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quinta-feira, 9 de julho de 2020

Uma cura para o esgotamento pastoral | 9Marks

Há alguns anos, eu lhe diria que adorava pregar e pastorear, e que não conseguiria pensar em mais nada que preferisse fazer. Eu também admitiria que não tinha certeza de que poderia fazê-lo por mais dez anos.

Eu não tinha ideia de como alguém poderia fazer isso por mais de vinte anos. Depois li dois livros úteis: Reset de David Murray e Zeal Without Burnout de Christopher Ash. Ambos foram de grande ajuda para me trazer ao lugar em que estou agora.
Mas sem uma rede de irmãos com ideias semelhantes no ministério, não tenho certeza se esses livros teriam sido suficientes para me impedir de chegar ao esgotamento. Esses relacionamentos são vitais para mim, pois busco um ministério longo e frutífero.
No primeiro ano de nossa igreja, pude ter uma ideia de como o isolamento pode piorar ainda mais as cargas e pressões normais do ministério. É como jogar um saco de pedras nas costas em uma jornada já árdua. Eu assisti homens tentando realizar seus ministérios dessa forma por anos. Eles já estão lutando contra o desânimo na velocidade com que a igreja cresce, tanto espiritual quanto numericamente, e isso é ampliado por seus esforços para basicamente construir a igreja em uma ilha deserta.
Eles estão sozinhos e começam a acreditar em mentiras. Eles não conhecem ninguém que compartilhe suas convicções filosóficas sobre o ministério – ninguém para compartilhar suas alegrias ou andar com eles em suas lutas. Eles não têm ninguém para erguer os olhos de seu próprio ministério e lembrá-los do trabalho maior que Deus está fazendo em seu reino.
Como alguém pode perseverar em um ministério assim? Bem, muitas vezes não conseguem. E aqui está o porquê.

Você precisa regularmente de um lembrete bíblico sobre o trabalho do ministério.

O apóstolo Paulo teve que lembrar aos coríntios que a mensagem da cruz é loucura e escândalo para os que estão perecendo (1Co 1.18, 23). O evangelho só faz sentido para aqueles que o discernem espiritualmente.
Mas não devemos esquecer que Paulo sente a necessidade de lembrar a igreja disso. Por quê? Porque eles estavam sendo atraídos pelo mesmo tipo de valores pragmáticos compartilhados pelo mundo (2Co 11). Os pastores são propensos a fazer a mesma coisa, especialmente quando parece que o evangelho não tem poder e o trabalho está indo mais devagar do que pensamos que deveria.
Sem uma rede de pastores que pensam da mesma forma, esquecemos os princípios bíblicos que nos entusiasmaram sobre o ministério, e mais facilmente nos voltamos para métodos pragmáticos que atraíram multidões em outros ministérios. Mas construir relacionamentos fortes com outros pastores que pensam da mesma maneira nos lembrará que há mais descanso e poder em um ministério completamente dependente do Senhor (2Co 12. 9).

Você precisa tirar o “chapéu de pastor” regularmente com um amigo por alguns minutos.

C.S. Lewis disse que a amizade nasce no momento em que um homem diz para o outro: “O que! Você também”? Nós pastores podemos encontrar boas e piedosas amizades com muitos em nossa própria igreja, mas há uma responsabilidade única que carregamos por esses mesmos amigos. Sempre “estar” como pastor pode ser cansativo – e se sua esposa é a única que permite que você tire seu chapéu de pastor por um minuto, então você a esgotará. (E a igreja não a chamou para ser mais um presbítero).
Mas em uma rede de pastores com os mesmos pensamentos, encontramos o apoio e o incentivo de que precisamos para continuar fazendo o que estamos fazendo. Há algo que dá vida ao sentar-se com um amigo que pode simpatizar com suas lutas e compartilhar suas alegrias como apenas um pastor de suas ovelhas. De fato, às vezes precisamos deles para nos pastorear. 
Às vezes, precisamos pastoreá-los. Amizades com outros pastores fazem parte da maneira como Deus cuida de nós e nos dá descanso espiritual (Pv 17.17).

Você precisa se sentir parte de algo maior que sua própria igreja.

Provavelmente, há muitas coisas em sua igreja a serem incentivadas. Mas, se esperamos ter um papel em alcançar o mundo e apenas observar o que está acontecendo dentro de sua própria igreja, o ministério parecerá algo como correr em uma esteira. Você está gastando muita energia, mas na verdade não está indo a lugar algum.
Quando você mantém o foco apenas no que sua igreja pode fazer, ou deve fazer ou não está fazendo, você desenvolve um tipo de visão de túnel que o impede de ver o que acontece no reino de Deus como um todo. Mas ao fazer parte de uma rede maior de igrejas que buscam cumprir a Grande Comissão juntas, você amplia sua perspectiva. Cristo está construindo sua igreja hoje, e você faz parte desse trabalho.
Como pastores, devemos nos preocupar com o que está acontecendo em todo o mundo e com o que está acontecendo no púlpito ao lado. Essa preocupação nos ajudará a combater o desgaste. Isso nos manterá longe de um foco doentio em nosso próprio ministério, ao mesmo tempo em que abre nossos olhos para sermos encorajados pelo que Deus está fazendo no trabalho mais amplo do qual fazemos parte. Além disso, uma preocupação ampliada sobre como o cristianismo está se saindo fora dos muros de sua igreja levará necessariamente ao tipo de relacionamento descrito acima.

Conclusão

Se você está lendo isso como pastor e precisa de amigos, envie um e-mail para outro pastor em sua região e peça que ele leia esse artigo com você. Talvez isso comece uma amizade que dê vida a vocês dois.
Aqui estão algumas outras ideias: 
  1. Envolva-se mais com sua associação. 
  2. Reúna regularmente um pequeno grupo de pastores, se você ainda não o faz. 
  3. Se você é um membro da igreja que está lendo isso, certifique-se de que seu pastor seja incentivado a ter amizades dentro e fora da igreja. 
  4. Ajude sua igreja a avaliar o ministério que ele tem com outros pastores – talvez reservando dinheiro no orçamento para isso. Isso não será apenas vital para sua própria igreja, mas também para o corpo maior de Cristo.


Tradução: Paulo Reiss Junior.
Revisão: Filipe Castelo Branco.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Quais os Benefícios de um Pastor Transmitir Autoridade para a Igreja? | Jonathan Leeman [Parte 2/2]

Como distribuir autoridade molda a cultura de uma igreja

Quando o líder “no topo” é caracterizado por generosamente dar autoridade a seusimages presbíteros leigos e outros na igreja, ele molda a cultura da igreja de maneiras maravilhosas.

1. Ajuda a manter o evangelho no ponto mais alto. Distribuir autoridade concentra os olhos da igreja em seus propósitos no evangelho ao invés de no líder.

2. Promove relacionamentos “reais”. Em um ambiente onde a autoridade é guardada de maneira egoísta, relacionamentos são caracterizados por política e estratégia. Todos ficam em guarda, vulnerabilidades não são expostas e a transparência diminui. Mas quando as pessoas se sentem autorizadas, é mais provável que elas sejam abertas e honestas.

3. Evita que a igreja seja tribalista. Um homem que continuamente distribui autoridade ensina àqueles à sua volta que ele está mais interessado no sucesso do evangelho, independente de quem está liderando (veja Fp 1.12 em diante).

4. Encoraja os membros a compartilharem recursos. Quando eu vejo que o líder não pensa primeiro em si mesmo, eu também fico inclinado a dar aos outros.

5. Destrói hierarquias sociais naturais. Nossa igreja é cheia de pessoas com empregos “impressionantes”, o tipo que cria hierarquias sociais. Então é surpreendente que os membros interajam como iguais. Por quê? Porque o evangelho é mantido no centro. Todos somos pecadores salvos pela graça. E também, Mark não usa sua posição para ficar mandando nos outros. Ele cria um padrão.

6. Cultiva confiança. Quando eu vejo que o líder não pensa primeiro em si mesmo, é mais fácil confiar em seus motivos, mesmo quando ele está me pedindo para fazer um sacrifício.

7. Cultiva a possibilidade de ensino e a disposição para receber críticas. Novamente, se eu confio no homem, eu me torno mais disposto a ouvir suas críticas dirigidas a mim. Eu confio que elas estão enraizadas no amor ao invés de estarem enraizadas na superioridade.

8. Promove disposição de perdoar. Quando o líder é pronto a perdoar os erros dos outros, ele estará mais disposto a confiar autoridade aos outros. Como resultado, isso ajuda os outros a fazerem o mesmo.

9. Encoraja a igreja a ter uma mente de treinamento. Uma igreja que vê o pastor continuamente trabalhando para treinar e delegar a outros terá dificuldade de não capturar a visão e compartilhá-la. Eles verão todos os frutos.

10. Ajuda uma igreja a ser concentrada no exterior. O processo de levantar e enviar líderes ajuda a igreja a perceber que seu objetivo não é apenas tornar nossa própria casa o melhor possível, mas ajudar outras casas a se tornarem mais felizes e saudáveis também.

Ao mesmo tempo, delegar pode ser feito de maneira pobre ou preguiçosa. É necessário sabedoria para delegar bem. Eu já ouvi Mark dizer que ele assume que Deus deu a todos algum instrumento para tocar na orquestra, e parte de seu trabalho é ajudar as pessoas a descobrir qual é o seu instrumento.

A pergunta fala direto à postura do coração: nós estamos felizes em ver outros ganharem autoridade ou nós a guardamos com egoísmo, com medo de que outra pessoa possa nos ultrapassar? Se a resposta for a primeira, o que estamos fazendo para espalhar autoridade?

Por: Jonathan Leeman

Fonte: Editora Fiel / Ministério Fiel

Quais os Benefícios de um Pastor Transmitir Autoridade para a Igreja? | Jonathan Leeman [Parte 1/2]

imagesAo longo dos anos, Mark Dever, pastor sênior da Capitol Hill Baptist Church em Washington, D.C., já teve muitas oportunidades de acumular autoridade, algumas das quais ele mantém, muitas das quais ele distribui. E o jeito de ele distribuir autoridade moldou a cultura de nossa igreja de incontáveis maneiras.

Aqui estão 20 maneiras através das quais ele distribui autoridade, seguidas por 10 maneiras que isso molda a cultura de nossa igreja. Algumas se aplicam apenas a pastores presidentes; muitas se aplicam a todos nós.

Maneiras de se distribuir autoridade

1. Construa a igreja sobre o evangelho. Não importa quem está ensinando, o evangelho deve estar na frente e no centro. Mark estabeleceu esse padrão. Quando relacionamentos e estruturas de poder estão fundamentados no evangelho, as pessoas usam sua autoridade não para mandarem umas nas outras, mas para servirem umas às outras (Mt 20.25-28).

2. Estabeleça uma pluralidade de presbíteros do quadro de funcionários e de fora do quadro de funcionários. Em um conselho composto exclusivamente de presbíteros do quadro de funcionários, cada homem pode possuir um voto, mas a estrutura de funcionários impõe uma hierarquia. Adicionar presbíteros de fora do quadro de funcionários ao conselho quebra e nivela essa hierarquia.

3. Limite a porcentagem de pregações do pastor principal. Mark, de acordo com os presbíteros, limita-se a pregar de 50 a 65% das manhãs de domingo. Dessa maneira, outras vozes têm a chance de crescer e ganhar autoridade. Assim, a congregação depende mais da palavra do que de um homem.

4. Crie muitas outras oportunidades para ensinar. Nossa igreja possui cerca de 80 oportunidades de ensino para a EBD de adultos ao longo do ano (cada oportunidade consiste em uma turma de 7 a 13 semanas), assim como 52 chances de pregar num devocional de domingo à noite, e também 24 chances de ensinar no estudo bíblico da noite de quarta-feira. Somando, há cerca de 150 chances para outros homens lecionarem à congregação, e eu nem mencionei os pequenos grupos. Quando homens provam ser proficientes no ensino, eles acumulam autoridade.

5. Raramente (ou nunca) pregue no culto da noite de domingo. Mark nunca prega em nosso culto domingo à noite. Ao invés disso, a igreja ouve a Palavra de um presbítero ou um aspirante a presbítero.

6. Dê a seus jovens professores a chance de cometerem erros. Posso pensar em uma ou duas situações onde o professor ou pregador disse algo tão inapropriado que ele não foi chamado para ensinar novamente. Mas falando em geral, jovens professores têm muita margem em nossa igreja para serem tediosos e cometerem erros. Visto que a igreja depende mais da Palavra do que de Mark, ela tem muita paciência com os jovens rapazes.

7. Deixe outros roubarem as duas ideias. Mark livremente deixa outros professores dentro da igreja adaptar suas anedotas, tomar suas melhores falas e imitar suas mensagens.

8. Esteja disposto a perder votos dos presbíteros. Já ouvi falar de outros pastores sêniores que “nunca perdem votos”. Quando este é o caso, você quase pode também se livrar de seus presbíteros. Isso é minar a liderança deles!

9. Seja tardio em falar e fale com moderação em reuniões de presbitério. Três vezes por ano, os presbíteros recebem determinado número de pastores de outras igrejas para observar nossas reuniões. Tais pastores frequentemente mencionam a sua surpresa sobre o quão pouco Mark fala, e o quão dispostos são os outros presbíteros de discordarem dele.

10. Não seja o presidente das reuniões de presbitério ou assembleias. Dar a outro homem a chance de ser o presidente que define as pautas e lidera a reunião é uma maneira fácil de distribuir autoridade.

11. Deixe outros presbíteros falarem à congregação sobre questões difíceis nas assembleias. Quando se trata de falar à igreja sobre casos de disciplina, grandes decisões financeiras ou outros tópicos difíceis, o presbítero que está mais envolvido pode ser o melhor para falar à igreja publicamente.

12. Use uma “comissão de convites”. Se você é um pastor que recebe convites regulares para falar fora da igreja, use uma comissão de funcionários e/ou presbíteros para ajudá-lo a analisar tais convites. E esteja disposto a deixá-los guiar e até mesmo determinar a decisão.

13. Seja devotado a uma coisa na igreja e dê liberdade em todo o resto. Mark é grandemente devotado a preparar sermões e deixa todo o resto mais aberto. Então se você quer ver a igreja fazendo mais em uma área, ele deixa você fazer e mantém as próprias mãos longe. Esse processo “revela” outros líderes naturais.

14. Não microgerencie. Há poucas áreas que Mark microgerencia, como se certificar de que sua equipe está presente nas reuniões e nos cultos no horário. Mas em quase todo o resto, ele deixa livre a rédea. Microgerência não apenas esgota um líder, mas também mina a iniciativa de outros.

15. Reveja os cultos semanais. Separar um tempo na agenda semanal da liderança de uma igreja para dar e receber feedback quanto aos cultos de domingo ensina os homens a avaliar, pensar e amar melhor a congregação. Isso cresce nele como líderes. E ainda...

16. Esteja disposto a receber críticas. Mark define o exemplo convidando a crítica. Isso dá a outros aspirantes a líderes espaço para abrir suas asas. Se você nunca convida a crítica, você está ensinando a todos à sua volta que eles devem se conformar com suas preferências ou serem punidos. Líderes não crescem nesse tipo de ambiente. Eles tendem a desaparecer.

17. Convide presbíteros leigos para dar feedback sobre os cultos. Mark não exige que os presbíteros leigos compareçam à reunião de revisão de culto semanal, mas sempre os convida a comparecer e dar feedback.

18. Ore por outras igrejas e outras denominações. Orar publicamente por outras igrejas e denominações ajuda a derrotar o tribalismo e nos concentra no evangelho ao invés de focar no líder da igreja. Essa oração ainda gera mais iniciativa piedosa entre outros líderes em casulo na igreja.

19. Seja pronto a perdoar. Mark é uma das pessoas mais prontas para perdoar que eu conheço. Alternativamente, é difícil para um localizador-de-falha distribuir autoridade. Se você só vê as falhas, você não confia. Mas se você é pronto a perdoar, você acha mais fácil confiar e delegar a outros.

20. Alegre-se nas vitórias de outros. Você tem que ser aquele que faz a cesta, ou fica feliz em fazer a assistência? Mark se alegra nas vitórias dos outros tanto quanto nas dele mesmo. Se outra pessoa pode fazer o trabalho, ele prefere que ela faça. Isso o deixa livre para fazer outra coisa.

Por: Jonathan Leeman

Fonte: Editora Fiel / Ministério Fiel

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Pastoreando os Indolentes | Owen Strachan

negligencia-indolenciaÉ um lugar-comum: o jovem seminarista inicia seu primeiro pastorado. Ele está preparado para sofrer, transbordando de convicção teológica, desejoso de amar as pessoas. Ele está pronto a encontrar o diabo no campo de batalha. Os sermões do ano inteiro estão planejados. Ele está sonhando alto, orando muito e pronto para começar.

Então, ele se depara com torpor. Indiferença. Preguiça espiritual.

Em sua autobiografia The Pastor [N.T.: publicado no Brasil com o título Memórias de um Pastor], Eugene Peterson reflete sobre isso. Em seus primeiros dias, a igreja que ele plantava produziu “uns poucos santos maduros que sabiam como orar e ouvir e perseverar”, mas também “um considerável número de pessoas que praticamente só frequentavam os cultos” (128). Eles eram “os indiferentes”, e havia muitos deles.

Em tal situação, ao encarar a letargia espiritual em uma congregação, o que um pastor deveria fazer?

Diagnosticando o Problema

Primeiro, ele deveria pensar cuidadosamente, e não reflexivamente, acerca dos fatores que podem estar contribuindo para essa triste situação. Aqui estão alguns dos principais.

Uma Cultura de Baixas Expectativas

Muitos leitores do 9Marks estão familiarizados com o que aconteceu no evangelicalismo americano no final do século XIX e início do século XX. Por várias razões, muitas igrejas aderiram a um modelo mais pragmático, empresarial e voltado para o consumidor. Esse modelo era bom em atrair as pessoas, mas não em engajá-las.

Adivinha? Se você trata as pessoas como consumidoras, é assim que elas agirão. Se você as recruta para serem espectadoras, é isso que elas serão. É assim que um bom número de frequentadores de igreja americanos se encontra hoje.

Uma Fraca Membresia de Igreja

Seguindo de perto o ponto anterior, muitos caras da metade para o fim do século XX de fato aderiram a igrejas. A explosão evangélica do pós-guerra – narrada na vindoura biografia de Billy Graham, por Grant Wacker, e em obras seminais como Revive Us Again(Oxford, 1997), de Joel Carpenter – conduziu a um enorme aumento na frequência e na membresia das igrejas nos anos 1950.  Todavia, a cultura de igreja mencionada anteriormente fez com que muitas pessoas não estivessem treinadas para ver a sua lealdade congregacional como algo significativo ou, eu ousaria dizer, custoso.

Em um bom número de comunidades, você se filiava ao Kiwanis Club, ao Rotary, à Junior League e a uma igreja. Não é que a participação na igreja fosse um ritual vazio; um bom número de caras foi genuinamente convertido nesse período. Porém, muitos membros de igreja não foram treinados para pensar na igreja como a “verdadeira cultura”, como Stanley Hauerwas defendeu, mas, ao invés disso, como parte da cultura em sentido mais amplo.

A Pecaminosidade Natural do Homem

Os dois pontos anteriores são o que poderíamos chamar de “problemas legados”. Essas são realidades que moldaram muitas das igrejas existentes nas quais os pastores entram hoje. Mas há também problemas menos culturais e mais nativos que inclinam os caras das igrejas para a passividade e a preguiça.

O nosso movimento evangélico moderno, particularmente o ramo do amor gracioso (do qual eu sou um participante entusiasmado), possui uma tendência de tomar um texto bíblico, talvez um ancorado na misericórdia de Deus mas com algumas arestas pontiagudas, e então suavizar tudo. Fazer dele um evangelho diluído.

Com efeito, nós deveríamos ler toda a Escritura com lentes teológicas, e com Cristo no centro. Mas, se não estivermos em sintonia com a real ênfase e estilo dos autores bíblicos (e não com um malfeito e descuidado pastiche de sua obra), passagens como Tito 1.10-16 podem soar muito ásperas aos nossos ouvidos modernos:

Porque existem muitos insubordinados, palradores frívolos e enganadores, especialmente os da circuncisão. É preciso fazê-los calar, porque andam pervertendo casas inteiras, ensinando o que não devem, por torpe ganância. Foi mesmo, dentre eles, um seu profeta, que disse: Cretenses, sempre mentirosos, feras terríveis, ventres preguiçosos. Tal testemunho é exato. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sadios na fé e não se ocupem com fábulas judaicas, nem com mandamentos de homens desviados da verdade. Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas. No tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras; é por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra.

Paulo conhecia as glórias da graça em primeira mão e, contudo, ele poderosamente condena a cultura de preguiça que havia em Creta. Ele não se deteve. Ele deixou claro que havia naquela região tendências para a indolência. Ele também deixou claro que a preguiça e o fracasso em seguir o Senhor de todo o coração e em engajar-se na missão de Deus são pecados vergonhosos. Tais comportamentos são também perigosos, pois a passividade indolente deixa as pessoas vulneráveis ao falso ensino, particularmente o ensino orientado para o lucro egoísta.

Fatores Invisíveis:

Desencorajamento, Dor, Necessidade de Investimento

Indolência espiritual é um pecado. Esse é o nosso ponto de partida para lidarmos com ela. Além dessa verdade, contudo, quais são alguns possíveis problemas que se põem como obstáculos ao envolvimento significativo da igreja?

  • Uma cultura de liderança áspera ou opressora pode haver ferido membros frágeis.
  • Os modelos não bíblicos para a vida da igreja mencionados acima podem haver genuinamente convencido as pessoas de que elas devem gastar pouca energia na igreja. E se as pessoas gastam pouca energia na igreja, elas dificilmente agirão com ousadia piedosa em outras áreas da vida.
  • Alguns caras podem ter um desejo de se envolver na obra do evangelho na igreja local, mas não têm a menor ideia de por onde começar. Eles precisam ser mentoreados e discipulados. Em muitas igrejas, se você perguntar aos membros sobre quantos deles foram pessoalmente treinados por um líder de igreja em qualquer momento de sua membresia – alguns estão lá por décadas –, eu aposto que o número de respostas negativas iria chocar muitos de nós.
  • De modo similar, algumas pessoas precisam de encorajamento. Elas genuinamente (e erradamente) não acham que possam servir a igreja.
  • Alguns caras vêm de tradições que corretamente respeitam a liderança da igreja, mas erradamente obscurecem o “sacerdócio de todos os santos”. Eles pensam que apenas o clero pode servir ao Senhor.

Fonte: Ministério Fiel

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Não Faça Isso! Por que Você não Deveria Praticar a Disciplina Eclesiástica | Mark Dever

A_Desmoralização_da_Disciplina_Eclesiástica"Não faça isso". Essa é a primeira coisa que eu digo aos pastores quando eles descobrem que a disciplina eclesiástica está na Bíblia. Eu digo: "Não faça isso, pelo menos não agora". Por que esse conselho?

Vamos pensar no que acontece no processo de descoberta. Quando pastores ouvem pela primeira vez sobre disciplina eclesiástica, eles frequentemente acham que a ideia é ridícula. Ela soa desamorosa, contra-evangelística, estranha, controladora, legalista e condenatória. Ela certamente parece impraticável. Eles chegam a questionar se é ilegal.

Eles abrem suas Bíblias

Então, quando ninguém mais está olhando, eles se voltam para suas Bíblias. Eles chegam a passagens como 2Tessalonicenses 3.6, ou Gálatas 6.1, ou o texto clássico sobre disciplina - 1Coríntios 5. Eles consideram o pano de fundo da excomunhão no Antigo Testamento, e se recordam de que Deus sempre intencionou que o seu povo fosse uma imagem da sua própria santidade (Dt 17.7; Lv 19.2; Is 52.11; 1Pe 1.16).

Então, de algum modo, eles se voltam para o ensino do próprio Jesus e descobrem que, no mesmo capítulo em que Jesus condena o julgamento condenatório (ver Mt 7.1), ele também alerta os discípulos a se acautelarem dos falsos profetas e daqueles que reivindicam segui-lo, mas não obedecem à sua Palavra (Mt 7.15-20; 21-23). Finalmente, vem Mateus 18, quando Jesus instrui seus seguidores a excluir o pecador impenitente em certas situações (Mt 18.17). Talvez as igrejas devessem praticar a disciplina?

O que finalmente põe esses pastores outrora legais, bem-quistos e populares em crise é a sua descoberta de que algumas igrejas, de fato, praticam a disciplina eclesiástica. Não igrejas estranhas e desajustadas, mas igrejas felizes, crescentes, grandes e orientadas pela graça, tais como a Grace Community em Sun Valley, Califórnia, ou a Tenth Presbyterian em Filadélfia, ou a First Baptist em Durham, Carolina do Norte, ou a Village Church nos arredores de Dallas.

Agora esses pastores estão em apuros. Eles percebem que precisam ser obedientes. Eles se sentem impelidos pela imagem bíblica de uma igreja santa, amorosa e unida, uma igreja que reflete o único, santo, amoroso Deus. Eles entendem que a sua falha em praticar a disciplina fere a sua igreja e o seu testemunho ao mundo.

É nesse ponto que uma resolução obstinada frequentemente parece ser feita. "Eu farei minha congregação ser bíblica dessa maneira, mesmo que seja a última coisa que eu faça!" E, com muita frequência, é mesmo.

Como um raio em um limpo céu azul

Na vida mansa e pacata de uma congregação inocente e que crê na Bíblia, os relâmpagos da disciplina eclesiástica são assustadores! Eles podem vir em um sermão. Ou em uma conversa entre o pastor e um diácono. Ou em uma proposta precipitada na reunião de membros. Mas em algum lugar eles caem, geralmente acompanhados por grande zelo e uma enxurrada de citações escriturísticas.

  • Então, a atitude sincera é tomada.
  • Então, a resposta vem: mal-entendidos e sentimentos feridos.

Contra-ataques são feitos. O pecado é atacado e defendido. Nomes são chamados. O amargor abunda! A sinfonia da congregação local se transforma em uma cacofonia de argumentos e acusações. As pessoas clamam: "Onde isso vai parar?!" e "Então você acha que é perfeito?".

Disciplina eclesiástica: Não faça isso! Pelo menos não agora

O que o pastor deveria fazer? Meu conselho seria: "Não se coloque precipitadamente numa situação como essa. Uma vez que você tenha descoberto que a disciplina eclesiástica corretiva é bíblica, abstenha-se de praticá-la por um momento." (A disciplina eclesiástica é tanto corretiva quanto formativa; esta última corresponde à obra da igreja de ensinar ou formar cristãos.)

Talvez a este ponto você esteja pensando: "Mark, você está nos dizendo para desobedecermos a Bíblia?!".

Na verdade, não. Eu estou tentando ajudá-lo a agir como Jesus instruiu seus discípulos a fazerem (ver Lc 14.25-33): calcular o custo antes de começar. Tenha certeza de que sua congregação entende de modo satisfatório e aceita esse ensino bíblico. Sua meta não é aceitação imediata seguida por uma explosão, mas, em vez disso, uma congregação sendo reformada pela Palavra de Deus. Você quer que eles caminhem na direção correta. E isso exige apascentamento paciente.

Como pastorear a sua igreja para a disciplina

Primeiro, encorage a humildade. Ajude as pessoas a verem que elas podem estar enganadas acerca de sua própria condição espiritual. Considere o exemplo daquele homem em 1Coríntios 5, bem como a exortação mais ampla de Paulo aos cristãos coríntios em 2Coríntios 13.5. Paulo nos desafia a examinarmos a nós mesmos, a fim de sabermos se estamos na fé. Os membros de sua igreja reconhecem que eles devem ajudar uns aos outros a fazerem isso?

Segundo, certifique-se de que sua congregação tem um entendimento bíblico da membresia da igreja. As pessoas não entendem a disciplina porque elas não entendem a membresia. A membresia é um relacionamento congregacional. Não é criado, sustentado nem terminado meramente pela vontade de um indivíduo; um indivíduo não pode tornar-se membro de uma igreja unilateralmente, sem o consentimento da congregação. Do mesmo modo, um indivíduo não pode continuar na membresia, ou deixar a membresia de uma congregação em particular sem a aprovação explícita ou implícita da congregação (exceto em caso de morte). Isso é prolixo, mas o que eu estou basicamente dizendo é que é uma atribuição da igreja decidir quem são os seus membros. E os membros não podem simplesmente sair quando estão em pecado impenitente. (Ver o artigo de Jonathan Leeman, The Preemptive Resignation—A Get Out of Jail Free Card?, para uma discussão mais profunda deste assunto.)

Essa visão da membresia, entretanto, deve primeiro ser apresentada positivamente. Entenda o que a Bíblia ensina sobre membresia de igreja. Certifique-se de que você mesmo esteja familiarizado com diversos aspectos cruciais e passagens as quais você possa lembrar aos membros quando eles perguntarem. Busque oportunidades em seus sermões para ensinar sobre a distinção entre a igreja e o mundo, e como essa distinção é importante para a natureza e a missão da igreja. Ajude a sua congregação a construir uma imagem do plano de Deus para a sua igreja tal que os contornos da disciplina começarão a ficar visíveis pela sua ausência na prática da igreja. Lembre-se de que os membros devem entender a membresia e a disciplina, pois são eles que as executarão.

Terceiro, ore para que Deus o ajude a ser um modelo de ministério a outros cristãos na sua igreja, tanto por meio do seu ensino público como pelo seu trabalho em particular com famílias e indivíduos. Trabalhe para criar uma "cultura de discipulado" e de acompanhamento mútuo em sua igreja, na qual os cristãos entendam que um elemento básico de seguir a Jesus é ajudar outros a seguir a Jesus (tanto por meio do evangelismo quanto do discipulado de outros cristãos). Ajude-os a entenderem as resposabilidades especiais que eles têm para com os demais membros da sua congregação em particular. Ensine-os que a vida cristã é pessoal, mas não particular.

Quarto, prepare a constituição escrita e o pacto de membresia de sua congregação. Consulte o artigo de Ken Sande para obter alguns conselhos jurídicos gerais. Comece a ensinar "classes pré-membresia", nas quais questões sobre membresia e disciplina sejam explicitamente ensinadas.

Quinto, e por último, nunca se canse de ensinar o que significa ser cristão no seu ministério do púlpito. Defina regularmente o evangelho e a conversão. Ensine explicitamente que uma igreja é designada para ser composta de pecadores arrependidos que confiam em Cristo somente e que apresentam profissões críveis dessa confiança. Ore para que você seja centrado no evangelho. Resolva que, com o auxílio de Deus, você irá conduzir sua congregação à mudança, lenta mas obstinadamente. Ore para que, em vez de serem uma igreja em que é estranho perguntar às pessoas como elas estão espiritualmente, vocês se tornarão uma igreja em que começaria a parecer estranho se ninguém perguntasse sobre a sua vida.

Você saberá que é o momento quando...

Você saberá que a sua congregação está pronta a praticar a disciplina eclesiástica quando:

  • Os seus líderes a entendem, consentem e reconhecem a sua importância (uma liderança madura compartilhada entre uma pluralidade de presbíteros é a mais consistente com a Escritura e é muito útil para liderar uma igreja em meio a discussões potencialmente explosivas);
  • A sua congregação está unida no entendimento de que tal disciplina é bíblica;
  • A sua membresia consiste amplamente de pessoas que ouvem regularmente os seus sermões;
  • Surge um caso particularmente claro no qual os seus membros reconhecem, com razoável unidade, que a excomunhão é a atitude correta (por exemplo, excomunhão por adultério é mais provável de obter o consentimento de seus membros do que excomunhão por falta de frequência aos cultos).

Então, meu amigo pastor, embora você talvez um dia tenha achado que a ideia da disciplina eclesiástica era ridícula, eu oro para que Deus o ajude a liderar a sua congregação de modo a ver que a disciplina é um amoroso, provocativo, atraente, distinto, respeitoso e gracioso ato de obediência e misericórdia, e que ela ajuda a construir uma igreja que traz glória a Deus.

Mas lembre-se: no momento em que você se convencer de que disciplina eclesiástica é bíblico, o seu primeiro passo a dar em uma congregação estabelecida é, provavelmente, não começar a praticar a disciplina, para que, um dia, você possa fazê-lo.

Por: Mark Dever

Fonte: Editora Fiel & 9Marks

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

domingo, 11 de agosto de 2013

A Igreja é o Evangelho Tornado Visível | Mark Dever


Numa era onde muitos negam a importância da igreja local, Mark Dever mostra que é através dela que o Evangelho se torna visível ao mundo. Usando a estrutura Deus, Homem, Cristo, Resposta, que ele propõe em seu livro Nove Marcas de Uma Igreja Saudável, ele demonstra como a igreja local revela cada ponto ao homem.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Falsas Conversões: O Suicídio da Igreja | Mark Dever

Nesta pregação completa, Mark Dever fala sobre o perigo das falsas conversões, mostrando quatro problemas que elas geram, cinco verdades que devemos lidar com cuidado para não gerar falsos convertidos e algumas sugestões práticas.

Fonte: Editora Fiel

terça-feira, 5 de março de 2013

Pregando para as mulheres que trabalham no Lar | Bari Nichols

dia a diaOs pastores devem tratar as mulheres na congregação como uma família. Essa parece ser a lição de 1 Timóteo 5:02 : ". Trate ... as mulheres mais velhas como mães, e as mulheres mais jovens como irmãs" Mas Deus diz como devem pregar para as mulheres?

Na verdade, ele faz. Três passagens das Escrituras, em particular se destacam por sua instruções sobre como pregar para mulheres, especialmente sobre o seu trabalho em casa. Eles encorajam os pastores a se lembrar de pelo menos três coisas quando elas estão pregando a suas mães e irmãs em Cristo: lembre-se sua maldição, lembre-se de seu contexto, e lembre-se de sua cultura.

Ao considerar estes três pontos, o que eu ofereço como observações de uma irmã, meu objetivo não é fornecer-lhe todos os aplicativos disponíveis. Embora eu oferecer algumas sugestões práticas, ainda mais do que isso, espero dar-lhe três janelas para a vida e os corações de mulheres que trabalham na casa, para que você possa pregar qualquer passagem para nós "de uma forma o entendimento" ( 1 Ped. 03:07 ).

LEMBRE-SE nossa maldição

Primeiro, lembre-se maldição suas irmãs. No jardim, Deus colocou uma maldição sobre convocação de Eva: "Vou aumentar muito suas dores de parto; com dor você dará à luz filhos. Seu desejo será para o teu marido, e ele te dominará "( Gênesis 3:16 ).

Estas relações são o coração do trabalho da mulher em casa. As mulheres de hoje ainda lutam com o desejo de usurpar a liderança do seu marido, e ainda sofrem dor e problemas na gravidez. Considere como Pedro leva esta maldição em conta por falar diretamente com as mulheres sobre sua relação com seus maridos:

Mulheres, da mesma forma que ser submissas a vossos maridos ... sua beleza não deve estar nos enfeites exteriores ... em vez disso, deve ser a de seu eu interior, a beleza imperecível de um espírito manso e tranqüilo ... esta é a maneira como as mulheres santas do passado, que colocavam sua esperança em Deus usaram para tornar-sem belas ... você são suas filhas, se você fizer o que é certo e não dará lugar ao medo. ( 1 Ped. 3:1-6 )

Aqui Pedro exorta as mulheres a cultivar um espírito manso e tranqüilo, não um, dominador e manipulador, como elas vivem sob a liderança de seu marido. E ele incentiva as mulheres a não dar lugar ao medo, mas confiar em Deus como elas seguem o seu marido. Ao fazer isso, as mulheres apresentam o evangelho. Como você pode seguir o exemplo de Pedro? Algumas sugestões para pregar em diferentes partes das Escrituras:

Primeiro, quando a pregação do Antigo Testamento, considere destacando as "santas mulheres do passado", como você prega através da história de Israel. Como eram as mulheres, seus bons exemplos (ou não) de colocar a sua esperança em Deus, como eram submissas à seus maridos? Será que eles ajudam a seus maridos seguir a Deus, ou eles os levam para longe dele, como a mulher cananéia e esposas de Salomão? Incentive as mulheres a trazer todos os seus problemas para Deus, se do medo sobre a saúde de seus filhos ou futuro, ou ansiedade sobre a segurança financeira de sua casa, ou qualquer outra coisa.

Segundo, quando você estiver na literatura de sabedoria, ajude as mulheres a considerar se sua atitude de atrai elogios de seus maridos ( Prov. 31:28 ) ou dirigir seus maridos a querer viver no telhado ( Prov. 21:09 ). Eles estão amando os filhos fielmente discipliná-los ( Prov 29:15. ; 31:26 )?

Terceiro, quando você está pregando no Novo Testamento, exorte as mulheres para ir a Jesus com o cansaço e as lutas, e não tentar fugir da maldição e escapar para romances, exercício, ou compras. Incentive-as a considerar como suas vidas diárias estão sendo transformados pelo Evangelho. Por exemplo, se você está pregando em Tiago, como é o seu discurso? Estão usando-o fielmente para edificar e ajudar os seus maridos e suavemente, pacientemente instruir seus filhos, ou elas usam seu discurso pecaminosamente para expressar críticas ou raiva?

LEMBRE-SE NOSSO CONTEXTO

Em seguida, lembrar o nosso contexto da família. Considere como Paulo fornece instruções sobre o ensino de mulheres:

Assim, as viúvas mais jovens I aconselhar a se casar, ter filhos, para gerenciar suas casas e dar ao inimigo nenhuma oportunidade por calúnia. ( 1 Tm 5:14. )

Ensine as mulheres mais velhas a serem reverentes na sua maneira de viver, a não ser maldizentes ou  dadas a muito vinho, mas para ensinar o que é bom. Então, eles podem treinar as mulheres mais jovens a amarem seus maridos e filhos, a serem prudentes e puras, a serem ocupadas em casa, para serem gentils, e serem sujeitas a seus maridos, para que ninguém vai a palavra maligna de Deus . ( Tit. 2:3-5 )

A partir desses textos, podemos ver que é importante considerar se está pregando para as mulheres mais velhas ou mulheres mais jovens. Nem todas as mulheres estão na mesma estação de vida e, portanto, suas famílias não parecem todos iguais. Também é importante lembrar que o Deus principal responsabilidade nos deu é para os nossos maridos e filhos, e da entidade primária, que deve receber o foco do nosso trabalho e onde trabalhamos a nossa salvação é a nossa casa. Este é o nosso contexto.

Considere se as suas aplicações sermão construir as mulheres mais jovens em seu contexto ou pregar-los de fora. Por exemplo, se você apresentar fidelidade cristã como ir em viagens missionárias, discipulando oito pessoas, e se engajar no evangelismo de rua semanal, você pode estar pregando mulheres mais jovens fora do seu contexto. A mãe de quatro crianças pequenas geralmente não têm a flexibilidade de realizar essas atividades excelentes. Uma mulher mais velha, no entanto, pode. Em vez disso, conversar com as mulheres mais jovens sobre como elas podem ser a construção do Reino de Deus no contexto Deus lhes deu. Como? Mais uma vez, eu oferecer algumas sugestões para a pregação de diferentes partes da Bíblia.

Desde o Antigo Testamento: Considere apontando como Deus é ajudante de Israel, e que ele tem dado suas mulheres o mesmo papel na vida de seu marido. Como eles podem crescer nesse papel? Ajude-os a considerar o que eles podem aprender sobre a sua mãe, pois consideram a fidelidade de Deus para com o seu filho regularmente rebeldes, o povo de Israel. Suas mães podem se relacionar com Moisés quando ele disse a Deus: "O que eu vou fazer com essas pessoas?" ( Ex. 17:05 ).

Do Novo Testamento: Encoraje as suas mulheres a considerar como eles podem usar as suas casas para alcançar as nações, talvez por hospedagem de estudantes que visitam, missionários internacional ou para uma refeição . Enquanto eles consideram seu evangelismo, exortar suas mulheres para pensar nas oportunidades que têm com os vizinhos, os pais da equipe de futebol, e os trabalhadores do varejo. Também: Eles estão fazendo tudo que podem para fazer discípulos de seus próprios filhos, mesmo que eles se lembrar que só Deus salva?

Pergunte-lhes: "Como é o evangelho transformando o seu trabalho em casa?" E ajudá-los a considerar a questão à luz do texto bíblico. Por exemplo, se você está em 1 Pedro, incentivar suas mulheres a buscar a santidade em suas próprias vidas e gerenciar as suas famílias para a santidade.

  • Quais os tipos de livros e mídia são permitidas as crianças?
  • Qual é o tom da conversa na casa? E a família à viver uma "vida boa" entre os pagãos, para que "vejam as suas boas obras e glorifiquem a Deus" ( 1 Ped. 2:12 )?
  • Geralmente, exortar as mulheres a serem "bem conhecido por [suas] boas ações, como a educação dos filhos, mostrando a hospitalidade, lavar os pés dos santos, socorrer os atribulados e dedicar[-se] para todos os tipos de boas obras" ( 1 Tm. 5:10 ).

Além disso, pregar ao nosso contexto na casa por exortar a abraçá-lo. Incentive as mulheres mais jovens a obedecer o conselho de Paulo para se casar, ter filhos, e gerenciar suas casas, o que é contracultural a muitas mulheres na casa dos vinte anos. Incentive seus mulheres mais velhas a obedecer o conselho de Paulo em Tito 2 para instruir as mulheres mais jovens nestes trabalhos. Exortá-las todas a trabalhar com excelência, lembrando que é o Cristo Senhor que estão servindo ( Colossenses 3:24 ).

LEMBRE-SE A NOSSA CULTURA

Finalmente, lembre-se nossa cultura. Tenha em mente o ar cultural suas mulheres estão respirando e como ele pode poluir seus corações.

Que o ar está cheio de idéias, como as apresentadas por Hanna Rosin O Fim dos Homens: E a ascensão das mulheres , a ponto de que é em grande parte capturado no título. A nossa cultura diz às mulheres para encontrar o valor, identidade, utilidade e recompensa na carreira. Ele diz que estamos a desperdiçar os nossos dons e as nossas vidas, aplicando-as principalmente para a vida familiar. E mesmo as mulheres cristãs estão comprando essa mensagem, especialmente as mulheres mais jovens.

Ao escrever a Timóteo, Paulo compreende cultura feminina em Éfeso. Embora seus comentários não são sobre a família, ainda podemos tirar uma lição de como ele aborda o coração das mulheres. Ele fala diretamente com a cultura de moda de Éfeso e como ele tentado mulheres:

Eu também quero que as mulheres se vistam modestamente, com decência e sobriedade, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos custosos, mas com boas ações apropriadas para as mulheres que professam adorar a Deus. ( 1 Tm. 2:9-10 )

Paulo viu que esta cultura incentivou as mulheres a se vestir para exercer poder sobre os homens por induzi-los. A nossa cultura faz o mesmo, e ele empurra as mulheres para assumir as funções próprias dos homens.

Lembre as mulheres casadas do que está em jogo no trabalho que escolher: o Evangelho! Cristo e da Igreja não são intercambiáveis. Incentive-as de que, quando eles se abraçam seu papel auxiliar, são imagens a relação da Igreja com Cristo ( Ef. 5:22-24 ). Incentive as mulheres que, quando eles se propagarem ambição mundana para servir a sua família, estão entregando suas vidas de uma forma muito concreta de seguir a Cristo e exibir a sua humildade (Fp 2). Incentive-as de que elas estão trabalhando para a recompensa eterna Cristo tem para elas ( Col. 3:24 ).

Portanto, irmãos, como você prega para seus pastores e mulheres que estão trabalhando em casa, lembre-se a nossa maldição, o nosso contexto e nossa cultura. Ao fazer isso, você vai levar o evangelho para suportar a Deus um bom trabalho nos deu, para a sua glória.

Bari Nichols é uma mulher, mãe de quatro filhos, e, como ela e seu marido Andrew carinhosamente dizer, Chief Operating Officer da Nichols, Inc. (a sua casa). Ela é membro da Igreja Batista Capitol Hill, em Washington, DC.

Março 2013
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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

9 Fases na Vida de Uma Igreja | Mark Driscoll


Há muitas fases na vida de uma igreja. Saber em que fase a sua igreja está é crucial à saúde e à longevidade dela e, o mais importante, ao progresso futuro do evangelho.
As seguintes nove fases da vida de uma igreja procedem de minhas observações na implantação da Mars Hill Church e na assistência a centenas de outras implantações de igrejas por meio do ministério Atos 29.

1. Gestação
Nesta fase, uma visão é plantada. Deus chama um líder (ou líderes) para começar uma nova igreja e esclarece os detalhes da visão. Um grupo inicial de pessoas é reunido, um local de reuniões é provido, alguns ministérios começam a se formar, e recursos financeiros são obtidos.

2. Nascimento
Durante esta fase, a igreja deixa de ser um conceito e se torna uma realidade. Ela se abre para convidar a comunidade mais ampla e focaliza sua atenção em evangelização, crescimento e implementação de novos sistemas, estabelecendo novos líderes.

3. Infância
Infância é o período de tempo em que a frequência à igreja se torna um tipo de padrão estabelecido, planos de longo prazo se iniciam, novos programas são acrescentados, e estruturas administrativas se desenvolvem, a fim de se prepararem para crescimento numérico e envolvimento na missão da igreja.

4. Adolescência
Nesta fase, membros da igreja começam a assumir posições de maior liderança, o governo da igreja começa a se formar, a frequência à igreja e a contribuição financeira começam a aumentar.

5. Maturidade
Quando uma igreja começa a amadurecer, o número de líderes é aumentado, a igreja ganha a confiança de que agora tem estabilidade suficiente, o governo e a liderança da igreja são solidificados, a frequência à igreja e a contribuição financeira se tornam mais fortes. A igreja é agora independente, governa-se a si mesma e financia-se a si mesma. É também comum que igrejas nesta fase comprem suas próprias acomodações.

6. Paternidade
Paternidade é o tempo quando a igreja está pronta para reproduzir-se por dar liderança e recursos financeiros para o início de outro ciclo de implantação de igreja. Isto resulta no surgimento de uma nova congregação. Neste caso, o fato singular é que a igreja patrona da implantação da nova igreja tem um interesse permanente em orar por e ser responsável pelo novo trabalho, visto que tem-se sacrificado por ele.

7. Descendência
Esta época da vida de uma igreja ocorre quando ela já implantou tantas igrejas que começa a ver igrejas implantadas de terceira e quarta geração.

8. Morte
Quando uma igreja não é saudável, ela morre. Uma igreja não é saudável quando ela deixa de experimentar crescimento nas conversões ou deixa de atrair líderes jovens. Nesta altura, os membros da igreja se deparam com um dilema crítico. Primeiro, podem negar a morte iminente da igreja, vender seus bens para prolongar sua morte, redefinir sua missão para proteger sua morte ou apenas sobreviverem enquanto a igreja morre lenta e dolorosamente, reescrevendo os melhores anos de sua história para sentirem-se significantes e bem-sucedidos. Segundo: podem tomar sua morte iminente como uma oportunidade para ressurgir.

9. Ressurreição
Nesta fase, os membros de uma igreja sabem que ela está morrendo ou, pelo menos, não é tão saudável e frutífera como deveria ser e decidem, humildemente, encerrar a sua organização e reimplantar a igreja. Reimplantações são feitas normalmente pela contratação de um novo pastor empreendedor para começar com os bens existentes e com a liberdade de acabar programas, excluir pessoas problemáticas e decidir o que fazer com suas instalações. Doar as instalações e os bens para um plantador de igreja ou para uma igreja que está crescendo é outra opção. Igrejas que têm esta humildade e sabedoria devem ser estimadas como igrejas-modelos pela maioria das igrejas que não se desenvolvem ou estão em declínio e precisam ter uma visão para a um futuro frutífero e fiel.
  • Em que fase está a sua igreja?
Tradução: Francisco Wellington Ferreira
Fonte: Editora Fiel

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Juntos para quê? | Mark Dever

Bob, um calouro na universidade, se convenceu da doutrina da eleição e passou a ter um forte desejo de convencer as demais pessoas. Ele encontra-se no primeiro “estágio de empolgação e hiper-atividade” do calvinismo.

Imagine as conversas dele com seus amigos, com seus colegas da faculdade, com as pessoas na igreja.
Tudo se torna uma ilustração da soberania de Deus. Bob não quer falar de outra coisa, e se você discordar dele, é melhor ter cuidado!

A pergunta que fica para você e para mim é a seguinte: quando ensinamos a verdade às pessoas, nós o fazemos com orgulho e arrogância condescendentes — sabemos de algo que elas não sabem? Ou ensinamos com a humildade de um mendigo dividindo seu pão com outro?
Transigir é ruim. Cooperar é bom. Mas, como diferenciar uma coisa da outra? Quais são as principais posições doutrinárias pelas quais precisamos lutar? E, dentre as demais posições, a respeito de quais podemos discordar com tolerância e amor?

Gostaria de refletir sobre como é possível encorajarmos uns ao outros a defender a verdade com humildade fazendo seis perguntas:

  1. Seguimos ordens de purificar ou de conciliar?
  2. Quais são algumas das lutas que os cristãos habitualmente têm?
  3. Qual é o propósito específico da cooperação?
  4. Sobre o quê os cristãos devem concordar? (princípios essenciais)
  5. Sobre o quê os cristãos podem discordar? (princípios não-essenciais)
  6. Como os cristãos podem discordar apropriadamente?
1. SEGUIMOS ORDENS DE PURIFICAR OU DE CONCILIAR?

Em primeiro lugar, seguimos ordens de purificar ou de conciliar?

O problema básico

Creio que a maioria dos cristãos reconhece um problema com o qual nos deparamos: vivemos num mundo caído onde a verdade nem sempre é bem-vinda. O que é verdadeiro não é necessariamente igual ao que é popular.
Assim como o D. Martyn Lloyd-Jones disse: “Houve períodos na história quando a preservação da própria vida da igreja dependeu da capacidade e prontidão de grandes líderes ao diferenciar a verdade do erro e ousadamente defender o que é bom e rejeitar o que é falso. Entretanto, nossa geração não gosta de nada que seja assim. Ela é contra qualquer demarcação clara e precisa da verdade e do erro.” (D. Martyn Lloyd-Jones, Mantendo a Fé Evangélica Hoje [São Paulo: PES])

Não deveríamos nos surpreender com épocas como a nossa, quando as pessoas se opõem a distinguir a verdade do erro. Em sua última carta, Paulo adverte: “Haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2Tm 4.3-4).

Será que Paulo estava simplesmente paranóico – concentrado demais em idéias sobre a verdade? Acho que não. O Senhor Jesus ensina que estejamos de sobreaviso. Foi Ele que ensinou: “Surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos. Estai vós de sobreaviso” (Mc 13.22-23).

Como ficamos de sobreaviso? Devemos admitir que todos tendemos a aceitar demais (menosprezando assim o chamado de Deus para sermos puros e subestimando sua verdade) ou restringir demais (desprezando assim a generosidade do amor de Deus e os surpreendentes exemplos de sua obra).

Você percebe como isso acontece? Ao colocar a Palavra de Deus contra si mesma; ao colocar um aspecto do caráter de Deus contra outro – digamos, sua santidade contra seu amor – na verdade nos confundimos e machucamos as pessoas. Em vez disso, o que deveríamos fazer é crescer em nosso conhecimento da Palavra de Deus e de nosso próprio coração. Então estaremos mais sintonizados com a sua verdade conforme Ele a tem revelado — tanto no que se refere ao seu chamado para a santidade quanto no chamado para o amor.

A verdade e a humildade não deveriam ser inimigas. Na verdade, elas são grandes amigas e o crescimento real em uma delas deveria conduzir ao crescimento na outra. Contudo, muito frequentemente nos tornamos uma caricatura de nossas inclinações. Ou nos tornamos pessoas que buscam conciliar ou que buscam a purificar.

As pessoas que buscam conciliar

As pessoas que buscam conciliar amam capítulos da Bíblia como João 17. Elas percebem claramente que nossa união com Deus em Cristo, e que nosso amor uns pelos outros demonstram o amor de Deus por nós (como Jesus ensinou em João 13.34-35). Elas amam os textos bíblicos sobre o amor:

  • “Completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa” (Fp 2.2);
  • “Pensem concordemente, no Senhor” (Fp 4.2);
  • “Que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer” (1Co 1.10);
  • “Que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor” (Cl 2.2).
Nas últimas décadas temos visto muitos movimentos conciliadores entre cristãos professos. Há o velho ecumenismo liberal — “vamos juntar todas as denominações”. Há os ministérios para-eclesiásticos que reúnem pessoas de igrejas diferentes a fim de compartilhar o evangelho — desde Billy Graham até a Cruzada Estudantil. Há o movimento carismático que tem ajudado a produzir companheirismo entre igrejas que se encontravam afastadas havia muito tempo, e recentemente tem acontecido o que podemos chamar de Great Traditionalism, o qual se alicerça num “antigo denominador comum”. Vemos isso na atual moda de alguns evangélicos que usam métodos e coisas associadas ao catolicismo romano e à ortodoxia oriental como auxílio para a piedade.

A multidão conciliadora veste camisetas com mensagens do tipo: “a doutrina divide”, “o amor une” ou “missões unem”. Foi desse grupo que surgiu um bispo que disse, não muito tempo atrás, o seguinte: “a heresia é melhor do que a divisão”. Esses minimalistas doutrinários desejam “nenhum credo, exceto Cristo; e nenhuma lei, exceto o amor”.

As pessoas que buscam purificar

As pessoas que buscam purificar são o oposto das que buscam conciliar. Elas desejam pureza na doutrina e na vida. Desejam pureza em nossas igrejas, em nossas escolas cristãs e em nossos seminários. Essas pessoas levam a sério o mandamento bíblico de separar-se. Elas conhecem bem 2João 1: “Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más” (vv.10-11).

Ou a advertência de João em sua primeira carta: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (4.1).
Há também as advertências de Paulo: “Que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebestes” (2Ts 3.6).

E também: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?... Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor” (2Co 6.14,17).

Adicione a esses textos, aquele que trata da disciplina na igreja, 1Coríntios 5, por exemplo, assim como a ordem de Judas: “Me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Jd 3).

Aqueles que batalham pela fé são os fundamentalistas e menonitas conservadores entre nós. Esses irmãos e irmãs são mais prontos a batalhar do que a conciliar.

Se você está tentado a citar para essas pessoas o que Jesus disse em Mateus 7.1 — “Não julgueis, para que não sejais julgados.” — você deveria olhar um pouco mais abaixo, na mesma página, para o versículo 15 do mesmo capítulo, onde Jesus ensinou: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (7.15). E, é claro, foi Jesus, em Mateus 18, que ordenou que a igreja expulsasse de seu meio os pecadores que não se arrependem!

As pessoas que buscam a pureza parecem ter o ministério profético da correção, assim como os puritanos foram estereotipados. Talvez os sapatos deles fossem apertados demais e os aborrecessem. Essa forma de lidar com as coisas pode se assemelhar com a atitude: “Atire primeiro e pergunte depois”.

Conforme refletimos sobre essas pessoas — aquelas que buscam conciliar e aquelas que buscam purificar — a pergunta que queremos fazer a nós mesmos é: como conseguimos o melhor delas? Como extrair o desejo bíblico pela conciliação e transigência assim como pela verdade e santidade?

2. QUAIS SÃO ALGUMAS DAS LUTAS QUE OS CRISTÃOS HABITUALMENTE TÊM?

Agora, consideremos outra questão: quais são algumas das lutas que os cristãos habitualmente têm?

Há muitas lutas dentre as quais podemos selecionar algumas. Devemos orar pelos mortos? A Reforma Protestante terminou? Devemos apoiar grandes encontros evangelísticos que encaminham para a igreja mais próxima aqueles que se apresentam como convertidos? O quarto mandamento, a respeito do sábado, se aplica aos dias de hoje? Devemos cantar hinos ou cânticos? Órgãos ou guitarras? Deus elege aqueles que Ele prevê que crerão ou simplesmente elege? Ainda há dons sobrenaturais? Ainda se profetiza hoje? As igrejas deveriam aceitar de volta ao seu meio cristãos arrependidos que negaram a Cristo em tempos de perseguição? As igrejas devem ser lideradas por sacerdotes, por um único pastor ou por um bispo que estivesse à frente de todas as igrejas da cidade? Qual é o efeito do batismo? Quem deve ser batizado? Quem deve batizar? Como deveriam batizar? O batismo deve preceder a membresia? A Bíblia é a única autoridade da igreja? Ela é suficiente? É inerrante? Na Bíblia há papéis específicos para homens e mulheres, os quais devemos cumprir hoje? As mulheres podem liderar igrejas? Qual é o salário apropriado para um pastor? Os cristãos devem pagar o dízimo para sua igreja local? As crianças devem assistir ao culto da manhã? Os cristãos devem mandar seus filhos para escolas cristãs, para escolas públicas ou devem ensiná-los em casa? Os pastores devem usar roupas que os distingam dos membros da igreja? As programações da igreja devem incluir apresentações musicais? As igrejas devem contratar músicos descrentes para tocar em nossos cultos? Devemos crer antes de fazer parte da igreja ou fazer parte da igreja antes de crer? Ajudar os pobres é uma parte necessária da evangelização?

Suponha que você estivesse no meio de uma discordância assim com outros líderes ou membros de sua igreja. O que você deveria fazer? Eu partiria para a próxima pergunta, a número 3.

3. QUAL É O PROPÓSITO ESPECÍFICO DA COOPERAÇÃO?

A importância do propósito

Qual é o propósito específico pelo qual você pensa em cooperar com outros cristãos? O tipo de cooperação que almejamos determina quanta concordância de opinião é necessária. Posso ser amigo de alguém com quem não casaria. Posso comprar algo para uma pessoa que eu não contrataria. Posso orar com alguém que pertence a uma igreja à qual não me juntaria. Posso ler o livro de um autor de quem discordo. Posso crer que alguém trabalharia bem em algumas coisas e em outras não.

Quando se trata de questões religiosas devemos considerar qual é o propósito da concordância de opinião que é proposta. É para o propósito da salvação? É para pertencer à mesma igreja? É para participar da mesma conferência ou trabalhar junto no mesmo projeto? Qual é a circunstância, a necessidade, o propósito da cooperação?

É possível que as circunstâncias sejam importantes

Ao longo destas linhas os cristãos têm descoberto que as circunstâncias da ocasião importam. Se uma pessoa vive num lugar onde os cristãos são perseguidos, há mais motivação para cooperar. É possível que seja pequeno o número de cristãos e que haja poucas ocasiões para ter comunhão. Cristãos nessas circunstâncias podem encontrar muito mais encorajamento em compartilhar e usar os dons de trinta pessoas do que na atitude de seis ou sete pessoas estabelecerem suas próprias assembléias separadas umas das outras. Circunstâncias assim têm levado muitos cristãos a trabalhar com pessoas de outras denominações de forma mais comprometida do que se estivessem em países livres. Em outras palavras, é mais provável que batistas e presbiterianos se reunissem com mais regularidade em Riad, na Arábia Saudita, do que em Raleigh, na Carolina do Norte!

Assim como os cristãos na América cada vez mais tornam-se parte de uma “minoria cognitiva” — um grupo cujo pensamento se diferencia da cultura da maioria — é possível que também estejamos nos tornando mais conscientes do que os cristãos de gerações anteriores a respeito dos atributos que temos em comum com outros cristãos.

Além disso, tipos diferentes de cooperação requerem níveis diferentes de concordância de opinião. Há mais exigências para ser membro de uma igreja do que para planejar uma campanha evangelista. O nível de harmonia necessário entre companheiros que plantam igrejas é maior do que o nível necessário para irmãos que iniciam reuniões bíblicas na faculdade. Em outras palavras, podemos reconhecer outras pessoas como cristãs ainda que não consideremos sábio plantar uma igreja com elas.

Conferências e eventos esporádicos podem ser bem-sucedidos com menos concordância ainda, e traduções da Bíblia, talvez, com ainda menos. (Imagino que tradutores bíblicos podem concordar em assuntos de tradução mesmo quando discordam sobre o conteúdo do evangelho.) E, é claro, cristãos podem praticar co-beligerância com descrentes em algumas questões públicas envolvendo padrões legislativos e morais.

Credos e confissões de fé

Por toda a história da igreja, cristãos têm escrito credos como o Credo dos Apóstolos e o Credo Niceno, a fim de declarar claramente quais são as crenças que mantêm em comum. Confissões de fé como a de Westminster ou a de New Hampshire têm a mesma finalidade. É assim também com as declarações de fé de igrejas individuais e ministérios para-eclesiais. Tais credos, confissões e declarações expressam o nível básico de concordância necessária para buscar um alvo em comum.

4. SOBRE O QUÊ OS CRISTÃOS DEVEM CONCORDAR?

Então, eis a pergunta de um milhão de dólares: sobre o quê os cristãos devem concordar?
Essa é uma pergunta difícil e devemos ser muito cuidadosos. Não queremos ser como o adolescente que pergunta: “Até onde posso ir com minha namorada?”, o que significa dizer: “Como posso me dar bem?” Em nosso caso, não estamos perguntando “qual é a menor coisa em que eu preciso crer e ainda ser considerado um cristão?” O verdadeiro crente vê crescer dentro de si o desejo de buscar a verdade de Deus em cada assunto onde Ele se revelou em sua Palavra.

A doutrina dos apóstolos

Para começar, a comunhão somente pode ser compartilhada com aqueles que compartilham a fé cristã, ou seja, aquele ensino que articula o que os crentes crêem. Em Atos 2.42, Lucas descreve a comunhão entre os primeiros cristãos dizendo: “Perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão...” Observe que Lucas diz que eles compartilhavam da doutrina dos apóstolos antes de falar da comunhão.

Escolhas doutrinárias que destroem e amaldiçoam são chamadas “heresias”. A palavra “heresia” vem da palavra grega para “escolha”, e embora estejamos acostumados a usar a palavra “escolha” em contextos positivos, o apóstolo Pedro mostrou como ela pode ser usada exatamente com o sentido contrário: “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição” (2Pe 2.1). Uma heresia ou escolha doutrinária é uma renúncia da regra de fé aceita. Ortodoxia, por outro lado, é o ensino correto da Palavra de Deus.
Como estamos observando a cooperação com outros crentes, queremos nos certificar de que estamos compartilhando o ensino dos apóstolos e não heresias destrutivas.

Não há um acordo sobre alguma lista de erros que deveriam ser chamados heréticos, e provavelmente é inútil fazer referência a todos os erros como “heresias”. Uma atitude assim apenas aumenta o furor sem trazer luz alguma para um diálogo. Nem todos os erros são do mesmo tipo. Na verdade, é perigoso tratar todos os erros como se fossem do mesmo tipo. Uma compreensão errada do ser membro de uma igreja é menos importante do que um equívoco quanto à pessoa de Jesus Cristo! Alguns erros devem ser corrigidos, outros podem ser tolerados por toda a vida.

A determinação dos erros que podem ser tolerados e daqueles que requerem separação demanda que compreendamos a importância da doutrina em que as divergências ocorrem, e até dos dias em que uma doutrina em particular está em discussão. Assim como alguns órgãos são mais importantes do que outros, assim, algumas doutrinas são mais centrais que outras. Nossa compreensão da obra de Cristo na cruz é mais importante que a nossa opinião a respeito do sábado, assim como nosso coração é mais importante do que nosso apêndice. Um ser humano pode sobreviver à retirada de seu dente de siso ou de seu apêndice, mas não de seu coração!

Como aprender

Como ter conhecimento das coisas com as quais devemos concordar? Deixe-me sugerir três maneiras: por meio da Bíblia, de nossa igreja e de nossa consciência.

Aprendemos a verdade fundamentalmente, suprema, finalmente e principalmente por meio da Bíblia; ela é a Palavra de Deus escrita. Estude a sua Bíblia. Conheça bem a Palavra de Deus. Cresça sempre em sua compreensão e em seu amor por ela. Leia o salmo 119 durante um mês naquele momento do dia em que as coisas estão mais calmas a fim de meditar e crescer em seu reconhecimento do grande presente que a Palavra de Deus é para nós.

Mas não é a intenção de Deus que sejamos órfãos na terra, que sejamos autodidatas, nem pessoas que agem por conta própria ou centradas em si mesmas. Deus nos chamou para pertencer a igrejas locais, que ensinam a Bíblia corretamente e que são repletas de pessoas cujas vidas mostram o fruto de seu Espírito. O bom ensino deve produzir bons frutos. Os presbíteros em nossas igrejas devem ser aptos a nos ensinar a Palavra de Deus, o que significa que é nossa obrigação nos submetermos a eles e ao seu ensino. Quando os professores ensinam como devem, os cristãos, juntos, numa igreja, têm uma compreensão clara do evangelho que os salvou. (Paulo toma por certo, em Gálatas 1.8-9 que esse seria o caso.) Enfim, é dever da igreja local definir aquilo com o que devemos concordar para sermos cristãos e membros de tal congregação.

Também aprendemos por meio de nossa consciência. Todos têm uma consciência. Na Queda, a consciência foi radicalmente prejudicada, mas esse importante aspecto da imagem moral de Deus não foi eliminado de nosso caráter. Todos têm um senso inerente do certo e do errado. Mas esse senso é inerente e não infalível. Hoje, muitas pessoas vêem seu senso moral interior como seu próprio e único deus interior, mas a consciência deve ser corrigida, treinada e ensinada e é nossa obrigação fazer isso de acordo com as Escrituras.

Clareza e concordância de opinião

Como saber se uma doutrina é importante e se vale a pena buscar uma concordância de opinião a respeito dela? Eis vários testes para responder a essa pergunta:

  • Quão clara é a doutrina nas Escrituras?
  • Quão claramente outras pessoas pensam que ela é de acordo com as Escrituras? (Especialmente aqueles que você respeita e em quem confia como professores da Palavra.)
  • Quão próxima a doutrina (ou suas implicações) está do evangelho em si?
  • Quais seriam os efeitos práticos e doutrinários de permitirmos a divergência nessa área?
O povo de Deus sempre reconheceu que tanto a ação de sintetizar quanto a de ensinar o ponto central da verdade é importante. Então, Deus deu ao seu povo uma síntese de sua lei nos Dez Mandamentos (Ex. 20). Em Deuteronômio 6, Moisés providenciou outra síntese sobre como o povo deveria instruir seus filhos. E os cristãos, desde os primeiros tempos do cristianismo, têm usado as sínteses fornecidas pelos catecismos a fim de preparar pessoas para o batismo — foi assim que originalmente fizeram uso do Credo dos Apóstolos. No século V, o pai da igreja Vincent de Lérins disse que deveríamos crer naquilo que foi crido sempre, em toda parte e por todos.

Notícias corretas, opiniões corretas

Uma das melhores palavras para cristão é “evangélico”. Um “evangélico” é uma pessoa definida por certas notícias específicas. “Boas-notícias” é o que significa evangelho. Jesus disse no Evangelho de João que uma crença ou uma percepção correta sobre sua identidade é necessária para alguém ter vida a eterna; do contrário, as pessoas morrem em seus pecados (Jo 8.24).

Do mesmo modo, Paulo nos diz exatamente em que os cristãos devem se manter firmes — o que é de suma importância:

“Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E apareceu a Cefas e, depois, aos doze” (1Co 15.1-5).

Você se sente desconfortável priorizando algumas verdades e outras não? Aparentemente Paulo não se sentia.

Você está seguro em seu entendimento de que deve crer em certas coisas a fim de ser um cristão? Paulo estava: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm 10.9).

Paulo insistiu com os romanos especificamente para que mantivessem o ensino que já haviam recebido (ver Rm 16.17). Com os Gálatas também: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl 1.8; cf. Ef 4.14).

Ele fez referência às “palavras da fé” (1Tm 4.6) e encorajou Timóteo a aplicar-se “ao ensino” (1Tm 4.13).
Paulo adverte que “se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende” (1Tm 6.3-4). É por isso que as heresias podem ser tão destrutivas, porque conhecer e crer, na verdade, é necessário para nossa salvação (ver 2Pe 2.1).

De fato, o apóstolo João ensinou: “Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro” (1Jo 4.6). João também diz:

“Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo. Acautelai-vos, para não perderdes aquilo que temos realizado com esforço, mas para receberdes completo galardão. Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa [significando, conforme creio, a igreja local], nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más” (2Jo 1.7-11).

Judas se refere aos homens ímpios “que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (Jd 4).

Na carta de Jesus à igreja em Pérgamo, Jesus chama ao arrependimento aqueles que seguiam uma doutrina em particular — a doutrina dos nicolaítas (Ap 2.15).

Você percebe quão frequentemente a impiedade e a falsidade andam juntas? Nós, cristãos, somos aqueles cujo entendimento e cuja vida são modelados pelas boas-novas de Jesus Cristo! É por isso que Paulo escreve para a igreja em Corinto: “Não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais” (1Co 5.11).

Pedro citou Levítico para lembrar aos cristãos que “segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.15-16).

Por toda a Bíblia, Deus declara que seu povo não deve adorar deuses falsos, nem viver devotado a eles. João conclui sua primeira epístola escrevendo: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1Jo 5.21). Creio que os ídolos dos quais ele está falando são os falsos deuses, o Cristo que não é Deus encarnado, ou um cristo que tolera a imoralidade ou a falta de amor.

Somos justificados somente pela fé, mas uma fé justificadora produz cristãos que parecem mais e mais com o Deus que eles adoram.

Acredite que Deus é um só

Então, sobre o que os cristãos devem concordar? Eu diria que os cristãos devem concordar sobre Deus, a Bíblia e o Evangelho.

Em primeiro lugar, devemos crer que Deus é um só. Ele é trino — Pai, Filho e Espírito Santo. Ele não foi criado, sua existência é independente de qualquer coisa. Ele é moralmente perfeito. Ele é caracterizado por um amor santo. Ele é nosso soberano criador e juiz. É nele que somos chamados a crer (Nm 14.11). Como o Senhor diz ao seu povo, em Isaías:

“Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, o meu servo a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que sou eu mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. Eu, eu sou o SENHOR, e fora de mim não há salvador” (Is 43.10-11).

Também lemos em Atos 16 que a família do carcereiro de Filipos se alegrou “por terem crido em Deus” (At 16.34).

E lemos em Hebreus 11.6: “Sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe...”

Esta crença essencial em Deus é o sincero reconhecimento de um fato. Mas também é mais que isso. Tiago nos diz: “Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios crêem e tremem” (Tg 2.19). Uma fé salvífica em Deus nos transforma progressivamente num reflexo de seu caráter. Assim, João escreve: “O amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (1Jo 4.7-8).

Acredite que a Bíblia é a verdade de Deus

Em segundo lugar, devemos crer que a Bíblia é o meio de conhecermos a verdade sobre Deus. As Escrituras são a revelação de Deus sobre si mesmo e, portanto, possui autoridade em nossa vida e em nosso ensino. O versículo que antecede aquele que acabamos de citar diz: “Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro” (1Jo 4.6).

As palavras de João parecem combinar com o que Jesus ensinou em João 10.4 — que as ovelhas conhecem a voz do bom pastor. Elas a reconhecem e a seguem.

Do mesmo modo, Paulo ordenou que os cristãos tessalonicenses seguissem suas instruções e se afastassem daqueles que não o fizessem (2Ts 3.6, cf. 14-15).

Acredite no Evangelho

Em terceiro lugar, devemos crer no evangelho. A boa nova é que Jesus Cristo é o eterno Filho de Deus encarnado (ver 1Jo). Se não entendêssemos isso não poderíamos defender a verdade da natureza trina de Deus. A trindade e a encarnação apóiam uma a outra. Uma não pode ser atacada sem que a outra também o seja. Como Paulo disse: “Nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl 2.9).

Mas o evangelho inclui não somente a encarnação de Cristo; ele inclui também sua morte substitutiva na cruz, sua ressurreição corporal e seu retorno em poder e grande glória.

Lembremos novamente da breve colocação de Paulo em 1 Coríntios a respeito do que é o cristianismo. Os coríntios estavam afastando-se uns dos outros devido a todo tipo de coisas erradas sobre as quais Paulo escreveu catorze capítulos. Mas agora ele finalmente trata da questão pela qual eles deveriam lutar!

“Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão. Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E apareceu a Cefas e, depois, aos doze” (1Co 15.1-5).

Você vê os fatos que estão associados com o evangelho? Cristo morreu pelos nossos pecados. Ele foi sepultado e ressuscitou. É isso! E não se engane: clareza na centralidade da cruz promoverá a comunhão teológica (conforme a importância relativa das doutrinas é esclarecida) e prática (à medida que a humildade é encorajada em nosso caráter).

Quando exaltamos a cruz, o evangelho aparece. Ele traz as notícias sobre o Deus santo. Traz as novas do homem feito à própria imagem de Deus e que tragicamente caiu em terrível rebelião contra Deus, encontrando-se sob seu juízo (cf. Gn 3; Rm 3.23; 1Jo 1.8-10; 5.12). O evangelho traz as novas de Cristo, o Filho de Deus, que sofreu por nós e em quem devemos crer para ter a vida eterna (Jo 3.16, 18; 12.44; 17.20; 20.31; At 15.11; 16.31; Rm 3.22; 10.9; Gl 3.22; Fp 1.29; Cl 2.9; 1Ts 4.14; 1Jo 2.22-23; 3.23; 4.2-3, 15; 5.1, 5, 10). E traz as notícias de que podemos ser perdoados por Deus e reconciliados com Ele por meio do dom do arrependimento e da fé. Além disso, o nosso arrependimento se manifestará num compromisso afetuoso de uns para com os outros na comunhão da igreja local (Mt 16; 18; Mc 1.15; Rm 16.26; Hb 10.25, 1Jo 3.23; 4.19-21; 5.3, 13).

A fé que justifica é a fé nesse Deus (Nm 14.11). É a confiança no livramento de Deus (Sl 78.22). Suas ações tornam possível a nossa crença nele (Is 43.10). Então, as primeiras palavras de Jesus no evangelho de Marcos terminam com o seguinte chamado: “Arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15).
João também escreveu: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16; cf. 3.18; 11.26; 19.35; 20.31; At 16.31, 34; Rm 3.22; 4.24; 10.9-10, 14; 16.26; 1Co 1.21; Gl 3.7, 22; Fp 1.29; 1Tm 1.16; Hb 10.39; 11.6; 1Pe 1.21; 1Jo 2.24).

Somos justificados apenas por meio da confiança nesse Jesus. Uma pessoa que não crê nesse evangelho não é cristã. Mesmo aqueles que dizem ser “cristãos”, “membros de uma igreja” ou “evangélicos” não são cristãos de verdade se não acreditam nesse evangelho! O fato de uma pessoa dizer que tem determinada característica não quer dizer que ela a tenha.

Deus, a Bíblia, o Evangelho. Não podemos ter uma comunhão cristã verdadeira com alguém que discorda de nós nesses assuntos.

5. SOBRE O QUÊ OS CRISTÃOS PODEM DISCORDAR?

Então, sobre o quê os cristãos podem discordar?

Quero ser cuidadoso também aqui. Não estou consentindo com uma falta de interesse a respeito daquilo que Deus revelou em sua Palavra. Nem estou tentando ensinar o mínimo em que você deve crer e o quanto deve cooperar.

A resposta para a pergunta acerca dos assuntos em que os cristãos podem discordar é melhor determinada pela Bíblia e com a concordância de opinião da igreja que prega a Bíblia.

Assuntos práticos

Certamente os cristãos podem discordar sobre assuntos práticos. E algumas dessas discordâncias causarão divisões. Não podemos trabalhar na mesma coisa de duas formas diferentes. Se este grupo de pessoas está convicto de que determinada coisa deveria ser feita dessa maneira, e aquele grupo está convicto de que outro método deveria ser usado, e se a utilização das duas maneiras não for possível, então a saída mais simples pode consistir em trabalhar separadamente, mas com amor e cooperação.

Então, em Atos 15 Paulo e Barnabé chegam a conclusões opostas sobre qual seria a forma mais sábia de realizar sua obra. Paulo achava que eles não poderiam trabalhar com João, já Barnabé pensava que deveriam trabalhar com ele. Em vez de brigar por causa disso, eles separaram-se (At 15.39). Não temos razão para pensar que algum deles deixou de crer que o outro irmão era um cristão. Eles apenas sabiam que não podiam continuar a trabalhar juntos por causa dessa divergência de ordem prática.

Certo ou errado?

Quando pensamos especificamente em ajuntamentos que alegam ser “igrejas” podemos categorizá-los como “certos” ou “errados”. Não é minha intenção afirmar que uma “igreja certa” nunca diz nada que seja errado, nem que uma “igreja errada” nunca diz nada certo. Em vez disso, quero dizer que uma “igreja certa” prega o verdadeiro evangelho e segue os mandamentos de Cristo para batizar e celebrar a Ceia do Senhor (incluindo a prática da disciplina na igreja). Uma “igreja errada”, por outro lado, é aquela que rejeita a pregação do verdadeiro evangelho.

Regular ou irregular

As igrejas que pregam o evangelho verdadeiro podem ser classificadas como regulares (de acordo com o preceito – as Escrituras) ou irregulares.

Por exemplo, eu e minha igreja entendemos que a Bíblia ensina que o batismo é somente para crentes. A uma igreja que prega o mesmo evangelho que pregamos, mas que pratica o batismo de infantes chamaríamos de certa, mas, irregular (meus irmãos presbiterianos, é claro, retribuem o cumprimento).
Entretanto, o caso é que se chamarmos igrejas assim de certas, podemos ter comunhão com as mesmas no tocante ao evangelho, ainda que não concordando com elas em tudo. Devemos ter unidade no evangelho para reconhecer uns aos outros como cristãos.

Assuntos controvertidos

O Novo Testamento deixa claro que há outras questões em que os cristãos discordam uns dos outros. Por exemplo, o caso do consumo da carne sacrificada a ídolos era um assunto árduo em muitas das igrejas. Entretanto, Paulo não estava excessivamente preocupado com o fato de os cristãos discordarem uns dos outros nesse ponto porque eles não estavam afirmando que uma determinada conclusão era necessária para a salvação. Eles poderiam trabalhar juntos desde que não fossem distraídos por sua divergência. O seu sábio conselho foi: “A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus” (Rm 14.22).

Ainda no tocante aos cristãos, Paulo enfrentou questões a respeitos de serem alguns dias mais santos do que outros (ver Rm 14.6). Mas ele chamou essa questão de “assuntos controvertidos” (Rm 14.1 NVI).
Quais são nossas contendas sobre dúvidas hoje? São muitas. Questões sobre as práticas particulares da membresia das igrejas são controversos.

Ou, vejamos o caso do que representa o milênio em Apocalipse 20. Alguns cristãos diriam que temos de concordar nisso a fim de termos uma união na igreja. O que você acha? Vejamos isso rapidamente nos testes que sugeri antes:

Teste 1: Quão clara é essa colocação nas Escrituras? Ela é mencionada duas vezes em Apocalipse 20 e em nenhum outro lugar. E comentários de pessoas evangélicas, que crêem na Bíblia não estão de acordo sobre o ensinamento ao qual João se referia.
Teste 2: Quão clara outras pessoas pensam que ela é de acordo com as Escrituras? (Especialmente aqueles que você respeita e em quem confia como professores da Palavra.) Mais uma vez encontro variedade de opinião.
Teste 3: Quão próxima essa colocação (ou suas implicações) está do evangelho em si? Acho que não estão relacionados. Desde que creiamos que Cristo está voltando, o que Ele fará durante o milênio me parece de pouca importância neste momento.
Finalmente, Teste 4: Quais seriam os efeitos práticos e doutrinários de permitirmos a divergência nessa área? Não encontramos efeito algum em nossa igreja — exceto a provisão de oportunidades para praticarmos a tolerância uns com os outros. A respeito deste assunto os presbíteros de minha igreja discordam entre si, e não percebo infidelidade alguma ou problemas de ordem prática fluindo de tais diferenças.

Não-essencial ≠ sem importância

Mas não me entenda mal. Não-essencial não significa sem importância. Às vezes o que não é essencial pode não ser importante, mas, outras vezes, o que a princípio parece não ser essencial pode mostrar-se importante.
Por exemplo, o caso das orações pelos mortos a princípio pode parecer que não é essencial. Mas quando você começa a reconhecer que essa prática em particular arruína a justificação pela fé somente, você começa a ver quão importante é o tópico. A oração pelos mortos supõe que qualquer decisão que eles fizeram nessa vida não permanece. Essa prática diz que podemos afetar diretamente a condição eterna das pessoas, quando a Escritura ensina claramente que nossa condição eterna é determinada somente pela nossa fé em Cristo.
Como os cristãos podem discordar apropriadamente?
Finalmente, como os cristãos podem discordar apropriadamente?
Talvez você já tenha ouvido essa proveitosa afirmação proveniente da reforma alemã: “na unidade sobre as coisas essenciais, na diversidade sobre aquelas que não são essenciais, em todas as coisas, haja caridade (ou amor)”. Devemos concordar nas coisas essenciais a fim de ter unidade, o que já discutimos. E toleramos a diversidade nas coisas não-essenciais, o que também já discutimos. Mas, como cumprir a ordem desencorajadora de amar em tudo isso?
Roger Nicole sugeriu que respondêssemos essas duas perguntas:

O que eu devo à pessoa que é diferente de mim?
O que posso aprender com a pessoa que diverge de mim?

Pensemos nessas perguntas por um momento.

O que eu devo?

O que devo à pessoa que é diferente de mim? Primeiro, devo amor. É nossa obrigação falar a verdade com amor (Ef 4.15). Em segundo lugar, devo respeito. Faça aos outros o que você gostaria que eles fizessem a você (Mt 7.12). Quando você estiver numa situação de divergência, deixe claro que existe algo maior do que uma preocupação em sair vitorioso na discussão: o cuidado com aquele de quem você discorda, uma preocupação com ele como pessoa. Ouça cuidadosamente o que a pessoa diz. Esclareça qualquer coisa que você não entendeu. Proceda levando em conta o que ela quer dizer, indo além do que ela disse. Um de meus professores de teologia sempre escrevia os prós e os contras de pontos de vista diferentes.
O princípio aqui consiste num desejo seu de representar a perspectiva oposta da melhor forma que puder, de modo que os proponentes sintam-se satisfeitos com sua explicação. Afinal, discussões tendem a fortificar os proponentes em suas próprias idéias. Em tudo isso, considere quais objetivos vocês têm em comum. Você consegue enxergar no que seu amigo está dizendo qual é o alvo dele? Eu tento examinar as diferenças usando o que chamo de “a árvore da decisão”. Tento começar onde ambos concordamos, e então marco cuidadosamente o ponto em que divergimos e pergunto por que ele fez uma decisão enquanto eu fiz outra. Seu objetivo sempre deveria ser evitar alienar as pessoas, mas encorajá-las. De todo jeito, essa atitude terá mais sucesso no processo de persuadi-las!

O que posso aprender?

A segunda pergunta que devemos fazer a nós mesmos ao aprender a discordar da maneira certa é: “O que posso aprender com a pessoa que diverge de mim?”
Afinal, talvez eu esteja errado. Certamente posso aprender algo da minha própria confiança no que penso, e da tentação que enfrento na discussão. Estamos mais interessados em ser vitoriosos numa discussão e proteger nossa reputação, ou em descobrir a verdade e fazê-la triunfar?
Alguns anos atrás eu estava lendo uma biografia de John Wesley e encontrei este breve relato:
Em City Road, os pastores locais e os itinerantes costumavam tomar o café da manhã juntos, aos domingos. Certa vez, quando Wesley estava presente, um jovem ergueu-se e repreendeu um de seus líderes. O temperamento escocês de Thomas Rankin exasperou-se e ele prontamente censurou o jovem por sua impertinência; mas, por sua vez, foi censurado também. Wesley imediatamente respondeu: “Eu agradecerei ao homem mais jovem entre vocês que me falar sobre algum defeito que vocês vêem em mim. Considerarei como meu melhor amigo aquele que fizer isso” (L. Tyerman, Life and Times of Wesley[Harper & Bros; 1872], III.567).

Para pensar assim realmente é necessário ter humildade! E sem humildade não aprendemos. Não aprendemos a verdade sobre nós mesmos nem sobre a Bíblia. Segundo os gregos antigos, o oposto de um amigo não era um inimigo, mas, um bajulador. Nosso orgulho é nosso maior inimigo em tudo isso.
Dê as boas-vindas à correção como sendo uma boa inimiga do seu orgulho. Fique grato pela ajuda que você pode receber daqueles que discordam de você no sentido de completar ou equilibrar melhor o quadro que você está explicando. Pode ser bom ter amigos cristãos que discordam de nós em algumas coisas — isso nos dá oportunidade de aprender e exercitar nosso amor.

CONCLUSÃO

Como resumir tudo em que temos refletido? Use as Escrituras cuidadosamente e dentro do contexto. Conheça bem a Bíblia. Ame a Deus amando sua Palavra. Medite no salmo 119. Assim como Paulo disse a Timóteo: “É necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade” (2Tm 2.24-25).
Possibilite o correto entendimento. Se você é um cristão, é herdeiro do céu! Deus o chamou para levar a mensagem do evangelho mais do que qualquer outra mensagem. E qual é o seu testemunho? As pessoas o consideram argumentativo ou briguento? Desejamos ser conhecidos mais pelas coisas quedefendemos do que por aquelas que rejeitamos. E sempre desejamos ser a favor do evangelho, e a favor do crescimento por meio da Palavra de Deus.
No essencial, unidade, no não-essencial, diversidade, em todas as coisas amor.

Mark Dever é pastor da igreja Batista de Capitol Hill e um dos organizadores 
do ministério Together for the Gospel (Juntos Pelo Evangelho)
Tradução Editora Fiel