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terça-feira, 19 de abril de 2022

Introdução Ao Livro Ouro de Tolo? | John MacArthur

Certa vez, uma mulher me escreveu para dizer que pensava que o cristianismo eraf09043 bom, mas ela, em particular, era ligada ao zenbudismo. Gostava de ouvir a rádio evangélica, enquanto dirigia, porque a música “aliviava o seu carma”. Mas, ocasionalmente, ela sintonizava um dos ministérios de ensino bíblico. Em sua opinião, todos os pregadores que ouvira tinham a mente muito fechada no que diz respeito a outras religiões; por isso, ela decidira escrever para vários pastores que ministravam no rádio e encorajá-los a terem a mente mais aberta.

“Deus não se importa com o que você acredita, contanto que seja sincero”, ela escreveu, ecoando uma opinião que tenho ouvido muitas vezes. “Todas as religiões nos levam, finalmente, à mesma realidade. Não importa que estrada você tome para chegar lá, contanto que siga com fidelidade o caminho escolhido por você mesmo. Não critique os caminhos alternativos que as outras pessoas escolhem.”

Para aqueles que aceitam a Bíblia como a Palavra de Deus, a loucura desse raciocínio deve ser logo evidente. Se as conseqüências do que acreditamos significam a diferença entre certo e errado, o agradar a Deus e o receber sua punição, a vida e a morte, então, precisamos ter certeza de que aquilo em que cremos está baseado num pensamento claro. Em outras palavras, precisamos exercitar o discernimento.

De fato, o discernimento está tão na moda, em nossa cultura, quanto a verdade absoluta e a humildade. Fazer distinções e julgamentos claros contradiz os valores relativistas da cultura moderna. O pluralismo e a diversidade têm sido exaltados como virtudes mais elevadas do que a verdade. Não devemos estabelecer limites definitivos ou afirmar qualquer absoluto. Isto é considerado retrógrado, antiquado, deselegante. E, embora esta atitude para com o discernimento bíblico seja esperada do mundo secular, ela tem sido lamentavelmente abraçada por um número cada vez maior de cristãos evangélicos.

Como resultado, o evangelicalismo tem começado a perder as características que o distinguia do mundo – preferindo freqüentemente a tolerância à verdade. A maioria dos evangélicos não está aceitando o islamismo, hinduísmo ou outras religiões anticristãs. Entretanto, muitos parecem imaginar que não importa realmente o que você crê, contanto que tenha o nome de cristão.

Com exceção de algumas seitas que rejeitam ostensivamente a Trindade, quase tudo o mais que for ensinado em nome de Cristo é aceito pelos evangélicos – desde o catolicismo romano (o qual nega que os pecadores são justificados somente pela fé) ao movimento Palavra da Fé (que corrompe a doutrina de Cristo, ao fazer da saúde e da riqueza temporal o foco da salvação).

Em nome da unidade, esses assuntos de doutrina jamais devem ser contestados. Somos encorajados a insistir em nada mais do que uma simples afirmação de fé em Jesus. Além disso, o conteúdo específico da fé deve ser um assunto de preferências pessoais.

É claro que esta atitude geral de aceitação não é nova; a igreja tem travado uma luta contínua sobre o assunto de discernimento doutrinário, pelo menos desde o início do século XX. Este mesmo apelo para que tenhamos uma mente mais aberta no que concerne a padrões e crenças religiosas sempre esteve no topo da agenda do liberalismo teológico. Na verdade, isto é exatamente o que o termo liberal significava originalmente. A novidade nos apelos à tolerância, em nossos dias, é que eles vêm de dentro do evangelicalismo.

Nada é mais desesperadamente necessário à igreja contemporânea do que um novo movimento para enfatizar, outra vez, a necessidade de discernimento bíblico. Sem um movimento assim, a verdadeira igreja está em sérios apuros. Se a ânsia atual por um compromisso ecumênico, santificação pragmática e sucesso numérico continuar ganhando espaço no evangelicalismo, o resultado sera um desastre espiritual absoluto.

Este livro, portanto, é um apelo ao discernimento. É um lembrete de que a verdade de Deus é um bem precioso que deve ser tratado com cuidado – e não diluído em crenças extravagantes ou amarrado às tradições humanas. Quando igrejas ou crentes individuais perdem sua resolução de discernir entre a sã doutrina e o erro, entre o bem e o mal, entre a verdade e a mentira, eles se abrem a todo tipo de engano. Mas aqueles que aplicam consistentemente o discernimento bíblico, em todas as areas da vida, podem ter a certeza de caminhar na sabedoria do Senhor (Pv 2.1-6).

Em contraste, os crentes contemporaneous se conformam com a opinião de que poucas coisas precisam ser definidas com exatidão. Assuntos doutrinários, questões morais e princípios cristãos são todos classificados como ambíguos. Toda pessoa é encorajada a fazer aquilo que é certo aos seus próprios olhos – exatamente o que Deus proíbe (Dt 12.8; Jz 17.6; 21.25).

A igreja jamais manifestará seu poder na sociedade, se não recuperar um amor ardente pela verdade e aversão à mentira. O verdadeiro crente não pode fechar os olhos ou negligenciar as influências anticristãs em seu meio, esperando desfrutar das bênçãos de Deus.

“E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos. Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz” (Rm 13.11-12).

Portanto, “também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus” (Fp 1.9-11).

por: John MacArthur
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(Extraído do livro Ouro de Tolo?, Editora Fiel, São José dos Campos, SP)

terça-feira, 6 de maio de 2014

Destrua uma igreja em 4 passos | Tim Charllies

Pouco tempo atrás, soube de um prédio de uma igreja em nossa vizinhança que estava à venda.igreja destruida Por anos a Grace Fellowship Church esteve procurando um prédio para ser nosso, então pensamos em dar uma olhada. Aquela havia sido uma congregação próspera. Cristãos fiéis contribuíram sacrificialmente para construir aquele prédio. Eles o consagraram ao Senhor e adoraram ali por muitos anos. Ainda assim, agora aquela construção estava abandonada, decadente e à venda.

O que aconteceu? Como aquela igreja passou de próspera para enferma? Como passou de saudável para doente até a morte? Acho que sei como. Creio que Paulo nos conta em sua segunda carta à Timóteo, a carta que ele escreveu apenas dias ou semanas antes de sua morte. Nela, no capítulo 4, ele olha para o futuro, vê uma igreja sendo destruída e nos avisa como aquilo aconteceu. É tão direto quanto 4 simples passos.

Antes de partirmos para os quatro passos, precisamos nos atentar para um detalhe crítico: essa igreja destrói a si mesma. A igreja não é fechada por causa da perseguição do governo; não é afligida pela pressão cultural e não sucumbe aos ataques de outra religião. Essa igreja é erodida por dentro, do meio da congregação. Essa igreja é destruída por pessoas que dizem agir no nome de Jesus.

Aqui estão os quatro passos simples que levam à auto-destruição de uma igreja.

PASSO 1: REJEITE A VERDADE

Paulo avisa Timóteo que eles “se recusarão a dar ouvidos à verdade”. O primeiro passo para se destruir uma igreja é distanciar-se do que é verdade, perdendo o interesse na verdade como Deus a revela, cansando-se do que Deus diz que é verdadeiro e amável. O que uma vez foi amor pela verdade se torna agora um desagrado e desgosto em relação à verdade; o que antes era ódio ao erro se torna agora um interesse e fascínio pelo erro. Corações começam a endurecer.

PASSO 2: REJEITE QUEM FALA A VERDADE

Ao se distanciarem da verdade, eles necessariamente tornam-se contra quem diz a verdade. Então, Paulo avisa Timóteo que esse dia chegaria: “não suportarão a sã doutrina”. Não é que as pessoas não saberão o que é verdade, mas que elas não vão mais suportar o que é verdadeiro. Porque elas passaram a odiar a verdade, elas agora odiarão aqueles que proclamam a verdade. Os mesmos mestres que uma vez os atraíram, agora os repelirão.

PASSO 3: ABRACE FALSOS MESTRES

A igreja rejeitou a verdade e aqueles que ensinam a verdade. E depois? É obvio e inevitável: eles abraçarão falsos mestres. “Cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos”. Conforme essas pessoas vão sendo endurecidas pelo pecado, conforme elas crescem em sua rebelião, desejarão ser guiadas por pessoas que as dizem aquilo que elas querem ouvir. Paulo usa uma ótima imagem para descrever isso: ouvidos coçando. Esses ouvidos anseiam a novidade, algo que de alguma forma será aceito pela sociedade e palatável ao mundo sem Deus. Eles prontamente encontrarão esse tipo de mestre que justificará seu afastamento da verdade e que validará a sua rebelião.

PASSO 4: ABRACE A FALSA DOUTRINA

Uma vez que eles rejeitaram a verdade e quem diz a verdade e uma vez que encontraram mestres que agradam os seus ouvidos, eles “entregar-se-ão às fábulas”. Agora eles abraçarão o erro, a completa heresia. Serão tão endurecidos em seus pecados que acreditarão que o erro é bom e verdadeiro. Serão tão iludidos e rebeldes que celebrarão o que Deus odeia e o farão no nome de Deus. Eles vaguearão, como ovelhas tolas indo para longe do bom pastor. O caminho estreito da salvação não deixa espaço para se vaguear, mas o caminho largo da destruição tem todo o espaço que eles precisam para vaguearem para cá e para lá.

E eles morrerão. No fim, aqueles que clamaram agir no nome de Cristo serão expostos como contrários a Cristo. Aquela igreja, aquela congregação, morrerá.

O que aconteceu com aquela igreja que um dia adorou naquele prédio que visitamos e queríamos comprar? As pessoas desenvolveram coceiras nos ouvidos. Não mais apoiaram a sã doutrina e acumularam para si mesmos mestres que se encaixavam às suas próprias paixões. Se distanciaram da verdade e vaguearam em direção a mitos e fábulas.

A evidência desses mitos estava clara. O hinário deles tinha músicas como “Mãe e Deus”, que diz “Mãe e Deus, à vocês cantamos: amplo é o seu ventre, quente é sua asa”. O website deles continha um vídeo de um pastor submetendo-se a um processo de mudança de gênero com o total suporte da igreja. A literatura deles explicitamente negava que Cristo é o único caminho para Deus dizendo que “Deus atua em nosso mundo através de um Espírito misterioso que não reconhece distinções nas portas de entrada de capelas cristãs; budistas; hinduístas; ou templos Sikh; cabana aborígene, mesquita islâmica ou sinagoga judaica”.

Nós não ficamos com aquele prédio. A construção foi vendida e, se eu entendi corretamente, logo virá a baixo. No fim das contas, os líderes denominacionais responsáveis pela venda não queriam o evangelho naquele prédio, eles queriam retirar dinheiro daquele prédio. Eles precisavam do dinheiro para ajudar duas outras congregações suas que inevitavelmente também acabarão.

Dois mil anos atrás, Paulo escreveu para o jovem Timóteo e contou a ele exatamente como essa igreja e muitas outras parecidas com ela morreriam. Ele também deu a Timóteo um dever que evitaria sua própria igreja de experimentar uma destruição similar e de hesitar com ouvidos coçando. Mas deixarei isso para um outro dia.

Por: Tim Charllies

Traduzido por Filipe Schulz

Fonte: Reforma21.org | Original aqui

Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A Cruz que os Pregadores Modernos Carregam | Paul Washer

"A ira de Deus é sua eterna ojeriza por toda injustiça. É o desprazer e a indignação da divina equidade contra o mal. É a santidade de Deus posta em ação contra o pecado. É a causa motora daquela sentença justa que ele lavra sobre os malfeitores. Deus está irado contra o pecado porque este é rebelião contra a Sua autoridade, um ultraje à Sua soberania inviolável." (Arthur W. Pink)

Por: Paul Washer

Fonte: Voltemos ao Evangelho

domingo, 16 de junho de 2013

Carta ao Reverendo Van Diesel | Augustus Nicodemus Lopes

[Republicação - Mais uma carta fictícia. Não existe o Reverendo Van Diesel, pelo menos não com este nome...]

Prezado Reverendo Van Diesel,

Obrigado por ter respondido minha carta. Você foi muito gentil em responder minhas perguntas e explicar os motivos pelos quais você costuma ungir com óleo os membros de sua igreja e os visitantes durante os cultos, além de ungir os objetos usados nos cultos.

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Eu não queria incomodá-lo com isto, mas o Severino, membro da minha igreja que participou dos seus cultos por três domingos seguidos, voltou meio perturbado com o que viu na sua igreja e me pediu respostas. Foi por isto que lhe mandei a primeira carta. Agradeço a delicadeza de ter respondido e dado as explicações para sua prática.

Sem querer abusar de sua gentileza e paciência, mas contando com o fato de que somos pastores da mesma denominação, permita-me comentar os argumentos que você citou como justificativa para a unção com óleo nos cultos.

Você escreveu, "A unção com óleo era uma prática ordenada por Deus no Antigo Testamento para a consagração de sacerdotes e dos reis, como foi o caso com Arão e seus filhos (Ex 28:41) e Davi (1Sam 16:13). Portanto, isto dá base para se ungir pessoas no culto para consagrá-las a Deus." Meu caro Van Diesel, nós aprendemos melhor do que isto no seminário presbiteriano. Você sabe muito bem que os rituais do Antigo Testamento eram simbólicos e típicos e que foram abolidos em Cristo. Além do mais, o método usado para consagrar pessoas a Deus no Novo Testamento para a realização de uma tarefa é a imposição de mãos. Os apóstolos não ungiram os diáconos quando estes foram nomeados e instalados, mas lhes impuseram as mãos (Atos 6.6). Pastores também eram consagrados pela imposição de mãos e não pela unção com óleo (1Tim 4.14). Não há um único exemplo de pessoas sendo consagradas ou ordenadas para os ofícios da Igreja cristã mediante unção com óleo. A imposição de mãos para os ofícios cristãos substituiu a unção com óleo para consagrar sacerdotes e reis.

Você disse que "Deus mandou Moisés ungir com óleo santo os objetos do templo, como a arca e demais utensílios (Ex 40.10). Da mesma forma hoje podemos ungir as coisas do templo cristão, como púlpito, instrumentos musicais e aparelhos de som para dedicá-los ao serviço de Deus. Eu e o Reverendo Mazola, meu co-pastor, fazemos isto todos os domingos antes do culto." Acho que aqui é a mesma coisa que eu disse no parágrafo anterior. A unção com óleo sagrado dos utensílios do templo fazia parte das leis cerimoniais próprias do Antigo Testamento. De acordo com a carta aos Hebreus, estes utensílios, bem como o santuário onde eles estavam, “não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma” (Hb 9.10). Além disto, o templo de Salomão já passou como tipo e figura da Igreja e dos crentes, onde agora habita o Espírito de Deus (1Co 3.16; 6.19). Não há um único exemplo, uma ordem ou orientação no Novo Testamento para que se pratique a unção de objetos para abençoá-los. Na verdade, isto é misticismo pagão, puro fetichismo, pensar que objetos absorvem bênção ou maldição.

Você também argumentou que “Jesus mandou os apóstolos ungir os doentes quando os mandou pregar o Evangelho. Eles ungiram os doentes e estes ficaram curados (Mc 6.13).” Nisto você está correto. Mas note o seguinte: (1) foi aos Doze que Jesus deu esta ordem; (2) eles ungiram somente os doentes; (3) e quando ungiam, os enfermos eram curados. Se você, Van Diesel, e seu auxiliar Mazola, curam a todos os doentes que vocês ungem nos cultos, calo-me para sempre. Mas o que ocorre? Vocês ungem todo mundo que aparece na igreja, crianças, jovens, adultos e velhos... Você fica de um lado e o Mazola do outro, e as pessoas passam no meio e são untadas com óleo na testa, gente sadia e com saúde. Se há enfermos no meio, eles não parecem ficar curados. Pelo menos o membro da minha igreja que esteve ai por três domingos seguidos não viu nenhum caso de cura. Ele me disse que você e o Mazola ungem o povo para prosperidade, bênção, proteção, libertação, etc. É bem diferente do que os apóstolos fizeram, não é mesmo?

Quando eu questionei a unção das partes íntimas que você faz numa reunião especial durante a semana, você replicou que “a unção com óleo sagrado e abençoado é um meio de bênção para as pessoas com problemas de esterilidade e se aplicado nas partes íntimas, torna as pessoas férteis. Já vi vários casos destes aqui na minha igreja.” Sinceramente, Van Diesel, me dê ao menos uma prova pequena de que esta prática tem qualquer fundamento bíblico! Lamento dizer isto, mas dá a impressão que você perdeu o bom senso! Eu me pergunto por que seu presbitério ainda não tomou providências quanto a estas práticas suas. Deve ser porque o presidente, Reverendo Peroba, seu amigo, faz as mesmas coisas.

Seu último argumento foi que “Tiago mandou que os doentes fossem ungidos com óleo em nome de Jesus (Tg 5.14).” Pois é, eu não teria problemas se os pastores fizessem exatamente o que Tiago está dizendo. Note nesta passagem os seguintes pontos.

  • A iniciativa é do doente: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor."
  • Ele chama “os presbíteros da igreja” e não somente o pastor.
  • O evento se dá na casa do doente e não na igreja.
  • E o foco da passagem de Tiago, é a oração da fé. É ela que levanta o doente, “E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tg 5.15).

Ou seja, não tem como usar esta passagem para justificar o “culto da unção com óleo santo” que você faz todas as quintas-feiras e onde unge quem aparece. Não há confissão de pecados, não há quebrantamento, nada do que Tiago associa com esta cerimônia na casa do doente.

Quer saber, Van Diesel, eu até que não teria muitos problemas se os presbíteros fossem até a casa de um crente doente, que os convidou, e lá orassem por ele, ungindo com óleo, como figura da ação do Espírito Santo. Se tudo isto fosse feito também com um exame espiritual da vida do doente (pois às vezes Deus usa a doença para nos disciplinar), ficaria de bom tamanho. E se houvesse confissão, quebrantamento, mudança de vida, eu diria amém!

Mas até sobre esta unção familiar eu tenho dúvida, diante do uso errado que tem sido feito da unção com óleo hoje. De um lado, há a extrema unção da Igreja Católica, tida como sacramento e meio de absolvição para os que estão gravemente enfermos e se preparam para a morte. Por outro, há os abusos feitos por pastores evangélicos, como você. O crente doente que convida os presbíteros para orarem em sua casa e ungi-lo com óleo o faz por qual motivo? Ungir com óleo era comum na cultura judaica e oriental antiga. Mas entre nós...? Será que este crente pensa que a unção com óleo tem poderes miraculosos? Será que ele pensa que a oração dos presbíteros tem um poder especial para curar? Se ele passa a semana assistindo os programas das seitas neopentecostais certamente terá idéias erradas sobre unção com óleo. Numa situação destas de grande confusão, e diante do fato que a unção com óleo para enfermos é secundária diante da oração e confissão de pecados, eu recomendaria grande prudência e discernimento.

Mas, encerro por aqui. Mais uma vez, obrigado por ter respondido à minha primeira carta e peço sua paciência para comigo, na hora de ler meus contra-argumentos.

Um grande abraço,

Augustus

PS: Ah, o Reverendo Oliveira e o Presbítero Gallo, seus conhecidos, estão aqui mandando lembranças. Eles discordaram veementemente desta minha carta, mas fazer o quê...?
PS2: Desculpe ter publicado a foto que o Severino acabou tirando daquele seu armário no gabinete pastoral... ele não resistiu (foto acima).

Fonte: O Tempora! O Moris!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A Blasfêmia Moderna Contra o Espírito Santo | John MacArthur

John MacArthur ensina sobre o ministério do Espírito Santo, Seus atributos, e desmascara e mostra as diferenças entre o verdadeiro e o falso, o santo e o profano, e o grande pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo.

terça-feira, 19 de março de 2013

Sete Características dos falsos mestres | Colin Smith

Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. (2Pedro  2:1 )

Não há "si”, “e” ou “mas", nas palavras de Pedro. É uma declaração clara e definida. Havia falsos profetas entre o povo (de Israel no Antigo Testamento). Isso é uma questão de história.

Os falsos profetas eram um problema constante no Velho Testamento, e aqueles que falsamente afirmou ser profetas de Deus eram para ser apedrejada. As pessoas raramente tinha a vontade de lidar com eles, para que eles se multiplicaram, causando um desastre para a vida espiritual do povo de Deus.

Da mesma forma, Pedro diz: "Haverá falsos mestres entre vocês. " Observe as palavras "entre vocês." Pedro está escrevendo para a igreja e diz: "Haverá falsos profetas  entre vocês. " Assim, ele não está falando de pessoas da Nova Era na televisão. Ele está falando de pessoas na igreja local, membros de uma congregação local.

Não há tal coisa como uma igreja pura deste lado do céu. Você nunca vai encontrá-lo. O trigo eo joio crescem juntos. Warren Wiersbe escreve:

Satanás é o falsificador. . . . Ele tem um falso evangelho ( Gálatas 1:6-9 ), pregado por falsos ministros ( 2 Coríntios 11:13-12 ), produzindo falsos cristãos ( 2 Coríntios 11:26 ). . . . Satanás planta suas falsificações onde os crentes de Deus plantas verdadeiras ( Mateus 13:38 ).

Autêntico ou falsificado?

Como você reconhece o cristianismo falsificado?

Em 2 Pedro 1, lemos sobre os crentes genuínos. E em 2 Pedro 2, lemos sobre os crentes falsificados. Se você colocar estes capítulos lado a lado você vai ver a diferença entre os crentes autênticos e falsificados.

1.  Fonte DiferenteDe onde é que a mensagem vem?

Pedro diz: "Nós não seguimos  fábulas engenhosamente inventadas,  quando lhes falamos sobre o poder ea vinda de nosso Senhor Jesus Cristo "(1:16). E então ele diz que os falsos mestres explorão "com histórias que eles têm feito" (2:3). Assim as verdadeiras fontes de mestres que, segundo ele, a partir da Bíblia. O falso mestre confia em sua própria criatividade. Ele faz a sua própria mensagem.

2.  Mensagem diferente - Qual é a substância da mensagem?

Para o verdadeiro mestre, Jesus Cristo é o centro. "Nós temos tudo que precisamos para vida e piedade nele" (1:3). Para o falso mestre, Jesus está às margens: "Eles vão introduzir secretamente heresias destruidoras, negando até o Soberano Senhor que os resgatou" (2:1).

Observe a palavra “secretamente”. É raro alguém na igreja abertamente negar Jesus. O movimento de distância da centralidade de Cristo é sutil. O falso mestre irá falar sobre como as outras pessoas pode ajudar a mudar sua vida, mas se você ouvir com atenção o que ele está dizendo, você vai ver que Jesus Cristo não é essencial para a sua mensagem.

3 . Diferente posição - Em que posição a mensagem irá lhe deixar?

O verdadeiro cristão "escapa da corrupção no mundo causada pela cobiça" (1:4). Ouça como Pedro descreve o falso cristão: "Eles prometem ... liberdade, quando eles mesmos são  escravos da depravação , para um homem é um escravo para o que quer que ele tenha dominado "(2:19). O verdadeiro crente está escapando corrupção, enquanto o crente falsificação é dominado por ele.

4.  Diferente Personagem - Que tipo de pessoas esta mensagem produz?

O verdadeiro crente persegue bondade, conhecimento, auto-controle, perseverança, piedade, bondade, irmão e amor (1:5). O falso cristão é marcado pela arrogância e difamação (2:10). Eles são "especialistas em ganância" e "seus olhos estão cheios de adultério" (2:14). Eles também "desprezam a autoridade" (2:10). Esta é uma característica geral de um crente falsificado.

5.  Apelo diferente - Por que você deve ouvir a mensagem?

O verdadeiro mestre apela para a Escritura. "Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la," (1:19). Deus falou, e os verdadeiros mestres apelaram para sua palavra.

O falso mestre faz um apelo bastante diferente: "Ao apelar aos desejos lascivos da natureza humana pecaminosa, eles atraem as pessoas que estão escapando aos que vivem no erro" (2:18).

  • Assim, o verdadeiro mestre pergunta: "O que Deus disse em sua Palavra?"
  • O falso mestre pergunta: "O que as pessoas querem ouvir? Que vai apelar para a sua carne?"

. 6  Frutos diferentesQual o resultado que a mensagem tem na vida das pessoas?

O crente verdadeiro é eficaz e produtivo em seu conhecimento de Jesus Cristo (1:8). A contrafação é "como uma mola sem água" (2:17). Este é um quadro extraordinário! Eles prometem muito, mas produzem pouco.

7.  Final diferente - Onde a mensagem pode levar você?

Aqui encontramos o contraste mais perturbador de todos. O verdadeiro crente receberá "boas-vindas de um rico no reino eterno de nosso Senhor Jesus Cristo" (1:11). O falso crente  experimentará "repentina destruição" (2:1). "para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme." (2:3).

Jesus nos diz que haverá  muitos  que estiveram envolvidos no ministério em seu nome, a quem ele dirá: "Apartai-vos de mim, eu nunca conheci" ( Mateus 7:21 ). Quem são essas pessoas? Certamente Pedro está descrevendo-os nesta passagem.

Não seja ingênuo

Não devemos ser ignorantes: "Haverá entre vós falsos mestres" (2:1). Então, como vamos aplicar esta advertência?

Primeiro, esta simples declaração  de Pedro lembra-nos que a Igreja precisa ser protegida. Entre as muitas pessoas maravilhosas que vêm através das portas da igreja a cada ano, alguns fazem mais mal do que bem.

Eles podem parecer ótimas pessoas, mas eles não acreditam na autoridade da Bíblia ou na exclusividade da salvação em Cristo. Congratulamo-nos com essas pessoas, porque eles precisam de Cristo, tanto quanto nós, mas não devemos permitir que eles tenham influência na igreja.

Segundo, os céticos sempre serão capazes de apontar a hipocrisia e incoerência na igreja. Eles sempre fezem isso, e sempre farão. Um dos mais estranhos motivos para não seguir a Cristo é assim:

"Eu vi pessoas na igreja que são hipócritas". Então você não vai seguir a Cristo, porque algumas pessoas que afirmam seguir a Cristo são hipócritas?

A existência da falsificação nunca é uma boa razão para rejeitar o genuíno. Pedro essencialmente nos diz: "É claro que existem falsos cristãos. Claro que existem mestres que fazem mal a igreja mais do que bem. O que mais você poderia esperar deste mundo caído?

Cresçam! Não sejam ingênuos! Não percam o que é real, simplesmente porque você tem visto a falsidade ".

Aponte para 2 Pedro 2:1 da próxima vez que encontrar alguém escondido atrás essa desculpa.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Eu posso julgar uma profecia? | Gutierres Fernandes Siqueira

Em Março de 2007, eu preguei sobre o “amor como regulador dos dons espirituais” baseado em 1 Coríntios 13. Naquele culto havia um rapaz que ouviu toda a minha pregação com bastante atenção, mas ele estava claramente nervoso. Quando eu acabei de falar, o jovem levantou do banco da “mocidade” e foi até o púlpito onde “profetizou” a minha brevíssima morte e deu uma sentença: eu iria morar no inferno por pregar heresias!

Em nenhum momento, graças ao bom Deus, deixe-me levar pela falsa profecia. No dia seguinte, o pastor local pediu ao jovem profeta que citasse nas Escrituras as minhas “heresias”. Ele limitou-se a dizer: “Pergunte para Jesus”. Infelizmente, aquele jovem não se retratou e continuou a “profetizar” outras mortes até sair daquela congregação.

Hoje, quando lembro desse fato, sinto pena desse rapaz, assim como de inúmeras pessoas que acreditam em falsas profecias.

Voltando ao título e respondendo a questão levantada. Posso julgar uma profecia? Não somente pode, mas deve! Não nos esqueçamos que é uma obrigação cristã analisar todas as profecias. O apóstolo Paulo escreveu: “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.” [1 Coríntios 14.29]. O apóstolo João fala que devemos “provar os espíritos”: “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”. [1 João 4:1]. Em apenas dois textos vemos claramente um mandamento.

Nós, também, não podemos desprezar as profecias, mas isso não impede de examinarmos aquilo que ouvimos. Paulo ainda diz:“Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem” [1 Tessalonicenses 5.19-21]. Veja que mesmo quando Paulo alerta sobre o “não desprezar”, ele nos lembra sobre a necessidade de examinar. Ou seja, uma prática não extingue a outra. Portanto, receba toda profecia com respeito, mas nunca deixe de analisá-la e, também, despreze a falsa profecia.

Muitas vezes, erroneamente, se coloca na cabeça do povo que é errado analisar (provar, julgar etc.) uma profecia. O erro é justamente deixar de fazer tal análise. E qual o critério para verificar uma profecia? A Palavra de Deus! Diante de uma profecia (ou qualquer outra palavra dita em nome de Deus) sempre devemos perguntar: Isso condiz com as Sagradas Escrituras?

O critério, repito, é a Palavra de Deus. Veja que não é um “sentir” ou um “arrepio” e nem qualquer outra manifestação do sistema sensorial. Além disso, não é porque você “vai com a cara” do profeta que a profecia seja de Deus (e o contrário, também, é verdadeiro).

Vejamos algumas profecias claramente antibíblicas:

a) Profecias de casamento. Ora, profecia não é horóscopo e nem serve para determinar decisões que devem ser tomadas pelo critério da sabedoria e discernimento. O mesmo serve para outras decisões (abertura de um negócio, por exemplo) que são terceirizadas para profetas.

b) Profecias de morte. O apóstolo Paulo mostra que a profecia tem um triplo objetivo: “Mas quem profetiza o faz para a edificação, encorajamento e consolação dos homens.” [1 Coríntios 14.3 NVI]. Onde que uma profecia de morte “edifica, encoraja ou consola” um ouvinte?

c) Profecias de vontade própria. O pregador que manda a igreja profetizar certamente nunca entendeu a natureza da profecia. Ora, a profecia não é fruto de vontade própria. A profecia deve ser pronunciada quando recebida, mas nunca sob coerção ou incentivo. Quem manda a profecia é Deus e não a minha ou a sua vontade. Além disso, é um completo absurdo marcar hora para profecias em cultos temáticos ou programas midiáticos.

d) Profecias com meias verdades. Essas são as mais perigosas. Já diz o provérbio chinês que toda “meia verdade é sempre uma mentira inteira”. Muitas vezes Deus até deu a profecia para uma pessoa, mas em sua empolgação, o portador do dom acaba exagerando na mensagem a ser transmitida [cf. I Crônicas 7. 1-4] . É bom lembrar que Deus impulsiona a mensagem, mas não cada palavra a ser dita. Leia 2 Samuel 12 e veja, por exemplo, que o profeta Natã usa uma parábola para complementar a mensagem da profecia. A profecia não é uma espécie de psicografia.

Sejamos, portanto, cautelosos com a profecia, pois uma falsa palavra transmitida sempre causa inúmeros prejuízos para a igreja local.

Gutierres Fernandes Siqueira

In: Teologia Pentecostal

Fonte: Cinco Solas

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Manjares perigosos | A. W. Pink

"Perceba que nem todos os “líderes” da cristandade hoje foram escolhidos por Deus. De fato, longe disso. Pessoalmente o escritor duvida muito que dois a cada mil dentre os pregadores, ministros, e missionários, por todo mundo, foram chamados por Deus! 

Muitos deles se auto-indicaram, alguns foram enviados por homens, a maioria cresceu sobre a tutela de Satanás. O leitor atento dos Velho e Novo Testamentos perceberá que o número dos falsos profetas, em todas as eras, superavam em muito o número dos verdadeiros. É por essa razão que Deus nos ordena a “não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (I Jo 4:1). 

A ovelha não pode crescer com o alimento dos bodes! Se seu pregador é admirado e elogiado por palavras macias e agradáveis, você pode estar certo de que seu ministério não pode lhe ajudar. Se grandes multidões o ouvem entusiasticamente, é um sinal seguro de que ele não ministra a Palavra no poder do Espírito!"

A. W. Pink

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A Morte de Uma Igreja | Hernandes Dias Lopes



As sete igrejas da Ásia Menor, conhecidas como as igrejas do Apocalipse, estão mortas. Restam apenas ruínas de um passado glorioso que se foi. As glórias daquele tempo distante estão cobertas de poeira e sepultadas debaixo de pesadas pedras. Hoje, nessa mesma região tem menos de 1% de cristãos. 

Diante disso, uma pergunta lateja em nossa mente: o que faz uma igreja morrer? Quais são os sintomas da morte que ameaçam as igrejas ainda hoje?

Em primeiro lugar, a morte de uma igreja acontece quando ela se aparta da verdade. Algumas igrejas da Ásia Menor foram ameaçadas pelos falsos mestres e suas heresias. Foi o caso da igreja de Pérgamo e Tiatira que deram guarida à perniciosa doutrina de Balaão e se corromperam tanto na teologia como na ética. Uma igreja não tem antídoto para resistir a apostasia quando abandona sua fidelidade às Escrituras nem a inevitabilidade da morte quando se aparta dos preceitos de Deus. 

Temos visto esses sinais de morte em muitas igrejas na Europa, América do Norte e também no Brasil. Algumas denominações históricas capitularam-se tanto ao liberalismo como ao misticismo e abandonaram a sã doutrina. 

O resultado inevitável foi o esvaziamento dessas igrejas por  um lado ou o seu crescimento numérico por outro, mas um crescimento sem compromisso com a verdade e com a santidade. Não podemos confundir numerolatria com crescimento saudável. Nem sempre uma multidão sinaliza o crescimento saudável da igreja. Uma igreja pode ser grande e mesmo assim estar gravemente enferma. Sempre que uma igreja troca o evangelho da graça por outro evangelho, entra por um caminho desastroso.

Em segundo lugar, a morte de uma igreja acontece quando ela se mistura com o mundo. A igreja de Pérgamo estava dividida entre sua fidelidade a Cristo e seu apego ao mundo. A igreja de Tiatira estava tolerando a imoralidade sexual entre seus membros. Na igreja de Sardes não havia heresia nem perseguição, mas a maioria dos crentes estava com suas vestiduras contaminadas pelo pecado. Uma igreja que flerta com o mundo para amá-lo e conformar-se com ele não permanece. Seu candeeiro é apagado e removido. Alguém disse: "Fui procurar a igreja e a encontrei no mundo; fui procurar o mundo e o encontrei na igreja". A Palavra de Deus é clara: ser amigo do mundo é constituir-se inimigo de Deus. Quem ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Há pouca ou quase nenhuma diferença hoje entre o estilo de vida daqueles que estão na igreja e daqueles que estão comprometidos com os esquemas do mundo. O índice de divórcio entre os cristãos é tão alto como daqueles que não professam a fé cristã. O número de jovens cristãos que vão para o casamento com uma vida sexual ativa é quase o mesmo daqueles que não frequentam uma igreja evangélica. A bancada evangélica no Congresso Nacional é conhecida como a mais corrupta da política brasileira. A teologia capenga produz uma vida frouxa. Precisamos voltar aos princípios da Reforma e clamar por um reavivamento!

Em terceiro lugar, a morte de uma igreja acontece quando ela não discerne sua decadência espiritual. A igreja de Sardes olhava-se no espelho e dava nota máxima para si mesma, dizendo ser uma igreja viva, enquanto aos olhos de Cristo já estava morta. A igreja de Laodicéia considerava-se rica e abastada, quando na verdade era pobre e miserável. O pior doente é aquele que não tem consciência de sua enfermidade. Uma igreja nunca está tão à beira da morte como quando se vangloria diante de Deus pelas suas pretensas virtudes. O cristão não deve ser um fariseu. O fariseu aplaudia a si mesmo por causa de suas virtudes, mas olhava para os publicanos e os enchia de acusações descaridosas. 
O cristão verdadeiro não é aquele que faz um solo do hino "Quão grande és tu" diante do espelho, mas aquele chora diante de Deus por causa de seus pecados.

Em quarto lugar, a morte de uma igreja acontece quando ela não associa a doutrina com a vida. A igreja de Éfeso foi elogiada por Jesus pelo seu zelo doutrinário, mas foi repreendida por ter abandonado seu primeiro amor. Tinha doutrina, mas não vida; ortodoxia, mas não ortopraxia; teologia boa, mas não vida piedosa. Jesus ordenou a igreja a lembrar-se de onde tinha caído, a arrepender-se e a voltar à prática das primeiras obras. Se a doutrina é a base da vida, a vida precisa ser a expressão da doutrina. As duas coisas não podem viver separadas. Doutrina sem vida produz orgulho e aridez espiritual; vida sem doutrina desemboca em misticismo pagão. Uma igreja viva tem doutrina e vida, ortodoxia e piedade, credo e conduta!

Em quinto lugar, a morte de uma igreja acontece quando falta-lhe perseverança no caminho da santidade. As igrejas de Esmirna e Filadélfia foram elogiadas pelo Senhor e não receberam nenhuma censura. Mas, num dado momento, nas dobras do futuro, essas igrejas também se afastaram da verdade e perderam sua relevância. Não basta começar bem, é preciso terminar bem. Falhamos, muitas vezes, em passar o bastão da verdade para a próxima geração. Um recente estudo revela que a terceira geração de uma igreja já não tem mais o mesmo fervor da primeira geração. É preciso não apenas começar a carreira, mas terminar a carreira e guardar a fé! É tempo de pensarmos: como será nossa igreja nas próximas gerações? Que tipo de igreja nós deixaremos para nossos filhos e netos? Uma igreja viva ou igreja morta?
  
Por: Hernandes Dias Lopes

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O Evangelho de Jesus Cristo | Paul Washer


1ª Mensagem [][][]
O Evangelho de Jesus Cristo Paul Washer
Alicerces da fé cristã - O que me torna um cristão?
Ano: 2012
28ª Conferência Fiel para Pastores e Líderes

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Carta ao Apóstolo Juvenal | Augustus Nicodemus Lopes

[Não se preocupem, o apóstolo Juvenal não existe. Também nunca tive amigo que virou apóstolo. O apóstolo Juvenal é uma personagem fictícia, embora baseada em personagens da vida real.]

Meu caro Juvenal,

Espero que você se lembre de mim, o Augustus Nicodemus, seu colega de turma do seminário presbiteriano (talvez você se lembre pelo apelido "Brutus" que eu odiava...!). Faz uns 20 anos que não temos contato. Só recentemente consegui seu e-mail, com o Mário, nosso amigo comum.

Desculpe não lhe tratar como "apóstolo". Você sabe, desde os tempos do seminário, que minha opinião é que os apóstolos constituíram um grupo único e exclusivo na história da Igreja e que hoje não existem mais. Qual não foi a minha surpresa quando me deparei com seu programa de televisão e com você se apresentando como "apóstolo" Juvenal! Eu não sabia que você tinha deixado o pastorado em nossa denominação, montado uma comunidade e adquirido esse título de "apóstolo", o qual, como já disse, não consigo reconhecer como legítimo.

Você sabe que para nós, cristãos históricos reformados, os apóstolos de Jesus Cristo tiveram um papel crucial e extremamente relevante na fundação da Igreja cristã. É um cargo, um ofício, tão sério e fundamental, que ver pessoas usando esse título nos dias de hoje causa um grande desconforto, uma profunda perplexidade e tristeza inominável. Não consigo imaginar uma banalização maior do que essa. Não que você seja uma pessoa indigna, pífia, pérfida ou mesquinha -- não se trata disso. Eu sentiria a mesma coisa se o próprio Calvino resolvesse usar esse título para si.

Não sei o que se passou por sua cabeça para que você, que conhece a Bíblia e a história da Igreja, resolvesse virar um "apóstolo" e montar sua própria comunidade. Pelo seu programa de televisão, ficou patente para mim que você adotou os cacoetes, o linguajar e as idéias que são próprias dos outros "apóstolos" que já estão por ai há mais tempo que você. Valendo-me da nossa amizade dos tempos de seminário, resolvi escrever-lhe e tirar as dúvidas, perguntar diretamente a você, para não ficar imaginando coisas.

1) Quem foi que lhe conferiu esse status, Juvenal? Refiro-me ao título de "apóstolo". Nas igrejas históricas ninguém toma para si o cargo, a função e o título de diácono, presbítero, pastor. São títulos concedidos por essas igrejas a pessoas que elas reconhecem como vocacionadas e aptas para a função. Não sei quem lhe conferiu esse título de "apóstolo". Ouvi falar que existe um conselho de apóstolos no Brasil, ligado a outros conselhos similares no exterior, que é quem ordena e investe os apóstolos no Brasil. Mas, pergunto, quem ordenou, investiu e autorizou os membros desse conselho de apóstolos? Em algum momento, chegaremos ao ponto em que alguém se autonomeou apóstolo, já que esse título e ofício deixaram de existir na Igreja Cristã desde o século I. Os apóstolos de Cristo não deixaram sucessores que por sua vez fizessem outros sucessores, numa corrente ininterrupta até os dias de hoje. Só quem reivindica isso é o Papa e nós não aceitamos essa reivindicação -- aliás, esse foi um dos motivos da Reforma protestante ter acontecido. Por isso, considero a utilização do título "apóstolo" hoje como uma usurpação, uma apropriação indevida dentro da Igreja de uma função histórica que não mais existe.

2) Fala sério, Juvenal, você acha mesmo que é um apóstolo? Quando você usa esse título para si, você está se igualando aos Doze Apóstolos e a Paulo, ou simplesmente usa o termo no sentido de "enviado, missionário", que é o sentido básico da palavra no grego? Se for nesse último sentido, fico menos consternado. Há outras pessoas na Bíblia que são referidas como apóstolos, além dos Doze e Paulo, como Tiago, irmão do Senhor (Gálatas 1:19; mas veja 1Coríntios 9:5 onde Paulo distingue entre apóstolos e os irmãos do Senhor) e Barnabé (Atos 14.14). O sentido aqui é quase sempre de enviado de igrejas locais, missionário, para usar o termo mais popular. Todavia, esse uso é secundário e desconhecido pelas igrejas modernas. Quando se fala em "apóstolo", as pessoas imediatamente associam o termo a Pedro, Tiago, João, Paulo, etc. Usar o título "apóstolo" hoje é igualar-se a eles ou, no mínimo, causar confusão na mente das pessoas. Você acredita mesmo que é um apóstolo como Paulo, Pedro, João, Mateus, André, Felipe, etc.?

3) Se você acredita, então minha próxima pergunta é essa: você viu Jesus ressurreto? Ele lhe apareceu e lhe comissionou como apóstolo? Pois foi assim que ele fez com os Doze e com Paulo. Todos eles foram chamados diretamente por Jesus e o viram depois da ressurreição. Se você disser que Jesus lhe apareceu e lhe comissionou, pergunto ainda como fica a declaração de Paulo em 1Coríntios 15:8, "e, afinal, depois de todos, [Cristo] foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo"? Ele está defendendo que Jesus apareceu a várias pessoas, depois da ressurreição, e "afinal, depois de todos" apareceu a ele. Literalmente, no grego, Paulo está dizendo que "por último de todos" (eschaton de pantwn) Cristo apareceu a ele. Ou seja, Paulo entendia que a aparição do Cristo ressurreto a ele era a última de uma seqüência. É assim que os cristãos históricos sempre entenderam. Se a condição para ser apóstolo era ter visto Jesus ressurreto, conforme Pedro declarou (Atos 1:22; veja também 1Coríntios 9:1), então Paulo foi o último apóstolo. Desculpe, não creio que Cristo lhe apareceu no corpo da ressurreição. Se você disser que sim, prefiro acreditar em Paulo, de que ele foi o último.

4) Você acha, sinceramente, que usar esse título de alguma forma vai ajudar a Igreja? Em que sentido? Veja só, grandes líderes da Igreja, através de sua história, pessoas que deram contribuições duradouras na área de teologia, missões, social, nunca buscaram esse título. Nem mesmo aqueles grandes homens de Deus que viveram na época imediatamente após os apóstolos e que foram discípulos deles, como Papias e Policarpo. Outros, como Agostinho, Calvino, Lutero, Wesley, Spurgeon, e os grandes missionários como Carey, jamais arrogaram para si essa designação. Se alguém teria esse direito, depois dos apóstolos, seriam eles, e não pessoas como você e outros que se apropriaram desse título, e cuja contribuição para a Igreja cristã é mínima comparada com a contribuição deles.

5) Outra pergunta. Pelo que entendi, você é o fundador e presidente dessa igreja "Igreja Apostólica Global da Misericórdia de Deus". Como você concilia isso com o fato de que os apóstolos de Cristo não se tornaram donos, presidentes, chefes e proprietários das igrejas locais que eles fundaram? Eles eram apóstolos da Igreja de Cristo, da igreja universal, e não de igrejas locais. A autoridade deles era reconhecida por todos os cristãos de todos os lugares. Aonde eles chegavam eram recebidos como emissários de Cristo, com autoridade designada por ele. A prova disso é que os escritos deles, como os Evangelhos e as cartas, foram recebidos por todas as igrejas como Palavra de Deus e autoritativas em matéria de fé e prática, foram organizadas e colecionadas naquilo que hoje conhecemos como o cânon do Novo Testamento. Pergunto, então: quem reconhece sua autoridade como apóstolo? As igrejas cristãs do Brasil ou somente sua igreja local? Seus escritos, seus sermões -- eles são recebidos como Palavra infalível e autoritativa da parte de Deus em todas as igrejas cristãs ou somente na sua igreja local?

6) Juvenal, pelo que me recordo de você, você sempre foi uma pessoa com dificuldades de relacionamento com as autoridades. Lembra daquela suspensão que você pegou no seminário por desacato ao diretor e ao capelão? Para não mencionar as brigas constantes que você tinha em sala de aula com os professores, não por causa dos conteúdos, mas porque você insistia em questionar, às vezes até zombeteiramente, a autoridade deles em sala de aula. Lembrando-me desse traço da sua personalidade e do seu caráter, até que posso entender o motivo pelo qual você resolveu abandonar o sistema conciliar da nossa denominação e fundar uma outra, onde você é o chefe supremo. Imagino que você não presta contas a ninguém da sua conduta, do que ensina e de como usa os recursos financeiros que arrecada. Afinal de contas, acima dos apóstolos só Jesus Cristo, e pelo que sei, ele não emite nada-consta nessas áreas...

7) Uma última pergunta e depois vou lhe deixar em paz. Você faz os mesmos milagres que os apóstolos fizeram? Não me refiro a curas em massa de pessoas que não têm CPF nem endereço e que foram curadas de males internos como enxaqueca, espinhela caída, pressão alta, etc. Refiro-me à curas daquele tipo efetuadas pelos apóstolos de Cristo, de aleijados, surdos, cegos, paralíticos, cujas deformidades, endereço e identidade eram conhecidos das comunidades. Refiro-me às ressurreições de mortos, como a ressurreição de Dorcas feita por Pedro. Você faz esse tipo de sinais? Os apóstolos não fracassaram nunca quando diziam "em nome de Jesus, levanta-te e anda". O índice de sucesso deles era de 100%. E as curas eram instantâneas e completas. Quem era cego voltava a ver completamente, e não em parte. Aleijados voltavam a andar e a pular. Você faz isso, Juvenal? Você se incomodaria em me deixar participar de uma daquelas reuniões de cura que você anuncia em seu programa, para que eu entrevistasse as pessoas que dizem ter sido curadas? Não me leve a mal, mas é que tem muita charlatanice nesse meio, muita gente que é paga para dar testemunho falso de cura, muitos que pensam que foram curados quando no máximo foram sugestionados nesse sentido. Curas reais e autênticas serão assim comprovadas por laudo médico, exames, etc. Não é que eu não creia em milagres hoje. Eu creio, sim, que Deus cura hoje em resposta às orações. Inclusive, eu mesmo já fui curado em resposta às orações. O que eu não creio é que existam hoje pessoas com o dom apostólico de curar simplesmente pelo comando verbal, e de realizar curas imediatas e completas de aleijados, cegos, surdos, paralíticos, doentes mentais, cancerosos, aidéticos, etc. Esse dom fazia parte do equipamento apostólico e servia como "credenciais do apostolado", conforme Paulo declarou aos coríntios (2Coríntios 12:12). Se você não é capaz de fazer os sinais que os apóstolos faziam, não creio que tenha o direito de se chamar de apóstolo.

Bom, não sei se você vai me responder. Fique à vontade. Eu precisava lhe perguntar essas coisas, para não ficar imaginando no coração que você é um mercenário, uma daquelas pessoas que está disposta a tudo para ganhar poder, espaço e dinheiro, mesmo que seja às custas da credulidade do povo brasileiro e em nome de Deus.

Um abraço,

Augustus