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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O Universalismo de Francisco | Evandro Marinho

papaUm breve comentário sobre a afirmação do Papa Francisco. (Abaixo)
Não é necessário crer em Deus para ir para o céu, afirma papa Francisco

Para reforçar ainda mais a sua reputação progressista, o papa Francisco escreveu uma carta aberta para o fundador do La Repubblica jornal, Eugenio Scalfari, afirmando que os não-crentes seriam perdoados por Deus, se eles seguirem suas consciências.

Respondendo a uma lista de perguntas publicadas no jornal por Scalfari, que não é um católico romano, Francisco escreveu:

"Você me pergunta se o Deus dos cristãos perdoa aqueles que não acreditam e que não buscam a fé. Gostaria de dizer - e isso é o fundamental - que a misericórdia de Deus não tem limites, se você ir até Ele com um coração sincero e contrito. A questão para aqueles que não acreditam em Deus é que eles devem obedecer a sua consciência",

disse Francisco. "O pecado, mesmo para aqueles que não têm fé, existe quando as pessoas desobedecem a sua consciência."

Robert Mickens, correspondente do Vaticano para o jornal católico The Tablet , disse que os comentários do pontífice foram mais uma prova de suas tentativas para "melhorar" a imagem extremamente conservadora da Igreja Católica, imagem que reforçada pelo antecessor de Francisco, Bento XVI. "Francisco ainda é um conservador", disse Mickens. "Mas isso tudo é uma tentativa dele de ter um diálogo mais significativo com o mundo."

Fonte: The Independent, via WND

Não vou bater a cabeça com a afirmação de Francisco, Jesus já fez isto quando falou com um religioso semelhante a ele, vejamos alguns versos de João 3.

3:1 Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. 3:2 Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. 3:3 A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

Sem o novo nascimento, nem Francisco verá o “reino de Deus” a palavra nos versos acima (1 a 3) valem para todos, Jesus estava naquele momento falando com uma autoridade religiosa de Israel, pelo monos ao olhos humanos. Como pode o Sr. Francisco afirmar que não é basta seguir a consciência: A consciência do homem é cauterizada pelo pecado e seu olhos cegos pelo mesmo, o coração do homem é enganador e corrupto.


3:4 Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? 3:5 Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. 3:6 O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. 3:7 Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo.

O próprio Nicodemos sendo estudioso e religioso cheio de justiça própria não entendeu que sem que o Espirito o tornasse em nova criatura ele não teria como estar com Deus. Isaias diz:

59:2 Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.

Agora imagine, se Deus esta separado de nós pelos nossos pecados e somente mediante a arrependimento “genuíno” pelos nossos pecados e a fé de que Cristo nos perdoou dos pecados dos quais nós nos arrependemos e confessamos é que que poderemos ser reconciliados com Deus.


3:8 O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito.

Nós não temos como fazer Deus agir em nossas vidas, somos salvos pela graça (Ef.2.10) não somos merecedores não obrigamos o Espirito entrar em nossos coração, recebemos pela fé em cumprimento da promessa da palavra de Deus.

3:16 Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. 3:17 Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. 3:18 Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. 3:19 O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. 3:20 Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem arguidas as suas obras. 3:21 Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.

O Evangelho é para a salvação dos que creem, não de todos, os que não creem já estão condenados, o nome de Deus é glorificado de todas as formas. Os homens que estão em trevas só sairão delas “quando ou se” Deus os tirar de lá, todos estamos (estávamos nos caso dos crentes genuínos) mortos em nossos delitos e pecados. Deus é quem tira das trevas e leva para o reino do filho do seu amor, e se Deus não o fizer, não acontecerá.

Se Francisco que ser politicamente correto com seu “universalismo” que seja mas por favor não distorça o evangelho da cruz para ficar bem na foto.

Por: Evandro Marinho

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Os perigos do universalismo | Ronaldo Lidório

ceiDoutrina que garante a salvação de todos ganha adeptos mas contraria frontalmente as escrituras.

É da natureza humana buscar respostas aos questionamentos da mente, bem como sobre as impressões e situações da vida. Esta irremediável busca torna-se ainda mais insistente perante assuntos ligados à nossa própria existência. "De onde viemos?", "Por que somos como somos" e "O que há após a morte" são algumas perguntas repetidas em praticamente todas as 6,9 mil línguas vivas em nossos dias.

Diferentes grupos usam diferentes fontes para perseguir as respostas, e cada uma delas revela seus critérios e pressupostos.

A ciência utiliza aquilo que pode ser comprovado mediante provas científicas. Como diversos assuntos (espirituais, por exemplo) não cabem na régua científica, são reputados a outras categorias.

A filosofia utiliza a lógica humana para aquilo que lhe parece fazer sentido. Assim, as hipóteses são submetidas ao confronto das antíteses com a possibilidade do encontro de uma síntese que faça sentido ao assunto estudado. É o conhecido método dialético.

A teologia cristã baseia-se na revelação bíblica que guia, expõe e esclarece as verdades simples e complexas da vida – e também estrutura tais verdades em doutrinas que tratam de temas específicos, além das confissões de fé.

Tratando-se de apologia cristã, apesar de teólogos usarem com liberdade outros campos de estudo (como a ciência e a filosofia) para suas abordagens, é vital que se defina qual é a fonte primária para a construção das respostas. Um teólogo reformado, que crê na Bíblia como Palavra inspirada por Deus em sua totalidade, inerrante em sua revelação e provedora de orientação para a humanidade em todas as gerações, entende que ela é a fonte de verdade e vida.

O universalismo é a crença de que todos serão salvos e o inferno não existe. Foi promovido por autores como Gerrard Winstanley, Richard Coppin e George de Benneville no século 17: portanto, não é novo. Na América do Norte, os que aderiram a essa linha teológica passaram a ser chamados de universalistas. Há até uma Igreja Universalista, que abriga tais ensinos. George Knight tornou-se o maior defensor do universalismo sob influência dos escritos de Friedrich Schleiermarcher e George MacDonald.

Quanto Rob Bell, pastor norte-americano, até pouco tempo atrás ligado à Mars Hill Bible Church, em Grandville, no estado americano do Michigan, expõe sobre suas crenças universalistas, faz uma confusa mistura de fontes – assim como outros pensadores que defendem essa abordagem teológica. Em alguns momentos, as Escrituras são usadas para justificar e trazer respostas; em assuntos mais desconfortáveis, como o pecado e o inferno, porém, a filosofia ou a ciência é escolhida para propor as soluções, mesmo que contraditórias à Palavra. É importante lembrar que escolher as partes bíblicas nas quais se deseja crer é um antigo costume do liberalismo teológico. Bell tem levado adiante a proposta por meio de carismáticas e bem articuladas palestras, além do seu livro O amor vence – Um livro sobre o céu, o inferno e o destino de todas as pessoas que já passaram pela terra, publicado no Brasil pela editora Sextante. O livro fez barulho. Bell foi entrevistado para a capa da revista Time, viu sua obra ser transformada em filme – Hellbound?, ou "Quem vai para o inferno?" – e teve seu nome entre os mais comentados no Twitter. Aqui no Brasil, ele foi entrevistado pela revista Veja, numa conversa intitulada Quem falou em céu e inferno?, e motivou sérias discussões teológicas e debates na internet. E o assunto é mesmo palpitante. O universalismo está ligado a outros movimentos como o inclusivismo – a ideia de que Deus salvará a humanidade por outros meios, além do Evangelho –; a teologia do processo, pela qual Deus conhece o futuro, mas não todo ele; e a hipercontextualização, segundo a qual Deus se revela em todas as religiões e o sincretismo religioso deve ser o alvo da fé cristã. De fato, dizer que o inferno existe é um discurso meio fora de moda.

"Você defende o inferno?" Esta foi a pergunta que ouvi, em tom confrontador, de um universitário, enquanto conversávamos sobre a salvação em Cristo. Minha resposta foi sobre minha crença em Deus e na autoridade da Bíblia, a qual nos apresenta o inferno como verdade, assim como o céu. Trata-se, então, simplesmente de aceitação da autoridade bíblica. O inferno é uma tragédia sem precedentes. Não é assunto a ser defendido com empolgação, mas reconhecido com profundo lamento. Junto à queda dos nossos pais, narrada no Gênesis, é possivelmente o assunto mais trágico e agonizante de toda a Palavra.

RELATIVISMO

As Escrituras expõem o assunto de forma abundante. Jesus nos falou sobre o "inferno de fogo" em Mateus 5.22, e admitiu a possibilidade de o corpo ser "lançado no inferno" mais adiante, no versículo 29. "Perecer no inferno" e "portas do inferno" são outras expressões de Cristo registradas no mesmo evangelho, assim como a "condenação do inferno" (Mateus 23.33). As Escrituras descrevem o inferno como "fogo inextinguível" (Marcos 9.43), lugar de "tormento" (Lucas 16.23) e "fornalha acesa" (Mateus 13.42). "Fogo eterno", lugar de "choro e ranger de dentes" e "cadeias de escuridão" são outras expressões do Novo Testamento para descrevê-lo. Já o Antigo Testamento fala sobre "angústias do inferno" (Salmo 116.3), "profundezas do inferno" (Deuteronômio 32.22) e "profundo abismo", em Isaías 14.15. Isso, sem mencionar diversas outras atribuições, parábolas e narrativas bíblicas sobre o inferno.

Apesar de sermos abundantemente alertados na Palavra sobre o inferno, não temos sobre ele detalhes. Igualmente não conseguiremos compreender de forma plena, em nossa limitação humana, a grandeza de Deus e o equilíbrio entre justiça e amor, salvação e perdição, sacrifício e perdão. As Escrituras nos revelam o que precisamos saber, a passagem de Deuteronômio 29.29 nos esclarece que "as coisas encobertas pertencem ao Senhor", enquanto que as reveladas foram dadas "a nós e nossos filhos". O texto acrescenta o propósito disso: "Para que cumpramos todas as palavras desta lei".

Infelizmente, os problemas teológicos cristãos são mais profundos do que apenas um posicionamento a favor ou contra a existência do inferno. Eles estão alicerçados nas marcas do nosso tempo, onde o homem, e não Deus, é cultuado e no qual qualquer assunto que causa desconforto é evitado. A prosperidade do homem substituiu a cruz de Cristo em diversos púlpitos. Dentre diversos fatores que influenciam e definem o pensar do homem na atualidade, dois dos principais são o relativismo e o antropocentrismo. O relativismo cultural é um conceito atraente que parte de uma premissa de tolerância e equilíbrio. Na antropologia, a grande contribuição do relativismo foi abrandar a arrogância das nações conquistadoras e gerar uma visão de tolerância, especialmente nos encontros interculturais.

Porém, apresentado em sua forma radical – cada vez mais presente na condução do pensamento da atualidade –, percebe-se que neste sistema não há valores universais, uma vez que todo valor é relativo a si mesmo. Assim, em sua compreensão, conceitos como a ética, o bem e o mal são relativos em relação à ótica de quem os observa e experimenta. Tal pensamento, dessa forma, promove uma das mais inteligentes armadilhas para o Cristianismo que se fundamenta na Palavra: diluir a linha divisória entre discordância e discriminação. Sob uma ótica relativista radical, toda discordância é vista como ato de discriminação em relação ao que é diferente. Assim, o cristão é constrangido a não expor de forma clara a sua fé.

A sociedade utiliza sua própria compreensão de cultura para justificar seus desvios; porém, nem tudo o que é cultural é puro. O relativismo ético extremado tem tentado moldar esta geração, convencendo-a de que toda prática humana é justificável desde que seja aceita por um grupo, ou seja, pelo próprio homem. Em última análise, o relativismo radical nega as trevas. Assim fazendo, torna-se desnecessária a luz e a verdade. Este é o ponto mais sutil e perigoso dessa tendência antropológica e filosófica.

CONDIÇÃO CAÍDA

A Palavra nos afirma o contrário. O Evangelho não foi enviado ao mundo por um desejo divino desconectado da realidade humana, mas como solução de Deus perante a morte da humanidade. Assim, a condição humana, caída e em trevas, além do universo quebrado – que, segundo as Escrituras, geme por restauração –, são as principais necessidades missionais para o plano de Deus. A humanidade precisa de luz. Sem nossas trevas, não seriam necessárias a cruz nem a ressurreição de Cristo. É preciso relembrar que Jesus Cristo é o cumprimento da promessa de Deus como resposta à angústia do universo caído.

O primeiro capítulo da Epístola aos Romanos nos fala sobre a separação entre Criador e criatura. No verso 18, lemos: "A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça". No verso 20, Paulo afirma que Deus se manifestou desde a criação – e, mesmo assim, continuamos impiedosos e perversos. Somos, assim, indesculpáveis. Convém notar que a expressão "ira de Deus" não se manifesta contra o ser humano, mas contra a impiedade e a perversão do homem. Deus ama o homem, mas odeia o pecado.

A sociedade hoje é uma evidência de nossa separação de Deus, tanto pela impiedade quanto pela perversidade. E é pela existência da separação (trevas) que se faz necessária a luz: a luz irradiada na cruz para salvação de todo aquele que crê ainda brilha hoje. Jesus, nossa luz, raiou e brilha em nós. Em Mateus 4.16 confirma-se o que Isaías já havia dito: "O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz".

Nos versículos 19 e 20 do primeiro capítulo da carta aos Romanos, Deus se manifesta através da criação. Há aqui um elemento fundamental: Deus é soberano, criador de todas as coisas, controlador do universo e detentor da autoridade sobre a nossa história. Os homens, citados no verso 18, tornam-se indesculpáveis por ser Deus revelado na criação "desde o princípio do mundo", sendo revelado tanto o "seu eterno poder" quanto "a sua própria divindade".

Portanto, perante um homem caído, existente em sua própria injustiça, impiedoso e perverso, Paulo não destaca soluções humanas, eclesiásticas ou mesmo sociais. Ele nos apresenta Deus. Na teologia paulina, a solução para o homem não é o homem, mas é Deus e sua revelação em Cristo. O apóstolo enumera alguns atos de perversão. No verso 20, ele nos fala da perversão filosófica em que os homens, mesmo perante a manifestação de um Deus que tudo criou, procuram alicerçar suas vidas com base em seus próprios pensamentos corruptíveis. No verso 23, ele aborda a perversão religiosa, manifesta na mudança da glória de Deus, incorruptível, em imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Isso nos remete à realidade da idolatria.

Do verso 26 em diante, Paulo fala a respeito da perversão ética e moral e menciona que o homem deixa o contato natural com a mulher, havendo até relacionamentos "homens com homens, cometendo torpeza". Ou seja, a natureza humana é pecaminosa e o homem se põe a cometer "atos inconvenientes, cheios de injustiça, malícia, avareza e maldade". Alguns desses atos pecaminosos são enumerados a seguir: inveja, homicídio, contenda, dolo, malignidade, soberba, insolência.

O homem, portanto, não é condenado por não conhecer a história bíblica; ele é condenado por não glorificar ao Senhor. Os homens não são condenados por não ouvirem a Palavra; eles são condenados, cada um, por seus pecados. O desenvolvimento do texto deixa claro que, perante semelhante quadro de escuridão e perdição, Deus se levanta e nos atrai a ele, em Cristo Jesus.

É comum ao homem caído gerar a ideia de um deus que simplesmente satisfaça aos seus anseios sem lhe confrontar. Esses deuses utilitários e manipuláveis são encontrados em abundância em toda a história da humanidade e das religiões. Biblicamente, porém, não há sentido em apresentar Deus que busca se relacionar com o homem sem expor o pecado humano e seu estado de total carência de salvação.

O relativismo radical, associado ao individualismo, tem levado muitos cristãos a apresentarem o lado consolador do Evangelho, omitindo, contudo, sua realidade confrontadora.

Fala-se sobre um Deus que salva o perdido, mas deixa-se de lado a realidade do estado humano de perdição. Fala-se sobre o céu, mas não sobre o inferno. Fala-se sobre a cura que alegra, mas não sobre o sofrimento que burila. Dentro dessa lógica, "pecado" tornou-se um termo politicamente incorreto e associado à descriminação do indivíduo. Paulo, porém, nos lembra que é vã qualquer tentativa de se expor o Evangelho de salvação sem a apresentação da verdade do homem caído, perdido, em trevas e com total carência da luz de Deus.

SATISFAÇÃO HUMANA x GLÓRIA DE DEUS

Já o movimento sociocultural histórico e mundial do antropocentrismo vem se delineando na pós-modernidade a partir de uma perspectiva individualista que desenvolve o hedonismo e narcisismo. Apesar dos termos repaginados a cada geração, o antropocentrismo tem sua raiz em Gênesis 3, quando nossos pais escolheram satisfazer um desejo pessoal em detrimento da obediência a Deus. Em seu coração, o homem colocava-se pela primeira vez no centro da criação. Hoje, não é diferente. O homem busca ser o centro do universo e da teologia. Assim, mesmo na teologia os temas mais celebrados em nossos dias giram em torno da satisfação humana, e não da verdade divina. Fala-se de céu, e não de inferno. Promete-se a prosperidade que satisfaz e omite-se o sofrimento e a perseguição. Contudo, na galeria dos heróis da fé, mencionados em Hebreus 11, encontramos cristãos fiéis sofrendo, cortados ao meio, lançados em covas de leões, torturados, maltratados e encarcerados. Lemos que ali mulheres perderam, repentina e tragicamente, seus maridos, e filhos perderam seus pais.

A influência antropocêntrica também leva a Igreja a desenvolver um perfil contrário à missão. Ela passa a escolher e destacar os versos bíblicos que prometem felicidade e paz, deixando em segundo plano os trechos que falam sobre missão, responsabilidade e serviço. O hedonismo e o narcisismo são variantes deste movimento antropocêntrico que tem influenciado a Igreja de Cristo de forma extremamente rápida em nossos dias. O hedonismo – a busca pelo prazer e realização pessoal – tem tentado extinguir toda chama de abnegação, disposição e sacrifício do crente pela causa de Deus. Ele também impele o cristão a escolher suas crenças aceitando aquilo que não o confronta. A cultura do entretenimento tenta substituir a cultura do serviço. Assim, a humanidade passou a definir suas atitudes e expectativas perante um único crivo: o que lhe dá prazer.

Outra influência antropocêntrica é o narcisismo. Este desejo de ser belo e reconhecido como tal é outro elemento que cativa a Igreja a andar em caminhos nos quais se substitui a glória de Deus pela humana. Se o motivo maior da existência da Igreja é glorificar a Deus, o narcisismo é uma das maiores barreiras em nossa caminhada. Por estímulo narcisista, diversos crentes fazem a coisa certa pela motivação errada. A armadilha contida nessa variante antropocêntrica é nos tornarmos pessoas envolvidas com Deus e a sua obra, ativas na igreja e na missão, solícitas para cooperar com o próximo – porém, tudo é feito para nossa própria exaltação e glória. Enganoso é o coração!

O narcisismo tenta despertar em nós a vaidade que faz nascer o desejo de sermos reconhecidos, bajulados e mencionados por outros de forma destacada. É preciso, porém, compreender que, para cumprir a vontade do Pai, não nos basta colocar a mão no arado: é necessário buscar um coração puro. Perante os desafios da vida e da fé, é preciso definir a fonte. O que a Reforma Protestante produziu no século 16 foi um retorno à Palavra que necessita ser exercitado a cada dia. Vivemos um dos momentos mais sensíveis quanto ao ataque à fé cristã em nossa geração.

A Igreja está sendo influenciada por relativismos e antropocentrismos que a levam a buscar a fórmula da felicidade, e não a obediência ao Pai.

Também nossos jovens estão sendo frontalmente combatidos nos meios universitários em razão de sua fé. A promoção do ateísmo, em todas as instâncias de convívio social, jamais foi tão forte. Perante tais ataques devemos dobrar nossos joelhos em oração, alicerçar nossa fé nas Escrituras e ensinar abundante e insistentemente aos nossos filhos as verdades de Deus.

Por: Ronaldo Lidório

Fonte: Cristianismo Hoje

Ronaldo Lidório é pastor presbiteriano, teólogo e antropólogo. Serve como missionário junto aos povos indígenas do Brasil (APMT/AMEM) e coordena o Instituto Antropos, que treina e assessora missionários em diversos países

sexta-feira, 15 de março de 2013

O Liberalismo Teológico | Augustus Nicodemus

  • Trecho da mensagem pregada por Augustus Nicodemus
  • Fonte: Editora Fiel
  • Conferência Fiel para Pastores e Líderes 2011 - Evangelização e Missões

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