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sábado, 8 de fevereiro de 2025

Disciplina Eclesiástica: Breve Definição

DISCIPLINA. 

A base bíblica para a disciplina eclesiástica está em Mateus 18.15–18, juntamente com a aplicação de 1Coríntios 5 (incesto); 1Tessalonicenses 3.6 (ociosidade) e 2Timóteo 2.17 (erro). A disciplina era levada a sério na igreja primitiva, especialmente, quando havia uma recaída no paganismo. No segundo século, a excomunhão permanente poderia ser imposta, mas a opinião oficial, apoiada por O Pastor de Hermas e formulada por Calixto de Roma e Cipriano de Cartago, permitia a readmissão após um período longo probatório que culminava com a pública confissão.

Novos desenvolvimentos, a maioria nocivos, ocorreram a partir de Gregório I até o Concílio de Trento. Penitências foram impostas para ofensas menores, com possível comutação financeira. Foi estabelecida a confissão auricular feita a um sacerdote. O purgatório tornou-se uma suposta extensão da disciplina temporal e, a fim de prevenir sua ameaça, surgiram os mais terríveis abusos da Idade Média, como venda de indulgências e as missas particulares. O sistema de tribunal eclesiástico formalizou a disciplina, mas não teve grande proveito espiritual. Os ofensores mais sérios poderiam ser entregues ao poder civil para os castigos que a igreja não tinha permissão para administrar.

A Reforma acabou com o sistema medieval, mas encontrou dificuldades com o problema da disciplina. O estado, às vezes, exercia seu poder como representante dos leigos. Calvino colocou a disciplina nas mãos do consistório de presbíteros regentes. Os anabatistas exercitaram a disciplina por meio da proibição, embora, infelizmente, isso tenha causado muita confusão interna.

A igreja moderna está, em grande parte, caracterizada por uma erosão da disciplina. O sistema dos estados em grande parte desmoronou, enquanto o pluralismo torna difícil o exercício interno da disciplina. Há, ainda, o risco de ações cíveis por maledicência quando os padrões morais de uma igreja diferirem daqueles do estado.

A disciplina é bíblica, mas raramente, quando nunca, tem sido aplicada com sucesso. Se a falta de disciplina enfraquece a vida interna e o testemunho externo da igreja, a perversão da disciplina carrega em si sérios perigos de legalismo, da discórdia e até mesmo da hipocrisia. Atingir uma disciplina verdadeiramente bíblica e evangélica que sirva para a edificação doutrinária e ética talvez seja uma das tarefas mais urgentes para a igreja realizar hoje.

GEOFFREY W. BROMILEY
Fonte: Geoffrey W. Bromiley, “Disciplina”, in Dicionário de Ética Cristã, trad. Elizabeth Gomes (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2007), 188.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Deus está em Silêncio? | Leandro Lima

silencio-blogMuitas pessoas hoje em dia falam em nome de Deus, parecem saber tudo o que ele quer ou exige, mas o que Deus tem, de fato, falado?

Olhando para a situação do nosso mundo, não parece, muitas vezes, que Deus está em silêncio? Não parece que Ele guarda silêncio sobre os conflitos no Oriente Médio ou sobre os aviões que são derrubados? Ou mesmo sobre toda a corrupção do gênero humano, os assassinatos, a violência desmedida que toma nossas ruas e ceifa tantas vidas? Por que Deus não se manifesta a respeito da decadência moral de um país inteiro modelado pela “cultura" da novela das oito? Por que não derrama logo fogo e enxofre sobre os sodomitas do presente?

Penso que há quatro aspectos a respeito do “silêncio" de Deus que devem ser considerados.

Em primeiro lugar, não significa conivência. No salmo 50, Deus descreveu pecados típicos dos nossos dias como aborrecer a disciplina (v. 17), ter prazer em ver o ladrão se dar bem (v. 18), apoiar os adúlteros (v. 18), falar mal dos outros, inclusive das pessoas mais próximas (v. 19), então complementou: "Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te arguirei e porei tudo à tua vista” (Sl 50.20). Ou seja, o silêncio de Deus não significa conivência com os pecados humanos.

Em segundo lugar, o silêncio de Deus significa “disciplina”. Seria melhor que ele gritasse, condenasse, exigisse arrependimento, mas quando ele se cala, significa que entregou os homens à sua própria sorte, ou às mãos dos inimigos (Ne 9.30). Em Romanos 1.18-25, o Apóstolo Paulo descreve a impiedade dos homens daqueles dias que haviam rejeitado o conhecimento do Deus verdadeiro por causa dos ídolos. A consequência está nos versos 26-28:

“Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro. E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes”.

O estado da sociedade atual é o resultado do silêncio de Deus. Quando Deus se cala, quando entrega os homens a si mesmos, não há esperança.
Em terceiro lugar, o silêncio de Deus nunca é definitivo. O profeta Isaías falou em nome de Deus:

"Por muito tempo me calei, estive em silêncio e me contive; mas agora darei gritos como a parturiente, e ao mesmo tempo ofegarei, e estarei esbaforido. Os montes e outeiros devastarei e toda a sua erva farei secar; tornarei os rios em terra firme e secarei os lagos. (Is 42.14-15).

Para aqueles que desdenham do juízo, que se atrevem a viver despreocupados, pois julgam que Deus está calado, vale a advertência.

E, finalmente, na verdade, Deus não precisa trovejar do alto com sua voz estrondosa, porque ele já falou tudo o que é necessário. Na parábola do rico e Lázaro, do inferno, o rico suplica que Lázaro volte a terra para alertar seus irmãos. A resposta celeste é que os irmãos têm “Moisés e os profetas” (Lc 16.29), ou seja, as Escrituras Sagradas. Mas o rico perdido não está satisfeito e insiste que se alguém voltar dentre os mortos, as pessoas ouvirão. A resposta divina é surpreendente: "Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lc 16.31).

O que mais Deus precisaria falar para que as pessoas entendam as escolhas erradas da vida e se voltem para o que é certo? O que mais ele poderia dizer sobre salvação ou condenação? Temos 66 livros que reúnem tudo o que Deus já falou sobre o início e o fim do mundo, e principalmente, sobre o ponto central da história, onde se eleva uma cruz, dividindo a história, separando os homens à direita e à esquerda, conduzindo os arrependidos ao paraíso num piscar de olhos.

Deus fala na Escritura. Mas quem tem ouvidos para ouvir?

Por: Rev. Leandro Lima – Via Facebook

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Como Manter a Igreja Viva? Augustus Nicodemus

igfejaUma das passagens mais dramáticas da Bíblia é Isaías 1:10-20, onde o profeta repreende a Igreja do Antigo Testamento, chamando seus líderes de príncipes de Sodoma e Gomorra, cidades famosas pela devassidão e iniquidade. O povo de Deus havia se corrompido ao ponto de Deus não mais ter qualquer prazer em receber o culto e a adoração dele.

Infelizmente, esse quadro de decadência e corrupção da Igreja de Deus neste mundo se repetiu por muitas vezes através da história. Nestes períodos o povo de Deus esfria em sua fé, endurece o coração, persevera no pecado e serve de péssimo testemunho ao mundo.

Nosso dever como Igreja e cristãos individuais é evitar que a decadência espiritual entre em nossas vidas. Existem quatro coisas que podemos fazer para evitar o declínio espiritual da Igreja, com a graça de Deus:

(1) Tratar o pecado com seriedade. Nada arruína mais depressa a vida espiritual de uma comunidade do que permitir que os pecados dos seus membros permaneçam sem ser tratados como deveriam. Lemos na Bíblia que quando Acã desobedeceu a Deus, toda a comunidade sofreu as consequências.

Nossos pecados não são problema: mas os nossos pecados ocultos, escondidos, não confessados, arrependidos, se constituem um tropeço espiritual, que entristece o Espírito de Deus, e acaba se espalhando pela Igreja e envenenando os bons costumes e a fé.

(2) Zelar pela sã doutrina. A verdade salva e edifica a Igreja, mas a mentira é a sua ruína. O erro religioso envenena as almas e desvia o povo dos retos caminhos de Deus. O Senhor Jesus criticou severamente a Igreja de Pérgamo por ser demasiadamente tolerante para com os falsos mestres que infestavam a comunidade com falsos ensinos (Apocalipse 2.14-15). Da mesma forma, repreendeu a Igreja de Tiatira por tolerar uma mulher chamada Jezabel, que se chamava profetiza, e que ensinava os membros da Igreja a praticar a imoralidade (Apocalipse 2:20).

Devemos ser pacientes e tolerantes, mas nunca ao preço de comprometermos o ensino claro do Evangelho.

(3) Andar perto do Senhor da Igreja. É Deus quem nos mantém firmes e puros. A Bíblia diz que se nós nos achegarmos a Deus, ele se achegará a nós. A Bíblia também nos ensina que Deus estabeleceu os meios pelos quais podemos estar em contínua comunhão com Ele. Estes meios são: os cultos públicos, as orações e devoções em particular, a leitura e a meditação nas Escrituras, a participação regular na Ceia do Senhor. Cristãos que deixam de usar estes meios acabam por decair espiritualmente, como uma brasa que é afastada da fogueira e logo perde seu calor.

A negligência destes meios de graça abre a porta para a acelerada decadência espiritual e moral de uma Igreja.

(4) Estar aberta para reformar-se. O lema das Igrejas que nasceram da Reforma foi  “Eclesia Reformata Semper Reformanda”. Ou seja, a Igreja deve sempre estar aberta para ser corrigida por Deus, arrepender-se de seus pecados e reformar-se em conformidade com o ensino das Escrituras. Nas cartas que mandou às igrejas da Ásia Menor através do apóstolo João, o Senhor Jesus determinou às que estavam erradas a que se arrependessem e retornassem aos retos caminhos de Deus (Apocalipse 2.5,16,21; 3.3,19). Elas precisavam ser reformadas e mudar o que estava errado.

Existe grande perigo para uma igreja quando ela se fecha em si mesma, e deixa de ouvir a voz do seu Senhor, que deseja corrigi-la e traze-la de volta aos caminhos do Evangelho.

Estas medidas devem também ser aplicadas a nós, individualmente. Deveríamos procurar evitar a decadência espiritual da nossa prática religiosa, mantendo acesa a chama da fé pela freqüência regular aos cultos, pela leitura diária da Bíblia, por uma vida de oração e comunhão com outros irmãos. Infelizmente, por negligenciarem sua vida espiritual, muitos cristãos estão contribuindo para enfraquecer o testemunho das igrejas evangélicas no  mundo.

Queira nosso Deus dar-nos força e vigor para mantermos a nós e à nossa igreja sempre vivos espiritualmente.

Por: Augustus Nicodemus Lopes:

O Autor é: doutor em Novo Testamento, é professor de Exegese do Sem. Presbit. José Manoel da Conceição, em São Paulo e Diretor do Centro Presbit. de Pós-Graduação Andrew Jumper, São Paulo.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Não Faça Isso! Por que Você não Deveria Praticar a Disciplina Eclesiástica | Mark Dever

A_Desmoralização_da_Disciplina_Eclesiástica"Não faça isso". Essa é a primeira coisa que eu digo aos pastores quando eles descobrem que a disciplina eclesiástica está na Bíblia. Eu digo: "Não faça isso, pelo menos não agora". Por que esse conselho?

Vamos pensar no que acontece no processo de descoberta. Quando pastores ouvem pela primeira vez sobre disciplina eclesiástica, eles frequentemente acham que a ideia é ridícula. Ela soa desamorosa, contra-evangelística, estranha, controladora, legalista e condenatória. Ela certamente parece impraticável. Eles chegam a questionar se é ilegal.

Eles abrem suas Bíblias

Então, quando ninguém mais está olhando, eles se voltam para suas Bíblias. Eles chegam a passagens como 2Tessalonicenses 3.6, ou Gálatas 6.1, ou o texto clássico sobre disciplina - 1Coríntios 5. Eles consideram o pano de fundo da excomunhão no Antigo Testamento, e se recordam de que Deus sempre intencionou que o seu povo fosse uma imagem da sua própria santidade (Dt 17.7; Lv 19.2; Is 52.11; 1Pe 1.16).

Então, de algum modo, eles se voltam para o ensino do próprio Jesus e descobrem que, no mesmo capítulo em que Jesus condena o julgamento condenatório (ver Mt 7.1), ele também alerta os discípulos a se acautelarem dos falsos profetas e daqueles que reivindicam segui-lo, mas não obedecem à sua Palavra (Mt 7.15-20; 21-23). Finalmente, vem Mateus 18, quando Jesus instrui seus seguidores a excluir o pecador impenitente em certas situações (Mt 18.17). Talvez as igrejas devessem praticar a disciplina?

O que finalmente põe esses pastores outrora legais, bem-quistos e populares em crise é a sua descoberta de que algumas igrejas, de fato, praticam a disciplina eclesiástica. Não igrejas estranhas e desajustadas, mas igrejas felizes, crescentes, grandes e orientadas pela graça, tais como a Grace Community em Sun Valley, Califórnia, ou a Tenth Presbyterian em Filadélfia, ou a First Baptist em Durham, Carolina do Norte, ou a Village Church nos arredores de Dallas.

Agora esses pastores estão em apuros. Eles percebem que precisam ser obedientes. Eles se sentem impelidos pela imagem bíblica de uma igreja santa, amorosa e unida, uma igreja que reflete o único, santo, amoroso Deus. Eles entendem que a sua falha em praticar a disciplina fere a sua igreja e o seu testemunho ao mundo.

É nesse ponto que uma resolução obstinada frequentemente parece ser feita. "Eu farei minha congregação ser bíblica dessa maneira, mesmo que seja a última coisa que eu faça!" E, com muita frequência, é mesmo.

Como um raio em um limpo céu azul

Na vida mansa e pacata de uma congregação inocente e que crê na Bíblia, os relâmpagos da disciplina eclesiástica são assustadores! Eles podem vir em um sermão. Ou em uma conversa entre o pastor e um diácono. Ou em uma proposta precipitada na reunião de membros. Mas em algum lugar eles caem, geralmente acompanhados por grande zelo e uma enxurrada de citações escriturísticas.

  • Então, a atitude sincera é tomada.
  • Então, a resposta vem: mal-entendidos e sentimentos feridos.

Contra-ataques são feitos. O pecado é atacado e defendido. Nomes são chamados. O amargor abunda! A sinfonia da congregação local se transforma em uma cacofonia de argumentos e acusações. As pessoas clamam: "Onde isso vai parar?!" e "Então você acha que é perfeito?".

Disciplina eclesiástica: Não faça isso! Pelo menos não agora

O que o pastor deveria fazer? Meu conselho seria: "Não se coloque precipitadamente numa situação como essa. Uma vez que você tenha descoberto que a disciplina eclesiástica corretiva é bíblica, abstenha-se de praticá-la por um momento." (A disciplina eclesiástica é tanto corretiva quanto formativa; esta última corresponde à obra da igreja de ensinar ou formar cristãos.)

Talvez a este ponto você esteja pensando: "Mark, você está nos dizendo para desobedecermos a Bíblia?!".

Na verdade, não. Eu estou tentando ajudá-lo a agir como Jesus instruiu seus discípulos a fazerem (ver Lc 14.25-33): calcular o custo antes de começar. Tenha certeza de que sua congregação entende de modo satisfatório e aceita esse ensino bíblico. Sua meta não é aceitação imediata seguida por uma explosão, mas, em vez disso, uma congregação sendo reformada pela Palavra de Deus. Você quer que eles caminhem na direção correta. E isso exige apascentamento paciente.

Como pastorear a sua igreja para a disciplina

Primeiro, encorage a humildade. Ajude as pessoas a verem que elas podem estar enganadas acerca de sua própria condição espiritual. Considere o exemplo daquele homem em 1Coríntios 5, bem como a exortação mais ampla de Paulo aos cristãos coríntios em 2Coríntios 13.5. Paulo nos desafia a examinarmos a nós mesmos, a fim de sabermos se estamos na fé. Os membros de sua igreja reconhecem que eles devem ajudar uns aos outros a fazerem isso?

Segundo, certifique-se de que sua congregação tem um entendimento bíblico da membresia da igreja. As pessoas não entendem a disciplina porque elas não entendem a membresia. A membresia é um relacionamento congregacional. Não é criado, sustentado nem terminado meramente pela vontade de um indivíduo; um indivíduo não pode tornar-se membro de uma igreja unilateralmente, sem o consentimento da congregação. Do mesmo modo, um indivíduo não pode continuar na membresia, ou deixar a membresia de uma congregação em particular sem a aprovação explícita ou implícita da congregação (exceto em caso de morte). Isso é prolixo, mas o que eu estou basicamente dizendo é que é uma atribuição da igreja decidir quem são os seus membros. E os membros não podem simplesmente sair quando estão em pecado impenitente. (Ver o artigo de Jonathan Leeman, The Preemptive Resignation—A Get Out of Jail Free Card?, para uma discussão mais profunda deste assunto.)

Essa visão da membresia, entretanto, deve primeiro ser apresentada positivamente. Entenda o que a Bíblia ensina sobre membresia de igreja. Certifique-se de que você mesmo esteja familiarizado com diversos aspectos cruciais e passagens as quais você possa lembrar aos membros quando eles perguntarem. Busque oportunidades em seus sermões para ensinar sobre a distinção entre a igreja e o mundo, e como essa distinção é importante para a natureza e a missão da igreja. Ajude a sua congregação a construir uma imagem do plano de Deus para a sua igreja tal que os contornos da disciplina começarão a ficar visíveis pela sua ausência na prática da igreja. Lembre-se de que os membros devem entender a membresia e a disciplina, pois são eles que as executarão.

Terceiro, ore para que Deus o ajude a ser um modelo de ministério a outros cristãos na sua igreja, tanto por meio do seu ensino público como pelo seu trabalho em particular com famílias e indivíduos. Trabalhe para criar uma "cultura de discipulado" e de acompanhamento mútuo em sua igreja, na qual os cristãos entendam que um elemento básico de seguir a Jesus é ajudar outros a seguir a Jesus (tanto por meio do evangelismo quanto do discipulado de outros cristãos). Ajude-os a entenderem as resposabilidades especiais que eles têm para com os demais membros da sua congregação em particular. Ensine-os que a vida cristã é pessoal, mas não particular.

Quarto, prepare a constituição escrita e o pacto de membresia de sua congregação. Consulte o artigo de Ken Sande para obter alguns conselhos jurídicos gerais. Comece a ensinar "classes pré-membresia", nas quais questões sobre membresia e disciplina sejam explicitamente ensinadas.

Quinto, e por último, nunca se canse de ensinar o que significa ser cristão no seu ministério do púlpito. Defina regularmente o evangelho e a conversão. Ensine explicitamente que uma igreja é designada para ser composta de pecadores arrependidos que confiam em Cristo somente e que apresentam profissões críveis dessa confiança. Ore para que você seja centrado no evangelho. Resolva que, com o auxílio de Deus, você irá conduzir sua congregação à mudança, lenta mas obstinadamente. Ore para que, em vez de serem uma igreja em que é estranho perguntar às pessoas como elas estão espiritualmente, vocês se tornarão uma igreja em que começaria a parecer estranho se ninguém perguntasse sobre a sua vida.

Você saberá que é o momento quando...

Você saberá que a sua congregação está pronta a praticar a disciplina eclesiástica quando:

  • Os seus líderes a entendem, consentem e reconhecem a sua importância (uma liderança madura compartilhada entre uma pluralidade de presbíteros é a mais consistente com a Escritura e é muito útil para liderar uma igreja em meio a discussões potencialmente explosivas);
  • A sua congregação está unida no entendimento de que tal disciplina é bíblica;
  • A sua membresia consiste amplamente de pessoas que ouvem regularmente os seus sermões;
  • Surge um caso particularmente claro no qual os seus membros reconhecem, com razoável unidade, que a excomunhão é a atitude correta (por exemplo, excomunhão por adultério é mais provável de obter o consentimento de seus membros do que excomunhão por falta de frequência aos cultos).

Então, meu amigo pastor, embora você talvez um dia tenha achado que a ideia da disciplina eclesiástica era ridícula, eu oro para que Deus o ajude a liderar a sua congregação de modo a ver que a disciplina é um amoroso, provocativo, atraente, distinto, respeitoso e gracioso ato de obediência e misericórdia, e que ela ajuda a construir uma igreja que traz glória a Deus.

Mas lembre-se: no momento em que você se convencer de que disciplina eclesiástica é bíblico, o seu primeiro passo a dar em uma congregação estabelecida é, provavelmente, não começar a praticar a disciplina, para que, um dia, você possa fazê-lo.

Por: Mark Dever

Fonte: Editora Fiel & 9Marks

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

sábado, 20 de abril de 2013

Aflição Cristã | Rev. M. Fintelman

“A correção do Senhor” – Hebreus 12:5

sofrimentoDesde a queda no Paraíso, a humanidade tem vivido numa terra de sofrimentos. Devido ao pecado deliberado, Adão e sua posteridade devem ganhar o pão com suor numa terra que brota espinhos e abrolhos. Aflição é uma coisa acerca da qual todos sabemos, quer sejamos uma criança com um braço machucado, um adolescente com o coração partido ou um adulto se perguntando o que ganharemos com nossa próxima crise. Em Hebreus 12 Paulo exorta os cristãos hebreus com respeito às aflições.

Um Marca de Filiação

O sofrimento é uma experiência comum de todos. Nem os salvos e nem os não-salvos estão isentos, mas à igreja de Deus é prometido, de uma forma única, o experimentar aflições. Cristo disse: “No mundo tereis tribulação” (João 16:33). Carregar a cruz é um emblema do discipulado cristão.

Cristo carregou uma cruz durante toda Sua vida na terra, e assim também Seus seguidores devem ser. Portanto, não devemos ficar envergonhados deste emblema familiar, porque ele é um emblema de filiação. “Porque o Senhor corrige ao que ama, e açoita a todo o que recebe por filho” (Hebreus 12:6). Durante períodos de aflição, nós frequentemente, de uma maneira errônea, ficamos envergonhados de estarmos sofrendo, e com sorrisos gelados procuramos esconder o fato de que estamos experimentando variados graus de aflição.

O Uso que o Senhor Faz das Aflições

O Senhor freqüentemente usa a aflição para nos disciplinar. Em Hebreus 12:5-11 “correção” também pode ser traduzida por “disciplina”. Através da aflição o Senhor disciplina, ou guia, e nos ensina.

Esta disciplina tem diferentes aspectos. É uma disciplina de amor. É de um Pai amoroso. Portanto, não há nenhum sofrimento inútil. É uma disciplina de sabedoria – Ele sabe o que necessitamos. É uma disciplina de fidelidade. Salomão escreveu, “féis são as feridas feitas pelo amigo” (Provérbios 27:6). É uma disciplina de poder – Aquele que a administra é todo-poderoso. Ninguém pode frustrar o plano de Deus. Em todas as tempestades com as quais nos deparamos, Ele anda sob as águas.

Lições a partir das Aflições

A aflição é cheia de lições graciosas. Ele nos lembra através delas: “Não ameis o mundo, nem as coisas do mundo” (1 João 2:15). Ele nos ensina: “Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça” (Lucas 12:15).

Algumas vezes o Senhor usa as aflições para nos mostrar o que realmente se encontra em nossos corações, como Ele fez com os israelitas.

“E te lembrarás de todo o caminho pelo qual o Senhor teu Deus tem te conduzido durante estes quarenta anos no deserto, a fim de te humilhar e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos. Sim, ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que nem tu nem teus pais conhecíeis; para te dar a entender que o homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor, disso vive o homem. Não se envelheceram as tuas vestes sobre ti, nem se inchou o teu pé, nestes quarenta anos. Saberás, pois, no teu coração que, como um homem corrige a seu filho, assim te corrige o Senhor teu Deus” (Deuteronômio 8:2-5).

Há também consolação e conforto na aflição. Cristo chora conosco – Ele não é um Senhor estóico, insensível, mas um Sumo Sacerdote misericordioso, que sente a dor do Seu povo. Ele é tocado não somente com os fatos, mas também com os sentimentos das nossas fraquezas (Hebreus 4:15). Assim também, todas as coisas cooperam para o nosso bem, mesmo quando elas parecem más (Romanos 8:28). O sofrimento também purifica. “Provando-me ele, sairei como o ouro” (Jó 23:10). E tudo é feito em amor. “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo” (Apocalipse 3:19). Freqüentemente demais, quando experimentamos aflição, pensamos que Deus deve estar irado. Uma demonstração maior de Sua ira seria permitir que os pecadores continuassem em seus pecados sem controle. Sofrimento é também uma coisa passageira. Em 1 Pedro 1:6 somos informados que “por um pouco de tempo” estamos “contristados por várias provações”. Há um dia vindouro para a igreja de Cristo quando este tempo será passado e a glória será a sua eterna porção. Quando contemplarmos a aflição desta forma, não haverá espanto.

John Trapp pôde escrever, “quem está cavalgando para sua própria coroação, não se incomodará muito com um pouco de chuva”.

O sofrimento é uma oportunidade que não deve ser desperdiçada. Aprendemos tão pouco porque simplesmente suportamos, ao invés de usarmos a aflição. A aflição produz “um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela” (Hebreus 12:11). Pela graça de Deus nós podemos ser exercitados e usarmos a aflição como um período especial de oração.

Não devemos nos afastar em indiferente falta de oração, mas devemos nos voltar para o Senhor, que nos mostra misericórdia quando oramos (Salmos 86:5). Devemos ser exercitados em fé, descansando nas promessas de Deus e orando para que possamos experimentar o cumprimento delas em nossas vidas também. Finalmente, devemos usar diligentemente os meios de graça. Quando atravessamos dificuldades, tendemos a nos “fechar” e a apiedarmos de nós mesmos diante dos nossos problemas, mas isto nunca ajudou em prover solução.

Portanto, não somente suportemos as aflições, mas antes, usemo-las como uma oportunidade para nos voltarmos para Deus, suplicando-Lhe que nos faça mais semelhantes ao Seu Filho.

Sobre o autor: O Rev. M. Fintelman é pastor da Heritage Reformed Church de Plymouth, Wisconsin.

Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: Monergismo.com

segunda-feira, 4 de março de 2013

O Que acontece no novo nascimento? | John Piper

João 3:1-10

Ora, havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. 2 Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. 3 Respondeu-lhe Jesus: Em A Necessidade do Novo Nascimentoverdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. 4Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? 5 Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. 6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. 7 Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo. 8 O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito. 9 Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode ser isto? 10Respondeu-lhe Jesus: Tu és mestre em Israel, e não entendes estas coisas?

Nós começamos uma série de mensagens sobre o novo nascimento. Jesus disse a Nicodemos em João 3.3: "em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus". Ele estava falando com todos nós quando disse isso. Nicodemos não era um caso especial. Você e eu precisamos nascer novamente, ou não veremos o reino de Deus. Isso significa que nós não seremos salvos, não seremos parte da família de Deus, não iremos para o céu, mas para o inferno.

Nicodemos era um dos Fariseus, os líderes judeus mais religiosos. Jesus disse pra eles em Mateus 23.15 e 33, "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o tornais duas vezes mais filho do inferno do que vós ... Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?". Então a série que começamos não é sobre um assunto secundário. É central. A eternidade está em questão quando se fala sobre o novo nascimento. "Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus".

O novo nascimento é desconfortável

Na primeira mensagem nós focalizamos as razões para essa série e os tipos de questionamentos que faríamos. A pergunta de hoje é: O que acontece no novo nascimento? Antes de tentar responder essa pergunta, deixe-me mencionar uma profunda preocupação que tenho sobre a maneira que esta mensagem será entendida. Estou ciente de que essa série de mensagens será desconfortável para muitos de vocês - assim como as palavras de Jesus são desconfortáveis para nós vez após vez, se as levamos a sério. Existem pelo menos três razões pra isso:

1) Por causa da nossa condição sem esperança

O ensinamento de Jesus sobre o novo nascimento nos confronta com nossa condição sem esperança espiritual, moral e legal, à parte da graça regeneradora de Deus. Antes de o novo nascimento ocorrer para nós, estamos espiritualmente mortos. Somos moralmente egoístas e rebeldes. Somos legalmente culpados perante a lei de Deus e estamos debaixo de Sua ira. Quando Jesus nos diz que devemos nascer de novo, Ele está dizendo que o nosso presente estado é desesperadamente irresponsável, corrupto e culpado. A não ser pela maravilhosa graça em nossas vidas, nós não gostamos de ouvir essas coisas sobre nós mesmos. Então é desconfortável quando Jesus diz que devemos nascer de novo.

2) Porque nós não podemos causar o novo nascimento

Ensinar sobre o novo nascimento é desconfortável porque isso envolve algo que é feito em nós, não algo que nós fazemos. João 1.13 enfatiza isso. Refere-se aos filhos de Deus como àqueles que “não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus". Pedro expõe a mesma coisa "bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança" (1Pe 1.3). Nós não causamos o novo nascimento. Deus causa o novo nascimento. Qualquer coisa de bom que fazemos é resultado do novo nascimento, não a causa dele. Isso significa que o novo nascimento está fora do nosso próprio alcance. Está fora do nosso controle. E isso confronta nossa inutilidade e nossa absoluta dependência de Alguém que não nós mesmos.

Isso é desconfortável. Ele nos diz que não veremos o reino de Deus se não nascermos de novo. E nos diz, ainda, que não podemos nascer de novo por nós mesmos. Isso incomoda.

3) Porque a liberdade absoluta de Deus nos confronta

Então, a terceira razão porque o ensino de Jesus sobre o novo nascimento incomoda, é porque nos confronta com a absoluta liberdade de Deus. A não ser por Deus, estamos espiritualmente mortos no nosso egoísmo e rebeldia. Somos filhos da ira por natureza (Efésios 2.3). Nossa rebeldia é tão profunda que não percebe ou deseja a glória de Cristo no evangelho (2 Coríntios 4.4). Portanto, se nascemos de novo, isso é baseado decisivamente e em ultima instância por Deus. A decisão dEle de nos dar vida não será uma resposta ao que nós espiritualmente fizemos, mas o que nós fazemos será a resposta por Ele nos ter dado vida. Para a maioria das pessoas, pelo menos inicialmente, isso é desconfortável.

Minha esperança: Calmo e Salvo, não somente incomodado

Então, conforme eu inicio a série, sei quão desconfortável esse ensinamento sobre o novo nascimento pode ser. E como eu quero ser cuidadoso. Não quero inquietar desnecessariamente almas tranquilas. E não quero dar falsa esperança para aqueles que têm confundido moralidade ou religião com vida espiritual. Por favor, orem por mim. Sinto-me como se tivesse almas eternas em minhas mãos nesses dias. E ainda sei que não tenho poder para lhes dar vida. Mas Deus tem. E tenho muita esperança que Ele fará como diz em Efésios 2.4-5 "Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo".

Deus ama magnificar as riquezas da sua graça vivificadora, na qual Cristo é exaltado em verdade. Essa é a minha esperança: que essa série não somente incomode, mas que acalme e salve.

O que acontece no novo nascimento?

Vamos tratar agora dessa questão: o que acontece no novo nascimento? Tentarei responder em três itens. Trataremos dos dois primeiros hoje, e do terceiro falaremos domingo que vem, se Deus quiser:

  1. 1) O que acontece no novo nascimento não é admitir uma nova religião, mas receber uma nova vida,
  2. 2) O que acontece no novo nascimento não é meramente afirmar o sobrenatural em Jesus, mas experimentar o sobrenatural em você mesmo,
  3. 3) O que acontece no novo nascimento não é o melhoramento da sua antiga natureza humana, mas a criação de uma nova natureza humana (uma natureza que é verdadeiramente você, é perdoada e purificada, é realmente nova e está sendo formada pela habitação do Espírito de Deus. Vamos ver um ponto de cada vez.

1) Nova vida, não nova religião

O que acontece no novo nascimento não é admitir uma nova religião, mas receber uma nova vida. Leia comigo os três primeiros versos de João 3:

“Ora, havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.”

João faz questão de deixar claro que Nicodemos é um fariseu, poderoso entre os Judeus. Os fariseus eram o grupo mais religiosamente rigoroso dentre todos os grupos judaicos. A esse fariseu, Jesus disse (no verso 3), "Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus". E ainda mais pessoalmente no verso 7: "Necessário vos é nascer de novo." Logo, um dos pontos de João é:

Toda a religião de Nicodemos, todo o seu maravilhoso estudo, disciplina e legalismo farisaicos não suprem a necessidade do novo nascimento. Na verdade, eles podem muito bem evidenciar a necessidade do novo nascimento.

O que Nicodemos precisava, e que você e eu precisamos, não é religião, mas vida. O motivo de referir-se a novo nascimento é porque nascimento traz nova vida ao mundo. Em um sentido, claramente, Nicodemos está vivo. Ele está respirando, pensando, sentindo, agindo. Ele é humano, criado à imagem de Deus. Mas evidentemente, Jesus pensa que ele está morto. Não existe vida espiritual em Nicodemos. Espiritualmente, ele não nasceu. Ele precisa de vida, não mais atividades religiosas ou zelo. Disso ele já tem muito.

Você se lembra do que Jesus disse em Lucas 9.60 ao homem que queria adiar seguir a Jesus para poder enterrar o seu próprio pai? Jesus disse: "Deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos; tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus". Isso significa que existem pessoas fisicamente mortas que precisam ser enterradas. E existem pessoas espiritualmente mortas que podem enterrá-las. Em outras palavras, Jesus pensou em termos de pessoas que andam por aí com aparência de muita vida, e que estão mortas. Na parábola do filho pródigo, o pai diz: "porque este meu filho estava morto, e reviveu". (Lucas 15.24)

Nicodemos não precisava de religião. Ele precisava de vida, vida espiritual. O que acontece no novo nascimento é que vida passa a existir onde não existia antes. Nova vida acontece no novo nascimento. Isso não é atividade religiosa, disciplina ou decisão. Isso é a vida passando a existir. Esse é o primeiro modo de descrever o que acontece no novo nascimento.

2) Experimentando o sobrenatural, e não somente o afirmando

O que acontece no novo nascimento não é a mera afirmação do sobrenatural em Jesus, mas experimentar o sobrenatural em você mesmo. No verso 2, Nicodemos diz "Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus; pois ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele". E, outras palavras, Nicodemos vê em Jesus uma genuína atividade divina. Ele admite que Jesus viera da parte de Deus. Jesus faz as obras de Deus. A isso, Jesus não responde: "quem dera todos na Palestina vissem a verdade que você vê em mim". Ao invés disso, Ele disse: "se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus".

Vendo sinais e maravilhas, e se maravilhando com eles, e dando o devido crédito da operação de milagres a Deus, isso não salva ninguém. Esse é um dos maiores perigos dos sinais e maravilhas: você não precisa de um novo coração para se maravilhar com eles. A velha e caída natureza humana é tudo o que é necessário para se maravilhar com sinais e milagres. E essa velha e caída natureza humana quer reconhecer que o operador de milagres é da parte de Deus. O próprio diabo sabe que Jesus é o filho de Deus e opera milagres (Marcos 1.24). Não, Nicodemos, ver-me como um operador de milagres enviado por Deus não é a chave para o reino de Deus. "Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus".

Em outras palavras, o que importa não é meramente afirmar o sobrenatural em Jesus, mas experimentar o sobrenatural em você mesmo. O novo nascimento é sobrenatural, não natural. Ele não pode ser calculado por coisas que já são encontradas neste mundo. O verso 6 enfatiza a natureza sobrenatural do novo nascimento: "O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito". A carne é o que somos. O Espírito de Deus é a pessoa sobrenatural que traz o novo nascimento. Jesus diz novamente no versículo 8: "o vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito". O Espírito de Deus não é parte deste mundo natural. Ele está acima dessa natureza. Ele é sobrenatural. De fato, Ele é Deus. Ele é a causa imediata do novo nascimento.

Então, Nicodemos - disse Jesus - o que acontece no novo nascimento não é meramente afirmar o sobrenatural em mim, mas experimentar o sobrenatural em você mesmo. Você precisa nascer de novo. E não de maneira metafórica, mas de modo sobrenatural. O Espírito Santo de Deus precisa vir sobre você e trazer nova vida à existência.

No próximo encontro veremos as palavras do verso 5 mais de perto: "em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus". O que água e Espírito significam aqui? E como isso nos ajuda a entender o que acontece no novo nascimento?

Jesus é a vida

Mas hoje eu quero encerrar fazendo uma conexão crucial entre o novo nascimento pelo Espírito e ter vida eterna pela fé em Jesus. O que vimos até agora é que o que acontece no novo nascimento é obra sobrenatural do Espírito Santo que traz vida espiritual onde ela não existia. Jesus disse novamente em João 6.63: "o espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita".

Mas o evangelho de João esclarece outra coisa também: Jesus é a vida que o Espírito Santo concede. Ou podemos dizer: a vida espiritual que Ele dá, Ele só dá em conexão com Jesus. União com Jesus é onde experimentamos o sobrenatural, a vida espiritual. Jesus disse em João 14.6: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim". Em João 6.35, disse: "Eu sou o pão da vida". E em 20.31, João diz:"estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome".

Não há vida à parte de Jesus

Então, não há vida espiritual (vida eterna) longe de Jesus e da fé em Jesus. Nós teríamos muito mais a dizer sobre a relação entre o novo nascimento e a fé em Jesus. Mas deixe-me colocar assim por enquanto: no novo nascimento, o Espírito Santo une-nos a Cristo numa união vivificadora. Cristo é vida. Cristo é a vinha onde brota vida. Nós somos os ramos (João 15.1 e seguintes). O que acontece no novo nascimento é a criação sobrenatural de nova vida espiritual, e ela é criada pela união em Cristo Jesus. O Santo Espírito nos traz uma conexão vital com Cristo, que é o caminho, a verdade e a vida. Essa é a realidade objetiva do que acontece no novo nascimento.

E do nosso lado, o modo que experimentamos isso, é que a fé em Jesus é despertada em nossos corações. Vida espiritual e fé em Jesus vêm a existir simultaneamente. A nova vida faz a fé possível e uma vez que vida espiritual sempre desperta a fé e se expressa na fé, não há vida sem fé em Jesus. Portanto, nós devemos nunca separar o novo nascimento da fé em Jesus. Do lado de Deus, nós somos unidos a Cristo no novo nascimento. É isso que o Espírito Santo faz. Do nosso lado, nós experimentamos essa união pela fé em Jesus.

Nunca separe o novo nascimento da fé em Jesus

Veja como João coloca essas coisas juntas em 1 João 5.4: “porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé”. Nascido de Deus – a chave da vitória. Fé – a chave da vitória. Porque fé é a maneira que experimentamos o nascer de Deus.

Veja agora como João diz isso em 1 João 5.11-12: “e o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida”. Portanto, quando Jesus diz, “o espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita” (João 6.63), e quando diz “você precisa nascer do Espírito” para ter vida, ele quer dizer: No novo nascimento, o Espírito Santo nos dá sobrenaturalmente nova vida espiritual ao nos conectar com Jesus Cristo pela fé. Porque Jesus é vida.

Então, nunca separe essas duas afirmações de Jesus em João 3: “se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (v.3) e “quem crê no Filho tem a vida eterna” (v.36).

Por: John Piper

Fonte: Desiring God

Tradução: Lucas Leite

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domingo, 15 de julho de 2012

Série: O problema do Mal | Héber Campos Jr. - Parte 2/5

O Providente Deus da História
Partes: [][][][][5ª Final]
Segunda parte da série "O problema do Mal",
Pr. Heber Jr.
"O Providente Deus da História"
Texto referência: Habacuque 1:5-11

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Diciplina na Igreja | Jim Elliff & Daryl Wingerd

Disciplina_na_Igreja Fonte: Editora Fiel
Por: Jim Elliff e Daryl wingerd
Título do Original: Discipline Statement

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Uma Palavra aos Pais | A. W. Pink

Uma das mais infelizes e trágicas características de nossa civilização é a excessiva desobediência aos pais da parte dos filhos, quando menores, e a falta de reverência e respeito, quando grandes. Infelizmente, isto se evidencia de muitas maneiras inclusive em famílias cristãs.

Em nossas abundantes viagens nestes últimos trinta anos, fomos recebidos em muitos lares. A piedade e a beleza de alguns deles ainda permanecem em nossos corações como agradáveis e singelas recordações. Outros lares, porém, nos transmitiram as mais dolorosas impressões. Os filhos obstinados ou mimados não apenas trazem para si mesmos perpétua infelicidade, mas também causam desconforto para todos que se relacionam com eles e prenunciam coisas ruins para os dias vindouros.

Na maioria dos casos, os filhos são menos culpados do que seus pais. A falta de honra aos pais, onde quer que a achemos, deve-se, em grande medida, aos pais afastarem-se do padrão das Escrituras. Atualmente, o pai imagina que cumpre suas obrigações ao fornecer alimento e vestuário para os filhos e, ocasionalmente, ao agir como um tipo de policial de moralidade. Com muita freqüência, a mãe se contenta em desempenhar a função de uma criada doméstica, tornando-se escrava dos filhos, realizando várias tarefas que estes poderiam fazer, para deixá-los livres em atividades frívolas, ao invés de treiná-los a serem pessoas úteis. A conseqüência tem sido que o lar, o qual deveria ser, por causa de sua ordem, santidade e amor, uma miniatura do céu, degenerou-se em “um ponto de parada para o dia e um estacionamento para a noite”, conforme alguém sucintamente afirmou. Antes de esboçarmos os deveres dos pais em relação aos filhos, devemos ressaltar que eles não podem disciplinar adequadamente seus filhos, a menos que primeiramente tenham aprendido a governar a si mesmos. Como podem eles esperar que a obstinação de suas crianças sejam dominadas e controladas as manifestações de ira, se eles mesmos dão livre curso à seus próprios sentimentos. O caráter dos pais é amplamente reproduzido em seus descendentes. “Viveu Adão cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem” (Gn 5.3). Os pais devem eles mesmos viver em submissão a Deus, se desejam obediência da parte de seus filhos. Este princípio é enfatizado muitas e muitas vezes nas Escrituras. “Tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo?” (Rm 2.21).

A respeito do pastor ou presbítero da igreja está escrito que ele tem de ser alguém “que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?)” (1 Tm 3.5). E, se um homem ou uma mulher não sabem como dominar seu próprio espírito (Pv 25.28), como poderão cuidar de seus filhos? Deus confiou aos pais um solene e valoroso privilégio. Não exageramos ao afirmar que em suas mãos estão depositadas a esperança e a bênção, ou a maldição e a ruína da próxima geração.

Suas famílias são os berçários da Igreja e do Estado, e, de acordo com o que agora cultivam, tais serão os frutos que colherão posteriormente.

Eles deveriam cumprir seu privilégio com bastante diligência e oração. Com certeza, Deus lhes pedirá contas referente à maneira de criarem seus filhos, que a Ele pertencem, sendo-lhes confiados para receberem cuidado e preservação.

A tarefa que Deus confiou aos pais não é fácil, em especial nestes dias excessivamente maus. Entretanto, poderão obter a graça de Deus, se a buscarem com sinceridade e confiança. As Escrituras nos fornecem as regras pelas quais devemos viver, as promessas das quais temos de nos apropriar e, precisamos acrescentar, as terríveis advertências, para que não realizemos essa tarefa de maneira leviana.


Instrua seu filho

Queremos mencionar aqui quatro dos principais deveres confiados aos pais.
Primeiro, instruir seus filhos. “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as in- culcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te” (Dt 6.6-7). Este dever é sobremodo importante para ser transferido aos outros; Deus exige dos pais, e não dos professores da Escola Dominical, a responsabilidade de educarem seus filhos. Tampouco essa tarefa deve ser realizada de maneira esporádica ou ocasional, mas precisa receber constante atenção. O glorioso caráter de Deus, as exigências de sua lei, a excessiva malignidade do homem, o maravilhoso dom de seu Filho e a terrível condenação que será a recompensa de todos aqueles que O desprezam e rejeitam — estas coisas precisam ser apresentadas constantemente aos filhos. “Eles são pequenos demais para entendê-las” é o argumento de Satanás, visando impedir os pais de cumprirem seu dever. “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6.4). Temos de observar que os “pais” são especificamente mencionados neste versículo, por duas razões: eles são os cabeças das famílias e o governo desta lhes foi confiado; os pais são inclinados a transferir sua responsabilidade às esposas. Essa instrução deve ser ministrada através da leitura da Bíblia e de explicar aos filhos as coisas adequadas à sua idade. Isto deveria ser acompanhado de ensinar-lhes um catecismo. Um constante falar aos mais novos não se mostra tão eficiente quanto a diversificação com perguntas e respostas. Se nossos filhos sabem que serão questionados após ou durante a leitura bíblica, ouvirão mais atentamente: fazer perguntas os ensina a pensarem por si mesmos. Este método também leva a memória a reter mais os ensinos, pois o responder perguntas definidas, fixa idéias específicas em nossas mentes. Observe quantas vezes Jesus fez perguntas aos seus discípulos.

Seja um bom exemplo

Segundo, boas instruções precisam ser acompanhadas de bons exemplos. O ensino proveniente apenas dos lábios provavelmente será ineficaz. Os filhos são espertíssimos em detectar inconsistências e rejeitar a hipocrisia. Neste aspecto, os pais precisam humilhar-se diante de Deus, buscando todos os dias a graça que desesperadamente necessitam e somente Ele pode dar. Que cuidado eles precisam ter, para que diante de suas crianças não digam e façam coisas que tendem a corromper suas mentes ou produzam más conseqüências, se elas as imitarem! Os pais necessitam estar constantemente alertas contra aquilo que pode torná-los desprezíveis aos olhos daqueles que deveriam respeitá-los e honrá-los. Não apenas devem instruir seus filhos no caminho da santidade, mas eles mesmos devem andar neste caminho, mostrando por sua prática e conduta quão agradável e proveitoso é ser orientado pela lei de Deus. No lar de pessoas crentes, o supremo alvo deve ser a piedade familiar — honrar a Deus em todas as ocasiões —, e as outras coisas, subordinadas a este alvo.

Quanto à vida familiar, nem o esposo nem a esposa deve transferir para o outro toda a responsabilidade pelo aspecto espiritual da vida da família. A mãe com certeza tem a incumbência de suplementar os esforços do pai, pois os filhos desfrutam mais de sua companhia. Se existe a tendência de os pais serem muito rígidos e severos, as mães são propensas a serem muito brandas e clementes; portanto, têm de vigiar mais contra qualquer coisa que enfraquecerá a autoridade do pai. Quando este proibir alguma coisa, ela não deve consenti-la às crianças. É admirável observar que a exortação dada em Efésios 6.4 é precedida por “Enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18); enquanto a exortação correspondente em Colossenses 3.21 é precedida por “habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo” (v. 16), demonstrando que os pais não podem cumprir seus deveres, a menos que estejam cheios do Espírito Santo e da Palavra de Deus.

Discipline seu filho


Terceiro, a instrução e o exemplo precisam ser reforçados mediante a correção e a disciplina. Antes de tudo, isto implica no exercício de autoridade — a correta aplicação da lei divina. A respeito de Abraão, o pai dos fiéis, Deus afirmou: “Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justiça e o juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito” (Gn 18.19).

Pais crentes, meditem nestas palavras com cuidado. Abraão fez mais do que simplesmente dar conselhos: ele ensinou com vigor a lei de Deus e ordenou sua casa. As regras com que ele administrou seu lar tinham o objetivo de seus filhos guardarem “o caminho do SENHOR” — aquilo que era correto aos olhos de Deus. Este dever foi cumprido pelo patriarca a fim de que a bênção de Deus estivesse sobre sua família. Nenhuma família pode crescer adequadamente sem leis familiares, que incluem recompensas e castigos. Isto é especialmente importante na primeira infância, quando ainda o caráter moral não está formado e as crianças não apreciam ou entendem seus motivos morais. As regras devem ser simples, claras, lógicas e flexíveis, tais como os Dez Mandamentos — poucas mas relevantes regras morais, ao invés de centenas de restrições insignificantes.

Uma das maneiras de provocarmos desnecessariamente nossos filhos à ira é atrapalhá-los com muitas restrições insignificantes e regras detalhadas e arbitrárias, procedentes de pais perfeccionistas. É de vital importância para o bom futuro dos filhos que estes sejam trazidos em submissão desde cedo. Uma criança malcriada representa um adulto ímpio — nossas prisões estão superlotadas com pessoas que tiveram a liberdade de seguirem seus próprios caminhos durante sua infância. A mais leve ofensa de uma criança quebrando as regras do lar não deve ficar sem a devida correção; pois, se ela achar clemência ao transgredir uma regra, esperará a mesma clemência em relação a outras ofensas, e sua desobediência se tornará mais freqüente, até que os pais não tenham mais controle, exceto através do exercício de força brutal. O ensino das Escrituras é claro quanto a este assunto. “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” (Pv 22.15; ver também 23.13- 14). Por isso, Deus afirmou: “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Pv 13.24). E, ainda: “Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo” (Pv 19.18). Não permita que uma afeição insensata o impeça de cumprir seu dever. Com certeza, Deus ama seus filhos com um sentimento paternal mais profundo do que você ama seus filhos, mas Ele nos diz: “Eu repreendo e disciplino a quantos amo” (Ap 3.19; cf. Hb 12.6). “A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe” (Pv 29.15). A severidade tem de ser utilizada nos primeiros anos de uma criança, antes que a idade e a obstinação endureçam-na contra o temor e a pungência da correção. Poupe a vara e você arruinará seu filho; não a utilize e terá de sofrer as conseqüências. É quase desnecessário salientar que as Escrituras citadas anteriormente não têm o propósito de incutir- nos a idéia de que nosso lar deve ser caracterizado por um reino de terror. Os filhos podem ser governados e disciplinados de tal maneira, que não percam o respeito e as afeições por seus pais. Estejamos atentos para não estragarmos seus temperamentos, por fazermos exigências ilógicas, e provocá-los à ira, por castigá-los expressando nossa própria ira. O pai têm de punir um filho desobediente não porque ficou bravo, e sim porque é correto fazer isso — Deus o exige, bem como a rebeldia de seu filho.

Nunca faça uma ameaça, se não tenciona cumpri-la. Lembre que estar bem informado é bom para seu filho, mas ser bem controlado é ainda melhor. Esteja atento às inconscientes influências que cercam seu filho. Estude meios para tornar seu lar atraente, não pela utilização de recursos carnais e mundanos, mas por servir-se de ideais nobres, por incutir- lhes um espírito de altruísmo e desenvolver uma comunhão agradável e feliz. Não permita que seus filhos se associem a más companhias. Verifique cautelosamente as revistas e livros que entram em seu lar, observe os amigos que ocasionalmente seus filhos convidam para vir ao lar e as amizades que eles estabelecem. Antes mesmo de o reconhecerem, muitos pais permitem seus filhos relacionarem-se com pessoas que arruinam a autoridade paternal, transtornam seus ideais e semeiam frivolidade e pecado.

Ore por seus filhos

Quarto, o último e mais importante dever, no que se refere ao bem-estar físico e espiritual de seus filhos, é a intensa súplica a Deus em favor deles. Sem isto, todos os outros deveres são ineficazes. Os meios são inúteis, exceto quando o Senhor os abençoa. O trono da graça tem de ser fervorosamente buscado, para que sejam coroados de sucesso os nossos esforços em educar os filhos para a glória de Deus. É verdade que precisa haver uma humilde submissão à soberana vontade de Deus, um prostrar-se ante a verdade da eleição. Por outro lado, o privilégio da fé consiste em apropriar-se das promessas divinas e em recordar que a ardente e eficaz oração de um justo produz muitos resultados.
A Bíblia nos diz que o piedoso Jó “chamava... a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles” (Jó 1.5). Uma atmosfera de oração deve permear o lar e ser respirada por todos os que dele compartilham.

Por: Arthur W. Pink
Fonte: Revista Fé para Hoje, Editora Fiel
Extraido do: Monergismo.com

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Disciplina Corretiva: Bater, Semear e Colher


5ª Mensagem
Disciplina Corretiva: Bater, Semear e Colher
Tedd Tripp
Instruindo o Coração da Criança - 2ª Edição
Ano: 2007
23ª Edição da Conferência Fiel para Pastores e Líderes
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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Membresia e Disciplina

Membresia e Disciplina from Editora Fiel on Vimeo.


2ª Mensagem
Membresia e Disciplina
Jonathan Leeman
Workshops - 9Marcas
Ano: 2008
24ª Edição da Conferência Fiel para Pastores e Líderes