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quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

A Natureza do Verdadeiro Amor (João 15.12-13) | Pr. Charles Melo de Oliveira

O mundo de hoje não sabe o que é amor de verdade. Ainda que os poetas escrevam sobre o amor, e que os cantores o expressem suas canções, jamais poderão alcançar a altitude do verdadeiro sentido e ação de amor que Jesus ensinou e demonstrou. Ele já havia dado uma importante lição de amor e humildade quando lavou os pés dos discípulos (Jo 13.1-20).

Logo depois, disse: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (13.34). Se ele voltou a esse tema em João 15, é sinal de que ele possui relevância central.

O amor encabeça a lista que descreve o fruto do Espírito (Gl 5.22). O amor é citado como essencial à saúde da igreja. Em Filipenses 2.2, Paulo diz: “tenhais o mesmo amor”; também afirma que devemos suportar “uns aos outros em amor” (Ef 4.2) e que devemos andar “em amor” (Ef 5.2). Depois afirma a necessidade de que “o amor seja sem hipocrisia” (Rm 12.9) e que não tenhamos dívida com ninguém, “exceto o amor” (Rm 13.8). O autor de Hebreus afirma que devemos considerar-nos mutuamente “para nos estimularmos ao amor” (Hb 10.24), Pedro ordena: “amai-vos uns aos outros ardentemente” (1Pe 1.22), enquanto João, o apóstolo do amor deixa claro que o amor ao próximo é sinal de que somos cristãos de verdade (1Jo 2.7-11; 3.11-24; 4.7-21). Mas o texto que mais impressiona pela precisão da descrição do amor e de sua importância na igreja é o de 1 Coríntios 13. Como alguns crentes de Corinto buscavam dons espetaculares, Paulo orienta a que buscassem o amor como o dom supremo, porque ele permanecerá até na glória.


O amor de que Cristo fala é segundo o seu padrão; é o amor ágape, sacrificial: “assim como eu vos amei” (v.12). Isso envolve altruísmo, o pensar mais no próximo do que em si mesmo, abrir mão, se gastar, se desgastar, se doar, tudo em favor do próximo e em detrimento de si mesmo. Jesus ordena isso, mas também deixa claro que ninguém alcançará o padrão máximo do amor, que é o seu próprio amor demonstrado por nós (v.13). 


Cristo ama tanto as suas ovelhas que até deu sua vida por elas (Rm 5.8). Ele quer que amemos a todos quantos também são amados por ele. Mas o nosso amor não deve se restringir aos crentes em Cristo; devemos amar os que estão distantes do Senhor também. E a melhor demonstração de amor aos perdidos é a pregação do evangelho. Afinal, Deus nos amou quando éramos seus inimigos.


Neste momento, você deve estar pensando: Como vou amar alguém com quem tenho dificuldade? Alguns conselhos podem ajudar bastante. 


Primeiro, coloque-se à sua disposição, e as oportunidades de servi-lo aumentarão o amor fraternal. O serviço é importante para fortalecer elos e criar acessos ao coração das pessoas. O Rev. Dr. Butler foi impedido por uma senhora de pisar em sua calçada. Quando ela ficou enferma, ele foi chamado para cuidar dela, o que fez com a máxima dedicação e altruísmo. Quando ela perguntou o preço dos honorários médicos, ele, cheio de amor, respondeu: “apenas o direito de pisar em sua calçada”. O amor fez com que ele não desejasse vingar-se dela.


Segundo, ore por quem tem problemas de relacionamento com você. Certo pastor orava por um irmão que o perseguia na igreja. Em vez de desejar o conflito e a vingança, ele passou a amá-lo mais ainda e orava por ele até de madrugada. Lembre-se de que você também tem seus defeitos e não é tão bom assim...


Em terceiro lugar, não feche o seu coração para o seu próximo. Esteja sempre disposto a amar; não desista de amar ninguém, porque o nosso Senhor jamais desistiu de nos amar. Antes, se deu por nós naquela cruz, mostrando a medida mais alta de amor que o mundo já viu. Afinal, “ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos”.


Pr. Charles Melo de Oliveira

Fonte Devocional Fifitref

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Amor Verdadeiro | John MacArthur

"Tudo o que precisas é de amor", assim cantavam os Beatles.
Se eles tivessem cantado sobre o amor de Deus, a frase revelaria uma certa verdade.
Mas aquilo que a cultura popular diz ser amor, não se trata na verdade de um amor autêntico, é antes uma verdadeira fraude. Longe de ser “tudo o que precisas” é algo que deves evitar a todo o custo.

O apóstolo Paulo fala-nos sobre esse tema em Efésios 5:1-3. Ele escreveu: "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos bem amados. E caminhai no amor, como também Cristo nos amou e se entregou a Deus por nós como oferta e sacrifício de agradável odor. Mas de prostituição e qualquer espécie de impureza ou ganância nem sequer se fale entre vós, como é próprio de santos."

A simples ordem do verso 2 (“E caminhai no amor, como também Cristo nos amou”) resume toda a obrigação moral de todo o cristão. No fundo, o amor de Deus é o único princípio que define completamente o dever do cristão e este tipo de amor é exactamente “tudo o que precisas”. Romanos 13:8-10 diz, “Aquele que ama o próximo, cumpre plenamente a lei”. Os mandamentos resumem-se a estas palavras: “Amarás o próximo como a ti próprio, já que o amor é o cumprimento da lei.” Gálatas 5:14 ecoa a mesma verdade: “Toda a lei se cumpre numa só palavra: Amarás o próximo como a ti próprio.” Da mesma maneira Jesus ensinou que toda a lei e profetas dependem de dois princípios básicos sobre o amor – o primeiro e o segundo mandamentos (Mat. 22:38-40). Por outras palavras, “o amor é o laço da perfeição” (Col. 3:14 NKJV).

Quando o apóstolo Paulo nos diz para caminhar no amor, o contexto revela-se em aspectos positivos, pois ele fala-nos sobre sermos bons uns para os outros, misericordiosos e que nos perdoemos uns aos outros (Ef. 4:32). O modelo de tal amor mais centrado nos outros que si próprio é Cristo, quem se entregou para nos salvar dos nossos pecados. “Não existe amor maior do que este, que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos." (João 15:13). E “se Deus nos amou assim, também nós devemos amar-nos uns aos outros” (1 João 4:11).

Por outras palavras, o amor verdadeiro é sempre um sacrifício, uma entrega de nós mesmos, é misericordioso, compassivo, compreensivo, amável, generoso e paciente. Estas e muitas outras qualidades positivas e benévolas (ver 1 Cor. 13:4-8) são as que a Sagrada Escritura associa ao amor divino.

Mas reparemos no lado negativo, também visto no contexto de Efésios 5. A pessoa que ama os outros verdadeiramente como Cristo nos ama deve recusar todo o tipo de amor falso. 

O apóstolo Paulo nomeia algumas destas falsidades satânicas. 

Elas incluem a imoralidade, a impureza e a ganância. A passagem continua: “Que não haja palavras obscenas, insensatas ou grosseiras, são coisas que não convêm, mas que haja sim, ação de graças. Porque disto deveis ter a certeza, nenhum que seja sexualmente impuro ou ganancioso - o que equivale a idolatria - tem herança no Reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs, pois por estas coisas a ira de Deus cai sobre os filhos desobedientes. Não vos associais, por isso, a eles” (VV. 4–7).

A imoralidade é talvez o substituto favorito do amor na nossa atual geração. O apóstolo Paulo usa o termo grego "porneia", o qual significa todo o tipo de pecado sexual. A cultura popular tenta desesperadamente desvanecer a linha que separa o amor verdadeiro da paixão imoral. Mas tal imoralidade é uma perversão total do amor verdadeiro, porque procura a autogratificação em vez do bem dos outros. 

A impureza é outra perversão diabólica do amor. O apóstolo Paulo emprega aqui o termo akatharsia, o qual se refere a todo o tipo de imoralidade sexual e impureza. Especificamente, ele refere-se à sujidade, à impureza e à ganância que são as características particulares do companheirismo com mal. Este tipo de companheirismo não tem nada a ver com o amor verdadeiro e o apóstolo afirma claramente que não tem lugar no caminho do cristão.

A ganância é outra corrupção do amor que tem origem no desejo narcisista de autogratificação. É exatamente o oposto do exemplo que Cristo deu quando “se entregou por nós” (v. 2). No verso 5, o apóstolo Paulo compara a ganância à idolatria. Também isto não tem lugar no caminho do cristão e de acordo com o verso 5, a pessoa culpada de tal pecado “não tem herança no Reino de Cristo e de Deus.”

De tais pecados, diz o apóstolo Paulo, “nem sequer se fale entre vós, como é próprio de santos” (V. 3). “Não te associes aqueles” que praticam tais coisas, diz-nos. 7).

Por outros termos, não estaremos a demonstrar amor verdadeiro a não ser que sejamos intolerantes com todas as perversões populares do amor.

Hoje em dia, a maioria das conversas sobre o amor ignora este princípio. “O amor” foi redefinido como uma ampla tolerância que ignora o pecado e que abraça o bem e o mal de igual forma. Mas isso não é amor, é apatia.

  • O amor de Deus não tem nada a ver com isso. Lembra-te que a mais suprema manifestação do amor de Deus é a Cruz, sinal que Cristo “nos amou e se entregou a Deus por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável” (V. 2). 
  • A Sagrada Escritura explica o amor de Deus em termos de sacrifício, de arrependimento pelos pecados cometidos e de reconciliação: "Nisto reside o amor, não que tenhamos amado Deus mas que ele nos amou e nos enviou o seu Filho para reconciliar os nossos pecados” (1 João 4:10). 
  • Por outras palavras, Cristo converteu-se em sacrifício para desviar a ira de um Deus ofendido. 
  • Longe de perdoar os nossos pecados com uma tolerância benigna, Deus deu o seu Filho como uma oferta pelo pecado para satisfazer a sua própria ira e justiça na salvação dos pecadores. 
  • Este é o coração do Evangelho. Deus manifesta o seu amor de uma forma que confirma a sua santidade, justiça e misericórdia sem compromisso. 
  • O amor verdadeiro “não se manifesta ao praticar o mal, mas sim ao praticar a verdade” (1 Cor. 13:6). Este é o tipo de amor, no qual fomos chamados para caminhar. É um amor que primeiro é puro e depois é harmonioso.

Por John MacArthur

O que dizer aos deprimidos, incrédulos, céticos, confusos, zangados | John Piper

Se você se preocupa com as pessoas e se arrisca a falar com os deprimidos, os incrédulos, os céticos, os confusos e os zangados, você logo se deparará com uma pessoa que diz ao seu conselho: Eu já tentei isso. O que quer que você diga, eles o minimizarão e dirão que não funciona. Não se surpreenda com esta resposta. Isto é o que significa estar deprimido, incrédulo, cético, confuso, zangado. Isso significa que o que quer que ouçam parece inútil.

Portanto, quero oferecer algumas sugestões para o que você deve dizer em uma conversa que está prestes a ser interrompida dessa maneira.

1. Não fique ofendido.

Primeiro, resista à tentação de ficar ofendido. Não fique bravo e desista. É isso que você poderá sentir. Eles queriam conversar, mas estão ignorando minhas sugestões com uma atitude depreciativa. Não vá embora. Não ainda. “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha” (1 Coríntios 13:4, NKJV).

2. Escute.

Em segundo lugar, escute suas respostas. Parte de seu poder não é apenas no que você diz, mas como eles sentem sobre a maneira como você escuta. Se sua verdade produz ouvidos empáticos, se sentirá mais convincente. Esta escuta será uma testemunha. Em 2 Timóteo 2:24-26, Paulo descreve o tipo de compromisso que pode libertar as pessoas do pecado e do erro. Uma característica é "pacientemente enfrentar o mal."

3. Encerre com esperança.

Em terceiro lugar, quando você tiver falado todos os conselhos experimentais que puder pensar, e ele parece ter ignorado todos, não deixe que ele tenha a última palavra de desespero. Você que deve deixar a última palavra de esperança. Eu sugiro que você faça algo assim. 

          Diga...

Eu sei que você não se sente melhor pelo que eu disse. Acho que eu entendo um pouco do que isso é. Não pretendo oferecer uma solução rápida, como se seus problemas ou dúvidas pudessem ser resolvidos facilmente. Mas tenho mais esperança do que você de que a verdade de Deus é poderosa e terá seu bom efeito no devido tempo. Posso dizer mais uma coisa antes de você ir?

Eu simplesmente quero ter certeza de que você escute as melhores notícias do mundo. Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (João 16:33). De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus (Romanos 10:17). Você não sente isto no momento. Mas Deus diz que a paz e a fé vêm do ouvir.

Em outras palavras, passar de não ver e sentir a realidade de Cristo para ver e sentir a realidade de Cristo acontece escutando notícias sobre Cristo. Alguma coisa acontece. Em certo momento, você não o vê como bonito, satisfatório e convincente. Então, no momento seguinte, você está.

Nos momentos que levam a esta experiência, ouvir a palavra de Deus parece vazio e fútil. Isso não me desencoraja. Se você duvida do que estou dizendo, você é a própria pessoa que precisa ouvir o que estou dizendo.

Portanto, deixe-me contar-lhes esta notícia espetacular. Isto vem de Colossenses 2:13-15.
Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou juntamente com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões, e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz, e, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz. Isto ele pôs de lado, pregando-o na cruz. Ele desarmou os governantes e as autoridades e os envergonhou, triunfando sobre eles.

Paulo está falando sobre o que Deus oferece a todos aqueles que acreditam na experiência de Jesus. Há aqui cinco coisas impressionantes:

  1. Deus o faz espiritualmente vivo.
  2. Deus perdoa todos os seus pecados.
  3. Ele faz isso ao cancelar as dívidas que estavam contra você. Você devia a Deus o que nunca poderia pagar por causa de todos os seus pecados. E ele cancelou a dívida.
  4. Como ele poderia fazer isso? Sendo pregado na cruz. Mas os pregos que entravam na cruz não passavam pelo pergaminho. Eles atravessaram as mãos e os pés de Jesus. Esse é o coração de tudo o que tenho a dizer a você. Cristo se tornou nosso substituto e suportou nossa dívida.
  5. Quando isso aconteceu, o diabo estava desarmado. Por quê? Porque a arma de acusação foi tirada de sua mão. Ele sempre acusou a nossa dívida em nossa cara e no tribunal de Deus. Mas agora isso foi cancelado. O diabo está desarmado. Ele pode tentar e tentar, mas não pode condenar você.
Termino com esta notícia. Orarei para que os obstáculos para a fé cheia de paz em sua mente sejam vencidas por estas verdades. Jesus disse: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará." Medite sobre estes versos. Que o Senhor lhe ilumine.


Por John Piper | Sobre Amar os Outros

Uma Parte da série Taste & See

Tradução por Wellington Da Silva Lima 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Amor e ódio de mãos dadas | Rev. Hernandes Dias Lopes

Amor e ódio são sentimentos antagônicos e irreconciliáveis. Estão sempre em oposição. Não podem caminhar juntos. Abraçar um é repudiar ode-maos-dadas outro. Porém, num certo aspecto, amor e ódio precisam dar as mãos. Escrevendo sua carta aos romanos, o apóstolo Paulo afirma: “O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem” (Rm 12.9). Aqui, amor e ódio não se excluem mutuamente; completam-se. Não são opositores, mas parceiros!

O amor deve ser o vetor que guia os nossos passos e inspira as nossas motivações. Sem amor, nossa voz é um barulho confuso e nossas obras são pura vaidade. Sem amor, nossas motivações são adoecidas pelo egoísmo e nossas ações são desprovidas de bondade. O amor, entretanto, precisa ser verdadeiro e não hipócrita. O que é um amor hipócrita? É aquele que se apresenta com belos discursos, mas se afasta covardemente na hora da necessidade. O amor sincero, por sua vez, é aquele cujas obras da misericórdia são os avalistas das palavras de bondade. É neste contexto que o apóstolo Paulo diz que o amor e o ódio precisam dar as mãos. Quem ama, detesta o mal e apega-se ao bem. Quem ama, não pode ser conivente com o mal nem parceiro dele. Quem ama precisa ter pulso firme para combater o mal em todo o tempo, em todo lugar e de todas as formas. O amor que se corrompe e se mancomuna com o mal é um simulacro do amor verdadeiro, uma paixão carnal que deve ser repudiada com veemência.

Mas, não basta ao amor detestar o mal. Esse é apenas um lado da moeda. É o lado negativo. Precisamos ir além. Precisamos dar mais um passo. Precisamos apegar-nos ao bem. Apegar-se ao bem, entrementes, não é defendê-lo e praticá-lo apenas ocasionalmente, mas, sobretudo, ter uma atitude firme, perseverante e consistente na defesa e na promoção do bem em todo o tempo, em todos os lugares, sob todas as circunstâncias. O pecado da omissão é mui grave aos olhos de Deus. Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz peca contra Deus, contra o próximo e contra si mesmo.

Repudiar o mal sem promover o bem, condenar o erro sem praticar a justiça, refrear as mãos do erro sem estendê-las à prática das boas obras não são expressões saudáveis da fé cristã. Na mesma medida e com a mesma intensidade com que rechaçamos o mal, devemos praticar o bem. Com a mesma veemência que repudiamos o pecado, devemos buscar a santidade. Só assim, seremos o sal da terra que coíbe a corrupção da sociedade e a luz do mundo que aponta o caminho aos errantes.

Na vida do cristão, amor e ódio habitam debaixo do mesmo teto, comem na mesma mesa e se hospedam no mesmo coração: o amor ao bem e o ódio ao mal!

Rev. Hernandes Dias Lopes

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Maridos Solitários, Esposas Solitárias | Augustus Nicodemus

casal_separadoO isolamento de outras pessoas nem sempre é ruim. O próprio Jesus tinha o hábito de isolar-se regularmente das multidões e ficar a sós com Deus, depois de um dia de trabalho em meio às multidões. Nessas ocasiões, ele orava e renovava suas forças.
Mas, existe uma solidão maléfica, característica da sociedade em que vivemos. As pessoas podem viver numa mesma casa com muitas outras e ainda assim viver isoladas delas. Já que fomos criados como seres sociais, viver em isolamento geralmente provoca tristeza, depressão, angústia e, em casos extremos, o suicídio.
O isolamento acontece mesmo entre pessoas tão íntimas como marido e mulher. Diversas forças ativas na sociedade moderna estão separando marido e mulher cada vez mais para longe um do outro, em vez de produzir intimidade e mutualidade:
1) Numa sociedade tão complexa como a em que vivemos, experiências diferentes e sistemas de valores diferentes separam os casais. Antigamente, as pessoas nasciam e cresciam juntas num mesmo lugar. Hoje, elas vêm de passados completamente diferentes.
2) A sociedade moderna tem passado a idéia de que o casamento é um relacionamento na base de 50/50 (fifty-fifty). Isso é, cada um dá um pouco de si. Mas isso não funciona, na verdade. O padrão cristão é 100/100. No casamento, temos de nos dar inteiramente.
3) O egoísmo é provavelmente a maior ameaça à unidade do casal. Ser egoísta é buscar realização pessoal deixando o cônjuge de fora. Uma ilusão bastante comum é que marido e mulher podem obter sucesso independentemente um do outro e ainda ter um casamento bom. Na prática, quase nunca isso dá certo.
4) Outro fator de isolacionismo são problemas não superados. Os pesquisadores mostram que cerca de 70% dos casais que passam por experiências traumáticas - como perder um filho num acidente, ou ter um filho gravemente deficiente - se separam ou se divorciam.
5) A mídia tem popularizado a idéia de que aventuras extramaritais é algo normal. O fato é que, não somente o adultério consumado, mas o adultério emocional - uma amizade muito íntima com alguém do sexo oposto - provoca o isolamento dos cônjuges.
6) A pressão contínua do estilo de vida acelerado em que vivemos contribui para que cada vez mais vivamos estilos de vida separados uns dos outros.
7) Outro fator é a dependência cada vez maior das mídias sociais. Marido e mulher podem estar sentados na mesma mesa, sentados no mesmo sofá ou deitados na mesma cama, mas cada um está checando seus e-mails, Facebook, Twitter, Google+ ou outros aplicativos sociais. Estão juntos apenas fisicamente. Membros de uma família podem estar juntos na mesma sala e estar perfeitamente isolados uns dos outros. À medida em que nos enfiamos em nossos casulos virtuais, mais e mais nos desconectamos uns dos outros.
8) Por último, não tem como deixar de mencionar o consumo de pornografia que acaba por isolar sexual, espiritual e psicologicamente os cônjuges.
O isolamento é uma ameaça séria mesmo para casais cristãos. Estes cristãos precisam perceber que se não tomarem as providências necessárias e se não tratarem dessa ameaça juntos, acabarão por viver isolados uns dos outros, mesmo debaixo do mesmo teto. Muitos casais casados têm sexo mas não amor. O erro típico que muitos casais cometem é não antecipar que problemas desse tipo podem ocorrer com eles. E quando os problemas surgem, são apanhados desprevenidos.
Vivemos num mundo cheio de problemas. A tentação de muitos, debaixo de pressão, é isolar-se, hibernar como um urso em sua caverna no inverno. Embora essa pareça uma alternativa atraente, é somente com o apoio de amigos que poderemos suportar as misérias desta vida.
O que podemos fazer, como cristãos, para vencer o isolamento? Aqui vão algumas dicas:
1) Busque maior intimidade com Deus, pela leitura da Bíblia e pela oração diária. Quando nos aproximamos de Deus, podemos melhor nos aproximar dos outros.
2) Planeje gastar tempo com seu cônjuge fazendo coisas que ambos apreciam.
3) As vezes o isolamento foi causado por uma atitude errada sua, com a qual o seu cônjuge ofendeu-se ou magoou-se. É preciso pedir perdão e buscar a reconciliação. No caso de pornografia, talvez a confissão seja necessária.
4) Às vezes quando a situação já se tornou muito complicada e difícil, é preciso vencer o orgulho e procurar ajuda.
Não permita que o isolamento acabe a alegria do seu casamento.

Por: Augustus Nicodemus

Fonte: O Tempora! O Morris!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Não por força nem por violência | Alderi Souza de Matos

cruzadasNão por força nem por violência

Atitudes dos cristãos em relação à guerra no decorrer da história

O cristianismo teve como berço o judaísmo e a Bíblia de Jesus e dos primeiros cristãos foi o Antigo Testamento. Quanto aos temas da guerra e do uso da força, as Escrituras Hebraicas revelam duas ênfases distintas. Por um lado, o Antigo Testamento contém afirmações em apoio aos conflitos armados e está repleto de narrativas de atividades bélicas. A história de Israel parece uma infindável sucessão de guerras de maior ou menor intensidade. Ao mesmo tempo, o conceito de shalom ou paz, não somente como ausência de conflitos, mas como um estado de prosperidade em todos os aspectos, permeia as páginas de muitos livros, especialmente os dos profetas. Um exemplo muito conhecido dessa preocupação está em Isaías 2.4.

Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.

Do pacifismo à guerra justa

Em seus ensinos, Jesus deu ênfase a essa corrente pacifista do Antigo Testamento. Sua ética, expressa de maneira sublime no Sermão da Montanha (Mt 5-7), está centrada no amor, na tolerância e na não-retaliação. Em contraste com as práticas da sociedade greco-romana, Ele deixou claro que, em seus relacionamentos internos e externos, os seus seguidores deveriam caracterizar-se pela rejeição da agressividade e do espírito de vingança. Os próprios inimigos deveriam ser tratados com amor e perdão. Jesus ensinou que a causa de Deus não deveria ser promovida pelo uso da força física (Jo 18.36). Essas ênfases foram preservadas e desenvolvidas pelos apóstolos, e marcaram profundamente as primeiras gerações de cristãos.

Nos três primeiros séculos, o pacifismo foi a atitude predominante nas fileiras da igreja. É um fato notável que não há evidência da presença de cristãos no exército romano até por volta do ano 170. A partir do final do segundo século, a carreira militar passou a ser admissível para os cristãos, contanto que não envolvesse o derramamento de sangue. Deve-se observar que, durante o período da chamada Pax Romana, era possível a um homem servir por muitos anos nas legiões de Roma sem envolver-se diretamente em atividades bélicas. Todavia, em virtude do culto imperial, a maior parte dos cristãos se recusava a ingressar no exército ou ocupar cargos públicos, sendo por isso acusada de deslealdade. Eles entendiam que a única luta em que deveriam se empenhar era de natureza espiritual.

Com a adesão do imperador Constantino à fé cristã (ano 313), acelerou-se o processo de cristianização da sociedade romana nos séculos quarto e quinto. Quando os cristãos se tornaram a maioria da população, houve uma crescente pressão para que ingressassem no exército e ficou cada vez mais difícil manter a antiga posição pacifista. Na época das invasões dos bárbaros, Agostinho (354-430) deu expressão à nova mentalidade, formulando a teoria da guerra justa. A guerra seria legítima quando voltada para manter a justiça e restabelecer a paz; deveria ser empreendida pelo governante e caracterizar-se por uma atitude de amor pelo inimigo; promessas feitas aos opositores precisavam ser cumpridas; os não-combatentes deveriam ser respeitados e não deveria haver massacres, pilhagens e destruição. Desde Agostinho, alguma forma de teoria da guerra justa tem sido a posição predominante da maior parte das tradições cristãs.

A cruz e a espada

Foi somente no século 11 que se extinguiu a atitude pacífica da igreja antiga, sendo substituída pela glorificação do homem de combate, o cavaleiro medieval. Essa mudança tem sido atribuída ao influxo de povos germânicos, com seu espírito marcial. As grandes expressões dessa nova atitude foram as campanhas militares contra os muçulmanos, realizadas quase que simultaneamente em duas frentes. Na Europa central surgiram as “cruzadas”, que por quase dois séculos (1095-1291) combateram os exércitos islâmicos pela posse de Jerusalém e da Palestina. Na Península Ibérica os exércitos cristãos se empenharam por quase cinco séculos na reconquista daquelas terras das mãos dos sarracenos. Surgiu assim um cristianismo agressivo e militante que em alguns casos chegou a superar o islamismo em termos de violência e intolerância.

O cristianismo medieval testemunhou uma crescente legitimação da violência em nome de Deus. A liturgia passou a incluir a consagração das armas e estandartes de guerra. Surgiram novas ordens religiosas, como os templários, os hospitalários e os cavaleiros teutônicos, fundadas com o propósito de lutar contra os adversários da fé. Os povos ocidentais passaram a encarar os grupos que professavam outras religiões como inimigos do reino de Deus que deveriam ser destruídos ou convertidos. Era considerado errado demonstrar clemência a esses povos. Um texto favorito dos cruzados resumia essa atitude: “Maldito aquele que retém a sua espada do sangue” (Jr 48.10b).

Na Idade Média também foram aceitas com crescente naturalidade a violência e acruzadas2 guerra entre grupos cristãos. Dois exemplos são a quarta cruzada, na qual foi saqueada a magnífica cidade de Constantinopla (1204), selando-se definitivamente a separação entre as igrejas católica romana e ortodoxa grega, e a luta contra uma seita sincretista do sul da França, os albigenses, que foram destruídos por uma cruzada entre 1209 e 1229. Teólogos da época, tais como Graciano e Tomás de Aquino, criam que a guerra era uma condição necessária da sociedade e pouco se preocuparam em tratar do problema da violência.

Atitudes dos reformadores

A época do Renascimento e da Reforma Protestante (séculos 15 e 16) viu o surgimento de novas armas de guerra com grande poder de destruição, os canhões, e a ascensão de monarquias dinásticas mais poderosas e ávidas de conquistas territoriais. Humanistas cristãos, como Thomas More e Erasmo de Roterdã, condenaram as novas formas de violência. Eles observaram que Cristo não promoveu o seu reino pela força, mas pelo amor, e acusaram a igreja de se tornar uma serva obediente de príncipes ambiciosos e sanguinários.

Os reformadores aceitaram, em essência, a mentalidade dominante do seu tempo no que diz respeito ao uso da força. Lutero apoiou a violenta supressão da Revolta dos Camponeses (1524-1525) e Zuínglio morreu no campo de batalha, quando acompanhava as tropas de Zurique em luta contra os cantões católicos. As divergências religiosas da época foram uma das principais causas de muitos conflitos que assolaram o continente europeu. Na França, as guerras religiosas entre os calvinistas, conhecidos como huguenotes, e a facção católica liderada pela família Guise se estenderam por boa parte da segunda metade do século 16 (1562-1598). O pior episódio dessa confrontação foi o massacre do dia de São Bartolomeu (24-08-1572), em que milhares de huguenotes foram mortos em Paris e depois no interior da França. Todavia, nada superou em selvageria e ferocidade a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), travada em torno de uma complexa mistura de questões religiosas, políticas e econômicas, que devastou grande parte da Europa central e dizimou a sua população. O fim desse conflito, selado pelo tratado conhecido como Paz de Westfália, marcou o encerramento do período da Reforma.

A maior parte dos reformadores subscreveu o conceito de guerra justa ou de cruzada. Somente os anabatistas, também denominados reformadores radicais, foram intransigentes defensores do pacifismo, recusando-se a portar armas, prestar serviço militar ou participar de guerras. Por essa e outras razões, foram horrivelmente perseguidos. Houve apenas um caso de envolvimento de anabatistas com a violência, quando um grupo de fanáticos tomou a cidade de Münster, na Alemanha, e foi eventualmente derrotado (1535). Esse episódio reforçou o compromisso dos anabatistas com o ideal pacifista, especialmente no principal grupo que resultou do movimento, os menonitas. Outros grupos protestantes que vieram a abraçar essa atitude foram os quacres, os morávios e os irmãos.

Os séculos 19 e 20

Nos Estados Unidos, com sua história de contínuo envolvimento em guerras, as três concepções (pacifismo, guerra justa e cruzada) têm sido invocadas por diferentes grupos para defender suas posições. Um caso curioso foi a Guerra Civil (1861-1865), o mais sangrento de todos os conflitos daquela nação, em que os exércitos do Norte e do Sul partilhavam da mesma fé protestante e da mesma mescla de convicções religiosas e nacionalistas. Era comum, nos acampamentos das frentes de batalha, ouvir os combatentes de ambos os lados cantarem os mesmos hinos. A linguagem militar de diversos hinos cantados pelas igrejas evangélicas brasileiras foi inspirada pelas experiências dessa guerra. Todavia, no final do século 19, muitos cristãos do hemisfério norte se dedicaram à causa da paz, da cooperação internacional e dos esforços humanitários. Surgiram diversas sociedades pacifistas nacionais e internacionais e foram realizadas conferências preocupadas em limitar a crueldade da guerra.

Por causa de sua horrível violência e destruição, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), travada entre nações de tradição cristã, chocou profundamente as consciências. As igrejas apoiaram a guerra e o discurso de muitos líderes civis e religiosos falava em termos de uma cruzada para salvar a civilização e “tornar o mundo seguro para a democracia”. Certas pessoas chegaram a defender a destruição total da Alemanha. Já a atitude dos cristãos em relação à Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ficou mais próxima da teoria da guerra justa.

O surgimento de ideologias totalitárias e racistas como o nazismo e o fascismo levou importantes líderes cristãos a abandonarem o seu anterior pacifismo. Dois exemplos notáveis foram o teólogo norte-americano Reinhold Niebuhr (1892-1971) e, em especial, o pastor e teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), que chegou a participar de uma conspiração frustrada para assassinar o ditador Adolf Hitler e foi executado em um campo de concentração.

As questões da guerra e da paz sempre vão representar um dilema para a consciência cristã. Isso se deve ao fato de que estão em jogo dois conjuntos de valores igualmente importantes à luz das Escrituras. De um lado, estão os imperativos evangélicos do amor, da tolerância e da solidariedade. De outro, o cristão também deve preocupar-se com as questões da justiça, da segurança e da liberdade, e com as ameaças a estes valores na forma de exploração, agressão ou dominação. O surgimento de terríveis meios de destruição em massa como a bomba atômica, a bomba de nêutrons e as armas químicas e bacteriológicas renovou o compromisso de muitos cristãos com a promoção e a manutenção da paz. Por outro lado, as violações dos direitos mais elementares de pessoas e grupos por parte de regimes e governantes extremistas fazem com que muitos cristãos se sintam atraídos para soluções mais drásticas.

É importante compreender que a questão da guerra e do uso da força se insere no contexto mais amplo da violência e agressividade do coração humano, violência essa que pode manifestar-se não só nas pessoas, mas em todos os tipos de instituições, inclusive igrejas. É imperativo que as organizações religiosas pratiquem os valores bíblicos nas suas relações internas, promovendo ativamente a justiça, a integridade e o respeito aos direitos individuais, a fim de que tenham autoridade para falar à sociedade mais ampla e ser instrumentos de reconciliação nos tempos conturbados em que vivemos.

Fonte: Revista Ultimato

Por: Alderi Souza de Matos.

O Pr. Alderi é ministro presbiteriano, doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

quarta-feira, 24 de abril de 2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A Cruz de Cristo | J.C. Ryle

imagescruzO que você pensa acerca da cruz de Cristo?

Talvez você considere esta questão como algo de somenos importância; não obstante, dela depende intensamente o bem-estar eterno de sua alma.

Há mil e oitocentos anos atrás, houve um homem que disse gloriar-se na cruz de Cristo. Foi alguém que revirou o mundo de cabeça para baixo pelas doutrinas que pregava. De todos os homens que já viveram neste mundo, foi ele quem mais contribuiu para o estabelecimento do Cristianismo. E mesmo assim, foi este homem quem disse aos Gálatas:

“Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”, Epístola de Paulo Aos Gálatas 6.14

Leitor, a “cruz de Cristo” deve ser um assunto verdadeiramente importante para que um apóstolo inspirado fale de tal forma sobre ela. Deixe-me tentar demonstrá-lo o verdadeiro significado desta expressão. Uma vez reconhecendo o que significa a cruz de Cristo, com a ajuda de Deus você se tornará capaz de perceber a importância dela para a sua alma.

A palavra cruz, na Bíblia, algumas vezes faz referência à cruz de madeira na qual o Senhor Jesus foi cravado e posto para morrer, no Calvário. Isto é precisamente o que São Paulo tinha em sua mente quando falou aos Filipenses que Cristo “foi obediente até a morte, e morte de cruz” (Fp 2.8).

Contudo, esta não era a cruz na qual São Paulo se gloriava. Ele esquivar-se-ia com horror da idéia de gloriar-se em um mero pedaço de madeira. Eu não tenho quaisquer dúvidas de que ele denunciaria a adoração católica romana do crucifixo como profana, blasfema e idolátrica.

A cruz, em outras vezes, é atinente às aflições e provações que os crentes atravessam pela causa da religião que professam, quando seguem a Cristo fielmente. Este é o sentido no qual nosso Senhor usa a palavra, quando diz: “Aquele que não toma a sua cruz, e segue-me, não é digno de mim” (Mt 10.38). Este também é o sentido no qual Paulo usa a palavra quando escreve aos Gálatas. Ele conhecia bem esta cruz. Deveras, ele a carregava pacientemente; no entanto, também não é sobre isto que ele está falando aqui.

Mas a palavra cruz também se refere, em alguns outros lugares da Escritura, à doutrina de que Cristo morreu pelos pecadores sobre a cruz, - a expiação que Ele fez pelos pecadores, por Seus sofrimentos em favor deles sobre a cruz – o completo e perfeito sacrifício pelo pecado que Jesus ofereceu quando deu Seu próprio corpo para ser crucificado. Em suma, este termo, “a cruz”, aponta para Cristo crucificado, o único Salvador. Este é o significado no qual Paulo usa a expressão, quando fala aos coríntios: “A pregação da cruz é loucura para os que perecem” (1 Co 1.18). E este também é o significado do que ele escreveu aos Gálatas: “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”. Ele está dizendo simplesmente isto:

“Eu não me glorio em nada mais, exceto em Cristo crucificado, como a salvação de minha alma”.

Leitor, Jesus Cristo crucificado era a alegria e o deleite, o conforto e a paz, a esperança e a confiança, a fundação e o lugar de descanso, a arca e o refúgio, o alimento e o remédio da alma de Paulo. Ele não considerava que teria de executar algo por si mesmo ou padecer por si mesmo. Ele não era mediado por sua própria bondade e nem por sua própria retidão. Ele amava pensar naquilo que Cristo havia feito, e naquilo que Cristo havia sofrido - a morte de Cristo, a justiça de Cristo, a expiação deCristo, o sangue de Cristo, a obra finalizada de Cristo. Nisto, sim, ele se gloriava. Este era o sol de sua alma.

Este era o assunto que sobre o qual ele amava pregar. O apóstolo Paulo foi um homem que percorreu a terra proclamando aos pecadores que o Filho de Deus havia derramado o sangue de Seu próprio coração para salvar-lhes. Ele caminhou por todos os lugares neste mundo falando às pessoas que Jesus Cristo as amava, a ponto de morrer pelos seus pecados sobre a cruz. Observe como ele diz aos coríntios: “Eu vos entreguei o que primeiro recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados” (1 Co 15.3); “eu me determinei a não saber de qualquer coisa entre vós, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Co 2.2). Ele – um blasfemo, fariseu perseguidor – havia sido lavado no sangue de Cristo; de tal modo a não poder deixar de sustentar sua paz sobre este sangue. Por isso ele nunca se cansava de falar da história da cruz.

Este foi o tema sobre o qual ele amava alongar-se quando escrevia aos crentes. É maravilhoso observar como suas epístolas geralmente são repletas dos sofrimentos e da morte de Cristo - como elas discorrem sobre "pensamentos que inspiram e palavras que ardem" sobre o amor e o poder das agonias de Cristo. Seu coração parece cheio deste assunto: ele discorre sobre isto constantemente e retoma o tema continuamente. É o fio de ouro que perpassa todo seu ensino doutrinário, e todas as exortações práticas. Ele parece pensar que mesmo para o cristão mais maduro nunca é demais ouvir sobre a cruz.

Foi sobre isto que ele viveu toda sua vida, desde o tempo de sua conversão. Ele diz aos gálatas: “A vida que agora eu vivo na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, o qual me amou, e a si mesmo se deu por mim” (Gl 2.20).

  • O que o faz tão forte para o labor?
  • O que o faz tão disposto para a obra?
  • O que o faz tão incansável em esforçar-se para salvar alguns?
  • O que o faz tão perseverante e paciente?

Eu vou dizê-lo, qual o segredo disto tudo. Ele sempre se alimentava pela fé do corpo de Cristo e do sangue de Cristo. Jesus Cristo foi a comida e a bebida de sua alma.

E leitor, você pode estar convicto de que Paulo estava correto. Confiar nela, isto é, na cruz de Cristo, - a morte de Cristo sobre a cruz para fazer a expiação pelos pecadores – é a verdade central ao longo de toda a Bíblia. Esta é a verdade que encontramos logo ao abrirmos no livro do Gênesis. A semente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente - isto não é outra coisa senão uma profecia de Cristo crucificado. Deveras, esta é a verdade que brilha, por trás do véu, em toda a lei de Moisés e na história dos judeus. Os sacrifícios diários, o cordeiro pascal, o contínuo derramamento de sangue no tabernáculo e no templo - tudo isto são sombras do Cristo crucificado. E esta é a verdade que também vemos ser honrada na visão do céu, antes do fechamento do livro das Revelações: “Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto”(Ap 5.6). De fato, mesmo em meio à glória celestial nós encontramos uma visão de Cristo crucificado.

Tire a cruz de Cristo, e a Bíblia será um livro obscuro. Ela seria como os hieróglifos egípcios, sem a chave que interpreta o seu significado – curiosa e maravilhosa, mas sem qualquer serventia real.

Leitor, observe bem o que eu lhe digo. Você pode conhecer uma boa porção da Bíblia. Pode conhecer os contornos das histórias nela contidas, e até a data dos eventos que a Bíblia descreve, assim como alguém pode conhecer a história da Inglaterra. Você pode conhecer os nomes dos homens e mulheres nela mencionados, assim como um homem conhece César, Alexandre o Grande, ou Napoleão. Você pode conhecer vários preceitos da Bíblia, e os admirar, assim como um homem admira Platão, Aristóteles, ou Sêneca. Mas se você ainda não descobriu que Cristo crucificado é o fundamento de cada livro, você tem lido a Bíblia até agora de modo muito pouco proveitoso. Sua religião é um céu sem um sol, um arco sem um fecho, um compasso sem uma agulha, um relógio sem molas ou valores, um candeeiro sem óleo. Ela não o confortará. Ela não livrará a sua alma do inferno.

Leitor, observe mais uma vez o que eu lhe digo. Você pode conhecer bastante acerca de Cristo, tendo alguma espécie de conhecimento intelectual. Você pode conhecer bem quem Ele foi, e onde Ele nasceu, e o que Ele fez. Você pode conhecer Seus milagres, Suas falas, Suas profecias, e Suas ordenanças. Você pode saber como Ele viveu, como Ele sofreu, e como Ele morreu. Contudo, pode-se conhecer o poder da cruz de Cristo experimentando-o; deveras - a menos que você saiba e reconheça que aquele sangue derramado sobre a cruz lavou seus próprios pecados particulares, e a menos que você esteja disposto a confessar que sua salvação depende inteiramente da obra que Cristo realizou sobre a cruz -, se não for esse o seu caso, Cristo não lhe será em nada proveitoso. Sim, o mero conhecimento do nome de Cristo jamais o salvará. Você deve conhecer a Sua cruz e o Seu sangue, ou então acabará morrendo em seus próprios pecados.

Leitor, enquanto você viver, tome cuidado com uma religião na qual não se ouve muito da cruz. Você vive em tempos nos quais a cautela, lamentavelmente, é necessária. Cuidado, eu repito, com uma religião sem a cruz.

Há centenas de lugares de adoração nestes dias, nos quais se encontram quase todas as coisas, exceto a cruz. Há carvalhos gravados, e pedras esculpidas; há vidros coloridos, e pinturas esplêndidas; há serviços solenes, e uma constante série de ordenanças; mas a cruz real de Cristo não há. Jesus crucificado não é proclamado no púlpito. O Cordeiro de Deus não é exaltado, e a salvação mediante a fé n’Ele não é livremente proclamada. E, por conseguinte, todos estes lugares estão em erro. Leitor, acautele-se de tais lugares de adoração. Eles não são apostólicos. Eles não haveriam de satisfazer a São Paulo.

Há milhares de livros religiosos publicados hodiernamente, nos quais se acham quase todas as coisas, exceto a cruz. Eles são plenos de direcionamentos sobre os sacramentos, e louvores da Igreja; eles abundam em exortações para uma vida santa, e em regras para a consecução da perfeição; eles apresentam fartura de fontes e cruzes, tanto interna quanto externamente; mas a cruz real de Cristo é deixada de fora. O Salvador e Seu amor agonizante tampouco são mencionados, ou o são de um modo anti-escriturístico. E, por conseguinte, todos estes livros são piores do que imprestáveis. Eles são não apostólicos. Eles jamais satisfariam a São Paulo.

Leitor, São Paulo não se gloriava em nada mais, a não ser na cruz. Esforce-se para também ser assim. Coloque Jesus crucificado sempre diante dos olhos de sua alma. Não ouça qualquer ensino que interponha algo entre você e Ele. Não caia no antigo erro dos gálatas. Não pense que alguém nestes dias seja melhor guia do que os apóstolos. Não se envergonhe das antigas veredas, nas quais percorreram homens que foram inspirados pelo Espírito Santo. Não deixe que a conversa vazia de homens que proferem grandes palavras dilatadas sobre a catolicidade, e a igreja, e o ministério, perturbem a sua paz, e o façam despreender-se da cruz. As igrejas, os ministros e os sacramentos são todos importantes a seu próprio modo, mas eles não são Cristo crucificado. Não dê a glória de Cristo a nenhum outro. “Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor”.

Leitor, pus tais pensamentos diante de sua mente. O que você pensa agora sobre a cruz de Cristo? Eu não posso dizer; mas não posso desejar a você algo melhor do que isto – que você possa ser capaz de dizer com o apóstolo Paulo, antes de você morrer ou apresentar-se ao Senhor, “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”. Amém.

 

Por: J.C. Ryle

Fonte: Monergismo.com

sábado, 30 de março de 2013

Quando Deus Responde Orações? | John Piper

john-piper (3)1 João 3:22–23

Aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável. Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou.

Deus responde a oração de pessoas que guardam seus mandamentos. Seus mandamentos se resumem nestes dois: 1) que creiamos no nome de Jesus, e 2) que nos amemos uns aos outros.

Portanto, Deus responde orações de pessoas que:

  • creem em Seu Filho
  • e que se amam.

Isso poderia significar duas coisas.

1. Isso poderia significar que crer em Jesus e amar as pessoas é uma forma de tornar-se merecedor de resposta às orações. Isso não é verdade.

Em primeiro lugar, porque você não se torna merecedor de nada por crer. Merecer algo é uma forma de mostrar o meu valor e colocar Deus em débito comigo. Isso não pode ser feito. Ele já é dono de tudo, e qualquer valor que eu tenha em mim é uma dádiva dEle. Você não pode ganhar algo de Deus dessa forma. Se você deseja Suas dádivas, você deve acreditar que elas são melhores do que qualquer outra e então confiar que Ele as dará gratuitamente àqueles que buscam serví-lO e não ao mundo.

Em segundo lugar, amar as pessoas não te faz merecedor das bençãos de Deus também, porque o amor já é obra de Deus em nós e não uma obra autossuficiente nossa por Ele. João ensina claramente que o amor é evidência do dom da vida e não a retribuição ou pagamento pela vida.

O que João quer dizer quando ele fala que Deus responde orações de pessoas que creem em Seu Filho e que se amam?

2. Ele que dizer que a oração tem um desígnio, e se você não usá-la da forma correta, ela não funciona da forma correta. Qual é o desígnio da oração? A oração é projetada por Deus para ser o efeito da fé e a causa do amor.

Portanto, se nós tentarmos orar quando não cremos de verdade no nome do Seu Filho, a oração não funciona da forma que deveria. E se nós tentarmos orar quando nosso alvo não é amar, a oração também não funciona do jeito certo.

É por isso que "aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos". Não porque guardar Seus mandamentos nos faz merecer respostas de oração, mas porque a oração é projetada para dar poder no caminho da obediência.

A oração é a forma através da qual Deus se coloca à nossa disponibilidade quando estamos transbordando em amor pelos outros. Oração é o poder de amar. Portanto, se nosso objetivo não é amar, oramos em vão. A oração não é projetada para aumentar prazeres acumulados.

A oração é uma maneira de chamar Deus a estar do nosso lado ao fazer o que Jesus veio para fazer. "Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos." (1 João 3:16). É por isso que crer em Jesus e amarmos uns aos outros estão ligados como a forma de termos nossas orações respondidas. Crer em Jesus significa que nós admiramos a forma como Ele viveu e queremos ser como Ele. Você não pode crer em alguém e achar que a forma como essa pessoa viveu foi tola. Então crer em Jesus necessariamente nos levará a amar os outros da forma como Ele amou. Crermos no nome de Jesus e amarmos uns aos outros são praticamente uma coisa só.

E já que Deus estava totalmente com Jesus com todo Seu poder e deu a ele toda a ajuda que ele precisou, Ele também estará conosco quando nós crermos em Jesus e amarmos como Jesus amou. Então a razão pela qual Deus responde orações daqueles que creem no nome de Jesus e amam os outros é que Deus ama exaltar Jesus.

Pela glória de Jesus e o poder de sua oração,

Pastor John Piper

© Desiring God | Satisfação em Deus

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quinta-feira, 21 de março de 2013

Deus não desiste de amar você | Hernandes Dias Lopes

Deus não abre mão da sua vida. Deus não desiste do direito que tem de ter você. Ele não abdica do seu amor por você. Ele sempre vai ao seu encontro, no seu encalço.

Pedro, melhor do que ninguém nos revela esta verdade. Quem era Pedro?

  • 1) Filho de Jonas (Mc 16.17);
  • 2) Casado (1 Co 9.5);
  • 3) Natural de Betsaida;
  • 4) Residia em Cafarnaum, às margens do Mar da Galiléia;
  • 5) Pescador;
  • 6) Irmão de André;
  • 7) Um dos discípulos que mais tinha intimidade com Jesus;
  • 8) Assumiu a liderança do grupo apostólico antes e depois do Pentescotes;
  • 9) Recebeu poder para realizar grandes milagres (At 5.15);
  • 10) Primeiro apóstolo a pregar aos gentios.

Pedro era um homem de profundas contradições e de grandes ambigüidades na vida:

  • 1) Lucas 5 – Incredulidade e quebrantamento; consciência de pecado e indignidade. Ali Jesus o chama. Deixa tudo: empresa, negócios e segue a Jesus.
  • 2) Mateus 16 – Proclama a messianidade de Cristo e se deixa usar por Satanás em seguida.
  • 3) Mateus 17 – Por falar sem pensar, não deu a Jesus a primazia que ele merece. Ele vê a glória do Rei, mas não exalta o Rei da glória.
  • 4) Mateus 26 – Coragem e covardia.
  • 5) Mateus 26 – Negação e lágrimas de arrependimento.
  • 6) João 21 – Fuga e declaração de amor.

I. AS CAUSAS DA QUEDA DE PEDRO

1. Exagerada confiança em si mesmo

a) Mateus 26.35 – “Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei”.

b) Marcos 14.31 – “Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei”.

c) Lucas 22.23 – “Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão, como para a morte”.

Pedro se achava forte. Ele achava que era uma rocha, mas era pó. Ele negou seu nome, seu apostolado, suas convicções, porque confiou exageradamente em si mesmo em vez de ser humilde.

2. Considerou-se melhor do que os outros

a) Marcos 14.29 – “Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu jamais!”

b) Mateus 26.33 – “…ainda que venhas a ser tropeço para todos, nunca o serás para mim”.

Pedro estava dizendo:

Olha Jesus, os teus discípulos não são tão confiáveis, mas eu sou um homem batuta. A corda não rói do meu lado. Eu não vou te decepcionar. Eu aguento a parada. Eu não sou homem de fraquejar. Pode contar comigo para o que der e vier, quando os outros se acovardarem. A Bíblia diz que a soberba precede a ruína.

3. Foi incapaz de orar e vigiar na hora crucial da vida

a) Mateus 26.40,41 – “E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”.

  • Quando deixamos de vigiar e orar, caímos em ciladas, em tentação e fraquejamos.
  • Quando a igreja deixa de orar, ela se torna fraca e vulnerável.

Alguém já disse que quando o homem trabalha, o homem trabalha, mas quando o homem ora, Deus trabalha.

Aquela era a maior batalha do universo, o destino da humanidade estava sendo decidida, e Pedro estava dormindo (Mt 26.40,43,45). Foi a única vez que Jesus pediu solidariedade e os discípulos fracassaram.

4. Perdeu o controle emocional

a) João 18.10 – “Então Simão Pedro puxou da espada que trazia e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita; e o nome do servo era Malco”.

Pedro perdeu o controle emocional, o equilíbrio e não discerniu a natureza da batalha que estava travando. Não teve domínio próprio. Jesus mostra para Pedro que seu caminho era a cruz (Jo 18.11). Nada de humanismo! Muitas vezes, damos lugar à ira. Agredimos as pessoas com palavras, com gestos, atitudes e fracassamos no testemunho.

5. Seguiu a Jesus de longe

a) Mateus 26.58 – “Mas Pedro o seguia de longe…”.

Pedro vai fraquejando, vai perdendo seus absolutos. Pedro vai se tornando vulnerável, vai se acovardando. O mesmo Pedro autoconfiante, já não cumpre suas palavras. Ele foge na hora que Jesus é preso. Ele não desiste de Jesus, mas o segue de longe. Ele se acovarda e se enche de medo.

Muitos ainda hoje seguem a Jesus de longe. Não querem perder Jesus de vista, vêm à igreja, leem a Bíblia, mas não assumem compromisso com Jesus. Não querem os riscos do discipulado. Outros não chegam a perder suas convicções, mas abandonam a igreja, ficam perto do Egito; ficam na janela.

6. Assentou na roda dos escarnecedores

a) Lucas 22.54,55 – “Então, prendendo-o, o levaram e o introduziram na casa do sumo sacerdote. Pedro seguia de longe. E quando acenderam fogo no meio do pátio, e juntos se assentaram, Pedro tomou lugar entre eles”.

Pedro dá mais um passo na direção da sua queda. Ele vai se assentar na roda dos inimigos de Jesus. Ele vai se associar com aqueles que zombam de Jesus (Sl 1.1).

Muitos estão caindo ainda hoje porque se unem com companhias erradas. Muitos estão deixando a igreja e indo para o mundo porque se associaram com pessoas que não querem saber nada de Jesus.

7. Negou a Jesus três vezes

a) Mateus 26.70,72,74 – “Pedro negou. Negou outra vez com juramento. Negou a terceira vez praguejando e jurando: Não conheço esse homem”.

Ninguém nega Jesus de uma hora para outra. Tem um histórico, um abismo chama outro abismo. Pedro não se lembrou das palavras de Jesus, fez pouco caso delas (Mt 26.75).

Pedro caiu, fraquejou e negou:

  • 1) Seu nome;
  • 2) Sua fé;
  • 3) Seu apostolado;
  • 4) Suas convicções;
  • 5) Suas promessas a Jesus.

II. AS CAUSAS DA RESTAURAÇÃO DE PEDRO

1. O olhar compassivo de Jesus

a) Lucas 22.60-62 – “Mas Pedro insistia: Homem, não compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo. Então, voltando-se o

Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente”.

O olhar de Jesus é de ternura e amor. É um olhar que penetra na alma para trazer Pedro ao arrependimento. Jesus não esmaga a cana quebrada nem apaga a torcida que fumega.

  • Olhar de Jesus nos restaura.
  • Uma luz brilhou em meu caminho
  • Quando eu ia triste e sozinho
  • Foi seu divino olhar, que me ensinou a amar
  • Foi um minuto só do seu olhar.
  • Foi um minuto só, um minuto só
  • Foi um minuto só, do seu olhar
  • Tudo em mim mudou, tudo em mim cantou
  • Foi um minuto só do seu olhar.
  • Jesus mudou a minha vida
  • Nunca mais eu serei o mesmo
  • Quando eu olhei pra cruz, nela eu vi Jesus
  • Foi um minuto só do seu olhar.

Jesus está olhando para você hoje. Ele está vendo suas palavras, sua vida, seu testemunho, os lugares onde você está indo, o que você está fazendo. Mas hoje mesmo Jesus pode ser restaurado pelo divino olhar do Senhor Jesus:

  • Vivi tão longe do Senhor, assim eu quis andar
  • Até que eu encontrei a luz no seu divino olhar
  • Seu maravilhoso olhar, seu maravilhoso olhar
  • Transformou o meu ser, todo o meu viver
  • Seu maravilhoso olhar!

2. As lágrimas de arrependimento

a) Marcos 14.72 – “Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera…e caindo em si, desatou a chorar”.

b) Mateus 26.75 – “…e saindo dali, chorou amargamente”.

Pedro considerou que havia negado ao seu Senhor. Naquela noite fatídica, Pedro saiu da casa do sumo sacerdote chutando as pedras por entre os olivais. Ele foi para casa com sua consciência em brasa, arrebentado, quebrado e sem parar de soluçar. Passou a noite sem dormir. Alagou seu leito. Virava de um lado para o outro sem poder conciliar o sono.

  • Pedro refletiu sobre a excelência do seu Senhor, a quem negara.
  • Pedro se lembrou do tratamento especial que havia recebido como um dos primeiros com Tiago e João.
  • Pedro recordou que havia sido solenemente advertido pelo Senhor.
  • Pedro se recordou dos seus próprios votos de fidelidade (Mc 14.29).

Pensemos em nós:

  • 1) O nosso pequeno progresso na vida espiritual;
  • 2) A nossa negligência com as almas dos outros;
  • 3) A nossa pouca comunhão com o Senhor;
  • 4) A pequena glória que estamos trazendo ao grande nome do Senhor.

Tudo isso deveria nos levar às lágrimas de arrependimento.

  • Pedro chorou amargamente (água podre).
  • Pedro diferente de Judas, não engoliu o veneno.

3. A procura de Jesus

a) Marcos 16.7 – “Ide, dizei aos meus discípulos e a Pedro”.

Jesus não desiste de Pedro. Pedro desistiu de ser apóstolo. Mas Jesus não desistiu de Pedro.

Pedro disse para os seus colegas:

“Eu vou pescar” (Jo 20.3). Eu vou voltar para minha velha vida. Ele exerceu uma liderança negativa. Mas, Jesus não abriu de Pedro. Ele também não desiste de amar você.

4. A pergunta de Jesus

a) João 21.15-17

Em primeiro lugar, Jesus curou Pedro do seu orgulho. Ele perguntou três vezes, pois três vezes Pedro o negou. Da última vez mudou a pergunta.

Em segundo lugar, Jesus curou a memória de Pedro. Montando o mesmo cenário da queda.

A única exigência que Jesus faz a Pedro para ser discípulo e para pastorear o seu rebanho é amá-lo.

5. A restauração de Jesus

a) João 21.17b – “… apascenta as minhas ovelhas”.

  • Jesus restaurou a mente de Pedro.
  • Jesus restaurou a memória de Pedro.
  • Jesus restaurou os sentimentos de Pedro.
  • Jesus restaurou a vida de Pedro.
  • Jesus restaurou o ministério de Pedro.

Agora, Pedro volta a ser um grande líder. Agora ele ora. Agora ele aguarda o Pentecostes. Agora ele é cheio do Espírito Santo. Agora ele se torna o grande pregador da igreja apostólica.

Você pode ser restaurado, pois Jesus jamais desistiu de você!

Fonte: Hernandes Dias Lopes

quinta-feira, 7 de março de 2013

A obra do Espírito Santo na Nova Criação | John Owen

O grande privilégio profetizado quanto à era do evangelho, que faria a igreja do Novo Testamento mais gloriosa do que a do Antigo Testamento, foi o maravilhoso derramar da promessa do Espírito Santo sobre todos os crentes. É o vinho melhor que foi deixado por último (Is 35.7; 44.3; Jl 2.28; Ez 11.19; 36.27).

O ministério do evangelho pelo qual somos novamente nascidos é chamado de ministério do Espírito (2Co 3.8). No Novo Testamento a promessa do Espírito Santo é para todos os crentes e não para apenas alguns poucos especiais (Rm 8.9; Jo 14.16; Mt 28.20). Somos ensinados a orar para que Deus nos dê o seu Espírito Santo, para que com o seu auxílio possamos viver para Deus na santa obediência que ele requer (Lc 11.9-13; Mt 7.11; Ef 1.17; 3.16; Cl 2.2; Rm 8.26). O Espírito Santo foi prometido solenemente por Jesus Cristo quando estava para deixar o mundo (Jo 14.15-17; Hb 9.15-17; 2Co 1.22; Jo 14.27; 16.13). Portanto, o Espírito Santo é prometido e dado como a única causa de todo o bem que podemos partilhar nesse mundo.

Não há bem que recebamos de Deus senão o que nos é trazido e em nós operado pelo Espírito Santo. Nem há em nós bem nenhum para com Deus, nenhuma fé, amor, obediência à sua vontade, exceto o que somos capacitados a fazer pelo Espírito Santo. Pois em nós, isto é, na nossa carne, não há bem nenhum, como nos diz Paulo.

A nova criação

A grande obra que Deus planejou foi a restauração de todas as coisas por meio de Jesus Cristo (Hb 1.1-3). Deus intentou revelar a sua glória, e o principal meio para fazê-lo seria através da mais perfeita revelação de si mesmo e das suas obras que o mundo jamais vira. Esta perfeita revelação nos foi dada pelo seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, quando tomou sobre si a nossa natureza para que Deus pudesse graciosamente reconciliar-nos com ele mesmo.

Jesus Cristo é “a imagem do Deus invisível” (Cl 1.15), é o “resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3). Na face de Jesus Cristo resplandece a glória de Deus (2Co 4.6). Ao planejar, constituir e colocar em prática a sua grande obra, Deus, portanto, fez a mais gloriosa revelação de si mesmo tanto aos anjos quanto aos homens (Ef 3.8-10; 1Pe 1.10-12). Ele fez isso para que pudéssemos conhecer, amar, confiar, honrar e obedecer-lhe em todas as coisas como Deus, em conformidade com a sua vontade.

De um modo particular, nessa nova criação, Deus tem se revelado especialmente como três Pessoas em um único Deus. O supremo propósito e planejamento de tudo é atribuído ao Pai. Sua vontade, sabedoria, amor, graça, autoridade, propósito e desígnio são revelados constantemente como o fundamento de toda a obra (Is 42.1-4; Sl 40.6-8; Jo 3.16; Is 53.10-12; Ef 1.4-12). Muitos foram também os atos do Pai para com o Filho, quando o enviou, deu e designou para a sua obra. O Pai lhe preparou um corpo, e o confortou e amparou na sua obra. Ele também o recompensou ao lhe dar um povo para ser o seu próprio povo.

O Filho a si mesmo se humilhou e concordou em fazer tudo o que o Pai havia planejado que fizesse (Fp 2.5-8). Por essa causa o Filho deve ser honrado da mesma maneira que honramos ao Pai.

A obra do Espírito Santo é fazer concluir aquilo que o Pai planejou realizar através de seu Filho. Por causa disso, Deus se nos deu a conhecer, e somos ensinados a confiar nele.

Por: John Owen

Fonte: Projeto Os Puritanos
Capítulo 5 da obra "O Espírito Santo" de John Owen a ser publicada pela editora Os Puritanos ainda este ano.

terça-feira, 5 de março de 2013

O Homem por detrás do Ministério | Paul Tripp

ministerio-pastoralGostaria de iniciar este artigo a partir de onde o último terminou. Devemos ser cuidadosos ao definir prontidão ministerial e maturidade espiritual.

É perigoso pensar que o graduado muito bem treinado no seminário está pronto para o ministério ou mesmo confundir conhecimento, ocupação e habilidade com maturidade espiritual pessoal.

A maturidade é um fator vertical que será acompanhado por uma ampla variedade de manifestações horizontais - diz respeito ao relacionamento com Deus, resultando num viver sábio e humilde. O amor por Cristo se manifesta no amor ao próximo, a apreciação pela Sua graça se manisfesta em graça para com o próximo, a gratidão pela paciência e pelo perdão de Jesus o capacita a ser paciente e perdoador e sua experiência diária com o poder resgatador do evangelho produz amor por outros que estão experimentando o mesmo resgate.

Estes fatores precisam ser colocados em primeiro plano diante do pedido e análise de todos os candidatos ao pastorado. Não estamos selecionando habilidades, conhecimento nem experiência ministerial. Estamos selecionando pessoas consagradas de todo coração e cujos ministérios serão sempre moldados e dirigidos por alguma forma de adoração, em meio ao próprio processo de santificação, ainda lutando contra o poder tentador e enganoso do pecado e que enfrentam os engodos diários de um mundo que simplesmente não está funcionando da maneira planejada por Deus.

Estamos selecionando pessoas que Deus irá chamar à tribulação para a redenção delas mesmas e para a Sua glória, pessoas que possuam, no dia-a-dia, relacionamentos íntimos com outros pecadores, pessoas capazes de se desviar, de se enganar e que são tentadas a ser auto-suficientes e hipócritas, que trazem suas lutas e entendimentos das experiências ministeriais para este novo lugar, que precisam tão desesperadamente do perdão, da transformação, do fortalecimento e da graça libertadora quanto quaisquer outras às quais venham algum dia pregar e que ainda estão aprendendo sobre a graça.

Então devemos conhecer – realmente conhecer – quem colocamos na posição de cuidado e liderança espiritual do povo de Deus.

Alguns Exemplos Bíblicos

Ao examinarmos as Escrituras, fica claro que a liderança frutífera ou fracassada raramente se deve somente ao conhecimento, estratégia, habilidade e experiência. Vejamos o que Romanos 4 afirma de Abraão. Ele foi escolhido por Deus para receber as promessas da Sua aliança. Recebeu a promessa de que sua descendência seria como a areia do mar. Todavia, sua esposa já era idosa, muito além da idade de dar a luz, e ele ainda não tinha o filho que daria continuidade a sua linhagem. Romanos 4 nos diz algo importante sobre o coração de Abraão. Quando você e eu somos chamados por Deus para esperar por um longo período, como foi o caso de Abraão, nossa história é, não raro, uma narrativa de fé constantemente enfraquecida. Quanto mais pensamos sobre o que esperamos, mais enxergamos nossa falta de habilidade para atingir nosso objetivo. Quanto mais nos permitimos refletir porque fomos escolhidos para esperar, mais nossa fé se enfraquece.

Não é o caso de Abraão. Esta passagem nos ensina que durante este tempo de espera prolongada, sua fé, na realidade, aumentou. Ao invés de meditar na impossibilidade de sua situação, Abraão meditou no poder e no caráter Daquele que fez a promessa. Quanto mais Abraão permitia que seu coração se deleitasse na glória de Deus, mais se convencia de estar em boas mãos. Ao invés de um ciclo de falta de coragem e esperança, a história de Abraão foi um de estímulo e incentivo.

O que dizer de José, instrumento escolhido por Deus para preservar os filhos de Israel da fome e consequente extinção? Quando seduzido pela esposa de Potifar, capitão da guarda de Faraó, não cedeu. Por quê? Não foi por medo das consequências, por sua experiência de vida ou por suas habilidades de negociar as relações complicadas do palácio. Gênesis 39 nos diz claramente o que motivou José a tomar esta decisão crucial em sua vida. Ele resistiu devido à profunda devoção do seu coração ao seu Senhor. Seu coração não era movido por prazeres horizontais, mas por adoração vertical. Não podia conceber a prática uma ação tão iníqua contra Deus. Uma glória maior do que as glórias temporárias do mundo criado o cativou, e então disse um “não” sincero, enfático e sem delongas.

Pronto para Ir

Ou pense sobre Moisés diante da sarça ardente. Deus o havia escolhido para ser Seu instrumento de redenção, para livrar Israel da escravidão e levá-los à terra prometida. Mas o profeta não estava nem disposto nem otimista. Êxodo 3 e 4 registra sua argumentação com Deus. Moisés acreditava que era totalmente incapaz, despreparado e inadequado para realizar o que o Criador havia preparado para ele. A resposta do Todo-Poderoso foi simples: "Eu irei com você." A declaração final de Moisés também foi simples : "Ah! Senhor! Envia aquele que hás de enviar, menos a mim." Deus demonstrou a Moisés, em primeira mão, o poder que estava a sua disposição como o instrumento escolhido por Ele - mesmo assim, Moisés implorou-Lhe que não o enviasse.

O que está acontecendo aqui? Moisés não estava protegido por toda sua educação egípcia, não estava motivado pela abundância do seu conhecimento sobre a cultura dos egípcios e nem estava motivado pelo seu entendimento da política do palácio. Nenhum destes fatores ajudou Moisés neste ponto, pois ele foi traído pelo medo do seu próprio coração. Só em face da ira de Deus ele finalmente partiu.

Ou imagine o exército de Israel no vale de Elá, armado para a batalha, porém muito assustado para lutar. Ali permaneceu de pé como o exército escolhido do Deus Todo-Poderoso, o Senhor dos Exércitos, com medo de enfrentar o campeão filisteu, acometido por um caso lastimável de amnésia dissociativa. Esqueceram-se de quem eram e das promessas que receberam. Então formularam uma equação espiritual incorreta na medida em que levaram em conta o momento. A batalha não era aqueles soldadinhos insignificantes contra o enorme gigante, mas o gigante insignificante contra o Deus onipotente. 1 Samuel 17 narra a chegada de Davi. Este pastor de ovelhas, que ali estava para entregar mantimentos aos seus irmãos, era um homem de fé e já havia experimentado o poder resgatador de Deus. Davi não conseguia entender porque o exército não queria lutar. Num ato de coragem só possível a alguém que se reconhece como filho de Deus, Davi avançou até o vale para enfrentar Golias com nada além de uma funda. Sabia que o Senhor iria entregar em suas mãos o campeão filisteu e seu exército. Entendeu que sua luta não era na sombra da glória de Golias, mas no esplendor da glória de Deus. A coragem que vem da fé o impeliu até aquele vale.

Ou lembre-se de Elias, que após uma grande vitória contra os profetas de Baal no monte Carmelo, se sentiu tão sozinho, sem coragem e sem esperança que quis morrer. 1 Reis 19 nos mostra este patético profeta que se desviou totalmente do seu objetivo. Não conseguia ver uma saída. Convencido de que era o único homem justo que restara, estava certo que o mal triumfaria. Somente Deus poderia trazê-lo de volta ao juízo. Elias não estava sozinho, a obra de Deus não estava pronta e o mal não venceria no final. Havia ainda 7.000 homens fiéis para levar adiante o trabalho.

Pense no que disse Paulo em face da oposição de Pedro, que estava para comprometer um princípio central do evangelho por medo do que um certo grupo de pessoas pensaria a seu respeito e de como reagiriam.

Ele estava a ponto de agir de maneira a contradizer a mensagem a qual foi chamado a pregar, não por falta de conhecimento, experiência ou habilidade, mas porque, no momento, seu coração estava sendo governado mais por medo horizontal do que por fé vertical

O Fator Determinante

Em cada exemplo, a condição do coração do líder fez a diferença. O coração é, inevitavelmente, o fator determinante no ministério. Coloque duas pessoas lado a lado com exatamente o mesmo treinamento, experiência e habilidade, e seria fácil concluir que reagiriam de maneiras similares às exigências do ministério da igreja local. Sim, seria fácil, mas perigoso. O potencial para uma diferenciação significativa no sentido de como estes homens atuam como pastores é tão vasto quanto a lista de fatores que podem governar o coração de uma pessoa no ministério.

É ingenuidade pensar que o ministério pastoral é sempre estimulado pelo amor por Cristo e por Seu Evangelho, simplista concluir que as pessoas no ministério possuem um amor natural e permanente por outras e que todos estão trabalhando para difundir o reino de Deus. É importante reconhecer que muitos na obra foram seduzidos pela glória pessoal e perderam de vista a glória de Deus. Nem todos trabalham como resultado da humilde percepção de sua própria necessidade.

Ministérios fracassam porque líderes começam a pensar que já chegaram lá e não se protegem da maneira como orientam todo o resto do rebanho. É ingenuidade pensar que pastores estão isentos de tentações sexuais, medo do homem, inveja, ganância, orgulho, incredulidade, amargura e idolatria. Cada um está sendo restaurado pela graça de Deus.

Então, é essencial compreender o coração do homem por detrás do conhecimento, habilidade, experiência e estratégia ministerial antes de convidá-lo a pastorear o rebanho de Deus. Pode estar certo de que como os líderes de Deus do Antigo Testamento, os atuais irão enfrentar momentos cruciais de escolha no ministério e na vida pessoal. Nestes momentos importantes, o coração consagrado vencerá e determinará as escolhas certas. Porque, como todas as pessoas, o que governa o seu coração direcionará sua vida e seu ministério. É imprescindível ir além, muito além do perfil que surge dos dados do seu curriculo. Aquele chamado para ensinar a Palavra de Deus deve ter um coração governado pela graça.

 

  • Por Paul Tripp

  • Tradução: Adriana Misiara Rodrigues
  • Fonte: Livros e Sermões Bíblicos