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sábado, 8 de fevereiro de 2025

A Igreja Visível e a Ceia do Senhor: O Debate entre Solomon Stoddard e Jonathan Edwards | Pb. Evandro Marinho

A história da igreja está repleta de debates teológicos que moldaram a compreensão da fé cristã ao longo dos séculos. Entre os puritanos americanos dos séculos XVII e XVIII, um dos debates mais marcantes envolveu Solomon Stoddard (1643–1729) e seu neto Jonathan Edwards (1703–1758), especialmente no que dizia respeito à membresia da igreja e à participação na Ceia do Senhor.

Stoddard: A Inclusão Baseada na Moralidade e na Doutrina

Solomon Stoddard, influente pastor em Northampton, Massachusetts, defendeu uma visão mais inclusiva da igreja visível. Ele argumentava que a obra salvífica do Espírito Santo nem sempre era perceptível e que, portanto, aqueles que concordavam com as doutrinas cristãs e demonstravam uma conduta moral poderiam ser considerados membros da igreja e ter acesso à Ceia do Senhor. Em sua obra The Doctrine of Instituted Churches Explained and Proved from the Word of God (1700), Stoddard justificava essa posição afirmando que a graça regeneradora poderia ser invisível e, por isso, não deveria ser um critério absoluto para a participação nos sacramentos.

Essa abordagem ficou conhecida como a "visão da Ceia como meio de graça" e visava facilitar o engajamento de mais pessoas na vida da igreja, na esperança de que isso as conduzisse à verdadeira conversão. Em um contexto de declínio da piedade e de dificuldades em identificar conversões genuínas, Stoddard via essa prática como um meio de incentivar uma maior devoção cristã.

Edwards: A Membresia Restrita aos Verdadeiros Crentes

Jonathan Edwards, por outro lado, defendia que apenas aqueles que demonstrassem evidências de verdadeira conversão deveriam ser membros da igreja e participar da Ceia do Senhor. Em seus escritos, como The Miscellanies, ele argumentava que ser um membro regular da igreja exigia ser um cristão visível, ou seja, alguém que aparentasse de maneira legítima e pública ser um verdadeiro crente. Para Edwards, a Ceia do Senhor era um privilégio restrito aos regenerados, não um meio pelo qual as pessoas poderiam alcançar a conversão.

Edwards enfatizava que a igreja não deveria aceitar membros apenas com base em sua moralidade ou aceitação intelectual do cristianismo, mas sim na evidência de uma obra transformadora do Espírito Santo em suas vidas. Esse posicionamento gerou resistência dentro de sua congregação e, eventualmente, contribuiu para sua remoção do pastorado em 1750.

Aplicações para a Igreja Hoje

O debate entre Stoddard e Edwards levanta questões fundamentais sobre a natureza da igreja e a administração dos sacramentos. Algumas aplicações para os dias atuais incluem:

  1. O discernimento na membresia da igreja – As igrejas devem ter critérios claros para a admissão de novos membros, buscando equilíbrio entre acolher novos convertidos e manter a pureza doutrinária e espiritual da comunidade.

  2. A Ceia do Senhor como privilégio dos crentes – Muitas igrejas hoje enfrentam o desafio de decidir quem pode participar da Ceia. O princípio defendido por Edwards reforça a importância de avaliar a profissão de fé dos participantes, garantindo que aqueles que participam compreendam e vivam o Evangelho.

  3. O papel dos sacramentos na vida da igreja – Enquanto Stoddard via a Ceia como um meio de levar as pessoas à conversão, Edwards a via como um selo da fé já existente. Esse debate continua relevante para a prática sacramental das igrejas contemporâneas.

Em um mundo onde o nominalismo religioso e a superficialidade espiritual são desafios constantes, a necessidade de uma igreja composta por verdadeiros discípulos de Cristo permanece crucial. O chamado à fidelidade na administração da membresia e dos sacramentos é um legado do pensamento de Jonathan Edwards que ainda ressoa fortemente nos dias atuais.

Por: Evandro Marinho

quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Quem eram os Puritanos | Ewerton B. Tokashiki

O Puritanismo foi um movimento que surgiu dentro do protestantismo britânico no final do século 16. A Inglaterra estava separada da submissão papal, mas não da doutrina, liturgia, e ética católica. O rei inglês Henry VIII por motivos pessoais, e não por convicção teológica liderou uma reforma política no Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Irlanda e País de Gales) que defendia o rompimento com a Igreja Católica Romana, vindo a originar-se a Igreja Anglicana. 

O monarca inglês faleceu e o seu filho, Edward VI, tornou-se rei em seu lugar. O jovem regente inglês possuía conselheiros influenciados pela Reforma protestante. Alguns teólogos e professores foram convidados para liderar a Reforma na Inglaterra. Entretanto, este projeto não foi adiante, pois o novo rei veio a falecer prematuramente. A sua irmã mais velha, Mary Tudor, a sanguinária, que ao assumir o trono promoveu perseguição, prisões, exílio e a morte de todos os protestantes, restaurando o catolicismo romano no Reino Unido.

Em 1559, Elizabeth sucedeu à sua meia-irmã Mary Tudor. A nova rainha da Inglaterra era simpatizante da Reforma. Ainda em 1559, solicitou a revisão do Livro Comum de Oração, e editou em 1562, os 39 Artigos de Fé[1] como padrão doutrinário da Igreja Anglicana.[2] Autorizou a volta dos reformadores ingleses exilados. Todavia, os que retornaram estavam insatisfeitos com a lenta e parcial Reforma eclesiástica que Elizabeth estava realizando. 

Justo L. González comenta que os que foram expulsos “trouxeram consigo fortes convicções calvinistas, de modo que o Calvinismo se estendeu por todo o país.”[3] Eles haviam contemplado o que os princípios da Reforma poderiam fazer em outros países, agora estavam comprometidos em aplicá-los em sua terra natal.

Os que defendiam que a Igreja Anglicana carecia duma completa Reforma foram apelidados jocosamente de "puritanos". De fato, os puritanos acreditavam que a igreja inglesa necessitava ser purificada dos resquícios do romanismo. Eles clamavam por pureza teológica, litúrgica, e moral! Henrique VIII embora discordasse da Igreja Católica acerca dos seus divórcios, ele morreu sustentando o título de Defensor da fé Católica. Mas, os puritanos também ansiavam por mudanças litúrgicas, pois, mesmo a Inglaterra se declarando protestante, a missa ainda era rezada em latim, eram usadas as vestimentas clericais, velas nos altares, e o calendário litúrgico e as imagens de santos eram preservadas. Era uma incoerente ofensa aos reformadores ingleses.

A começar pela liderança da Igreja, a prática do evangelho não estava sendo observada. Os puritanos exigiam não apenas mudanças externas, religiosas e políticas, mas mudança de valores que fossem manifestos numa ética que agradasse a Deus conforme a Palavra de Deus. Foi por causa deste último ponto que o apelido puritano tornou-se mais conhecido. Eles eram considerados puros demais, porque queriam ter uma vida cristã coerente com a Escritura! Infelizmente, uma caricatura horrível é feita deste movimento. Não poucas vezes os puritanos são criticados e mencionados com desdenho; entretanto, isto apenas evidencia a ignorância acerca da grandiosidade da obra e esforço destes homens e mulheres. Muitos perderam a sua vida por serem zelosos com o estudo e ensino das Escrituras Sagradas, por viver consistentemente o puro evangelho de Cristo![4]

O presbiterianismo é herdeiro direto deste movimento. Os Padrões de Fé de Westminster são produto da melhor erudição e piedade puritana do século 17. Os presbiterianos que migraram para os EUA eram todos puritanos. Eles eram crentes piedosos que praticavam a oração fervorosa, o culto sóbrio e equilibrado norteado pelo princípio regulador, o estudo da Escritura e a pregação da Palavra de Deus, tanto pelo ensino como por uma vida simples, eram marcas que distinguiam estes homens, que influenciaram o Cristianismo europeu e norte-americano, e que chegou até ao Brasil, através do missionário Rev. Ashbel G. Simonton.

NOTAS:
[1] Este documento doutrinário é essencialmente calvinista. Os 39 Artigos de Fé serviram para preparar a abertura de um processo de divulgação do Calvinismo na Igreja Anglicana que culminaria na Assembleia de Westminster (1643-1648), que produziu a Confissão de Fé e os Catecismos Breve e Maior. B.B. Warfield, Studies in Theology in: The Works of. B.B. Warfield, pp. 483-511.
[2] A maioria dos clérigos anglicanos relutam, ainda hoje, em adotar uma posição de consistência teologicamente calvinista. Em geral, os teólogos anglicanos adotam a Via Media, ou seja, eles tentam conciliar a teologia romana com a protestante, e formar um sistema doutrinário sincretista. Veja E.A. Litton, Introduction to Dogmatic Theology (London, James Clark &CO, LTD, 3ªed., 1960), pág. xi-xv. A liturgia anglicana ainda segue o The Book of Common Prayer (Livro Comum de Oração), embora dentro da Comunhão Anglicana cada Província é livre para alterar e adaptá-lo.
[3] Justo González, Visão Panorâmica da História da Igreja (São Paulo, Ed. Vida Nova, 1998), p. 70.

[4] Leitura indispensável sobre este movimento são as obras:

1. D.M. Lloyd-Jones, Os Puritanos - suas origens e seus sucessores (PES).

2. J.I. Packer, Entre os Gigantes de Deus - uma visão puritana da vida cristã (Editora Fiel).

3. Leland Ryken, Santos no Mundo - os puritanos como realmente eram (Editora Fiel).

 

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

(ED) A Identidade Presbiteriana (31): Os Puritanos | Sem. Thiago Fortunato


Fonte Igreja Presbiteriana Vila Guarany
Relação das Aulas Individuais
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Índice Geral
(1): O Governo da Igreja | Rev. Ageu Magalhães 
(2): O Presbítero Regente | Rev. Ageu Magalhães 
(3): O Diaconato em Genebra | Rev. Ageu Magalhães 
(4): Diaconato, o Ministério da Misericórdia | Rev. Marcos Cléber 
(5): O Presbítero Docente | Rev. Ageu Magalhães 
(6): Agostinho de Hipona | Rev. Ageu Magalhães 
(7): Valdo | Pb. Marcos Serra 
(8): John Wycliffe | Lauro Cangussu 
(9): John Hus | Rev. Ageu Magalhães 
(10): Girolamo Savonarola | Eduardo Koscak 
(11): A Reforma Protestante | Rev. Ageu Magalhães 
(12): Martinho Lutero | Sem. Thiago Fortunato 
(13): Ulrico Zuínglio | Pb. Marcos Serra
(14): Guilherme Farel | Lauro Cangussu 
(15): João Calvino | Rev. Ageu Magalhães 
(16): A Influência do Calvinismo | Rev. Ageu Magalhães 
(17): Martin Bucer | Pb. Marcos Serra 
(18): John Knox | Eduardo Koscak 
(19): As Mulheres da Reforma | Rev. Ageu Magalhães 
(20): Solus Christus | Pb. Marcos Serra 
(21): Sola Scriptura | Sem. Thiago Fortunato 
(22): Sola Gratia | Lauro Cangussu
(23): Sola Fide | Pb. Marcos Serra 
(24): Soli Deo Gloria | Eduardo Koscak 
(25): O Sínodo de Dort | Sem. Thiago Fortunato 
(26): A Depravação Total | Rev. Ageu Magalhães 
(27): Eleição Incondicional | Pb. Marcos Serra 
(28): Expiação Limitada | Lauro Cangussu 
(29): Graça Irresistível | Pb. Marcos Serra 
(30): Perseverança dos Santos | Eduardo Koscak 
(31): Os Puritanos | Sem. Thiago Fortunato
(32): A Assembleia de Westminster | Rev. Ageu Magalhães
(33): Franceses Calvinistas no Brasil | Pb. Marcos Serra
(34): Holandeses Reformados no Brasil | Lauro Cangussu
(35): Imigrantes Protestantes no Brasil | Pb. Marcos Serra
(36): Ashbel Green Simonton | Eduardo Koscak
(37): Alexander Blackford | Rev. Ageu Magalhães
(38): Francis Schneider | Sem. Thiago Fortunato
(39): José Manoel da Conceição | Pb. Marcos Serra
(40): Os Primeiros Passos da IPB | Rev. Ageu Magalhães
(41): Inspiração e Inerrância das Escrituras | Rev. Ageu Magalhães
(43): A Teologia da Aliança | Rev. Ageu Magalhães
(44): O Princípio Regulador do Culto | Rev. Ageu Magalhães
(45): As Bases do Culto Reformado | Rev. Ageu Magalhães
(46): A Soberania de Deus | Pb. Marcos Serra
(47): A Liturgia Presbiteriana | Rev. Ageu Magalhães
(48): A Participação das Crianças no Culto | Rev. Ageu Magalhães
(49): O Cessacionismo Bíblico | Eduardo Koscak
(50): A Ceia do Senhor | Rev. Ageu Magalhães
(51): O Batismo Bíblico | Sem. Thiago Fortunato
(52): A Predestinação | Pb. Marcos Serra

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quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Eu Amo o Dia do Senhor | Robert M. McCheyne

“E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Mc 2.27)

Queridos concidadãos e compatriotas, como servo de Deus neste escuro e tormentoso dia me sinto constrangido a levantar a minha voz em defesa da eterna santificação do dia do Senhor. Os atrevidos ataques que fazem alguns dos diretores da Estrada de Ferro Edimburgo-Glasgow contra a Lei de Deus e a paz de nosso descanso dominical, tal como se tem observado por muitos anos na Escócia; a blasfema modificação que pretendem propor aos acionistas no próximo mês de fevereiro, e os nefastos folhetos que estão atualmente circulando a milhares, cheios de toda sorte de mentiras e impiedades, convida fortemente a um sereno e deliberado testemunho de todos os fiéis ministros e mais sensíveis cristãos em defesa do dia do Senhor. Em nome de todo povo de Deus nesta cidade e neste país apresento ante vossa consideração as seguintes razões para amar e respeitar o dia do Senhor.

I. PORQUE É O DIA DO SENHOR.

“Este é o dia que o SENHOR fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele” (Sl 118:24).

“Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta”(Ap 1.10).

É Seu como exemplo. É o dia em que descansou de Sua assombrosa obra de redenção. Do mesmo modo que Deus descansou no sétimo dia ao acabar suas obras, declarando bendito assim o sábado, consagrando-o de maneira especial sobre os demais dias, assim o Senhor Jesus Cristo descansou neste dia de toda sua agonia, penalidade e humilhação. “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus” (Hb 4.9). 

O dia do Senhor é Sua propriedade do mesmo modo que a Ceia do Senhor Lhe pertence. Ela é Sua mesa, Seu pão, Seu vinho. Com ela chama Seus convidados. Os enche de gozo e do Espírito Santo. Assim é com o dia do Senhor. Todos os dias do ano são de Cristo, porém de cada sete, um é especial; é para Ele o dia do mercado, o dia em que sai em busca das almas para adquiri-las. Ele o fez e o estabeleceu com este motivo. Do mesmo modo que plantou o jardim do Éden, assim cercou este dia e o fez Seu de forma particular.

Esta é a razão porque o amamos e o dedicamos a Ele inteiramente. Amamos tudo que é de Cristo. Amamos Sua Palavra. Nos é mais preciosa do que milhares de ouro e prata. “Quanto amo a tua lei!” (Sl 119). Amamos Sua casa. É o lugar de nosso encontro com Cristo, onde Ele se encontra conosco e rodeia nosso lugar com suas misericórdias. Amamos Sua mesa. É o lugar em que é adornada diante de nós, verdadeiro banquete em que Sua bandeira sobre nós é o amor, onde desfaz nossa cadeias e unge nossos olhos e faz arder, inflamar nossos corações com santo gozo. Amamos a Seu povo, porque os que o compõem são seus, membros de Seu corpo, lavados em Seu sangue, cheios do Seu Espírito Santo, nossos irmãos e irmãs por toda a eternidade. E amamos o dia do Senhor porque é Seu. Cada hora dEle nos é mui cara, mais doce que o mel, mais preciosa que o ouro. É o dia em que Ele se levantou do sepulcro para nossa justificação. Nos recorda Seu amor e Sua obra completamente acabada e perfeita, e seu descanso da mesma. E ousadamente podemos dizer que quem não ama nem defende a inteira dedicação ao dia do Senhor, não ama de fato a Jesus Cristo.

Ó, transgressores do dia do Senhor, quem quer que sejais, sois ladrões sacrílegos! Quando roubais as horas do dia do Senhor para vossos negócios ou prazeres, estais roubando a Cristo as preciosas horas que Ele reivindica como suas. Não vos ofenderíeis se estivessem tramando algum plano com vistas a abolir a Ceia do Senhor e tratando de convertê-la em uma comida comum, ou numa festa em que se permitisse a entrada aos libertinos ou bêbados? Não se partiriam vossos sentimentos vendo que a taça da comunhão era convertida em uma taça de bebida indecente nas mãos de bêbados? E pensais que é melhor aquilo que propõem os diretores companhia da estrada de ferro? O dia do Senhor está tão sujo como suja está Sua mesa. Certamente podemos afirmar com as palavras do Dr. Love, aquele servo eminente de Deus, agora que se pretende trabalhar no dia do Senhor: “Maldita toda ganância, maldito todo deleite, maldita toda saúde que é obtida por meio da criminosa usurpação do sagrado dia”.

II. PORQUE É UMA RELÍQUIA DO PARAÍSO DO ÉDEN E UM TIPO DO CÉU.

O primeiro sábado surgiu entre os enramados jardins de um paraíso sem pecado. Quando Adão foi feito à imagem de seu Criador, foi colocado no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo. Sem dúvida consumiria suas energias. Recolher os ramos de uva, colher os frutos das figueiras e palmeiras, canalizar a água para regar as árvores frutíferas e flores requeria todo seu tempo e habilidade. O homem nunca foi criado para permanecer inativo.

Quando o sábado se estabeleceu, todos seus instrumentos rurais deviam ser encostados, o jardim naquele dia não requeria mais cuidados. Sua pura e serena mente podia olhar além do que se vê neste mundo de realidades não espirituais. Caminhava no horto buscando um mais profundo conhecimento de Jeová e seus caminhos, com seu coração mais e mais inflamado de amor e com seus lábios em perfeitos louvores. Ainda no paraíso terreno o homem necessitava do sábado. Sem ele ainda o mesmo Éden estaria incompleto. Que pouco sabem dos prazeres do Éden, das delícias da íntima comunhão com Deus, os que desejam arrancar do domingo esta relíquia do mundo que durante certo tempo foi sem pecado!

É também um tipo do céu. Quando um crente deixa de lado sua pluma ou seus telhares, abandona seus cuidados terrenos, troca suas roupas de trabalho pelas de um dia festivo e vem à casa de Deus, prefigura o que sucederá no dia em que cessará a grande tribulação para apresentar-se às bodas do Cordeiro, ao ser levado feliz à presença do Senhor. Quando se senta a ouvir a Palavra de Deus e escuta a voz do pastor, guiando e alimentando sua alma, evoca aquele tempo quando o Cordeiro estará no meio do trono e alimentará e guiará sua alma à fontes de águas vivas. Quando une seu louvor entoando os salmos do saltério, pensa no dia quando terá em suas mãos a harpa celestial entoando o cântico:

“Onde das congregações não haverá separação, nem o dia do Senhor nenhuma interrupção”.

Quando ele se recolhe à sua casa e tem comunhão com Deus em seu lugar secreto, ou como Isaque em algum lugar próximo à sua tenda, porém em intimidade, pensa naquele dia quando “será coluna na casa de nosso Deus, e nunca mais sairá fora”.

Esta é a razão porque amamos o dia do Senhor. Esta é a razão porque chamamos ao domingo dia de delícias. Compreendemos e sentimos que um domingo bem dedicado ao Senhor e às almas é um dia de céu na terra. Por esta razão desejamos que nossos domingos sejam inteiramente dedicados a Deus. Amamos passar todas as horas do domingo nos exercícios públicos ou privados da adoração a Deus, a menos que qualquer urgente demanda deva ser atendida por motivos de necessidade ou de misericórdia. Em sua manhã nos é grato levantarmos cedo e dormirmos tarde, com o objetivo de que nos resulte um dia longo, a fim de que seja mais duradoura nossa comunhão com Deus.

Que pouco sabem disso os que nunca estarão no céu! Uma palha flutuando na superfície de uma corrente de água pode indicar-nos a direção que ela segue. Aborreces o dia do Senhor? É para você uma espécie de inferno sua observância? O que te diz estas palavras já passou por um tempo em que se sentiu como você. Não achas em sua observância nenhum descanso ou paz. Dizes: “Que pesado é”. “Quando se abolirá o dia do Senhor e poderei me dedicar inteiramente aos meus negócios?”. Ah, mui certamente te acharás no inferno! O inferno é o lugar único e adequado para ti; é o que te corresponde. O céu é um desejado, permanente santo dia do Senhor. Em troca, no inferno não há dia do Senhor.

III. PORQUE É UM DIA DE BÊNÇÃO

Quando Deus instituiu o sábado no paraíso, disse: “E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou” (Gn 2.3). Não só o consagrou como um dia santo, mas o fez um dia de bênção. Também, quando o Senhor se levantou da morte no primeiro dia da semana antes que alvorecesse, se revelou a Si mesmo aos seus discípulos que se dirigiam a Emaús e com sua conversa fazia arder seus corações (Lc 24.13). Na mesma tarde daquele dia se apresentou no meio dos seus discípulos e disse: “Paz seja convosco!” (Jo 20.19). E soprou sobre eles dizendo: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20.22). Novamente, passados setes dias, isto é, no domingo seguinte, Jesus de novo veio e se pôs no meio deles e com inefável graça e misericórdia se revelou a si mesmo ao incrédulo Tomé (Jo 20.26). Foi também no dia do Senhor que o Espírito Santo foi derramado em Pentecostes (Atos 2.1, comparado com Lv 23.15,16 – “ Contareis para vós outros desde o dia imediato ao sábado, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida; sete semanas inteiras serão. Até ao dia imediato ao sétimo sábado, contareis cinqüenta dias; então, trareis nova oferta de manjares ao SENHOR.”). Aquele princípio de bênçãos espirituais, aquele primeiro advento do Espírito à igreja cristã, teve lugar no dia do Senhor. Nesse mesmo dia o amado João, em seu exílio na ilha de Patmos, longe da congregação dos santos, ficou cheio do Espírito Santo e teve a visão celestial que o fez escrever o livro que temos chamado Apocalipse ou Revelação. Assim é que em todas as épocas, desde o princípio do mundo e em qualquer lugar onde há um crente, o dia do Senhor tem sido dia de dupla bênção. Todavia é assim e seguirá sendo mesmo que todos os inimigos de Deus ranjam os dentes. Certamente Deus é um Deus de graça e Sua obra Ele não entrega a nenhum limite de lugar ou de tempo. No entanto, é igualmente certo que todo escárnio e engano dos ímpios não poderão alterar Seus desígnios; desígnios determinados por Sua vontade: bendizer de forma especial e abundante a Sua Palavra no dia do Senhor. Os fiéis pastores de todos os países podem testificar que os pecadores se convertem mais freqüentemente no dia do Senhor, que Jesus se manifesta a Si mesmo por meio da pregação e das ordenanças mais freqüentes em Seu próprio dia. Os santos, como João, são chamados pelo Espírito Santo no dia do Senhor e se regozijam com serenas e profundas visões da eternidade.

Ó, desventurados, que planejais eliminar de nossa amada Escócia este bendito dia de dupla bênção. “Não sabem o que fazem”. Desejais arrebatar dos nossos concidadãos amados o dia em que Deus abre as janelas do céu e derrama sua abundante bênção. Quereis que os céus da Escócia se convertam em céus de bronze, duros, que são uma verdadeira maldição, e os corações de seu povo em corações de ferro? Quereis que o som dos dourados sinos do nosso eterno Sumo Sacerdote, ressoando sobre as montanhas de nosso país e o alento do Espírito Santo manifesto em muitas de nossas congregações, despertem vossos esforços satânicos com vistas a trocar o doce som da misericórdia pelo ensurdecedor estrondo dos vagões de trem? Acaso o notável vigor da vivificada e purificada Igreja da Escócia tem dado passagem às torrentes de blasfêmias que proferis contra o dia do Senhor? Vossas almas murchas não têm necessidade alguma do orvalho e irrigação celestiais? Não compreendeis que vós mesmos estais blasfemando do dia em que vossas próprias almas podem chegar a ser salvas? Não é certo que no inferno, com lágrimas de angústia, muitos de vós lamentarão ao lembrar vossos esforços contra a luz e contra as advertências que são feitas, e vão se amontoando sobre vossas almas tudo aquilo que lhes conduzirá à eterna perdição?

Aos que são filhos de Deus neste país, desejo agora, em nome do nosso comum Salvador, que é o Senhor de Seu dia, dirigir esta exortação.

I) TER EM ALTA ESTIMA O DIA DO SENHOR

Quanto maior for o desprezo e desdém dos que o tratam, vós amai-os mais e mais. Quanto mais fortemente se desencadeia a tormenta de blasfêmias uivando ao vosso redor, sente-se aos pés do Senhor mais intimamente. Ele deve reinar até que haja posto a seus inimigos por estrado de seus pés (Hb 10.13). Aproveite diligentemente todo seu santo tempo. Deverias convertê-lo no dia mais ocupado dos sete; embora que somente nos negócios do vosso Pai. Evita o pecado nesse dia santo. Todo filho de Deus deve evitá-lo cada dia, porém principalmente no dia do Senhor. É tanto um dia de dupla bênção como de dupla maldição. O mundo terá que responder pelos seus pecados cometidos no santo tempo do Domingo. Passa o dia do Senhor em Sua presença. Passa-o como havereis de passá-lo no céu. Que os louvores e as obras de misericórdia ocupem muito do seu tempo como ocupam do Senhor mesmo.

II) DEFENDENDO O DIA DO SENHOR

Levante vosso sereno e de algum modo acovardado testemunho contra as profanações do dia do Senhor. Use toda vossa influência, seja como homem de estado, ou como magistrado, ou professor, ou como pai, ou como amigo tanto publicamente como em secreto, para  lutar em defesa da eterna dedicação ao dia do Senhor. Esta obrigação é imposta pelo mesmo quarto mandamento. Não olheis nunca qualquer infração do domingo sem reprovar o transgressor. Mesmo os mais mundanos, com todo seu orgulho e menosprezo contra nós, não podem impedir que os recriminemos de quebrar o dia do Senhor. Recordais sempre que Deus e a Bíblia estão a vosso lado e vereis como estes homens maldirão seu próprio pecado e loucura mesmo que infelizmente tarde demais. Todos os filhos de Deus na Escócia devem levantar seu testemunho unanimemente  de forma especial contra estas três profanações públicas do dia do Senhor.

1. Manter abertas nesse dia as bibliotecas públicas. Nesta cidade e em todas as cidades da Escócia, digo-vos que podeis encontrar em suas salas muitos de nossos homens de negócios consultando e revistando todo tipo de periódicos, revistas e livros, durante todas as horas do culto. E especialmente durante as tardes do domingo estas salas estão cheias como qualquer pequena igreja. Ah, pecadores cheios de culpa! Quão claramente mostrais que vos encontrais no caminho largo que conduz à perdição! Se fosses assassinos ou adúlteros, talvez não vos atreverias negar esta acusação. Não sabeis vós — e todos os sofismas do inferno não poderiam provar o contrário — que o mesmo Deus que disse: “Não matarás”, também disse: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar”? O assassino que é levado ao patíbulo e o educado e fino transgressor do dia do Senhor são um, são iguais aos olhos de Deus.

2. Manter abertos no domingo os estabelecimentos, como bares, cervejarias, cafés... Tais lugares são a maldição da Escócia. Nunca posso evitar quando vejo em um de tais estabelecimentos o letreiro: “Autorizado para vender licores”, o pensar que a licença que têm é a de arruinar as almas. Tais estabelecimentos são amplas avenidas à pobreza e farrapos desta vida e, como alguém tem dito: “o curto atalho que conduz rapidamente ao inferno”. Pode permitir-se, assim que nesta terra de luz e testemunho reformado, esses lugares de perdição e antros de iniquidade — verdadeiras armadilhas de almas — abram suas portas no dia do Senhor? Podemos permitir que os donos dos mesmos se enriqueçam e prosperem graças a este mercado sujo, e que muitos deles se atrevam a dizer que, a não ser pelo negócio que fazem no dia do Senhor não poderiam seguir avante sem prejuízo? Com forte fundamento podemos dizer: malditas sejam as ganâncias deste dia! Ó homens baixos e miseráveis! Não pensais que cada moeda que cai sobre o caixa, naquele dia devorará vossa carne como se fora fogo, e que cada gota de licor consumido em vossos palácios de perdição servirá para avivar mais a chama daquele “fogo que nunca se apaga”?

3. O funcionamento da estrada de ferro no domingo. A maior parte dos diretores da Companhia da Estrada de Ferro de Edimbugo-Glasgow tem evidenciado sua decisão para fazer valer seus serviços também aos domingos. Todos os canais de infidelidade têm sido abertos a unha e circulam abundantemente os folhetos e tratados blasfemos por todo o país desacreditando e menosprezando o bendito dia do Senhor, como se não houvesse olho onisciente no céu, como se não existisse rei sobre o monte Sião, nem houvesse de ocorrer um dia em que se haverá de prestar contas a Deus.

Compatriotas cristãos, despertai e, cheios do mesmo espírito que libertou nosso país das negras superstições do passado, lutemos contra a invasora corrente de infidelidade e inimizade contra o domingo.

Vós, homens culpados que sob a inspiração de Satanás estais guiando os obscuros exércitos dos que quebram os dia do Senhor, vossa situação está carregada de responsabilidade. Sois ladrões; roubais ao Senhor Seu santo dia. Sois assassinos: atentais contra a vida das almas de vossos servos, ou dependentes. Deus disse: “...não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro” (Ex 20.10), porém vós os compelis a quebrar a Lei de Deus e vendeis suas almas para obter com miserável ganância. Sois pecadores que pecais conscientemente contra a luz de vossa consciência. Vossa Bíblia, as palavras de vossos familiares piedosos e as ternas admoestações dos fiéis homens de Deus soam em vossos ouvidos, no entanto permaneceis perpetuando vossa vergonhosa obra e os vos gloriais nisso. Sois traidores de vosso país. 

A Lei de vosso país declara que deveis “observar um descanso santo de todas vossas palavras, obras ou pensamentos durante o domingo” e vós a desprezais considerando-a como fruto de uma superstição antiquada. Não foi a quebra constante do sábado o que fez com que Deus reprovasse a Seu povo, Israel? E vós tratais de trazer a mesma maldição sobre a Escócia. Sois suicidas morais, que assassinais vossas próprias almas, proclamando ao mundo que não sois povo de Deus e precipitando sobre vossas almas a sentença de que se fazem réus os que quebram o dia do Senhor.

Concluindo, proponho a calma e serena consideração a todo homem sério as seguintes perguntas:

  • 1. Podeis nomear algum ministro, de qualquer denominação em toda a Escócia, que não sustente a inteira dedicação do dia do Senhor como um dever inevitável?
  • 2. Haveis falado a algum verdadeiro crente em qualquer país, que ame a Cristo e viva santamente, que não se deleite em guardar inteiramente santo para Deus o dia do Senhor?
  • 3. É sábio participar da opinião dos que interpretam a seu gosto a vontade de Deus relativa ao dia do Senhor; interpretação dos infiéis, os que menosprezam, os que não vivem santamente; homens que têm os olhos cegos para as coisas de Deus; os inimigos da justiça, que citam a Sagrada Escritura como Satanás, para enganar e trair?
  • 4. Se, em oposição ao unânime testemunho dos mais sábios e mais santos servos de Deus, contra os claros avisos da Palavra de Deus, contra as mesmas palavras de vosso catecismo aprendido aos joelhos de vossa piedosa mãe, contra a voz de vossa injuriada consciência, vos unis às fileiras dos que traspassam o dia do Senhor, não é isto pecar contra a luz, não é enganar gravemente as vossas almas; não é constituir-se réus do justo juízo de Deus?

Minha oração é que estas palavras de verdade e sobriedade os chame a atenção com as mesmas palavras de Deus e alcancem vossos corações com todo Seu divino poder.

Textos Bíblicos para Meditar:

  • Dia Do Senhor Como Mandamento: Ex 16.22-30; 8-11; 35.1-3. Lv 19.3-30. Dt 5.12-15. Ne 9.14.

  • Dia Do Senhor: Sinal Do Povo De Deus: Ex 31.12-17. II Re 4.23. Ez 20.12. Lm 1.7. Hb 4.9.

  • Castigo Para Os Que Não Guardam O Dia Do Senhor: Nm 15.32-36. Lv 26.33-35. II Cr 36.21. Jr 17.19-29. Lm 2:6. Ez 20.12-26. Amós 8.4-14.

  • O Dia Do Senhor: Dia De Bênção: Gn 2.2. Ex 16.24. Lv 24.8. Nm 28.9,10. Is 56:1-8; 58.13-14. Jo 20.1,19,26. At 2:1. (Comparar com Lv 23.15. Ap 1.10)

  • O Dia Do Senhor No Tempo Dos Evangelhos: Sl 118.24. Is 66:23. Ez 46.1. Mc 2.27,28. At 2.1; 20.6-7. I Co 16.2. Ap 1.10

Por: Robert M. McCheyne

Fonte: Os Puritanos

quarta-feira, 22 de março de 2017

A relação entre teologia e piedade nos puritanos | Hélder Cardin


Tendo como base a vida e pensamento de grandes nomes do puritanismo, nesta palestra o pastor Hélder Cardin nos mostra como o conceito de espiritualidade cristã está dissociado da ideia de misticismo e como o exercício da teologia precisa necessariamente estar ligado à uma vida de piedade.

Palestra ministrada na Conferência de Teologia Vida Nova
Local: Igreja Presbiteriana de Cuiabá.
Conheça a obra "Teologia Puritana"

domingo, 14 de fevereiro de 2016

24º Simpósio | Os Puritanos 2015



Fonte: Os Puritanos
Palestas:

  1. Redescobrindo a Beleza do Culto Bíblico » Jon Payne (1) 
  2. A Lógica do Evangelho na Liturgia Reformada » Parte II » Jon Payne (2) 
  3. A Lógica do Evangelho na Liturgia Reformada » Parte II » Jon Payne (3) 
  4. Pregação Lectio Continua no Século 21 » Jon Payne (4) 
  5. Domingo: O Dia da Feira da Alma » Jon Payne (5) 
  6. John Owen e a Ceia do Senhor » Jon Payne (6) 
  7. O Centro da Adoração: Cristo » Cliff Blair (1) 
  8. Cristo no Deserto » Cliff Blair (2) 
  9. Cristo na Lei Civil » Cliff Blair (3) 
  10. Cristo na Lei Cerimonial » Cliff Blair (4) 
  11. Cristo em uma Narrativa » Cliff Blair (5) 
  12. Cristo em meio ao Tumulto » Cliff Blair (6) 
  13. Por que o “Princípio Regulador”? » Daniel Hyde (1) 
  14. Por que cantar os Salmos? » Daniel Hyde (2) 
  15. Como no Culto Eu Sou Beneficiado? » Daniel Hyde (3) 
  16. Onde Deus Está quando O Cultuamos? » Daniel Hyde (4) 
  17. Por que a Oração é tão Poderosa? » Daniel Hyde (5) 
  18. Conduzindo os Pequeninos ao Culto Público e Privado » Simone Quaresma

terça-feira, 1 de outubro de 2013

As Bases e a Defesa do Sábado Cristão | Dr. Joseph Pipa

O ensino bíblico a respeito da observância do quarto mandamento, o domingo, o sábado cristão, o Dia do Senhor.

Por: Dr. Joseph Pipa (Palestra — com perguntas e respostas).

XXII Simpósio Reformado Os Puritanos - (Ano: 2013) - Em: Maragogi, Alagoas.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Livro: Quebrantamento: Espírito de Humilhação | Rev. Richard Baxter [eBook PDF]



Há um tempo atrás fizemos uma série de posts com a versão on-line do livro de Richard Baxter, "Quebrantamento: Espírito de Humilhação". Nesta postagem você confere todo o conteúdo da série em um só ebook disponível para download em PDF.


  
Outras opções de download:
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terça-feira, 19 de março de 2013

Irmãos, Salvai os Santos | John Piper

Eu costumava dizer que o meu objectivo como pastor-mestre era a salvação dossalvação pecadores e a edificação do corpo de Cristo - ganhar os perdidos e edificar os santos. Mas havia uma premissa errada por detrás deste objectivo. A premissa é que o meu papel é apenas pregar o Evangelho aos perdidos e orar por eles. Depois de serem convertidos e agregados à Igreja a minha operação na sua salvação acabou e eu sou simplesmente um agente de Deus no seu grau relativo de edificação e santificação.

O meu erro consistiu em pensar que apenas a salvação dos perdidos dependia da minha pregação, não a salvação da Igreja.

Durante algum tempo, por isso, pareceu-me estranho que o pastor Puritano pregasse para o seu rebanho como se as suas vidas eternas disso dependessem. Porque é que Richard Sibbes (falecido em 1635), que era conhecido como o "doce conta-gotas", suplicava tão fervorosamente com os santos para "exercitarem a Graça"? A sua resposta: "não são os hábitos de sono, mas é graça em exercício que nos preserva".

Os puritanos acreditavam que a falta de perseverança na obediência da fé resultaria na destruição eterna, não em menor santificação. Portanto, uma vez que a pregação e o ministério pastoral em geral, são um óptimo meio para a perseverança do santos, o objectivo de um pastor não é apenas edificar os santos, mas salvar os santos. O que está em jogo ao Domingo de manhã não é apenas a edificação da igreja, mas a sua salvação eterna. Não é difícil de notar a razão pela qual os puritanos eram tão sérios.

O que Redireccionou a Minha Atenção

Mas não foram nem Sibbes, nem Baxter, nem Boston, nem Edwards e nem Spurgeon que fizeram com que eu mudasse o meu objectivo. Paulo escreveu a Timóteo, "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina: persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem. " (1 Tm 4:16). Os "ouvintes" que Paulo tem em mente não são pessoas de fora da igreja (como nos mostra o versículo 12). A nossa salvação e a salvação dos que nos ouvem, semana após semana, dependerá em grande medida da nossa fiel atenção à santidade pessoal e bom ensino. Mais está em jogo no nosso trabalho do que o maior ou menor progresso na santificação. A salvação dos eleitos está na linha da frente.

Em 2 Timóteo 2:9-10 Paulo relata seu sofrimento no evangelho e diz: "tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna." Quando Paulo diz que sofre pela salvação dos eleitos, ele não quer dizer apenas as pessoas que ainda não são convertidas. Ele afirma em Colossenses 1:24: "Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja". Não só isso, pois no contexto imediato ele diz (2 Tm 2:12.): "Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará". A salvação dos eleitos depende da sua não negação de Cristo e a sua perseverança na fé e obediência.

Dado que o trabalho pastoral de Paulo é um meio de ajudar os eleitos a suportar, assim ele vê todo o seu trabalho como fundamental para sua salvação. Não é de admirar que Paulo gemesse sob "a pressão diária" do seu "cuidado por todas as Igrejas" (2 Coríntios 11:28)?

Naquela bela passagem de 2 Coríntios, onde Paulo ensina que Deus nos conforta para que possamos confortar os outros, ele vai além do conforto e diz: "Se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação" (2 Cor. 1.6). Mais uma vez, é para a salvação dos membros da Igreja que Paulo sofre e labuta.

O Exemplo do Trabalho Salvífico de Paulo

Um exemplo em como o trabalho pastoral de Paulo conduz à salvação dos eleitos é encontrada em 2 Coríntios 7. Os crentes de Corinto haviam caído em pecado. Paulo escreveu-lhes uma carta que os entristeceu profundamente. Mas Paulo regozija-se porque a dor deles produz arrependimento: "Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende" (v. 10).

O que era então o objectivo de Paulo nesta carta pastoral difícil? Era o arrependimento para salvação. As admoestações de Paulo haviam feito com que os crentes vacilantes se moderassem e trabalhassem na "sua própria salvação com temor e tremor" (Fp 2:12) Ele trouxe de volta um pecador extraviado do erro dos seus caminhos e, assim, "salvou sua alma" (Tiago 5:19-20). A vida eterna dos eleitos tem muito a ver com a eficácia dos trabalhos pastorais. Ó, quão sérios devemos ser na atenção dada a nós mesmos e à sã doutrina!

É o trabalho de um pastor o labutar de modo a que nenhum de seus irmãos e irmãs seja destruído. O coração pastoral de Paulo parecia prestes a quebrar quando viu o fracasso do amor na igreja em Roma (Rm. 14:15). Os fortes exibiam a sua liberdade de comer alimentos que, para os fracos, teria sido pecado (v. 14). É espantoso o que Paulo viu em jogo aqui: "Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu" (v. 15)! "Não destruas por causa da comida a obra de Deus."(v. 20)!

A mesma advertência foi dada aos crentes de Corinto que tendiam a exibir sua indiferença para com a carne oferecida aos ídolos. "Mas vede", Paulo disse, "que essa liberdade não seja dalguma maneira escândalo para os fracos .... E pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu" (1 cor. 8:9-11).

A Gravidade da Destruição

Não há nenhuma maneira de enfraquecer a palavra "destruir" (apollumi). O seu oposto é a Salvação, e nada menos, como 1 Coríntios 1:18 e 2 Coríntios 2:15 esclarecem. Se um irmão é destruído, ele está perdido. A referência é a destruição para além da morte, porque Paulo usa o mesmo termo, quando diz: "Se Cristo não ressuscitou, então... também os que dormem [morreram] em Cristo pereceram [foram destruídas - no inferno] "(1 Coríntios. 15:17-18).

O que está em jogo na admoestação pastoral e na pregação não é somente o progresso da igreja na salvação, mas a sua salvação. Mas que erro seria se tirássemos a conclusão: "Vamos, então, apenas pregar mensagens que mostrem o plano simples de salvação, semana após semana." Isto não é, enfaticamente, a maneira de cuidar do rebanho sobre o qual "o Espírito Santo vos constituiu bispos" (Actos -20:28).

Quando Pedro disse: "Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo" (1 Pedro 2:2), ele não quis dizer pela palavra "leite" o que Hebreus 5:12 diz em contraste a carne. Tudo o que ele queria dizer era a fome da Palavra da graça de Deus (1:25) tanto quanto um bebé tem fome de leite. Pois apenas a alimentação pela Palavra pode fazer com que cresças, e só pelo crescimento podes alcançar a salvação final. Uma dieta constante de "mensagens do Evangelho" que não ajudam os santos a sair da infância não só retarda o seu carácter, mas também coloca em risco a sua salvação.

Os Crentes não são Estáticos

Devemos lembrar-nos do seguinte: não há quietude na vida cristã. Ou avançamos em direcção à salvação ou afastamo-nos rumo à destruição. Se não direcionarmos o nosso povo às riquezas inesgotáveis ​​de Cristo revelando-lhes "todo o conselho de Deus" (Actos 20:27), então direcionamo-los às rochas onde podem fazer naufrágio da sua fé (1 Tm. 1:19).

Isto é o que Hebreus 2:1-4 ensina. Há duas possibilidades: dar ouvidos à Palavra do Senhor (v. 1, 3) ou afastarmo-nos dela. Não há como ficar parado no rio da indiferença. A sua corrente leva-nos para as quedas. Portanto, o versículo 3 questiona: " Como escaparemos nós [da justa retribuição de Deus], se não atentarmos para uma tão grande salvação?" Negligenciar a nossa grande salvação significa não dar ouvidos ao que foi revelado pelo Filho (1:2), não colocando a nossa atenção em Jesus (3:1; 12:2).

O resultado será o afastamento da Palavra e, consequentemente, o afastamento da salvação. "Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo" (3:12). "Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim" (3:14). O Filho "veio a ser a causa de eterna salvação para todos os que lhe obedecem [continuar obedecendo-lhe - tempo presente de ação contínua]" (5:9).

Alimentai o Vosso Rebanho

Por isso o caminho para a tua salvação e a dos teus ouvintes (1 Tm. 4:16) não é de impedir o crescimento de teu povo com uma dieta sem carne de "mensagens de salvação." Isto havia enviado os "Hebreus" para trás directamente à destruição (5:11-14). A maneira de salvar os santos é alimentá-los de todas as Escrituras, pois são as Escrituras "que são capazes de instruir-te para a salvação" (2 Tm. 3:15).

Uma palavra final sobre a segurança eterna. É um projecto comunitário. E é por isso que o ministério pastoral é tão sério e a nossa pregação não deve ser brincalhona, mas séria. Nós pregamos deste modo para que os santos possam perseverar na fé para a glória. Nós não pregamos apenas para o seu crescimento, mas porque se eles não crescem, eles perecem. Se és um calvinista (como eu) tu repousas na soberania da Palavra de Cristo: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão-de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão"(João 10:27-28).

Os eleitos amarão a Palavra de Deus, os eleitos vão crescer, os eleitos vão arrepender-se e os eleitos serão certamente salvos (Rm 8:29-30). Mas eles não serão salvos sem o teu ensino. Deus ordenou que haja pastores e mestres, não só com o propósito de edificação, mas também com o propósito de salvação. Ó, que a nossa pregação possa ter o sabor da eternidade. Pois em cada semana a eternidade está em jogo.

por John Piper | Traduzido por: Semperreformanda

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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Lições Fundamentais dos puritanos | Joel Beeke


4 ª Mensagem: [][][][]
Lições Fundamentais dos puritanos
Joel Beeke
Alicerces da Fé Cristã - O Que Torna-me hum Cristão?
Ano: 2012
28 ª Edição da Conferencia Fiel para Pastores e Líderes - Brasil

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Os Puritanos e a Teologia da Vida Piedosa | Josafá Vasconcelos - 8/8


Conferência Teológica "Batalhando pela Fé"
Rev. Josafá Vasconcelos 
Local: Igreja Batista Parquelândia | Ano 2012
Fonte: Escola Teológica Charles Spugeon
Palestras: [][][][][][][][]

Os Puritanos a a Teologia da Vida Piedosa | Josafá Vasconcelos - 7/8


Conferência Teológica "Batalhando pela Fé"
Rev. Josafá Vasconcelos 
Local: Igreja Batista Parquelândia | Ano 2012
Fonte: Escola Teológica Charles Spugeon
Palestras: [][][][][][][][]

Os Puritanos e a Teologia da Vida Piedosa | Josafá Vasconcelos - 6/8


Conferência Teológica "Batalhando pela Fé"
Rev. Josafá Vasconcelos 
Local: Igreja Batista Parquelândia | Ano 2012
Fonte: Escola Teológica Charles Spugeon
Palestras: [][][][][][][][]

Os Puritanos e a Teologia da Vida Piedosa | Josafá Vasconcelos - 5/8


Conferência Teológica "Batalhando pela Fé"
Rev. Josafá Vasconcelos 
Local: Igreja Batista Parquelândia | Ano 2012
Fonte: Escola Teológica Charles Spugeon
Palestras: [][][][][][][][]

Os Puritanos e a Teologia da Vida Piedosa | Josafá Vasconcelos - 4/8


Conferência Teológica "Batalhando pela Fé"
Rev. Josafá Vasconcelos 
Local: Igreja Batista Parquelândia | Ano 2012
Fonte: Escola Teológica Charles Spugeon
Palestras: [][][][][][][][]