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segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Conselhos aos que sofrem (10) | Rev. Ronaldo Lidório

 Parte: 10 – AOS QUE SE ENCONTRAN SEM FORÇAS

Na conclusão da magnífica carta de Paulo aos efésios, ele ensina que devemos nos fortalecer no Senhor: "Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder" (Ef. 6:10).

Primeiramente para não cairmos na “cilada do diabo” (v.11), o que nos leva a refletir que as armadilhas são muitas e estão ao nosso redor (1Pe 5:8). De fato, o apóstolo destaca esse perigo, pois escreve o verso 20 explicando que a nossa luta não é contra carne e sangue, mas “principados e potestades”. Via de regra, o inimigo das nossas almas nos ataca nas áreas mais enfraquecidas em nossas vidas. Assim, uma pergunta deve ser levantada: qual é a área fraca da sua vida que precisa, urgente e intensamente, ser fortalecida no Senhor e na força do seu poder?

Em segundo lugar, devemos nos fortalecer no Senhor para resistirmos “no dia mau” (v.13), evidenciando que nossos dias são inconstantes e que é crucial resistir para, ao fim, permanecer com a fé inabalável. Parece-me que a dinâmica do texto nos apresenta um movimento: nos fortalecermos no dia bom para conseguirmos resistir quando o dia mau chegar.

Por fim, ele pede oração para que tenha intrepidez na pregação do evangelho de Cristo (v.19), fazendo uma interessante ligação entre a oração e a missão. Mostra que não somos naturalmente audaciosos e intrépidos.

Se o próprio Paulo pediu oração por coragem para a evangelização, nós também precisamos fazê-lo. Tal coragem é resultado direto da graça de Deus, motivo pelo qual precisamos orar e pedir. Uma vida tímida na oração é uma vida tímida na proclamação do evangelho.

O destaque de Paulo, além de apresentar os motivos para nos fortalecermos em Deus, é indicar como fazê-lo. Na teologia bíblica, se conciliarmos as cartas paulinas, encontraremos sete práticas cristãs que alimentam a nossa fé: Palavra, adoração, comunhão, oração, santidade, boas obras e evangelização. Essa é a trilha da espiritualidade onde somos fortalecidos no Senhor para permanecer, mesmo passando pelo sofrimento, com a fé inabalável.

  1. Leia e medite na Palavra de Deus. É ela que alimenta a sua fé e mostra o caminho.
  2. Encha seus dias com frequente adoração, o reconhecimento de quem Deus é e o que Ele faz. Faça isto de forma privada e individual no seu quarto, e, também, pública e coletiva com sua igreja local.
  3. Abrace a comunhão, caminhando com aqueles que amam e seguem o Senhor Jesus.
  4. Cultive a vida de oração – diálogo com o Pai em nome do Filho Jesus.
  5. Busque de forma intensa e intencional uma vida santa que agrada o coração de Deus.
  6. Chore com os que choram, abrace e socorra o aflito e necessitado.
  7. E evangelize, com suas palavras e vida, proclamando sobre o único redentor daquele que crê – Jesus.
Portanto, encha seus dias com a Palavra, adoração, comunhão, oração, santidade, boas obras e evangelização. Você será fortalecido no Senhor!

Identifique as áreas fracas da sua vida, sejam padrões de pensamentos, vícios secretos, motivações duvidosas ou orgulho camuflado. Depois desse autoexame, busque em Cristo um sincero quebrantamento que leve a um verdadeiro arrependimento.

Livre-se urgentemente das suas fraquezas crônicas, pois são nessas lacunas que você será frontalmente atacado pelo inimigo. E não caminhe sozinho! Busque um companheiro de oração, de caminhada, de coração. A comunhão entre os santos é o ambiente que permite que o bálsamo seja derramado sobre a ferida.

Portanto, aos que sofrem, deixo este encorajamento: Deus o fortalecerá. Você não está sozinho, pois o Rei do universo, que o amou e chamou, está ao seu lado todos os dias. Clame e o Senhor o ouvirá. E, enquanto o livramento não chega, persevere com fé, perseverança e paz. Fé, pois Ele o chamou para crer. Assim, o descanso de alma é um resultado direto da fé. Perseverança, pois o caminho muitas vezes é longo e árduo. Caminhe um dia por vez, sabendo que as misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã. E, por fim, paz, mesmo em meio ao sofrimento. Lembre-se: por mais forte que seja a tormenta, estamos nas mãos do Senhor, que é fiel.

Conselhos aos que sofrem (7) | Rev. Ronaldo Lidório

 Parte 07 – AOS QUE TEM A FÉ ABALADA

A igreja de Cristo vive dias de forte antagonismo entre a fé e a dúvida, o amor e a indiferença, a santidade e o pecado, a liberdade e a perseguição. Perante um mundo que nos convida a ver, Deus nos convida a crer. Entender esse convite, abraçá-lo e proclamá-lo, parece ser a nossa missão e o significado de nossas vidas.

Paulo afirma que “a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1:17). Esse verso reproduz a mensagem de Habacuque (Hc 2:4), que faz essa afirmação 600 anos antes de Cristo. No primeiro capítulo do livro de Habacuque, o profeta denuncia o sofrimento do povo de Deus perante o ataque dos caldeus, narrando a aflição do povo com a violência, destruição, prisão e humilhação. E pergunta: "Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão?" (Hc 1:2-3).

O profeta pede que Deus mude as circunstâncias e anule o sofrimento, porém a resposta de Deus é diferente: o Senhor lhe diz que o povo sofrerá ainda mais e que as dores apenas começaram. Habacuque se desespera e aguarda na torre de vigia. Lança-se à oração (Hc 2:1).

Perante essa crise profundamente desesperadora, ele reconhece algo novo sobre Deus, e diz:

“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é minha fortaleza” (Hc 3:17-19).

O profeta percebe que Deus não perdeu seu poder diante do caos. Deus não deixa de ser Deus quando se cala. Habacuque pede que o Senhor mude as circunstâncias, mas Deus lhe convida a crer que Ele é Deus apesar e além das circunstâncias.

No capítulo 2 Habacuque exclama aquilo que iria levar Paulo, após 600 anos, a fundamentar a carta aos Romanos, e Lutero, após 2.100 anos, a iniciar a Reforma Protestante: “O justo viverá por fé” (Hc 2:4). Deus não nos convida a ver, mas a crer. Deus nos convida a ter fé. E, como Paulo afirma: “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10:17).
Não há nada mais poderoso em nossas ações do que proclamarmos a Palavra do Senhor, na qual cremos. Ela gera fé e transforma o coração mais duro, a nação mais forte, o homem mais ímpio, como transformou a minha e a sua vida. Creia que Ele fará isso ainda com milhões ou bilhões.

Vivemos em um país que carece profundamente de paz, justiça e livramento. Creio que é também missão da igreja clamar ao Senhor para que essas circunstâncias mudem, bem como lutar e participar dessa transformação. Porém, nossa missão vai além do clamor pela mudança do cenário. Ela envolve também proclamar que, mesmo em meio à tragédia, há Deus – e Ele nos convida a crer.

A primeira missão da igreja, portanto, não é a proclamação, mas a fé. Não é viver, mas morrer. Não é mudar, mas ser transformada. A missão é resultado da fé.

À semelhança de Habacuque, nossa tendência é buscar com maior intensidade o livramento do sofrimento diário. Deus, porém, vê além da linha do horizonte e promove um livramento eterno. Por vezes Ele usa o sofrimento temporário para que tenhamos nossa atenção voltada para sua dependência. Outras vezes os maiores aprendizados não ocorrem nas savanas tranquilas, mas nos desconfortáveis desertos. Não devemos buscar o sofrimento, mas compreender que há um propósito maior que a dor.

“Ainda que a figueira não floresça...” nos ensina que todos os planos de Deus, mesmo em meio ao sofrimento e caos, são planos de amor. E que reconhecer isso nos dá a mais santa e poderosa mensagem: há Deus!
“Ainda que a figueira não floresça...” nos ensina que todos os planos de Deus, mesmo em meio ao sofrimento e caos, são planos de amor. E que reconhecer isso nos dá a mais santa e poderosa mensagem: há Deus!

Conselhos aos que sofrem (4) | Rev. Ronaldo Lidório

 Parte 04: AOS QUE PERDERAMA A ALEGRIA

É desejo de Deus que tenhamos alegria. Deus nos ordena em sua Palavra: “Alegrai-vos no Senhor!” (Fp 4:4). Aliás, a alegria no Senhor é alvo de diversos estímulos bíblicos. Somos convidados a nos alegrar porque “grandes coisas fez o Senhor por nós” (Sl 126:3), pelo “dia que o Senhor fez” (Sl 118:24), pois “a alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8:10) e porque Ele é o Deus “da minha salvação” (Hc 3:18).

Aqueles que se alegram no Senhor são os “retos de coração” (Sl 32:11), lembram-se do “seu santo nome” (Sl 97:12), reconhecem a sua bondade (Jl 2:23) e sinceramente “buscam ao Senhor” (1 Cr 16:10). A verdadeira alegria é um dos nossos grandes privilégios e um dos nossos grandes desafios. E o oposto da alegria em Cristo não é simplesmente a tristeza, mas o descontentamento.

Enganoso é o coração. Conseguimos experimentar descontentamento mesmo vivendo debaixo da abundante graça de Deus. Em meio à fartura, nos descontentamos pelo que ainda não temos. Cobertos de afirmações e elogios, nos chateamos com uma pequena crítica. Alvos da constante graça de Deus, nos revoltamos por uma oração ainda não respondida. Imersos em incontáveis bênçãos, nos abatemos por aquela não recebida. É da nossa natureza caída abraçar o descontentamento, mesmo em meio à insuperável graça e abundantes motivos de alegria.

Alegrar-se no Senhor é um ato de adoração. Não é resultado de um mero sentimento, mas do reconhecimento da sua bondade. Trata-se de enxergar que a presença do Eterno é suficiente e que nenhuma tragédia da vida superará a sua graça.

Alegrar-se no Senhor é um exercício de fé, pois é resultado da confiança em Deus, que pode todas as coisas. À medida que creio, me alegro, pois sou tomado por uma profunda convicção de que Ele tudo pode; que sua graça é infinita e real; que no meio da provação existe um propósito maior que é cuidadosamente desenhado por Ele.

A alegria no Senhor ataca a ansiedade, direcionando para Deus as expectativas do nosso coração e fazendo repousar a nossa alma. À medida que creio, vejo a alegria combater a ansiedade e dar lugar ao descanso. Ansiedade é preocupar-se com tragédias que possivelmente jamais acontecerão. Alegria é sentir-se abraçado por Deus, em lugar amoroso e seguro, mesmo se a tragédia vier.

A Palavra nos orienta a buscarmos a alegria e não andarmos ansiosos (Fp 4: 4,6). O roteiro é definido para orar e suplicar ao Senhor, com os corações gratos (v.6). Assim, o resultado será a profunda “paz que excede todo o entendimento”, a qual “guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (v.7).

O cuidado que precisamos nos atentar é com os nossos pensamentos. É preciso que nossos pensamentos sejam ocupados apenas pelo que é verdadeiro, respeitável, justo, puro e amável. E por aquilo que tenha virtude e louvor (v.8). O que deixamos entrar e fazer morada em nossos pensamentos pode promover a ansiedade ou fazer brotar a paz.

Que Deus nos dê mais discernimento sobre aquilo que alimentamos em nossas mentes e corações – para a sua glória e a nossa alegria.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A alegria cristã em relação a mente | John Piper

II Conferência Cristianismo e Modernidade

II Conferência Cristianismo e Modernidade

Universsidade Presbiteriana Makenzie

Por: John Piper

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A graça de Deus nos capacita a enfrentar o sofrimento | Hernandes Dias Lopes

GRAÇAA vida é a professora mais implacável: primeiro dá a prova, e depois a lição. C. S. Lewis disse que “Deus sussurra em nossos prazeres e grita em nossas dores”. Paulo fala sobre um sofrimento que muito o atormentou: o espinho na carne. Depois de ser arrebatado ao terceiro céu, suportou severa provação na terra. Há um grande contraste entre estas duas experiências de Paulo. Ele foi do paraíso à dor, da glória ao sofrimento. Ele experimentou a bênção de Deus no céu e bofetada de Satanás na terra. Paulo tinha ido ao céu, mas agora, aprendeu que o céu pode vir até ele.

Charles Stanley em seu livro Como lidar com o sofrimento, sugere-nos algumas preciosas lições.

Em primeiro lugar, há um propósito divino em cada sofrimento (2Co 12.7). Há um propósito divino no sofrimento. O nosso sofrimento e a nossa consolação são instrumentos usados por Deus para abençoar outras vidas. Na escola da vida Deus está nos preparando para sermos consoladores. Jó morreu sem jamais saber porque sofreu. Paulo rogou ao Senhor três vezes, antes de receber a resposta.

O que Paulo aprendeu e que nós também precisamos aprender é que quando Deus não remove “o espinho”, é porque tem uma razão. Deus não permite que soframos só por sofrer. Sempre há um propósito. O propósito é não nos ensoberbecermos.

Em segundo lugar, é possível que Deus resolva revelar-nos o propósito de nosso sofrimento (2Co 12.7). No caso de Paulo, Deus decidiu revelar-lhe a razão de ser do “espinho”: evitar que ficasse orgulhoso. Quando Paulo orou nem perguntou por que estava sofrendo, apenas pediu a remoção do sofrimento. Não é raro Deus revelar as razões do sofrimento. Ele revelou a Moisés a razão porque não lhe seria permitido entrar na Terra Prometida. Disse a Josué porque ele e seu exército haviam sido derrotados em Ai.

O nosso sofrimento tem por finalidade nos humilhar, nos aperfeiçoar, nos burilar e nos usar.

Em terceiro lugar, o sofrimento pode ser um dom de Deus (2Co 12.7). Temos a tendência de pensar que o sofrimento é algo que Deus faz contra nós e não por nós. Jacó disse: “Tendes-me privado de filhos; José já não existe, Simeão não está aqui, e ides levar a Benjamim! Todas estas cousas em sobrevêm” (Gn 42.36). A providência carrancuda que Jacó pensou estar laborando contra ele, estava trabalhando em seu favor. O espinho de Paulo era uma dádiva, porque através desse incômodo, Deus o protegeu daquilo que ele mais temia – ser desqualificado espiritualmente.

Em quarto lugar, Deus nos conforta em nossas adversidades (2Co 12.9). A resposta que Deus deu a Paulo não era a que ele esperava nem a que ele queria, mas era a que ele precisava. Deus respondeu a Paulo que ele não estava sozinho. Deus estava no controle de sua vida e operava nele com eficácia. Precisamos compreender que Deus está conosco e no controle da situação. Precisamos saber que Deus é soberano, bom e fiel. Jó entendeu isso: “Eu sei que tudo podes e ninguém pode frustrar os teus desígnios”.

Em quinto lugar, pode ser que Deus decida que é melhor não remover o sofrimento (2Co 12.9). De todos, esse é o princípio mais difícil. Quantas vezes nós já pensamos e falamos: “Senhor por que estou sofrendo? Por que desse jeito? Por que até agora? Por que o Senhor ainda agiu?”. Joni Eareckson ficou tetraplégica e numa cadeira de rodas dá testemunho de Jesus. Fanny Crosby ficou cega com 42 dias e morreu aos 92 anos sem jamais perder a doçura. Escreveu mais de 4 mil hinos. Dietrich Bonhoeffer foi enforcado no dia 9 de abril de 1945 numa prisão nazista. Se Deus não remover o sofrimento, ele nos assistirá em nossa fraqueza, nos consolará com sua graça e nos assistirá com seu poder. A graça de Deus nos capacita a lidar com o sofrimento, sem perdermos a alegria nem a doçura (2Co 12.10) .

Rev. Hernandes Dias Lopes

Fonte: Igreja Presbiteriana de Vitória-ES.

sábado, 13 de abril de 2013

O Prazer de Deus em seu Filho é prazer em si mesmo | Jonh Piper

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Sendo o Filho a imagem de Deus e o resplendor de Deus e a expressão exata de Deus e a forma de Deus, igual a Deus e, de fato, sendo Deus, logo, o deleite de Deus no Filho é deleite em si mesmo. Logo, a alegria fundamental, mais profunda, primária e original de Deus é a alegria que ele tem em suas próprias perfeições conforme ele as vê refletidas em seu Filho. Ele ama o Filho e se deleita no Filho e se alegra no Filho porque o Filho é o próprio Deus.

A princípio isso soa como vaidade e passa o sentimento de convencimento e presunção e egoísmo, porque isto é o que seria se algum de nós encontrasse sua maior e mais profunda alegria olhando-se no espelho. Seriamos vaidosos, convencidos, presunçosos e egoístas.

Mas por quê? Porque nós fomos criados para algo infinitamente melhor e mais nobre e maior e mais profundo que auto-contemplação. O quê? A contemplação e o gozo de Deus! Qualquer coisa a menos que isso seria idolatria. Deus é o mais glorioso de todos os seres. Não amá-lo e deleitar-se nele é um grande insulto ao seu valor.

Mas o mesmo é verdade para Deus. Como poderia Deus não insultar o que é infinitamente belo e glorioso? Como poderia Deus não cometer idolatria? Há somente uma resposta possível: Deus deve amar e deleitar-se em sua própria beleza e perfeição acima de todas as coisas. Nós fazermos isso em frente ao espelho é a essência da vaidade. Deus fazer isso em frente ao seu Filho é a essência da retidão.

Não é a essência da retidão ser movido por um delite perfeito no que é perfeitamente glorioso? E não é o oposto da retidão quando nós colocamos nossas maiores afeições nas coisas de menor ou nenhum valor?

E então, a retidão de Deus é o infinito zelo e alegria e prazer que ele tem em seu próprio valor e glória. E se ele, em algum momento, agisse contra essa eterna paixão por suas próprias perfeições, ele seria iníquo. Ele seria um idólatra.

Nisso está o maior obstáculo para nossa salvação: pois como poderia esse Deus justo colocar suas afeições em pecadores como nós? Mas nisso também está o fundamento da nossa salvação, pois é precisamente a infinita estima que o Pai tem pelo Filho que faz possível para mim, um pecador perverso, ser amado e aceito no Filho; porque em sua morte ele restaurou todo o insulto e dano que eu causei à glória de Deus pelo meu pecado. [...]

Ele tem amado seu Filho, a imagem de sua própria glória, com energia infinita e perfeita, por toda a eternidade. Quão gloriosos e felizes têm sido o Pai, o Filho e o Espírito Santo, juntos, por toda a eternidade!

Que nós reverenciemos este grande Deus! E que nós abandonemos todos os ressentimentos insignificantes, todos os prazeres efêmeros e buscas vazias da vida, e participemos do contentamento que Deus tem na imagem de suas próprias perfeições – seu Filho. Oremos:

Deus justo, infinito e eterno, nós confessamos que temos, freqüentemente, o diminuído e exaltado nós mesmos ao centro das nossas afeições, onde somente você pertence na imagem de seu Filho. Nos arrependemos e deixamos nossa presunção e , alegremente, reverenciamos sua felicidade eterna e auto-suficiente na união da Trindade. E nossa oração, nas palavras de seu Filho (João 17:26), é que o amor com que você o amou esteja em nós, e ele esteja em nós, para que participemos dessa relação de alegria e desse oceano de amor para todo o sempre.

Amém.

Jonh Piper - Satisfação em Deus.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Graça suficiente para enfrentar o sofrimento | Hernandes Dias Lopes.

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A escola da vida é diferente da escola convencional. Dá primeiro a prova, depois a lição. Primeiro a dor, depois o aprendizado. Primeiro, o sofrimento depois o consolo.

Como foi que o apóstolo Paulo enfrentou o sofrimento? Ele experimentou alegria no sofrimento. Alegria apesar dos problemas; alegria apesar dos difamadores; alegria apesar da morte.

Paulo enfatizou que as coisas espirituais estão acima das materiais; o futuro é melhor do que o presente; e o eterno é mais importante do que o temporal. Paulo aprendeu não apenas a sobreviver às circunstâncias adversas, mas ainda a gloriar-se nelas e sair delas vitorioso. Paulo fala das revelações extraordinárias quando foi arrebatado até o terceiro céu e do espinho na carne (2Co 12.1-9). Há um grande contraste entre essas duas experiências: Ele foi do paraíso à dor, da glória ao sofrimento.

Experimentou a bênção de Deus no céu e a bofetada de Satanás na terra. Paulo tinha ido ao céu, mas agora, aprendeu que o céu pode vir até ele.

Charles Stanley, em seu livro Como lidar com o sofrimento?, comentando o texto supra, ensina-nos algumas lições preciosas:

Em primeiro lugar, há um propósito em cada sofrimento. No preâmbulo de sua segunda carta aos Coríntios, Paulo diz que o nosso sofrimento e a nossa consolação são instrumentos usados por Deus para abençoar outras vidas (2Co 1.3). Na escola da vida, Deus está nos preparando para sermos consoladores. Paulo rogou ao Senhor três vezes para remover o espinho de sua carne. Aprendeu, porém, que quando Deus não remove "o espinho", é porque tem uma razão. Deus não desperdiça sofrimento na vida de seus filhos. Sempre há um propósito. O propósito é não nos ensoberbecermos.

Em segundo lugar, é possível que Deus resolva revelar-nos o propósito de nosso sofrimento. No caso de Paulo, Deus decidiu revelar-lhe a razão do "espinho" em sua carne: evitar que o apóstolo ficasse orgulhoso. Quando Paulo orou, não perguntou porque estava sofrendo, apenas pediu a remoção do sofrimento. Não é raro Deus revelar as razões do sofrimento. Revelou a Moisés a razão porque não lhe seria permitido entrar na Terra Prometida. Disse a Josué porque ele e seu exército haviam sido derrotados em Ai. O nosso sofrimento tem por finalidade nos humilhar, nos aperfeiçoar, nos burilar e nos usar.

Em terceiro lugar, o sofrimento pode ser um dom de Deus. Temos a tendência de pensar que o sofrimento é algo que Deus faz contra nós e não por nós. Jacó disse num momento difícil da vida: "Tendes-me privado de filhos; José já não existe, Simeão não está aqui, e ides levar a Benjamim! Todas estas coisas em sobrevêm" (Gn 42.36). Jacó pensou que Deus estava trabalhando contra ele, quando Deus estava trabalhando por ele. Assim também, o espinho de Paulo era uma dádiva, porque através desse incômodo, Deus o protegeu daquilo que ele mais temia – ser desqualificado espiritualmente. Paulo viu o sofrimento como algo que Deus fez a seu favor e não contra ele.

Em quarto lugar, a graça de Deus nos é suficiente no sofrimento. A resposta que Deus deu a Paulo não era a que ele esperava nem a que ele queria, mas era a que ele precisava. Deus não deu a Paulo o que ele pediu, deu-lhe algo melhor, melhor que a própria vida, a sua graça. A graça de Deus é melhor do que a vida. Por ela enfrentamos o sofrimento vitoriosamente.

O que é graça? É a provisão de Deus para cada uma das nossas necessidades. Se a graça de Deus foi suficiente para um homem que deixou todas as glórias de seu passado para pregar o evangelho e plantar igrejas em ambientes hostis, como as províncias da Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia Menor. Se a graça de Deus foi suficiente para um homem que sofreu naufrágios, prisões, açoites, apedrejamento e o próprio martírio, tenho plena certeza de que essa mesma graça divina é mais do que suficiente para qualquer sofrimento que você e eu venhamos a enfrentar!

Rev. Hernandes Dias Lopes

quarta-feira, 6 de março de 2013

O propósito principal de Deus é glorificar-se e alegrar-se em si mesmo | John Piper

Todos os meus anos de pregação e ensino sobre a supremacia de Deus em seu coração têm provado que essa verdade atinge muitas pessoas como um caminhão carregado de frutas desconhecidas. Se as pessoas sobreviverem ao impacto, descobrirão que é a fruta mais saborosa do planeta.

O que estou querendo dizer é que a resposta à primeira pergunta do Catecismo de Westminster é a mesma para Deus e para o homem. Pergunta: “Qual é o fim principal do homem?” Resposta: “O fim principal do homem é glorificar a Deus e alegrar-se nele para sempre”. Pergunta: “Qual é o fim principal de Deus?” Resposta: “O fim principal de Deus é glorificar-se e alegrar-se em si mesmo para sempre”.

Simplesmente, outro meio de dizer isso é: Deus é justo. O oposto da justiça é valorizar e apreciar o que não é verdadeiramente valioso ou gratificante. Eis a razão de as pessoas serem chamadas de injustas em Romanos 1.18. Elas oprimem a verdade do valor de Deus e trocam-no por coisas criadas, reduzindo-o e desacreditando a sua valia. A justiça é o oposto, o que significa o reconhecimento do verdadeiro valor pelo que ele é e o apreço e estima na proporção de sua real valia. O injusto, em 2Tessalonicenses 2.10, perece porque se recusa a amar a verdade. Os justos, entretanto, são aqueles que acolhem o amor pela verdade. A justiça reconhece, acolhe, ama e sustenta o que é verdadeiramente valioso.

Deus é justo. Isso significa que ele reconhece, acolhe, ama e sustenta com zelo e energia imensuráveis o que é infinitamente valioso, isto é, o seu próprio valor. A paixão e o deleite justos de Deus são para revelar e amparar sua glória infinitamente valiosa. Essa não é uma vaga conjectura teológica.

John Piper

Alegrem-se os povos

Fonte: Blog Cinco Solas

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A alegria do crente é ultra-circunstancial | Hernandes Dias Lopes


Tiago, líder da igreja de Jerusalém, escreve para as doze tribos da dispersão, gente que estava vivendo no vale do sofrimento, perdendo seus bens e sua liberdade. Para esses crentes fuzilados pelos ventos da perseguição, Tiago traz uma palavra de encorajamento. Destacaremos, aqui, alguns pontos importantes:
Em primeiro lugar, as provações na vida do crente são necessárias. Tiago escreveu: 
"Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações (Tg 1.2). 
Passar pelo vale da prova não significa ausência do amor de Deus. Ser provado não é falta de fé nem expressão de imaturidade espiritual. A prova é diferente da tentação. O inimigo nos tenta para nos enfraquecer; Deus nos prova para nos fortalecer. O inimigo nos tenta para nos derrubar; Deus nos prova para nos transformar. Um atleta só tem um desempenho notório quando se submete à disciplina das provas. Através das provas, Deus vai esculpindo em nós o caráter de Cristo. Por meio do sofrimento, Deus vai nos burilando e nos tornando semelhantes a Cristo, que aprendeu pelas coisas que sofreu.

Em segundo lugar, as provações na vida do crente são variadas. Tiago diz que os crentes passam não por poucas, mas por várias provações. Essa palavra significa "de diversas cores". Há provas amenas e provas severas. Há provas leves e provas pesadas. Há diversas tonalidades de provas. Para cada prova, entretanto, há uma graça especial de Deus que nos capacita a enfrentá-la. Deus não nos prova além de nossas forças. Com a prova, Deus provê também o livramento. As provas não são produto do acaso, mas têm sua gênese na soberana providência divina. Mesmo quando o diabo e suas hostes lançam seus dardos inflamados contra nós, Deus transforma essas situações em bênção para nós. Podemos afirmar, com uma convicção inabalável: 
"Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm 8.28).
Em terceiro lugar, as provações na vida do crente são passageiras. As provas vêm e vão, mas nós prosseguimos em nossa jornada rumo ao céu. Cruzamos desertos tórridos, descemos a vales escuros, escalamos montanhas íngremes e atravessamos pântanos perigosos, mas mesmo sangrando nossos pés nesse caminho estreito, marchamos resolutamente rumo à bem-aventurança eterna. Nós nos alegramos não por ficarmos nas provas, mas por passarmos por elas.

Em quarto lugar, as provações na vida do crente são propositais. O projeto de Deus é nossa maturidade espiritual. 
A provação produz perseverança e a perseverança tem como objetivo sermos perfeitos e íntegros, em nada deficientes (Tg 1.3,4). 
Não há maturidade espiritual sem prova. Não há fortalecimento das musculaturas da nossa alma sem exercício. Somos provados para sermos aprovados. A fornalha das provações queimam apenas nossas amarras. Deus nos predestinou para sermos conformes à imagem do seu Filho e Deus está trabalhando em nós, transformando-nos de glória em glória, na imagem de Cristo. O cinzel de Deus é a prova. As provações tem como propósito nos desmamar das glórias deste mundo e colocar nossos olhos na recompensa eterna.

Em quinto lugar, as provações na vida do crente são enfrentadas com toda alegria. Não somos como os estoicos que acreditam num destino cego. Não vivemos debaixo do rolo compressor das circunstâncias irremediáveis. Nossa vida é governada pelas mãos daquele que está assentado na sala de comando do universo e governa o mundo. Alegramo-nos não no sofrimento da prova, mas na convicção de que Deus está no controle de toda e qualquer situação e utilizará até mesmo a nossa dor para o nosso bem final. Afirmamos, portanto, com entusiasmo, que a alegria do crente é ultra-circunstancial.


Rev. Hernandes Dias Lopes

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A Felicidade de Deus: Fundamento Para o Hedonismo Cristão | Por John Piper


Jeremias 32:36-41

Agora, pois, assim diz o Senhor, o Deus de Israel, acerca desta cidade, da qual vós dizeis: Já está entregue nas mãos do rei da Babilônia, pela espada, pela fome e pela peste. 37 Eis que eu os congregarei de todas as terras, para onde os lancei na minha ira, no meu furor e na minha grande indignação; tornarei a trazê-los a este lugar e farei que nele habitem seguramente. 38 Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. 39 Dar-lhes-ei um só coração e um só caminho, para que me temam todos os dias, para seu bem e bem de seus filhos. 40 Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim. 41 Alegrar-me-ei por causa deles e lhes farei bem; plantá-los-ei firmemente nesta terra, de todo o meu coração e de toda a minha alma.

Uma vez, eu me referi à idéia do hedonismo cristão em um culto de domingo, e um parente depois veio para mim e disse, “Você sabia que nossa menina pequena pensou que você estava dizendo paganismo cristão?” Eu sei que mesmo quando eu pronuncio claramente ( hedonismo cristão ), alguns de vocês provavelmente ainda pensarão “paganismo” porque você crê que hedonismo é uma filosofia de vida pagã. E provavelmente você estará certo porque o significado popular de hedonismo é a busca por prazer e indiferença moral. Em 2 Timóteo 3:4 Paulo avisa que nos últimos dias os homens seriam “mais amigos dos prazeres que amigos de Deus”. E certamente estamos nestes dias.

Paganismo cristão?

Dois anos atrás Daniel Yankelovitch publicou um livro com título Novas regras: a busca pela auto-satisfação em um mundo virado de cabeça para baixo. Ele argumenta baseado em extensas entrevistas e pesquisas nacionais, que têm ocorrido mudanças enormes na nossa cultura e que a busca difundida por auto-satisfação tem criado um novo jogo de regras que governam a maneira que pensamos e sentimos como americanos. Ele diz, “em sua forma extrema as novas regras simplesmente viram as velhas de ponta cabeça e no lugar da velha ética da auto-negação nós encontramos pessoas que se recusam a negar qualquer coisa a si mesmas – não por um apetite desenfreado, mas pelo estranho princípio moral que “eu tenho esta obrigação comigo mesmo” (p. xviii).
Ele conta de uma jovem mulher com seus trinta e cinco anos que estava reclamando ao seu psiquiatra que ela estava ficando nervosa e ansiosa porque a vida tinha se tornada tão agitada – demais fins-de-semana prolongados, demais discotecas, demais noitadas, demais conversas, demais vinho, demais drogas, demais sexo. “Por que você não pára?” perguntou o terapeuta suavemente. A paciente o fitou inexpressivamente por um momento, e depois seu rosto iluminou-se, como que deslumbrada pela descoberta: “Você quer dizer que eu não preciso realmente fazer o que eu quero?” ela estourou maravilhada. A marca dos que procuram esta nova auto-satisfação é que “eles operam na premissa que desejos emocionais são objetos sagrados e que é um crime contra a natureza nutrir uma necessidade emocional não satisfeita” (p. 59). “Nossa era é a primeira em que dezenas de milhões de pessoas oferecem como justificação moral para seus atos a idéia de que um eu interior e presumidamente mais ‘real’ não se enquadra bem com seu papel social designado.”

Provavelmente o relacionamento em que os procuradores da auto-satisfação e suas novas regras têm causado a maior agitação é o casamento. Yankelovitch tem uma boa percepção quando diz, “Casamentos bem-sucedidos são tecidos com muitos fios de desejos inibidos – adesão aos desejos do outro; aceitação da violação dos seus próprios desejos; desapontamentos engolidos; confrontações evitadas; oportunidades para a raiva contornadas; chances para auto-expressão abafadas. Para introduzir a urgência da forte forma de auto-satisfação neste processo é levar uma vassoura para uma delicada teia. Muitas vezes o que sobra é aquela coisa pegajosa que cola na vassoura; a estrutura da teia é destruída” (p. 76).

Por isso, eu tenho uma grande empatia com aqueles de vocês que estão livres o suficiente da nossa cultura para reagir a palavra hedonismo dizendo, “Basta! Nossos lares, nossas escolas, nossos empreendimentos, nossa sociedade estão sendo destruídos pelos que procuram uma auto-satisfação hedonista e que não têm nenhuma coragem moral, nem auto-negação, nem compromisso marcante e nem lealdade sacrificial que segura as preciosas estruturas da vida e traz nobreza a nossa cultura. Nós não precisamos de hedonismo; precisamos de um retorno a retidão, integridade, prudência, justiça, temperança, firmeza, auto-controle!” Acredite, estamos provavelmente mais de acordo do que você imagina. Tudo o que lhe peço é que você me dê um ouvido aberto e discernente por nove semanas antes que você faça seu julgamento final concernente ao hedonismo cristão.

 Exemplos bíblicos de hedonismo cristão

Às vezes uma ilustração vale mais que mil palavras de uma definição abstrata. Então, em vez de lhe dar uma definição precisa do hedonismo cristão, deixe-me começar dando alguns exemplos bíblicos dele. Davi aconselha o hedonismo cristão quando ele recomenda, “Agrada-te do Senhor; e ele satisfará os desejos do teu coração” ( Salmo 37:4 ). E ele demonstra a essência do hedonismo cristão quando ele exclama, “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” ( Salmo 42: 1-2 ). Moisés foi um hedonista cristão ( de acordo com Hebreus 11: 24-27 ) porque ele recusou os “prazeres transitórios” do pecado, mas “considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão.” Os santos em Hebreus 10:34 eram hedonistas cristãos porque eles escolheram ariscar suas vidas para visitar prisioneiros cristãos e aceitaram com alegria o espólio de seus bens sabendo que eles mesmos tinham um patrimônio melhor e durável. O apóstolo Paulo recomendou o hedonismo cristão quando ele disse em Romanos 12:8: “Quem exerce misericórdia, que faça com alegria.” E Jesus Cristo, o autor e consumador da nossa fé, estabeleceu o maior padrão para o hedonismo cristão porque “se deleitou no temor do Senhor” (Isaías 11:3), e em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus ( Hebreus 12:2 ).

O hedonismo cristão ensina que o desejo de ser feliz é dado por Deus e não deve ser negado ou resistido, mas direcionado a Deus para satisfação. O hedonismo cristão não diz que qualquer coisa que lhe dá prazer é boa. Diz que Deus lhe mostrou o que é bom e faze-lo há de lhe trazer alegria ( Miquéias 6:8 ). E desde que fazer a vontade de Deus há de lhe trazer alegria, a busca pela alegria é uma parte essencial de todo esforço moral. Se você abandonar a busca pela alegria ( e assim recusar ser um hedonista, como eu uso o termo ), você não poderá cumprir a vontade de Deus. O hedonismo cristão afirma que os santos mais piedosos de todas as eras não encontraram nenhuma contradição em dizer, por um lado “Somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro” ( Romanos 8:36 ), e por outro lado, “Alegrai-vos sempre no Senhor, outra vez digo: alegrai-vos” ( Filipenses 4:4 ). O hedonismo cristão não se junta a cultura da auto-gratificação que lhe faz escravo de seus impulsos pecaminosos. O hedonismo cristão manda que não sejamos conformados com este século, mas que sejamos transformados pela renovação das nossas mentes ( Romanos 12:2 ) para que possamos sentir prazer em fazer a vontade de nosso Pai no céu. De acordo com o hedonismo cristão alegria em Deus não é a cobertura opcional no bolo do cristianismo. Pensando bem, alegria em Deus é parte essencial da fé salvadora.

Hoje quero desvendar para você a base do hedonismo cristão: a felicidade de Deus. Eu espero sustentar três observações das Escrituras: 1) Deus é feliz porque tem prazer nEle mesmo. 2) Deus é feliz porque é soberano. 3) A felicidade de Deus é a base do hedonismo cristão porque transborda em misericórdia para nós.

Deus tem prazer nEle mesmo

Primeiro, Deus é feliz porque ele tem prazer nEle mesmo. Deus seria injusto se Ele valorizasse algo mais do que o que é mais valoroso. E Ele é supremamente valioso. Se Ele não tivesse prazer infinito em sua própria glória, Ele seria injusto, porque é certo ter prazer em uma pessoa na proporção da excelência da sua glória. As Escrituras estão saturadas com textos mostrando como Deus age determinadamente por amor a sua própria glória. “Por amor de mim, por amor de mim, é que eu faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não a dou a ninguém” ( Isaías 48:11 ).

A mesma coisa aparece quando refletimos sobre o relacionamento de Deus o Pai e Deus o Filho. Existe um mistério aqui que vai além de toda compreensão humana. E eu admito que o nosso esforço teológico para descrever a auto-consciência de Deus e seu relacionamento com a Trindade são como o gaguejar da criancinha sobre seu pai. Mas mesmo da boca dos pequeninos pode sair sabedoria, se seguimos as Escrituras. As Escrituras ensinam, que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é Deus ( João 1:1 ). E em Hebreus 1:3 fala que “ele é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser”. 2 Coríntios 4:4 fala da glória de Cristo que é a imagem de Deus. Destas passagens aprendemos que desde toda a eternidade Deus o Pai assegurou a imagem de sua glória perfeitamente representada na pessoa do seu Filho. Por isso, a melhor maneira de pensar sobre a imensa alegria de Deus em sua própria glória é pensar em como Ele tem prazer no seu Filho que é a imagem desta glória. Quando Jesus entrou no mundo, Deus o Pai disse: “Este é meu Filho amado, em quem me comprazo.” ( Mateus 3:17 ) Quando Deus o Pai assegura a glória de sua própria essência na pessoa do seu Filho, Ele é infinitamente feliz. “Eis aqui meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz” ( Isaías 42:1 ). Então, a primeira observação é que Deus é feliz, porque Ele tem prazer nEle mesmo, especialmente em sua natureza refletida no Seu Filho amado.

Deus é soberano

Em segundo lugar, Deus é feliz, porque Ele é soberano. O Salmo 115:3 diz: “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada.” A implicação deste versículo é que a soberania de Deus é seu direito e poder para fazer qualquer coisa que lhe deixe feliz. Nosso Deus está no céu – ele está sobre todas as coisas e sujeito a nada. Por isso, Ele faz qualquer coisa que lhe agrada – ele sempre age para preservar a sua felicidade máxima. Deus é feliz porque seus atos justos, que sempre são feitos por amor da sua própria glória, nunca podem ser frustrados além da vontade de Deus. Isaías 43:13: “Ainda antes que houvesse dia, eu era; e nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?” Isaías 46: 10: “O meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade.” Daniel 4:35: “Segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” Podemos estar certos, então, que Deus está infinitamente feliz porque ele tem o direito e o poder absoluto como Criador de ultrapassar todos os obstáculos para sua alegria.

Vale a pena perguntar aqui, fazendo um parêntesis, como um Deus bom pode ser feliz quando o mundo está cheio de sofrimento e maldade. É uma grande e difícil pergunta. Duas coisas me ajudam. Uma é que não ajuda muito salvar a reputação de Deus dizendo que ele não é realmente responsável. Se alguém tivesse tentado me confortar em dezembro de 1974 quando minha mãe foi morta em um acidente de ônibus, dizendo: “Deus não queria que isto acontecesse; você ainda pode confiar nele, ele é bom.” Eu teria respondido, dizendo: “Meu conforto não vem de pensar que Deus é tão fraco que ele não pode evitar que as madeiras caiam em cima de uma van da Volkswagen.” Meu Deus é soberano. Ele a tomou no seu tempo determinado; e eu creio agora e um dia verei que foi bom. Porque tenho aprendido em Jesus Cristo que Deus é bom. A solução bíblica para o problema do mal não é roubar a soberania de Deus.

A outra observação que me ajuda nesta questão é que a atitude de Deus diante de eventos trágicos depende do foco das lentes. Deus não tem prazer na dor e no sofrimento considerados simplesmente neles mesmos. Quando sua lente está perto e focada somente nisto, ele pode estar cheio de aborrecimento e pesar. Mas quando ele abre as lentes para ver todas as conexões e efeitos de um evento, mesmo até a eternidade, o evento forma uma parte de uma estampa ou mosaico em que ele se compraz e que ele quer. Por exemplo, a morte de Cristo foi obra de Deus o Pai. “Nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido... ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar” ( Isaías 53:4,10 ).Porém, certamente , quando Deus o Pai viu a agonia do seu filho amado e a maldade que o levou a cruz, ele não teve prazer nestas coisas por elas mesmas. O pecado em si e o sofrimento do inocente em si são repugnantes para Deus. Mas de acordo com Hebreus 2:10 Deus o Pai pensou que fosse conveniente aperfeiçoar o Autor da nossa salvação por meio do sofrimento. Deus quis o que ele abomina na visão mais estreita porque na visão mais ampla da eternidade era a maneira conveniente de demonstrar sua justiça ( Romanos 3:25s) e trazer seu povo para a glória (Hebreus 2:10). Quando Deus, em sua onisciência, observa o alcance da história redentora do começo ao fim, ele se regozija no que vê. Portanto, eu concluo que nada no mundo pode frustrar a suprema felicidade de Deus. Ele tem prazer infinito na sua própria glória; e em sua soberania ele faz o que lhe agrada.

A felicidade de Deus transborda em misericórdia sobre nós

Isto nos leva a observação final: A felicidade de Deus é a base para o hedonismo cristão porque sua felicidade transborda em misericórdia sobre nós. Você pode imaginar como seria se Deus que reina sobre o mundo não fosse feliz? O que seria se Deus fosse dado a murmurar e fazer beicinho e depressivo como alguns Joões no pé-de-feijão gigantes lá no céu? Que seria se Deus fosse desanimado e melancólico e triste e descontente e pessimista e frustrado? Poderíamos nos juntar a Davi e dizer: “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água” ( Salmo 63:1 ) ? De maneira alguma! Nós todos nos relacionaríamos com Deus como crianças pequenas se relacionam com um pai melancólico, desanimado, descontente e frustrado. Elas não podem desfrutá-lo. Elas podem apenas tentar evitá-lo e talvez tentar trabalhar por ele para que ele se sinta melhor. Por isso, a base do hedonismo cristão é que Deus é infinitamente feliz, porque o alvo do hedonismo cristão é ser feliz em Deus, é ter prazer em Deus, é valorizar e desfrutar da comunhão com Deus. Mas as crianças não podem desfrutar da companhia do pai se ele está desanimado e deprimido e frustrado. E assim a base e o fundamento do hedonismo cristão é que Deus é o mais feliz de todos os seres.

Aqui está uma outra maneira de dizê-lo. Para que um pecador possa buscar a alegria em Deus, ele precisa estar confiante de que Deus não o expulsará quando ele chegar procurando perdão e comunhão. Como podemos ser encorajados de que Deus nos tratará com misericórdia quando nos arrependermos dos nossos pecados e chegarmos buscando alegria nEle? Considere este encorajamento de Jeremias 9:24: “Eu sou o Senhor e faço misericórdia , juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.” Deus mostra misericórdia porque ele tem prazer nisto. Deus não está restrito a salvar por algum princípio ou regra formal. Ele está tão cheio de vida e alegria na sua própria glória que o clímax do seu prazer é transbordar em misericórdia para nós. O motivo da nossa confiança na misericórdia de Deus é que ele é um hedonista cristão perfeito. Ele se compraz acima de todas as coisas na sua excelência divina e a sua felicidade é tão completa que se expressa no prazer que ele tem de compartilhá-la com outros.

Escute os batimentos cardíacos do perfeito hedonista celestial em Jeremias 32: 40-41. Porque Deus faz o bem? Como ele te ama?

“Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim. Alegrar-me-ei por causa deles e lhes farei bem; plantá-los-ei firmemente nesta terra, de todo o meu coração e de toda a minha alma.”

Deus lhe faz o bem porque ele gosta muito de fazê-lo. Ele exerce esta atividade de amá-lo de todo o seu coração e de toda a sua alma. A felicidade de Deus transbordando em alegre amor é a base e o exemplo do hedonismo cristão.

Eu termino com um convite. Essas promessas preciosas e incríveis do favor de Deus não pertencem a todos. Há uma condição. Não é uma condição de trabalho ou pagamento. Um Deus soberano e infinitamente feliz não precisa do seu trabalho e já possui todos os seus recursos. A condição é que você se torne um hedonista cristão – que você pare de tentar pagar ou trabalhar para ele ou correr dele, e em vez disto comece a buscar com todo o seu coração a alegria incomparável da comunhão com o Deus vivo.

“Não faz caso da força do cavalo,
nem se compraz nos músculos do guerreiro.
Agrada-se o Senhor dos que o temem
E dos que esperam na sua misericórdia.” ( Salmo 147:10 – 11 )

A condição para herdar todas as promessas de Deus é que toda a esperança de felicidade que você tenha colocado em você mesmo e na sua família e no seu emprego e lazer você transfira para ele. “Agrada-te do Senhor, e ele satisfará os desejos do teu coração.” ( Salmo 37:4 )

Por: John Piper 

sexta-feira, 2 de março de 2012

A luta | Russell Shedd

Freqüentemente, colegas comentam sobre a luta que enfrentam. Mas o interesse que, por acaso, esperavam suscitar, não se manifesta. Raras são as pessoas que têm coração suficientemente sensível para chorar com os que choram ou rir com os que riem.

A vida não é fácil. Deus nunca planejou para que ela fosse um mar de rosas. Alguns lutam contra a escassez financeira, pagando contas que somam mais do que um salário reduzido. Se alguém não sofre com um filho rebelde ou tem marido maravilhoso, os amigos procuram saber como sua sorte chegou a ser tão boa, enquanto a deles é tão espinhosa. Se nunca passou pelo sofrimento de um câncer, ou humilhação de um assalto, nunca teve um acidente, nem lutou com um sócio desonesto, Deus deve ter feito acepção de pessoas! Será que não enviou um anjo protetor para não permitir que tropeçasse ou tomasse o caminho errado?

É desagradável lutar. A maioria pacífica deseja evitar combates e guerras. A luta produz neuroses que convencem muitos a procrastinar. É um defeito de caráter comum. Não tendo a coragem de enfrentar o problema, o procrastinador se lança na esperança de que a dificuldade há de passar, tal como passou quando era criança. Não querendo pagar o alto preço necessário para solucionar o problema, aguarda-se o amadurecimento que não chega.

Pense nos adolescentes que não têm respeito pelos seus pais. O problema não aparece de um dia para outro. Se um pai não trata o caso com energia, rapidamente aparecem amigos nada confiáveis. Eles introduzem suas vítimas às drogas, à prostituição e ao crime. Se raciocinamos que Deus não quer que seus filhos sofram, a frustração pode ser um motivo para desistir do Caminho. É muito fácil esquecer das passagens bíblicas que, como em Tiago, mandam considerar motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, uma vez que produzem frutos de maturidade e integridade.

Uma fé verdadeira e profunda descansa no mesmo berço que Miguel de Molinos experimentou há mais de 300 anos: “Seja constante e de boa coragem; pois que, por mais intolerante que você seja consigo mesma, ainda é protegida, enriquecida e amada pelo maior Bem, como se ele não tivesse nada mais a fazer além de guiá-la à perfeição por meio dos mais altos passos do amor; como se você não pudesse se desviar, mas perseverar constantemente, sabendo que você oferece o mais satisfatório sacrifício para Deus. Se, do caos do nada, a onipotência dele produziu tantas maravilhas, o que ele não fará em sua alma, criada à imagem e semelhança dele, se ela se mantiver constante, calma e resignada” (Refrigério para a Alma, p. 150).

As lutas da vida não podem ser evitadas porque somos pecadores. Vivemos num mundo caído. Treinamento transforma um simples homem num guerreiro eficaz. Batalhas não se vencem por temerosos procrastinadores. Determinados e corajosos lutadores não consideram suas vidas preciosas para si mesmos. Seu propósito na vida é vencer para a honra do seu General.

A ARMADURA DE DEUS
 
O apóstolo Paulo, que passou por inúmeras lutas na sua vida cristã, deu a mais valiosa recomendação para os que querem vencer. “Vistam toda a armadura de Deus para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo, pois a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades ...Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis...” (Ef 6.10-13).

Em primeiro lugar, é imprescindível cingir-se com a verdade que liberta. A verdade do Evangelho oferece perdão e restauração quando falhamos. A couraça da justiça nos protege do raciocínio, que diz: “Continuaremos pecando para que a graça aumente”. Os pés calçados com a prontidão do Evangelho gera paz quando a ansiedade inunda a alma. O escudo da fé protege o lutador contra as setas do Maligno que queimam o coração com desespero quando nenhuma escapatória humana aparece. O capacete da salvação oferece garantias contra o ódio e a hostilidade que as ofensas naturalmente suscitam. Finalmente, a espada do Espírito prepara para lutar com crescente eficácia. Lutas vencidas no passado prometem maiores vitórias no futuro.

Algumas pessoas se chegam a Cristo com a expectativa de que terão uma vida tranqüila, sem tempestades ou ondas encapeladas. Em lugar da decepção e frustração, dê às lutas boas-vindas. Permita que elas o desmamem do mundo e emprestem um brilho maior ao céu.

Dr: Russell Shedd
Fonte: Revista Enfoque

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O contraste entre o justo e o ímpio | Hernandes D. Lopes

O livro dos Salmos é uma coletânea de cânticos, orações e lamentos do povo de Deus, escrito por vários autores, desde os dias de Davi até o período pós-cativeiro babilônico. Há mais de cem citações do livro de Salmos no Novo Testamento. Isso prova sua relevância na história da redenção. Esse livro tem sido uma fonte de consolo para a igreja de Deus ao longo dos séculos até aos dias atuais.

O Salmo 1 é a porta de entrada deste, que é o maior livro da Bíblia. Destacaremos, aqui, três lições importantes deste Salmo.


Em primeiro lugar, um contraste profundo é apresentado. O autor sagrado faz um profundo contraste entre o ímpio e o justo. Enquanto o ímpio é como uma palha que o vento dispersa, o justo é como uma árvore plantada junto à fonte. Enquanto o ímpio está seco espiritualmente, o justo tem verdor mesmo nos tempos de sequidão. Enquanto o ímpio não tem frutos que agradam a Deus, o justo produz frutos na estação certa. Enquanto o ímpio não tem estabilidade e é jogado de um lado para o outro pelo vendaval, o justo tem suas raízes firmadas no solo da fidelidade de Deus. Enquanto o ímpio tem suas obras reprovadas por Deus, o justo tem sucesso em tudo quanto faz. Enquanto o ímpio busca a roda dos escarnecedores, o justo se deleita na lei do Senhor. Enquanto o ímpio não terá assento na assembleia do santos nem prevalecerá no juízo, o justo será conduzido por Deus na história e recebido na glória. Enquanto o caminho do ímpio perecerá, o caminho do justo é conhecido por Deus. É tempo de você refletir sobre sua vida. Quem é você? Onde está o seu prazer? Onde está o seu tesouro? Em qual dessas duas molduras você pode colocar sua fotografia? Lembre-se: o ímpio pode parecer feliz, mas seu fim é trágico. Mas, o justo, mesmo passando por provas na vida, é bem-aventurado.

Em segundo lugar, um caminho de felicidade é descortinado. A felicidade existe e pode ser experimentada. É legítima e compatível com a fé cristã. Essa iguaria especial da alma não se encontra no conselho dos ímpios, daqueles que se esquecem de Deus. Esse tesouro tão cobiçado não é encontrado no caminho largo dos pecadores nem mesmo na mesa, onde os escarnecedores rasgam a cara em ruidosas gargalhas prenhes de escárnio. Onde está a felicidade? Você é feliz em primeiro lugar, por aquilo que evita. Você sorve o néctar da felicidade quando tapa os ouvidos ao conselho dos ímpios, quando afasta seus pés do caminho dos pecadores e quando não busca um lugar junto à mesa na roda dos escarnecedores. Em segundo lugar, você é feliz por aquilo que você faz. Uma pessoa feliz nutre sua alma com os jorros benditos que emanam da lei de Deus. A felicidade está em alimentar a mente com a verdade de Deus e ser governado por essa verdade. Em terceiro lugar, você é feliz por quem você é. Uma pessoa feliz é como uma árvore frondosa, de folhas viçosas e frutos excelentes, que mesmo na adversidade, não perde sua beleza nem escasseia seus frutos. Uma pessoa feliz tem sucesso constante, uma vez que tudo quanto faz será bem sucedido.

Em terceiro lugar, um juízo inevitável é anunciado. Os ímpios são aqueles que não levam Deus em conta. Esses não têm segurança diante das tempestades da vida e serão levados como a palha que o vento dispersa. Os pecadores são aqueles que deliberada e conscientemente andam na contramão da vontade de Deus e transgridem a lei de Deus. Esses, mesmo sendo religiosos e tendo seu nome no rol de membros de uma igreja não permanecerão na congregação dos justos. Os perversos são aqueles que, além de rejeitarem a verdade, escarnecem de Deus e zombam da fé cristã. Esses podem prevalecer no juízo dos homens, subornando os tribunais e amordaçando a justiça, mas jamais prevalecerão no juízo de Deus. Ímpios, pecadores e perversos podem vender uma imagem glamorosa do pecado e podem passar a imagem de que estão sorvendo todas as taças da felicidade, mas sua alegria é ilusória, sua vida é vazia e sua condenação no juízo é certa. É preciso abrir os ouvidos da alma para escutar a retumbante voz do salmista, quando conclui, dizendo: “Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá”.

Rev. Hernandes Dias Lopes

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

John Piper - O Evangelho Salva do Moralismo


Por John Piper. © Desiring God. Website:desiringGod.org
Tradução e Legenda: voltemosaoevangelho.com
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que adicione as informações supracitadas, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Ladrões da alegria - Hernandes D. Lopes


Referência: FILIPENSES 4.4 (Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.)
Você é feliz? É possível alguém ser feliz neste mundo de tragédias, fome, guerras, violência, assaltos, arrombamentos, estupros, seqüestro, delinqüência, 20 milhões de crianças abandonadas, 4 milhões de abortos por ano, doença, AIDS, acidentes e mortes?

HINO Sou feliz com Jesus = ser e estar = to be = não estou, mas sou.
Fp 4.4 =
1) É ordem = ALEGRAI-VOS;
2) É para todos os salvos = ALEGRAI-VOS;
3) É ultracircunstancial = SEMPRE;
4) Não é situacional = NO SENHOR.

O perigo de sermos roubados… OS LADRÕES DA ALEGRIA:

I. O LADRÃO DAS CIRCUNSTÂNCIAS – Capítulo 1

Você sonhou com um lar feliz. Você acariciou seu filho – hoje ele é rebelde, está nas drogas…

Um acidente, uma enfermidade, um divórcio, um pai que abandonou, reprovação no vestibular, empresa faliu, desempregado, traído pelo cônjuge, namoro acabou, noivado rompido.

Paulo – sua história de sofrimento – Da conversão à morte.
Jó – perdeu bens – filhos – saúde – companheirismo da esposa – amigos.
Davi – perseguição de Saul. Jeremias – prisão.
Assassinato meu irmão – morte de meu pai.

Ziclague saqueada.

II. O LADRÃO DAS PESSOAS – Capítulo 2

Mágoas, feridas, humilhação, surra, abuso sexual, perseguição, injustiça, calúnia = morte do Levi.
As jovens que atendi estupradas pelo pai e irmão mais velho.

Processo do perdão: Acautelai-vos + confronte + não é silêncio nem dar tempo = Corrie Tem Boon = Caso do Caio (perdoando amante do pai).
Quem odeia fica preso = verdugo – 10.000 talentos X 100 denários
Doenças hamartiagênicas – Confessai os vossos pecados (Sl 32 e 38)
Oséias e Gomer = Veja na Bíblia.

III. O LADRÃO DAS COISAS – Capítulo 3

Sociedade materialista, consumista = Ama mais o carro que o irmão Ex. Carona Kwa Sizabantu.
Ter X Ser = Hoje as pessoas compram o que não precisam, com o dinheiro que não têm, para impressionar pessoas que não conhecem.
Só se preocupam com as coisas terrenas – Só a terra. Só dinheiro, bens, negócios, futebol (papo após o culto).
Seu deus é o ventre = viver para comer = corpo = cosméticos
Salomão = Ec 2 = bebida + riqueza + sexo + fama

Deixa de entregar o dízimo = quebra de maldição só com obediência.

IV. LADRÃO DA ANSIEDADE – Capítulo 4

Os divãs estão lotados, os psicanalistas estão com a agenda cheia. Existem muitas pessoas roendo as unhas, com os nervos à flor da pele. Gente estressada.
Preocupação quanto ao passado = Gente que não se liberta do passado = traumas + feridas + falta de perdão – Fp 2.13 ESQUEÇO-ME…
Preocupação quanto ao futuro = Emprego, estudo, casamento, filhos, saúde, finanças, dívidas. ANSIEDADE = o mal do século – Gente que não vive o hoje, porque está ansioso quanto ao amanhã.

Remédio para a preocupação:
1) Orar corretamente – v. 7;
2) Pensar corretamente – v. 8;
3) Agir corretamente – v. 9.

CONCLUSÃO

Vamos prender esses ladrões da alegria. Vamos algemá-los. Vamos viver livres, seguros e alegres no Senhor. ALEGRAI-VOS SEMPRE NO SENHOR, OUTRA VEZ DIGO, ALEGRAI-VOS. Amém.

Rev. Hernades D. Lopes
Saiba mais no livro: Para adiquirir Clique no livro:

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Amando a Deus por quem Ele é: Uma Perspectiva Pastoral

Esta verdade é uma das maiores descobertas que eu fiz ao longo de minha vida: É quando eu sou mais satisfeito em Deus que Ele é mais glorificado em mim. Este é o motor que dirige meu ministério como pastor. Isto afeta tudo o que eu faço.

Seja comendo, bebendo ou aconselhando, meu alvo é glorificar a Deus à medida que realizo meu ministério (1 Co. 10.31). O que significa que meu alvo é realizar tarefas (comer, beber, pregar, aconselhar, ou qualquer outra coisa) de maneira a mostrar como a glória de Deus satisfez os desejos do meu coração. Se a minha pregação denúncia que Deus nem sequer supriu minhas próprias necessidades, essa pregação será uma fraude. Se Cristo não é a satisfação do meu coração, irão as pessoas acreditar em mim quando eu anunciar as palavras dEle, “Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mimnunca terá fome; aquele que crê em mim nunca terá sede”(João 6.35)?

A glória do pão é que ele satisfaz. A glória da água viva é que ela sacia a sede. Nós não honramos a refrescante, auto-renovável, pura água de uma nascente nas montanhas arrastando baldes de água pra cima a fim de darmos a nossa contribuição pelos açudes nas planícies. Nós honramos a fonte de água nos sentindo sedentos, caindo de joelhos e bebendo com alegria. Então exclamamos satisfeitos, “Ahhhh!” (isso é louvor!); e continuamos a nossa caminhada graças à força provida pela fonte de água (isso é serviço). A fonte na montanha é mais e mais glorificada na medida em que nós somos mais e mais satisfeitos pela água dela.

Tragicamente a maioria de nós foi ensinada que obrigação, não prazer, é a maneira pela qual devemos glorificar a Deus. O que esqueceram de nos ensinar é que o prazer em Deus é a nossa obrigação! Ser satisfeito em Deus não é opcional adicionado aos itens de fábrica das obrigações cristãs. Satisfação em Deus é a mais básica exigência de todas. “Deleite-se no Senhor” (Salmos 37.4) não é uma sugestão, mas uma ordem. O mesmo se aplica a: “Prestem culto ao SENHOR com alegria” (Salmos 100.2); e “Alegrem-se no Senhor” (Fp 4.4).

A responsabilidade do meu ministério é tornar claro aos outros que “O teu amor (do SENHOR) é melhor que a vida” (Salmos 63.3). E se é melhor que a vida, é melhor do que tudo que a vida neste mundo oferece. Isto significa que o que satisfaz não são as bênçãos de Deus, mas a glória de Deus a glória do seu amor, a glória do seu poder, a glória da sua sabedoria, santidade, justiça, bondade, e verdade.

Este é o motivo porque o Salmista, Asafe, exclamou, “A quem tenho nos céus se não a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti. O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre” (Salmos 73.25-26). Nada na terra—nenhuma das boas dádivas de Deus na criação poderia satisfazer o coração de Asafe. Só Deus podia. Isto é que estava na mente de Davi quando ele disse ao Senhor, “Tu és o meu Senhor;
 não tenho bem nenhum além de ti” (Salmos 16.2).

Davi e Asafe nos ensinam, através de seus desejos centrados em Deus, que as bênçãos de Deus na saúde, riqueza e prosperidade não satisfazem. Apenas Deus o faz. Seria presunção não agradecer a Deus por suas bênçãos (“Não se esqueça nenhuma de suas bênçãos!” Salmo 103.2); mas seria idolatria chamar de amor por Deus as alegrias provenientes delas. Quando Davi disse ao Senhor: “a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua direita.” (Salmos 11.16), ele quis dizer que proximidade ao próprio Deus é a única experiência totalmente satisfatória no universo.

Não é pelas bênçãos de Deus que Davi anseia desesperadamente. “Como a corsa anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus. A minha alma tem sedede Deus, do Deus vivo” (Salmos 42.1-2). O que Davi quer experimentar é a revelação do poder e da glória de Deus: “Ó Deus, tu és o meu Deus, eu te busco intensamente; a minha alma tem sede de ti! Todo o meu ser anseia por ti, numa terra seca, exausta e sem água. Quero contemplar-te no santuário e avistar o teu poder e a tua glória” (Salmos 63.1-2). Somente Deus satisfará um coração como o de Davi. E Davi foi o homem Segundo o coração de Deus. Esta é a maneira como fomos criados para ser.

Ser satisfeito em Deus é a essência do que significa amar a Deus. Em Deus! Amar a Deus irá incluir obedecer todos os comandos; crer em todas as suas palavras; agradecer por todas as suas bênçãos; mas a essência de amar a Deus é desfrutar tudo o que Ele é. Este desfrute de Deus é o que o glorifica mais completamente.

Nós todos sabemos isto intuitivamente e pelas escrituras. Nós nos sentimos mais honrados quando servidos por aqueles que o fazem pela força de suas obrigações, ou pelo prazer da comunhão? Minha esposa honrada quando eu digo, “Gastar tempo com você me faz feliz”. A minha alegria é o eco da excelência dela. Com Deus funciona da mesma maneira. Ele é glorificado ao máximo em nós quando somos satisfeitos ao máximo nele.

Nenhum de nós é produto final no processo de satisfação em Deus. Eu caio muitas vezes na murmuração do meu coração quando perco confortos deste mundo. Mas eu tenho experimentado que o Senhor é bom. Pela graça de Deus eu agora conheço a fonte eterna de alegria. E então eu amo gastar meus dias levando pessoas à alegria até elas me dizerem, “Uma coisa pedi ao SENHOR; e é o que procuro: que eu possa viver na casa do SENHOR todos os dias da minha vida,” (Salmos 27:4).

Por: John Piper
Fonte: Livros e Sermões Bíblicos