADA

A igreja de Cristo vive dias de forte antagonismo entre a fé e a dúvida, o amor e a indiferença, a santidade e o pecado, a liberdade e a perseguição. Perante um mundo que nos convida a ver, Deus nos convida a crer. Entender esse convite, abraçá-lo e proclamá-lo, parece ser a nossa missão e o significado de nossas vidas.

Paulo afirma que “a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1:17). Esse verso reproduz a mensagem de Habacuque (Hc 2:4), que faz essa afirmação 600 anos antes de Cristo. No primeiro capítulo do livro de Habacuque, o profeta denuncia o sofrimento do povo de Deus perante o ataque dos caldeus, narrando a aflição do povo com a violência, destruição, prisão e humilhação. E pergunta: "Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão?" (Hc 1:2-3).

O profeta pede que Deus mude as circunstâncias e anule o sofrimento, porém a resposta de Deus é diferente: o Senhor lhe diz que o povo sofrerá ainda mais e que as dores apenas começaram. Habacuque se desespera e aguarda na torre de vigia. Lança-se à oração (Hc 2:1).

Perante essa crise profundamente desesperadora, ele reconhece algo novo sobre Deus, e diz:

“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é minha fortaleza” (Hc 3:17-19).

O profeta percebe que Deus não perdeu seu poder diante do caos. Deus não deixa de ser Deus quando se cala. Habacuque pede que o Senhor mude as circunstâncias, mas Deus lhe convida a crer que Ele é Deus apesar e além das circunstâncias.

No capítulo 2 Habacuque exclama aquilo que iria levar Paulo, após 600 anos, a fundamentar a carta aos Romanos, e Lutero, após 2.100 anos, a iniciar a Reforma Protestante: “O justo viverá por fé” (Hc 2:4). Deus não nos convida a ver, mas a crer. Deus nos convida a ter fé. E, como Paulo afirma: “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10:17).
Não há nada mais poderoso em nossas ações do que proclamarmos a Palavra do Senhor, na qual cremos. Ela gera fé e transforma o coração mais duro, a nação mais forte, o homem mais ímpio, como transformou a minha e a sua vida. Creia que Ele fará isso ainda com milhões ou bilhões.

Vivemos em um país que carece profundamente de paz, justiça e livramento. Creio que é também missão da igreja clamar ao Senhor para que essas circunstâncias mudem, bem como lutar e participar dessa transformação. Porém, nossa missão vai além do clamor pela mudança do cenário. Ela envolve também proclamar que, mesmo em meio à tragédia, há Deus – e Ele nos convida a crer.

A primeira missão da igreja, portanto, não é a proclamação, mas a fé. Não é viver, mas morrer. Não é mudar, mas ser transformada. A missão é resultado da fé.

À semelhança de Habacuque, nossa tendência é buscar com maior intensidade o livramento do sofrimento diário. Deus, porém, vê além da linha do horizonte e promove um livramento eterno. Por vezes Ele usa o sofrimento temporário para que tenhamos nossa atenção voltada para sua dependência. Outras vezes os maiores aprendizados não ocorrem nas savanas tranquilas, mas nos desconfortáveis desertos. Não devemos buscar o sofrimento, mas compreender que há um propósito maior que a dor.

“Ainda que a figueira não floresça...” nos ensina que todos os planos de Deus, mesmo em meio ao sofrimento e caos, são planos de amor. E que reconhecer isso nos dá a mais santa e poderosa mensagem: há Deus!
“Ainda que a figueira não floresça...” nos ensina que todos os planos de Deus, mesmo em meio ao sofrimento e caos, são planos de amor. E que reconhecer isso nos dá a mais santa e poderosa mensagem: há Deus!

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

O Espírito Santo e a missão | Rev. Ronaldo Lidório

A igreja de Cristo jamais cresceu tanto como em nossos dias. Há pessoas vindo a Cristo em quase todas as partes do planeta. Apesar das heresias, sincretismo e nominalismo presentes em diversas partes do mundo – e no Brasil – é impressionante ver que várias nações antes resistentes ao evangelho, hoje abrigam uma forte igreja nacional e tornam-se enviadoras de missionários para o mundo. É a ação do Espírito Santo!

Em Lucas 24, Jesus promete nos enviar o Consolador – o Espírito Santo – que viria sobre a igreja em Atos 2 de forma permanente. Ali, a igreja seria revestida de poder. O termo grego utilizado para “Consolador” é “parakletos”, que literalmente significa “estar ao lado” ou “acompanhar”. O Espírito Santo foi enviado para acompanhar a igreja no cumprimento da vontade de Deus. Ele trabalha para tornar a igreja mais parecida com o seu Senhor e fazer o nome de Jesus, o Senhor da igreja, conhecido na terra.

É o Espírito Santo quem convence o homem do seu pecado. O homem natural sabe que é pecador, ou seja, moralmente imperfeito. Porém, apenas com a intervenção do Espírito Santo ele passa a ver o pecado como pecado e ter consciência que está perdido e que precisa de Deus. Se o Espírito Santo não o convencer do pecado e do juízo, toda exposição da verdade de Cristo não passará de mera apologia humana.

A igreja plantada mais rapidamente em todo o Novo Testamento foi iniciada por Paulo e seus amigos em Tessalônica, como vemos em Atos 17. Ali, o apóstolo pregava a Palavra aos sábados nas sinagogas e durante a semana na praça. Assim ele fez por três semanas até nascer a igreja local. Em 1 Ts 1.5, Paulo diz que o evangelho não chegou até eles tão somente em palavra (“logia”, palavra humana) mas sobretudo em poder (“dunamis”, poder de Deus), no Espírito Santo e em plena convicção (“pleroforia”, convicção de que estamos na vontade de Deus).

O Espírito Santo é destacado aqui como um dos três elementos que iniciou a igreja em Tessalônica. Sua função na conversão dos perdidos é insubstituível, conduzindo o ser humano à convicção de que é pecador e necessita de Deus, despertando nele a sede pelo evangelho e atraindo-o a Jesus. Sem a ação do Espírito Santo, a evangelização não passaria de mera comunicação humana, explicações espirituais, palavras lançadas ao vento, sem público, sem conversão, sem transformação. A ação da igreja produz adesão; a ação do Espírito Santo produz transformação.

Somos, assim, chamados a trabalhar dia e noite, com tudo o que Ele coloca em nossas mãos, aproveitando cada oportunidade para testemunhar e verbalizar a verdade do evangelho. Sabendo, porém, que nenhuma verdadeira transformação ocorre em nossos corações, ou em outras vidas, se o Espírito Santo não operar. É um chamado de dependência. É um chamado de fé. É um chamado para a missão.

Oremos pela ação do Espírito Santo em nossas vidas, em nossa santificação. Oremos pela ação do Espírito Santo na conversão dos nossos familiares e amigos, bem como na edificação de nossa família. Oremos pela ação do Espírito Santo em nossa igreja local e entre aqueles que estão agora recebendo o evangelho de Jesus. Oremos pela ação do Espírito Santo no envio missionário e na conversão de pessoas entre todos os povos, línguas, tribos e nações.

Parte II

Ontem refletimos sobre a ação do Espírito Santo, como lemos em João 16. Neste texto, Jesus suscita três de suas principais funções. A primeira está no versículo 8 e afirma que o Espírito convencerá o mundo sobre seus pecados. No verso 13, lemos que o Espírito Santo guiará e encorajará a sua igreja por todo o caminho. O versículo 14 mostra a terceira função: o Espírito Santo glorificará o Filho, Jesus Cristo. Fica evidente, então, três atribuições: convencer os pecadores, encorajar a igreja e glorificar a Cristo.

A respeito do encorajamento da igreja, no versículo 13, vemos que o Espírito Santo vai “guiar” a igreja: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir”.

A expressão grega para guiar é hodegeo. Significa conduzir passo a passo durante todo o caminho, como alguém que dá a mão ao outro, para ir na direção certa. A vontade de Deus, revelada na Palavra e realizada pelo Espírito Santo em nós, é esta: guiar a sua igreja para conhecer, amar, seguir e servir a Jesus, passo a passo, até a maturidade.

Portanto, é desejo e ação do Espírito Santo, que é Deus, que possamos amadurecer dia a dia. Ele trabalha para que sejamos santificados. Em outras palavras, que possamos crescer, amadurecer e florescer em todas as áreas de nossa vida.

Ore ao Senhor e deixe para trás o que para trás deve ficar. Ore ao Senhor e livre-se de vez daquele pensamento, inclinação ou ação pecaminosa em sua vida. Ore ao Senhor e perdoe quem você precisa perdoar. Ore ao Senhor e abrace uma prática devocional diária. Ore ao Senhor e coloque Deus em primeiro lugar em todas as áreas de sua existência. Ore ao Senhor e descomplique as coisas que estão complicadas em seu coração. Ore ao Senhor e jogue fora a ansiedade. Ore ao Senhor e frutifique, onde Ele o colocou.

Por fim, ressalto que já é possível vislumbrar a última fotografia da igreja: “Então, ouvi uma como voz de numerosa multidão, como de muitas águas e como de fortes trovões, dizendo: Aleluia! Pois reina o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso. Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos” (Ap 19:6-8).

Parte III

É o desejo de Deus que a sua igreja seja limpa, pura, madura, forte, fiel e frutífera. Ele está trabalhando nisso, para a nossa paz e a sua glória, como vimos nestes dias em João 16.

Frutos de avivamentos, homens e mulheres foram usados por Deus para que Jesus se tornasse conhecido nos lugares mais improváveis. A primeira explosão missionária é registrada em Atos 2 quando a igreja, cheia do Espírito Santo, foi para as ruas e proclamou a Cristo. Pessoas de 14 diferentes línguas ouviram e entregaram suas vidas a Jesus. Ao longo da história, o Espírito Santo também tem despertado a igreja de Cristo a sair de suas paredes e lançar o evangelho longe, aos que pouco ou nada ouviram. Um desses avivamentos aconteceu no século 18, entre os moravianos.

Aos 27 anos de idade, Zinzendorf acolheu um refugiado moraviano em sua casa, na Saxônia, Alemanha. Em pouco tempo, outras centenas se juntaram a ele, vivendo em sua propriedade: Hernhut. Oravam e estudavam a Palavra rotineiramente e, desejando maior intimidade com Deus, iniciaram no dia 13 de agosto de 1727 uma vigília de oração, com grupos que se revezavam de hora em hora, para que pudessem, como igreja, orar ao Senhor 24 horas de forma ininterrupta. Resolveram continuar por mais alguns dias na mesma dinâmica, o que durou cerca de 100 anos de oração ininterrupta por consagração e frutos.

Seus corações passaram a se encher de desejo de levarem o conhecimento do evangelho por toda parte. Poucos anos após o início daquela reunião de oração, a igreja de 300 moravianos já havia enviado mais de 70 missionários. Ao longo daquele século de oração a igreja cresceu e se multiplicou, milhares de missionários foram enviados, povos alcançados e igrejas plantadas. Alguns jovens missionários Moravianos chegaram a se vender como escravos para gastarem a vida em uma ilha ao leste da Índia,  para testemunhar do evangelho aos escravos que ali viviam.

O lema deste movimento era: “O Cordeiro venceu. Vamos segui-lo”.

Que o Senhor desperte nossos corações para a Palavra, oração, piedade e missão, em nome de Jesus!

Por Rev. Ronaldo Lidório

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Missões na Reforma Protestante do Século XVI | Rev. Ewerton Barcelos Tokashiki

Porquê este estudo histórico?

Alguns desconhecendo a grandiosa extensão do que fizeram os reformadores, forjam afirmações infundadas, e talvez preconceituosamente maldosas. Tão grosseira alegação é que os calvinistas por crerem na doutrina da predestinação não fazem missões![1]

É de se perguntar, porquê o historiador Terri Williams que em seus gráficos menciona “Missões Protestantes” somente a partir de 1701?[2]

Surpreende-nos também, tão exímio historiador, Stephen Neill não mencionar missões protestantes nos capítulo 4 e 5 (1500-1600 d.C.), limitando-se a falar de missões católicas desse período! E somente o faz no capítulo 7. Faz uma estranha avaliação dizendo que “era muito difícil que uma Igreja de tal forma confinada aos limites de uma dada área geográfica pudesse vir a tornar-se missionária, em qualquer das asserções da palavra.”[3] Todavia, mais avante este mesmo autor é pego em contradição quando cita três casos de “tímidos começos de obra missionária.”[4]
1. O rei Gustavo Vasa da Suécia, em 1559, encorajou a evangelização entre os lapões.
2. Hans Ungnad von Sonneck evangelizou com literatura em língua eslava.
3. Venceslau Budowitz von Budokwa, entre 1577 a 1514, residiu em Constantinopla (Istambul) como missionário.

Ainda assim, Neill omite a obra missionária calvinista no século XVI. Quanto a isto, veremos mais adiante.

Dificuldades Para a Realização de Obras Missionárias no século XVI

1. Poucos obreiros disponíveis;
2. A Igreja era Estatal, dependia do sustento e autorização do Estado;
3. Período de definições doutrinárias;
4. Disputas teológicas entre os reformadores calvinistas e luteranos;
5. Europa em clima de guerra contra os “turcos”;
6. Não tinham acesso aos recursos marítimos.

Calvino e a Obra Missionária

João Calvino nunca escreveu uma obra, especificamente, dissertando sobre “missões”. Mas em seus comentários bíblicos deixou-nos sua opinião em fidelidade ao mandato do Senhor Jesus.[5]

Em Mt 28:19

O Senhor ordena aos ministros do Evangelho, que preguem em lugares distantes, com o propósito de espelhar a salvação em cada parte do mundo”.

Em 1 Tm 2:4

Nenhuma nação da terra e nenhum segmento da sociedade está excluído da salvação, porque Deus deseja oferecer o evangelho a todos e sem nenhuma exceção”.

A Produção de Literatura Teológica de Calvino

Uma das poderosas armas na divulgação dos princípios da Reforma foi a literatura. Somente em Genebra existiam 38 oficinas tipográficas! O renomado historiador Vicente Temudo Lessa observa que duas mil pessoas se ocupavam na impressão de Bíblias e literatura de controvérsias, obras estas que eram introduzidas nos países vizinhos com risco de vida dos que se entregavam àquele trabalho de abnegação. Genebra fez luzir bem alto a sua lâmpada e tornou-se a grande escola das nações.[6]

As obras de Calvino (Institutas, comentários bíblicos, sermões escritos, obras teológicas diversas) foram traduzidas e publicadas em diversas línguas, enquanto ele ainda vivia (morreu em 1564). A língua usada para redigir qualquer obra naquela época era o latim, isso facilitava a tradução. Suas diversas obras traduzidas para o francês, alemão, italiano, tcheco, holandês, espanhol, inglês e até mesmo para o grego moderno![7]

Sabemos que até hoje os missionários utilizam a literatura, como método eficaz para divulgar o evangelho.

Preparo e Envio de Pastores (Academia de Genebra)

A “Academia de Genebra” foi fundada em 05/06/1559. A necessidade de pastores e obreiros era gritante! O próprio Calvino numa de suas cartas desabafa essa triste realidade, dizendo que “em todas as partes da França, os irmãos estão implorando a nossa assistência”.[8]

James Mackinnon observa que “o estabelecimento da Academia foi em parte realizada por causa do desejo de suprir e treinar missionários evangélicos”.[9]

Sobre os alunos sabemos que devidamente treinados, os estudantes retornariam a seus países de origem e divulgariam o evangelho como missionários. Nesse sentido, procurou fazer de Genebra um centro missionário para divulgar a Reforma e seus ensinos por toda a Europa e outros países do mundo.[10]

Missões Calvinistas/Genebrinas no Brasil

- O Brasil como colônia portuguesa em regime do “Padroado”. O historiador presbiteriano Dr. Alderi S. Santos define o Padroado como sendo “uma concessão feita pela Igreja Católica a determinados governantes civis, oferecendo-lhes um certo controle sobre a igreja em seus respectivos territórios como um reconhecimento por serviços prestados à causa católica e um incentivo a futuras ações em benefício da igreja.”[11]
- Em 1493, Papa Alexandre VI redigiu um documento declarando a supremacia espanhola sobre as terras descobertas.
- Em 1494, o Tratado de Tordesilhas determinou o que seria da Espanha e o que seria de Portugal nas novas descobertas.
- No Brasil, o Padroado “significava que a coroa portuguesa iria fornecer os navios para o transporte dos religiosos, financiar o empreendimento missionário, construir as igrejas e outros edifícios eclesiásticos e pagar o salário dos sacerdotes. Em contrapartida, teria o direito de nomear os bispos, recolher os dízimos dos fiéis, aprovar os documentos eclesiásticos e interferir em quase todas as áreas da vida da igreja”.[12]
- Em 1549, chegam os primeiros 6 jesuítas ao Brasil (Companhia de Jesus foi organizada 9 anos antes, em 1540).
- Em 1553, chega o mais famoso dos jesuítas, José de Anchieta.
- A Reforma Protestante não penetrou em Portugal/Espanha (criação Jesuítas e da Inquisição na Contra-Reforma).
- Em 1555, sob a liderança de Nicolas Durand de Villegaignon, grupo de cerca 600 franceses fundaram o Forte Coligny na Baía da Guanabara-RJ, dando origem à “França Antártica”:
1. Busca de enriquecimento na nova terra
2. Refúgio para franceses perseguidos

 - Ficando, assim conhecida como “a Invasão Francesa”, em nossa história [católica] brasileira. A. G. Mendonça, nota que “vale ainda considerar o fato de que a resistência portuguesa aos invasores era sempre feita não somente em nome de sua soberania política e de seus interesses comerciais, mas também na defesa de sua fé contra as heresias”.[13]

- Villegaignon solicitou a Calvino o envio de pastores.
- Em 07/03/1557, chegaram 2 pastores (Pierre Richier e Guillaume Chartier) grupo de huguenotes[14], e refugiados vindos de Genebra, numa 2a expedição.
- Em 10/03/1557 celebram o 1º culto protestante em solo brasileiro.
- Em 21/03/1557 celebração da 1a Santa Ceia em rito Genebrino.
- “Ex-frade” Jean Cointac levanta questões sobre:[15]

1. sacrifício da missa
2. doutrina e usos dos sacramentos
3. invocação e mediação dos santos
4. oração pelos mortos
5. o purgatório

  • - Villegaignon posiciona-se católico e persegue os huguenotes.
  • - Os huguenotes buscaram refúgio entre os índios tupinambás.
  • - Tentaram fugir por navio, mas este afundou.
  • - Cinco voltaram, e foram aprisionados por Villegaignon.
  • - “Confissão de Fé da Guanabara”[16]

Jean du Bordel...... enforcado
Mathieu Verneuil.... enforcado
Pierre Bourdon...... enforcado
André Lafon......... poupado (único por ser o alfaiate)
Jacques Le Balleur.. fugiu para cidade de São Vicente, sendo preso e levado para Salvador, e em 1567 transferido para o Rio de Janeiro, e enforcado pelo próprio José de Anchieta.

- Jean de Léry escreveu um livro intitulado “História de uma Viagem Feita à Terra do Brasil”, publicado em 1578, Paris. Foi estudar na Academia de Genebra, e tornou-se um pastor calvinista.

- Em 1580, Portugal é dominado pela Espanha.

Missões Calvinistas/Holandesas no Brasil

Não nos delongaremos este tópico por ser posterior à Reforma do Século XVI, mas apenas faremos dele menção.

1. Holandeses na Bahia (1624-1625)
2. Holandeses em Olinda-PE (1630-1654)
3. Veja “Igreja e Estado no Brasil Holandês”, Frans L. Schalkijk, pela Editora Cultura Cristã.


NOTAS:

[1] Ruth A. Tucker, “…até aos confins da Terra” (São Paulo, Ed. Vida Nova, 1996), p. 70
[2] Terri Williams, Cronologia da História Eclesiástica (São Paulo, Ed. Vida Nova, 2000), p. 101
[3] Stephen Neill, História das Missões (São Paulo, Ed. Vida Nova, 1989), p. 226
[4] Ibidem, p. 228
[5] John Calvin’s Commentary in: Calvin’s Work, CD-Rom Master Library Christian, vide* in loci.
[6] Vicente Temudo Lessa, Calvino 1509-1564 Sua Vida e Sua Obra (São Paulo, Casa Editora Presbiteriana, s/d.) pp. 244-245
[7] Antônio Carlos Barros, A Consciência Missionária de Calvino in: Fides Reformata, vol. III, no. 1, 1998, p. 44
[8] Ibidem, p. 43
[9] James Mackinnon, Calvin and the Reformation (Londres, Penguin Books, 1936), p. 195
[10] W. Stanford Reid, Calvin’s Geneva: A Missionary Center (The Reformed Theological Review, 42:3), p. 66
[11] Mark A. Noll, Momentos Decisivos na História do Cristianismo.Veja o Apêndice: Alderi S. Santos, Eventos Marcantes da História do Cristianismo no Brasil (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 2000), p.334
[12] Ibidem, p. 334
[13] Antônio Gouvêa Mendonça, O Celeste Provir – A Inserção do Protestantismo no Brasil (São Paulo, Ed. IMS, 1995), p. 23
[14] Huguenotes era o nome dado aos calvinistas franceses.
[15] Ibidem
[16] Cópia desta “Confissão” em Paulo Anglada, Sola Scriptura, p. 191-197

Rev. Ewerton B. Tokashiki

Pastor da Igreja Presbiteriana de Cerejeiras – RO
Prof. de Teologia Sistemática do STBC – Extensão Ji-Paraná

Agradecemos o autor pelo envio e permissão da publicação do presente artigo. O Rev. Tokashiki, pela graça de Deus, é um dos nossos colaboradores.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O que você ainda está esperando? | Rev. Hernandes Dias Lopes

pastoral-08022015 A proclamação do evangelho é uma missão imperativa, intransferível e impostergável. É sobre esses três aspectos da missão que escreverei.

1. A proclamação do evangelho é uma missão imperativa. O próprio Jesus ordenou: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). A igreja de Deus não precisa esperar nenhum fato novo para proclamar o evangelho de Cristo em todo mundo e a toda criatura. Uma ordem já foi dada e deve ser obedecida. Quem deu a ordem foi o próprio Jesus, que morreu pela igreja e ressuscitou para sua justificação. Quem deu a ordem foi o próprio dono da igreja. O universo inteiro ouve a sua voz e obedece: o sol, as estrelas, o mar, o vento, os demônios e os anjos. Será que nós, povo remido pelo sangue de Cristo, seríamos os únicos a questionar sua voz, a adiar sua ordem e e desobedecer o seu mandato? Nosso papel não é discutir a ordem, mas obedecê-la. Nossa missão não é discutir a obra, mas fazer a obra. A salvação é obra de Deus. Tudo já foi feito. O banquete da graça já está pronto. Cabe a nós ir ao mundo, anunciar essa boa-nova e contar aos pecadores que Deus os amou e enviou seu Filho para salvá-los do pecado, da morte e do inferno. Você está pronto a obedecer?

2. A proclamação do evangelho é uma missão intransferível. O propósito de Deus é o evangelho todo, por toda a igreja, em todo o mundo. Nenhuma outra instituição está credenciada a pregar o evangelho. Os anjos anelam esse sublime privilégio, mas Jesus comissionou apenas a igreja para cumprir essa missão. A igreja é o método de Deus para alcançar o mundo. Conta-se que, quando Jesus terminou sua obra salvadora na terra, morrendo pelos nossos pecados e ressuscitando para a nossa justificação, ao voltar ao céu para assentar-se no seu trono de glória, um anjo perguntou-lhe: “Senhor, tu concluíste tua obra na terra. Quem, porém, vai contar essa boa-nova para o mundo inteiro?”. Jesus respondeu-lhe: “Eu deixei doze homens preparados para cumprir essa missão”. O anjo, então, redarguiu: “Mas, Senhor e, se eles falharem?”. Jesus respondeu: “Se eles falharem, eu não tenho outro método”. Nós somos o método de Deus. Nós somos os atalaias de Deus a avisar ao mundo acerca de sua necessidade de se preparar para encontrar com Deus. Se o ímpio não for avisado e morrer na sua impiedade, Deus cobrará de nós o seu sangue. Não podemos calar a nossa voz. Deus nos constituiu ministros da reconciliação. Somos embaixadores em nome de Cristo, rogando aos homens que se reconciliem com Deus.

3. A proclamação do evangelho é uma missão impostergável. A proclamação do evangelho é uma missão urgente. Não pode esperar. Quando John Kennedy foi assassinado em Dallas, no Texas, em 22 de novembro de 1963, em apenas doze horas, a metade do mundo, ficou sabendo. Jesus Cristo, o Filho de Deus, morreu na cruz pelos nossos pecados há dois mil anos e quase a metade do mundo, ainda não ouviu essa boa-nova do evangelho. Não podemos calar a nossa voz. Precisamos ganhar esta geração em nossa geração. Um jovem índio preparava-se para ser o líder de sua tribo, quando caiu gravemente enfermo. O jovem índio já desfalecido no colo de sua mãe, perguntou-lhe: “Mamãe, eu estou morrendo e estou com muito medo. Para onde irá a minha alma?”. A mãe, aflita, respondeu-lhe: “Meu filho, eu não sei”. Aquele jovem desesperado, partiu para a eternidade sem saber para onde ia. Meses depois, chegou àquela aldeia um missionário pregando o evangelho e falando das boas-novas da salvação. De uma cabana da aldeia, saiu uma anciã com os olhos vermelhos de tanto chorar, correu em direção ao missionário. Agarrou-o pelos braços e disse-lhe aos prantos: “Por que você não veio antes? Por que você não veio antes?” Era a mãe daquele que jovem que morreu sem saber para onde estava indo. O que você ainda está esperando? É tempo de proclamar o evangelho!

Rev. Hernandes Dias Lopes

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Por que Revitalizar uma Igreja? | Matt Schmucker

igreja

Eu perguntei ao jovem sentado ao meu lado no almoço: “Por que você decidiu ir ao seminário?”. Ele disse: “Eu queria fazer grandes coisas para Deus!”.

A resposta dele me fez tremer levemente. Eu me perguntei se ele acaso já lera alguma biografia de homens que fizeram “grandes coisas para Deus”. Ele estava ciente do sacrifício que vem com a “grandeza”?

Muitos desses grandes indivíduos eram reformadores. Eles viram algo quebrado, sem direção ou distorcido, e tomaram providências para mudar o rumo - ou reconstruir. Esses grandes indivíduos eram verdadeiros pastores: eram estudantes da Palavra que assumiram o encargo de proclamá-la. Eles agiram como profetas, não por meio da predição, mas do discernimento: sendo capazes de falar com franqueza acerca do presente, à luz do que havia sido escrito no passado.

É isso o que um pastor faz. Ele ergue a Palavra de Deus e chama homens e mulheres a renovarem as suas mentes e a reformarem os seus caminhos. Se você não quer ser um reformador, você não quer ser um pastor.

Motivações para a reforma

Quando você olha para um corpo de crentes pequeno, enfraquecido e enfermo, o que poderia levá-lo a começar o trabalho de reforma que é necessário? Deixe-me sugerir seis motivações:

1. Por causa do cristão

Em João 21, nós ouvimos Jesus perguntar a Simão Pedro (três vezes): “Simão, filho de João, tu me amas?”. Três vezes Simão Pedro diz: “Sim”. E três vezes Jesus diz: “Apascenta os meus cordeiros”. Em Lucas 15, nós lemos que Jesus estima o seu próprio povo de tal maneira que, se eles fossem ovelhas, ele deixaria “no deserto as noventa e nove” para resgatar a que se perdeu. Deus ama o seu povo. Ele deseja que todos estejam ajuntados e alimentados.

Em toda revitalização de igreja que eu já vi, há pelo menos algumas ovelhas presentes (às vezes em meio a lobos). Elas têm sido mal alimentadas e até maltratadas. Mas elas foram adotadas por Cristo e, portanto, são merecedoras de cuidado. Considere revitalizar uma igreja para o benefício dos verdadeiros crentes que estão lá.

2. Por causa do cristão nominal

Poucas coisas são mais lastimáveis do que o indivíduo que acredita ter o céu como recompensa quando, na verdade, o seu destino é o inferno. Muitas de nossas igrejas estão cheias desse tipo de pessoa - o “cristão” nominal. Paulo tinha essa preocupação em mente ao escrever: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos” (2Coríntios 13.5).

Desde a queda, ninguém está livre do autoengano. Nós facilmente somos feitos de bobo. E um pastor amoroso irá trabalhar para livrar do erro os autoenganados.

No início dos anos 1990, na Capitol Hill Baptist Church, nós trabalhamos duro para ir atrás de centenas de membros nossos que nunca frequentavam os cultos. Ao encontrá-los, a maioria não tinha nenhum interesse em nós e nossas ideias de “membresia significativa”. Mas havia uns poucos que, ao serem apresentados ao evangelho e ao chamado de Deus para que fossem parte do corpo, se arrependeram e vieram à fé. Dorothy, uma mulher de oitenta anos que não frequentava a igreja por mais de três décadas, morava nas proximidades. Nós compartilhamos o evangelho com ela, não desejando presumir nada. Ela disse: “Eu acho que jamais havia entendido isso antes”. Considere revitalizar uma igreja para o benefício dos “cristãos” nominais.

3. Por causa da vizinhança

Em 1993, após quatro décadas de declínio e outro pastor fracassado, a Capitol Hill Baptist Church chegou ao fundo do poço - pelo menos na minha percepção. Eu estava em meu caminho ao mercado local, certa noite, e dois vizinhos seguiam à minha frente. Eu conhecia aqueles homens. Eles eram um conhecido casal homossexual que morava na vizinhança de nossa igreja. Naquela noite, tendo ouvido o que acontecera com o nosso pastor despedido, os dois homens escarneciam da minha igreja em alta voz. Que ironia! Homens homossexuais escarnecendo de uma igreja de mente evangélica, mas que falhava em viver de acordo com aquele mesmo evangelho. Para usar um termo do Antigo Testamento, nós éramos um “provérbio” em nossa própria vizinhaça. Nós éramos uma testemunha reversa na própria comunidade na qual deveríamos ser um padrão de santidade. Felizmente, à medida que nossa igreja cresceu de forma mais saudável, o mesmo aconteceu com nosso testemunho.

Alguns anos depois, Mark Dever e eu estávamos em uma caminhada, e um vizinho que havia observado a nossa igreja por vinte anos nos parou e perguntou: “O que há de diferente com a sua igreja?”. Mark disse: “Bem, Matt tem tentado terminar a pintura e pôr em ordem o jardim”. O homem disse: “Não, não estou falando disso. Há algo diferente com as pessoas”.

Eu posso relatar hoje que muitos em nossa vizinhança vieram a Cristo. No processo de revitalização, nós fomos capazes de demolir um mau testemunho e substituí-lo por um bom testemunho - isso é um “leve-dois-pague-um” do evangelho. Considere revitalizar uma igreja enfraquecida para o benefício dos vizinhos.

4. Por causa dos recursos

Bilhões de dólares, doados por cristãos fiéis por muitas décadas, têm sido gastos em terrenos e construções. Hoje, com muita frequência, essas construções são subutilizadas ou estão até mesmo vazias - meros monumentos ao passado. Plantadores de igrejas muitas vezes menosprezam esses recursos e não pensam duas vezes em seguir uma abordagem de ministério potencialmente desgastante do tipo “igreja itinerante” ou “igreja sobre rodas”.

Por que essa abordagem é tão desgastante? Pergunte a quase todo plantador de igreja. Ele provavelmente lhe dirá quanto esforço é exigido das melhores pessoas de sua igreja para mudar de local toda semana, sem contar quando é necessário realocar pois o auditório de uma escola ou salão de hotel não está mais disponível. Então, considere mudar-se para uma velha vizinhança, revitalizar uma igreja e recuperar recursos que foram originalmente doados para propósitos evangélicos.

5. Por causa do futuro

Logo depois de perdermos o nosso último pastor e de eu ouvir os dois homens escarnecerem de nossa igreja, a casa onde morávamos, adquirida pela igreja, foi invadida e saqueada. A porta da frente foi arrombada e os objetos de valor foram roubados. Minha família ficou fora da cidade com os pais da minha esposa, até que a casa estivesse segura novamente.

Na primeira noite de volta, minha esposa fez uma pergunta muito pertinente: “O que nós estamos fazendo aqui?”. Ao deitarmos naquela noite, eu me perguntava a mesma coisa. Eu simplesmente disse (e com um espírito de oração): “Acho que estamos aqui pelas pessoas que virão”.

Eu devo rapidamente admitir que, normalmente, não sou tão alegremente otimista quanto ao futuro. Mas, naquele momento, eu senti como se Satanás estivesse fazendo as coisas parecerem pior do que eram, e precisávamos aguentar firme. Pela graça de Deus, persistimos em meio a circunstâncias muito difíceis e o futuro se mostrou muito promissor: nós estamos em uma temporada de prosperidade como igreja que já dura quase duas décadas. Em cada profissão de fé, cada batismo, cada ato de arrependimento, cada viagem missionária, cada moço que se compromete a preparar-se para o ministério, eu me alegro silenciosamente. Cada um desses eventos era, em um momento, uma parte do futuro da nossa igreja - um futuro que eu não conhecia, mas Deus sim.

Considere revitalizar por todas as pessoas que, algum dia, podem adentrar por suas portas e ser ajudadas em sua caminhada com Jesus.

6. Por causa do nome de Deus

Você é zeloso para que o nome de Deus seja honrado no mundo? O que você pensa da igreja ou do pastor que usa o nome de Deus e extrai tradições da Escritura, mas não segue o Deus único e verdadeiro que se revela na Bíblia?

Amigo, Deus é zeloso pelo seu próprio nome e louvor!

Por amor do meu nome, retardarei a minha ira e por causa da minha honra me conterei para contigo, para que te não venha a exterminar. Eis que te acrisolei, mas disso não resultou prata; provei-te na fornalha da aflição. Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não a dou a outrem. (Isaías 48.9-11)

Para que o nome de Deus seja apropriadamente representado no mundo, nós precisamos ser zelosos pelo testemunho da sua igreja. Por quê? Para que a glória de Deus seja difundida e magnificada. O seu nome é difamado quando igrejas ditas cristãs o representam de modo distorcido, com sua tolerância ao pecado, suas más práticas conjugais, visões erradas da sexualidade e uma multidão de heresias, desde a salvação até a autoridade da Escritura.

Eu oro contra essas igrejas que difamam o nome de Deus. Eu oro para que elas morram ou, pelo menos, tornem-se invisíveis para a vizinhança.

Eu positivamente oro por aquelas igrejas verdadeiras na minha vizinhança, que proclamam a verdade, que apropriadamente ajuntam aqueles que foram nascidos de novo, e cujo principal propósito é a glória de Deus. Considere revitalizar por causa do nome de Deus.

Conclusão

Eu tenho visto homens fiéis em nossos dias entrarem em situações nas quais a infidelidade reinava, e ali reformarem um povo ao pastoreá-lo. Você pode ter ouvido falar de alguns de seus nomes, como John Piper ou Mark Dever. Você pode não ter ouvido falar de muitos outros que eu poderia nomear. Mas, conhecidos ou desconhecidos, todos eles são homens fiéis que usaram os recursos existentes para revitalizar uma igreja por causa dos cristãos, dos “cristãos” nominais e da vizinhança. Em seus muitos dias fiéis de sangue, suor e lágrimas, Deus tinha um monte de pessoas em mente - no futuro - que receberiam benefícios eternos. E o nome de Deus está sendo magnificado!

Revitalizar uma igreja não é fácil - reforma nunca é. Mas há centenas de igrejas que precisam de pastores que irão fazer esse sacrifício diário por causa do reino. Então, ao meu jovem amigo seminarista que queria “fazer grandes coisas para Deus”, eu tinha uma sugestão: “Em vez de fazer grandes coisas para Deus”, eu disse, “por que você não tenta simplesmente ser fiel a um grande Deus?”.

Eu penso que isso foi o que todos os grandes reformadores fizeram e, também, o que grandes pastores fazem hoje. A grandeza deles, se é assim que você deseja chamar, não está em uns poucos atos heroicos, mas no acúmulo de muitos dias fiéis gastos em pregação, oração e no trabalho de reforma.  

Fonte: Editora Fiel

Imagem: Editora Fiel

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Missões começa em casa | Hernandes Dias Lopes

pastoral-28042014John Stott, erudito expositor bíblico, disse que antes de Jesus enviar a igreja ao mundo, enviou o Espírito Santo para a igreja. A obra do Espírito e o testemunho da igreja são inseparáveis. O Espírito Santo capacitou a igreja para ser testemunha tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia, Samaria e até aos confins da terra. O propósito de Deus é o evangelho todo, por toda a igreja, em todo o mundo. Atos 1.8 é a plataforma missionária de Jesus. É a agenda missionária da igreja. Daremos, aqui, um enfoque à obra missionária em Jerusalém, em nossa cidade, a partir da nossa própria casa. Para melhor compreensão do assunto em tela, daremos destaque a alguns pontos:

Em primeiro lugar, a capacitação precede à ação missionária. O recebimento de poder precede o testemunho. Testemunhar sem o poder do Espírito Santo é como tentar cortar lenha com o cabo do machado. Em vão é o esforço humano sem o revestimento do Espírito. A igreja não foi autorizada a começar o seu esforço missionário senão depois do revestimento de poder vindo do alto. Hoje, temos muito esforço e pouco resultado. Muito trabalho e poucos frutos. Muitas palavras e pouca manifestação de poder. Pregamos aos ouvidos, mas não pregamos aos olhos. Os homens escutam de nós belos discursos, mas não veem em nós demonstração de poder. Preciso concordar com Charles H. Spurgeon, quando disse que é mais fácil um leão tornar-se vegetariano, do que uma vida sequer ser salva sem a obra do Espírito Santo. Dependemos do Espírito Santo, precisamos do Espírito Santo, carecemos da capacitação do Espírito Santo.

Em segundo lugar, O Espírito Santo é quem nos capacitar para a obra missionária. A promessa de Jesus é que os discípulos seriam revestidos com o poder do alto, o poder do Espírito, para testemunhar desde Jerusalém até aos confins da terra. Nenhuma outra preparação por mais refinada, substitui a capacitação do Espírito Santo. Nenhum cabedal teológico, nenhuma erudição humana, nenhuma eloquência angelical poderia capacitar a igreja a testemunhar o evangelho com eficácia. Só o Espírito Santo pode iluminar a mente e aquecer o coração. Só o Espírito Santo pode capacitar o mensageiro, aplicar eficazmente a mensagem e abrir o coração dos ouvintes, dando-lhes uma nova vida.

Em terceiro lugar, a igreja é o método de Deus para alcançar o mundo. Jesus não comissionou o governo para a proclamação do evangelho nem mesmo delegou essa sublime tarefa aos anjos. A igreja é o método de Deus. O propósito de Deus é o evangelho todo, por toda a igreja, em todo o mundo. Se nós nos calarmos seremos culpados de uma omissão criminosa. Somos atalaias de Deus. Se o ímpio morrer em sua impiedade sem avisarmos a ele, Deus cobrará de nós o seu sangue. Somos embaixadores em nome de Cristo. Devemos rogar aos homens que se reconciliem com Deus.

Em quarto lugar, o testemunho do evangelho começa em casa. A obra missionária deve ser feita aqui, ali e além fronteiras ao mesmo tempo. Porém, o ponto de partida é a nossa Jerusalém, onde estamos estabelecidos. Não teremos autoridade para pregar para os de fora se não estamos testemunhando para os de dentro. Não podemos começar com os confins da terra se a nossa própria Jerusalém ainda não foi impactada com o poder do evangelho. Não podemos pregar aos estranhos se primeiro não fizemos conhecido o evangelho em nossa própria família. Quando Jesus libertou e salvou o endemoninhado gadareno, não permitiu que ele o acompanhasse para um trabalho itinerante, mas enviou-o de volta aos seus. Nossa família, nossa parentela, nossa cidade devem ser os primeiros redutos a serem atingidos pelo evangelho.

Rev. Hernandes Dias Lopes

Fonte: Primeira I.P. de Vitória – ES.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Como a Graça Deveria Impactar a Execução do seu Trabalho | J. D. Greear

ComoAGracaDeveriaImpactarAExecucaoDoSeuTrabalho1

Quando alguém pensa em seu trabalho sendo “cristão,” todo tipo de imagem perturbadora vem à mente:

  • Abrir um salão de beleza chamado “Você Muito Melhor” ou uma livraria chamada “E Lias”.
  • Fazer momentos constrangedores de evangelismo nas chamadas promocionais.
  • Desafiadoramente dizer “Feliz Natal” ao invés de “Boas Festas” na fila do caixa, ou furtivamente dizer “Tenha um dia abençoado” na saudação.
  • Colar pôsteres de opções de estudo bíblico no horário de almoço ou enviar spams sobre visões da Virgem Maria no Equador.

Talvez você se lembre do incidente de 2004 com um piloto da American Airlines que, em seus anúncios antes do voo, pedia a todos os cristãos a bordo do avião que levantassem a mão. Ele então sugeria que durante o voo, os outros passageiros conversassem com essas pessoas sobre a fé deles. Ele também disse aos passageiros que ele ficaria feliz em conversar com qualquer um que tivesse dúvidas. É compreensível que isso fazia as pessoas surtarem: o piloto do seu avião falando com você sobre se você vai ou não se encontrar com Jesus?[1] Embora eles pudessem admirar o zelo do cara, muitos empresários cristãos pensam: “Eu acho que eu não conseguiria fazer isso sem ser demitido.”

Muitos cristãos pensam que simplesmente não dá para servir o reino de Deus no trabalho, e que o trabalho desse reino acontece “após o expediente” — voluntariando-se no berçário da igreja, frequentando grupos pequenos, indo a uma viagem missionária, servindo na cantina. A maioria pensa que o nosso trabalho é uma necessidade que deve ser suportada para colocar comida na mesa, e que o interesse de Deus no fruto de nosso trabalho é primariamente que entreguemos os nossos dízimos.

A Bíblia oferece uma perspectiva bem diferente. A Escritura nos ensina como servir a Deus através de nosso trabalho, não apenas após o trabalho. A Bíblia diz palavras claras e radicais às pessoas no local de trabalho, nos mostrando que mesmo o mais subalterno deles possui um papel essencial na missão de Deus.

De fato, certamente não é coincidência que a maioria das parábolas que Jesus contou tinha como contexto um local de trabalho, e que dos quarenta milagres registrados no livro de Atos, trinta e nove ocorreram fora do cenário de uma igreja. O Deus da Bíblia parece tão preocupado em demonstrar seu poder fora dos muros da igreja, quanto dentro.

Quero sugerir cinco qualidades que tornam o trabalho “cristão.” Por “cristão” neste contexto eu quero dizer “feito através da fé em Jesus Cristo.” Portanto, o trabalho que é cristão terá cinco qualidades:

  • (1) cumpre a criação,
  • (2) busca a excelência,
  • (3) reflete santidade,
  • (4) demonstra redenção e
  • (5) avança em missões.

O trabalho cristão cumpre a criação

Quando Deus colocou Adão no Jardim do Éden, ele não disse simplesmente para ele se manter longe de certas maçãs podres. Deus colocou Adão no jardim “para cultivá-lo e guardá-lo” (Gênesis 2:15). Lembre-se que Deus disse isso antes da maldição, indicando que o trabalho não era uma punição infligida em Adão por seu pecado, mas era parte do desígnio original de Deus.

O primeiro propósito que Deus tinha em mente para Adão não era ler uma Bíblia ou orar, mas ser um bom jardineiro.

A palavra hebraica ‘abad, traduzida por “cultivar,” mostra exatamente o que Deus quer dizer: tem a conotação de preparar e desenvolver. Adão foi colocado no jardim para desenvolver sua matéria-prima, para cultivar um jardim. Cristãos podem cumprir o propósito criado por Deus da mesma maneira, tomando a matéria-prima do mundo e desenvolvendo-as. Isso está acontecendo o tempo todo, tanto por crentes quanto por incrédulos. Empreiteiras pegam areia e cimento e os usam para criar prédios. Artistas tomam cor e música e os harmonizam em arte. Advogados tomam princípios de justiça e os codificam em leis que beneficiam a sociedade.

Este é o plano de Deus. Martinho Lutero, o famoso reformador alemão, coloca desta maneira:

“Quando oramos a Oração do Senhor, nós pedimos que Deus nos dê ‘o pão nosso de cada dia.’ E ele nos dá nosso pão diário. Ele faz isso através do fazendeiro que plantou e colheu o grão, o padeiro que transformou a farinha em pão, a pessoa que preparou nossa refeição.”

O que isso significa é que a vocação secular de um cristão ajuda a mediar o cuidado ativo de Deus no mundo. Deus está ativo através do trabalho de uma pessoa para assegurar que famílias estejam alimentadas, que lares sejam construídos, que a justiça seja cumprida. Muitos cristãos trabalham de má vontade quando deveriam festejar o fato de que Deus os está usando, em qualquer que seja o pequeno papel, para cumprir seus propósitos.

Outro grande exemplo disso vem do clássico filme Carruagens de Fogo. O filme mostra um atleta de corrida cristão, Eric Liddell, em sua preparação para as Olimpíadas de 1924. Em um ponto do filme, Liddell é confrontado com a objeção à sua carreira de que há questões mais urgentes na vida de um cristão do que meramente correr. Liddell responde: “Eu acredito que Deus me criou para um propósito, mas ele também me criou rápido. E quando eu corro, sinto o prazer de Deus.” Em um momento ou outro, enquanto trabalhamos em algo que amamos ou em algo que somos bons, muitos de nós temos um sentimento similar. É como se sentíssemos dentro de nós, bem literalmente: “Eu fui feito para isso.”

O trabalho cristão busca a excelência

Se nosso trabalho é feito “para Deus,” ele deve ser feito de acordo com os mais altos padrões de excelência. Paulo diz:

“E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Colossenses 3:17).

Isso deveria ser verdade quer recebamos qualquer recompensa por nosso trabalho ou não, e mesmo se nunca ninguém notar.

Sejamos honestos: é desmoralizante trabalhar para alguém que não nos dá crédito por aquilo que fizemos, ou pior, alguém que reage oferecendo apenas feedbacks negativos. Um chefe ruim pode transformar um trabalho que seria satisfatório em um absoluto terror. Numa situação como essa, a maioria das pessoas perde a motivação de trabalhar com excelência. “Afinal,” elas podem pensar, “qual o sentido de trabalhar duro? Ninguém vai notar de qualquer maneira, e mesmo que eles notem, eu certamente não ganharei o crédito por isso.” Essa pode ser uma resposta razoável, mas não é uma resposta cristã.

Cristãos devem buscar a excelência em seus trabalhos não porque eles querem impressionar seus chefes ou porque trabalhar duro leva a um pagamento melhor, mas porque eles trabalham para Cristo. C.S. Lewis uma vez observou como vales nunca antes descobertos pelos olhos humanos ainda são cheios de belas flores. Para quem Deus criou aquela beleza, se olhos humanos nunca a veriam? A resposta de Lewis era que Deus faz algumas coisas apenas para seu próprio prazer. Ele vê mesmo quando ninguém mais vê.

Essa perspectiva adiciona um novo significado para toda tarefa que os crentes executarem, mesmo que eles saibam que nunca serão reconhecidos. Eles não precisam mais da aprovação dos outros em seus trabalhos, porque não mais trabalham primariamente para outros. Eles trabalham em primeiro lugar para Cristo, e ele merece o melhor deles.

Na realidade, contudo, pouquíssimos trabalhos passam desapercebidos, especialmente se malfeitos. Um cristão com uma ética trabalhista medíocre ou um desenvolvimento acadêmico desleixado dá ao mundo um terrível testemunho de Cristo. Ele pode dizer com sua boca que “Jesus é Senhor,” mas quando ele não se importa em entregar seus trabalhos a tempo ou respeitar seu chefe, ele está dizendo mais alto ainda: “Eu mesmo sou senhor.” Ao trabalhar com excelência, os cristãos não apenas servem a Deus, mas também demonstram uma atitude de serviço ao mundo.

O trabalho cristão reflete santidade

Se cristãos trabalham para Deus, isso deveria inerentemente fazê-los trabalhar com excelência. Mas saber que Deus vê tudo o que fazemos deveria também fazer-nos trabalhar com integridade. Trabalho que é “cristão” nos conformará aos mais altos padrões de ética.

Paulo procede em Colossenses explicando que tudo o que fazemos é feito com respeito ao nosso Mestre que nos assiste dos céus, a quem prestaremos conta (Colossenses 3:23-25). Isso significa, Paulo disse, que mesmo quando nosso chefe é um idiota (e muitas pessoas para quem Paulo estava escrevendo literalmente pertenciam a seus chefes!), cristãos fazem seu trabalho para Deus. Nosso trabalho deve deixar evidente que nós servimos a um Deus de justiça e bondade. Isso significa que chefes cristãos devem se preocupar menos com as críticas, e mais com o fato de que eles prestarão contas a um Mestre celestial. Funcionários cristãos não devem fazer nada de forma descuidada ou mentir sobre quanto trabalho eles tiveram.

A ética nos negócios realmente importa, porque através dela nós espelhamos o caráter de Deus. Deus diz que “balança enganosa” — trabalhos malfeitos, balancetes falsificados, folhas de ponto inexatas, etc. — são uma “abominação” a ele (cf. Provérbios 11:1). Uma ética medíocre nos negócios não é uma questão insignificante.

O trabalho cristão demonstra redenção

Se cristãos agissem em seus empregos com equidade e justiça, só isso já os diferenciaria. Mas aqueles que foram tocados pelo evangelho não tentam meramente abraçar altos padrões éticos; eles vivem suas vidas com uma perspectiva de gratidão radicalmente transformada. O que Cristo fez ao nos redimir para o Pai produz uma resposta natural de graça para com outros.

Eu recentemente ouvi uma história sobre uma jovem recém-formada que conseguiu um emprego na Madison Avenue, em uma das mais prestigiadas firmas de propaganda. Com pouco tempo de empresa, ela cometeu um erro que custou à companhia aproximadamente US$25.000. A Madison Avenue não é um mundo definido pela graça e ela esperava ser demitida no fim do dia. Seu chefe, contudo, compareceu diante da diretoria e os convenceu sobre permitir que a culpa pelo erro dela recaísse sobre ele mesmo. Quando essa jovem mulher ouviu o que o seu chefe havia feito, ela foi até ele em lágrimas. Ela lhe perguntou o motivo pelo qual, naquela atmosfera absurdamente competitiva, ele escolheria colocar seu próprio pescoço no lugar do dela. Ele respondeu compartilhando como Jesus tinha feito algo similar por ele, tomando sobre si a ira que ele merecia. Por causa da grande graça que Jesus mostrou para com ele, ele queria demonstrar uma graça similar para com outros quando tivesse a oportunidade.

Isso significa que devemos enxergar nosso trabalho com um propósito diferenciado. Nós não procuramos mais apenas subir de posição ou maximizar nosso lucro pessoal. Se verdadeiramente tocados pela graça, cristãos empregados começam a usar seus recursos para abençoar aqueles em necessidade.

Alguns cristãos podem contestar uma perspectiva como essa. Graça é algo que se aplica ao âmbito espiritual, eles podem dizer, mas não nos negócios: “Eu trabalhei por aquilo que tenho — eu conquistei!”, eles podem dizer. Uma pessoa pode certamente sentir como se tivesse conquistado tudo o que tem, mas onde ela conseguiu sua ética trabalhista cabeça-dura? Sua inteligência? Tudo isso é graça de Deus. Por decreto de quem ela cresceu nos Estados Unidos ao invés de nascer em uma favela brasileira? Certamente não foi por seu próprio decreto — isso também foi graça de Deus. O próprio ar que ela respirou e a comida que ela comeu lhe foram dados como presentes da graça. Jesus ensinou que o reino de Deus pertence àqueles que são “pobres de espírito” — aqueles que reconhecem que tudo o que eles têm é um presente da graça. Os “classe-média de espírito,” que creem que estão apenas colhendo o fruto de seu trabalho, não conhecerão nada do reino de Deus, porque eles não têm o conceito da magnitude da graça de Deus em suas vidas. Quando alguém entende o quanto deve à graça, começará a ver cada situação em que estão, seja nos negócios ou na igreja, como um lugar não para ser servido, mas para servir.

O chamado para entregar nossas vidas pelo reino de Deus não é uma tarefa especial de poucos consagrados. Todos os discípulos de Jesus são chamados a verem suas vidas como sementes a serem plantadas para o reino de Deus. Jesus disse que se sua vida fosse uma festa, ela deveria ser dada àqueles que não podem nos pagar de volta. Às vezes eu penso que nós inventamos toda essa linguagem de “chamado ao ministério” para mascarar o fato de que a maioria das pessoas em nossas igrejas não estão vivendo como discípulos de Jesus.

O trabalho cristão avança em missões

O trabalho feito pelos discípulos de Jesus deve ser feito tendo em vista a Grande Comissão. Em Atos, vemos que Deus usou ministros não-vocacionados (talvez empresários, médicos, escravos, quem sabe!) para levar o evangelho pelo mundo a lugares que os apóstolos nunca tinham ido. Lucas registra que a primeira vez que a igreja “foi por todo lugar pregando a palavra,” os Apóstolos não estavam envolvidos (Atos 8:1). Ele também registra que quando Paulo finalmente chega a Roma para pregar a Cristo lá, ele é saudado por “irmãos” hospitaleiros, que parecem ter estado lá por algum tempo (Atos 28:7). Nas anotações de Steven Neill no clássico História das Missões, dos três grandes centros de plantação de igreja do mundo antigo (Antioquia, Alexandria e Roma), nenhum foi fundado por um apóstolo.

Da mesma maneira, os cristãos no mercado de trabalho hoje são capazes de acessar mais facilmente lugares estratégicos e não alcançados. A globalização, as revoluções na tecnologia e a urbanização deram à comunidade dos negócios acesso quase universal.

Habilidades seculares são necessárias para dar aos cristãos acesso a países que, de outra maneira, rapidamente rejeitariam sua presença. Os países que têm mais necessidade de uma presença do evangelho — aqueles chamados “janela 10-40” — são devastados pela pobreza e pelo desemprego. Tais lugares precisam tanto das palavras do evangelho quanto do reflexo tangível do amor de Deus que os negócios podem proporcionar. Milhões nessa região estão sem trabalho e sem o conhecimento de Cristo.

Um exemplo, apesar de haver dúzias de outros exemplos, é a nação do Irã. O Irã é uma área não alcançada em necessidade desesperadora do evangelho. Hoje mesmo, há 10 milhões de pessoas buscando um emprego no Irã, um número que pode chegar a 20 milhões nos próximos 15 anos. Como lugares como esse serão alcançados? O Irã pode ser alcançado através dos esforços de empresários cristãos comuns, levando suas habilidades e especialidades para o exterior. Isso pode não ser o caminho para todos os cristãos, mas talvez Deus o esteja desafiando a considerar dedicar seu trabalho para os seus propósitos de avanço de missões.

Nem todo cristão, é claro, será levado a executar seus negócios em um povo não alcançado. Mas os discípulos de Jesus devem sempre fazer seu trabalho tendo em vista a Grande Comissão. Uma “visão missional” para o trabalho cristão é fazê-lo bem, e fazê-lo, se possível, em algum lugar estratégico. Provérbios 22:29 diz: “Vês a um homem perito na sua obra? Perante reis será posto; não entre a plebe.”

Crentes que executam bem o seu trabalho podem ser grandemente usados no trabalho da Grande Comissão. Sua excelência nos negócios pode dar-lhes audiências com os “reis” e com os influentes dos povos mais difícieis de serem alcançados do mundo.

Deus está interessado em como os cristãos executam seus trabalhos, e ele quer estar envolvido neles. Seu trabalho pode fazer uma diferença eterna na vida daqueles com quem você trabalha, daqueles para quem você trabalha e daqueles que você serve através do seu emprego. Permita que a transformação do evangelho mude a maneira pela qual você enxerga e executa o seu trabalho. Você foi redimido pela graça — agora viva essa graça no contexto do seu emprego. Você pode nunca mais olhar para o trabalho da mesma maneira novamente.

[1] http://www.travelkb.com/Uwe/Forum.aspx/air/2002/American-Airlines-Preaching-Pilot [Em inglês] Encontrado em John Dickson, The Best Kept Secret of Christian Mission (O Segredo Mais Bem Guardado da Missão Cristã) (Zondervan, 2010), 172-173.

 

Tradução: Alan Cristie

Fonte: Ministério Fiel

Foto: Voltemos ao Evangelho