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segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Explicando a Adoração Reformada | Rev. Alan Kleber Rocha

INTRODUÇÃO

O culto público de adoração no Dia do Senhor é a atividade mais importante da vida cristã. Nele, Deus se encontra com seu povo. Nele, o Senhor fala conosco através de sua Palavra e dos Sacramentos, e nós respondemos com oração, confissão e canto. Na adoração pública, Deus se inclina dos céus para alimentar nossa alma, fortalecer nossa fé e nos edificar como o corpo de Cristo. No culto a Deus chegamos prontos para ouvir, prontos para receber e prontos para agradá-lo.

Hoje em dia, os cultos de adoração costumam ser mais para agradar aos homens ao invés de agradar a Deus. Tornou-se comum que os cultos de adoração se concentrem em entreter o público, parecendo mais concertos de música sacra, apresentações de bandas ou conjuntos musicais, seminários motivacionais, do que a adoração sagrada ao Deus triúno. Contudo, a Bíblia nos ordena que “tendo recebido um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor” (Hebreus 12.28-29).

Na Igreja Presbiteriana de Aracaju (IPA), você não achará as novidades da adoração evangélica contemporânea. Não há bandas gospel, efeitos especiais ou pastores modernos contando histórias irreverentes. Em vez disso, você encontrará uma liturgia bíblica, uma adoração alegre e reverente ao Deus vivo, e o Senhor Jesus Cristo sendo proclamado por toda a Escritura.

O QUE É UMA LITURGIA?

A palavra “liturgia” simplesmente significa “atos de adoração”. Uma liturgia se refere à ordem do culto em um serviço público de adoração. Cada igreja tem alguma forma de liturgia (mesmo que afirme não seguir qualquer ordem ou padrão). A liturgia que experimentamos na IPA tem precedentes históricos: cada parte pode ser encontrada nas liturgias históricas da igreja cristã, especialmente aquelas oriundas da Reforma do século XVI e dos primeiros Pais da Igreja Antiga.

Mais importante ainda, nossa liturgia está em total conformidade com a Palavra de Deus e é cuidadosamente planejada para nos conduzir a um diálogo pactual com nosso Criador e Redentor. A adoração reformada é um diálogo no qual Deus fala com seu povo por meio de sua Palavra e Sacramentos, e nós respondemos com oração, confissão e canto.

Deus entra neste diálogo pactual com seu povo todas as semanas no culto público a fim de renovar sua aliança da graça conosco. Apresentamos abaixo uma breve explicação de cada parte de nossa liturgia.

SAUDAÇÃO DE DEUS

Reunido o povo de Deus para a adoração, sua Palavra anuncia a graça e a paz para todos os que vêm a Ele por meio de Jesus Cristo. Como embaixador designado por Deus, o ministro levanta as mãos e anuncia a bênção de Deus em sua Palavra: ” … graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (Romanos 1.7).

CHAMADO À ADORAÇÃO

O culto então começa com o Deus Triúno nos chamando por meio de sua Palavra para adorá-lo com reverência e santo temor. Um texto das Escrituras é lido como um apelo ao povo de Deus: “Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do SENHOR, que nos criou” (Salmo 95.6). O Senhor nos chama para adorá-lo e receber de suas mãos as boas dádivas que Ele oferece para nossas almas.

CANÇÃO DE LOUVOR

Tendo ouvido a bênção de Deus, respondemos levantando a Ele nossas vozes e cantamos um salmo ou hino bíblico. Conforme nos foi ordenado: “Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico” (Salmo 100.2). As palavras que cantamos ao Senhor são cuidadosamente escolhidas, pois o conteúdo de cada música deve estar de acordo com as Escrituras e deve nos fornecer um entendimento mais profundo sobre o Deus que exaltamos.

INVOCAÇÃO

Tendo ouvido o chamado de Deus para adorá-lo, respondemos em oração. Como povo pactual de Deus, nos levantamos e invocamos o seu santo nome, confessando que “O nosso socorro está em o nome do SENHOR, criador do céu e da terra” (Salmo 124.8).

LEITURA DA LEI

Deus anuncia sua vontade para nossas vidas por meio de sua lei, isto é, os mandamentos das Escrituras. A lei de Deus nos diz claramente como devemos viver e o que Deus espera de nós. Também revela a santidade de Deus, bem como nossa pecaminosidade, pois “… eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei” (Romanos 7.7).

CONFISSÃO DE PECADO

Tendo ouvido Deus falar conosco através de sua lei, somos levados a confessar nossos pecados. Em primeiro lugar, fazemos isso silenciosamente, confessando nossos próprios pecados individuais. Então, em segundo lugar, fazemos isso de maneira pública e corporativamente, confessando a Deus como um povo, “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar” (Salmo 51.4).

DECLARAÇÃO DE PERDÃO

Tendo confessado os nossos pecados a Deus, ouvimos o anúncio alegre da sua promessa que diz: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1.9). Como embaixador de Cristo, o ministro declara perdão a todos os que confiam em Cristo e se arrependem de seus pecados.

CONFISSÃO DE FÉ

Confessamos juntos o Credo dos Apóstolos ou o Credo Niceno, ou ainda uma seção do Catecismo de Westminster. Herman Bavinck escreveu que “A confissão de um cristão não é uma ilha no oceano, mas o alto topo de uma montanha de onde toda a criação pode ser vista“. 

Fazemos isso não apenas para ser instruídos na fé cristã, mas também como uma oração a Deus onde declaramos que estamos unidos na verdade que Ele nos revelou: “há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (Efésios 4.5-6). Os credos e confissões resumem de forma bela essa verdade revelada nas Escrituras.

ORAÇÃO PASTORAL

O ministro ora em nome da congregação, trazendo “o fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hebreus 13.15), bem como uma intercessão pela igreja, pelo país e pelo mundo. Isso é concluído quando invocando o Senhor novamente, desta vez lhe suplica que “… o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, [nos] conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do [nosso] coração, para saberdes qual é a esperança do [nosso] chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder” (Efésios 1.17-19).

CANÇÃO DE PREPARAÇÃO

Louvamos em preparação para o alimento que Deus está prestes a oferecer para nossas almas por meio da pregação de sua Palavra. Cantamos outro salmo ou hino, essencialmente dizendo ao Senhor: “A tua palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Salmo 119.105).

LEITURA DAS ESCRITURAS

Tendo pedido a Deus para abrir nossos ouvidos e corações para receber sua Palavra, nós o ouvimos falar enquanto sua Palavra é lida. Isso também – “a leitura pública da Escritura” (1 Timóteo 4.13) – é um ato de adoração.

SERMÃO

Deus continua a falar enquanto sua Palavra é proclamada e explicada. Como o apóstolo Paulo disse ao jovem pastor Timóteo: “prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2 Timóteo 4.2-4 ). O ministro dá uma exposição fiel do texto, que em última análise nos chama ao arrependimento e à fé em Cristo Jesus.

CEIA DO SENHOR

Tendo ouvido a voz pactual do nosso Deus em sua Palavra, agora nos juntamos a Ele em uma refeição pactual. Assim como a Palavra pregada nos prometeu o favor de Deus em Cristo, também nosso Pai celestial adiciona esta conformação visível de sua promessa imutável. Na Mesa do Senhor, a fé torna-se visão. Pão e vinho nos garantem que Cristo veio, morreu e voltará novamente por nós. Participamos juntos para comungar e participar do corpo e sangue de Cristo: “Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?” (1Coríntios 10.16).

CANÇÃO DE RESPOSTA

Tendo ouvido a palavra de Cristo e participado de seu corpo e sangue, atendemos ao mandamento apostólico: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração” (Colossenses 3.16).

COMISSÃO

Prontos agora para obedecer, os crentes são desafiados a ir ao mundo para servir a Deus e cumprir a Grande Comissão. O ministro anuncia o decreto do Rei: Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mateus 28.18-20). O Senhor Jesus nos envia ao mundo para servi-lo.

BÊNÇÃO

No culto de adoração, o Deus triúno detém a primeira e a última palavra. E ambas são anúncios de sua maravilhosa graça. Com as mãos erguidas, o ministro abençoa o povo do pacto com a Palavra de Deus, que está ao alcance de todos os que a recebem pela fé: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2 Coríntios 13.13).

GLORIA PATRI OU DOXOLOGIA

Gloria Patri: Entoamos um cântico de louvor ao Deus Triúno por se revelar a nós por meio de sua Palavra.

Glória seja ao Pai, ao Filho e ao Santo Espírito!

Como era no princípio, e hoje e para sempre,

Eternamente! Amém! Amém!

Doxologia: Uma breve e triunfante canção de louvor e ação de graças ao Deus Triúno.

A Deus, supremo Benfeitor,

Anjos e homens deem louvor.

A Deus o Filho, a Deus o Pai,

E a Deus Espírito, glória dai.

Amém.

CONCLUSÃO

Nem todas as formas de liturgia são igualmente adequadas para expressar nossas convicções reformadas e presbiterianas. Não se pode separar a teologia da liturgia porque a teologia informa a liturgia e a liturgia informa a teologia. Vemos isso mais claramente quando nossos filhos crescem em igrejas presbiterianas com uma piedade batista ou carismática. Quando eles se tornam adultos e se mudam para outra cidade, não acabam em igrejas presbiterianas, mas em congregações batistas ou carismáticas, pois lhes parecem familiares.*

Dr. Joseph Pipa Jr. afirma que isso aconteceu com os huguenotes franceses quando migraram para a América no século XVII. Eles estavam bastante familiarizados a uma liturgia rica e formal. Porém, quando chegaram no Novo Mundo e constataram que a liturgia das igrejas presbiterianas havia se tornado extremamente livre, sem uma ordem formal segundo as Escrituras e a tradição reformada, eles acabaram em igrejas anglicanas e episcopais por causa do poder emotivo de suas liturgias [1].

O culto das igrejas reformadas é claramente revolucionário e ao mesmo tempo restaurador, pois reintroduz o povo de Deus à adoração bíblica. Hughes Old diz que a reforma teológica “exigia uma reformulação da adoração” [2].

A adoração reformada deu vida e expressão às convicções da teologia reformada. As igrejas reformadas planejavam propositalmente cultos de adoração simples e espirituais, e que consistiam em um conteúdo bíblico rico e substancial, expresso por meio de um número limitado de elementos essenciais, porque isso é o que a teologia reformada exigia.

Terry Jhonson afirma que “a adoração reformada tomou a forma que conhecemos não por causa do gosto, preferências de estilo ou etnia dos reformadores, mas por causa da teologia que estava por trás dela” [3]. Portanto, se tentarmos comunicar a teologia e a piedade reformada por meio de uma liturgia amplamente evangelical, anglicana ou carismática, comprometeremos a doutrina, e a história confirma isso.**

A adoração reformada nada contra a maré da cultura contemporânea. Enquanto a cultura celebra a juventude e a novidade, o culto reformado honra a sabedoria dos antigos. Enquanto a cultura nos encoraja à busca hedonista por prazer, o culto reformado encoraja uma congregação a se concentrar em dar alegria e prazer somente a Deus. Enquanto a cultura insiste que liberdade significa uma liturgia desordenada e sem forma, o culto reformado está fundado no princípio de que não há liberdade em meio à desordem e o caos disforme. Enquanto a cultura exalta a espontaneidade, a liturgia reformada nos treina em hábitos e respostas maduros. Enquanto a cultura lança seus apelos a um público soberano, o culto reformado é um apelo a um Deus soberano.

*Enfase minha.

**Enfase minha.

Rev. Alan Kleber Rocha

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

A União com Cristo nas Epístolas de Paulo | J.V. Fesko

Uma das passagens mais espantosas da Escritura aparece na abertura da epístola de Paulo aos efésios, onde o apóstolo literalmente começa do início de tudo quando escreve: “E amor [isto é, Deus] nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo” (1:4-5). 

Conforme Paulo revela todas as bênçãos que os crentes recebem, ele ancora a salvação em Cristo com a repetição de uma frase: “Nele…” Paulo escreve, “Nele temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados [...] de fazer convergir nele [...] todas as coisas [...], nele [...] fomos também feitos herança,  [...] tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa” (vv. 7-13, ênfase minha). Paulo repete o refrão “nele,” que nos aponta para a doutrina da união com Cristo. Mas o que exatamente é união com Cristo?

Em sua Teologia Sistemática, Louis Berkhof define a união com Cristo como “aquela união íntima, vital e espiritual entre Cristo e seu povo, em virtude do que ele é a fonte da vida e da força de seu povo; de sua bendição e salvação.” Há diversas passagens ao longo das Escrituras que revelam que os crentes são unidos a Cristo: 

  • Nós somos os ramos e Jesus é a vinha (João 15:5); 
  • Jesus é a cabeça e nós somos seu corpo (1Co. 6:15-19); 
  • Cristo é o fundamento e nós somos as pedras vivas unidas ao fundamento (1Pe. 2:4-5); 
  • e o casamento entre o marido e a mulher aponta derradeiramente para a união entre Cristo e os crentes (Ef. 5:25-31). 
  • Além dessas imagens bíblicas, a específica frase “em Cristo” ocorre umas vinte e cinco vezes nas epístolas de Paulo. 
Podemos dizer que a união com Cristo ocasiona todos os benefícios de nossa redenção. A questão 69 do Catecismo Maior de Westminster, por exemplo, pergunta: “Que é a comunhão em graça que os membros da Igreja invisível têm com Cristo?” E então responde: “A comunhão em graça que os membros da igreja invisível têm com Cristo é a participação da virtude da sua mediação, na justificação, adoção, santificação e tudo o que nesta vida manifesta a união com Ele .”

A resposta do Catecismo Maior é facilmente verificada a partir da Escritura. Por exemplo, como vimos acima, somos escolhidos “nele” antes da fundação do mundo (Ef. 1:4). Paulo escreve à igreja em Roma que “não há condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus” (Rm. 8:1), que é outra maneira de dizer que aqueles que estão unidos a Cristo são justificados. Qualquer um que está “em Cristo Jesus” é um filho de Deus através da fé (Gl. 3:26). Além disso, se os Cristãos habitam em Cristo, eles dão muito fruto; eles produzirão boas obras (João 15:5). Somente Cristo nos dá nossa salvação, quer seja considerado como um todo ou como diferentes benefícios individuais, como a justificação e a santificação.

Qual é a significância do fato que os crentes são unidos a Cristo? Teólogos reformados têm argumentado historicamente que há diversos aspectos diferentes da nossa união com Cristo. Por exemplo, somos unidos a Cristo em termos de nossa eleição “nele.” Não fomos habitados pelo Espírito Santo neste ponto e unidos a Cristo pela fé porque nem sequer existíamos exceto na mente de Deus. Todavia, somos unidos a Cristo em termos da decisão do Pai de eleger pecadores caídos individuais e redimi-los através de seu Filho. Consequentemente, nesse sentido, somos unidos a Cristo no decreto da eleição.

Há um segundo aspecto da união com Cristo, que alguns chamaram de nossa união representativa ou federal. No ministério terreno de Cristo, tudo o que ele fez, ele fez em nome de sua noiva, a igreja. Quando ele foi batizado no Rio Jordão, que era um batismo de arrependimento, ele não estava confessando pecado pessoal, visto que era um cordeiro sem mácula — ele não tinha pecado (Marcos 1:4; 1 Pedro 1:19). Ao invés disso, como representante do povo, ele estava agindo em nome do povo. Consequentemente, não apenas em seu batismo, mas em seu cumprimento de toda vírgula e til da lei, em seu perfeito sofrimento, sua ressurreição e sua ascensão — tudo o que Cristo fez foi em nome de sua noiva. Os perfeitos sofrimento e guardar a lei de Cristo se tornam nossos através da fé — eles são imputados, ou creditados, a nós. 

A ressurreição de Cristo é representativa, em que conforme a cabeça é levantada, também o corpo, a igreja, será levantado precisamente da mesma maneira. Agora, como Cristo se assenta em sessão real à destra de seu Pai celestial, nós estamos assentados com Cristo e governamos com ele nos lugares celestiais (Ef. 1:20-21).

Um terceiro aspecto de nossa união com Cristo é o que alguns chamam de união mística ou pessoal. Esta é a habitação pessoal do crente pela fé através da pessoa e da obra do Espírito Santo. Várias passagens falam dessa dimensão de nossa união com Cristo, incluindo Efésios 2, onde o apóstolo Paulo explica que somos membros da casa de Deus, edificada na fundação dos apóstolos e profetas, com Cristo como a pedra angular. Sobre esse grandioso e definitivo templo, Paulo escreve que nós crescemos “para santuário dedicado ao Senhor,” e nele nós estamos “juntamente sendo edificados para habitação de Deus no Espírito” (v. 22).

Durante a cerimônia de casamento, quando um homem e uma mulher ficam diante do ministro, eles são dois indivíduos separados. No fim da cerimônia, contudo, eles são declarados “marido e mulher.” São unidos; e ambos se tornam “uma só carne” (Gn. 2:7; Ef. 5:25-31). A propriedade de cada indivíduo se torna a propriedade de ambos. 

Mas em nossa união matrimonial com Cristo, a gloriosa troca é muito maior. Nosso pecado e nossa culpa são imputados a Cristo, e sua perfeita guarda da lei e seu sofrimento são imputados a nós — o que é nosso se torna dele, e o que é dele se torna nosso. Por causa da união representativa que compartilhamos com Cristo, o Pai não mais olha para nós como pecaminosos, mas vê apenas a justiça e a santidade de Cristo.

A Questão 60 do Catecismo de Heidelberg pergunta: “Como você é justo diante de Deus?” O catecismo, então, dá uma resposta muito tranquilizante:

Apenas por uma genuína fé em Jesus Cristo; isto é, embora minha consciência me acuse de que pequei gravemente contra todos os mandamentos de Deus e não guardei nenhum deles, e ainda sou inclinado a todo mal, ainda assim Deus, sem qualquer mérito meu, por pura graça, concede e imputa a mim as perfeitas satisfação, justiça e santidade de Cristo, como se eu nunca tivesse tido ou cometido qualquer pecado, e como se eu mesmo tivesse cumprido toda a obediência que Cristo transmitiu a mim; se eu apenas aceitar tal benefício com um coração crente.

  • E quanto a santidade pessoal e boas obras? 
  • Elas não são mais necessárias? 
  • Os crentes estão livres da necessidade de fazer boas obras por causa de sua justificação? 
  • Eles são livres para pecar?

Estas são perguntas que Paulo enfrentou após falar das glórias de nossa justificação pela graça somente, através da fé somente e em Cristo somente em Romanos 3 a 5. Paulo responde com seu conhecido e enfático “De maneira nenhuma!” à pergunta de se os cristãos são livres para pecar por causa de sua justificação. A realidade para qual ele aponta como a razão pela qual não podemos mais viver em pecado, é nossa união com Cristo:

Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição. (Rm. 6:4-5)

Em outras palavras, em nossa união com Cristo, recebemos não apenas o benefício da justificação, mas também temos o benefício da santificação. Muitas pessoas pensam que sua santificação, sua transformação espiritual e conformação à imagem santa de Cristo, é simplesmente uma questão de tentar com mais vontade, vestir toda sua armadura moral — de decidir ser mais santo. Contudo, uma coisa que deveria estar clara é que Jesus claramente nos diz que a única maneira de produzirmos fruto é se habitarmos nele: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (João 15:5).

Devemos perceber que não devemos viver para a vida, mas a partir dela — fomos crucificados com Cristo e não somos mais nós que vivemos, mas Cristo que vive em nós (Gl. 2:20). Cristãos têm a grande certeza de que quando somos unidos a Cristo pela fé, nós recebemos a Cristo plenamente e todos os benefícios da redenção, não apenas alguns deles.

 
Por J.V. Fesko. Extraído do site www.ligonier.org. © 2013 Ligonier Ministries. Original:Union with Christ in Paul’s Epistles
Este artigo faz parte da edição de Fevereiro de 2013 da revista Tabletalk sobre “União com Cristo”.
Tradução: Alan Cristie. Editora Fiel © Todos os direitos reservados. Original: A União com Cristo nas Epístolas de Paulo (J.V. Fesko)

Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Vinícius Musselman Pimentel é formado em engenharia química pela UNICAMP e graduando em Teologia pelo Seminário Martin Bucer. Em 2008, fundou o blog Voltemos ao Evangelho ao conhecer a doutrina reformada e ser confrontado com a dura realidade teológica do Brasil. Atualmente, trabalha como Editor Online no Ministério Fiel. Vinícius é casado com Aline e vive em São José dos Campos/SP.

domingo, 30 de novembro de 2014

Os Benefícios da Obra do Mediador | Sergio Lima {Playlist}


Mensagens:
  1. Redenção e Muitos Outros Benefícios
  2. Quem Aplica a Obra de Cristo em Nós?
  3. Quem São os Redimidos?
  4. Alguém Pode ser Salvo sem Jesus Cristo?
  5. Basta Estar na Igreja Para Ser Salvo?
  6. O Cuidado de Deus com a Igreja
  7. Os Privilégios da Igreja Invisível
  8. O Que é a Justificação?
  9. O Que é a Vocação Eficaz?
  10. O Que é a Adoção?
Fonte: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro