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terça-feira, 2 de novembro de 2021

Série: A Boa Reforma | 05. Teologia Reformada é Mãe da Teologia da Prosperidade? - Leandro Lima


Série: A Boa Reforma Instituto | Instituto Reformado de São Paulo
01. O Que Significa Ser Reformado? - Leandro Lima 
02. A Principal Doutrina da Reforma - Leandro Lima 
06. Doutrina da Prosperidade - Leandro Lima 

Temos mais de cinquenta cursos de Teologia Reformada, acesse Instituto Reformado de São Paulo o site e conheça mais sobre nossos cursos e aluno para seu crescimento e edificação da igreja. 

Série: A Boa Reforma | 04. Soberania de Deus e Liberdade Humana - Leandro Lima


Série: A Boa Reforma Instituto | Instituto Reformado de São Paulo
01. O Que Significa Ser Reformado? - Leandro Lima 
02. A Principal Doutrina da Reforma - Leandro Lima 
06. Doutrina da Prosperidade - Leandro Lima 

Temos mais de cinquenta cursos de Teologia Reformada, acesse Instituto Reformado de São Paulo o site e conheça mais sobre nossos cursos e aluno para seu crescimento e edificação da igreja. 

Série: A Boa Reforma | 01. O Que Significa Ser Reformado? - Leandro Lima


Série: A Boa Reforma Instituto | Instituto Reformado de São Paulo
01. O Que Significa Ser Reformado? - Leandro Lima 
02. A Principal Doutrina da Reforma - Leandro Lima 
06. Doutrina da Prosperidade - Leandro Lima 

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sábado, 4 de setembro de 2021

Teologia Relacional: um novo deus no mercado | Rev. Augustus Nicodemus Lopes

As ondas gigantes que provocaram a tremenda catástrofe na Ásia no final de dezembro de 2004 afetaram também os arraiais evangélicos, levantando perguntas acerca de Deus, seu caráter, seu poder, seu conhecimento, seus sentimentos e seu relacionamento com o mundo e as pessoas diante de tragédias como aquela.

 Dentre as diferentes respostas a essas perguntas, uma chama a atenção pela ousadia de suas afirmações: Deus sofreu muito com a tragédia e certamente não a havia determinado ou previsto; ele simplesmente não pôde evitá-la, pois Deus não conhece o futuro, não controla ou guia a história, e não tem poder para fazer aquilo que gostaria. Esta é a concepção de Deus defendida por um movimento teológico conhecido como teologia relacional, ou ainda, teísmo aberto ou teologia da abertura de Deus.

A teologia relacional, como movimento, teve início em décadas recentes, embora seus conceitos sejam bem antigos. Ela ganhou popularidade por meio de escritores norte-americanos como Greg Boyd, John Sanders e Clark Pinnock. No Brasil, estas ideias têm sido assimiladas e difundidas por alguns líderes evangélicos, às vezes de forma aberta e explícita.

A teologia relacional considera a concepção tradicional de Deus como inadequada, ultrapassada e insuficiente para explicar a realidade, especialmente catástrofes como o tsunami de dezembro de 2004, e se apresenta como uma nova visão sobre Deus e sua maneira de se relacionar com a criação. Seus pontos principais podem ser resumidos desta forma:

1. O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas.
2. Deus não é soberano. Só pode haver real relacionamento entre Deus e suas criaturas se estas tiverem, de fato, capacidade e liberdade para cooperarem ou contrariarem os desígnios últimos de Deus. Deus abriu mão de sua soberania para que isto ocorresse. Portanto, ele é incapaz de realizar tudo o que deseja, como impedir tragédias e erradicar o mal. Contudo, ele acaba se adequando às decisões humanas e, ao final, vai obter seus objetivos eternos, pois redesenha a história de acordo com estas decisões.
3. Deus ignora o futuro, pois ele vive no tempo, e não fora dele. Ele aprende com o passar do tempo. O futuro é determinado pela combinação do que Deus e suas criaturas decidem fazer. Neste sentido, o futuro inexiste, pois os seres humanos são absolutamente livres para decidir o que quiserem e Deus não sabe antecipadamente que decisão uma determinada pessoa haverá de tomar num determinado momento.
4. Deus se arrisca. Ao criar seres racionais livres, Deus estava se arriscando, pois não sabia qual seria a decisão dos anjos e de Adão e Eva. E continua a se arriscar diariamente. Deus corre riscos porque ama suas criaturas, respeita a liberdade delas e deseja relacionar-se com elas de forma significativa.
5. Deus é vulnerável. Ele é passível de sofrimento e de erros em seus conselhos e orientações. Em seu relacionamento com o homem, seus planos podem ser frustrados. Ele se frustra e expressa esta frustração quando os seres humanos não fazem o que ele gostaria.
6. Deus muda. Ele é imutável apenas em sua essência, mas muda de planos e até mesmo se arrepende de decisões tomadas. Ele muda de acordo com as decisões de suas criaturas, ao reagir a elas. Os textos bíblicos que falam do arrependimento de Deus não devem ser interpretados de forma figurada. Eles expressam o que realmente acontece com Deus.
Estes conceitos sobre Deus decorrem da lógica adotada pela teologia relacional quanto ao conceito da liberdade plena do homem, que é o ponto doutrinário central da sua estrutura, a sua “menina dos olhos”. De acordo com a teologia relacional, para que o homem tenha realmente pleno livre arbítrio suas decisões não podem sofrer qualquer tipo de influência externa ou interna. Portanto, Deus não pode ter decretado estas decisões e nem mesmo tê-las conhecido antecipadamente. Desta forma, a teologia relacional rejeita não somente o conceito de que Deus preordenou todas as coisas (calvinismo) como também o conceito de que Deus sabe todas as coisas antecipadamente (arminianismo tradicional). Neste sentido, o assunto deve ser entendido, não como uma discussão entre calvinistas e arminianos, mas destes dois contra a teologia relacional. Vários líderes calvinistas e arminianos no âmbito mundial têm considerado esta visão da teologia relacional como alheia ao cristianismo.
A teologia relacional traz um forte apelo a alguns evangélicos, pois diz que Deus está mais próximo de nós e se relaciona mais significativamente conosco do que tem sido apresentado pela teologia tradicional. Segundo os teólogos relacionais, o cristianismo histórico tem apresentado um Deus impassível, que não se sensibiliza com os dramas de suas criaturas. A teologia relacional, por sua vez, pretende apresentar um Deus mais humano, que constrói o futuro mediante o relacionamento com suas criaturas. Os seres humanos são, dessa forma, co-participantes com Deus na construção do futuro, podendo, na verdade, determiná-lo por suas atitudes.
Contudo, a teologia relacional não é novidade. Ela tem raízes em conceitos antigos de filósofos gregos, no socinianismo (que negava exatamente que Deus conhecia o futuro, pois atos livres não podem ser preditos) e especialmente em ideologias modernas, como a teologia do processo. O que ela tem de novo é que virou um movimento teológico composto de escritores e teólogos que se uniram em torno dos pontos comuns e estão dispostos a persuadir a igreja cristã a abandonar seu conceito tradicional de Deus e a convencê-la que esta “nova” visão de Deus é evangélica e bíblica.
Mesmo tendo surgido como uma reação a uma possível ênfase exagerada na impassividade e transcendência de Deus, a teologia relacional acaba sendo um problema para a igreja evangélica, especialmente em seu conceito sobre Deus. Embora os evangélicos tenham divergências profundas em algumas questões, reformados, arminianos, wesleyanos, pentecostais, tradicionais, neopentecostais e outros, todos concordam, no mínimo, que Deus conhece todas as coisas, que é onipotente e soberano. Entretanto, o Deus da teologia relacional é totalmente diferente daquele da teologia cristã. Não se pode afirmar que os adeptos da teologia relacional não são cristãos, mas que o conceito que eles têm de Deus é, no mínimo, estranho ao cristianismo histórico.

Ao declarar que o atributo mais importante de Deus é o amor, a teologia relacional perde o equilíbrio entre as qualidades de Deus apresentadas na Bíblia, dentre as quais o amor é apenas uma delas. Ao dizer que Deus ignora o futuro, é vulnerável e mutável, deixa sem explicação adequada dezenas de passagens bíblicas que falam da soberania, do senhorio, da onipotência e da onisciência de Deus (Is 46.10a; Jó 28; Jó 42.2; Sl 90; Sl 139; Rm 8.29; Ef 1; Tg 1.17; Ml 3.6; Gn 17.1 etc).

Ao dizer que Deus não sabia qual a decisão de Adão e Eva no Éden, e que mesmo assim arriscou-se em criá-los com livre arbítrio, a teologia relacional o transforma num ser irresponsável. Ao falar do homem como co-construtor de Deus de um futuro que inexiste, a teologia relacional esquece tudo o que a Bíblia ensina sobre a queda e a corrupção do homem. Ao fim, parece-nos que na tentativa extrema de resguardar a plena liberdade do arbítrio humano, a teologia relacional está disposta a sacrificar a divindade de Deus.

 Ao limitar sua soberania e seu pleno conhecimento, entroniza o homem livre, todo-poderoso, no trono do universo, e desta forma, deixa-nos o desespero como única alternativa diante das tragédias e catástrofes deste mundo e o ceticismo como única atitude diante da realidade do mal no universo, roubando-nos o final feliz prometido na Bíblia. Pois, afinal, poderá este Deus ignorante, fraco, mutável, vulnerável e limitado cumprir tudo o que prometeu?

Com certeza a visão tradicional de Deus adotada pelo cristianismo histórico por séculos não é capaz de responder exaustivamente a todos os questionamentos sobre o ser e os planos de Deus. Ela própria é a primeira a admitir este ponto. Contudo, é preferível permanecer com perguntas não respondidas a aceitar respostas que contrariem conceitos claros das Escrituras. Como já havia declarado Jó há milênios (42.2,3): “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; cousas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia.”


Fonte: Revista Ultimato

Sugestão de Leitura  
A TEOLOGIA RELACIONAL: SUAS CONEXÕES COM O TEÍSMO ABERTO E IMPLICAÇÕES PARA A IGREJA CONTEMPORÂNEA
Por Valdeci da Silva Santos (Clique no Link Abaixo)

Revista Fides Reformata

sábado, 18 de abril de 2020

Teologia Sistemática | Rev. Leandro Lima



  1. A Doutrina das Escrituras (Bibliologia
  2. A Doutrina do Ser de Deus (Teontologia)
  3. A Doutrina do Homem (Antropologia)
  4. A Doutrina de Cristo (Cristologia)
  5. A Doutrina da Salvação (Soteriologia)
  6. A Doutrina do Espírito Santo (Pneumatologia)
  7. A Doutrina da Igreja (Eclesiologia)
  8. A Doutrina das Últimas Coisas (Escatologia)

Fonte: Igreja Presbiteriana de santo Amaro
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quarta-feira, 22 de março de 2017

A relação entre teologia e piedade nos puritanos | Hélder Cardin


Tendo como base a vida e pensamento de grandes nomes do puritanismo, nesta palestra o pastor Hélder Cardin nos mostra como o conceito de espiritualidade cristã está dissociado da ideia de misticismo e como o exercício da teologia precisa necessariamente estar ligado à uma vida de piedade.

Palestra ministrada na Conferência de Teologia Vida Nova
Local: Igreja Presbiteriana de Cuiabá.
Conheça a obra "Teologia Puritana"

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Por que batizar Crianças? | Rev. Leandro Lima

Por: Rev. Leandro Lima
Fonte: Igreja Presbiteriana Jardim de Oração - Santos 
O Rev Dr. Leandro Lima, é autor de diversos livros, professor do Mackenzie e do Seminário Presbiteriano. Atualmente é colaborador na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, São Paulo.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A Teologia do Saci-Pererê | Luiz Sayão

saciUm dos quadros mais tristes da cristandade é a sua fragmentação absurda. Há provavelmente cerca de cem mil denominações evangélicas no mundo de hoje. Na verdade, a maioria delas é exatamente igual a muitas outras em termos de doutrinas e práticas.

Infelizmente, muitos grupos se separam de seus irmãos na fé por motivos pouco cristãos. Todavia, apesar de tantos desencontros semelhantes, é fato que grande parte de nossas divisões teve origem em questões teológicas e doutrinárias.

É claro que teologia e doutrina são elementos fundamentais, dos quais não se pode abrir mão. Se alguém nega a divindade de Cristo, a onisciência de Deus, a salvação pela fé e a singularidade da Bíblia, tal pessoa não pode ser considerada cristã evangélica. No entanto, nossas divisões não se limitam a doutrinas fundamentais. As questões que nos distanciam de nossos irmãos são as menores, de importância secundária, e em alguns casos são questões irrelevantes.

Talvez a razão principal de nosso divisionismo exacerbado seja a “teologia do saci-pererê”

Talvez a razão principal de nosso divisionismo exacerbado seja a “teologia do saci-pererê”. Como todos sabem, o saci-pererê é uma espécie de duende brasileiro criado pela imaginação popular. Ele seria um guardião das florestas, perneta, que assustaria todos os que perturbam o silêncio das matas. O que mais se destaca na figura do saci é o fato de que ele tem uma perna só. Naturalmente, a pergunta já surge na mente do amigo leitor: O que isso tem a ver com teologia? Saci e teologia juntos? O que queremos dizer com isso é que boa parte de nossa teologia é uma “teologia de uma perna só”, isto é, uma teologia restrita, que enxerga de modo limitado o quadro amplo da revelação divina.

Uma das razões pelas quais criamos uma teologia limitada assim é a nossa herança racionalista. Os antigos hebreus e cristãos sabiam que a realidade era muito mais complexa do que a nossa razão. Além disso, entendiam que certas dimensões da fé aparentemente distintas não eram necessariamente contraditórias. O problema é que quando nossa teologia se “helenizou” exageradamente, adotamos uma logicamente simplista que nos trouxe diversos problemas.

Para entender tal realidade, basta lermos a Bíblia e vermos que o texto sagrado não se incomoda em afirmar coisas que ofende o racionalismo de muitos. Por exemplo, como Deus pode ser infinito e encarnar num bebê em Belém? Como Deus pode ser um e três ao mesmo tempo? Como a Bíblia pode ser Palavra de Deus e ser escrita por homens? Como podemos ser salvos por nossa fé e ao mesmo tempo por obra exclusiva do Espírito Santo? Como entender que Deus é totalmente soberano e nós somos livres e responsáveis por nossos atos? Como decidir se é o bom senso ou sabedoria bíblica que nos norteia, ou é a direção sobrenatural do Espírito Santo?

A verdade é que o mistério e a complexidade da realidade bíblica tem sido reduzida para “facilitar” a vida dos cristãos. Uns dizem que Deus é pura razão, outros afirmam que ele é só coração e emoção. Uns insistem que Deus faz tudo, sendo plenamente soberano (até os ímpios foram predestinados ao inferno), outros afirmam que Deus não pode fazer nada sem nossa autorização (nós é que decidimos …  será que Deus ainda é Senhor?). Uns preferem um Deus mais coletivo, sociológico; outros afirmam que ele é o Deus do indivíduo. Há quem veja Deus como inserido na realidade concreta do mundo; outros o colocam no “milésimo céu”, em sua espiritualidade e distância absolutas.

A verdade é que toda teologia radical terá sérios problemas e graves conseqüências.

A verdade é que toda teologia radical terá sérios problemas e graves conseqüências. Se entendermos que “duas paralelas só se encontram no infinito”, que toda moeda “tem duas faces” e que a realidade é mais dialética ou “poli-alética” do que admitimos, seremos muito beneficiados.

Em primeiro lugar, seremos mais humildes em nossa afirmação de “conhecimento do sagrado”. Depois, aprenderemos a separar questões fundamentais de problemas secundários. Em terceiro lugar, desenvolveremos nossa tolerância e nosso senso fraternidade e amor cristãos (esses inegociáveis, segundo Jesus). Espero que venhamos a amadurecer nesta direção, pois a teologia brasileira tem mais condições de ser menos radical do que a teologia da maioria do chamado “primeiro mundo”.

A importância de fugirmos da teologia do saci-pererê, evitando que nossas igrejas saiam por aí, pulando de uma perna só, tropeçando e caindo, é que em nossos dias tal tendência está acentuada. Quando vivíamos  em Boston, EUA, estavamos em contato com muitos centros teológicos de todo o mundo. Por lá há uma tendência em alguns grupos de se rejeitar a doutrina das penas eternas, pois ela seria “irreconciliável com o amor de Deus” (a idéia é que se Deus é amor, ele não pode ser justiça, nem mostrar sua ira). Recentemente, um outro debate causou discussão no meio evangélico: surgiu a teologia do “teísmo aberto”.

A ideia de alguns teólogos americanos é que Deus abriu mão de sua soberania e onisciência e resolveu não saber o futuro. Em resumo, Deus “abriu mão de ser Deus”. O intuito é “livrar” Deus de ser responsabilizado do sofrimento que há no mundo. Trata-se de um ultra-arminianismo que ignora centenas de textos bíblicos. Novamente, temos uma teologia radical, polarizada, bastante ocidental, e que ignora a dialética hebraica, negando a realidade do mistério. Que Deus abençoe a igreja brasileira a crescer no conhecimento de Deus, na tolerância fraternal e no pensamento cristão equilibrado.

Por: Luiz Sayão

Fonte: IBNU

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

“Congresso Imerssão Teológica” (2013) | Russel Shedd

Teologia da Igreja (1)A Teologia da Adoração (2)Problemas com a Igreja Atual (3)

Por: Russell Shedd

Fonte: Igreja Batista Deus é Luz

Evento realizado nos dias 8, 9 e 10 de Agosto de 2013.

sábado, 7 de dezembro de 2013

A Ideia da Teologia Sistemática | Cornelius Van Til

Cornelius Van Til

Nossa preocupação nesta obra é com a teologia da maneira que é entendida no Cristianismo pelo crente ortodoxo. A visão ortodoxa do Cristianismo encontra sua expressão mais consistente na fé reformada. A pressuposição do Deus antecedente e autossuficiente e sua infalível revelação de si mesmo ao homem na Bíblia é fundamental a tudo que é ortodoxo. A teologia sistemática busca oferecer uma apresentação ordenada do que a Bíblia ensina sobre Deus.

Teologia, portanto, não deve ser definida como a ciência da religião. É verdade que muitas vezes é definida assim até mesmo por teólogos reformados. A.A. Hodge escreveu: “Teologia, em seu sentido mais amplo, é a ciência da religião”. Todavia, considerando o que o termo religião veio a significar em tempos modernos, seria infeliz confundir a teologia moderna não cristã com a teologia ortodoxa ao falar da teologia como a ciência da religião. Religião, segundo definições modernas (por exemplo, na literatura ligada a “psicologia da religião”), não tem qualquer relação com o Deus das Escrituras. Os homens dizem que conseguem obter melhor o “testemunho nativo” da religião quando deixam a questão da referência objetiva completamente de fora. Mas como o Cristianismo alega ser a verdadeira religião, segue-se que nela a referência objetiva é de importância primordial. É sobre o Deus das Escrituras que queremos obter informação.

Isso não significa que queremos obter informação somente sobre Deus. Significa que é primariamente sobre Deus que nós falamos. Queremos saber tudo o que Deus deseja que saibamos sobre qualquer coisa. A Bíblia tem muito a dizer sobre o universo. Mas é a ciência e a filosofia que lidam com essa revelação. Indiretamente até mesmo a ciência e a filosofia devem ser teológicas. As Escrituras também são cheias de informação sobre nossa salvação e sobre muitas coisas que nos diz respeito. Tudo o que as Escrituras dizem sobre o homem e particularmente tudo que dizem sobre a salvação do homem é em todo caso para a glória de Deus. Nossa teologia deve ser centrada em Deus porque toda nossa vida deve ser centrada em Deus.

Da mesma forma, há muito nas Escrituras sobre Cristo. Depois da entrada do pecado no mundo, Cristo é o único meio pelo qual Deus pode ser conhecido. Ele não é simplesmente o meio pelo qual podemos conhecer mais sobre o Pai em contraste com outras maneiras que pode ser conhecido. É por ele somente que podemos ir ao Pai. Além disso, Cristo é Deus então conhecê-lo é equivalente a conhecer o Pai. Apesar de tudo isso, é preciso reconhecer que a obra de Cristo é o meio para um fim. Mesmo quando pensamos no fato de que Cristo é a segunda pessoa da Trindade, precisamos ainda assim lembrar que é com a completa Divindade que nos relacionamos e, em ultima análise, queremos obter informação. Assim, a teologia é primariamente centrada em Deus e não simplesmente centrada em Cristo.

É bom chamar a atenção para a relação entre a teologia sistemática e as outras disciplinas teológicas. O nome teologia sistemática não sugere que as outras disciplinas teológicas não façam seu trabalho sistematicamente. Significa que é somente a teologia sistemática que busca oferecer a verdade sobre Deus conforme revelada na Escritura como um todo, como um sistema unificado.

A exegese analisa cada parte das Escrituras detalhadamente. A teologia bíblicaorganiza o fruto da exegese em varias unidades e traça a revelação de Deus na Escritura em seu desenvolvimento histórico. Expõe a teologia de cada parte da Palavra de Deus, conforme ela chegou até nós em diferentes estágios, por meio dos diferentes autores. A teologia sistemática usa os frutos do trabalho da teologia bíblica e exegética e une tudo em um sistema concatenado. Aapologética busca defender este sistema de verdade bíblica contra a falsa filosofia e a falsa ciência. A teologia prática busca demonstrar como pregar e como ensinar este sistema de verdades bíblicas. A história eclesiástica traça a recepção deste sistema de verdade no decorrer dos séculos.

Quanto à questão da enciclopédia teológica, há muitos debates entre teólogos reformados. Aqui só trataremos de um ponto deste debate: a relação entre a teologia sistemática e a apologética. Quanto a isso, o Dr. Benjamim Warfield, e com ele a “escola Princeton” de teologia, difere do Dr. Abraham Kuyper, do Dr. Herman Bavinck e da “escola Holandesa” de teologia.

A diferença principal está na natureza da apologética. Warfield diz que a apologética como disciplina teológica precisa estabelecer as pressuposições para a teologia sistemática, como a existência de Deus, a natureza religiosa do homem e a verdade da revelação histórica de Deus conforme ele nos deu nas Escrituras. Em contraste a isso, Kuyper diz que a apologética deve buscar somente defender aquilo que lhe é dado na teologia sistemática. Warfield argumenta que se fossemos seguir o método de Kuyper, nós estaríamos primeiro explicando o sistema cristão pra depois nos perguntarmos se porventura nós estávamos lidando com fatos ou com fantasia. Kuyper argumenta que se nós permitirmos que a apologética estabeleça as pressuposições da teologia, nós estamos praticamente atribuindo ao homem natural a capacidade de compreender a verdade do Cristianismo e com isso teríamos negado a doutrina da total depravação.

Não podemos nem precisamos entrar nos detalhes deste debate. A essência da posição de Kuyper, de que precisamos sempre nos lembrar da distinção entre a mente regenerada e a mente não regenerada, não precisa significar que a apologética tem que sempre vir depois da teologia sistemática e ser sempre negativa. Apologética pode muito bem vir primeiro e pressupor o sistema geral da verdade conforme a exposição da teologia sistemática. É verdade que a melhor apologética só pode acontecer quando o sistema da verdade é bem compreendido. Mas também é verdade que o sistema da verdade não é bem compreendido até que seja analisado como em oposição a um erro. O desenvolvimento da teologia sistemática aconteceu, em grande escala, pela oposição ao erro. Portanto, as duas disciplinas são interdependentes.

Por outro lado, acreditamos que a essência da posição de Kuyper em relação à Warfield é correta. Warfield frequentemente fala como se a apologética precisa usar um método de abordagem ao homem natural que as outras disciplinas não precisam nem podem usar. Ele raciocina como se a apologética possa estabelecer a verdade do Cristianismo como um todo por um método diferente das outras disciplinas porque é somente a apologética que não pressupõe Deus. É como se as outras disciplinas tivessem que esperar até que a apologética tenha terminado seu trabalho para dela receber os fatos da existência de Deus, etc. Acreditamos que esta distinção entre o método da apologética e o método das demais disciplinas é errada. Todas as disciplinas precisam pressupor Deus, mas, ao mesmo tempo, a pressuposição é a melhor prova. A apologética toma as dores pra demostrar que este é o caso. Este é seu objetivo principal. Mas ao fazer isso, a apologética não é neutra da mesma forma que as outras disciplinas não são. Um de seus principais objetivos é demonstrar que a neutralidade é impossível e que ninguém, na realidade, é neutro. Concluímos então que a apologética se posiciona na beirada do circulo da verdade sistemática que nos é dada pela teologia sistemática, com o objetivo de defendê-la.

Alguns teólogos preferem o termo teologia dogmática, enquanto outros preferem falar em teologia sistemática. Não é uma questão de grande importância. Alguns preferirem o termo dogmática porque parece expressar melhor a ideia de que nesta disciplina estamos lidando com os dogmas ou verdades da Igreja. Isso levanta a questão da relação entre a teologia sistemática e as confissões da Igreja. A teologia sistemática lida primariamente com estas confissões? Ou devemos dizer que a teologia sistemática lida primariamente com os dogmas ou verdades da Escritura? Basicamente, todos os principais teólogos reformados concordam que os dogmas da Igreja são derivados das Escrituras. Assim, é verdade que em ultima instância, a teologia sistemática busca expor o sistema de verdade dado nas Escrituras. Somente depois que muito trabalho foi feito nas Escrituras por teólogos sistemáticos que a Igreja foi capaz de formular seus dogmas. Os credos da Igreja são, em relação ao conteúdo, afirmações igualmente sistemáticas da verdade da Escritura. A diferença em relação à declaração sistemática sobre a Escritura dada pela teologia sistemática é (a) que são declarações breves, limitados da maneira que são às questões mais essenciais; (b) que possuem autoridade, já que foram oficialmente aceitos como padrões por concílios da Igreja.

Uma vez que estes padrões ou dogmas da Igreja foram aceitos, um teólogo que escreve uma obra de teologia sistemática irá escrevê-la em concordância com a interpretação dada por estes padrões. Interpretar conforme estes padrões não significa que as Escrituras sejam ignoradas. Precisa ser demonstrado incessantemente que os padrões são baseados nas Escrituras. Além disso, o teólogo sistemático precisa ir além dos padrões pra ver se porventura ele consegue encontrar uma formulação mais específica das verdades mencionadas por estes padrões, e se ele consegue encontrar uma formulação das verdades das Escrituras das quais os padrões não falaram.  Assim, ele poderá dar uma pequena contribuição para o progresso da Igreja na verdade da Escritura. Credos precisam ser revisados e complementados de tempos em tempos. Mas é somente depois que a teologia sistemática progrediu além dos credos que os próprios credos podem ser revisados.

É de extrema importância entender como os credos devem ser revisados. O credo da Igreja Presbiteriana Unida, adotado em 1925, é um exemplo instrutivo de como os credos não devem ser revisados. Este credo se propõe a ser uma revisão da Confissão de Westminster. No entanto, ele transforma muitos ensinamentos específicos e precisos da Escritura, que encontramos na Confissão de Westminster, em generalizações vagas. Esse tipo de revisão de credos é pior do que inútil; é um retrocesso. A Igreja precisa de formulações mais precisas de suas doutrinas contra heresias, à medida que aparecem de maneiras novas e alteradas, e declarações mais completas da verdade bíblica. Warfield chamou a atenção para como isso é verdade em qualquer ciência, que o objetivo não é menos e sim um conhecimento cada vez mais apurado do assunto. Ele diz:

Em qualquer ciência progressiva, a possibilidade de afastamento da verdade aceita por um pensador sensato se torna cada vez menor e menor e menor, proporcionalmente à medida que a investigação e o estudo resultam no estabelecimento progressivo do número cada vez maior de fatos. O médico que trouxesse a medicina de Galeno de volta hoje não seria mais louco que o teólogo que ressuscitasse a teologia de Clemente de Alexandria.

O Valor da Teologia Sistemática

Quando falamos do valor da teologia sistemática, ou, de igual modo, do valor de qualquer outra disciplina teológica, não assumimos uma posição pragmática. A questão do valor não é o primeiro questionamento que devemos fazer. O mais importante é a questão da verdade e da obrigação. Juntar o conteúdo da Escritura em uma unidade sistemática é uma obrigação dada por Deus. É evidente que nós temos que conhecer a revelação que Deus nos dá. Mas nós não conheceríamos a revelação adequadamente se conhecemos somente as diversas partes sem juntar essas partes na relação que uma tem com a outra. É somente como uma parte da totalidade da revelação de Deus a nós que cada parte desta revelação aparece da maneira que deve. Nossas mentes precisam pensar sistematicamente. É com nossas mentes criadas por Deus, que precisa pensar sistematicamente, que precisamos retrabalhar o conteúdo da revelação.

Todavia, podemos observar que o que é simplesmente nossa tarefa dada por Deus, é, ao mesmo tempo, muito lucrativo para nossa vida espiritual. Warfield disse:

Nós não possuímos as verdades da religião de maneira abstrata; nós as possuímos somente em suas relações, e nós não conhecemos nenhuma delas nem podemos receber seu efeito completo em nossas vidas… exceto se as conhecemos em sua relação com outras verdades, isto é, sistematicamente. O que nós não conhecemos, neste sentido, sistematicamente, é roubado de metade de seu poder sobre nossa conduta; a menos que estejamos prontos pra argumentar que uma verdade terá efeito sobre nós na proporção em que ela é desconhecida. Sobre isso, é preciso dizer também que quando não conhecemos um conjunto de doutrinas sistematicamente, nós certamente chegamos à concepção errada da natureza de muitos ou poucos de seus elementos; e cogitamos que seja verdadeiro aquilo que um conhecimento mais sistemático demonstraria que é falso, de forma que nossa crença religiosa e, portanto nossa vida religiosa se torna deformada.

A unidade e o caráter orgânico de nossa personalidade exige que tenhamos um conhecimento unificado como a base de nossa ação. Se não prestarmos atenção para totalidade da verdade bíblica como um sistema, nos tornamos doutrinariamente unilateral e unilateralidade doutrinária está fadada a produzir unilateralidade espiritual. Como seres humanos, somos naturalmente inclinados a sermos unilaterais. Um tende a ser mais intelectual, o outro tende a ser mais emocional e o outro tende a ser mais ativista. Um tende a ser somente profético, o outro somente sacerdote e o outo rei. Nós devemos ser todas essas coisas ao mesmo tempo, em harmonia. Um estudo da teologia sistemática irá nos ajudar a manter e desenvolver nosso equilíbrio espiritual. Impede-nos de prestar atenção somente ao que mais nos atrai por causa de nosso temperamento.

Além disso, o que é benéfico para o crente individual é também benéfico para o ministro e consequentemente para a igreja como um todo. Alguns às vezes defendem que os ministros não precisam ser treinados em teologia sistemática se eles simplesmente conhecem suas Bíblias. Mas pregadores “treinados na Bíblia” em vez de treinados sistematicamente frequentemente pregam erros. Eles podem ter tantas boas intenções e ser tão fiéis ao evangelho em certos pontos, mas ainda assim frequentemente pregam erros. Existem muitos pregadores “ortodoxos” hoje cujo estudo das Escrituras tem sido tão limitada ao que diz sobre soteriologia que não seriam capazes de proteger o aprisco contra heresias sobre a pessoa de Cristo. Frequentemente consideram noções definitivamente heréticas sobre a pessoa de Cristo, de maneira perfeitamente inconsciente do fato.

Se levarmos isso um passo adiante, perceberemos que um estudo da teologia sistemática ajudará os homens a pregar teologicamente. Ajudará os homens a proclamarem todo o conselho de Deus. Muitos ministros nunca lidam com a maior parte da riqueza da revelação de Deus ao homem, contida na Escritura. Mas a teologia sistemática ajuda os ministros a pregarem todo o conselho de Deus e com isso fazem com que Deus seja o centro de sua obra.

A história da Igreja confirma a assertiva de que a pregação centralizada em Deus é de valor supremo para a Igreja de Cristo. Quando o ministério verdadeiramente proclama todo o conselho de Deus, a Igreja floresce espiritualmente. Também ai, é este tipo de pregação abrangente que tem guardado a Igreja do mundanismo. E por outro lado, tem guardado a Igreja de um transcendentalismo prejudicial. A pregação abrangente nos ensina a usar as coisas deste mundo porque são dons de Deus e nos ensina a possuí-las como se não possuíssemos no sentido de que devem ser usados de maneira subordinada ao único propósito supremo do homem, a saber, a glória de Deus.

É natural esperar que, se a igreja é forte porque seu ministério compreende e prega todo o conselho de Deus, então a igreja será capaz de se proteger da melhor maneira contra falsos ensinos de todo tipo. Cristãos sem doutrina facilmente caem nas mãos dos divulgadores do russelismo, espiritismo, e todas as outras cinquenta e sete variedades de heresias abundantes em nosso país. Cristãos de um texto só simplesmente não têm armas pra se defender contra estas pessoas. Eles poderão ser até capazes de citar muitos textos das Escrituras que falam, por exemplo, do castigo terno, mas o russelita será capaz de citar textos que, da maneira que soam e considerados individualmente, parecem ensinar o aniquilismo. Muitas vezes, estes cristãos de um texto só caem nas mãos da voz do sedutor.

Nós já indicamos que a melhor defesa apologética será invariavelmente feita por aquele que melhor conhece o sistema de verdade da Escritura. A luta entre o Cristianismo e o anticristianismo é, em tempos modernos, não é uma questão fragmentada. É uma luta de vida e morte entre duas cosmovisões. O ataque anticristão costuma vir até nós na forma de questões históricas ou outros detalhes. Vem até nós na forma de objeção a determinados ensinamentos da Escritura sobre, por exemplo, a criação, etc. Poderá parecer uma simples questão de perguntar quais foram os fatos. Mas por trás deste ataque detalhado está a pressuposição da metafísica não cristã da correlatividade entre Deus e o homem. Aqueles que não são treinados em teologia sistemática ficarão perdidos em como lidar com estes ataques. Ele pode ter muita habilidade para lidar com os ataques no que se refere aos detalhes, mas terá que temer sempre os novos ataques enquanto ele não remover o fundamentoda posição do inimigo.

Quanto a isso, não devemos nos esquecer de que o ministro tem uma responsabilidade cada vez maior de ser um apologista do Cristianismo. O nível geral da educação está mais alto do que jamais esteve antes. Muitos jovens ouvem da evolução nas escolas de ensino médio e nas faculdades em que seus pais nunca ouviram falar do assunto, exceto como algo longe e distante. Se o ministro quiser ajudar seus jovens, ele precisa ser um bom apologista. E ele não pode ser um bom apologista sem ser um bom teólogo sistemático.

Para concluir, devemos observar que da mesma forma que o conhecimento compreensivo do sistema da verdade na Escritura é a melhor defesa contra a heresia, também é a melhor defesa na propagação da verdade. Isso é simplesmente o outro lado do que foi dito. É improvável que um exército bem organizado será vencido por um ataque surpresa e, da mesma forma, um exército bem organizado tem uma capacidade maior de atacar o inimigo do que um exército mal organizado. Cada unidade terá o apoio e proteção do exército inteiro enquanto avança para atacar. A moral será melhor. Quando o inimigo vier com um canhão, temos que jogar uma bomba atômica contra ele. Quando o inimigo atacar os fundamentos, temos que ter a capacidade de protegê-los.

 

Por: Cornelius Van Til

Tradução: Frank Brito

Fonte: An Introduction to Systematic Theology

Extraído de: Monergismo