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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Redenção | Pr. Jonas Madureira [4/4]

Pr. Jonas Madureira: Palestras: {Criação | Queda | Inteligência Humilhada | Redenção}
1ª Conferência Betel de Teologia,
Data: 7 e 8 de dezembro de 2013,
Local: Igreja Batista Betel de Mesquita,
Tema: Criação, Queda, Redenção - Alicerces para uma visão cristã do mundo.

A Inteligência Humilhada | Pr. Jonas Madureira [3/4]

Pr. Jonas Madureira: Palestras: {Criação | Queda | Inteligência Humilhada | Redenção}
1ª Conferência Betel de Teologia,
Data: 7 e 8 de dezembro de 2013,
Local: Igreja Batista Betel de Mesquita,
Tema: Criação, Queda, Redenção - Alicerces para uma visão cristã do mundo.

Queda | Pr. Jonas Madureira [2/4]

Pr. Jonas Madureira: Palestras: {Criação | Queda | Inteligência Humilhada | Redenção}
1ª Conferência Betel de Teologia,
Data: 7 e 8 de dezembro de 2013,
Local: Igreja Batista Betel de Mesquita,
Tema: Criação, Queda, Redenção - Alicerces para uma visão cristã do mundo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

domingo, 1 de junho de 2014

Entre a Arca e a Cruz | Ricardo Agreste e Eduardo Nunes

arca

Série de Pregações: Entre a Arca e a Cruz

Fonte: Chácara Primavera

  1. A Ira de um Deus Benevolente | Entre a Arca e a Cruz - Pr. Ricardo Agreste

  2. A História de um Homem Justo | Entre a Arca e a Cruz - Pr. Ricardo Agreste

  3. O Novo Começo | Entre a Arca e a Cruz - Pr. Ricardo Agreste

  4. A Renovação da Missão | Entre a Arca e a Cruz - Pr. Eduardo Nunes

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Série: Manchados na raiz | Rev. Héber Campos Jr.

Quatro mensagems em uma playlis como segue abaixo:

  1. O paradigma de Gênesis 3.
  2. Os estragos da Queda - Gênesis 3:7-13
  3. Maldições mitigadas - Gênesis 3:14-21
  4. Alienados do Jardim - Gênesis 3:22-24

A história de Adão e Eva costuma ser mal contada, embora seja um raio-x perfeito de como somos tentados e como ficamos distantes de Deus ao cairmos. A queda do primeiro casal é o prefácio perfeito de uma história de redenção.

Fonte: Igreja Presbiteriana Aliança Limeira

domingo, 29 de setembro de 2013

Você conhece o Deus verdadeiro? | Rev. Angus Stewart

deus-e-fiel

Você conhece o Deus Verdadeiro? Não o deus da imaginação do homem, mas o Deus da Bíblia? Essa é uma pergunta importante, porque Jesus nos ensina que a vida eterna é conhecer a Deus e Seu Filho, Jesus Cristo - Jo 17.3.

Se você viverá com Deus para sempre nos céus, você precisa conhecê-Lo. Se você está interessado em conhecer o Deus Verdadeiro, por favor considere as seguintes questões:

1. O Deus Verdadeiro

a) O Deus Verdadeiro é muito grande e glorioso. Ele é tão elevado e santo que nada em todo o mundo é comparado a Ele. Ele é o Deus Eterno, Todo-Poderoso, Onisciente e Imutável - Sl 113.4-6.

b) O Deus Verdadeiro é o Criador do mundo. Em seis dias, Ele criou os céus e a terra e tudo que nela contêm. Da mesma forma Deus também criou você - Gn 1.

c) O Deus Verdadeiro é o Sustentador do mundo. Ele sustenta cada criatura pelo Seu grande poder. Ele dá a você a vida, o folêgo a todas as coisas - At 17.25,28.

d) O Deus Verdadeiro é o Governador Absoluto do mundo. Ele faz Sua eterna vontade acontecer através do Seu grande poder. Deus é o seu Governador e Rei - Dn 4.34-35.

2. A Ordem de Deus

a) Visto que Deus é seu Criador, Sustentador e Governador, a quem você deve sua própria vida, Ele ordena que você reverencie a Ele como o único Deus Verdadeiro - Sl 33.8.

b) Deus exige que você adore e sirva a Ele com um coração cheio de gratidão por tudo que Ele tem feito por você - Sl 100.

c) Em reverência, você deve obedecer a lei de Deus assim dada nos Dez Mandamentos. Essa obediência deve ser completa e perfeita - Ex 20.3-17.

d) Essa obediência deve vir de um coração de amor. Você deve amar a Deus com todo o seu ser e você deve amar o seu próximo como a você mesmo - Mt 22.37-40.

3. A Queda do Homem

a) Entretanto, você não guarda os mandamentos de Deus por amor a Ele. Você é um pecador que falha em fazer o que Deus lhe ordena - Jó 7.20; 13.23; 40.4.

b) Você não pode fazer nada verdadeiramente bom e agradável a Deus. Mesmo o melhor das suas obras são como trapo de imundícia para Deus - Rm 3:10-18.

c) Seus atos pecaminosos vem de um coração perverso. Você nasceu com uma natureza corrupta - Gn 6:5; Sl 51:5; Jer 17:9. 4.

d) Deus é o Santo que odeia o pecado e tem de punir os pecadores. Fora da graça de Deus, você será condenado para os tormentos eternos do inferno para sempre - Mt 13:49-50.

4. A Salvação de Deus

a) Deus é também o Salvador que enviou Jesus Cristo para o mundo para salvar pecadores de seus pecados e dos tormentos eternos do inferno - Is 43.11.

b) Em Sua morte, Cristo sofreu os tormentos do inferno no lugar de todos aqueles que crêem n'Ele. Através da Sua morte, Ele pagou o débito e ganhou para eles o perdão de seus pecados - 1Pe 3.18.

c) Cristo satisfez a ordem de Deus para os crentes através de um amor perfeito a Deus e de seguir a lei de Deus. Deus os considera justos em Cristo - Rm 5.19.

d) Cristo dá a vida espiritual para aqueles a quem Deus salva, de tal forma que eles crêem n'Ele. Eles conhecem a Deus e desfrutam da Sua comunhão. Eles viverão com o Deus Verdadeiro no céu para sempre.

5. A Fé Verdadeira

a) Você procura o perdão dos seus pecados, a justiça de Cristo e a eterna comunhão com o Deus Verdadeiro? Deus diz a você: "Creia no Senhor Jesus, e serão salvos, você e os de sua casa" - Atos 16.31.

b) Creia que Deus é o seu Criador, Sustentator e Governador, que é digno do seu amor e adoração. Perceba que você é um pecador que tem falhado em cumprir o dever dado por Deus e que você precisa de salvação. Confie em Deus para salvá-lo de seus pecados através da morte expiatória e a ressurreição vitoriosa de Jesus.

c) A fé verdadeira fará com que você se arrependa de seus pecados. Você reconhecerá que é um pecador, lamentará sobre o seu pecado e rebelião contra Deus, e abandonará o seu pecado - Ez 18v30.

d) A fé verdadeira vai fazer você ser obediente. Ela fará com que você procure guardar os mandamentos de Deus e viva uma vida de gratidão a Ele - Tg 2.17-19.

e) A fé verdadeira acredita que a salvação não é obra do homem, mas o dom gratuito de Deus. O crente é salvo unicamente pela graça de Deus - Ef 2.8-9.

6. Você conhece?

Você conhece o Deus Verdadeiro e Seu Filho Jesus Cristo? Se não, obedeça a ordem de Deus para confiar em Cristo para sua salvação. Sem o conhecimento do Deus Verdadeiro, o qual vem através da fé, você não tem vida eterna mas terá de enfrentar os tormentos eternos do inferno.

***

Fonte: Covenant Protestant Reformed Church

Traduzido por Thiago McHertt

Via: Fireland e Bereanos

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Sofrimento e glória | Hernandes Dias Lopes

SOFRIMENTO

A vida cristã é temperada com sofrimento, mas caminha para a glória. Cruzamos vales profundos, mas também subimos montes alcantilados. Vertemos lágrimas amargas, mas também experimentamos alegria indizível. Em Romanos 8.18-27 Paulo fala sobre o problema do sofrimento e da dor. Ele contrasta o sofrimento presente com a glória futura. Paulo menciona três gemidos. Fala do gemido das duas criações: a antiga (a natureza) e a nova (a igreja). Elas sofrem juntas e juntas serão glorificadas no final. Vejamos esses três gemidos.

Em primeiro lugar, os gemidos da criação (Rm 8.18-22). Quando Deus terminou a obra da criação, viu que tudo era muito bom. Mas hoje a criação está gemendo. Há sofrimento e morte. Há dor e gemidos. Há sofrimento (v. 18), vaidade (v. 20), escravidão (v. 21), corrupção (v. 21) e angústia (v. 22). Mas esse gemido da criação não é o gemido de alguém que está morrendo, mas é como o gemido de uma mulher que sofre as dores de parto. Depois do gemido, vem a alegria.

A criação geme aguardando a revelação dos filhos de Deus, a gloriosa segunda vinda de Cristo. Nós vamos participar da glória de Cristo e a natureza vai participar da nossa glória.

Aqui pisamos uma estrada juncada de espinhos. Aqui, as pedras ferem nossos pés. Aqui a natureza sujeita ao pecado conspira contra nós. Aqui a dor fuzila nosso corpo e a angústia oprime a nossa alma. Aqui as lágrimas inundam nossos olhos e a tristeza entrincheira a nossa vida. Porém, em breve, essa mesma criação que geme, será restaurada e participará da glória dos filhos de Deus, quando Cristo vier em sua glória.

Em segundo lugar, os gemidos da igreja (Rm 8.23-25). Nós gememos por causa da fraqueza do nosso corpo e por causa da presença do pecado em nosso ser. Nós gememos porque embora já fomos libertos da condenação do pecado (na justificação), e estamos sendo libertos do poder do pecado (na santificação) ainda não fomos libertos da presença do pecado (na glorificação).

Nós gememos porque já experimentamos as primícias do Espírito e já sentimos o gosto da glória por vir. O Espírito em nós é mais do que uma garantia da glória, é antegozo dela. Nós gememos porque antevemos o gozo do céu e desejamos ardentemente ser revestidos de um corpo de glória e chegar logo em nossa Pátria, em nosso lar, o céu. Nós gememos, porque o melhor está ainda por vir. Nós gememos aguardando esse dia.

Os gemidos da igreja também não são gemidos de desespero ou pavor, mas gemidos de expectativa. Aguardamos na ponta dos pés esse glorioso dia, quando Jesus virá com grande poder e glória para estarmos para sempre com ele.

Em terceiro lugar, os gemidos do Espírito Santo (Rm 8.26,27). Não apenas a criação e a igreja estão gemendo, mas também o Espírito Santo está gemendo. Isso significa que a despeito das nossas fraquezas, o Espírito Santo não nos escorraça. Ao contrário, nos assiste. O Espírito Santo é o Deus que habita em nós e intercede por nós, em nós, ao Deus que está sobre nós. E intercede de três formas:

  • Primeiro, intensamente (v. 26). Ele intercede por nós "sobremaneira". O Espírito Santo emprega todos os seus atributos nessa oração intercessória.
  • Segundo, agonicamente (v. 26), ou seja, com gemidos inexprimíveis. Mesmo sendo Deus e conhecendo todas as línguas dos homens e dos anjos, não encontra sequer uma língua para articular a sua intensa e agônica oração, então geme.
  • Terceiro, eficazmente (v. 27), ou seja, ele intercede segundo a vontade de Deus. Toda a intercessão do Espírito Santo em nós, por nós, ao Deus que está sobre nós, está alinhada com a vontade de Deus.

Ele não desperdiça sequer uma intercessão em nosso favor. Por isso, temos a garantia de que mesmo cruzando aqui os vales mais escuros, estamos a caminho do céu, pois aqueles que foram salvos pela graça, desfrutarão da glória eterna!

Por: Rev. Hernandes Dias Lopes

Adão e Eva - Eles existiram? | Wilson Porte Jr.

Uma exposição sobre a historicidade de Adão e Eva e a implicação disto sobre como encaramos as Escrituras como um todo.Parte 1/2Parte 2/2

Apresentado pelo Pr. Wilson Porte Jr.

Fonte: Igreja Batista de Araraquara

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Os perigos do universalismo | Ronaldo Lidório

ceiDoutrina que garante a salvação de todos ganha adeptos mas contraria frontalmente as escrituras.

É da natureza humana buscar respostas aos questionamentos da mente, bem como sobre as impressões e situações da vida. Esta irremediável busca torna-se ainda mais insistente perante assuntos ligados à nossa própria existência. "De onde viemos?", "Por que somos como somos" e "O que há após a morte" são algumas perguntas repetidas em praticamente todas as 6,9 mil línguas vivas em nossos dias.

Diferentes grupos usam diferentes fontes para perseguir as respostas, e cada uma delas revela seus critérios e pressupostos.

A ciência utiliza aquilo que pode ser comprovado mediante provas científicas. Como diversos assuntos (espirituais, por exemplo) não cabem na régua científica, são reputados a outras categorias.

A filosofia utiliza a lógica humana para aquilo que lhe parece fazer sentido. Assim, as hipóteses são submetidas ao confronto das antíteses com a possibilidade do encontro de uma síntese que faça sentido ao assunto estudado. É o conhecido método dialético.

A teologia cristã baseia-se na revelação bíblica que guia, expõe e esclarece as verdades simples e complexas da vida – e também estrutura tais verdades em doutrinas que tratam de temas específicos, além das confissões de fé.

Tratando-se de apologia cristã, apesar de teólogos usarem com liberdade outros campos de estudo (como a ciência e a filosofia) para suas abordagens, é vital que se defina qual é a fonte primária para a construção das respostas. Um teólogo reformado, que crê na Bíblia como Palavra inspirada por Deus em sua totalidade, inerrante em sua revelação e provedora de orientação para a humanidade em todas as gerações, entende que ela é a fonte de verdade e vida.

O universalismo é a crença de que todos serão salvos e o inferno não existe. Foi promovido por autores como Gerrard Winstanley, Richard Coppin e George de Benneville no século 17: portanto, não é novo. Na América do Norte, os que aderiram a essa linha teológica passaram a ser chamados de universalistas. Há até uma Igreja Universalista, que abriga tais ensinos. George Knight tornou-se o maior defensor do universalismo sob influência dos escritos de Friedrich Schleiermarcher e George MacDonald.

Quanto Rob Bell, pastor norte-americano, até pouco tempo atrás ligado à Mars Hill Bible Church, em Grandville, no estado americano do Michigan, expõe sobre suas crenças universalistas, faz uma confusa mistura de fontes – assim como outros pensadores que defendem essa abordagem teológica. Em alguns momentos, as Escrituras são usadas para justificar e trazer respostas; em assuntos mais desconfortáveis, como o pecado e o inferno, porém, a filosofia ou a ciência é escolhida para propor as soluções, mesmo que contraditórias à Palavra. É importante lembrar que escolher as partes bíblicas nas quais se deseja crer é um antigo costume do liberalismo teológico. Bell tem levado adiante a proposta por meio de carismáticas e bem articuladas palestras, além do seu livro O amor vence – Um livro sobre o céu, o inferno e o destino de todas as pessoas que já passaram pela terra, publicado no Brasil pela editora Sextante. O livro fez barulho. Bell foi entrevistado para a capa da revista Time, viu sua obra ser transformada em filme – Hellbound?, ou "Quem vai para o inferno?" – e teve seu nome entre os mais comentados no Twitter. Aqui no Brasil, ele foi entrevistado pela revista Veja, numa conversa intitulada Quem falou em céu e inferno?, e motivou sérias discussões teológicas e debates na internet. E o assunto é mesmo palpitante. O universalismo está ligado a outros movimentos como o inclusivismo – a ideia de que Deus salvará a humanidade por outros meios, além do Evangelho –; a teologia do processo, pela qual Deus conhece o futuro, mas não todo ele; e a hipercontextualização, segundo a qual Deus se revela em todas as religiões e o sincretismo religioso deve ser o alvo da fé cristã. De fato, dizer que o inferno existe é um discurso meio fora de moda.

"Você defende o inferno?" Esta foi a pergunta que ouvi, em tom confrontador, de um universitário, enquanto conversávamos sobre a salvação em Cristo. Minha resposta foi sobre minha crença em Deus e na autoridade da Bíblia, a qual nos apresenta o inferno como verdade, assim como o céu. Trata-se, então, simplesmente de aceitação da autoridade bíblica. O inferno é uma tragédia sem precedentes. Não é assunto a ser defendido com empolgação, mas reconhecido com profundo lamento. Junto à queda dos nossos pais, narrada no Gênesis, é possivelmente o assunto mais trágico e agonizante de toda a Palavra.

RELATIVISMO

As Escrituras expõem o assunto de forma abundante. Jesus nos falou sobre o "inferno de fogo" em Mateus 5.22, e admitiu a possibilidade de o corpo ser "lançado no inferno" mais adiante, no versículo 29. "Perecer no inferno" e "portas do inferno" são outras expressões de Cristo registradas no mesmo evangelho, assim como a "condenação do inferno" (Mateus 23.33). As Escrituras descrevem o inferno como "fogo inextinguível" (Marcos 9.43), lugar de "tormento" (Lucas 16.23) e "fornalha acesa" (Mateus 13.42). "Fogo eterno", lugar de "choro e ranger de dentes" e "cadeias de escuridão" são outras expressões do Novo Testamento para descrevê-lo. Já o Antigo Testamento fala sobre "angústias do inferno" (Salmo 116.3), "profundezas do inferno" (Deuteronômio 32.22) e "profundo abismo", em Isaías 14.15. Isso, sem mencionar diversas outras atribuições, parábolas e narrativas bíblicas sobre o inferno.

Apesar de sermos abundantemente alertados na Palavra sobre o inferno, não temos sobre ele detalhes. Igualmente não conseguiremos compreender de forma plena, em nossa limitação humana, a grandeza de Deus e o equilíbrio entre justiça e amor, salvação e perdição, sacrifício e perdão. As Escrituras nos revelam o que precisamos saber, a passagem de Deuteronômio 29.29 nos esclarece que "as coisas encobertas pertencem ao Senhor", enquanto que as reveladas foram dadas "a nós e nossos filhos". O texto acrescenta o propósito disso: "Para que cumpramos todas as palavras desta lei".

Infelizmente, os problemas teológicos cristãos são mais profundos do que apenas um posicionamento a favor ou contra a existência do inferno. Eles estão alicerçados nas marcas do nosso tempo, onde o homem, e não Deus, é cultuado e no qual qualquer assunto que causa desconforto é evitado. A prosperidade do homem substituiu a cruz de Cristo em diversos púlpitos. Dentre diversos fatores que influenciam e definem o pensar do homem na atualidade, dois dos principais são o relativismo e o antropocentrismo. O relativismo cultural é um conceito atraente que parte de uma premissa de tolerância e equilíbrio. Na antropologia, a grande contribuição do relativismo foi abrandar a arrogância das nações conquistadoras e gerar uma visão de tolerância, especialmente nos encontros interculturais.

Porém, apresentado em sua forma radical – cada vez mais presente na condução do pensamento da atualidade –, percebe-se que neste sistema não há valores universais, uma vez que todo valor é relativo a si mesmo. Assim, em sua compreensão, conceitos como a ética, o bem e o mal são relativos em relação à ótica de quem os observa e experimenta. Tal pensamento, dessa forma, promove uma das mais inteligentes armadilhas para o Cristianismo que se fundamenta na Palavra: diluir a linha divisória entre discordância e discriminação. Sob uma ótica relativista radical, toda discordância é vista como ato de discriminação em relação ao que é diferente. Assim, o cristão é constrangido a não expor de forma clara a sua fé.

A sociedade utiliza sua própria compreensão de cultura para justificar seus desvios; porém, nem tudo o que é cultural é puro. O relativismo ético extremado tem tentado moldar esta geração, convencendo-a de que toda prática humana é justificável desde que seja aceita por um grupo, ou seja, pelo próprio homem. Em última análise, o relativismo radical nega as trevas. Assim fazendo, torna-se desnecessária a luz e a verdade. Este é o ponto mais sutil e perigoso dessa tendência antropológica e filosófica.

CONDIÇÃO CAÍDA

A Palavra nos afirma o contrário. O Evangelho não foi enviado ao mundo por um desejo divino desconectado da realidade humana, mas como solução de Deus perante a morte da humanidade. Assim, a condição humana, caída e em trevas, além do universo quebrado – que, segundo as Escrituras, geme por restauração –, são as principais necessidades missionais para o plano de Deus. A humanidade precisa de luz. Sem nossas trevas, não seriam necessárias a cruz nem a ressurreição de Cristo. É preciso relembrar que Jesus Cristo é o cumprimento da promessa de Deus como resposta à angústia do universo caído.

O primeiro capítulo da Epístola aos Romanos nos fala sobre a separação entre Criador e criatura. No verso 18, lemos: "A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça". No verso 20, Paulo afirma que Deus se manifestou desde a criação – e, mesmo assim, continuamos impiedosos e perversos. Somos, assim, indesculpáveis. Convém notar que a expressão "ira de Deus" não se manifesta contra o ser humano, mas contra a impiedade e a perversão do homem. Deus ama o homem, mas odeia o pecado.

A sociedade hoje é uma evidência de nossa separação de Deus, tanto pela impiedade quanto pela perversidade. E é pela existência da separação (trevas) que se faz necessária a luz: a luz irradiada na cruz para salvação de todo aquele que crê ainda brilha hoje. Jesus, nossa luz, raiou e brilha em nós. Em Mateus 4.16 confirma-se o que Isaías já havia dito: "O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz".

Nos versículos 19 e 20 do primeiro capítulo da carta aos Romanos, Deus se manifesta através da criação. Há aqui um elemento fundamental: Deus é soberano, criador de todas as coisas, controlador do universo e detentor da autoridade sobre a nossa história. Os homens, citados no verso 18, tornam-se indesculpáveis por ser Deus revelado na criação "desde o princípio do mundo", sendo revelado tanto o "seu eterno poder" quanto "a sua própria divindade".

Portanto, perante um homem caído, existente em sua própria injustiça, impiedoso e perverso, Paulo não destaca soluções humanas, eclesiásticas ou mesmo sociais. Ele nos apresenta Deus. Na teologia paulina, a solução para o homem não é o homem, mas é Deus e sua revelação em Cristo. O apóstolo enumera alguns atos de perversão. No verso 20, ele nos fala da perversão filosófica em que os homens, mesmo perante a manifestação de um Deus que tudo criou, procuram alicerçar suas vidas com base em seus próprios pensamentos corruptíveis. No verso 23, ele aborda a perversão religiosa, manifesta na mudança da glória de Deus, incorruptível, em imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Isso nos remete à realidade da idolatria.

Do verso 26 em diante, Paulo fala a respeito da perversão ética e moral e menciona que o homem deixa o contato natural com a mulher, havendo até relacionamentos "homens com homens, cometendo torpeza". Ou seja, a natureza humana é pecaminosa e o homem se põe a cometer "atos inconvenientes, cheios de injustiça, malícia, avareza e maldade". Alguns desses atos pecaminosos são enumerados a seguir: inveja, homicídio, contenda, dolo, malignidade, soberba, insolência.

O homem, portanto, não é condenado por não conhecer a história bíblica; ele é condenado por não glorificar ao Senhor. Os homens não são condenados por não ouvirem a Palavra; eles são condenados, cada um, por seus pecados. O desenvolvimento do texto deixa claro que, perante semelhante quadro de escuridão e perdição, Deus se levanta e nos atrai a ele, em Cristo Jesus.

É comum ao homem caído gerar a ideia de um deus que simplesmente satisfaça aos seus anseios sem lhe confrontar. Esses deuses utilitários e manipuláveis são encontrados em abundância em toda a história da humanidade e das religiões. Biblicamente, porém, não há sentido em apresentar Deus que busca se relacionar com o homem sem expor o pecado humano e seu estado de total carência de salvação.

O relativismo radical, associado ao individualismo, tem levado muitos cristãos a apresentarem o lado consolador do Evangelho, omitindo, contudo, sua realidade confrontadora.

Fala-se sobre um Deus que salva o perdido, mas deixa-se de lado a realidade do estado humano de perdição. Fala-se sobre o céu, mas não sobre o inferno. Fala-se sobre a cura que alegra, mas não sobre o sofrimento que burila. Dentro dessa lógica, "pecado" tornou-se um termo politicamente incorreto e associado à descriminação do indivíduo. Paulo, porém, nos lembra que é vã qualquer tentativa de se expor o Evangelho de salvação sem a apresentação da verdade do homem caído, perdido, em trevas e com total carência da luz de Deus.

SATISFAÇÃO HUMANA x GLÓRIA DE DEUS

Já o movimento sociocultural histórico e mundial do antropocentrismo vem se delineando na pós-modernidade a partir de uma perspectiva individualista que desenvolve o hedonismo e narcisismo. Apesar dos termos repaginados a cada geração, o antropocentrismo tem sua raiz em Gênesis 3, quando nossos pais escolheram satisfazer um desejo pessoal em detrimento da obediência a Deus. Em seu coração, o homem colocava-se pela primeira vez no centro da criação. Hoje, não é diferente. O homem busca ser o centro do universo e da teologia. Assim, mesmo na teologia os temas mais celebrados em nossos dias giram em torno da satisfação humana, e não da verdade divina. Fala-se de céu, e não de inferno. Promete-se a prosperidade que satisfaz e omite-se o sofrimento e a perseguição. Contudo, na galeria dos heróis da fé, mencionados em Hebreus 11, encontramos cristãos fiéis sofrendo, cortados ao meio, lançados em covas de leões, torturados, maltratados e encarcerados. Lemos que ali mulheres perderam, repentina e tragicamente, seus maridos, e filhos perderam seus pais.

A influência antropocêntrica também leva a Igreja a desenvolver um perfil contrário à missão. Ela passa a escolher e destacar os versos bíblicos que prometem felicidade e paz, deixando em segundo plano os trechos que falam sobre missão, responsabilidade e serviço. O hedonismo e o narcisismo são variantes deste movimento antropocêntrico que tem influenciado a Igreja de Cristo de forma extremamente rápida em nossos dias. O hedonismo – a busca pelo prazer e realização pessoal – tem tentado extinguir toda chama de abnegação, disposição e sacrifício do crente pela causa de Deus. Ele também impele o cristão a escolher suas crenças aceitando aquilo que não o confronta. A cultura do entretenimento tenta substituir a cultura do serviço. Assim, a humanidade passou a definir suas atitudes e expectativas perante um único crivo: o que lhe dá prazer.

Outra influência antropocêntrica é o narcisismo. Este desejo de ser belo e reconhecido como tal é outro elemento que cativa a Igreja a andar em caminhos nos quais se substitui a glória de Deus pela humana. Se o motivo maior da existência da Igreja é glorificar a Deus, o narcisismo é uma das maiores barreiras em nossa caminhada. Por estímulo narcisista, diversos crentes fazem a coisa certa pela motivação errada. A armadilha contida nessa variante antropocêntrica é nos tornarmos pessoas envolvidas com Deus e a sua obra, ativas na igreja e na missão, solícitas para cooperar com o próximo – porém, tudo é feito para nossa própria exaltação e glória. Enganoso é o coração!

O narcisismo tenta despertar em nós a vaidade que faz nascer o desejo de sermos reconhecidos, bajulados e mencionados por outros de forma destacada. É preciso, porém, compreender que, para cumprir a vontade do Pai, não nos basta colocar a mão no arado: é necessário buscar um coração puro. Perante os desafios da vida e da fé, é preciso definir a fonte. O que a Reforma Protestante produziu no século 16 foi um retorno à Palavra que necessita ser exercitado a cada dia. Vivemos um dos momentos mais sensíveis quanto ao ataque à fé cristã em nossa geração.

A Igreja está sendo influenciada por relativismos e antropocentrismos que a levam a buscar a fórmula da felicidade, e não a obediência ao Pai.

Também nossos jovens estão sendo frontalmente combatidos nos meios universitários em razão de sua fé. A promoção do ateísmo, em todas as instâncias de convívio social, jamais foi tão forte. Perante tais ataques devemos dobrar nossos joelhos em oração, alicerçar nossa fé nas Escrituras e ensinar abundante e insistentemente aos nossos filhos as verdades de Deus.

Por: Ronaldo Lidório

Fonte: Cristianismo Hoje

Ronaldo Lidório é pastor presbiteriano, teólogo e antropólogo. Serve como missionário junto aos povos indígenas do Brasil (APMT/AMEM) e coordena o Instituto Antropos, que treina e assessora missionários em diversos países

sexta-feira, 19 de abril de 2013

A Importância Teológica da Historicidade de Adão | Bruce A. Ware

A historicidade literal de Adão como o primeiro ser humano, criado por Deus, do pó da terra, é teologicamente importante? Ou seja, alguém poderia negar a historicidade de Adão como o primeiro ser humano criado e, ainda assim, sustentar todos os ensinos essenciais da teologia evangélica?

As respostas para estas perguntas centralizam-se em:

  • (1) se a Bíblia apresenta Adão como o primeiro ser humano histórico e literal,
  • (2) se há uma conexão bíblica entre o Adão histórico, em sua criação e queda, e certas doutrinas associadas normalmente com o Adão histórico, e,
  • (3) se isso é verdade, quais seriam estas doutrinas e qual seria a natureza da conexão. Quero sugerir duas linhas de resposta que tencionam abordar estas três perguntas.

Primeiramente, a historicidade de Adão como o primeiro ser humano literal é ensinada e admitida em toda a Bíblia. A linguagem e as descrições de Adão em Gênesis 5.3-5 – número de anos que ele viveu depois do nascimento de Sete, o fato de que ele teve outros filhos e o número total de anos que ele viveu – são idênticos à linguagem e as descrições usadas a respeito de outros personagens históricos em Gênesis e em outras partes da Bíblia (cf. o resto de Gn 5; Gn 11.10-26; Gn 25.7-11; 1 Cr 1-9).

O cronista inicia a sua extensa genealogia de Israel com "Adão", que dá início a toda a raça humana. Jó contrasta a sua fraqueza diante de Deus com Adão, que encobriu a suas transgressões (Jo 31.33). Oseias compara a desobediência de Israel com Adão, que transgrediu a aliança com Deus (Os 6.7). Lucas alicerça a genealogia de Jesus no primeiro homem, Adão, o filho de Deus (Lc 3.38). Jesus entendeu Adão e Eva como pessoas humanas literais, criadas por Deus e, depois, unidas no primeiro casamento de um homem com uma mulher (Mt 19.4-6; Mc 19.6-9). As referências de Paulo a Adão como o primeiro ser humano em Romanos 5.12-18, 1 Coríntios 11.7-9. 1 Coríntios 15.21-22 e 2 Timóteo 2.13-14 são, inconfundivelmente, a respeito desta pessoa histórica que foi criada à imagem de Deus (1 Co 11.7), antes da mulher, que procedeu dele (1 Co 11.8; 1 Tm 2.13), e que pecou, trazendo o pecado e a morte para todos os seus descendentes (Rm 5.12-18; 1 Co 15.21-22). Por último, Judas 14 se refere à pessoa histórica de Enoque, o sétimo depois de Adão, que também seria entendido como histórico.

Uma leitura atenta destes textos apoia a conclusão de que a própria Bíblia trata, repetidas vezes e sem exceção, Adão como uma pessoa histórica literal, o primeiro humano criado por Deus.

Em segundo lugar, a historicidade de Adão é teologicamente importante? Sim, ela é importante pela simples razão de que a teologia conectada com Adão é teologia arraigada na história e impossível de ser explicada sem essa história. Ou seja, há claramente uma conexão bíblica entre o Adão histórico e a teologia associada com ele, e a conexão é tal que a teologia depende dessa história e não existiria sem ela. Ou, dizendo-o em outras palavras, essa história gera a teologia. Como você não pode ter um filho sem uma mãe, também não pode ter esta teologia sem a história que a traz à existência.

Considere, por exemplo, algumas áreas cruciais da teologia associadas com a historicidade verdadeira e literal de Adão. Primeira, a criação do homem à imagem de Deus envolve a criação literal do primeiro ser humano à imagem de Deus, o ser humano que se torna, por assim dizer, a fonte de todos os outros seres humanos que são, igualmente, à imagem de Deus. Gênesis 5.3 faz a notável observação de que Adão, aos 130 anos de idade, "gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e lhe chamou Sete" (Gn 5.3). A linguagem neste versículo é, inconfundivelmente, a mesma de Gênesis 1.26. Embora a ordem das palavras "imagem" e "semelhança" esteja invertida, parece que tudo que se diz antes a respeito de o homem ser criado à imagem e semelhança de Deus é dito aqui, quando Sete é gerado à imagem e à semelhança de Adão (Gn 5.3).

O paralelismo desta linguagem nos leva a concluir que Sete nasceu à imagem de Deus (o que ele realmente era, cf. Gn 9.6) somente porque nasceu à imagem e à semelhança de Adão. Sem a conexão histórica e literal, de fato, biológica, entre Adão e Sete, o status de imagem de Deus em relação a Sete não existiria. E, se isso era verdade quanto a Sete, é verdade também quanto a nós. Não somente a nossa identidade biológica remonta ao Adão histórico, mas também o nosso estado como seres criados à imagem de Deus remonta ao primeiro homem, o primeiro ser humano histórico, Adão.

Segunda, a queda do homem no pecado é um ensino teológico central fundamentado precisamente no que aconteceu na história. Paulo resumiu o argumento nestes termos:

"Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Porque, assim como em Adão todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo" (1 Co 15.21-22).

Considere quatro observações:

  • (1) Adão trouxe a morte ao mundo (15.21a).
  • (2) Todos os humanos que procedem de Adão estão sujeitos à morte (15.22a).
  • (3) A reversão do pecado e da morte de Adão acontece na realidade histórica do triunfo de Cristo por meio de sua ressurreição dos mortos (15.21a).
  • (4) Todos os humanos unidos a Cristo serão vivificados (15.22b).

A realidade histórica da ressurreição de Cristo, pela qual os que estão em Cristo são ressuscitados para viverem para sempre, é correspondente, nesta passagem, à realidade histórica do pecado de Adão, que trouxe pecado e morte para todos em Adão. A linha histórica não pode ser cortada sem eliminar a teologia correspondente. O pecado original em Adão e a vida eterna em Cristo estão ligados intrínseca e necessariamente à história.

Terceira, nossa teologia de gênero e sexualidade está intrinsecamente ligada à criação do primeiro casal humano e à natureza da união conjugal designada por Deus para eles. Quando Jesus se referiu a Gênesis 2, e quando Paulo aludiu a aspectos de Gênesis 2 e 3, ambos entenderam Adão e Eva como pessoas históricas reais que exemplificavam a união vitalícia, em uma só carne, de macho e fêmea que Deus planejou e trouxe à existência. Por sua queda histórica, Adão e Eva apartaram-se do desígnio de Deus e produziram distorções pecaminosas tanto das relações de gênero como da sexualidade humana.

Nossa teologia de gênero e sexualidade não é dissociada da história. Pelo contrário, o desígnio criado por Deus foi exemplificado, inicialmente, no primeiro homem e na primeira mulher originais. E tanto Jesus como Paulo se referiram a este desígnio trazido à existência por Deus e vivenciado realmente no Éden. De modo semelhante, as perversões do bom desígnio de Deus estão arraigadas na rebelião histórica contra Deus e contra seus caminhos que aconteceu na história, registrada para nós em Gênesis 3. Tanto neste como em outros assuntos, a teologia e a história estão entretecidas de tal modo que a historicidade de Adão é essencial à esta teologia. Esta teologia depende dessa história e não existiria sem ela.

Bruce Ware obteve seu mestrado em teologia (Th.M) pelo Western Conservative Baptist Seminary e (M.A.) pela University of Washington;  obteve seu doutorado (Ph.D.) pelo Fuller Theological Seminary. Ele é professor de Teologia Cristã no Southern Baptist Theological Seminary. Serviu como professor na Trinity Evangelical Divinity School, onde foi presidente do departamento de Teologia Bíblica e Sistemática. Anteriormente, lecionou no Western Conservative Baptist Seminary e no Bethel Theological Seminary. Dr. Ware tem escrito inúmeros artigos e livros.

Fonte: Editora Fiel

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Pecado original? John Piper

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"A doutrina bíblica do pecado original se resume nisto (emprestado de Agostinho): Somos livres para fazer o que gostamos, mas não somos livres para gostar do que deveríamos gostar. “Pela desobediência de um só homem [Adão], muitos se tornaram pecadores” (Rom 5.19). Esta é a nossa condição. E sabemos, com base em nosso próprio coração e nas Escrituras, que somos responsáveis pela corrupção de nosso “querer”. De fato, quanto melhores nos tornamos, tanto mais nos envergonhamos de sermos maus, e não apenas de fazermos o mal.

Como disse N. P. Williams:

“O homem comum pode sentir-se envergonhado de praticar o que é errado, mas o santo, capacitado com o aprimoramento superior de uma sensibilidade moral e poderes perspicazes de introspecção, se envergonha de ser o tipo de pessoa que está sujeito a praticar o que é errado”.

A obra soberana e espontânea de Deus em mudar o coração é a nossa única esperança. Portanto, temos de pedir-Lhe um novo coração. Temos de orar para que Ele nos dê o “querer” — “Inclina-me o coração aos teus testemunhos e não à cobiça” (Salmos 119.36). “Alegra a alma do teu servo, porque a ti, Senhor, elevo a minha alma” (Salmos 86.4).

Deus prometeu fazer isto: “Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos” (Ezequiel 36.27). Isto é a nova aliança comprada com o sangue de Jesus (ver Hebreus 8.8-13; 9.15). “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hebreus 4.16)."

John Piper

Pecado | D. M. Lloyd Jones

Ninguém jamais terá uma concepção verdadeira do ensino bíblico sobre a redenção, se não possuir clareza de entendimento sobre a doutrina bíblica do pecado. E essa é a razão por que muitas pessoas, em nossos dias, são inseguras e vagas em suas idéias a respeito da redenção.

“A idéia mais comum é a de que o Senhor Jesus é um tipo de amigo ao qual todos podem recorrer em dificuldades, como se isso fosse tudo a respeito dEle”.

O Senhor Jesus é esse tipo de amigo — e temos de agradecer a Deus! Mas isso não é redenção em todo o seu escopo, em sua inteireza ou em sua essência. Você não pode começar a avaliar a redenção, até que compreenda o que a Bíblia nos ensina a respeito da condição do homem no pecado e de todos os efeitos do pecado no homem. Permita-me dizê-lo com outras palavras:

“Você não pode entender a doutrina da encarnação de Cristo, a menos que entenda a doutrina do pecado”.

A Bíblia nos ensina que o homem estava em uma condição tão deplorável, que exigia a vinda, dos céus à terra, da Segunda Pessoa da bendita e santíssima Trindade. Ele teve de humilhar-se e assumir a natureza humana, nascendo como um bebê. Isso era absolutamente essencial, para que o homem fosse redimido. Por quê? Por causa do pecado e da sua natureza. Por conseguinte, você não pode entender a encarnação de Jesus, a menos que tenha um entendimento claro sobre o pecado. De maneira semelhante, considere a cruz no monte Calvário.

  • O que ela significa?
  • O que a cruz nos diz?
  • O que aconteceu lá?

Digo novamente que você não pode entender a morte de nosso Senhor e o que Ele fez na cruz, se não possui um entendimento claro sobre a doutrina do pecado. A completa imprecisão das idéias de muitas pessoas a respeito da morte de nosso Salvador se deve completamente a este fato:

“E elas não gostam da doutrina da substituição, não gostam da doutrina do sofrimento penal. Isso acontece porque nunca compreenderam o problema e não vêem o homem como um criatura caída no pecado”.

Estas são as doutrinas fundamentais da fé cristã; não se pode entender a redenção, exceto à luz da terrível condição do homem no pecado.

Por: D. M. Lloyd Jones

Fonte: Editora Fiel

Trazendo o Evangelho para a conversa | Mike Riccardi

Um dos desejos que o Espírito Santo cria no coração do recém convertido é o desejo de compartilhar com os outros as Boas Novas pelas quais nós fomos salvos. Entretanto, como todos nós sabemos muito bem, esse desejo pode ser ofuscado por várias coisas. Talvez temamos ser vistos como estranhos, ingênuos ou tolos. Talvez sintamos que ainda não conseguimos formular a mensagem do Evangelho de uma forma perfeitamente apresentável. Pode até ser que nosso orgulho ou egocentrismo tenham diminuído nossas afeições pela glória de Cristo e nosso amor pelos perdidos.

Às vezes, entretanto, nada disso é problema. A lembrança da glória de Cristo em Sua Palavra reacende em nossos corações a chama da proclamação. Essa visão da glória extingue nosso temor dos homens. Já estudamos e entendemos as bases do Evangelho e até já memorizamos algumas passagens de referência da Escritura. Mesmo quando estamos nesse estado, às vezes é simplesmente difícil introduzir o assunto em uma conversa.

Em alguns casos, a conversa com um colega de trabalho ou vizinho acaba naturalmente envolvendo o Evangelho. Louve a Deus por essas oportunidades.  Ore por mais delas. Na maior parte do tempo, entretanto, uma conversa não se move nessa direção a não ser a direcionemos ativamente. E eu penso que muitos Cristãos acabam desperdiçando oportunidades de levar uma conversa com um amigo em direção a coisas mais profundas porque simplesmente não sabem como fazer isso de uma forma que não seja muito abrupta, rude ou até brega.

Uma forma potencialmente útil de direcionar uma conversa rumo ao Evangelho é prestar estar atento a temas básicos. Alguns já conceituaram a história da redenção baseada nos quatro temas básicos da Criação, Queda, Redenção e Consumação. Já me ocorreu, refletindo nessas categorias, que muitas das experiências da nossa vida também podem ser vistas pelas lentes desses temas. Assim, estar atento a esses temas em uma conversa com um não crente pode prover uma transição natural para uma conversa sobre o Evangelho. Pense nisso comigo.

Criação

Ao criar os céus e a terra, Deus foi muito bom com toda a humanidade – Ele envia a chuva e o sol tanto para o justo como para o ímpio. Notar um ponto da conversa em que um não crente faz qualquer menção de aproveitar alguma parte da criação pode levar a uma transição suave para o Evangelho. Um comentário de um amigo sobre o clima agradável, a apreciação de um belo pôr-do-sol, a dúvida sobre a forma de uma nuvem ou mesmo a admiração perante o intrincado desenho de uma flor – tudo isso provê oportunidades para louvarmos o Criado que ordenou toda essa beleza à existência.

“Poxa, hoje está um clima muito bom, não é mesmo?”

“Com certeza. É muita bondade de Deus nos dar um dia tão bonito para aproveitarmos!”

“É… Acho que sim… Eu não sou muito religioso.”

“Entendo. Você nunca parou pra pensar nas coisas que Jesus disse que era, então?”

Uma outra forma que o tema da criação se conecta com as nossas vidas diárias é a nossa própria criatividade. Toda vez que alguém cria algo, eles imitam o Criado, mesmo que de uma forma pequena e caída. Criar é parte de sermos feitos à imagem de Deus. Isso vai desde o artístico – como pintura, fotografia, poesia, escultura – ao mais “mundano” – projetos arquitetônicos, decoração de interiores, jardinagem ou trabalhos de colagem. Cada uma dessas atividades provê oportunidades de louvar a Deus por Sua graça comum – Sua misericórdia em dar esses bons dons a tanto seus amigos como seus inimigos.

Se um não crente compartilha um interesse em alguma atividade criativa, seria muito bom dizer algo como:

“Você realmente parece gostar de escrever. Você já parou pra pensar no porquê disso?”

“Acho que é só uma coisa que eu comecei quando era mais novo e tenho gostado de fazer, desde então. Para falar a verdade, nunca pensei muito a fundo nisso.”

“Isso pode soar estranho, mas eu acredito que a nossa criatividade reflete a criatividade de Deus, que criou o mundo inteiro. A Bíblia diz que Deus criou a humanidade à Sua imagem, e assim podemos refleti-la de diversas formas. Você se importaria se eu falasse mais sobre isso?”

Queda

Por outro lado, as evidências da queda da humanidade no pecado estão em todo lugar. Circunstâncias injustas, relacionamentos pessoais prejudicados, esperanças e expectativas frustradas e mesmo várias outras tragédias nos dão evidências de que nosso mundo foi quebrado pelo pecado. Esses tópicos provêem oportunidades para falar do Deus que criou esse mundo “muito bom” e da rebelião da humanidade contra Deus que trouxe a maldição.

Oportunidades para conectar o tema da Queda com as nossas vidas são, literalmente, constantes. Uma das atividades preferidas da nossa geração é a reclamação. De fato, Paulo nota que as reclamações e murmurações são tão comuns em nosso mundo que, ao não exercitarmos essas atividades, nós nos destacaríamos como estrelas no universo (Filipenses 2.15). Do carro que quebrou de novo à artrite, das brigas constantes com o cônjuge ao reconhecimento simples de que as coisas não aconteceram de acordo com o planejado, todos nós temos um senso de que as coisas em nosso mundo estão terrivelmente erradas. Se um amigo não crente reclama de algo para você, é possível reconhecer, de forma sensibilizada, que essa experiência confirma o que a Bíblia ensina sobre o mundo ser caído. É um caminho curto daí até a razão pela qual o mundo caiu: o pecado – a rebelião contra Deus na qual todos nós tomamos parte diariamente. E, é claro, é mais uma curta caminhada daí até a solução para o sofrimento: a obra redentora de Jesus Cristo. É o que vem a seguir.

Redenção

Mesmo que nosso mundo seja caído, Deus ainda nos permite graciosamente experimentar a correção de alguns erros, a reconciliação de alguns relacionamentos, a resolução de alguns conflitos. Quando amigos não crentes experimentam essas expressões da graça comum, podemos celebrar com eles. Aqui está uma oportunidade de falar da graça comum de Deus e do tema da redenção que é completa em Cristo, o Redentor.

Se uma amiga que esteve falando para você sobre problemas matrimoniais repentinamente te conta que ela e o marido resolveram algumas questões e se reconciliaram, você tem uma oportunidade de celebrar a “redenção” do relacionamento. Se um amigo estava incapacitado por uma doença ou ferimento, mas agora se recuperou, você pode celebrar a “redenção” da saúde dele. E ao fazê-lo, ao louvar a Deus por ser misericordioso em geral, você também pode apontar para como esses acontecimentos de redenção são imagens, imersas na experiência humana, projetadas para nos levar à história suprema de redenção que Deus realizou em Cristo.

“Jen, estou muito feliz que você e o Ron estão se acertando. Tenho orado por vocês desde que você comentou pela primeira vez que as coisas estavam meio complicadas.”

“Ah, muito obrigada! Eu estou muito feliz, também. É muito ruim se sentir distante de alguém que deveria ser a pessoa mais próxima, seu melhor amigo, sabe?”

“É, entendo. E é interessante você colocar dessa forma, porque foi exatamente assim que eu me senti quando Deus se reconciliou comigo por meio do relacionamento com Jesus Cristo. Eu realmente gostaria de falar disso com você, você se importa?”

Consumação

Finalmente, o tema da consumação passa por qualquer experiência humana de realização, qualquer senso de antecipação que finalmente se completou.

Pense no quão ansiosa uma criança aguarda pela manha de Natal, mal conseguindo dormir na noite anterior, por conta do desejo de ganhar aqueles presentes que ela vem pedindo o ano inteiro. Ou pense na excitação e senso de dever cumprido ao subir naquele palco e finalmente receber aquele diploma que você trabalhou tanto, e por tanto tempo, para obter. Talvez algum amigo que você conheça sabe o que é ter trabalhado por anos em um manuscrito para finalmente receber a primeira cópia do livro publicado em uma manhã e segurá-lo em suas mãos pela primeira vez. E todos nós sabemos do prazer de finalmente reencontrar um velho amigo ou um parente amado após um longo tempo de separação. Os olhos arregalados, o sorriso de orelha a orelha e a recepção de braços abertos são testemunho da consumação da antecipação de se encontrar novamente.

Cada uma dessas experiências são ecos da consumação final de todas as coisas, quando o Senhor Jesus finalmente retornará para destruir Seus inimigos, para redimir Seu povo e recebê-los para Si mesmo e para governar sobre Sua criação em justiça. Como crentes em cristo, nós aguardamos por esse momento como uma criança espera pelo Natal. Quando ouvirmos “servo bom e fiel”, sentiremos como se recebêssemos aquele diploma, mas de uma forma infinitamente mais profunda. E quando finalmente vermos Jesus, bem, palavras não podem capturar adequadamente a alegria e o prazer consumado que sentiremos eternamente.

Conclusão

Sou movido a adorar quando penso no quanto Deus aparentemente imbuiu os grandes temas do Evangelho nas experiências da vida. Eu oro para que o mesmo aconteça com você. Mas essa adoração não deve permanecer no nível da admiração passiva. Ela deve nos levar a tirarmos vantagem dessa realidade como uma estratégia para testemunharmos aos nossos amigos não crentes.

Medite nesses temas e pense em como aplicá-los estrategicamente em suas próprias conversas. Ore pra que Deus graciosamente lhe conceda um cuidado genuíno pelos não crentes que Ele traz até você. Seu amor por eles irá guiá-lo a falar de uma forma que demonstre sua preocupação genuína pelas almas deles.

No contexto de desenvolver esses relacionamentos e cultivar o amor pelos perdidos, se mantivermos os ouvidos abertos para os temas da Criação, Queda, Redenção e Consumação, poderemos encontrar mais oportunidades de levarmos nossas conversas em direção ao Evangelho.

Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo.com | Original aqui

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