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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

“Quando Deus age, o diabo trabalha em dobro!”

“Quando Deus age, o diabo trabalha em dobro!” 

Essa é uma frase que minha querida mãe — que agora está na glória — costumava dizer a mim e aos meus irmãos o tempo todo.

Ao estudar o livro de Atos este ano para a nossa série de Estudos Bíblicos de 5 Minutos, lembrei-me dessa frase marcante, pois observamos um padrão cíclico ao longo de todo o livro. 

O padrão é este: Deus levanta porta-vozes do evangelho que proclamam corajosamente as Boas Novas; as pessoas ouvem, creem e são convertidas pela graça de Deus; surge oposição contra essas testemunhas; Deus age poderosamente para resgatar seus embaixadores. 

Vemos esse padrão se repetir várias vezes em Atos, mas há algo ainda mais importante e empolgante nisso que não quero que você deixe passar. Sim, a pregação é poderosa, a oposição é poderosa e o resgate é poderoso, mas o que é talvez ainda mais significativo? Mencionei isso ontem no artigo "Grace & Knowledge" (Graça e Conhecimento): Deus usa os mensageiros mais improváveis, o que é fruto exclusivo de Sua capacitação divina. 

Considere Atos 4. Trata-se de Pedro e João diante do conselho; estou citando apenas trechos para economizar espaço. Você deve ler Atos 4:1–22 na íntegra, agora ou mais tarde: “Enquanto eles falavam ao povo, os sacerdotes, o comandante do templo e os saduceus vieram até eles, muito irritados porque ensinavam o povo e anunciavam, em Jesus, a ressurreição dos mortos. Eles os prenderam e os mantiveram sob custódia até o dia seguinte, pois já era tarde. Mas muitos dos que ouviram a palavra creram, e o número de homens chegou a cerca de cinco mil [...] E, quando os colocaram no meio, perguntaram: ‘Com que poder ou em que nome vocês fizeram isso?’ Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes... ‘Este Jesus é a pedra que foi rejeitada por vocês, os construtores, e que se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro, pois não há outro nome debaixo do céu, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.’ Ao verem a coragem de Pedro e João, e perceberem que eram homens sem instrução e comuns, ficaram admirados. E reconheceram que eles haviam estado com Jesus.” 

Pare e pense em quem está pregando o evangelho a uma oposição hostil. Pedro era o discípulo que constantemente fazia e dizia as coisas erradas. Foi Pedro quem sacou a espada e decepou a orelha de um dos soldados que tentavam prender Jesus. Pedro foi o discípulo que disse que seguiria Jesus em seu sofrimento, mas depois, após a prisão de Jesus, negou qualquer ligação com Ele. O homem que fala em Atos 4 é um Pedro muito diferente! Ele fala com a clareza e a ousadia do evangelho. Ele não apenas não teme associar-se a Jesus, mas repreende aqueles líderes pelo tratamento vil dispensado ao seu Salvador. Pedro os confronta com o fato de que aquele a quem crucificaram é o único meio de salvação deles. E ele diz tudo isso com a clareza e a confiança do evangelho. 

Pedro apresenta-se diante daqueles governantes poderosos como um testemunho vivo do poder extraordinário da graça transformadora de Deus. Até mesmo aqueles líderes religiosos de coração endurecido ficam admirados com a brilhante postura de Pedro: "Reconheceram que eles haviam estado com Jesus". Simplesmente não há outra explicação para a mudança drástica na vida desse homem. O poder da graça transformadora de Deus, na pessoa de seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, transformou esse discípulo. 

A graça de Deus não apenas perdoa, reconcilia e concede a vida eterna; ela capacita e transforma. E essa graça que capacita e transforma está disponível para você, aqui e agora. O que, em seu coração e em sua vida hoje, precisa ser transformado pela maravilhosa graça de Deus? Onde você precisa buscar, pedir e receber a mesma graça capacitadora que deu coragem a Pedro? 

Uma Oração para Hoje: Espírito Santo, concede-me a clareza e a confiança do evangelho para viver uma vida que glorifique o teu nome e promova a minha santificação. Senhor, preciso do teu poder para transformar o meu dia a dia — desde questões evidentes e gritantes até os pequenos deslizes comuns que cometo o tempo todo. O Teu Espírito é o que me atraiu a Ti, e o Teu Espírito é o que me aproxima mais de Ti, para que eu possa me tornar mais semelhante ao Teu Filho. Ajuda-me, Senhor, eu Te peço. Em nome de Jesus, amém.

Paul Tripp

quinta-feira, 13 de março de 2025

Lendo a Bíblia como um arqueólogo | Paul Tripp

Leia sua Bíblia como um arqueólogo, cavando lentamente, metodicamente e cuidadosamente por cada versículo e passagem das Escrituras. Procure por tesouros que conectem o poder transformador das Escrituras à vida cotidiana!

Um exemplo disso é encontrado no final de João 1, quando nos deparamos com um artefato sobre a escada de Jacó em Gênesis, algo que poderíamos facilmente perder se estivermos correndo rapidamente para chegar às histórias mais conhecidas.

Uma dessas histórias conhecidas é o casamento em Caná, que aparece logo no capítulo seguinte. Todos sabemos que Jesus transformou água em vinho, mas mesmo nessa história de escola dominical há tesouros ocultos que podemos perder se não os buscarmos com atenção. Por isso, também te encorajo a ler sua Bíblia como um detetive, procurando pistas que resolvem os belos mistérios da Palavra de Deus.

A história em João 2 termina com esta declaração no versículo 11:
“Este foi o primeiro dos seus sinais. Jesus o fez em Caná da Galileia e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.”

Ao ler essa história, você precisa se perguntar: "Por que os discípulos creram em Jesus? O que os levou a abandonar suas vidas e segui-lo?" A pista está em uma única palavra: glória.

Você já parou para meditar sobre a glória de Jesus ao transformar água em vinho? Que tipo de controle soberano sobre a criação é necessário para comandar as moléculas da água a se transformarem nas moléculas do vinho? Somente o Criador do universo poderia fazer tal coisa!

Embora não haja uma conexão direta com o Antigo Testamento, como na escada de Jacó, essa história nos faz lembrar de Jonas. Lembra-se de tudo o que Deus designou para intervir na vida de um profeta fugitivo? Ele:

“Lançou sobre o mar um forte vento” (Jonas 1:4)

“Designou um grande peixe para engolir Jonas” (Jonas 1:17)

“Falou ao peixe, e ele vomitou Jonas em terra seca” (Jonas 2:10)

“Designou uma planta e a fez crescer sobre Jonas, para que fizesse sombra sobre sua cabeça, a fim de livrá-lo do seu desconforto” (Jonas 4:6)

“Designou um verme que atacou a planta, e ela secou” (Jonas 4:7)

“Designou um vento oriental abrasador, e o sol bateu na cabeça de Jonas, a ponto de desfalecer” (Jonas 4:8)


Da mesma forma, Jesus, que transformou as moléculas da água em vinho, é o glorioso Criador que, com palavras, trouxe o universo físico à existência. Ele tem o direito, a autoridade e o poder para ordenar à criação que faça o que Ele desejar.

Jesus de Nazaré é o Senhor Criador, e é por isso que os discípulos creram nele, o seguiram e entregaram suas vidas a Ele.

Você pode dizer o mesmo hoje? Sim, você declarou seguir Jesus por toda a vida, e sua vida eterna está segura em Cristo, mas nos momentos comuns do dia a dia, nem sempre acreditamos, seguimos e confiamos em Cristo.

Essa história do Novo Testamento, em que Jesus transforma água em vinho, e a história de Jonas no Antigo Testamento devem ser um lembrete encorajador para você hoje sobre o poder e a glória do seu Criador. O poder e a glória de Deus devem te lembrar de crer mais uma vez, seguir mais uma vez e confiar sua vida a Ele mais uma vez.

“Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus devem confiar suas almas ao fiel Criador, praticando o bem.” (1 Pedro 4:19)

Como o glorioso e poderoso Criador de tudo o que existe, não há nada que Ele não possa fazer por você. Descanse na glória e no poder de quem Ele é! Creia nele. Siga-o. Confie sua vida e sua alma a Ele. Ele é fiel.

Isso é o que acontece quando você busca pistas em sua leitura diária da Bíblia como um detetive!

Uma Oração para Hoje:

Senhor, eu admito que, nos momentos comuns do dia a dia, nem sempre creio, sigo e confio em Ti. Sou tentado a procurar em outros lugares a emoção, o encorajamento e a satisfação, mas qualquer coisa fora de Ti nunca me satisfará. Que Tu me dês a graça de descansar na Tua glória e no Teu poder, e que eu sempre responda à Tua glória e ao Teu poder com fidelidade e gratidão. Eu Te amo. Em nome de Jesus, amém.

Paul Tripp

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Não se Conforme com sua Pregação Medíocre | Paul Tripp

pregadorQuero examinar um aspecto onde há mediocridade demais na igreja de Jesus Cristo: a pregação. Aproximadamente 40 fins-de-semana por ano estou com o corpo de Cristo em algum lugar do mundo. Frequentemente não consigo sair no sábado, então participo do culto da congregação local (quando não sou eu o encarregado da pregação). O que vou dizer agora provavelmente vai me trazer problemas, mas estou convencido de que precisa ser dito.

Estou entristecido e aborrecido por dizer isto, mas estou cansado de ouvir palestras teológicas chatas e mal preparadas, feitas por pregadores pouco inspirados lendo manuscritos, tudo isso feito em nome da pregação bíblica.

Não é de surpreender que a atenção das pessoas vagueie. Não é de surpreender que elas tenham dificuldade em ficar atentas e acordadas. Surpreende-me que algumas consigam. Elas estão sendo ensinadas por alguém que não levou as armas necessárias para o púlpito, para lutar por elas e com elas. Pregar é mais do que regurgitar seu comentário exegético favorito, reescrever os sermões dos seus pregadores favoritos, ou reformular notas de uma de suas aulas favoritas no seminário. É trazer as verdades transformadoras do evangelho de Jesus Cristo a partir de uma passagem que foi devidamente entendida, aplicada de forma convincente e prática, e apresentada com a paixão e ternura cativantes de alguém que foi quebrantado e restaurado por essas mesmas verdades, e que agora se levanta para comunicá-las. Simplesmente não é possível fazer isso sem preparação, meditação, confissão e adoração adequadas.

Simplesmente não é possível começar a pensar sobre uma passagem pela primeira vez sábado à tarde ou à noite, e dedicar-lhe o tipo de atenção que ela exige. Você não vai conseguir compreender a passagem, ser pessoalmente tocado por ela, e estar preparado para comunicá-la aos outros de uma forma que contribua com a transformação constante deles. Como pastores, precisamos lutar pela santidade da pregação, ou ninguém vai. Precisamos exigir que nossas descrições de cargo incluam tempo necessário para nos prepararmos bem. Precisamos arrumar tempo em nossa agenda para fazer o que for necessário para que cada um de nós, de acordo com nossos dons e maturidade, esteja preparado como porta-voz do nosso Rei Salvador.

Não podemos nos acomodar com padrões que apequenam a pregação e degradam nossa habilidade de representar um Deus glorioso de graça gloriosa. Não podemos nos permitir estar ocupados ou distraídos demais. Não podemos estabelecer padrões baixos para nós mesmos e para aqueles a quem servimos. Não podemos ficar nos desculpando e nos acomodando. Não podemos tentar espremer uma preparação valiosa em alguns poucos minutos roubados do nosso dia-a-dia. Não podemos perder de vista Aquele a quem fomos chamados a representar, e sua maravilhosa graça. Não podemos, por estar despreparados, deixar seu esplendor parecer enfadonho e sua graça maravilhosa parecer ordinária.

A cultura e disciplina que permeiam nossa pregação sempre revelam o caráter verdadeiro do nosso coração. E é exatamente aí que confissão e arrependimento precisam acontecer. Não podemos culpar nossas descrições de cargo ou a correria do dia-a-dia. Não podemos ficar acusando as coisas inesperadas que aparecem na agenda de todo pastor. Não podemos culpar as demandas da família. Temos que confessar, humildemente, que nossa pregação é medíocre, e que não está à altura do nosso chamado. O problema somos nós. O problema é que perdemos a reverência e, ao perdê-la, ficamos satisfeitos em representar a excelência de Deus de uma forma que é tudo, menos excelente.

A mediocridade, em qualquer ministério, é sempre um problema do coração. Se isto o descreve, então corra humildemente para se confessar com seu Salvador, e abrace a graça que tem o poder de o resgatar de si mesmo e, assim, recuperar a reverência perdida.

Por: Paul Tripp

Fonte: Gospel Translations

quarta-feira, 20 de março de 2013

Cinco sinais da autoglorificação | Paul Tripp

É importante reconhecer o resultado da sua autoglorificação e do seu ministério. Talvez Deus use esta lista para dar um diagnostico inteligente. Talvez ele use isto para expor seu coração para redirecionar seu ministério.

A autoglorificação fará com que você:

1.  Demonstre em público o que você deveria guardar em privado.

Os Fariseus representam para nós um exemplo primário. Porque eles viram suas vidas como gloriosas, eles eram rápidos em demonstrar esta glória para todos os olhos. Mais que você pense que você tenha chegado, e menos que você se veja como uma necessidade de uma graça salvadora diária, mais você tende a se autocitar e a se autoparabenizar. Porque você está atento a autoglorificação, você irá trabalhar para conseguir uma glória maior, mesmo quando você não está ciente de que você esteja fazendo isso. Você irá tender a falar sobre histórias pessoais que farão de você o herói.

Em um ambiente público você encontrará maneiras de falar sobre atos pessoais de fé.

Porque você acha que é merecedor de aplausos, você irá buscar os aplausos dos outros encontrando maneiras de apresentar a si mesmo como um divino.

Eu sei que muitos pastores lendo esta coluna irão pensar que nunca fariam isso. Mas estou convencido que há muito mais “desfile de integridade” em um ministério pastoral do que nós tendemos a achar. É uma das razões que eu acho conferências de pastores, reuniões presbiterianas, assembléias gerais, ministérios, e encontros de plantio da igreja, são desconfortáveis às vezes. Ao redor da mesa depois da sessão, estes encontros podem se degenerar em uma “competição de cuspe” do ministério pastoral, onde nós estamos tentados a ser menos do que honestos sobre o que realmente está acontecendo em nossos corações e ministérios. Depois de celebrar a glória da graça do Evangelho onde há uma forma muito gloriosa de autoconglaturação tomada por pessoas que parecem desejar mais serem aplaudidas do que merecem.

2.  Fique longe da autocitação.

Todos nós sabemos disso, todos nós já vimos isto, nós todos ficamos desconfortáveis com isso, e todos já fizemos isto. Pessoas orgulhosas tendem a falar muito sobre si mesmas. Pessoas orgulhosas tendem a gostar de suas opiniões mais do que a opinião dos outros. Pessoas orgulhosas acham que suas histórias são mais interessantes e envolventes que as dos outros.

  • Pessoas orgulhosas acham que sabem e entendem mais do que os outros.
  • Pessoas orgulhosas acham que merecem o direito de serem ouvidas.
  • Pessoas orgulhosas, porque eles são basicamente orgulhosos do que eles sabem e do que eles fazem, falam muito sobre ambos.
  • Pessoas orgulhosas, não mencionam fraqueza.
  • Pessoas orgulhosas não falam sobre as falhas.
  • Pessoas orgulhosas não confessam pecados. 

Então, pessoas orgulhosas são melhores e são colocadas sob os holofotes, então eles brilham a luz de suas histórias e opiniões, na gloriosa e totalmente imerecida glória de Deus.

3.  Falar quando você deveria ficar calado.

Quando você acha que chegou, você está bastante orgulhoso e confiante das suas opiniões. Você confia nas suas opiniões, então você não está tão interessado na opinião dos outros como deveria. Você tenderá a querer seus pensamos, perspectivas, e pontos de vista para ganhar o dia em qualquer reunião ou conversação dada. Isto significa que você está bem mais confortável do que você deveria, dominando um encontro com seu discurso.

  • Você irá falhar em perceber que há sabedoria em que um conselho de uma multidão.
  • Você irá falhar em perceber o ministério essencial do corpo de Cristo em sua vida.
  • Você irá falhar em reconhecer seu preconceito e cegueira espiritual.

Então, você não irá a reuniões formais e informais com um senso pessoal de necessidade pelo o que os outros têm a oferecer, e você irá controlar a conversa mais do que deveria.

4.  Ficar quieto quando deveria falar.

Autoglorificação também pode ir para outro caminho. Líderes que são muito autoconfiantes, os quais inconscientemente atribuem a si mesmos o que só poderia ser conquistado pela graça, geralmente veem reuniões como uma perda de tempo. Porque eles são orgulhos, eles são muito independentes, então reuniões tendem a ser vistas como irritantes e inúteis interrupções de uma já cheia e sobrecarregada agenda do ministério. Por causa disso eles irão dispensar reuniões ou tolerar o encontro, tentando dar um fim a isto mais rápido possível.

  • Então, eles não irão falar sobre suas ideias para consideração ou avaliação porque, francamente, eles nem acham que precisam disso.
  • E quando suas ideias estão sobre a mesa e sendo debatidas, eles não participam do debate, porque eles acham que o que eles opinaram ou propuseram, simplesmente não precisam ser defendidas.

A autoglorificação ia causar a você falar muito quando deveria ouvir e a não sentir a necessidade de falar quando certamente deveria.

5.  Importar-se muito com o que as pessoas pensam sobre você.

Quando você cai no pensamento que você é algo, você quer que as pessoas reconheçam este algo. Novamente, você vê isto em Fariseus: tarefas pessoais de glorificar-se sempre levam a um comportamento de procura pela glória. Porque você é hiper vigilante, assistindo a maneira como as pessoas em seu ministério respondem, você provavelmente nem percebe como faz coisas para a autoaclamação.

Tristemente, nós muitas vezes ministramos o Evangelho de Jesus Cristo pelo bem da nossa própria glória, não pela glória de Cristo ou pela redenção das pessoas sob nossos cuidados. Eu tenho feito isto. Tenho pensado durante a preparação para um sermão em que certo ponto, colocar em certa maneira, ganharia um caluniador, e eu tenho visto a reação de certas pessoas enquanto eu tenho discursado. Nestes momentos, no discurso e na preparação para o sermão, eu tinha abandonado meu chamado como embaixador da glória eterna de outro com o objetivo de adquirir o louvor temporário dos homens.

Próxima semana, nós iremos ver mais cinco sinais de como a procura pela autoglória dar forma ao seu ministério.

 

Por Paul Tripp

Sobre Ministério Pastoral

Tradução: Katia Vasconcelos

Fonte: The Gospel Coalition

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A Receita do Pastor com Sucesso | Paul Tripp


Paul Tripp é o presidente de Paul Tripp Ministries, organização sem fins lucrativos cujo slogan de missão é "Conectando o poder transformador de Jesus Cristo à vida diária". É também professor de vida e cuidado pastoral no Redeemer Seminary, em Dallas (Texas), e diretor executivo do Center for Pastoral life and Care, em Fort Worth (Texas). É casado há muitos anos com Luella, e têm quatro filhos adultos.

Estou convencido de que muitos dos problemas no ambiente pastoral resultam de uma definição nada bíblica dos ingredientes essenciais do sucesso para o ministério. É claro que muitos futuros candidatos esperam uma "vibrante caminhada com o Senhor", mas essas palavras ficam geralmente desfiguradas através de um processo que faz poucas perguntas nesta área e espera grandes respostas. Estamos realmente interessados em conhecimento (teologia correta), capacidade (boa pregação), filosofia ministerial (edificação da igreja), e experiência (é o seu primeiro pastorado?). Já ouvi de líderes da igreja, em momentos de crise pastoral, dizer muitas vezes: "Não conhecemos o homem que contratamos."

O que significa conhecer o homem? Significa saber qual é a verdadeira condição do seu coração - até onde seja possível. Do que ele realmente gosta, e o que despreza? Quais são suas esperanças, sonhos, temores? Quais são os desejos profundos que o entusiasmam ou o paralisam? O que ele pensa de si mesmo? Até que ponto está aberto à confrontação, a critica e ao encorajamento? Até que ponto está comprometido com a santificação?
Ate que ponto está aberto às tentações, fraquezas e fracassos? Até que ponto está preparado para ouvir e condescender com a sabedoria dos outros? Ele considera o ministério pastoral um projeto comunitário? Tem um coração manso, submisso? É simpático e hospitaleiro, é um pastor e está disposto para com aqueles que estão sofrendo? Que qualidades de caráter sua esposa e filhos costumam usar para descrevê-lo? Ele aplica a si mesmo as suas pregações? Seu coração se comove e sua consciência costuma se entristecer quando olha ara si mesmo no espelho da Palavra? Até que ponto sua vida devocional é robusta, consistente, alegre e vibrante?

O seu ministério flui com a emoção de sua comunhão devocional com o Senhor? Ele se atém a padrões elevados, ou se acostuma com a mediocridade? É sensível à experiência e às necessidades das pessoas que o ajudam no ministério? Personifica o amor e a graça do Redentor? Ignora pequenas ofensas? Está pronto a perdoar?  É crítico e costuma julgar os outros? Que diferença ele apresenta entre o pastor na igreja e o marido e pai em casa? Ele cuida do seu físico? Intoxica-se com a mídia ou a televisão? Como ele completaria esta sentença: "Se ao menos eu tivesse..........."?  Que sucesso tem no pastoreio da congregação que consiste da sua família?

A Verdadeira Condição do Coração do Pastor

O ministério do pastor nunca é apenas formado por sua experiência, conhecimentos e capacidade. Sempre se trata da verdadeira condição do seu coração. Na verdade, se o seu coração não estiver bem colocado, o conhecimento e a capacidade o tornam perigoso.

Os pastores geralmente lutam para encontrar uma comunhão viva, humilde, dependente, celebratória, adoradora, meditativa com Cristo. É como se Jesus tivesse abandonado o edifício. Há todo tipo de conhecimento e capacidade de ministério, mas parece divorciado de uma comunhão viva com o Cristo vivo e sempre presente. Toda esta atividade, conhecimentos e capacidade parecem receber combustível de outro lugar. O ministério se torna chocantemente impessoal. Contém conteúdo teológico, capacidade exegética, compromissos eclesiásticos e avanços institucionais. É uma preparação para o próximo sermão, atender o próximo item da agenda, e cumprir os requisitos de abertura da liderança. Trata-se de orçamentos, planos estratégicos e parcerias de ministério.

Nenhuma dessas coisas é errada em si mesma. Muitas delas são essenciais. Mas nunca devem constituir fins em si mesmos. Nunca deveriam ser a máquina que impele o veículo. Devem todas expressar alguma coisa mais profunda no coração do pastor.

O pastor deve estar interessado, deslumbrado, apaixonado pelo seu Redentor de maneira que tudo o que pensa, deseja, escolhe, decide, diz e faz é impelido pelo amor a Cristo e a segurança do repouso no amor de Cristo. Ele deve se expor regularmente, humilhar-se, assegurar-se e repousar na graça do Redentor. Seu coração deve amolecer dia a dia pela comunhão com Cristo de maneira que se torne um servo-líder amoroso, paciente, perdoador, encorajador e doador. Suas meditações sobre Cristo, sua presença, suas promessas e suas provisões não devem ser sobrepujadas por suas meditações sobre como fazer o seu ministério funcionar.

Proteção Contra Todos os Outros Amores

Apenas o amor a Cristo pode defender o coração do pastor contra todos os outros amores que têm o potencial de seqüestrar o seu ministério. Apenas a adoração a Cristo tem o poder de protegê-lo de todos os ídolos sedutores do ministério que sussurram aos seus ouvidos. Apenas a glória do Cristo ressuscitado vai guardá-lo da glória pessoal que tenta e destrói o ministério de tantos.

Apenas Cristo pode transformar um seminarista graduado, arrogante, materialista em um doador humilde e paciente da graça. Apenas gratidão profunda por um Salvador sofredor pode transformar um homem em servo sofredor no ministério. Apenas um quebrantamento diante do seu próprio pecado pode desenvolver graça para com indivíduos rebeldes entre os quais Deus o chamou para ministrar. Apenas quando sua identidade estiver firmemente enraizada em Cristo você poderá descobrir a liberdade de buscar a identidade no seu ministério.

Devemos ter o cuidado de definir capacidade ministerial e maturidade espiritual. Há o perigo de se pensar que os seminaristas formados que foram bem treinados e bem instruídos estão preparados para o ministério, ou achar que conhecimento, atividade e capacidade para o ministério é maturidade espiritual pessoal. A maturidade é uma coisa vertical que se expressa horizontalmente numa variedade extensa. A maturidade se refere ao relacionamento com Deus que resulta em uma vida sábia e humilde. A maturidade do amor a Cristo expressa-se no amor ao próximo.

A gratidão pela graça de Cristo se expressa na graça para com os outros. A gratidão pela paciência e o perdão de Cristo capacita-nos a sermos pacientes e perdoadores. A experiência diária da salvação do evangelho dá-nos paixão pelas pessoas que estão experimentando a mesma salvação. É a terra em que o verdadeiro sucesso ministerial se desenvolve.

Traduzido por: Yolanda Krievin
Editor: Tiago Santos
Copyright © Paul Tripp
Copyright © Editora FIEL 2012.

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.