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terça-feira, 19 de agosto de 2025

A Igreja que Não Pode Ser Derrubada | Augustus Nicodemus

Ao longo da história, a Igreja de Cristo tem enfrentado inúmeros regimes hostis, perseguições cruéis e sistemas de governo que intentaram sufocar sua existência. No entanto, apesar das tentativas humanas de silenciá-la, a promessa de Jesus permanece inviolável: “Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16.18, ARA).

Desde o início, a igreja nasceu sob perseguição. O Império Romano não apenas considerava o cristianismo uma ameaça ao seu culto imperial, mas também promoveu ondas sucessivas de martírio — desde Nero até Diocleciano. Contudo, em vez de extinguir a fé cristã, o sangue dos mártires se tornou semente de novos crentes.

Na Idade Média, regimes eclesiásticos corrompidos aliaram-se a poderes políticos para sufocar qualquer voz dissonante à ortodoxia imposta, mas mesmo assim o Evangelho floresceu em movimentos como o dos valdenses, dos hussitas e, séculos mais tarde, na Reforma Protestante. A Palavra de Deus não foi algemada.

Nos tempos modernos, os regimes totalitários do século XX — como o nazismo na Alemanha, o fascismo na Itália, e o comunismo soviético — viram na fé cristã uma ameaça ao controle absoluto do Estado. Igrejas foram fechadas, pastores assassinados ou exilados, Bíblias proibidas. Ainda assim, a fé permaneceu viva nos corações dos crentes, muitas vezes reunidos em casas, porões ou campos de trabalho forçado.

Hoje, a Igreja de Cristo continua a existir e florescer em países declaradamente inimigos do cristianismo, como a Coreia do Norte, o Irã, a Eritreia, a China comunista e outras nações sob regimes islâmicos radicais. Nessas regiões, confessar a fé em Cristo pode significar prisão, tortura ou morte. E, no entanto, multiplicam-se os testemunhos de conversões, reuniões secretas, batismos clandestinos e crescimento espiritual extraordinário. A igreja subterrânea dessas nações nos lembra que o Reino de Deus avança silenciosa, mas invencivelmente.

Essa sobrevivência e prosperidade em meio à oposição não se deve à força humana, mas à fidelidade de Deus, que guarda o Seu povo e conduz Sua igreja através das eras. Como escreveu o apóstolo Paulo: “Estamos atribulados por todos os lados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos” (2 Coríntios 4.8-9, ARA).

A história da Igreja é a história da fidelidade de Deus em meio ao sofrimento humano. Contra todo regime, ideologia ou força política que se levante contra ela, a Igreja de Cristo persevera — não porque seja poderosa em si mesma, mas porque é sustentada pelo Senhor ressurreto, que vive e reina para sempre.

 Augustus Nicodemus

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Como Encontrar uma Igreja: Orientações de Michael Horton (Artigo)

Encontrando uma Igreja: Um Guia para o Adorador Discernente

Por Michael Horton
Publicado pela Alliance of Confessing Evangelicals, Inc.
©1993, 1999 Alliance of Confessing Evangelicals
Tradução e adaptação para o blog por [Pb. Evandro Marinho e Canal Provai e Vede]

Introdução

"Como posso encontrar uma igreja onde Cristo seja pregado a partir da Sua Palavra, sem todo o ruído e distrações?" Esta é uma pergunta que já me fiz muitas vezes. A preocupação e frustração com a busca pelo lugar certo para adorar é compreensível. Neste artigo, vamos explorar como interpretar os “rótulos” denominacionais, identificar os sinais de uma igreja verdadeira, saber o que perguntar ao pastor e até mesmo como sair de uma igreja com sabedoria e graça.

Como Ler os Rótulos das Igrejas

Na Europa, após a Reforma, cada região tinha sua confissão oficial. Já nos Estados Unidos, com a liberdade religiosa e a ausência de uma igreja estatal, criou-se uma variedade imensa de denominações — algumas sérias, outras nem tanto. Desde igrejas tradicionais como Presbiterianos, Reformados, Episcopais e Luteranos, até movimentos mais recentes como os Pentecostais, Disciples of Christ e grupos independentes, o panorama religioso americano virou um “cafeteria espiritual”.

Denominações Reformadas e Presbiterianas

Há uma rica herança nas tradições Reformadas e Presbiterianas, com subdivisões como:

  • PCUSA (Presbyterian Church USA): mais liberal.

  • PCA (Presbyterian Church in America): conservadora.

  • OPC (Orthodox Presbyterian Church): confessionalmente conservadora.

  • RPCNA (Reformed Presbyterian Church of North America): canta apenas Salmos, sem instrumentos.

  • EPC (Evangelical Presbyterian Church): mais aberta.

  • KAPC (Korean-American Presbyterian Church): conservadora, com mais flexibilidade cultural.

Igrejas Reformadas de Herança Étnica

  • RCA (Reformed Church in America): com raízes holandesas.

  • CRC (Christian Reformed Church): tradicionalmente ortodoxa, mas cada vez mais influenciada por práticas contemporâneas.

  • URC (United Reformed Churches): saída da CRC para preservar a ortodoxia.

  • RCUS (Reformed Church in the United States): com raízes alemãs.

Luteranos e Episcopais

  • ELCA (Evangelical Lutheran Church in America): maior e mais liberal.

  • Missouri Synod e Wisconsin Synod: mais confessionais.

  • Episcopais nos EUA vivem uma tensão entre tradição e modernidade, com subdivisões internas como a Episcopal Synod of America.

Como Reconhecer uma Igreja Verdadeira

Os reformadores ensinaram que as marcas de uma verdadeira igreja são:

  1. A pregação fiel da Palavra de Deus, centrada em Cristo.

  2. A administração correta dos sacramentos (batismo e Ceia do Senhor).

Se a Palavra não for corretamente pregada e os sacramentos não forem devidamente administrados, não se trata de uma verdadeira igreja. Mesmo que uma denominação carregue um nome ortodoxo, é necessário discernir se está de fato pregando o Evangelho e aplicando os meios de graça.

O Que Perguntar ao Pastor?

Aqui estão quatro perguntas essenciais:

  1. Qual a visão da igreja sobre as Escrituras? Elas são infalíveis e autoridade suprema?

  2. Qual a confissão de fé da igreja? O pastor subscreve a confissão como padrão de pregação e ensino?

  3. O culto é um encontro reverente entre Deus e Seu povo, ou se assemelha a um show?

  4. Cristo é apresentado como Redentor ou apenas como um exemplo moral?


E Se Eu Precisar Sair?

Sair de uma igreja é uma decisão difícil, especialmente para quem valoriza a doutrina da igreja. Se a confissão de fé oficial ainda for ortodoxa, você pode permanecer e buscar a reforma interna. Caso contrário — se a Palavra e os sacramentos forem comprometidos —, a separação pode ser necessária. Porém, ao sair:

  • Faça-o com amor e respeito.

  • Evite escândalos e divisões públicas.

  • Ore por sabedoria e busque conselhos.

Sensibilidade ao Buscador: Um Engano Moderno?

Muito se fala sobre “ser sensível ao buscador” — isto é, adaptar o culto às preferências dos não convertidos. No entanto, Jesus disse que o Pai busca adoradores que o adorem em espírito e em verdade (João 4:23). Deus é o verdadeiro “buscador” — e não o homem.

Portanto, busque uma igreja onde:

  • A Palavra de Deus é fielmente ensinada.

  • O culto é centrado em Deus e não no entretenimento.

  • Há compromisso com a verdade, mesmo que o estilo seja simples ou “ofensivo” para os padrões do mundo.

Conclusão

Encontrar uma igreja saudável não é fácil, mas é essencial. Não se trata de buscar conforto ou preferências pessoais, mas de encontrar uma comunidade onde Deus seja verdadeiramente adorado, e onde você e sua família possam crescer na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo. Busque uma igreja comprometida com a verdade, centrada no Evangelho e marcada pela reverência no culto e fidelidade doutrinária.

Dr. Michael Horton é vice-presidente do Conselho da Alliance of Confessing Evangelicals e professor de Teologia Histórica no Westminster Seminary California. É autor de diversos livros, incluindo Putting Amazing Back Into Grace e We Believe.

Tradução e adaptação Pb. Evandro Marinho

Fonte e Artigo Original: Monergism

Como Encontrar uma Igreja: Orientações de Michael Horton

Procurar uma nova igreja pode ser uma das decisões mais difíceis e significativas da vida cristã. Em seu texto “Finding a Church”, o teólogo Michael Horton oferece conselhos bíblicos essenciais para essa jornada. Aqui estão os pontos principais:

1. O Que Devemos Procurar em uma Igreja?

Mais importante do que estilo musical ou atividades, pergunte: "Essa igreja é fiel à Palavra de Deus?"

“Examinai tudo. Retende o bem.” — 1 Tessalonicenses 5:21

2. As Marcas de uma Igreja Verdadeira

  • Pregação fiel da Palavra: centrada em Cristo (1 Coríntios 1:23)
  • Administração correta dos sacramentos: batismo e Ceia (Lucas 22:19)
  • Disciplina e cuidado pastoral: com amor e fidelidade (Hebreus 12:6)

3. Evite o Consumo Espiritual

Não estamos escolhendo um “produto religioso”, mas nos unindo ao corpo de Cristo.

“Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” — João 4:24

4. Igreja: Lugar de Palavra e Resposta

O culto é um encontro com Deus, onde Ele nos serve com graça e nós respondemos em adoração.

5. Perseverança e Paciência

Nenhuma igreja é perfeita. O importante é encontrar uma comunidade comprometida com a verdade.

Aplicações Práticas

  • A Bíblia é considerada infalível?
  • A pregação exalta Cristo?
  • Há ensino doutrinário consistente?
  • Os sacramentos são praticados biblicamente?
  • Há crescimento espiritual visível na comunidade?

Conclusão

Busque uma igreja onde o evangelho é central, a Palavra é proclamada, e Deus é adorado em espírito e verdade.

“E consideremo-nos uns aos outros para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não deixemos de nos reunir como igreja...” — Hebreus 10:24-25

Baseado no artigo de Michael Horton, professor de teologia histórica no Westminster Seminary California.

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Revitalização de Igrejas - Valdeci Santos | Programa Fides Reformata T03/E01


Neste programa recebemos o professor Dr. Valdeci Santos para uma entrevista a respeito do seu artigo "Revitalização de Igrejas: uma reflexão teologicamente orientada". O entrevistador é o prof. Dr. João Paulo Thomaz de Aquino. O artigo está disponível na Revista Fides Reformata edição nº01/2011. Sobre o Programa: O Programa Fides Reformata traz como convidados os autores de artigos publicados na Fides para debater o assunto de seu artigo. Link para o artigo

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Ame a sua igreja! Parte 3 | Ronaldo Lidório

O alvo de viver em família, como igreja, é o amor. Não é um alvo fácil. Ao contrário, às vezes parece inatingível. Como amar aquele que discorda de mim, já me ofendeu e com quem não tenho afinidades naturais?

A verdade é que a igreja é o lugar do amor. Somos ali lembrados que o alvo é amar a Deus, que é perfeito, e amar as pessoas imperfeitas. Paulo nos lembra que "​​​​​​​​ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei" (1 Co 13:2).
​​
Ame a sua igreja! Seja aquele que mais deseja que ela amadureça, cresça e floresça em Cristo Jesus. Seja aquele que mais deseja que ela seja usada por Deus em toda a medida que Ele planejou para ela. Não seja um crítico e não se junte aos críticos. Elogie no público e trate dos problemas no particular. Fale sobre os assuntos problemáticos somente com quem deve falar, com mansidão e oração; não para quebrar, mas construir. Se há alertas importantes, prepare-se em oração para partilhar com a sua liderança de forma apropriada, respeitosa e construtiva. A igreja é sua família, é seu povo. Você foi chamado para crescer com esse povo, portanto colabore.

Ame o seu pastor! Ele precisa de suas orações, compreensão e apoio. Não é fácil pastorear. Não é fácil cuidar de todo o rebanho. Não é fácil acertar em todas as decisões. Não é fácil solucionar conflitos relacionais. Não é fácil perseverar no ministério. Não é fácil ensinar assuntos complexos. Não é fácil manter a mansidão em situações conflitantes e recorrentes. Não é fácil cuidar da família e descansar o coração com tanto a fazer. Ame o seu pastor! Ame o seu irmão! Não é difícil amar aquele que se parece com você, gosta de você, pensa como você e é maduro na fé. Na igreja, porém, somos chamados a amar quem está quebrado, é imaturo e parece sempre achar um problema em todas as coisas. Lembre-se que você e ele carecem igualmente da graça de Cristo. Portanto, estamos todos no mesmo barco: pecadores arrependidos em busca de uma vida santa na presença do Senhor. E lembre-se que às vezes esse irmão quebrado somos nós, e outros caminham a segunda milha para nos amar e encorajar.
Por fim, faça disto um alvo pessoal: ame a sua igreja!

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Ame a sua igreja! Parte 2 | Ronaldo Lidório

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:9).

Relembramos ontem três princípios. Devemos amar a igreja por causa de Cristo; devemos amar a igreja por causa de nossos irmãos; e devemos amar a igreja por ser o lugar onde Deus nos colocou para o amadurecimento espiritual.
Veremos hoje outro motivo: Deus escolheu usar a igreja para cumprir a sua vontade. Ele poderia cumprir a missão pessoalmente, ou mesmo enviar anjos, mas escolheu usar vasos quebrados como nós. Três sugestões para que você evite as ciladas dos conflitos pessoais e cumpra a missão como parte da igreja. Primeiro, tenha em mente que somos todos diferentes, pois o Senhor nos fez assim. Não queira ser quem você não é. Não queira fazer aquilo que Ele não colocou em suas mãos. Não se compare com o seu irmão ou a sua irmã. Deus o fez de forma única. Paulo nos orienta: "Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixa de o ser. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde, o olfato? Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve" (1 Co 12:14-18). Segundo, busque o seu lugar na igreja, o que Deus o chamou a ser e fazer. Nenhum trabalho é pequeno demais, pois foi dado por Deus a você, como parte da igreja. Assim, tenha contentamento com a sua parte do serviço. Talvez seja arrumar as cadeiras para o culto, abrir a porta para o povo entrar ou levar sopa e pão para serem distribuídos. Talvez seja pregar a Palavra, pastorear o povo, ministrar no louvor ou plantar igrejas. Seja qual for, tenha humildade e contentamento com a sua parte da missão. Foi dada por Deus a você.
Terceiro, colabore para a unidade na igreja. Evite as críticas e não alimente os críticos. No caso de conflitos, trate diretamente com o seu irmão. Perdoe e seja perdoado. E lembre-se: o alvo é o amor.

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Ame a sua igreja! Parte 1 | Ronaldo Lidório

Todas as igrejas possuem problemas, pois são formadas por pessoas imperfeitas, como você e eu. Se alguém estiver à procura de falhas, encontrará razões para criticar qualquer igreja, pois todas possuem imperfeições, pecados e limitações.

Somos, porém, chamados para amar a igreja. E há algumas importantes razões para isto.

Primeiro, porque a Igreja é amada por Cristo e foi alvo do seu impensável e imensurável sacrifício: “ […] a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (At 20:28). Na cruz, o preço foi pago e o povo redimido. A Igreja, assim, é a noiva do Cordeiro e pertence a Ele. Ela é amada por Ele, fortalecida por Ele e guardada por Ele. Portanto, ame a igreja por causa de Cristo!

Segundo, ame a igreja por causa do seu irmão. Mesmo aquele irmão ou irmã que lhe dá dor de cabeça e age com imaturidade, ele foi chamado e salvo pelo Cordeiro e é parte da sua família, da família de Deus. E você foi chamado para viver eternamente com esse irmão na presença de Deus, se alegrando em Deus com ele. Portanto, enquanto na terra, tenha em mente que a igreja é formada por gente salva, mas com necessidade de amadurecer, incluindo você e eu.

Terceiro, ame a igreja, pois é ali que Deus nos colocou para amadurecer. Há áreas da nossa vida que são lapidadas pelo Senhor somente quando vivemos como igreja, partilhando a vida com nossos irmãos. Ali, as nossas fraquezas são reveladas e somos tratados pelo Senhor. Ali, somos perdoados e aprendemos a perdoar. Ali, trabalhamos juntos e aprendemos que precisamos uns dos outros. Ali, podemos orar e colaborar com aquele que precisa de um abraço, um consolo, uma admoestação ou um encorajamento. Amar a igreja não significa aceitar em silêncio falsas doutrinas, desmandos, imaturidades e conflitos. Amar a igreja é saber que fomos ali colocados para colaborar, servir e edificar, na Palavra e no temor do Senhor. Isto deve ser nossa bússola ao lidarmos com situações difíceis.
Meu irmão, minha irmã: ame a sua igreja!

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sábado, 10 de janeiro de 2015

O Crescimento da Igreja Reformada na História | Rev. Wilson Santana [5/5]

Por: Rev. Wilson Santana {Outras Palestras: [1][2][3][4][5]}
O Crescimento da Igreja Reformada na História
Semana Teológica de 2014
Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição.

O Crescimento da Igreja e o Evangelicalismo Brasileiro | Rev. Donizeti Ladeia [4/5]

Por: Rev. Donizeti Ladeia {Outras Palestras: [1][2][3][4][5]}
O Crescimento da Igreja e o Evangelicalismo Brasileiro
2ª Semana Teológica de 2014
Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição.

domingo, 30 de novembro de 2014

Os Benefícios da Obra do Mediador | Sergio Lima {Playlist}


Mensagens:
  1. Redenção e Muitos Outros Benefícios
  2. Quem Aplica a Obra de Cristo em Nós?
  3. Quem São os Redimidos?
  4. Alguém Pode ser Salvo sem Jesus Cristo?
  5. Basta Estar na Igreja Para Ser Salvo?
  6. O Cuidado de Deus com a Igreja
  7. Os Privilégios da Igreja Invisível
  8. O Que é a Justificação?
  9. O Que é a Vocação Eficaz?
  10. O Que é a Adoção?
Fonte: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Revitalização de Igreja: Um Trabalho de Tartaruga, Não de Lebre | Jeramie Rinne

Você conhece a clássica fábula: o arrogante coelho desafia os outros animais para uma corrida. A tartaruga aceita, para a perplexidade da lebre. A  corrida começa e o coelho corre a grande distância – tão grande que, na verdade, ele tem tempo para um cochilo. Mas, enquanto a lebre dorme, a tartaruga fielmente se arrasta e cruza à linha de chegada primeiro, em uma virada dramática. Moral da história: quem segue devagar e com constância ganha a corrida.

Talvez os seminários devessem oferecer uma aula sobre a exegese de Esopo. Com muita freqüência, pastores chegam a uma nova congregação, rapidamente vêem a necessidade de revitalização e arrancam, à velocidade de uma lebre, para virar a igreja de cabeça para baixo. Em poucos anos, graves problemas surgem. E a corrida termina, prematuramente, com uma congregação em conflito e um pastor ferido e pronto a abrir mão do ministério.

Jovens pastores, em particular, podem tornar-se vítimas dos perigos de uma reforma apressada. Isso ocorre, em parte, porque eles geralmente têm muita energia e idealismo, mas pouca experiência; porém, é também porque jovens pastores e igrejas em declínio parecem esbarrar uns nas outras. Uma igreja com problemas diz que deseja “energia nova” e “mais caras jovens” e, assim, está disposta a dar uma chance a um homem mais novo. E o jovem pastor está ansioso por aquele primeiro emprego e pronto para um desafio. E, assim, o ministro recém-formado chega e a corrida começa a uma velocidade assustadora.

Quatro coelhos da reforma de igrejas

Coelhos aparecem em muitas subespécies. Quer dizer, há muitas maneiras de precipitar uma reforma e renovação em uma igreja local, em detrimento da congregação e do pastor. Considere quatro modos arquetípicos pelos quais nós pastores agimos rápido demais em nossos esforços de trazer as mudanças necessárias às nossas igrejas:

O purista

O purista tem fortes convicções teológicas. Ele tem sido abençoado com uma clara visão bíblica para a vida da igreja e sua prática. Ele corre obstinadamente, sem desviar do caminho.

Infelizmente, ele se move rápido demais para a congregação. Nos primeiros seis meses, ele propõe uma nova declaração de fé, uma mudança constitucional para adotar presbíteros e uma limpeza radical do rol de membros. Ironicamente, em seu zelo pela fiel teologia da igreja, ele trata com rudeza o verdadeiro povo da igreja. Ele esbraveja as doutrinas da graça todo domingo, mas falha em mostrar ao seu povo a paciente graça de Deus em sua maneira de lidar com eles.

Esse pastor pode ser demitido rapidamente. E, infelizmente, ele pode ir embora como um mártir teológico em sua própria mente, cego para os seus equívocos. Mais triste ainda, aquela igreja agora está vacinada contra a reforma bíblica de que ela desesperadamente precisa.

O pragmático

O extremo oposto do purista, o pragmático fará “qualquer coisa que funcione” para trazer as pessoas à igreja e mantê-las lá. Nada está fora dos limites, contanto que faça a igreja crescer e não envolva imoralidade flagrante ou óbvia heresia. Um pragmático carismático e talentoso pode fazer uma igreja crescer de 50 para 500 em pouquíssimo tempo, com uma sagaz mistura de humor, tecnologia, liderança e personalidade.

O pragmático pode descobrir como fazer frequência da igreja crescer rapidamente, dando todas as aparências de revitalização. Mas algumas questões importantes permanecem: as pessoas estão verdadeiramente sendo convertidas ao evangelho, arrependendo-se dos pecados e confiando em Cristo? Ou as pessoas estão apenas sendo “igrejadas” de um modo eficiente? Esse pastor está fazendo discípulos de Jesus ou apenas fãs da igreja da última moda? Ele está cultivando uma sequóia espiritual, que cresce lentamente, mas adquire uma estatura majestosa? Ou ele está meramente plantando uma rosa, que hoje desabrocha, mas murcha amanhã?

Infelizmente, quanto mais rápida e efetivamente alguém é capaz de aumentar a frequência de uma igreja, menos provável é que esse alguém questione teologicamente seus métodos. Números nos enfeitiçam.

O imitador

O imitador economiza tempo pegando um atalho: ele meramente replica em sua própria congregação a filosofia, os programas e a estrutura da igreja de outros. Por que reiventar a roda? Por que não simplesmente comprar o livro, participar da conferência, adquirir o kit e baixar os sermões de outra igreja bem sucedida?

O imitador parece com o pragmático e, em um sentido, eles são semelhantes. Mas o purista pode cair nessa tentação também. Imitadores reformados também têm as suas igrejas e pastores heróis também.

Aprender com outros modelos de igreja não é errado. De fato, a Escritura nos ordena a seguirmos os exemplos piedosos de outros (1Coríntios 11.1; Filipenses 3.17) e o apóstolo Paulo chega a apresentar uma igreja local inteira como modelo para outros crentes (1Tessalonicenses1.7). Contudo, nós pastores nos tornamos imitadores quando impomos o modelo de uma outra igreja sem considerar amorosamente o caráter, a história e a cultura singulares de nossa congregação. Nós também erramos como imitadores ao deixar de avaliar o nosso modelo preferido à luz do ensino bíblico acerca da igreja local.

Fazer uma exegese fiel de sua igreja e de sua Bíblia é um trabalho de tartaruga. Não é algo que possa ser feito da noite para o dia.

O narcisista

Esta última lebre talvez seja a mais perigosa. O narcisista vê o ministério da igreja pelas lentes de sua própria narrativa pessoal. Ele vê a renovação e a reforma congregacional como o palco para estrelar um roteiro centrado em si mesmo.

Talvez ele sonhe ser o cara que ajudará a igreja tradicional e enfadonha a se tornar vanguardista. Ou talvez ele se imagine como um ativista que confrontará a complacente igreja de classe média acerca do envolvimento com os pobres. Ou talvez, em sua mente, ele seja a reencarnação de Lutero, procurando uma igreja doutrinariamente vacilante na qual possa fixar as suas 95 teses. Ou talvez ele simplesmente se veja falando a milhares de pessoas e queira transformar a sua congregação naquela megaigreja. É o sonho americano em sua versão pastoral.

Essas ilusões de grandeza tendem a produzir pastores impacientes. Quando estamos cheios de nós mesmos, nós interpretamos reveses no ministério como fracassos pessoais e diminuições na membresia da igreja como ameaças pessoais. Nós corremos como homens desgovernados quando tudo diz respeito a nós.

Agarre-se ao seu casco

E ali está tartaruga. Enquanto os coelhos arrancam em disparada, ela se arrasta fielmente adiante.

A tartaruga se empenha pela renovação por meio de um ritmo constante de pregação expositiva semanal, deixando que a Palavra faça sua obra de transformação. Ele dedica tempo significativo à oração, clamando a Deus por revitalização. Ele caminha devagar o bastante para conhecer e ouvir os membros da igreja, entendendo que não se pode verdadeiramente reformar aquilo que não se ama. Ele tem uma confiança abrangente na soberania de Deus em produzir a mudança necessária, então aqueles reveses caem sobre ele como chuva sobre um casco. Se Deus quiser, a tartaruga está disposta a dispender toda a carreira em uma única igreja. Sua narrativa pessoal é simples: eu sou apenas um servo de Jesus.

É impressionante quão longe uma tartaruga pode ir.

Toda igreja precisa de renovação. A igreja reformada está sempre se reformando. Assim, esforcemo-nos por renovação de um modo que ponha os holofotes na Palavra de Deus, no tempo de Deus e no poder do evangelho, e não em nossa própria criatividade, técnica e personalidade. Então, quando as pessoas lhe perguntarem como nós mudamos a nossa igreja, nós não exibiremos nossas musculosas pernas de coelho. Em vez disso, nós seremos capazes de dizer com toda a sinceridade: “Isto procede do SENHOR e é maravilhoso aos nossos olhos”.

Por: Jeramie Rinne 

Fonte e Créditos da imagem: Editora Fiel

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Por que Revitalizar uma Igreja? | Matt Schmucker

igreja

Eu perguntei ao jovem sentado ao meu lado no almoço: “Por que você decidiu ir ao seminário?”. Ele disse: “Eu queria fazer grandes coisas para Deus!”.

A resposta dele me fez tremer levemente. Eu me perguntei se ele acaso já lera alguma biografia de homens que fizeram “grandes coisas para Deus”. Ele estava ciente do sacrifício que vem com a “grandeza”?

Muitos desses grandes indivíduos eram reformadores. Eles viram algo quebrado, sem direção ou distorcido, e tomaram providências para mudar o rumo - ou reconstruir. Esses grandes indivíduos eram verdadeiros pastores: eram estudantes da Palavra que assumiram o encargo de proclamá-la. Eles agiram como profetas, não por meio da predição, mas do discernimento: sendo capazes de falar com franqueza acerca do presente, à luz do que havia sido escrito no passado.

É isso o que um pastor faz. Ele ergue a Palavra de Deus e chama homens e mulheres a renovarem as suas mentes e a reformarem os seus caminhos. Se você não quer ser um reformador, você não quer ser um pastor.

Motivações para a reforma

Quando você olha para um corpo de crentes pequeno, enfraquecido e enfermo, o que poderia levá-lo a começar o trabalho de reforma que é necessário? Deixe-me sugerir seis motivações:

1. Por causa do cristão

Em João 21, nós ouvimos Jesus perguntar a Simão Pedro (três vezes): “Simão, filho de João, tu me amas?”. Três vezes Simão Pedro diz: “Sim”. E três vezes Jesus diz: “Apascenta os meus cordeiros”. Em Lucas 15, nós lemos que Jesus estima o seu próprio povo de tal maneira que, se eles fossem ovelhas, ele deixaria “no deserto as noventa e nove” para resgatar a que se perdeu. Deus ama o seu povo. Ele deseja que todos estejam ajuntados e alimentados.

Em toda revitalização de igreja que eu já vi, há pelo menos algumas ovelhas presentes (às vezes em meio a lobos). Elas têm sido mal alimentadas e até maltratadas. Mas elas foram adotadas por Cristo e, portanto, são merecedoras de cuidado. Considere revitalizar uma igreja para o benefício dos verdadeiros crentes que estão lá.

2. Por causa do cristão nominal

Poucas coisas são mais lastimáveis do que o indivíduo que acredita ter o céu como recompensa quando, na verdade, o seu destino é o inferno. Muitas de nossas igrejas estão cheias desse tipo de pessoa - o “cristão” nominal. Paulo tinha essa preocupação em mente ao escrever: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos” (2Coríntios 13.5).

Desde a queda, ninguém está livre do autoengano. Nós facilmente somos feitos de bobo. E um pastor amoroso irá trabalhar para livrar do erro os autoenganados.

No início dos anos 1990, na Capitol Hill Baptist Church, nós trabalhamos duro para ir atrás de centenas de membros nossos que nunca frequentavam os cultos. Ao encontrá-los, a maioria não tinha nenhum interesse em nós e nossas ideias de “membresia significativa”. Mas havia uns poucos que, ao serem apresentados ao evangelho e ao chamado de Deus para que fossem parte do corpo, se arrependeram e vieram à fé. Dorothy, uma mulher de oitenta anos que não frequentava a igreja por mais de três décadas, morava nas proximidades. Nós compartilhamos o evangelho com ela, não desejando presumir nada. Ela disse: “Eu acho que jamais havia entendido isso antes”. Considere revitalizar uma igreja para o benefício dos “cristãos” nominais.

3. Por causa da vizinhança

Em 1993, após quatro décadas de declínio e outro pastor fracassado, a Capitol Hill Baptist Church chegou ao fundo do poço - pelo menos na minha percepção. Eu estava em meu caminho ao mercado local, certa noite, e dois vizinhos seguiam à minha frente. Eu conhecia aqueles homens. Eles eram um conhecido casal homossexual que morava na vizinhança de nossa igreja. Naquela noite, tendo ouvido o que acontecera com o nosso pastor despedido, os dois homens escarneciam da minha igreja em alta voz. Que ironia! Homens homossexuais escarnecendo de uma igreja de mente evangélica, mas que falhava em viver de acordo com aquele mesmo evangelho. Para usar um termo do Antigo Testamento, nós éramos um “provérbio” em nossa própria vizinhaça. Nós éramos uma testemunha reversa na própria comunidade na qual deveríamos ser um padrão de santidade. Felizmente, à medida que nossa igreja cresceu de forma mais saudável, o mesmo aconteceu com nosso testemunho.

Alguns anos depois, Mark Dever e eu estávamos em uma caminhada, e um vizinho que havia observado a nossa igreja por vinte anos nos parou e perguntou: “O que há de diferente com a sua igreja?”. Mark disse: “Bem, Matt tem tentado terminar a pintura e pôr em ordem o jardim”. O homem disse: “Não, não estou falando disso. Há algo diferente com as pessoas”.

Eu posso relatar hoje que muitos em nossa vizinhança vieram a Cristo. No processo de revitalização, nós fomos capazes de demolir um mau testemunho e substituí-lo por um bom testemunho - isso é um “leve-dois-pague-um” do evangelho. Considere revitalizar uma igreja enfraquecida para o benefício dos vizinhos.

4. Por causa dos recursos

Bilhões de dólares, doados por cristãos fiéis por muitas décadas, têm sido gastos em terrenos e construções. Hoje, com muita frequência, essas construções são subutilizadas ou estão até mesmo vazias - meros monumentos ao passado. Plantadores de igrejas muitas vezes menosprezam esses recursos e não pensam duas vezes em seguir uma abordagem de ministério potencialmente desgastante do tipo “igreja itinerante” ou “igreja sobre rodas”.

Por que essa abordagem é tão desgastante? Pergunte a quase todo plantador de igreja. Ele provavelmente lhe dirá quanto esforço é exigido das melhores pessoas de sua igreja para mudar de local toda semana, sem contar quando é necessário realocar pois o auditório de uma escola ou salão de hotel não está mais disponível. Então, considere mudar-se para uma velha vizinhança, revitalizar uma igreja e recuperar recursos que foram originalmente doados para propósitos evangélicos.

5. Por causa do futuro

Logo depois de perdermos o nosso último pastor e de eu ouvir os dois homens escarnecerem de nossa igreja, a casa onde morávamos, adquirida pela igreja, foi invadida e saqueada. A porta da frente foi arrombada e os objetos de valor foram roubados. Minha família ficou fora da cidade com os pais da minha esposa, até que a casa estivesse segura novamente.

Na primeira noite de volta, minha esposa fez uma pergunta muito pertinente: “O que nós estamos fazendo aqui?”. Ao deitarmos naquela noite, eu me perguntava a mesma coisa. Eu simplesmente disse (e com um espírito de oração): “Acho que estamos aqui pelas pessoas que virão”.

Eu devo rapidamente admitir que, normalmente, não sou tão alegremente otimista quanto ao futuro. Mas, naquele momento, eu senti como se Satanás estivesse fazendo as coisas parecerem pior do que eram, e precisávamos aguentar firme. Pela graça de Deus, persistimos em meio a circunstâncias muito difíceis e o futuro se mostrou muito promissor: nós estamos em uma temporada de prosperidade como igreja que já dura quase duas décadas. Em cada profissão de fé, cada batismo, cada ato de arrependimento, cada viagem missionária, cada moço que se compromete a preparar-se para o ministério, eu me alegro silenciosamente. Cada um desses eventos era, em um momento, uma parte do futuro da nossa igreja - um futuro que eu não conhecia, mas Deus sim.

Considere revitalizar por todas as pessoas que, algum dia, podem adentrar por suas portas e ser ajudadas em sua caminhada com Jesus.

6. Por causa do nome de Deus

Você é zeloso para que o nome de Deus seja honrado no mundo? O que você pensa da igreja ou do pastor que usa o nome de Deus e extrai tradições da Escritura, mas não segue o Deus único e verdadeiro que se revela na Bíblia?

Amigo, Deus é zeloso pelo seu próprio nome e louvor!

Por amor do meu nome, retardarei a minha ira e por causa da minha honra me conterei para contigo, para que te não venha a exterminar. Eis que te acrisolei, mas disso não resultou prata; provei-te na fornalha da aflição. Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não a dou a outrem. (Isaías 48.9-11)

Para que o nome de Deus seja apropriadamente representado no mundo, nós precisamos ser zelosos pelo testemunho da sua igreja. Por quê? Para que a glória de Deus seja difundida e magnificada. O seu nome é difamado quando igrejas ditas cristãs o representam de modo distorcido, com sua tolerância ao pecado, suas más práticas conjugais, visões erradas da sexualidade e uma multidão de heresias, desde a salvação até a autoridade da Escritura.

Eu oro contra essas igrejas que difamam o nome de Deus. Eu oro para que elas morram ou, pelo menos, tornem-se invisíveis para a vizinhança.

Eu positivamente oro por aquelas igrejas verdadeiras na minha vizinhança, que proclamam a verdade, que apropriadamente ajuntam aqueles que foram nascidos de novo, e cujo principal propósito é a glória de Deus. Considere revitalizar por causa do nome de Deus.

Conclusão

Eu tenho visto homens fiéis em nossos dias entrarem em situações nas quais a infidelidade reinava, e ali reformarem um povo ao pastoreá-lo. Você pode ter ouvido falar de alguns de seus nomes, como John Piper ou Mark Dever. Você pode não ter ouvido falar de muitos outros que eu poderia nomear. Mas, conhecidos ou desconhecidos, todos eles são homens fiéis que usaram os recursos existentes para revitalizar uma igreja por causa dos cristãos, dos “cristãos” nominais e da vizinhança. Em seus muitos dias fiéis de sangue, suor e lágrimas, Deus tinha um monte de pessoas em mente - no futuro - que receberiam benefícios eternos. E o nome de Deus está sendo magnificado!

Revitalizar uma igreja não é fácil - reforma nunca é. Mas há centenas de igrejas que precisam de pastores que irão fazer esse sacrifício diário por causa do reino. Então, ao meu jovem amigo seminarista que queria “fazer grandes coisas para Deus”, eu tinha uma sugestão: “Em vez de fazer grandes coisas para Deus”, eu disse, “por que você não tenta simplesmente ser fiel a um grande Deus?”.

Eu penso que isso foi o que todos os grandes reformadores fizeram e, também, o que grandes pastores fazem hoje. A grandeza deles, se é assim que você deseja chamar, não está em uns poucos atos heroicos, mas no acúmulo de muitos dias fiéis gastos em pregação, oração e no trabalho de reforma.  

Fonte: Editora Fiel

Imagem: Editora Fiel

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

A incompatiblidade da Fé Cristã com o Marxismo | Ewerton B. Tokashiki

A fé cristã e marxismo são duas cosmovisões incompatíveis. Isto significa reconhecer que são ideologias rivais quanto a Deus, a natureza do homem, a religião e a ética. As duas perspectivas são contrárias em sua concepção da realidade.

Por: Rev. Ewerton B. Tokashiki

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Aviso nº1 do livro “Avisos para a Igreja” | J.C. Ryle (Agosto de 1858)

igreja comunidade“Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la.” Mateus 16:18

Vivemos em um mundo no qual todas as coisas estão perecendo. Reinos, impérios, cidades, instituições, famílias, tudo é passível de mudanças e corrupção. Uma lei universal parece prevalecer em todo lugar. Há uma tendência, em todas as coisas criadas, a uma deterioração.

Há uma coisa triste e depressiva nisto. Que lucro tem um homem no trabalho de suas mãos? Haverá algo que permanecerá? Haverá algo que durará? Haverá algo que resistirá? Haverá algo na qual poderemos dizer: Isto continuará para sempre? Você terá as respostas a essas perguntas nas palavras de nosso texto. Nosso Senhor Jesus Cristo fala de algo que continuará e não passará. Há uma criação a qual é uma exceção para a regra universal da que tenho falado. Há uma coisa a qual nunca perecerá e nunca passará. Essa coisa é o edifício fundado sobre a rocha – a Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele declara, nas palavras que vocês ouviram esta noite: “Sobre essa pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la”.

Há cinco coisas nestas palavras que exigem sua atenção:

  • 1. Um edifício:Minha Igreja
  • 2. Um construtor: Cristo diz: “Edificarei minha igreja
  • 3. Uma fundação:Sobre essa pedra edificarei minha igreja”.
  • 4. Perigos implícitos: “As portas do hades”.
  • 5. Garantia afirmada:As portas do Hades não poderão vencê-las”.

Que Deus abençoe as palavras que serão proferidas. Possamos todos nós examinar nossos próprios corações esta noite, e saber se pertencemos ou não a essa Igreja. Possamos nós voltar todos para a casa para refletir e orar.

1. Primeiros vocês têm um “edifício” mencionado no texto. O Senhor Jesus Cristo fala da “Minha Igreja”.

Agora, qual é essa Igreja?: Poucas perguntas podem ser feitas de maior importância que estas. Pela necessidade da devida atenção a esse assunto, os erros que se faz notar na Igreja e no mundo não são poucos e nem pequenos.

A Igreja de nosso texto não é um edifício material. Não é um templo feito por mãos, de madeira, ou tijolos, ou pedras, ou mármores. Ela é um grupo de homens e mulheres. Ela não é uma particular igreja visível sobre a terra. Não é a igreja oriental ou ocidental. Não é a Igreja da Inglaterra ou da Escócia. Muito menos a de Roma. A igreja de nosso texto é uma que faz menos aos olhos do homem, mas faz mais importância aos olhos de Deus.

A Igreja de nosso texto é a edificação de todos os verdadeiros crentes no Senhor Jesus Cristo. Ela compreende todos os que se arrependeram dos seus pecados e se refugiaram em Cristo pela fé, e foram feitas novas criaturas nele. Ela consiste em todos eleitos de Deus, todos aqueles que têm recebidos a graça de Deus, todos aqueles que foram lavados no sangue de Jesus, todos aqueles que foram revestidos pela justiça de Cristo, todos aqueles que nasceram de novo e foram santificados pelo Espírito de Cristo. São os tais todos de cada nação, povo, e língua compõe a Igreja de nosso texto. Essa é a noiva. Essa é a esposa do cordeiro. Essa é a Igreja sobra a rocha.

Os membros desta Igreja não adoram Deus do mesmo modo, ou usam a mesma forma de governo. Nosso próprio 34º Artigo declara, “Não é necessário que as cerimônias sejam iguais ou semelhantes em todos os lugares”. Porém que todos adorem em um só coração. Sejam eles todos guiados por um Espírito. Sejam eles todos realmente e verdadeiramente santos. Possam eles cantar “Aleluia” e todos possam responder “Amém”.

Esta é aquela Igreja para quem todas as igrejas visíveis sobre a terra são servas. Sejam elas episcopais, independentes ou presbiterianas, todas elas servem ao interesse da verdadeira Igreja. Elas são andaimes atrás do qual o grande edifício é conduzido. Elas são as cascas sob a qual a semente viva cresce. Elas têm seus vários graus de utilidade. A melhor e a mais valiosa delas é aquela a qual são treinados os membros da verdadeira Igreja de Cristo. Mas nenhuma igreja visível tem o direito de dizer: “Nós somos a verdadeira Igreja. Somos os homens e a verdadeira sabedoria morrerá conosco”. Nenhuma igreja jamais deveria ousar a dizer “Permaneceremos para sempre. O inferno não prevalecerá contra nós”.

Esta é aquela Igreja que pertence as preciosas promessas do Senhor de preservação, continuidade, proteção e glória final. “Qualquer que seja” diz Hooker[1], “que leiamos nas escrituras, concernente ao eterno amor e misericórdia salvadora que Deus mostre a sua Igreja, o único justo assunto é esta Igreja, o qual nós propriamente chamamos de corpo místico de Cristo”. Pequena e desprezada como a verdadeira Igreja de Cristo possa ser neste mundo, ela é preciosa e honorável à vista de Deus. O templo de Salomão em toda a sua glória é nada comparado a Igreja que está edificada sobre a rocha.

Homens e irmãos, vejam que vocês retenham sãs a doutrina a respeito da “Igreja”. Um erro aqui pode os levar para o perigo e a ruína as almas. A Igreja que é composta de verdadeiros crentes é a Igreja para a qual nós, que somos ministros, somos ordenados especialmente para pregar. A Igreja que abrange todos aqueles que se arrependem e acreditam no evangelho, é a Igreja que nós desejamos que vocês pertençam. Nosso trabalho não está terminado e nossos corações ainda não estão satisfeitos, até vocês serem feitos novas criaturas e serem membros da verdadeira Igreja. Fora desta verdadeira Igreja não há salvação.

2. Passo ao segundo ponto, para qual eu proponho chamar a sua atenção. Nosso texto contém não meramente um edifício, mas também um construtor. Nosso Senhor Jesus Cristo declara: “Euedificarei minha Igreja”.

A verdadeira Igreja de Cristo está ternamente cuidada por todas as pessoas da bendita Trindade. Na economia da redenção, sem dúvida nenhuma, Deus o Pai escolhe, e o Deus Espírito Santo santifica cada membro do corpo místico de Cristo. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, três pessoas e um só Deus, cooperam para a salvação de cada alma salva. Esta é a verdade, a qual não devemos jamais esquecer.

Não obstante, há um senso peculiar na qual a assistência da Igreja é depositada sobre Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é peculiar e preeminentemente o Redentor e o Salvador. Consequentemente, o encontramos dizendo em nosso texto, “Eu edificarei: o trabalho de edificação é minha obra especial”.

  • É Cristo que chama os membros da Igreja no seu devido tempo. Eles são “os chamados de Jesus Cristo”.
  • É Cristo que lhes dá vida. “O filho dá também a vida a quem ele quer”. João 5:21.
  • É Cristo quem lavou seus pecados. Aquele “que nos ama e libertou dos nossos pecados por meio do seu sangue”. Apocalipse 1:5.
  • É Cristo que lhes dá a paz. “Deixo-lhes a paz, a minha paz lhes dou”. João 14:27.
  • É Cristo que lhes dá a vida eterna. “Eu lhes dou a vida eterna e eles jamais perecerão”. João 10:28.
  • É Cristo que lhes assegura arrependimento. “E Deus o exaltou, colocando-o à sua direita como Príncipe e Salvador para dar a Israel arrependimento e perdão dos pecados”, Atos 5:31.
  • É Cristo que os capacita a se tornarem filhos de Deus. “Contudo, aos que o receberam e aos que creram em seu nome deu-lhes o direito de tornarem filhos de Deus”. João 1:12.
  • É Cristo que continua a obra neles quando ela começou. “Porque eu vivo, vocês também viverão” João 14:19.

Em resumo “Pois foi do agrado de Deus que nele {em Cristo} habitasse toda a plenitude”. Colossences 1:19. Ele é o autor e consumador da fé. Dele, toda a junta e membro do corpo místico dos cristãos é suprido. Através de Cristo eles são fortificados para o dever. Através Dele eles são guardados do fracasso. Cristo os preservará até o fim e os apresentará sem falta diante do trono do Pai com grande regozijo. Ele é todas as coisas, e tudo em todos para os crentes.

O agente poderoso pela qual o Senhor Jesus Cristo cumpre este trabalho em grande número de Igrejas é, sem dúvida nenhuma, o Espírito Santo. É Ele que aplica Cristo e seus benefícios para a alma. É ele que renova, desperta, convence, leva para a cruz, transformando, tirando do mundo, pedra após pedra, e adicionado-o para o corpo místico de Cristo.

Mas o grande chefe construtor, que elaborou o trabalho de redenção e trouxe-o para o seu cumprimento, é o Filho de Deus: o verbo que se fez carne. È Jesus que “edifica”.

Edificando a verdadeira Igreja, o Senhor Jesus permite usar muitos instrumentos subordinados. O ministério do evangelho, a exposição das Escrituras, a admoestação amiga, a palavra falada na estação certa, atraindo influência das aflições, todos são métodos pela qual seu trabalho continua. Mas Cristo é o grande superintendente, arquiteto, ordenando, guiando, dirigindo tudo o que é feito. O que o sol é para todo o sistema solar, Cristo é para todos os membros da verdadeira Igreja. “Paulo pode plantar, Apolo regar, mas Deus dá o crescimento”. Ministros podem pregar, os escritores podem escrever. Mas é só Jesus que pode edificar. E se ele não edificar, a obra permanece paralisada.

Grande é a sabedoria com a qual o Senhor Jesus edifica a sua Igreja. Tudo é feito no devido tempo, na forma correta. Cada pedra em sua Igreja é colocada no lugar devido. Às vezes ele escolhe grandes pedras, e às vezes escolhe pequenas pedras. Às vezes, a obra se move rapidamente, às vezes vagarosamente. O homem é frequentemente impaciente, e pensa que nada está acontecendo. Mas o tempo do homem não é o tempo de Deus. Mil anos para Deus representa apenas um dia. O grande construtor não comete erros. Ele sabe o que está fazendo. Desde o inicio faz conhecer o fim. Ele trabalha através de um plano perfeito, certo e inalterável.  As mais poderosas concepções de arquitetos, como Michelangelo, são meras brincadeiras de crianças, em comparação com os sábios conselhos de Cristo com respeito a sua Igreja.

Grande é a condescendência e a misericórdia que Cristo mostra na edificação de sua Igreja. Ele frequentemente escolhe as mais improváveis e ásperas pedras e ajusta-as na mais excelente obra. Ele não despreza e nem rejeita ninguém por conta dos seus antigos pecados e transgressões passadas. Ele se agrada e deleita em mostrar misericórdia. Ele frequentemente pega o mais negligente e incrédulo e transforma-o em cantos polidos do seu templo espiritual.

Grande é o poder que Cristo exibe na edificação de sua Igreja. Ele prossegue Sua obra apesar da oposição do mundo, da carne e de Satanás. Na tempestade, no caos, através de tempos turbulentos, silenciosamente, quietamente, sem barulho, sem agitação, sem excitação, o edifício avança como o templo de Salomão. “Eu trabalharei”, declara, “e ninguém interromperá”.

Irmãos, os filhos do mundo têm pouco ou nenhum interesse na edificação desta Igreja. Eles não se importam pela conversão das almas. O que são espíritos quebrantados e corações arrependidos para eles? Tudo é bobagem à seus olhos. Porém, enquanto os filhos deste mundo não se importam, há alegria na presença dos anjos de Deus. Porque na preservação dessa Igreja, as leis da natureza têm sido, às vezes, suspensas. Para o bem dessa Igreja, todos os negócios de Deus neste mundo são ordenados e organizados. Pelo amor dos eleitos, as guerras são encerradas, e a paz é dada para a nação. Estadistas, governantes, imperadores, reis, presidentes, Chefes de governos, têm seus esquemas e planos, e pensam que são de alta importância. Porém, há outra obra que está acontecendo, definitivamente, de muito maior significado, pelas quais eles todos são nada mais que machados e instrumentos nas mãos de Deus. Essa obra é o ajuntamento de pedras vivas na verdadeira Igreja. Quão pouco nos contam a palavra de Deus a respeito dos não convertidos comparado com que nos contam sobre os convertidos crentes. A história de Ninrode, o poderoso caçador, é descartada em poucas palavras. A História de Abraão, o pai da fé, ocupa diversas páginas. Nada nas escrituras é tão importante como a concernente à verdadeira Igreja. O mundo desdenha da Palavra de Deus. A Igreja e sua história a tem em alta consideração.

Vamos agradecer a Deus para sempre, meus amados irmãos, porque a edificação da verdadeira Igreja está colocada sobre os ombros Daquele que é poderoso. Vamos bendizer a Deus, que não faz cair essa responsabilidade sobre o homem. Vamos bendizer a Deus que não depende de missionários, ministros ou comissões. Cristo é o poderoso Construtor. Ele prosseguirá sua obra, embora nações e igrejas visíveis desconheçam seus deveres e obrigações. Cristo nunca falhará. O que ele começou ele certamente executará e completará.

3. Passo para o terceiro ponto, que propus a considerar. O fundamento sobre a qual esta Igreja está edificada. O Senhor Jesus Cristo nos diz; “sobre essa rocha edificarei a minha Igreja”.

O que quis dizer o Senhor Jesus Cristo quando ele falou deste fundamento? Referia-se ele ao apóstolo Pedro com quem estava falando? Eu tenho certeza que não. Não consigo ver razão, pois se ele referia-se a Pedro ele teria dito “sobre você” eu edificarei minha Igreja. Se ele estivesse referindo-se a Pedro ele teria dito, “Eu edificarei minha Igreja por seu intermédio”, tão claramente quanto ele disse: “Eu lhe darei as chaves”. Não, não é na pessoa do apóstolo Pedro, mas na boa confissão que o apóstolo tinha acabado de fazer. Não era Pedro, o vacilante, o homem instável. Mas a poderosa verdade que o Pai havia revelada a Pedro. Era a mediação de Cristo, o messianismo de Cristo. Era a abençoada verdade, que Jesus era o salvador prometido, a verdadeira Garantia, o real intercessor entre Deus e o homem. Essa era a rocha, e esse era o fundamento sobre a qual a Igreja de Cristo seria edificada.

Meus irmãos, esse fundamento foi colocado mediante a um alto preço. Foi necessário que o filho de Deus tomasse a nossa natureza sobre Ele e naquela natureza vivesse, sofresse e morresse, não pelos seus próprios pecados, mas pelos nossos. Foi necessário que naquela natureza Cristo fosse para o túmulo e ressuscitasse. Foi necessário que naquela natureza subisse ao céu, sentasse a mão direita de Deus, tendo obtido redenção eterna para todo o seu povo. Nenhum outro fundamento exceto esse poderia sustentar essa Igreja da qual o texto fala. Nenhum outro fundamento poderia conhecer a necessidade de um mundo de pecadores.

O fundamento, uma vez obtido, é muito forte. Ele pode sustentar o peso do pecado de todo o mundo. Ele tem sustentado o peso de todos os pecados de todos os crentes que edificaram sobre ele. Pecados do pensamento, pecados da imaginação, pecados do coração, pecados da cabeça, pecados que cada um tem visto, pecados que nenhum homem conhece, pecados contra Deus, e pecados contra o homem pecados de todos os tipos e descrições – essa poderosa rocha pode suportar o peso de todos esses pecados e não ceder. O serviço mediador de Cristo é um remédio suficiente para todos os pecados de todo o mundo.

A esse fundamento cada membro da verdadeira Igreja de Cristo está conectado. Em muitas coisas os crentes estão em desacordos e desunidos. Na questão do fundamento de suas almas eles são uma só alma. Todos eles são edificados na rocha. Pergunte onde eles obtêm a paz, a esperança, e as expectativas jubilantes das boas coisas que estão por vir. Vocês descobrirão que tudo flui daquela poderosa verdade – Cristo, o Mediador entre Deus e o homem, e o ofício que Cristo detem como Sumo Sacerdote e Promessa dos pecadores.

Aqui está o ponto de exige a nossa atenção. Estamos nós sobre a rocha? Estamos nós reunidos ao único fundamento? O que aquele velho temente homem, Leighton diz?

“Deus pôs esta preciosa pedra para este exato propósito, que os fadigados pecadores possam descansar sobre ela.”

A multidão de imaginários crentes jazem todos ao redor, mas eles não são melhores por causa disso, não mais que as pedras que jazem soltas em pilhas, perto do fundamento, mas não reunidas a ele. Não há benefícios para nós através de Cristo se não estamos firmados Nele.

Olhem para o fundamento em que se apóiam, amados irmãos, para saberem se são membros ou não da verdadeira Igreja. É uma questão que pode ser conhecida por vocês mesmos. Suas adorações públicas podemos ver, mas não podemos ver se vocês estão pessoalmente edificados sobre a rocha. Podemos ver a presença de vocês na ceia do Senhor, mas não podemos saber se vocês estão unidos a Cristo, um em Cristo e Cristo em todos.  Porém, tudo virá á luz um dia. Os segredos dos corações serão revelados. Talvez vocês venham a Igreja regularmente e você ora fielmente. Tudo isso é correto e bom. Mas, observe que você não erre sobre sua própria salvação. Observe se sua própria alma está sobre a rocha. Sem isto, tudo mais não significa nada (é nada). Sem isto, vocês jamais resistirão ao dia do julgamento. Muito melhor ser encontrado em uma cabana naquele dia, do que em um palácio sobre a areia.

4- Prossigo, em quarto lugar, falando das provações sugeridas da Igreja, a qual nosso texto refere. Há menção feita de “os portões do inferno”. Por essa expressão somos levados a entender a força de Satanás e do mal.

A história da verdadeira Igreja de Cristo sempre tem sido de conflito e guerra. Ela tem sido constantemente assediada por um inimigo mortal, Satanás, o príncipe deste mundo. Satanás odeia a verdadeira Igreja de Cristo com um eterno ódio. Ele está sempre incitando oposição contra todos os seus membros. Ele está sempre instigando os filhos deste mundo a fazerem sua vontade e injuria e atormenta o povo de Deus. Se ele não pode ferir o Cabeça, ele ferirá o calcanhar. Se ele não pode roubar o paraíso dos crentes, ele os agravará quando eles viajarem pela estrada do céu.

Por seiscentos anos esta hostilidade tem continuado. Milhões de ímpios têm sido agentes de Satanás, e feito as obras de satanás, embora eles não saibam disso. Os Faraós, os Herodes, os Neros, os Julianos, os Dioclesianos, as Marias Sanguinárias; foram instrumentos de Satanás, quando eles perseguiram os discípulos de Jesus Cristo.

As guerras com os poderes do inferno tem sido a experiência de todo o corpo de Cristo. Tem sido sempre uma sarça em chamas, embora não consumida – uma mulher fugindo no deserto, mas não devorada. As igrejas visíveis têm seus tempos de prosperidades e épocas de paz, mas nunca tem havido um tempo de paz para a verdadeira Igreja. Seu conflito é perpétuo. Sua batalha nunca termina.

Guerra com os poderes do inferno é uma experiência de cada membro individual de todo o corpo de Cristo. Cada um tem que lutar. O que são as vidas de todos os santos senão registros de suas batalhas? O Que foram tais homens como Paulo, Tiago, João, Policarpo, Inácio, Agostinho, Lutero, Calvino, Latimer, Baxter, senão soldados engajados em uma constante guerra? Às vezes suas pessoas foram atacadas, às vezes suas propriedades. Às vezes foram atormentados por calúnias, e às vezes por aberta perseguição. Assim, de uma forma ou de outra, Satanás tem estado continuamente guerreando contra a Igreja.

Homens e irmãos, nós que pregamos o Evangelho podemos estender as mãos para todos aqueles que venham a Cristo, ultrapassando grandes e preciosas promessas. Podemos oferecer ousadamente a vocês no nome de nosso Mestre, a paz de Deus que ultrapassa a todo o entendimento. Misericórdia, gratuita graça e plena salvação são oferecidas para todos que virem para Cristo e Nele acreditarem. Porém, não prometemos paz com o mundo, ou com Satanás. Avisamos a vocês, pelo contrário, que deve haver uma guerra, enquanto estiverem no corpo. Nós não os reemprederemos ou deteremos no serviço de Cristo. Mas vocês terão que levar em conta o preço e entender completamente o que o serviço de Cristo implica. O Inferno está atrás de vocês. O céu diante de vocês. O Lar se apresenta do outro lado do mar agitado. Milhares, dezenas de milhares atravessaram essa águas turbulentas, é apesar de toda a oposição alcançaram o porto. O inferno os atacou, mas não prevaleceu. Vão em frente, amados irmãos e não temam o adversário. Somente vinculem-se a Cristo e a vitória é certa.

Não estranhe no ódio das portas do inferno. “Se vocês estivessem no mundo, o mundo amaria vocês com se fossem os seus”. Enquanto o mundo for mundo, e Satanás ser Satanás, deve haver guerra, e os crentes em Cristo devem ser soldados. O mundo odiou a Cristo, e o mundo odiará os verdadeiros crentes, enquanto a terra durar. Como disse o grande reformador Lutero:

“Caim continuará assassinado Abel enquanto a igreja estiver sobre a terra”.

Esteja preparado para a hostilidade das portas do inferno. Revista-se de toda a armadura de Deus. A torre de Davi tem mil escudos, todos prontos para o uso do povo de Deus. As armas de nossa guerra têm sido experimentadas por milhões de pobres e miseráveis pecadores como nós mesmos, e nunca se depararam com o fracasso.

Sejam pacientes sob o espinheiro das portas do inferno. Tudo isso coopera para o nosso bem. Isso tende a nos santificar. Mantêm vocês desperto. Isso faz vocês humildes. Isso os leva a estar mais próximos do Senhor Jesus Cristo. Isso os leva ao desapego do mundo. Isso ajuda vocês a orarem mais. Acima de tudo, faz vocês ansiarem pelo céu, e dizer com o coração e também com os lábios: “Venha Senhor Jesus”.

Não se perturbem pelo ódio do inferno. A guerra dos verdadeiros filhos de Deus é tanto uma marca da graça quanto a paz interior que ele goza. (desfruta). Sem cruz, sem coroa.

Sem conflito, sem salvação cristã! “Bendito são,” disse o Senhor Jesus Cristo, “quando as pessoas insultarem vocês, perseguir-los, e falsamente acusá-los de toda a sorte de maldade contra vocês por causa de mim”.

5- Ainda permanece algo em acréscimo para ser considerado: A segurança da verdadeira Igreja de Deus. Há uma gloriosa promessa dada pelo poderoso Construtor, “As portas do inferno não prevalecerão”.  Ele que não pode mentir, assegura com sua real palavra, que todos os poderes do inferno nunca derrubarão Sua Igreja. Ela continuará e permanecerá a despeito de cada ataque. Ela jamais será vencida. Todas as outras coisas perecerão, exceto a Igreja de Cristo. A mão da violência exterior, ou a traça da deterioração interior prevalecem sobre qualquer outra coisa mais, mas não sobre a Igreja que Cristo edifica.

Impérios se levantaram em rápida sucessão. Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia, Tiro, Cartago, Roma, Grécia, Veneza – Onde estão todas elas agora? Todas elas foram edificações feitas por mãos humanas, e passaram. Porém, a Igreja de Cristo vive.

As mais poderosas cidades se tornaram um amontoado de ruínas. Os amplos muros da Babilônia estão afundados na terra. Os palácios de Níneve são um amontoado de poeira. As centenas de portões de Tebes são somente assuntos da história. Tiro é um lugar onde os pescadores penduram suas redes. Cartago é uma desolação. Entretanto, todo esse tempo a verdadeira Igreja permanece. As portas do inferno não prevalecerão contra ela.

As mais antigas igrejas visíveis têm, em muitos casos, apostatado e perecido. Onde estão as Igrejas de Éfeso e a Igreja de Antioquia? Onde está a Igreja de Alexandria e a Igreja de Constantinopla? Onde estão as igrejas de Corinto, de Filipos e Tessalônica? Onde, de fato, estão todas elas? Elas se desviaram da Palavra de Deus. Elas estavam orgulhosas de seus bispos, dos seus sínodos, das suas cerimoniais, dos seus ensinos e tradições. Eles não se gloriaram na verdadeira cruz de Cristo. Elas não se apegaram ao Evangelho. Elas não deram a Jesus, ou mesmo a fé, o seu devido lugar. Elas estão, agora, entre as coisas que já foram. Seus candelabros foram retirados. Porém durante todo esse tempo a verdadeira Igreja de Cristo tem permanecido viva. Tem a verdadeira Igreja sido perseguida em seu país? Tem sido ela pisoteada e oprimida em algum solo? Foi plantada e floresceu em outro clima. Fogo, espada, prisões, multas, penalidades nunca foram capazes de destruir sua vitalidade. Seus perseguidores têm morrido e ido para seus próprios lugares, mas a palavra de Deus vive, cresce e se multiplica. Por mais a verdadeira Igreja que pareça fraca aos olhos do homem, ela é uma bigorna que tem quebrado a muitos, e talvez quebre a muitos outros antes do fim. Aquele que põe as mãos nela, está tocando a menina dos olhos de Deus.

A promessa de nosso texto aplica-se verdadeiramente a todo o corpo da verdadeira Igreja de Cristo. Cristo nunca estará sem uma testemunha no mundo. Ele tem tido um povo nos piores tempos. Ele teve 7.000 em Israel nos dia do rei Acabe. Há alguns agora, acredito eu, nos lugares escuros da Igreja Católica Romana e nas Igrejas Ortodoxas Gregas, que apesar de muita fraqueza, estão servindo Cristo. Satanás pode enfurecer-se terrivelmente. A igreja pode ser espezinhada em alguns países. Porém, as portas do inferno não prevalecerão completamente.

A promessa de nosso texto se aplica verdadeiramente a cada membro da Igreja. Alguns do povo de Deus têm sido humilhados, para que se desesperassem da sua esperança. Alguns têm caído de forma triste, como Pedro e Davi. Alguns deixaram a fé por algum tempo. Muitos têm sido tentados pelas dúvidas cruéis e pelo medo. Mas, finalmente todos chegaram seguros ao lar, tanto o velho quanto o jovem, tanto o mais fraco quanto o mais forte. E assim será no fim. Vocês podem impedir que o sol nasça amanhã? Vocês podem evitar a maré no fluxo e refluxo? Vocês podem evitar que os planetas se movam em suas respectivas órbitas? E então, somente então vocês poderão evitar a salvação de qualquer crente, embora fraco – ou de qualquer pedra viva nessa Igreja que está edificada na rocha, por pequena ou insignificante essa pedra possa parecer.

A verdadeira Igreja é o corpo de Cristo. Nenhum osso nesse corpo místico jamais será quebrado.

A verdadeira Igreja é a noiva. Aqueles a quem Deus reuniu no último pacto jamais serão separados.

A verdadeira Igreja é o rebanho de Cristo. Quando o leão veio e pegou um cordeiro do rebanho de Davi, Davi levantou-se e livrou o cordeiro de sua boca. Cristo fará o mesmo. Ele é o grande filho de Davi. Nenhum cordeiro sequer no rebanho de Cristo perecerá. Ele dirá a seu pai no último dia: “Eu não perdi nenhum daqueles que me deste”.

A verdadeira Igreja é o trigo da terra. Ele pode ser peneirado, joirado, aparado, arremessado daqui e dali. Mas nenhum deles será perdido. Os joios e as palhas serão queimados. E o trigo será ajuntado no celeiro.

A verdadeira Igreja é o exército de Deus. O Capitão de nossa salvação não perderá nenhum de seus soldados. Seus planos nunca serão frustrados. Sua provisão nunca faltará. Seu recrutamento é a mesmo no fim, como era no começo. Dos homens que marcharam audazmente da Inglaterra, há poucos anos atrás, para a guerra da Criméia[2], muitos não voltaram. Regimentos que foram adiante, fortes e animados, com as mãos acenando e bandeiras tremulando, deixaram seus ossos em uma terra estrangeira, e nunca retornaram para seu país de origem. Mas o mesmo não acontece com o exercito de Cristo. Nenhum de seus soldados se perderá no fim. Ele próprio declara: “Eles nunca perecerão”.

Satanás poderá lançar alguns membros da verdadeira Igreja na prisão. Ele pode matar, queimar, tortura e enforcar. Porém, após ter matado o corpo, não há mais nada que ele possa fazer. Ele não pode ferir a alma. Quando as tropas francesas ocuparam Roma há poucos anos atrás, eles acharam na parede de uma cela da prisão, sob a Inquisição, as palavras de um prisioneiro. Quem ele era, não sabemos. Mas, vale a pena lembrar suas palavras. Embora morto, ele ainda fala. Ele escreveu nas paredes, muito provavelmente após um injusto julgamento, e ainda uma injusta excomunhão, as seguintes palavras: “Bendito Jesus, eles não podem me lançar fora de Sua verdadeira Igreja”. Esse registro é verdadeiro. Nem toda a força de Satanás pode lançar fora da verdadeira Igreja de Cristo um crente sequer.

Os filhos deste mundo podem conduzir um feroz combate contra a Igreja, mas eles não podem parar a obra da salvação. O que o sorriso escarnecedor do Imperador Juliano disse, nos primórdios da Igreja, “O que o filho do carpinteiro está fazendo?”. Um cristão idoso responde: “Ele está fazendo um caixão para o próprio Juliano”. Passado alguns meses, com toda a sua pompa e poder, o imperador Juliano morreu em batalha. Onde estava Cristo quando as fogueiras de Smithfield foram acesas, e quando Latimer e Ridley foram queimados?[3] O que estava Cristo fazendo então? Ele ainda estava prosseguindo sua obra de edificação. Esse trabalho sempre prosseguirá, mesmo em tempos turbulentos.

Não temais, amados irmãos, em começar a servir Cristo. Aquele a quem vocês confiam suas almas, tem todo o poder no céu e na terra e Ele lhes guardará. Ele nunca permitirá que vocês sejam lançados fora. Parentes podem se opor a vocês. Os vizinhos poderem zombar. O mundo pode caluniar e rir escarnecendo. Não temais! Não temais!  Os poderes do inferno jamais prevalecerão contra a sua alma. Maior é aquele que está em vocês, do que todos aqueles que estão contra vocês.

Não temais pela Igreja de Cristo, meus irmãos, quando ministros morrerem e os santos serem levados. Cristo sempre pode manter sua própria causa; Ele levantará estrelas melhores e mais brilhantes. As estrelas estão todas em sua mão direita. Deixe todos os pensamentos ansiosos sobre o futuro. Não se perturbem pelas medidas dos estadistas, ou de complôs dos lobos em pele de cordeiro. Cristo sempre proverá a sua própria Igreja. Cristo cuidará para que as portas do inferno não prevaleçam contra ela. Tudo irá bem, embora nossos olhos possam não ver. Os reinos deste mundo ainda se tornarão os reinos do nosso Deus e do seu Cristo.

Permitam-me dizer algumas palavras de aplicação prática desse sermão. Eu falo para muitos, pela primeira vez. Falo, talvez, para muitos, pela ultima vez. Que não se permita que este culto se conclua sem um esforço de aplicarem, em cada coração, este sermão.

1 . Minha primeira palavra de aplicação será uma pergunta Qual será esta pergunta? Como eu abordarei vocês? Que perguntarei? Eu pergunto se vocês são membros da verdadeira Igreja de Cristo? São vocês, no mais alto e no melhor dos sentidos, um verdadeiro “Homem da Igreja”[4] aos olhos do Senhor? Vocês sabem o que quero dizer? Estou olhando muito além da Igreja da Inglaterra. Eu falo da Igreja edificada sobre a rocha. Pergunto-lhes, com toda solenidade: são vocês membros dessa Igreja de Cristo? Vocês estão conectados no grande fundamento? Vocês já receberam o Espírito Santo? O Espírito Santo testifica com seu espírito que vocês são um em Cristo e Cristo com vocês? Eu peço a vocês, em nome de Deus, que apliquem seus corações a esta questão e reflitam bem nela.

Acautelai-vos por vocês mesmos, queridos irmãos, se não puderem dar uma resposta satisfatória para pergunta. Considerem, considerem, para que não naufraguem na fé. Acautelai-vos, a fim de que as portas do inferno não prevaleçam contra vocês, que Satanás reivindique vocês com sua propriedade, e vocês sejam lançados fora para sempre. Acautelai-vos, a fim de que vocês não desçam para o poço da terra da Bíblia e da completa luz do Evangelho de Cristo.

2 . Minha segunda palavra será um convite. Eu a endereço a todos aqueles que não são verdadeiros crentes. Digo a vocês, venham e juntem-se à verdadeira Igreja, sem demora. Venham e juntem-se ao Senhor Jesus Cristo em um eterno pacto para não serem esquecidos. Venham para Jesus e serão salvos. O dia da decisão deve chegar em algum tempo. Porque não nesta noite. Porque não hoje, enquanto é chamado hoje? Porque não, bem nesta noite, antes do sol nascer amanhã de manhã? Venham a Ele, a quem eu sirvo. Venham ao meu mestre, Jesus Cristo. Venham, Eu digo, porque todas as coisa estão prontas agora. Misericórdia esta pronta para vocês, o céu está pronto para vocês, anjos estão prontos regozijando por vocês, Cristo está pronto para recebê-los. Cristo receberá vocês alegremente, e dará boas-vindas a vocês entre seus filhos. Entrem na arca, o dilúvio da ira de Deus breve romperá sobre a terra, venham para a arca e estejam seguros.

Venham para o barco salva-vidas. O velho mundo breve se quebrará em pedaços! Vocês não sentem o tremor dele? O mundo não é senão um Navio naufragado e emperrado nas areias. A noite declina – as ondas estão começando. Mas o bote salva-vidas é lançado, e nós, os ministros do evangelho, pedimos a vocês que entrem no barco salva-vidas e sejam salvos.

Vocês perguntam como posso vir se meus pecados são muitos? Vocês perguntam como virão? Ouçam as palavras deste maravilhoso hino:

“Apenas como estou: sem nem um pedido; Exceto que o seu sangue foi derramado, E que Tu ofereceste me vir a Ti, Ó Cordeiro de Deus Eu vou”

Este é o caminho para vir a Cristo. Vocês devem vir, sem esperar nada, e não se retardando por nada. Vocês devem vir, como um pecador faminto, para serem satisfeitos, como um pobre pecador para ser enriquecido, como um infeliz, pecador injusto para ser revestido com justiça. Assim, vindo, Cristo receberá vocês. “aquele que vir a Cristo”, Ele “não lançará fora.

3. Por último, permita-me dar uma apalavra de exortação para meus ouvintes crente;

Vivam uma vida santa, meus irmãos. Andem dignamente, pela Igreja que vocês pertencem.

Vivam como cidadãos dos céus. Deixem sua luz brilhar diante dos homens, para que o mundo possa beneficiar-se pela conduta de vocês. Deixem-nos conhecerem quem vocês são, e a quem vocês servem. Sejam cartas de Cristo, conhecidas e lidas por todos os homens; escritas em tal clareza, que ninguém possa dizer: nós não sabemos se ele é ou não um membro da Igreja de Cristo.

Vivam uma vida corajosa, meus irmãos. Confessem Cristo diante dos homens. Seja qual for o posto que ocupem, neste posto professem Cristo. Porque deveriam envergonharem-se dele? Ele não se envergonhou de vocês na cruz. Ele está pronto para confessar vocês diante do Pai nos céu. Porque deveriam vocês se envergonhar dele? Sejam corajosos. Tenham muita coragem. O bom soldado não se envergonha do seu uniforme. O verdadeiro crente nunca deve estar envergonhado de Cristo.

Vivam uma vida exultante, meus irmãos. Vivam como homens que procuram por essa abençoada esperança – a segunda vinda de Jesus Cristo. Este é a expectativa a qual nós todos devemos esperar ansiosamente. Não é tanto o pensamento de ir para o céu, mas de o céu vir para nós, que deveria preencher nossas mentes. Há um bom tempo vindo para todo o povo de Deus – um bom tempo para toda a Igreja de Cristo – um bom tempo para todos os crentes – mau tempo para os impenitentes e incrédulos – para todos aqueles que servirem suas próprias luxúrias, e virarem as costas para o Senhor, mas um bom tempo para os verdadeiros cristãos. Para esse bom tempo vamos esperar, vigiar e orar.

Os andaimes serão em breve derrubados – a última pedra será breve revelada – a pedra principal será colocada sobre o edifício. Ainda, em pouco tempo e a plena beleza da edificação será claramente vista.

O grande mestre construtor breve viráem pessoa. Umedifício será mostrado para o mundo reunido, no qual não haverá imperfeição. O Salvador e os salvos se alegrarão juntos. O universo inteiro reconhecerá que no edifício da Igreja de Cristo tudo estava bem feito. Amém.

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NOTA: Por mais de um século, J. C. Ryle ficou mais conhecido por seus textos claros e vivos, que falavam sobre temas práticos e espirituais.  Seu grande objetivo, durante seu ministério, foi encorajar uma vida cristã firme e séria.  Entretanto, Ryle não era ingênuo e sabia como esse encorajamento deveria ser feito.  Ele reconheceu que, como pastor do rebanho de Deus, tinha a responsabilidade de proteger as ovelhas de Cristo e alertá-las sempre que visse algum perigo se aproximando.  Seus intensos comentários são tão sábio e relevantes hoje, quanto foram quando ele os primeiro escreveu.  Seus sermões e outros escritos tem sido constantemente reconhecidos e sua utilidade e impacto continuam até hoje, mesmo no inglês obsoleto da época do autor.

Por que, então, exposições já tão bem sucedidas e memoráveis, provadas úteis, precisam de adaptação, revisão e reedição? A resposta é clara.  Para aumentar sua utilidade para leitores atuais. A linguagem com a qual foi originalmente escrita, precisa de atualização.

Por mais que seus sermões, da forma com que foram escritos pelo autor no século XIX, tenham servido para outras gerações, eles podem se perder nas gerações presente e futura, simplesmente porque, para eles, a linguagem não é facilmente e nem completamente entendível.

Meu intuito, entretanto, não é reduzir o escrito original ao vernáculo dos nossos dias.  Ele surgiu primeiramente para você, que deseja ler e estudar de modo confortável e fácil, na linguagem do seu tempo.  Obviamente, apenas terminologias arcaicas e passagens obscurecidas por expressões que não nos são familiar foram revisadas.    Contudo, nem a intenção de Ryle, tampouco seu propósito foram adulterados.

Tony Capoccia

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ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA EDIFICAÇÃO DE MUITOS E SALVAÇÃO DE PECADORES.

FONTE

  • Esse manuscrito atualizado e revisitado é de direitos autorais de © 1998 por Tony Capoccia.
  • Todos os direitos reservados.
  • Todo direito de tradução em português protegido por lei internacional de domínio público
  • Tradução: Paulo da Silva
  • Revisão: Armando Marcos Pinto
  • Capa: Victor Silva

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[1] Richard Hooker (1554 – 1600) foi um pastor Anglicano e um influente teólogo reformado. A ênfase de Hooker na razão e na tolerância influenciaram bastante o desenvolvimento de Anglicanismo. (Wikipédia)

[2] A Guerra da Criméia foi um conflito que se estendeu de 1853 a 1856, na península da Crimeia (no mar Negro, ao sul da atual Ucrânia), no sul da Rússia e nos Bálcãs. Envolveu, de um lado o Império Russo e, de outro, uma coligação integrada pelo Reino Unido, a França, o Reino da Sardenha – formando a Aliança Anglo-Franco-Sarda – e o Império Otomano (Wikipédia)

[3] Fogueiras de Smithfield: referência a diversos mártires protestantes que foram executados nesse local em Londres pela Rainha Maria, a Sanguinária

[4] Em inglês, o termo que Ryle usa é “Churchmam” que muitas vezes é usado como referência aos clérigos e sacerdotes da Igreja da Inglaterra, reforçando assim a ideia de Ryle.