sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
O Fruto do Espírito | William Hendriksen
sexta-feira, 3 de janeiro de 2025
Esforce-se para descansar | Jon Bloom
Se a Graça É um Favor Imerecido, Por Que Precisamos Nos esforçar?
O evangelho não é um convite para que nos aproximemos de Jesus e recebamos sua graciosa, inestimável e benevolente dádiva da salvação? Sim:
“Porque pela graça vocês foram salvos por meio da fé. E isso não é obra de vocês, é dom de Deus, não resultado de obras, para que ninguém se glorie.” (Ef. 2:8–9, NVI).
O evangelho não é um convite para que venhamos a Jesus para sermos aliviados dos fardos de nossas almas e recebermos seu incomparável descanso? Sim:
“― Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para a alma. Pois o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” (Mt. 11:28–30).
Então, como podemos conciliar essas declarações maravilhosas e reconfortantes sobre a passividade do evangelho com as seguintes exortações à ação rigorosa e incômoda da santificação?
“― Se alguém quiser vir após mim, negue se a si mesmo, tome a sua cruz e siga me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a própria vida por minha causa a encontrará.” (Mt. 16:24–25).
“Portanto, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês.” (Col. 3:5).
“Ponham em prática a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem produz em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele.” (Filip. 2:12–13).
“Portanto, esforcemo-nos para entrar nesse descanso [de Deus], a fim de que ninguém venha a cair, seguindo aquele exemplo de desobediência [como a da geração de Moisés].” (Heb. 4:11).
“Busquem... a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. Tomem cuidado para que ninguém se afaste da graça de Deus.” (Heb. 12:14–15).
“Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado.” (1 Tim. 6:12).
Como pode o recebimento passivo do “dom indescritível” da graça de Deus (2 Cor. 9:15), que Jesus obteve integralmente para nós por meio de sua obra de redenção (Rom. 3:23-24; Ef. 2:8–9; Gál. 6: 14), a fim de nos libertar de nossas próprias obras sem esperança, para que, pela fé, possamos descansar em Cristo (Mt. 11:28–30; Rom. 11:6; Gál. 3:2–3), exigir nosso ativo “avançando” e “prosseguir[indo] para alcança-lo” (Filip. 3:12–14)?
Se a salvação é um dom gratuito e gracioso de Deus para nós e “não é resultado de [nossas] obras”, por que precisamos “pôr em prática [nossa] salvação”? Será que isso é apenas a Bíblia falando da boca para fora?
Não. Estamos simplesmente nos deparando com uma genialidade de proporções surpreendentes – o projeto paradoxal de nossa redenção. Se o examinarmos com cuidado, veremos a peculiar, autoafirmativa e reveladora glória de Deus neste plano de salvação, um plano que os seres humanos não pensariam em inventar (e que nunca foi inventado em nenhuma religião criada pelo homem).
Genialidade Surpreendente
Gostaria de destacar apenas um aspecto dessa glória. Embora sejamos salvos pela graça incondicional e eletiva de Deus (Ef. 1:4; 2:5), por meio do dom gratuito da fé (Ef. 2:8), as obras que nossa fé produz provam que nossa fé é real (Tg. 2:18). A fé é o dom gratuito da eleição; as obras são a evidência dessa eleição.
É por isso que, por um lado, Jesus diz: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair” (Jo. 6:44) – a dádiva gratuita da eleição – e, por outro lado, ele diz: “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos.” (Jo. 14:15) – a evidência da eleição. Ele une as duas coisas quando diz: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz (eleição), e eu as conheço, e elas me seguem (evidência)” (Jo. 10:27).
A genialidade do projeto de Deus aqui é vista em algumas das parábolas de Jesus. Ele diz que quando a rede do evangelho é lançada no mar do mundo, ela “apanha toda sorte de peixes” (Mt. 13:47), alguns justos e outros maus. A igreja visível é sempre uma pescaria mista, ou sempre tem joio no meio do trigo (Mt. 13:24–30), ou sempre tem bodes no meio das ovelhas (Mt. 25:31–46). O que distingue os eleitos dos outros é sua fé dada por Deus, demonstrada por suas obras dependentes de Deus (Tg. 2:14–26; 1 Jo. 3:10). A fé opera por meio do amor (Gál. 5:6).
Falar é fácil. Jesus disse: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” (Mt. 7:21).
Garanta Sua Escolha
Há muito mais glória a ser vista nesse projeto brilhante e paradoxal, que é o dom gratuito da graça salvadora de Deus, o qual se manifesta por meio de nossa vontade e obras (Filip. 2:13)! Poderíamos explorar como isso mostra a sabedoria e o poder de Deus de maneiras completamente imprevistas para os seres humanos orgulhosos (1 Cor. 1:27–31; 2:8), ou como isso dá testemunho público da realidade e do evangelho de Jesus (Jo. 13:35), ou como isso fortalece nossa fé concedida por Deus, aumenta nossa alegria Nele e nos santifica (Tg. 1:2–4; Heb. 12:11). Mas isso é assunto para outros artigos.
Não há contradição nos convites do evangelho para recebermos passivamente a dádiva gratuita da salvação de Deus e nas exortações do evangelho para que prossigamos para nos apropriarmos dessa dádiva. Nossas obras não são decisivas para nossa salvação. Elas são evidências da obra salvadora de Deus em nós.
E é por isso é dito “empenhem-se ainda mais para consolidar o [nosso] chamado e eleição” (2 Ped. 1:10), trabalhando em nossa salvação com temor e tremor.
sexta-feira, 15 de março de 2024
O DOM DE FICAR SOLTEIRO E PURO | Augustus Nicodemus
Em sua primeira carta aos Coríntios o apóstolo Paulo procura responder várias perguntas que eles haviam enviado sobre temas como alimentos sacrificados aos ídolos e dons espirituais. Entre as perguntas, havia algumas sobre o que seria melhor, casar ou ficar solteiro? Diante das circunstâncias que cercavam a igreja cristã naquela época, entre elas o risco permanente de prisão, tortura e morte por causa do Evangelho, Paulo responde assim:
"Quero que todos os homens sejam tais como também eu sou; no entanto, cada um tem de Deus o seu próprio dom; um, na verdade, de um modo; outro, de outro. E aos solteiros e viúvos digo que lhes seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo. Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado" (1Co 7.7-9).
Eu gostaria de me deter no fato que Paulo se refere aos estados civis de casado ou solteiro como sendo um “dom” da parte de Deus. A palavra que ele usa para “dom” aqui é a mesma que ele usa para se referir aos dons espirituais (veja 1Co 12.4, 9, 28, etc.). Paulo não era casado. Não sabemos ao certo se era solteiro ou viúvo. É possível ainda que ele tinha sido casado, mas que sua esposa o abandonou por pressão da sinagoga após ele se tornar cristão. De qualquer forma, Paulo estava só e até mesmo queria que os cristãos de Corinto seguissem o seu exemplo em não procurar casamento (1Co 7.7). É claro que essa orientação, como já dissemos, se devia ao que Paulo chama de “angustiosa situação presente” (veja 1Co 7.26).
Portanto, não podemos afirmar que, em qualquer situação, ficar solteiro sempre é melhor. Mas podemos afirmar outras coisas.
Primeira, está implícito que ficar solteiro inclui a abstinência sexual. É o que chamamos de celibato: solteiro e puro sexualmente.
Segunda, o celibato deve ser visto como um dom da parte de Deus. Infelizmente, muitos que não casaram se sentem diminuídos e se achando inferior aos outros como se ficar solteiro representasse um fracasso pessoal. Se essas pessoas entenderem o celibato como um dom da parte de Deus, terão uma perspectiva melhor de si mesmas e perceberão, como Paulo diz, que “cada um tem de Deus o seu próprio dom; um, na verdade, de um modo; outro, de outro” (1Co 7.7).
Terceira, se é um dom da parte de Deus, significa que podemos aproveitar o fato de que não somos casados para empregar nosso tempo, que de outra forma teria de ser investido no casamento e criação de filhos, em servir ao Senhor mais intensamente. Paulo vai desenvolver esse argumento mais adiante.
Quarta, se Deus nos conceder o dom do celibato, podemos confiar que ele haverá de suprir as necessidades que estão relacionados ao ficar sem casar, como o necessário controle do impulso sexual. Além disso, os que estão sozinhos precisam encontrar satisfação e contentamento em amizades significativas. Se ficar solteiro é um dom da parte de Deus, podemos confiar que ele haverá de suprir todas essas necessidades.
Por fim, se o celibato é um dom de Deus, não deveríamos pressionar indevidamente os jovens, viúvos e viúvas ou separados a que se casem; e muito menos deveríamos fazer bullying com os jovens adultos que não casaram. Se tiverem oportunidade de se casar, que casem! Casar é uma bênção. Mas nem todos os cristãos irão casar. A igreja e as famílias deveriam entender isso e parar de colocar uma pressão e um estigma na testa dos solteiros adultos e outros que estão sós.
Devemos valorizar o casamento e buscar que os nossos solteiros adultos se casem, mas sempre sabendo que cada um tem de Deus o seu próprio dom. E dessa forma, devemos estar abertos para sugerir aos solteiros adultos a opção do celibato e valorizar igualmente esse dom que vem de Deus.
Augustus Nicodemus
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terça-feira, 10 de outubro de 2023
O Dom de Profecia do Novo Testamento | John Piper
Definição, Teses e Sugestões
Teses
- Ainda é válido e útil para a igreja hoje. Esta é a clara implicação de 1 Coríntios 13:8-12 e Atos 2:17-18.
- É uma expressão solicitada e sustentada pelo Espírito, que tem sua raiz em uma revelação verdadeira (1 Coríntios 14:30), mas é falível porque a percepção da revelação pelo profeta, e seu raciocínio sobre a revelação, e relato da revelação são todos falíveis. É portanto similar ao dom de ensino, o qual é solicitado pelo Espírito, sustentado pelo Espírito, enraizado em uma revelação infalível (a Bíblia), e ainda assim é falível, mas muito útil à igreja.
- Ela não tem uma autoridade equivalente à Escritura, pois a Escritura é verbalmente inspirada, não somente solicitada e sustentada pelo Espírito. As próprias palavras dos autores bíblicos são as palavras de Deus (1 Coríntios 2:13; 2 Timóteo 3:16). Isto não é verdade sobre as palavras que vêm do "dom de profecia."
- O dom de profecia do Novo Testamento é uma "terceira categoria" de expressão profética entre as categorias 1) discurso inspirado verbalmente, intrinsecamente oficial, infalível discurso falado pelos semelhantes de Moisés, Jesus e os apóstolos; e 2) o discurso de falsos profetas falado presunçosamente, sem inspiração e passível de condenação (Deuteronômio 18:20). Essas duas categorias (absolutamente infalível versus falso) não esgotam todo o ensino bíblico sobre profecia.
Definição
A profecia nesta "terceira categoria" (o dom de profecia do Novo Testamento) é, de maneira regulada, uma 1 mensagem ou relato em palavras humanas2geralmente feito aos crentes reunidos3 baseado em uma revelação espontânea, pessoal do Espírito Santo4 com o propósito de edificação, encorajamento, consolo, convicção e direção5 mas não necessariamente livre de uma mistura de erro humano, e portanto necessitado de assistência6 com base no ensinamento apostólico (Bíblico)7 e sabedoria espiritual madura.8
Sugestões Práticas
- Reconhecer a completa soberania de Deus em livremente distribuir dons a quem ele quer (1 Coríntios 12:11; Hebreus 2:4).
- Reconhecer que nem todos se tornarão profetas (1 Coríntios 12:29).
- Desejar seriamente este dom (1 Coríntios 14:1,5,39). Orar por isso (1 Coríntios 14:13).
- Ser grato pelo dons que tem; usá-los ao máximo; alegrar-se no fato de que outros são diferentes de você; e evitar todo ciúme (1 Coríntios 12:14-29).
- Fazer do amor o seu alvo em todas as coisas; compreender que o amor é o grande milagre e o mais seguro sinal da bênção de Deus; crescer mais e mais em direção à maturidade bíblica sólida, estável (1 Coríntios 14:1,12,26,37; 2:14).
- Reunir a coragem para falar com ousadia sobre o que crê (com mais ou menos confiança) pode ser dada a você pelo Senhor em encontros voltados para esta expressão menos estruturada (1 Coríntios 14:26).
- Ter modestas expectativas de que a profecia não será tomada como uma palavra da Escritura, mas como uma palavra humana impelida pelo Espírito, a ser pesada pela Escritura, e por sabedoria espiritual madura. Para uma profecia ser aceita como válida ela deve encontrar um eco nos corações de pessoas espiritualmente maduras. Ela deve ser confirmada por uma compreensão biblicamente saturada. E ela deve encontrar ressonância nos corações e mentes daqueles que têm a mente de Cristo e são dirigidos por sua paz. (1 Tessalonicenses 5:19-21; Colossenses 1:9; 3:15; Efésios 5:15-17; Romanos 12:1-2; Filipenses 1:9-10).
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
sábado, 13 de julho de 2013
Os dons espirituais, dádivas de Deus à igreja | Rev. Hernandes Dias Lopes
Os dons espirituais são uma dádiva de Deus à sua igreja. Dádivas do Pai (1Co 12.6), dádivas do Filho (1Co 12.5) e dádivas do Espírito Santo (1Co 12.7).
Os dons espirituais são uma capacitação especial para o desempenho de um serviço ou ministério. Não há nenhum membro do corpo de Cristo sem dons e nenhum membro do corpo possui todos os dons.
Os dons espirituais não são distribuídos pela igreja, mas pelo Espírito Santo, conforme sua vontade e seus propósitos soberanos (1Co 12.11). O apóstolo Paulo usou quatro verbos-chaves que ilustram a soberania de Deus na distribuição dos dons espirituais. O Espírito Santo distribui (1Co 12.11), Deus dispõe (1Co 12.18), Deus coordena (1Co 12.24) e Deus estabelece (1Co 12.28). Do começo ao fim Deus está no controle. É Deus quem estabelece o corpo e quem coloca cada membro do corpo e distribui cada dom a cada pessoa conforme o seu propósito e soberana vontade. Do começo ao fim Deus está no controle. É isso que Paulo ensina à igreja. O propósito dos dons, portanto, não é para a exaltação de quem o exerce, mas para o serviço aos demais membros do corpo e tudo para a glória de Deus.
Quando Paulo fala da mutualidade do corpo, exorta a igreja sobre quatro questões importantes:
Em primeiro lugar, o perigo do complexo da inferioridade. Paulo escreve: "Se disser o pé: porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixa de o ser" (1Co 12.15,16).
Quando alguém reclama de não ter este ou aquele dom espiritual, está questionando a sabedoria de Deus. Isso é questionar a unidade do corpo. Nenhum membro da igreja deve se comparar nem se contrastar com outro membro da igreja. Você é único. Você é singular no corpo. Deus colocou você no corpo como lhe aprouve.
Em segundo lugar, o perigo do complexo de superioridade. O apóstolo Paulo afirma: "Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós. Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários" (1Co 12.21,22).
A igreja de Deus não tem espaço para disputa de prestígio. A igreja não é uma feira de vaidades. Nenhum membro da igreja pode envaidecer-se pelos dons que recebeu, pois tudo que temos, recebemos de Deus e ninguém pode vangloriar-se por aquilo que recebeu (1Co 4.7).
Em terceiro lugar, a necessidade da mútua cooperação. Paulo ainda prossegue em seu argumento: "Para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros" (1Co 12.25). A igreja é como uma família. Na igreja cada um está buscando meios e formas de cooperar, de ajudar, de abençoar, de enlevar, de edificar a todos.
O propósito do dom é para que não haja divisão no corpo. Você não está competindo nem disputando com ninguém na igreja, mas cooperando.
Em quarto lugar, a necessidade de empatia na alegria e na tristeza. Paulo escreve: "De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam" (1 Co 12.26). A psicologia revela que é mais fácil chorar com os que choram do que se alegrar com os que se alegram. São poucas as pessoas que têm a capacidade de celebrar a vitória do outro. Precisamos aprender a ter empatia, a sofrer com os que sofrem e a nos alegrarmos com os que se alegram.
Não estamos num campeonato dentro da igreja disputando quem é o mais talentoso, o mais dotado, o mais espiritual. Somos uma família, somos um corpo. Devemos celebrar as vitórias uns dos outros e chorar as tristezas uns dos outros.
Rev. Hernandes Dias Lopes