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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

O Caminho do Crente: A Essência de Andar Humildemente com Deus, Segundo John Owen

Introdução: O Chamado Divino à Humildade

Diante da majestade e santidade de Deus, o profeta Miquéias destila a essência da vida piedosa em uma única e profunda exortação: “que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus” (Miquéias 6:8). Este chamado ressoa em contraste direto com a tendência humana natural, magistralmente descrita pelo teólogo puritano John Owen. 

Quando confrontado com a convicção do pecado, o coração humano, em seu pânico e orgulho, busca apaziguar a Deus por meio de obras e sacrifícios auto-idealizados. Propõe “milhares de carneiros” ou mesmo o sacrifício horrendo do “primogênito”, em uma tentativa desesperada de construir uma ponte sobre o abismo criado pela transgressão. Owen nos ensina que este é um erro fundamental. A resposta de Deus não é um convite à barganha, mas um chamado à comunhão. Este ensaio explorará a profunda instrução de Owen sobre o que significa verdadeiramente "andar humildemente com o teu Deus", dissecando os dois pilares fundamentais sobre os quais essa caminhada se assenta: a submissão à lei da graça e a submissão à lei da providência.

1. O Fundamento da Caminhada: Pré-requisitos para a Comunhão com Deus

É de importância estratégica compreender que "andar com Deus" não é um esforço casual ou um empreendimento presunçoso, mas uma comunhão deliberada que exige pré-condições divinamente estabelecidas. Antes que a alma possa dar o primeiro passo neste caminho sagrado, certos fundamentos devem ser firmemente estabelecidos. Não nos enganemos: sem estes, toda a nossa religião não passa de um labor no fogo. Esta seção analisará os requisitos essenciais que, segundo a análise de Owen, tornam essa caminhada não apenas possível, mas também aceitável aos olhos de Deus.

1.1. Paz e Acordo Através do Sacrifício

Baseado na pergunta retórica do profeta Amós — "Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?" (Amós 3:3) — Owen afirma que a paz com Deus é o pré-requisito indispensável para andar com Ele. Essa paz, no entanto, não é um sentimento subjetivo alcançado por esforços humanos, mas uma realidade objetiva fundamentada exclusivamente na obra de Cristo, que é a "nossa paz" (Efésios 2:14). Tentar se aproximar de Deus sem essa paz reconciliadora é um ato de profunda presunção. Owen adverte que, para aqueles que não estão em aliança com Deus através do sangue de Cristo, todas as suas obras são inúteis, como "os dons de inimigos, que são egoístas, enganosos e, de todas as coisas, a serem abominados". Aos olhos de Deus, tal obediência não é comunhão, mas uma provocação. É o ato de um "rebelde ousado e presunçoso" que se impõe à companhia de Alguém com quem está em inimizade, e que a qualquer momento pode rasgá-lo em pedaços.

1.2. Unidade de Propósito: A Glória da Graça Divina

Uma verdadeira caminhada com Deus exige uma unidade de desígnio. Não basta simplesmente caminhar na mesma direção; é preciso compartilhar o mesmo propósito. Owen destila os dois grandes objetivos de Deus nesta jornada com o crente: primeiro, a exaltação de Sua gloriosa graça, e segundo, o gozo do próprio Deus como a recompensa final e supereminente do crente. É esta a promessa fundamental sobre a qual a aliança se baseia, quando Deus chama Abraão para andar diante dEle: "Eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão" (Gênesis 15:1). Em contraste direto, Owen expõe os motivos indignos que frequentemente impulsionam a religiosidade humana: o costume, o ganho terreno, a reputação ou a mera satisfação da consciência. Quando a obediência é motivada por tais fins egoístas, ela deixa de ser uma caminhada com Deus e se transforma em uma forma sutil de oposição a Ele.

1.3. O Princípio Vital: Uma Nova Vida em Cristo

Com uma analogia simples e poderosa, Owen ressalta a impossibilidade de um homem morto andar. Para que haja uma caminhada espiritual, deve haver um princípio de vida espiritual. A obediência aceitável a Deus não pode ser um movimento mecânico; deve emanar de uma nova natureza, de um coração vivificado pelo Espírito de Cristo. Owen observa que muitos são movidos em seus deveres religiosos por forças externas — costume, medo do inferno, reputação ou autojustiça — em vez de um princípio de vida interior. Tais movimentos, embora possam ter a aparência de piedade, são para Deus uma "carcaça morta". Considere, leitor: "Não preferiria um homem andar sozinho, a ter uma carcaça morta, tirada de uma sepultura, e movida por uma força e poder externos, para acompanhá-lo?". Assim é, para Deus, a obediência desprovida da vida que flui de Cristo.

Estabelecidos esses fundamentos — a paz com Deus, a unidade de propósito e um princípio de vida nova — torna-se possível examinar a natureza da obediência que constitui a própria caminhada humilde, uma caminhada cujo peso eterno não podemos ignorar.

2. O Coração da Humildade: Submissão à Lei da Graça de Deus

John Owen apresenta a "lei da graça" não como uma sugestão, mas como a constituição inalterável da nova aliança, o sistema operacional que governa a relação entre Deus e o pecador redimido. Humilhar-se a essa lei significa abandonar completamente a mentalidade de autojustificação e abraçar os paradoxos do evangelho. É um passo de submissão que muitos, como os fariseus do tempo de Cristo, falharam em dar. Eles tinham zelo por Deus e buscavam a justiça, mas, como afirma Owen, "não se submeteram à justiça de Deus", preferindo estabelecer a sua própria. Andar humildemente com Deus, portanto, começa com uma capitulação incondicional aos termos da Sua graça soberana.

2.1. Renunciando a Si Mesmo: O Ponto de Partida da Perdição

O primeiro e mais fundamental requisito da humildade perante a lei da graça, segundo Owen, é que o crente fundamente toda a sua obediência no reconhecimento de si mesmo como uma criatura "perdida, desfeita, um objeto de ira". Esta não é uma mera confissão teórica, mas uma convicção profunda que molda toda a sua aproximação de Deus. Ecoa as palavras de Cristo: "Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores" (Mateus 9:13), e encontra seu testemunho supremo no apóstolo Paulo: "Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal" (1 Timóteo 1:15). A falha em se humilhar a este ponto de partida — a própria condição de perdição — inevitavelmente leva a pessoa a confiar, ainda que sutilmente, em sua própria força e mérito, lançando as bases de sua obediência sobre um "lodaçal" de autojustiça.

2.2. Abraçando a Justiça Alheia: O Paradoxo do Evangelho

Aqui reside um dos maiores desafios para o orgulho humano. Owen articula a profunda exigência de que o crente, mesmo no auge de sua obediência e santidade, deve aceitar uma justiça que "não é sua". Ele descreve o paradoxo: a alma é chamada a renunciar à justiça própria — uma justiça que é vista, sentida e fruto de seu próprio trabalho, jejum e oração — em favor da justiça de Cristo, que é externa, invisível e recebida unicamente pela fé na promessa de Deus. É a troca do que é conhecido e tangível pelo que é crido. Para a mente carnal, isso é loucura. Requer uma profunda humilhação da alma para descartar aquilo que se "sente" como mérito e descansar completamente em uma justiça alheia, recebida como um dom imerecido.

2.3. Uma Nova Motivação para a Obediência

A lei da graça não anula a obediência, mas a restabelece sobre um fundamento inteiramente novo. Utilizando a análise de Owen de Efésios 2:8-10, vemos uma mudança de paradigma radical. A antiga motivação, implícita na lei das obras, era: "fazer boas obras para ser salvo". O evangelho inverte essa lógica: "fazemos boas obras porque somos salvos". A salvação pela graça, recebida pela fé, torna-se a causa, e não o efeito, da obediência. Como Owen afirma, "Deus, salvando-nos pela graça, designou, por essa razão, que andássemos em obediência". As obras deixam de ser uma tentativa de pagar uma dívida e se tornam uma expressão de gratidão por uma dívida já cancelada.

2.4. A Aceitação da Fraqueza e do Sofrimento

A submissão à lei da graça culmina em dois princípios que esmagam o orgulho. Não são pontos distintos, mas facetas da mesma verdade: nossa total dependência de Cristo. Primeiro, a graça nos chama para realizar os maiores deveres — negar a si mesmo, tomar a cruz, morrer para o mundo — enquanto estamos plenamente persuadidos de nossa absoluta fraqueza para realizar o menor deles. O propósito de Deus é nos levar a depender totalmente da força suprida em Cristo, de modo que nossa fraqueza se torne o palco para a demonstração do Seu poder. Segundo, e como consequência direta, a lei da graça exige que o crente aceite a aflição mais aguda acompanhando a obediência mais estrita. O sofrimento nos conforma ao "Capitão da nossa salvação", que foi aperfeiçoado através do que padeceu. A humildade, portanto, equipada pela consciência de sua própria fraqueza, aceita o sofrimento como um meio de comunhão com Cristo. Esta foi a prova que o diabo estava convencido de que Jó falharia, mas na qual, pela graça, ele perseverou para a glória de Deus.

Somente uma alma que se humilhou para receber uma justiça imerecida (a lei da graça) pode encontrar a força para se submeter a um sofrimento que, aos seus próprios olhos, parece igualmente imerecido (a lei da providência).

3. A Prova da Humildade: Submissão à Lei da Providência de Deus

Por que os justos sofrem? Por que o mundo parece estar em caos? Estas não são questões meramente filosóficas, mas angústias profundas da alma que caminha com Deus. A resposta de John Owen não reside em decifrar o mistério, mas em se submeter humildemente à "lei da providência". Owen define esta lei como a execução do decreto eterno de Deus no tempo — Sua soberana disposição sobre todos os assuntos do mundo. Devido à aparente confusão, variedade e angústia nas dispensações de Deus, o crente deve humilhar sua alma a essa lei, submetendo-se não apenas à graça de Deus em Sua Palavra, mas também à soberania de Deus em Suas obras.

3.1. Navegando o Inescrutável

Com base nos argumentos de Owen, as obras da providência são frequentemente impenetráveis à razão humana. Ele ecoa o salmista ao descrever os juízos de Deus como um "grande abismo" e Seu caminho como um "caminho no mar", cujas "pegadas não se conheceram" (Salmos 36:6; 77:19). Os passos de Deus não são traçados para que possamos compreendê-los. Owen aponta para figuras bíblicas como Jó, Davi e Jeremias, homens de fé profunda que, no entanto, lutaram intensamente com a aparente injustiça e o mistério das ações de Deus. Eles questionaram, lamentaram e contenderam, revelando a tensão inerente entre a fé na bondade de Deus e a experiência de um mundo onde os justos sofrem e os ímpios prosperam.

3.2. Curvando-se à Soberania, Sabedoria e Justiça Divinas

Para navegar neste mar inescrutável da providência, Owen argumenta que devemos nos humilhar e aquietar nossa alma diante de três atributos divinos fundamentais:

  • Soberania: Este é o princípio de que Deus, sendo infinitamente maior que o homem, "não presta contas de seus assuntos" (Jó 33:13). Ele possui o direito absoluto de fazer o que Lhe apraz com o que é Seu. A alma humilde cessa de contender e, como Jó, coloca a mão sobre a boca, reconhecendo que Deus é Deus. A paz não vem de receber respostas, mas de se curvar à autoridade dAquele que não precisa dá-las.
  • Sabedoria: Embora não possamos ver como, a humildade confia que a sabedoria infinita de Deus está orquestrando todas as coisas para o bem daqueles que O amam. Nossos pensamentos, diz Owen, estão "confinados a um compasso muito estreito", enquanto Deus tem uma "perspectiva da totalidade". A fé não se ancora em nossa capacidade de entender o plano, mas na certeza de que o Planejador é infinitamente sábio.
  • Justiça: A justiça de Deus, argumenta Owen, muitas vezes não é discernível em eventos isolados, mas será plenamente manifesta no juízo final. Deus governa todas as coisas com uma retidão perfeita, mesmo que isso pareça o contrário em nossa perspectiva limitada. A humildade nos leva a suspender nosso próprio julgamento e a confiar que "o Juiz de toda a terra não fará senão justiça?" (Gênesis 18:25).

A verdadeira paz, portanto, não é encontrada em decifrar os enigmas da providência, mas em se submeter humildemente à soberania, sabedoria e justiça do Providente.

4. A Prioridade Suprema: Por que Andar Humildemente é o Nosso Maior Interesse

John Owen posiciona o ato de "andar humildemente com Deus" não como mais um dever em uma longa lista de obrigações religiosas, mas como o "grande e mais valioso interesse dos crentes". Esta prática transcende todas as outras preocupações, sejam elas o acúmulo de conhecimento teológico, a obtenção de status ou mesmo a mera profissão religiosa externa. É a preocupação central da alma, o eixo em torno do qual toda a vida cristã deve girar, pois é o fim para o qual fomos criados e redimidos.

4.1. O Fim Principal: Glorificar a Deus

Uma caminhada humilde é o principal meio pelo qual os crentes glorificam a Deus neste mundo. Owen demonstra isso através de vários ângulos:

  1. A Doutrina da Graça: Uma vida transformada de orgulho para humildade e de egoísmo para serviço "adorna" a doutrina do evangelho. Quando o mundo observa os frutos da graça na vida de um crente, a mensagem do evangelho é validada e tornada gloriosa.
  2. O Poder da Graça: A transformação de um pecador rebelde em um santo humilde exibe o poder sobrenatural da graça de Deus de uma forma que nenhum milagre externo pode igualar, fazendo "o lobo... morar com o cordeiro".
  3. A Justiça de Deus: A obediência paciente dos santos em meio ao sofrimento serve como um "sinal manifesto do justo juízo de Deus" (2 Tessalonicenses 1:5), testificando ao mundo que há um reino vindouro pelo qual vale a pena sofrer.
  4. O Reino de Deus: Uma vida de humildade e santidade é o meio mais eficaz para a propagação do reino de Deus. É o testemunho silencioso e poderoso que abre corações e vence a resistência do mundo.

4.2. O Prazer Divino e a Conformidade com Cristo

A excelência desta caminhada é demonstrada por dois argumentos irrefutáveis de Owen:

  • O Deleite de Deus: Citando Isaías 57:15 e 66:1-3, Owen mostra que, embora Deus habite "no alto e santo lugar", Ele também escolhe habitar "com o contrito e humilde de espírito". Deus se deleita nesta disposição de coração, enquanto Seu desprezo é reservado para os orgulhosos, independentemente de quão impressionantes sejam suas performances religiosas.
  • Conformidade com Cristo: O chamado supremo de Cristo em Mateus 11:29 não é para imitar Seus milagres, mas Seu coração: "Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração". Owen enfatiza que a verdadeira conformidade com Cristo consiste principalmente nesta disposição interior de humildade, e não em atos espetaculares.

4.3. A Futilidade das Alternativas

Em um contraste contundente, Owen expõe a vaidade das outras preocupações que consomem a vida das pessoas, mesmo as religiosas. Ele nos convida a considerar a futilidade de buscar como fim último:

  • Riquezas e status mundano: buscas vãs, incertas e inúteis para a eternidade.
  • Conhecimento e erudição: que, sem humildade, apenas "incham" e afastam a alma de Deus.
  • Mera profissão religiosa externa: Owen adverte que esta é a alternativa mais perigosa. O perigo não reside nos deveres religiosos em si, que são ordenados, mas em descansar neles como a substância da fé. Isso, diz ele, pode ser falsificado, é inútil para o mundo e, o mais trágico de tudo, é o "caminho mais rápido para um homem se enganar a si mesmo para a eternidade".

Fica claro que, em comparação com a realidade substancial de uma caminhada humilde com Deus, todas as outras buscas são "uma coisa de nada".

Conclusão: O Único Interesse Necessário

A mensagem central de John Owen, destilada de sua profunda exposição de Miquéias 6:8, é de uma clareza pastoral avassaladora: a principal preocupação da alma do crente não deve ser sua riqueza, reputação, conhecimento ou dons, mas apenas e tão somente se ele está ou não andando humildemente com Deus. Todas as outras questões são secundárias e transitórias. Esta é a única que possui peso eterno. É neste caminho de submissão à lei da graça e à lei da providência que a alma encontra sua verdadeira paz em meio às tempestades da vida, seu consolo mais profundo nas aflições e sua genuína fecundidade para a glória de Deus. Que cada um de nós faça desta caminhada seu negócio diário, sua principal ocupação e seu mais valioso interesse, pois nela, e somente nela, a vida cumpre seu propósito mais elevado.

Assista ao Vídeo Resumo:

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Heróis da Fé | (Áudio Livro)

Audio Book: Heróis da Fé

Vinte homens extraordinários que incendiaram o mundo!

Mais de 300.000 livros vendidos! Um dos maiores clássicos da literatura evangélica. Vinte capítulos, vinte homens extraordinários que incendiaram o mundo. A cada capítulo uma história diferente, uma nova biografia. As verdadeiras histórias de alguns dos maiores vultos da Igreja de Cristo. Heróis como: Lutero, Finney, Wesley e Moody, dentre outros que resolveram viver uma vida de plenitude do evangelho.

Autor: Orlando Spencer Boyer

Nascido no dia 05 de Março de 1893 em Bedford, lowa, Estados Unidos da América, casado com Ethel Beebe. Chegou ao Brasil em 1927, dedicado ao ministério de anunciar a Palavra de Deus, indicado pelo Conselho Missionário da Igreja de Cristo, denominação à qual pertenciam. Em Pernambuco, os Boyer passaram um ano estudando a língua portuguesa, aprimorando-se na maneira de falar com os nordestinos. De saudosa memória, além de ganhadores de almas foi um dos maiores escritores evangélicos do Brasil.

Duração: 9h30 (Tempo Aproximado).
O CD Audio Livro Heróis da Fé só é compatível com aparelhos que reproduzam arquivos no formato MP3.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O Que é a Comunhão com Deus? | Sabedoria de John Owen

Pensamentos sobre Hebreus 10.22

Os antigos puritanos chamavam este aproximar-se de “comunhão com Deus”. Precisamos aprender deles. J. I. Packer afirmou que os puritanos diferem dos evangélicos contemporâneos, porque para eles:

A comunhão com Deus era algo muito importante; em comparação ao que pensam os evangélicos contemporâneos, a comunhão com Deus é algo insignificante. Os puritanos eram interessados pela comunhão com Deus de um modo que não o somos. A medida de nosso interesse é mostrada pelo pouco que falamos a respeito deste assunto. Quando os crentes se reúnem, falam uns com os outros a respeito de suas obras e seus interesses cristãos, de seus conhecidos cristãos, da situação de suas igrejas e dos problemas de teologia – mas raramente falam sobre a experiência diária com Deus (A Quest for Godliness, Wheaton, Ill.: Crossway Books, p. 215).

De acordo com Packer, o maior dos puritanos foi John Owen (1616-1683). A própria comunhão que Owen tinha com Deus é um grande exemplo para nós. Deus cuidou que Owen e os puritanos sofredores de seus dias vivessem nEle, de um modo que faz a maior parte de nossa comunhão com Deus parecer superficial. Escrevendo uma carta durante um período de enfermidade, em 1674, Owen disse a um amigo: “Cristo é nosso melhor amigo e logo será o nosso único amigo. Peço a Deus, com todo o meu coração, que eu me fatigue de tudo, exceto da conversa e da comunhão com Ele” (Peter Toon, God’s Statesman,Greenwood, S. C.: The Attic Press, p. 153). Deus usou a doença e todas as pressões sofridas por Owen em sua vida para orientá-lo na comunhão com Ele mesmo e mantê-lo envolvido nesta comunhão.

Mas Owen também era intencional em sua comunhão com Deus. Ele disse: “A amizade é mantida e preservada por meio de visitas; e estas devem ser espontâneas e não somente motivadas por assuntos urgentes...” (John Owen, Works, VII, Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1965, p. 197). Em outras palavras, em meio a todos os seus labores políticos, acadêmicos e eclesiásticos, Owen fazia muitas visitas a Deus.

E, quando ele fazia essas visitas, não ia somente com petições por coisas ou por livramentos de suas muitas dificuldades. Ele as fazia para ver seu glorioso Amigo e contemplar-Lhe a grandeza. O último livro que Owen escreveu – quase concluído quando ele morreu – chama-se Meditações sobre a Glória de Cristo. Isso nos diz muito a respeito do foco e do resultado da vida de Owen. Neste livro, ele disse:

A revelação... de Cristo... merece os mais solenes pensamentos, as melhores de nossas meditações e nossa maior diligência nelas... Que melhor preparo pode haver [para o nosso futuro gozo da glória de Cristo] do que a contemplação prévia e constante dessa glória, na revelação feita no evangelho? (Works, I, 275).

A contemplação que Owen tinha em mente é formada de, pelo menos, duas coisas. Por um lado, existe aquilo que ele chamou de “pensamentos solenes” e “melhores meditações” ou, em outro lugar, “meditações assíduas” e, por outro lado, oração incessante. As duas são ilustradas em sua obra sobre a Epístola aos Hebreus.

Uma das grandes realizações de Owen foi o seu comentário, de sete volumes, sobre essa epístola. Quando o terminou, próximo do fim de sua vida, ele disse: “A minha obra está completa; é tempo de morrer” (God’s Statesman, p. 168). Como ele realizou esta grande obra e permaneceu próximo de Deus? Obtemos uma resposta breve no prefácio daquela obra:

Tenho de afirmar agora que, depois de toda a minha pesquisa e leitura, a oração e a meditação assídua têm sido meu único abrigo, bem como os meios mais proveitosos de obter entendimento e auxílio. Por meio delas, meus pensamentos foram libertados de muitos embaraços (Works, I, lxxxv).

Era assim que John Owen se aproximava de Deus, por meio da oração e da meditação assídua, achando entendimento e liberdade. Esse era um zelo de comunhão com Deus marcado por entendimento. Esse é o tipo de zelo que desejamos. Esse é o entendimento pessoal agradável que mantém nosso zelo em seus limites e o faz brilhar com mais intensidade. Com esse zelo e entendimento, aproximemo-nos, dia após dia, hora após hora.


Em parceria com Editora Fiel.

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Por Quem Cristo Morreu? | John Owen

Por Quem Cristo Morreu - John Owen Fonte: Editora PES

terça-feira, 20 de julho de 2010

Vencendo A Tentação


Nosso grande Modelo revelou-nos qual deve ser nossa conduta em todas as tentações e provações. Quando Satanás Lhe mostrou “todos os reinos do mundo e a glória deles”, para tentá-Lo, o Senhor não se pôs de pé e ficou a olhar para eles, contemplando a glória deles e pensando no domínio sobre eles... Pelo contrário, instantaneamente e sem demora, Ele ordenou a Satanás: “Retira-te, Satanás”. Logo que a tentação lhe sobrevier, enfrente-a com pensamentos de fé a respeito de Cristo e sua cruz. Isto fará com que a tentação sucumba diante de você. Não converse nem dispute com a tentação, se você deseja vencê-la.

Por John Owen.
Tradução por Editora Fiel.
Uma Parte da série Fe Para Hoje