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domingo, 1 de junho de 2014

Entre a Arca e a Cruz | Ricardo Agreste e Eduardo Nunes

arca

Série de Pregações: Entre a Arca e a Cruz

Fonte: Chácara Primavera

  1. A Ira de um Deus Benevolente | Entre a Arca e a Cruz - Pr. Ricardo Agreste

  2. A História de um Homem Justo | Entre a Arca e a Cruz - Pr. Ricardo Agreste

  3. O Novo Começo | Entre a Arca e a Cruz - Pr. Ricardo Agreste

  4. A Renovação da Missão | Entre a Arca e a Cruz - Pr. Eduardo Nunes

domingo, 13 de abril de 2014

"Uma Igreja Complicada" | Augustus Nicodemus Lopes [4/9]

Quarta Mensagem pregada pelo Rev. Augustus Nicodemus; durante o II SEMEAR - Simpósio Estadual de Missão, Evangelização, e Administração Reformada, ocorrido na IPC, cujo tema geral foi "Uma Igreja complicada - Exposições bíblicas da primeira epístola de Paulo aos Coríntios. [ 1 Co 8,9,10].

Fonte: Igreja Presbiteriana de Canoas

Demais Mensagens: [][][][][][][][][]

"Uma Igreja Complicada" | Augustus Nicodemus Lopes [3/9]

Terceira Mensagem pregada pelo Rev. Augustus Nicodemus; durante o II SEMEAR - Simpósio Estadual de Missão, Evangelização, e Administração Reformada, ocorrido na IPC, cujo tema geral foi "Uma Igreja complicada - Exposições bíblicas da primeira epístola de Paulo aos Coríntios. [1 Co. 7].

Fonte: Igreja Presbiteriana de Canoas

Demais Mensagens: [][][][][][][][][]

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A Cruz de Cristo | Augustus Nicodemus Lopes

A morte de Cristo na cruz é um fato central para o cristianismo. É interessante que é da palavra latina “cruz” que vem a palavra “crucial”, isto é, central, importante. Para os budistas, não importa muito como Buda faleceu, mas faria toda a diferença do mundo para os cristãos se Jesus tivesse morrido de um ataque cardíaco nas praias do Mar da Galiléia e não crucificado no alto do Gólgota.

A cruz é o símbolo universal do cristianismo, mesmo num mundo onde mais e mais ela tem perdido o seu significado. Numa pesquisa recente feita na Austrália, Alemanha, Índia, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, ficou claro que o símbolo da MacDonalds (o arco dourado) e o da Shell (uma concha amarela) eram muito mais conhecidos do que a cruz.

Muitos dos que a identificam ofendem-se com ela. A cruz de Cristo é motivo de ofensa para muitos hoje, como foi na época em que os primeiros cristãos começaram a falar dela como o caminho de Deus para a salvação. O apóstolo Paulo escreveu:

“Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus . . . nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios” (1 Coríntios 1:18,23).

A feminista Deloris Williams é um exemplo moderno de pessoas que se ofendem com a cruz. Ela declarou: “Acho que não precisamos de uma teoria em que os pecado têm que ser pagos pela morte de alguém. Acho que não precisamos de um cara pendurado numa cruz, sangrando, e outras coisas desse tipo” (1999, conferência Re-Imagining God).

Podemos compreender a repulsa natural que as pessoas sentem pela cruz. A execução por morte de cruz era algo terrivelmente cruel. Na verdade, era sadismo legalizado. Foi provavelmente uma das formas mais depravadas de execução jamais inventada pelo homem. Nada mais era que morte lenta por tortura. E realmente funcionava. Ninguém jamais sobreviveu a uma crucificação.

Mas para os que crêem, a cruz faz perfeito sentido. A salvação do homem só pode ocorrer através de uma satisfação dada à lei de Deus, que o homem quebrou e tem quebrado sempre. Somente Deus pode perdoar. Mas somente o homem pode pagar. Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, colocou-se no lugar do homem, como representante dos que crêem, e sofreu a penalidade merecida, satisfazendo a justiça divina.

Até mesmo pensadores não cristãos afirmam a necessidade da punição merecida. O pesquisador C. A. Dinsmore examinou as obras de Homero, Sófocles, Dante, Shakespeare, Milton, George Elliot, Hawthorne e Tennyson, e chegou à seguinte conclusão:

“É um axioma universal na vida e no pensamento religioso que não pode haver reconciliação sem que haja satisfação dada pelo pecado” ("Atonement in Literature and Life" republicado 2013).

Portanto, para os que crêem, a cruz é mais que um símbolo a ser levado no pescoço ou pendurado nas paredes da igreja. É o caminho de Deus para salvar todo aquele que crê.

por Augustus Nicodemus Lopes

Fonte: O Tempora, O Mores!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Quebra de maldições: é bíblico? | Augustus Nicodemus

QuebraDeMaldiçaoO movimento de “batalha espiritual” ensina a necessidade de se quebrar maldições hereditárias e de se anular compromissos que ficaram pendentes com o diabo, mesmo após a pessoa ter sido convertida a Cristo. Ensina-se que herdamos as maldições que acompanharam nossos antepassados, por causa de seus pecados e pactos demoníacos, e que precisamos anular estas maldições hereditárias.

Um dos textos usados para defender este ponto é Êxodo 20.5, onde Deus ameaça visitar a maldade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração dos que o aborrecem.

Entretanto, ensinar que Deus faz cair sobre os filhos as consequências dos pecados dos pais, é só metade da verdade.

A Escritura nos diz igualmente que se um filho de pai idólatra e adúltero vir as obras más de seu pai, temer a Deus, e andar em Seus caminhos, nada do que o pai fez virá cair sobre ele. A conversão e o arrependimento individuais “quebram”, na existência das pessoas, a “maldição hereditária” (um efeito somente possível por causa da obra de Cristo). Este foi o ponto enfatizado pelo profeta Ezequiel em sua pregação ao povo de Israel da época (leia cuidadosamente Ezequiel 18).

Através do profeta Ezequiel, Deus os repreendeu, afirmando que a responsabilidade moral é pessoal e individual diante dele: “A pessoa que pecar, é ela quem morrerá — não o seu pai ou a sua mãe” (Ez 18.4b, 20). E que pela conversão e por uma vida reta, o indivíduo está livre da “maldição” dos pecados de seus antepassados, ver 18.14-19. Esta passagem é muito importante, pois nos mostra de que maneira o próprio Deus interpreta (através de Ezequiel) o significado de Êxodo 20.5.

Aplicando aos nossos dias, fica evidente que o crente verdadeiro já rompeu com seu passado, e com as implicações espirituais dos pecados dos seus antepassados, quando, arrependido, veio a Cristo em fé.

Tem mais. O apóstolo Paulo nos esclarece que o escrito de dívida que nos era contrário, a maldição da lei, foi tornado sem qualquer efeito sobre nós: Jesus o anulou na cruz (Cl 2.13-15; Gl 3.13). Ou seja, toda e qualquer condenação que pesava sobre nós foi removida completamente quando Cristo pagou, de forma suficiente e eficaz, nossa culpa diante de Deus. Ora, se a obra de Cristo no Calvário em nosso favor foi poderosa o suficiente para remover de sobre nós a própria maldição da santa lei de Deus, quanto mais qualquer coisa que poderia ser usada por Satanás para reivindicar direitos sobre nós, inclusive pactos feitos com entidades malignas, por nós, ou por nossos pais, na nossa ignorância.

Basta um estudo simples nas Escrituras, da linguagem usada para descrever nossa redenção, para que não fique qualquer dúvida de que o crente, à semelhança de um escravo exposto à venda na praça, foi comprado por preço, e que, agora, passa a pertencer totalmente ao seu novo senhor. O antigo patrão não tem mais qualquer direito sobre ele, como rezava a legislação romana da época. Assim, Paulo diz que fomos comprados por preço (1 Co 6.20; agorazo, comprar, redimir, pagar um resgate — termo usado para o ato de comprar um escravo na praça, ou pagar seu resgate para libertá-lo), e que sendo agora livres, não devemos nos deixar outra vez escravizar (1 Co 7.23). Fomos resgatados (lutrou) pelo precioso sangue de Cristo (1 Pe 1.18; cf. Ap 5.9).

Em resumo: “se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas antigas passaram: eis que se fizeram novas”. Não há nenhuma maldição que Cristo já não tenha quebrado na cruz e que não tenha já sido desfeita na hora da conversão (novo nascimento). O que os crentes precisam é santificação, e não quebra de maldição, para crescerem mais em mais no conhecimento de Deus e no serviço dele.

Por: Augustus Nicodemus

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Não por força nem por violência | Alderi Souza de Matos

cruzadasNão por força nem por violência

Atitudes dos cristãos em relação à guerra no decorrer da história

O cristianismo teve como berço o judaísmo e a Bíblia de Jesus e dos primeiros cristãos foi o Antigo Testamento. Quanto aos temas da guerra e do uso da força, as Escrituras Hebraicas revelam duas ênfases distintas. Por um lado, o Antigo Testamento contém afirmações em apoio aos conflitos armados e está repleto de narrativas de atividades bélicas. A história de Israel parece uma infindável sucessão de guerras de maior ou menor intensidade. Ao mesmo tempo, o conceito de shalom ou paz, não somente como ausência de conflitos, mas como um estado de prosperidade em todos os aspectos, permeia as páginas de muitos livros, especialmente os dos profetas. Um exemplo muito conhecido dessa preocupação está em Isaías 2.4.

Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.

Do pacifismo à guerra justa

Em seus ensinos, Jesus deu ênfase a essa corrente pacifista do Antigo Testamento. Sua ética, expressa de maneira sublime no Sermão da Montanha (Mt 5-7), está centrada no amor, na tolerância e na não-retaliação. Em contraste com as práticas da sociedade greco-romana, Ele deixou claro que, em seus relacionamentos internos e externos, os seus seguidores deveriam caracterizar-se pela rejeição da agressividade e do espírito de vingança. Os próprios inimigos deveriam ser tratados com amor e perdão. Jesus ensinou que a causa de Deus não deveria ser promovida pelo uso da força física (Jo 18.36). Essas ênfases foram preservadas e desenvolvidas pelos apóstolos, e marcaram profundamente as primeiras gerações de cristãos.

Nos três primeiros séculos, o pacifismo foi a atitude predominante nas fileiras da igreja. É um fato notável que não há evidência da presença de cristãos no exército romano até por volta do ano 170. A partir do final do segundo século, a carreira militar passou a ser admissível para os cristãos, contanto que não envolvesse o derramamento de sangue. Deve-se observar que, durante o período da chamada Pax Romana, era possível a um homem servir por muitos anos nas legiões de Roma sem envolver-se diretamente em atividades bélicas. Todavia, em virtude do culto imperial, a maior parte dos cristãos se recusava a ingressar no exército ou ocupar cargos públicos, sendo por isso acusada de deslealdade. Eles entendiam que a única luta em que deveriam se empenhar era de natureza espiritual.

Com a adesão do imperador Constantino à fé cristã (ano 313), acelerou-se o processo de cristianização da sociedade romana nos séculos quarto e quinto. Quando os cristãos se tornaram a maioria da população, houve uma crescente pressão para que ingressassem no exército e ficou cada vez mais difícil manter a antiga posição pacifista. Na época das invasões dos bárbaros, Agostinho (354-430) deu expressão à nova mentalidade, formulando a teoria da guerra justa. A guerra seria legítima quando voltada para manter a justiça e restabelecer a paz; deveria ser empreendida pelo governante e caracterizar-se por uma atitude de amor pelo inimigo; promessas feitas aos opositores precisavam ser cumpridas; os não-combatentes deveriam ser respeitados e não deveria haver massacres, pilhagens e destruição. Desde Agostinho, alguma forma de teoria da guerra justa tem sido a posição predominante da maior parte das tradições cristãs.

A cruz e a espada

Foi somente no século 11 que se extinguiu a atitude pacífica da igreja antiga, sendo substituída pela glorificação do homem de combate, o cavaleiro medieval. Essa mudança tem sido atribuída ao influxo de povos germânicos, com seu espírito marcial. As grandes expressões dessa nova atitude foram as campanhas militares contra os muçulmanos, realizadas quase que simultaneamente em duas frentes. Na Europa central surgiram as “cruzadas”, que por quase dois séculos (1095-1291) combateram os exércitos islâmicos pela posse de Jerusalém e da Palestina. Na Península Ibérica os exércitos cristãos se empenharam por quase cinco séculos na reconquista daquelas terras das mãos dos sarracenos. Surgiu assim um cristianismo agressivo e militante que em alguns casos chegou a superar o islamismo em termos de violência e intolerância.

O cristianismo medieval testemunhou uma crescente legitimação da violência em nome de Deus. A liturgia passou a incluir a consagração das armas e estandartes de guerra. Surgiram novas ordens religiosas, como os templários, os hospitalários e os cavaleiros teutônicos, fundadas com o propósito de lutar contra os adversários da fé. Os povos ocidentais passaram a encarar os grupos que professavam outras religiões como inimigos do reino de Deus que deveriam ser destruídos ou convertidos. Era considerado errado demonstrar clemência a esses povos. Um texto favorito dos cruzados resumia essa atitude: “Maldito aquele que retém a sua espada do sangue” (Jr 48.10b).

Na Idade Média também foram aceitas com crescente naturalidade a violência e acruzadas2 guerra entre grupos cristãos. Dois exemplos são a quarta cruzada, na qual foi saqueada a magnífica cidade de Constantinopla (1204), selando-se definitivamente a separação entre as igrejas católica romana e ortodoxa grega, e a luta contra uma seita sincretista do sul da França, os albigenses, que foram destruídos por uma cruzada entre 1209 e 1229. Teólogos da época, tais como Graciano e Tomás de Aquino, criam que a guerra era uma condição necessária da sociedade e pouco se preocuparam em tratar do problema da violência.

Atitudes dos reformadores

A época do Renascimento e da Reforma Protestante (séculos 15 e 16) viu o surgimento de novas armas de guerra com grande poder de destruição, os canhões, e a ascensão de monarquias dinásticas mais poderosas e ávidas de conquistas territoriais. Humanistas cristãos, como Thomas More e Erasmo de Roterdã, condenaram as novas formas de violência. Eles observaram que Cristo não promoveu o seu reino pela força, mas pelo amor, e acusaram a igreja de se tornar uma serva obediente de príncipes ambiciosos e sanguinários.

Os reformadores aceitaram, em essência, a mentalidade dominante do seu tempo no que diz respeito ao uso da força. Lutero apoiou a violenta supressão da Revolta dos Camponeses (1524-1525) e Zuínglio morreu no campo de batalha, quando acompanhava as tropas de Zurique em luta contra os cantões católicos. As divergências religiosas da época foram uma das principais causas de muitos conflitos que assolaram o continente europeu. Na França, as guerras religiosas entre os calvinistas, conhecidos como huguenotes, e a facção católica liderada pela família Guise se estenderam por boa parte da segunda metade do século 16 (1562-1598). O pior episódio dessa confrontação foi o massacre do dia de São Bartolomeu (24-08-1572), em que milhares de huguenotes foram mortos em Paris e depois no interior da França. Todavia, nada superou em selvageria e ferocidade a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), travada em torno de uma complexa mistura de questões religiosas, políticas e econômicas, que devastou grande parte da Europa central e dizimou a sua população. O fim desse conflito, selado pelo tratado conhecido como Paz de Westfália, marcou o encerramento do período da Reforma.

A maior parte dos reformadores subscreveu o conceito de guerra justa ou de cruzada. Somente os anabatistas, também denominados reformadores radicais, foram intransigentes defensores do pacifismo, recusando-se a portar armas, prestar serviço militar ou participar de guerras. Por essa e outras razões, foram horrivelmente perseguidos. Houve apenas um caso de envolvimento de anabatistas com a violência, quando um grupo de fanáticos tomou a cidade de Münster, na Alemanha, e foi eventualmente derrotado (1535). Esse episódio reforçou o compromisso dos anabatistas com o ideal pacifista, especialmente no principal grupo que resultou do movimento, os menonitas. Outros grupos protestantes que vieram a abraçar essa atitude foram os quacres, os morávios e os irmãos.

Os séculos 19 e 20

Nos Estados Unidos, com sua história de contínuo envolvimento em guerras, as três concepções (pacifismo, guerra justa e cruzada) têm sido invocadas por diferentes grupos para defender suas posições. Um caso curioso foi a Guerra Civil (1861-1865), o mais sangrento de todos os conflitos daquela nação, em que os exércitos do Norte e do Sul partilhavam da mesma fé protestante e da mesma mescla de convicções religiosas e nacionalistas. Era comum, nos acampamentos das frentes de batalha, ouvir os combatentes de ambos os lados cantarem os mesmos hinos. A linguagem militar de diversos hinos cantados pelas igrejas evangélicas brasileiras foi inspirada pelas experiências dessa guerra. Todavia, no final do século 19, muitos cristãos do hemisfério norte se dedicaram à causa da paz, da cooperação internacional e dos esforços humanitários. Surgiram diversas sociedades pacifistas nacionais e internacionais e foram realizadas conferências preocupadas em limitar a crueldade da guerra.

Por causa de sua horrível violência e destruição, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), travada entre nações de tradição cristã, chocou profundamente as consciências. As igrejas apoiaram a guerra e o discurso de muitos líderes civis e religiosos falava em termos de uma cruzada para salvar a civilização e “tornar o mundo seguro para a democracia”. Certas pessoas chegaram a defender a destruição total da Alemanha. Já a atitude dos cristãos em relação à Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ficou mais próxima da teoria da guerra justa.

O surgimento de ideologias totalitárias e racistas como o nazismo e o fascismo levou importantes líderes cristãos a abandonarem o seu anterior pacifismo. Dois exemplos notáveis foram o teólogo norte-americano Reinhold Niebuhr (1892-1971) e, em especial, o pastor e teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), que chegou a participar de uma conspiração frustrada para assassinar o ditador Adolf Hitler e foi executado em um campo de concentração.

As questões da guerra e da paz sempre vão representar um dilema para a consciência cristã. Isso se deve ao fato de que estão em jogo dois conjuntos de valores igualmente importantes à luz das Escrituras. De um lado, estão os imperativos evangélicos do amor, da tolerância e da solidariedade. De outro, o cristão também deve preocupar-se com as questões da justiça, da segurança e da liberdade, e com as ameaças a estes valores na forma de exploração, agressão ou dominação. O surgimento de terríveis meios de destruição em massa como a bomba atômica, a bomba de nêutrons e as armas químicas e bacteriológicas renovou o compromisso de muitos cristãos com a promoção e a manutenção da paz. Por outro lado, as violações dos direitos mais elementares de pessoas e grupos por parte de regimes e governantes extremistas fazem com que muitos cristãos se sintam atraídos para soluções mais drásticas.

É importante compreender que a questão da guerra e do uso da força se insere no contexto mais amplo da violência e agressividade do coração humano, violência essa que pode manifestar-se não só nas pessoas, mas em todos os tipos de instituições, inclusive igrejas. É imperativo que as organizações religiosas pratiquem os valores bíblicos nas suas relações internas, promovendo ativamente a justiça, a integridade e o respeito aos direitos individuais, a fim de que tenham autoridade para falar à sociedade mais ampla e ser instrumentos de reconciliação nos tempos conturbados em que vivemos.

Fonte: Revista Ultimato

Por: Alderi Souza de Matos.

O Pr. Alderi é ministro presbiteriano, doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil.

domingo, 16 de junho de 2013

A Unidade da Igreja | Augustus Nicodemus

Prrimeira Parte

Segunda Parte

Terceira Parte

Conferência Teológica - Igreja Batista Liberdade - Araraquara.

Preletor: Rev.: Augustus Nicademus Gomes Lopes

Tema: A Unidade da Igreja

Exposição dos primeiros capítulos de 1ª Corintos: 1 Co 1-4.

Fonte: Blog: Wilson Porte Jr.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

A noite escura da alma | Rev. Hernandes Dias Lopes

noiteHá momentos em que a noite trevosa desce sobre a nossa vida e os horrores do inferno bafejam nossa alma. Sentimos uma opressão do inimigo, com seu hálito pesado vindo sobre nós. Nossa carne treme, nossos ossos são abalados e nossos olhos se enchem de lágrimas.

Não escapamos desses ataques. Não vivemos blindados. Estamos expostos ao sofrimento. Na verdade nos importa entrar no reino de Deus por meio de muitas tribulações (At 14.22). O próprio Jesus saiu do cântico no Cenáculo para o pranto no Getsêmani. O autor da vida suou sangue no Getsêmani (Lc 22.44) e derramou sua alma na morte na cruz (Is 53.12). Ele começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse a seus discípulos:

"A minha alma está profundamente triste até à morte" (Mc 14.34).

Nenhum homem tinha experimentado tristeza tão profunda e ninguém jamais a enfrentaria no futuro. Num sentido único, Jesus foi "um varão de dores". Aquela fatídica noite no Getsêmani era a noite escura da alma, quando Jesus travou a mais renhida batalha da humanidade. Naquele momento, ele ficou só, dobrado sobre seus joelhos, com o rosto em terra, com forte clamor e lágrimas (Hb 5.7). Ali, submeteu-se à vontade do Pai, foi consolado pelo anjo e saiu vitorioso para caminhar para a cruz, como um rei caminha para a coroação. Na cruz, o Filho de Deus foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades. Agradou ao Pai moê-lo. Ali, suspenso entre a terra e o céu, sorveu cada gota do amargo cálice da ira de Deus. Na cruz, carregou sobre seu corpo todos os nossos pecados e suportou o juízo de Deus que deveria cair sobre nossa cabeça. Na cruz ele satisfez todas as demandas da justiça divina ao fazer-se pecado e maldição por nós.

Na cruz, porém, Jesus adquiriu para nós eterna redenção. A noite escura da alma não foi um acidente na vida de Jesus, mas uma agenda traçada na eternidade. Essa noite desceu sobre sua alma, para que a luz bendita do céu invadisse a nossa vida. Elegetsemani[1] bebeu o cálice amargo da ira de Deus, para nos oferecer a água da vida. Ele suou sangue e chorou para que nós pudéssemos experimentar uma alegria indizível e cheia de glória. Ele morreu para nos oferecer a vida eterna.

Saiba que, se a noite escura da alma chegou em sua vida, Deus é poderoso para transformar essas trevas em luz e o seu sofrimento em prelúdio de glória. O apóstolo Paulo, homem que enfrentou apedrejamento, açoites, prisões e naufrágios, afirma com entusiasmo, que os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com as glórias porvir a serem reveladas em nós. Disse ainda que a nossa leve e momentânea tribulação produz, para nós, eterno peso de glória, acima de toda comparação.

O sofrimento aqui é inevitável. Ainda não chegamos ao paraíso. Aqui não é o céu. Porém, o sofrimento não hasteará sua bandeira em nosso lar eterno. Lá Deus enxugará dos nossos olhos toda a lágrima. Lá a dor não mais açoitará nosso corpo. Lá desfrutaremos da bem-aventurança eterna. Aqui cruzamos vales escuros, marcharmos por desertos tórridos e atravessamos pântanos perigosos. Mas, lá receberemos um consolo eterno, uma alegria sem fim, uma glória que jamais se contou ao mortal.

Não se desespere diante dos dramas da vida. Não perca a esperança diante das circunstâncias adversas. Não duvide do amor de Deus por causa da dor que assola seu peito. Deus nunca vai desamparar você. Ele está do seu lado como seu refúgio e fortaleza. Você vai caminhar para a pátria celeste de força em força, de fé em fé, sendo transformado de glória em glória. Deus segurará firme a sua mão até receber você na glória. Então, a noite escura da alma desembocará na manhã gloriosa de uma eternidade de gozo e paz!

Rev. Hernandes Dias Lopes

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A Cruz de Cristo | J.C. Ryle

imagescruzO que você pensa acerca da cruz de Cristo?

Talvez você considere esta questão como algo de somenos importância; não obstante, dela depende intensamente o bem-estar eterno de sua alma.

Há mil e oitocentos anos atrás, houve um homem que disse gloriar-se na cruz de Cristo. Foi alguém que revirou o mundo de cabeça para baixo pelas doutrinas que pregava. De todos os homens que já viveram neste mundo, foi ele quem mais contribuiu para o estabelecimento do Cristianismo. E mesmo assim, foi este homem quem disse aos Gálatas:

“Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”, Epístola de Paulo Aos Gálatas 6.14

Leitor, a “cruz de Cristo” deve ser um assunto verdadeiramente importante para que um apóstolo inspirado fale de tal forma sobre ela. Deixe-me tentar demonstrá-lo o verdadeiro significado desta expressão. Uma vez reconhecendo o que significa a cruz de Cristo, com a ajuda de Deus você se tornará capaz de perceber a importância dela para a sua alma.

A palavra cruz, na Bíblia, algumas vezes faz referência à cruz de madeira na qual o Senhor Jesus foi cravado e posto para morrer, no Calvário. Isto é precisamente o que São Paulo tinha em sua mente quando falou aos Filipenses que Cristo “foi obediente até a morte, e morte de cruz” (Fp 2.8).

Contudo, esta não era a cruz na qual São Paulo se gloriava. Ele esquivar-se-ia com horror da idéia de gloriar-se em um mero pedaço de madeira. Eu não tenho quaisquer dúvidas de que ele denunciaria a adoração católica romana do crucifixo como profana, blasfema e idolátrica.

A cruz, em outras vezes, é atinente às aflições e provações que os crentes atravessam pela causa da religião que professam, quando seguem a Cristo fielmente. Este é o sentido no qual nosso Senhor usa a palavra, quando diz: “Aquele que não toma a sua cruz, e segue-me, não é digno de mim” (Mt 10.38). Este também é o sentido no qual Paulo usa a palavra quando escreve aos Gálatas. Ele conhecia bem esta cruz. Deveras, ele a carregava pacientemente; no entanto, também não é sobre isto que ele está falando aqui.

Mas a palavra cruz também se refere, em alguns outros lugares da Escritura, à doutrina de que Cristo morreu pelos pecadores sobre a cruz, - a expiação que Ele fez pelos pecadores, por Seus sofrimentos em favor deles sobre a cruz – o completo e perfeito sacrifício pelo pecado que Jesus ofereceu quando deu Seu próprio corpo para ser crucificado. Em suma, este termo, “a cruz”, aponta para Cristo crucificado, o único Salvador. Este é o significado no qual Paulo usa a expressão, quando fala aos coríntios: “A pregação da cruz é loucura para os que perecem” (1 Co 1.18). E este também é o significado do que ele escreveu aos Gálatas: “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”. Ele está dizendo simplesmente isto:

“Eu não me glorio em nada mais, exceto em Cristo crucificado, como a salvação de minha alma”.

Leitor, Jesus Cristo crucificado era a alegria e o deleite, o conforto e a paz, a esperança e a confiança, a fundação e o lugar de descanso, a arca e o refúgio, o alimento e o remédio da alma de Paulo. Ele não considerava que teria de executar algo por si mesmo ou padecer por si mesmo. Ele não era mediado por sua própria bondade e nem por sua própria retidão. Ele amava pensar naquilo que Cristo havia feito, e naquilo que Cristo havia sofrido - a morte de Cristo, a justiça de Cristo, a expiação deCristo, o sangue de Cristo, a obra finalizada de Cristo. Nisto, sim, ele se gloriava. Este era o sol de sua alma.

Este era o assunto que sobre o qual ele amava pregar. O apóstolo Paulo foi um homem que percorreu a terra proclamando aos pecadores que o Filho de Deus havia derramado o sangue de Seu próprio coração para salvar-lhes. Ele caminhou por todos os lugares neste mundo falando às pessoas que Jesus Cristo as amava, a ponto de morrer pelos seus pecados sobre a cruz. Observe como ele diz aos coríntios: “Eu vos entreguei o que primeiro recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados” (1 Co 15.3); “eu me determinei a não saber de qualquer coisa entre vós, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Co 2.2). Ele – um blasfemo, fariseu perseguidor – havia sido lavado no sangue de Cristo; de tal modo a não poder deixar de sustentar sua paz sobre este sangue. Por isso ele nunca se cansava de falar da história da cruz.

Este foi o tema sobre o qual ele amava alongar-se quando escrevia aos crentes. É maravilhoso observar como suas epístolas geralmente são repletas dos sofrimentos e da morte de Cristo - como elas discorrem sobre "pensamentos que inspiram e palavras que ardem" sobre o amor e o poder das agonias de Cristo. Seu coração parece cheio deste assunto: ele discorre sobre isto constantemente e retoma o tema continuamente. É o fio de ouro que perpassa todo seu ensino doutrinário, e todas as exortações práticas. Ele parece pensar que mesmo para o cristão mais maduro nunca é demais ouvir sobre a cruz.

Foi sobre isto que ele viveu toda sua vida, desde o tempo de sua conversão. Ele diz aos gálatas: “A vida que agora eu vivo na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, o qual me amou, e a si mesmo se deu por mim” (Gl 2.20).

  • O que o faz tão forte para o labor?
  • O que o faz tão disposto para a obra?
  • O que o faz tão incansável em esforçar-se para salvar alguns?
  • O que o faz tão perseverante e paciente?

Eu vou dizê-lo, qual o segredo disto tudo. Ele sempre se alimentava pela fé do corpo de Cristo e do sangue de Cristo. Jesus Cristo foi a comida e a bebida de sua alma.

E leitor, você pode estar convicto de que Paulo estava correto. Confiar nela, isto é, na cruz de Cristo, - a morte de Cristo sobre a cruz para fazer a expiação pelos pecadores – é a verdade central ao longo de toda a Bíblia. Esta é a verdade que encontramos logo ao abrirmos no livro do Gênesis. A semente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente - isto não é outra coisa senão uma profecia de Cristo crucificado. Deveras, esta é a verdade que brilha, por trás do véu, em toda a lei de Moisés e na história dos judeus. Os sacrifícios diários, o cordeiro pascal, o contínuo derramamento de sangue no tabernáculo e no templo - tudo isto são sombras do Cristo crucificado. E esta é a verdade que também vemos ser honrada na visão do céu, antes do fechamento do livro das Revelações: “Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto”(Ap 5.6). De fato, mesmo em meio à glória celestial nós encontramos uma visão de Cristo crucificado.

Tire a cruz de Cristo, e a Bíblia será um livro obscuro. Ela seria como os hieróglifos egípcios, sem a chave que interpreta o seu significado – curiosa e maravilhosa, mas sem qualquer serventia real.

Leitor, observe bem o que eu lhe digo. Você pode conhecer uma boa porção da Bíblia. Pode conhecer os contornos das histórias nela contidas, e até a data dos eventos que a Bíblia descreve, assim como alguém pode conhecer a história da Inglaterra. Você pode conhecer os nomes dos homens e mulheres nela mencionados, assim como um homem conhece César, Alexandre o Grande, ou Napoleão. Você pode conhecer vários preceitos da Bíblia, e os admirar, assim como um homem admira Platão, Aristóteles, ou Sêneca. Mas se você ainda não descobriu que Cristo crucificado é o fundamento de cada livro, você tem lido a Bíblia até agora de modo muito pouco proveitoso. Sua religião é um céu sem um sol, um arco sem um fecho, um compasso sem uma agulha, um relógio sem molas ou valores, um candeeiro sem óleo. Ela não o confortará. Ela não livrará a sua alma do inferno.

Leitor, observe mais uma vez o que eu lhe digo. Você pode conhecer bastante acerca de Cristo, tendo alguma espécie de conhecimento intelectual. Você pode conhecer bem quem Ele foi, e onde Ele nasceu, e o que Ele fez. Você pode conhecer Seus milagres, Suas falas, Suas profecias, e Suas ordenanças. Você pode saber como Ele viveu, como Ele sofreu, e como Ele morreu. Contudo, pode-se conhecer o poder da cruz de Cristo experimentando-o; deveras - a menos que você saiba e reconheça que aquele sangue derramado sobre a cruz lavou seus próprios pecados particulares, e a menos que você esteja disposto a confessar que sua salvação depende inteiramente da obra que Cristo realizou sobre a cruz -, se não for esse o seu caso, Cristo não lhe será em nada proveitoso. Sim, o mero conhecimento do nome de Cristo jamais o salvará. Você deve conhecer a Sua cruz e o Seu sangue, ou então acabará morrendo em seus próprios pecados.

Leitor, enquanto você viver, tome cuidado com uma religião na qual não se ouve muito da cruz. Você vive em tempos nos quais a cautela, lamentavelmente, é necessária. Cuidado, eu repito, com uma religião sem a cruz.

Há centenas de lugares de adoração nestes dias, nos quais se encontram quase todas as coisas, exceto a cruz. Há carvalhos gravados, e pedras esculpidas; há vidros coloridos, e pinturas esplêndidas; há serviços solenes, e uma constante série de ordenanças; mas a cruz real de Cristo não há. Jesus crucificado não é proclamado no púlpito. O Cordeiro de Deus não é exaltado, e a salvação mediante a fé n’Ele não é livremente proclamada. E, por conseguinte, todos estes lugares estão em erro. Leitor, acautele-se de tais lugares de adoração. Eles não são apostólicos. Eles não haveriam de satisfazer a São Paulo.

Há milhares de livros religiosos publicados hodiernamente, nos quais se acham quase todas as coisas, exceto a cruz. Eles são plenos de direcionamentos sobre os sacramentos, e louvores da Igreja; eles abundam em exortações para uma vida santa, e em regras para a consecução da perfeição; eles apresentam fartura de fontes e cruzes, tanto interna quanto externamente; mas a cruz real de Cristo é deixada de fora. O Salvador e Seu amor agonizante tampouco são mencionados, ou o são de um modo anti-escriturístico. E, por conseguinte, todos estes livros são piores do que imprestáveis. Eles são não apostólicos. Eles jamais satisfariam a São Paulo.

Leitor, São Paulo não se gloriava em nada mais, a não ser na cruz. Esforce-se para também ser assim. Coloque Jesus crucificado sempre diante dos olhos de sua alma. Não ouça qualquer ensino que interponha algo entre você e Ele. Não caia no antigo erro dos gálatas. Não pense que alguém nestes dias seja melhor guia do que os apóstolos. Não se envergonhe das antigas veredas, nas quais percorreram homens que foram inspirados pelo Espírito Santo. Não deixe que a conversa vazia de homens que proferem grandes palavras dilatadas sobre a catolicidade, e a igreja, e o ministério, perturbem a sua paz, e o façam despreender-se da cruz. As igrejas, os ministros e os sacramentos são todos importantes a seu próprio modo, mas eles não são Cristo crucificado. Não dê a glória de Cristo a nenhum outro. “Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor”.

Leitor, pus tais pensamentos diante de sua mente. O que você pensa agora sobre a cruz de Cristo? Eu não posso dizer; mas não posso desejar a você algo melhor do que isto – que você possa ser capaz de dizer com o apóstolo Paulo, antes de você morrer ou apresentar-se ao Senhor, “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”. Amém.

 

Por: J.C. Ryle

Fonte: Monergismo.com

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Abraçando o Sofrimento | John Piper

John Piper, neste sermão, pregado no Passion 2013, nos convida a abraçarmos o sofrimento pela causa de Cristo e da libertação de pessoas da escravidão das trevas, capacitados pela promessa de imensa alegria em Cristo no paraíso e, assim, libertos do medo da autoproteção.
Fonte:
Voltemos ao Evangelho

Por que Cristo morreu? | John Stott

porquejesusmorreuPode ser útil responder a essa pergunta em quatro estágios, começando com o claro e não controverso, e, passo a passo, ir penetrando mais profundamente no mistério.

 

 

Primeiro, Cristo morreu por nós. Além de ser necessária e voluntária, sua morte foi altruísta e benéfica. Ele a empreendeu por nossa causa, não pela sua, e cria que através dela nos garantia um bem que não poderia ser garantido de nenhum outro modo. O Bom Pastor, disse ele, ia dar a sua vida pelas ovelhas, em benefício delas. Similarmente, as palavras que ele proferiu no cenáculo, ao dar o pão aos seus discípulos, foram: "Isto é o meu corpo oferecido por vós". Os apóstolos pegaram esse simples conceito e o repetiram, às vezes tornando-o mais pessoal, trocando a segunda pessoa pela primeira: "Cristo morreu por nós". Ainda não há nenhuma explicação e nenhuma identificação da bênção que ele nos assegurou mediante a sua morte, mas pelo menos concordamos quanto às expressões "por vós" e "por nós".

Segundo, Cristo morreu para conduzir-nos a Deus (1 Pedro 3:18). O foco do propósito benéfico da sua morte é a nossa reconciliação. Como diz o Credo Niceno: "por nós (geral) e por nossa salvação (particular) ele desceu do céu. . ." A salvação que ele conseguiu para nós mediante sua morte é retratada de vários modos. Às vezes é concebida negativamente como redenção, perdão ou libertação. Outras vezes é positiva — vida nova ou eterna, ou paz com Deus no gozo de seu favor e comunhão. No presente, o vocabulário preciso não importa. O ponto importante é que, em conseqüência da sua morte, Jesus é capaz de conferir-nos a grande bênção da salvação.

Terceiro, Cristo morreu por nossos pecados. Nossos pecados eram o obstáculo que nos impedia de receber o dom que ele desejava darnos. De modo que eles tinham de ser removidos antes que a salvação nos fosse outorgada. E ele ocupou-se dos nossos pecados, ou os levou, na sua morte. A expressão: "por nossos pecados" (ou fraseado muito similar) é usada pela maioria dos escritores do Novo Testamento; parece que eles tinham certeza de que — de um modo ainda não determinado — a morte de Cristo e nossos pecados se relacionavam. Eis uma amostra de citações:

"Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras" (Paulo); "Cristo morreu pelos pecados uma vez por todas" (Pedro); "Ele apareceu de uma vez por todas. . . para desfazer o pecado mediante o sacrifício de si mesmo", e ele "ofereceu de uma vez por todas um sacrifício pelos pecados"(Hebreus); "o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo o pecado" (João); "àquele que nos ama e nos libertou de nossos pecados através do seu sangue. . . seja a glória" (Apocalipse).

Todos estes versículos (e muitos mais) ligam a morte de Jesus aos nossos pecados. Que elo é esse?

Quarto, Cristo sofreu a nossa morte, ao morrer por nossos pecados. Isso quer dizer que se a sua morte e os nossos pecados estão ligados, esse elo não é efeito de mera conseqüência (ele foi vítima de nossa brutalidade humana), mas de penalidade (ele suportou em sua pessoa inocente a pena que nossos pecados mereciam). Pois segundo a Escritura, a morte se relaciona com o pecado como sua justa recompensa: "o salário do pecado é a morte"(Romanos 6:23).

A Bíblia toda vê a morte humana não como um evento natural, mas penal. E uma invasão alienígena do bom mundo de Deus, e não faz parte de sua intenção original para a humanidade. É certo que o registro fóssil indica que a pilhagem e a morte existiam no reino animal antes da criação do homem. Porém parece que Deus tinha em mente um fim mais nobre para os seres humanos portadores de sua imagem, fim talvez semelhante ao traslado que Enoque e Elias experimentaram, e à "transformação" que ocorrerá com aqueles que estiverem vivos na volta de Jesus.

Através de toda a Escritura, pois, a morte (tanto física como espiritual) é vista como juízo divino sobre a desobediência humana. Daí as expressões de horror com relação à morte, a sensação de anomalia de que o homem se tivesse tornado como as bestas que perecem, uma vez que o mesmo destino aguarda a todos. Daí também a violenta indignação de que Jesus foi alvo em seu confronto com a morte ao lado do túmulo de Lázaro. A morte era um corpo estranho. Jesus resistiu-lhe; ele não pôde aceitá-la.

Se, pois, a morte é a pena do pecado, e se Jesus não tinha pecado próprio em sua natureza, caráter e conduta, não devemos dizer que ele não precisava ter morrido? Não poderia ele, em vez de morrer, ter sido trasladado? Quando o seu corpo se tornou translúcido durante a transfiguração no monte, não tiveram os apóstolos uma previsão do seu corpo da ressurreição (daí a instrução de a ninguém contarem acerca desse acontecimento até que ele ressurgisse dentre os mortos, Marcos 9:9)? Não podia ele naquele momento ter entrado no céu e escapado à morte? Mas ele voltou ao nosso mundo a fim de ir voluntariamente à cruz. Ninguém lhe tiraria a vida, insistia ele; ele ia dá-la de sua própria vontade. De modo que quando o momento da morte chegou, Lucas a representou como um ato autodeterminado do Senhor. "Pai", disse ele, "nas tuas mãos entrego o meu espírito". Tudo isso significa que a simples afirmativa do Novo Testamento: "ele morreu por nossos pecados" diz muito mais do que aparenta na superfície. Afirma que Jesus Cristo, sendo sem pecado e não tendo necessidade de morrer, sofreu a nossa morte, a morte que nossos pecados mereciam.

  • John Stott
  • In: A Cruz de Cristo.
  • Extraído do Blog: Cinco Solas

domingo, 31 de março de 2013

A realidade do sofrimento na cruz | JC Ryle

O que era uma crucificação?

cross-and-nailVamos tentar perceber, e compreender a miséria da crucificação. A pessoa que era crucificada, colocava-se em suas costas em um pedaço de madeira, com um outro pedaço pregado perto do final,  ou no tronco de uma árvore com armas de ramificação, que correspondessem á mesma finalidade. Suas mãos e unhas estavam cravadas sobre a peça transversal conduzido através de cada um deles, prendendo-os à madeira. Seus pés foram pregados a parte em forma vertical como da cruz. E, em seguida, após o corpo ter sido preso de forma segura, a cruz foi levantado, e fixado firmemente no chão. E há pendurou a vítima infeliz até a dor e a exaustão o levar ao  seu fim – para não morrer de repente, nenhuma parte vital dele foi ferido - mas suportar a agonia mais dolorosa de suas mãos e pés, e incapaz de se mover.

Essa foi a morte de cruz. Tal era a morte, que Jesus morreu por nós! Por seis longas horas que ele ficou pendurado diante de uma multidão olhando, nu e sangrando da cabeça aos pés - Sua cabeça perfurada com espinhos – as costas dilacerada pelos açoites do chicote - Suas mãos e pés tranpassados pelos pregos cravos, e, ainda, a zombaria e o desprezo por seus inimigos cruéis até o umtimo instante.

Meditemos com frequencia sobre estas coisas. Lembremo-nos de muitas vezes ler sobre a história da cruz de Cristo e paixão de Cristo. Lembremos-nos, não menos importante, que todos estes sofrimentos horríveis nasceram sem um murmúrio. Nenhuma palavra de impaciência saiu dos lábios de nosso Senhor. Ele foi perfeito, tanto na vida como na morte, Satanás nada encontrou nEle. ( João 14:30 ).

Autor e Fonte: J.C. Ryle

Pensamentos expositivos sobre os Evangelhos: Mateus , [Carlisle, PA: Banner of Truth , 1986], 390, 391. {Mateus 27:27-44}

quarta-feira, 6 de março de 2013

Crente Até o Fim | Augustus Nicodemus

Passagem Bíblica: Hebreus 11:8-19
Série: Exposição em Hebreus

Fonte: Igreja Presbiteriana de Sto. Amaro

Um lugar seguro | J.C.Ryle

Você deve considerar seriamente que tipo de ministério você está habituado acruz22 frequentar, supondo que você tem uma escolha. De fato, você tem razões para ser cuidadoso.

Não é tudo a mesma coisa, independente do que as pessoas possam dizer. Eu temo que existam muitos lugares de adoração onde se possa ver por muito tempo o Cristo crucificado, e nunca encontrá-lo. Ele está escondido debaixo de cerimônias exteriores, empurrado para trás da fonte batismal e perdido de vista sob a sombra da Igreja. “... levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram” (Jo 20:13).

Tenha cautela onde você se acomoda. Teste tudo através desse simples teste: “Jesus e o perdão gratuito é proclamado aqui?”. Pode haver bancos confortáveis, pode ter uma boa música e ter sermões sábios. Mas se o Evangelho de Cristo não é o sol e o centro de todo o lugar, não arme sua tenda lá.

Antes, diga junto com Isaque: “Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?”(Gn 22:7). Esteja muito seguro de que esse não é o lugar para sua alma.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Pecado | D. M. Lloyd Jones

Ninguém jamais terá uma concepção verdadeira do ensino bíblico sobre a redenção, se não possuir clareza de entendimento sobre a doutrina bíblica do pecado. E essa é a razão por que muitas pessoas, em nossos dias, são inseguras e vagas em suas idéias a respeito da redenção.

“A idéia mais comum é a de que o Senhor Jesus é um tipo de amigo ao qual todos podem recorrer em dificuldades, como se isso fosse tudo a respeito dEle”.

O Senhor Jesus é esse tipo de amigo — e temos de agradecer a Deus! Mas isso não é redenção em todo o seu escopo, em sua inteireza ou em sua essência. Você não pode começar a avaliar a redenção, até que compreenda o que a Bíblia nos ensina a respeito da condição do homem no pecado e de todos os efeitos do pecado no homem. Permita-me dizê-lo com outras palavras:

“Você não pode entender a doutrina da encarnação de Cristo, a menos que entenda a doutrina do pecado”.

A Bíblia nos ensina que o homem estava em uma condição tão deplorável, que exigia a vinda, dos céus à terra, da Segunda Pessoa da bendita e santíssima Trindade. Ele teve de humilhar-se e assumir a natureza humana, nascendo como um bebê. Isso era absolutamente essencial, para que o homem fosse redimido. Por quê? Por causa do pecado e da sua natureza. Por conseguinte, você não pode entender a encarnação de Jesus, a menos que tenha um entendimento claro sobre o pecado. De maneira semelhante, considere a cruz no monte Calvário.

  • O que ela significa?
  • O que a cruz nos diz?
  • O que aconteceu lá?

Digo novamente que você não pode entender a morte de nosso Senhor e o que Ele fez na cruz, se não possui um entendimento claro sobre a doutrina do pecado. A completa imprecisão das idéias de muitas pessoas a respeito da morte de nosso Salvador se deve completamente a este fato:

“E elas não gostam da doutrina da substituição, não gostam da doutrina do sofrimento penal. Isso acontece porque nunca compreenderam o problema e não vêem o homem como um criatura caída no pecado”.

Estas são as doutrinas fundamentais da fé cristã; não se pode entender a redenção, exceto à luz da terrível condição do homem no pecado.

Por: D. M. Lloyd Jones

Fonte: Editora Fiel

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Heresias no meio Evangélico | Alex Belmonte

Há desde confissões que Deus morreu na cruz, á anjos que assumem o ministério do Espírito Santo.

O famoso pregador sobe ao púlpito. Faz uma excelente apresentação de sua pessoa, uma oração fervorosa e em seguida dá início á sua pregação. Vinte minutos depois, ele solta um grito com voz firme:

“Deus vai enviar nesta noite o anjo do consolo, que estará ao seu lado 24 horas por dia. A partir de hoje, sua vida não será mais a mesma”.

O povo vibrante se perde num tremendo barulho de glórias a Deus e “aleluias”, e línguas estranhas. Mas ninguém atentou para o cúmulo do absurdo teológico: Um anjo toma o papel do Espírito Santo na vida do crente, e passa a ser o canal de segurança nos momentos difíceis da jornada cristã.

É o que tem acontecido diariamente em nossos púlpitos pelo Brasil a fora. Pregadores dos mais diversos estilos, conferencistas que se dizem internacionais, cantores cuja inspiração passa longe da verdade bíblica. Um verdadeiro show de heresias dos mais importantes assuntos da Bíblia.

Em meio a tudo isso, os crentes fiéis à sã doutrina, perguntam: O que está acontecendo com nossos pregadores? Por que insistem em cometer tamanhos erros? Como os pastores e líderes devem evitar tal constrangimento?

Por que os crentes ainda aceitam esse tipo de golpe contra a Palavra de Deus e ainda pagam por isso?

Quero neste pequeno espaço lhe responder de forma sincera e coerente a todos estes questionamentos e compartilhar a realidade do que está acontecendo no universo evangélico.

O que é uma heresia? E quando ela é exposta?

Primeiro precisamos saber o que vem a ser uma heresia.

A palavra heresia está interligada á palavra seita. Ambas derivam da palavra grega “ háiresis”, que significa escolha, partido tomado, corrente de pensamento, divisão, escola etc. A palavra heresia é adaptação de “háiresis” . Quando passada para o latim, “háiresis” virou “secta”. Foi do latim que veio a palavra seita. Originalmente, a palavra não tinha sentido pejorativo. Quando o Cristianismo foi chamado de seita (At 24.5), não foi em sentido depreciativo. Os líderes judaicos viam os cristãos como mais um grupo, uma facção dentro do judaísmo. Com o tempo, “háiresis” também assumiu conotação negativa, como em 1ª Co 11.19; Gl. 5.20 e 1ª Pe. 1.1, 2.

Em termos teológicos, podemos dizer que seita refere-se a um grupo de pessoas e que heresia indica as doutrinas antibíblicas defendidas pelo grupo. Baseando-se nessa explicação, podemos dizer que um cristão imaturo pode estar ensinando alguma heresia sem, contudo, fazer parte de uma seita.

Não podemos também confundir heresia com erro de interpretação bíblica. Ou seja, uma heresia é tudo aquilo que venha ferir os Fundamentos da Palavra, a ortodoxia cristã. Erro de interpretação é quando um cristão, dedicado ao aprendizado bíblico, passa uma informação errada a respeito de determinado texto, podendo ele depois reconhecer seu erro e continuar na busca do saber.

Não podemos sair por aí “caçando as bruxas”, chamando todo mundo de herege por simples erros de entendimento teológico.

O que estamos trazendo aqui são questões de profunda seriedade doutrinária. Ensinos em propagação que atingem as bases da fé.

Onde estão essas heresias?

Elas surgem por meio de mensagens até mesmo de famosos pregadores e até em louvores, por falta de atenção aos ensinos da Bíblia. São frases de grave impacto espiritual, declarações conflitantes com a pura teologia e pensamentos expostos sem nenhuma base ou fundamento real. Verdadeiras metralhadoras de confusão doutrinária.

Mas afinal, que perigo essas heresias possuem?

No exemplo que mencionei no início do artigo, o mais grave perigo revela-se na exclusividade angelical transmitida pelo orador e no enfraquecimento da ação do Espírito Santo na vida do crente fiel. O tal “anjo do consolo” passa a ser exigido nas situações mais difíceis da jornada cristã, deixando de lado a verdade de que o nosso consolador é o Espírito Santo, É Ele que está na vida do crente e conhece todas as suas fraquezas e necessidades. O Espírito Santo orienta, fala, nos dá direção:

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre. Mas aquele Consolador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito”. (João14.16, 26).

Por que tais pregadores insistem em cometer tamanhos erros? E por que os crentes aceitam?

Muitos pregadores estudam a Bíblia, mas, não de forma sistemática, dando-a atenção merecida. Não se preocupam com o fundo teológico que está interligado com o pano de fundo cultural, social e doutrinário.

Quando então lêem algum versículo, tiram conclusões imaginárias criando, assim, uma grande contradição entre os ensinos da Palavra de Deus. A maioria dos cristãos aceitam tais absurdos, por não conhecerem de forma clara a seriedade dos efeitos espirituais que muitos falsos ensinos causaram. Os “pais da Igreja” muito sofreram para enfrentar as heresias primitivas que tentavam destruir as bases do cristianismo. Heresias essa que eram pregadas pelos próprios ministros cristãos.

Exemplos de heresias no meio evangélico

Nos louvores:

Há um louvor que diz “eu fui no terreno do inimigo e eu tomei tudo que me roubou…Debaixo do meu pé… Satanás debaixo do meu pé”.

Precisamos entender que, o que o Diabo tirou do homem, Cristo resgatou na cruz do calvário. E mais, ele não tem terreno e nós menos ainda, poder para tirar algo dele. Deus tem todo-poder. Satanás não está debaixo de nossos pés e sim ao derredor.

E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás. A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco. (Rm 16:20)

Outro louvor diz:

“No caminho do Golgota lá foi Deus..” O louvor afirma que Deus morreu!

As 10 heresias mais propagadas:

Apenas dez das centenas de heresias e erros teológicos cometidos pelos não zelosos.

  • 1. Deus vai colocar arcanjos e querubins para te proteger!
  • 2. Nós salvos, seremos como Deus, eternos!
  • 3. Cristo é vida!
  • 4. A trindade? Três manifestações de Deus!
  • 5. Deus morreu na cruz por você!
  • 6. A Bíblia contém a Palavra de Deus.
  • 7. Um dia todos nós morreremos!
  • 8. O Espírito Santo é o fogo de Deus!
  • 9. Oremos: …em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém.
  • 10. Sai demônio! Pelo sangue de Jesus.

Refutando as heresias mencionadas

( Deus vai colocar arcanjos e querubins para te proteger!)

1. Esta frase fere a hierarquia angelical organizacional estabelecida por Deus. Querubins e “arcanjos” não foram separados para proteger o homem; O salmo 34.7 diz: “O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra”. O texto diz o anjo. Deus pôs os anjos em suas funções específicas e não podemos ignorar isso como se o céu fosse uma desordem.

(Nós salvos, seremos como Deus, eternos!)

2. Não seremos eternos, pois já somos imortais. Estaremos sim, na eternidade com Deus. Aleluia! É eterno o que não tem começo nem fim. Aquilo que é eterno é incriado. Somente Deus é eterno. Já o imortal é aquilo que tem começo, mas não tem fim. Tudo aquilo que é imortal é criado. O homem, ao nascer, é, portanto, uma simples criatura de Deus. É, porém, uma criatura especial, porque tem a possibilidade de se tornar filho de Deus.

(Cristo é vida!)

3. João 14.6 diz “a vida”. Quando falamos que Cristo é vida estamos em acordo com o panteísmo que prega: A natureza é vida, o animal é vida, tudo é vida, Cristo é vida! Tudo é divino, tudo é Deus.

(A trindade? Três manifestações de Deus!)

4. A trindade são três pessoas e não manifestações. Foi isso que tentou fazer Sabélio (180-250) um dos mais destacados hereges primitivos. Sabélio ensinava que havia uma única essência na divindade, contudo, rejeitava o conceito de três Pessoas em uma só essência. Afirmava que isso designaria um culto “triteísta”, isto é, de três deuses. A questão poderia ser resolvida, afirmava, pelo conceito de que Deus se apresentaria com diversas faces ou manifestações.

Fiz uma pesquisa em certa igreja local e descobri que 70% dos membros criam no ensino acerca da trindade, mas não sabiam explicar com clareza e ainda, cometiam erros.

(Deus morreu na cruz por você!)

5. Deus não morre e sim o homem. Por isso que Jesus foi Deus – homem. A sua morte revela sua condição humana. E Deus o ressuscitou. O sentido da palavra Deus na Bíblia é essência, substância e natureza divina.

(A Bíblia contém a Palavra de Deus.)

6. Se você diz que a Bíblia contém a Palavra de Deus, está afirmando que outros livros como Alcorão, Princípio Divino (Mormonismo), A Bhagavad Gita (Livro Hindu) e outros, contém também a Palavra de Deus.

A Bíblia não contém a palavra de Deus, ela é a Palavra de Deus.

(Um dia todos nós morreremos!)

7. Se a Igreja for arrebatada, “num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados”. 1ª Co. 15.52. Os salvos que estão vivos não precisarão morrer para subir.

(O Espírito Santo é o fogo de Deus!)

8. O Espírito Santo é Espirito Pessoal, ou seja, o fogo é símbolo do Espírito Santo, e não o próprio. Alías, tem muita gente tratando o Espírito Santo de forma manipulada.

(Oremos: …em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém.)

9. Jesus mandou orar em seu nome: “e tudo quanto pedirdes EM MEU NOME, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa EM MEU NOME, eu a farei”. João 14.13,14

(Sai demônio! Pelo sangue de Jesus.)

10. O sangue de Jesus não foi derramado para expulsar demônios e sim para remissão dos pecados. Mas Jesus disse: “em meu nome expulsarão demônios.” (Marcos 16.17)

Continuemos defendendo a fé no poder do Espírito!

Por: Alex Belmonte

Fonte: Napec

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Cristo Morreu pelo Pecador | Horatius Bonar

" E Deus viu que a maldade do homem era grande na terra,
   
                 e que era continuamente mau todo o desígnio do seu coração (Gn. 6:5)

 

O testemunho divino relativo ao homem é, que ele é um pecador. Deus testemunha contra ele, não a seu favor; e testifica que "não há nenhum justo, nem um sequer"; que "não há quem faça o bem"; nenhum que "entenda"; nenhum "que busque a Deus" e, mais ainda, nenhum que O ame (Sl. 14:1-3; Rm. 3:10-12). Deus fala de forma amável, mas severamente ao homem; como alguém que procura ansiosamente por uma criança perdida, contudo sem fazer qualquer concessão para com o pecado, e que "de modo nenhum inocenta o culpado".(Na.1:3)

 

Ele declara o homem perdido, alguém que se desviou, um rebelde, alguém " aborrecido de Deus " (Rm. 1:30); não um pecador ocasional, mas um pecador em tempo integral; não um pecador com partes boas, mas um pecador por completo; não satisfazendo-se com a bondade; mau tanto no coração quanto na vida, "morto em delitos e pecados" (Ef. 2:1); um praticante do mau, e consequentemente debaixo de condenação; um inimigo de Deus, e por isso "debaixo da ira"; alguém que continuamente quebra a reta lei de Deus, estando portanto "debaixo da maldição da lei" (Gl. 3:10). O pecador não somente traz o pecado diante de si, mas ele o carrega consigo, como seu segundo eu; ele é um "corpo de pecado" (Rm. 6:6), e " corpo de morte " (Rm. 7:24), não sujeito à lei de Deus, mas a " lei do pecado " (Rm. 7:23).

 

Há ainda outra sentença pior contra ele. Ele não acredita no nome do Filho de Deus, nem ama o Cristo de Deus. Este é o principal pecado dele. Que o coração dele não é reto para com Deus, é a primeira sentença contra ele. Que o coração dele não é reto para com o Filho de Deus, é a segunda. E esta segunda sentença, que é a principal de todas, traz sobre si mais terrível condenação do que todos os outros pecados juntos.

 

"O que não crê (nEle), já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus" (Jo 3:18). "Aquele que não dá crédito a Deus, O faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus dá acerca do seu Filho"(1 Jo. 5:10). "Quem, porém, não crer será condenado" (Mc. 16:16). E, portanto, o primeiro pecado que o Espírito Santo leva em conta, é a incredulidade; "quando Ele [o Espírito Santo] vier, convencerá o mundo do pecado...: do pecado porque não crêem em mim " (Jo. 16:8-9).

 

O homem não pode dizer uma só palavra boa sobre si mesmo, ou ainda declarar-se inocente, a menos que ele possa mostrar que ama, e sempre amou a Deus de todo coração e alma. Se ele pode dizer isto verdadeiramente, ele é reto, ele não é um pecador, e não precisa de perdão. Ele achará seu próprio caminho para o reino de Deus, sem a cruz e sem um Salvador.

 

Mas, se ele não pode dizer isto, sua boca está emudecida e ele é culpado diante de Deus . Conquanto uma vida de boa conduta externa possa dispô-lo e a outros a olharem, no presente, favoravelmente para si mesmos, o veredicto contra ele, virá no futuro. Este é o dia do homem, quando os julgamentos dos homens prevalecem; mas o dia de Deus está vindo, quando o caso será julgado em seus reais méritos. Então o Juiz de toda a terra fará justiça, e o pecador será envergonhado. Este é um veredicto divino, não humano. É Deus, não o homem, que condena; e "Deus não é homem para mentir". Este é o testemunho de Deus relativo ao homem, e nós sabemos que este testemunho é verdadeiro. Compete-nos recebê-lo como tal, e agirmos baseados nisto.

 

"Olhai para mim, e sede salvos, vós, todos os termos da terra; porque Eu sou Deus, e não há nenhum outro " (Is. 45:22), um "Deus justo e Salvador" (v. 21). "Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar" (Is. 55:7).

 

Volte seus olhos, olhos da fé, para a cruz e veja estas duas coisas: os crucificadores e o crucificado. Veja os crucificadores, os inimigos de Deus e do Seu Filho, Jesus. Eles são você. Perceba neles o seu próprio caráter. Então agora, veja O crucificado. É o próprio Deus; amor encarnado. Seu Criador, Deus manifesto em carne, sofrendo, morrendo pelo pecador. Você pode duvidar da Sua graça? Você pode acalentar pensamentos maus sobre Ele? Você pode imaginar qualquer outra coisa, que desperte em você a mais completa e franca confiança? Você interpretará mal aquela agonia e morte, dizendo que elas não querem dizer graça, ou que a graça que elas representam não são para você? Relembre o que está escrito:"Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós" (1 Jo. 3:16) e, "Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou, e enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados " (1 Jo. 4:10).

Nota Sobre o Autor:
Horatius Bonar foi um pastor escocês que se destacou como um perito pregador do Evangelho de Cristo, e também como autor de diversos poemas e hinos, como "Honra, Poder, Majestade", "Cantai! Exultai!", "Rio da Vida", "A Voz de Jesus", dentre tantos outros que enfileiram-se com os de Isaac Watts e Newton, além de escritor de livros como "Como Irei a Deus?" Ed.Fiel.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Pecado e a Glória de Cristo | D. M. Lloyd-Jones


Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. I Timóteo 1.15
Ninguém jamais terá uma concepção verdadeira do ensino bíblico sobre a redenção, se não possuir clareza de entendimento sobre a doutrina bíblica do pecado. E essa é a razão por que muitas pessoas, em nossos dias, são inseguras e vagas em suas idéias a respeito da redenção. A idéia mais comum é a de que o Senhor Jesus é um tipo de amigo ao qual todos podem recorrer em dificuldades, como se isso fosse tudo a respeito dEle. O Senhor Jesus é esse tipo de amigo - e temos de agradecer a Deus! Mas isso não é redenção em todo o seu escopo, em sua inteireza ou em sua essência. Você não pode começar a avaliar a redenção, até que compreenda o que a Bíblia nos ensina a respeito da condição do homem no pecado e de todos os efeitos do pecado no homem. Permita-me dizê-lo com outras palavras: você não pode entender a doutrina da encarnação de Cristo, a menos que entenda a doutrina do pecado.

A Bíblia nos ensina que o homem estava em uma condição tão deplorável, que exigia a vinda, dos céus à terra, da Segunda Pessoa da bendita e santíssima Trindade. Ele teve de humilhar-se e assumir a natureza humana, nascendo como um bebê. Isso era absolutamente essencial, para que o homem fosse redimido. 
  • Por quê? 
Por causa do pecado e da sua natureza. Por conseguinte, você não pode entender a encarnação de Jesus, a menos que tenha um entendimento claro sobre o pecado. De maneira semelhante, considere a cruz no monte Calvário. 
  • O que ela significa? 
  • O que a cruz nos diz? 
  • O que aconteceu lá? 

Digo novamente que você não pode entender a morte de nosso Senhor e o que Ele fez na cruz, se não possui um entendimento claro sobre a doutrina do pecado. A completa imprecisão das idéias de muitas pessoas a respeito da morte de nosso Salvador se deve completamente a este fato: e elas não gostam da doutrina da substituição, não gostam da doutrina do sofrimento penal. Isso acontece porque nunca compreenderam o problema e não vêem o homem como um criatura caída no pecado. 
Estas são as doutrinas fundamentais da fé cristã; não se pode entender a redenção, exceto à luz da terrível condição do homem no pecado.
Por: D. M. Lloyd-Jones
Fonte: Editora Fiel