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terça-feira, 5 de março de 2013

O Uso da Bíblia em Tablets e Celulares no Culto e as Crianças| Jáder Borges

bibliaSou procurado vez por outra para dar opinião sobre algo com relação ao Departamento Infantil. Por um lado, fico feliz por este reconhecimento, pois já se vão mais de 20 anos pesquisando sobre a infância e a fé das crianças e o que isso tem a ver com a Igreja de Cristo, com o Reino de Deus e com a boa educação cristã e reformada para os pequeninos filhos da Promessa. Por outro lado, sinto que às vezes falta-me fôlego diante de tantos desafios e também pique para correr atrás de inúmeras informações neste mundo mais do que moderno. Ufa. Um dia desses perguntaram-me sobre o uso da Bíblia em celulares durante o culto.

Definitivamente o mundo da tecnologia não tem mais volta. E ele dá voltas velozes com a gente dentro! Quantas situações que até pouco tempo atrás nem ousávamos imaginar, hoje vemos? Tantas! Quem, chegando aos 50 anos, quando criança poderia imaginar que um dia teríamos um telefone em nossos bolsos (o tal do celular), com acesso a um monte de coisas que se pode fazer com apenas um toque em um aplicativo baixado? Hoje, porém, pode-se até ler a Bíblia no celular durante o culto, com direito a escolher em qual versão ou idioma. Sim, são tempos modernos, mas eu me pergunto se já não são tempos modernos... demais?!

Claro que há benefícios na tecnologia. Claro que eu também tenho a Bíblia no meu celular (baixei) e que já me socorreu inúmeras vezes em viagens, quando evangelizo alguém sentado ao meu lado em um ônibus, ou mesmo para uma leitura devocional em uma repartição pública lotada. Sim, este é mais um dos recursos à disposição, que você e eu podemos utilizar.

Mas, tratando-se de igreja, de culto público, eu vou dar a minha opinião: sou contra o seu uso. Sou contra o seu uso durante qualquer atividade na igreja e isso vai da Escola Bíblica Dominical ao culto vespertino e demais reuniões públicas de adoração e de estudo da Palavra de Deus. Se confrontado, eu serei obrigado a dizer que nada encontro como argumento de que a Bíblia no celular não seja a Palavra de Deus lida. E é claro que não poderei ir contra isto quando a versão digital for fiel às Escrituras originais. Mas, por que não recomendo o uso de Bíblias em celulares no culto? Por, pelo menos, quatro razões... minhas:

1. Por causa da incontrolável coceira dos dedos tamborilantes e do cérebro moderno afetado pelo terrível vírus Dii: digitalus irriquietus incontralavius.

Eu não vejo com muito bons olhos este recurso no culto. Percebo que ele mais distrai do que ajuda na concentração tão importante e necessária durante o sermão e a exposição das Sagradas Escrituras, pois celular ligado em culto oferece sempre o perigo e o convite para a distração. Poucos são os que ficam com o aparelho "aberto" na Bíblia sem começar a coçar-se com a coceira quase que incontrolável de seguir e continuar mexendo no celular o tempo todo. Em saguões de aeroportos é o que eu mais vejo: gente mexendo para lá e para cá no celular, quase não demorando um minuto em uma página. Na igreja, as possibilidades não estão ausentes. Ah, e o que dizer da coceira de olhar rapidinho os emails? E da outra coceira: a de ler os torpedos ou de respondê-los, pois o nome já diz tudo "torpedos". E eles são disparados às centenas e em diversos horários, a toda hora e a todo instante. A cada segundo são enviados mais de 200 mil torpedos no mundo, todos os dias, incluindo os domingos. E sempre haverá sim torpedo chegando para você durante o culto. E torpedo recebido tem uma urgência de ser respondido...

Irmãos modernos, vamos ser sinceros: celular na mão + recursos mil à disposição "e apenas a um toque" + torpedos = distração na certa! Eu não conheço quem consiga se controlar e concentrar-se no culto sem dar uma olhada distraída no torpedo que acabou de chegar. E aqui, na distração, há perda de concentração e também a falta de REVERÊNCIA na Casa do Senhor, pois estamos ali para adorá-Lo na beleza da Sua Santidade e com todo o nosso coração, mente e alma. Falhar aqui é ir contra a Palavra de Deus e a Sua Santa Presença em Sua Casa (veja: Deuteronômio 6.1-7; Salmos 93.5, Habacuque 2.20 e Hebreus 12.28).

2. Por causa do que considero ser um mau exemplo para crianças e adolescentes.

Nesta mesma linha, um adulto pode dizer que consegue controlar-se e concentrar-se só na Bíblia no celular e o tempo inteiro no sermão. Mas, uma criança e um adolescente não conseguem. Afirmo isto sem medo, em 99% dos casos. Um "quê" de desconcentração, e a "tentação" de seguir mexendo no celular durante o culto, ocorrerá da parte dos mais jovens e que estão com as suas personalidades em formação, mais cedo ou mais tarde. Esta geração de crianças e adolescentes é altamente vulnerável à tecnologia, e se um adulto faz isto no culto, o que os impede de fazerem também? E argumentos e argumentações para isto não faltarão, ainda mais tendo você e a sua vida de adorador, adulto ou pai que lê a Bíblia no celular durante o culto, (e quem sabe, de vez em quando, dá as suas navegadinhas...), como motivo que lhe abriu o desejo de imitá-lo nisto; mas eles não ficarão só nisso.

Quando leio que uma pessoa da igreja e da fé deva ser o padrão para os fiéis1 nesses tempos, neste tema e neste campo, vejo que o texto de Paulo a Timóteo deve ser urgentemente observado. Não seja você, adulto ou até pai, um motivo de tropeço para fazer uma criança ou seu próprio filho ficar à mercê de todas as tentações, questões e demais distrações envolvidas e inerentes a um tablet ou celular durante o culto.

Você já pensou na seriedade das palavras do Senhor Jesus para os nossos dias quanto a fazer tropeçar um de seus pequeninos? E ali, no contexto da Sua advertência, o Senhor não está falando apenas sobre seus humildes seguidores de todas as idades (pequeninos em posição, classe social ou conhecimento). Ele incluiu as crianças também! 2

3. Por causa da questão do situar-se na Bíblia através do campo de visão, retendo a passagem lida, a fim de desenvolver uma maravilhosa intimidade de manuseio com a Palavra de Deus.

Eu sou daqueles privilegiados que aprenderam a ler com a Bíblia. Alfabetizado, eu ainda não conseguia articular direito as frases, juntando as letras. Tinha certa dificuldade. Mas quando foi um dia, a minha mãe e eu estávamos lendo sua Bíblia, e eu pude seguir com a leitura sozinho! Eu não me esqueço da emoção e, até hoje, aquele dia está marcado em minha memória para sempre! O dia em que aprendi a ler com o Livro de Deus!

A Bíblia, o livro em mãos, é uma graça maravilhosa que temos! 3 Poder manuseá-la, poder localizar os versículos que marcamos com lápis de cor, aquela porção com a qual nos identificamos ou fomos confortados, poder abrir novamente a passagem e, mesmo não conseguindo lembrar de detalhes da referência, poder localizar o trecho lido por recordação no campo de visão, uma vez que aprendemos a marcar bem as partes da Bíblia logo cedo por colunas, ajuda e muito. E a formatação das novas Bíblias eletrônicas é diferente. Isso não deveria jamais ser deixado de lado.

Além do que, manusear bem a Palavra de Deus inclui decorar os seus livros e saber posicioná-los com maestria na abertura do texto sugerido para o sermão ou para a leitura devocional. Como faz bem manusear a Bíblia! Como isto demonstra crescimento e maturidade espiritual. Como esquecer as canções que aprendemos quando criança sobre todos os livros da Bíblia e a sequência exata desta beleza, localizando-os também no Livro? Um celular outablet jamais poderão equivaler a esta emoção.

Isto faz muita diferença: saber localizar-se na Bíblia. Isto demonstra que há diferença em sua vida por saber manusear este Livro Sagrado! Não há tecnologia que proporcione isto, acredite-me. E eu não gostaria de ver as crianças desses tempos modernos perderem este privilégio e saírem perdendo, de fato, por não saberem manusear a Bíblia, entre outras questões que considero preciosas. Não dá para ser um eficiente espadachim com um joguinho de espadachim no celular ou tablet. Não dá para ser um bom leitor e observador da Palavra de Deus, sem saber onde estão localizados os livros. Eles têm folhas escritas, têm história, têm tempo 4.

É indescritível o sentimento de poder ter aberto a Bíblia e, achado o texto buscado com lágrimas, no momento de grande dor ou aflição. Não retiremos de nossas crianças este privilégio: o de saber onde está o texto desejado no Livro de Deus!

Infelizmente, já retiramos tantas coisas das nossas crianças: retiramos os concursos bíblicos, o bom hábito de cantar os hinos históricos da nossa fé, o bom proveito do culto doméstico, a riqueza de decorar versículos e demais porções da Bíblia e há quem queira retirar-lhes a Escola Bíblica Dominical. E agora iremos nós retirar a Bíblia em forma de livro de suas mãos? Não, eu lhes imploro que não! Eu, que tenho ambas, posso até ser interpretado como exagerado no que passarei a dizer, mas confesso: sinto uma enorme diferença entre ler a Palavra de Deus no papel e lê-la em uma tela fria de um aparelho eletrônico qualquer.

4. Por causa da Identificação com O Livro!

A minha avó Cecília foi convertida por Deus quando já mãe de oito filhos. A minha mãe era muito pequena, mas contou-me dos dias da conversão da minha avó. Cecília sofria agruras com o marido que seguia bebendo, seguia nas farras das noites, seguia perdendo empregos e seguia insistindo em gastar as parcas economias da família de maneira dissoluta. Mas quando foi um dia, um presbítero que era caixeiro viajante falou-lhe de Jesus Cristo. E lhe deu uma Bíblia. Cecília "virou crente"! E que crente em Cristo foi a minha avó! Os vizinhos romanistas fervorosos viraram-lhe as costas e nunca mais compraram os seus utensílios de flandres (panelas, copos simples que ela manufaturava e vendia nas feiras e vizinhança). As procissões enormes faziam questão de parar em frente à sua casa e ficar entoando cânticos romanistas por horas, recitando também palavras de ordem contra o protestantismo. Não foram poucas as pedradas contra as vidraças de suas janelas. Mas a minha avó, que tinha perdido tudo, tinha ganhado a Cristo! E lendo a Bíblia, criou as filhas no caminho do Senhor. Domingo de manhã, todo mundo saia de casa, cada qual levando consigo a sua Bíblia. Isto incluía a minha mãe ainda pequena.

No Rio de Janeiro, os nossos irmãos eram conhecidos como "Bíblias" de tanto que a portavam e sabiam manuseá-la. Como acho importante o crente e sua Bíblia. Portá-la visivelmente denota identificação com o Livro, com seu conteúdo e com a gente de fé em Cristo! Teve um tempo em que era preciso muita coragem para portá-la em público, mas isto trazia não só respeito, mas identificação, insisto nisso! E um celular que tem Bíblia? E daí, me diz o que em público?! Identifica-me com o que e com quem?

Nossos filhos precisam aprender a amar este Livro, pois se aprenderem a amar o celular, este, ainda que contenha a Bíblia, não será a sua identificação maior e pública, e eles se perderão pelos muitos caminhos atraentes de um celular. Seu filho nem sentirá esta preciosa identificação com o Livro de Deus e com tudo o que ele representa para a vida e para a fé.

Somos um povo. Nos Estados Unidos este POVO foi chamado de "o Povo do Livro". E que Livro! Celular algum conseguirá trazer e manter esta identificação e esta identidade. Não seja você, adulto ou pai, um que irá contra esta e outras tantas lindas histórias de gente que ama o Livro de Deus. Leve consigo a sua Bíblia para a igreja sempre. E deixe o celular em sua casa. Leia a Bíblia na sua casa - a Bíblia de papel e no papel. Demonstre a importância deste Livro e a diferença da sua leitura. Eu tenho para mim que a Bíblia em tablet ou em celular está se tornando cada vez mais usada para conferir um texto ocasional ou para leitura só no culto. E só. Isto parece ser a vida e ação de muitos crentes hoje em dia e eu estou começando a ficar convencido disso.

Não retire de perto do seu filho a Bíblia. Sim, a em forma de livro. Lê-la, transportá-la e identificar-se com toda a linda e marcante história do povo de Deus que a amou, preservou e dedicou-lhe especial atenção enquanto a conduzia para a Igreja e por ela era conduzido durante a vida, tecnologia alguma suplantará.

Hoje eles são crianças e adolescentes. Hoje eles olham para você e aprendem com você. E eu lhes digo: agora que estou a poucos dias de levar a minha filha para a Universidade, em outra cidade bem distante de onde moramos, para ela iniciar a sua vida acadêmica, fez toda diferença no meu coração vê-la arrumando a mala e colocando ali a sua Bíblia com carinho. Esta linda cena que ficará em minha memória não seria possível se ela estivesse colocando em sua mala naquele dia apenas o seu celular, ainda que contendo a Bíblia. Pense nisso.

Algumas Dicas:

1. Deixe o seu celular em casa. Aprenda a não levá-lo para a igreja. A maioria considerável dos crentes não precisa do celular no domingo. Por questões de segurança, porém (como a de ter que chamar um guincho), deixe o celular no carro ou desligado na bolsa.

2. Profissionais da área de saúde ou de outras áreas que requeiram estar com o celular por questões de emergência, deixe-o no modo vibrador e nunca entregue o celular para o filho.

3. Desacostume-se urgentemente a ler a bíblia no celular durante o culto. Boa parte dos crentes que faz isto está perdendo rapidamente o bom hábito de levar a Bíblia para a igreja. Muitos crentes estão perdendo também a capacidade de retenção do texto lido por causa disso.

4. Como o celular é muito mais importante para outras questões e usos no dia-a-dia, o risco de a Bíblia passar a ser apenas um daqueles aplicativos opcionais e "de uso de vez em quando", torna-se grande. Perdida no meio de tantos aplicativos opcionais que você baixou, ela corre o risco de cair no esquecimento.

5. Pesquisas, estudos, autoridades médicas ainda discutem os malefícios da tecnologia na mente das crianças. Não fique só com a opinião dos que defendem os benefícios da tecnologia. Há muita discussão em aberto neste campo. Estude algo sobre dislexia, por exemplo, e veja como aparelhos eletrônicos, games, jogos e afins podem contribuir para problemas como dislexia ou síndrome de Asperger.

6. Desconcentrar-se em cultos já é algo muito fácil para as crianças e adolescentes. Com um recurso tecnológico em mãos, o problema com certeza irá aumentar.

7. Se em cinemas, salas de aula, aviões... o uso do celular é proibido, por que na igreja seria diferente? E por que você concorda que o aparelho deva estar definitivamente desligado no cinema (pois atrapalha o filme), na sala de aula do seu filho (pois ele irá perder a concentração e ficar mexendo no celular, sem dúvidas) e em aviões (pois compromete a segurança), por que no culto pode?

8. Quando as nossas filhas eram pequenas e já estavam alfabetizadas, minha esposa anotava os pontos e partes do sermão e elas iam tomando notas junto, pegando os pontos das anotações da mãe. Isto ajudava na concentração, no acompanhamento e na retenção da mensagem. Incentive seus filhos a anotarem os pontos do sermão. Faça isso com eles.

  • Por: Jader Borges
  • Fonte: Editora Fiel

1 - Ver Tito 2.7; 2 Timóteo 1.13.
2 - Ver Mateus 18.1-6.
3 - Convido você a ler e meditar na História do rei Josias e o Livro perdido – 2 Reis, capítulo 22.
4 - Ver 2 Timóteo 2.15

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Cultos Agradáveis aos Incrédulos | Geoffrey Thomas

Um amigo me contou o que aconteceu à sua esposa, quando se vestia em determinada manhã. Ele observou que ela abotoou o casaco colocando o primeiro dos botões na segunda casa e assim sucessivamente, por treze vezes. Por fim, descobrindo que um dos botões havia sobrado, ela percebeu o que estivera fazendo. “Quantos erros ela tinha cometido?”, ele se perguntou. “Um ou treze? Treze, porque ela tinha co-metido um erro fundamental no começo.”

Este mesmo princípio é verdadeiro no que se refere à adoração: os crentes cometem o erro fundamental de crer que o propósito de reunirem-se aos domingos é a evangelização. Em seguida, os crentes avaliam tudo que compõe nosso culto à luz dos incrédulos que podem estar por acaso em nosso templo ou por terem sido convidados. Nada deve intimidá-los, ameaçá-los ou iludi-los. E, visto que eles não conhecem o sentido das palavras ou as melodias de nossos hinos, é recomendável a adoração na forma de cânticos de grupos musicais. O conceito de leitura pública de um livro que desconhecem é totalmente estranho para eles. Portanto, se houver leitura, tem de ser bem curta. Igrejas mudam a Ceia do Senhor para uma reunião particular no domingo pela manhã ou na quarta-feira à noite. As orações devem ser curtas e simplistas, bem como o sermão, que deve abordar assuntos que interessam aos incrédulos, tais como: solidão, maridos ausentes, falta de esperança, falta de contentamento, mágoas, dificuldade de criar adolescentes, e como lidar com tais problemas. A partir desta reunião de domingo, os incrédulos devem sentir-se encorajados a participar de pequenos grupos de estudo e de um curso sobre as doutrinas em que nós cremos. E somos fortemente encorajados a acabar com a forma de adoração a Deus que temos praticado por muitos anos.

No entanto, todas estas idéias mudarão, se cremos que nossa adoração está centralizada em Deus, que se revelou através da Bíblia. Nossa preocupação será agradar este grande Deus. Como devemos nos aproximar dEle? Somente por intermédio do nome do Senhor Jesus Cristo (temos de deixar isso bem claro); somente por meio de seu sangue e sua justiça; depois, com confiança exultante, mas também com reverência e piedoso temor. Quando o Filho de Deus orou, Ele mesmo se ajoelhou na presença do Deus que é fogo consumidor. Se alguém tinha direito de ser informal e casual com seu Pai, este alguém era Jesus de Nazaré. O Senhor Jesus nunca magoou seu Pai, mas se prostrava quando falava com Ele. Tudo o que fazemos e dizemos tem de ser agradável a Deus, ou seja, o Senhor Deus está ciente até do que se passa no íntimo daqueles que ofertam pequenas moedas; Ele se deleita com a alegria que demonstramos na administração de nossos talentos e em tudo o que fazemos. Nosso louvor e orações precisam estar de acordo com as Escrituras, e, acima de tudo, a Palavra pregada tem de servir ao propósito de agradar a Deus, porque o sermão é o aspecto mais importante da adoração, visto que através dele o Criador do universo fala a seres insignificantes. A mensagem, tanto em seu conteúdo quanto em seu significado, deve proporcionar aos incrédulos que foram atraídos ao culto o conceito exato a respeito de quão glorioso Ser é o Deus vivo — Pai, Filho e Espírito Santo — terrível em seu poder, incomparável em sua glória e extraordinariamente gracioso.

Não existe qualquer indício de que a Igreja tem uma chamada para afagar as emoções dos incrédulos. Os líderes da adoração não podem dizer: “Bem, sabemos que vocês não estão interessados na vida e na morte do Senhor Jesus Cristo. Por isso, temos algo mais para vocês”. Na verdade, não temos algo mais, além de Cristo. Temos de ser absolutamente claros e unânimes sobre isso, na congregação e no púlpito. Se eles não querem nosso Salvador, não podemos substituir a mensagem com maneiras de temperarem seu casamento, assim como não podemos utilizar um culto musical, coreografia ou regras de procedimento, para tornar mais agradável o seu trabalho no escritório, ou oferecer um curso sobre a vida de solteiros. Tudo o que temos a oferecer-lhes é um Profeta que os ensinará, um Cordeiro que removerá a culpa deles e um Pastor que os guiará e os protegerá.

Nossa própria vida tem de ser tão semelhante à de Cristo quanto possível, especialmente quando nos reunimos. Nós nos reunimos para encorajar uns aos outros a viver como imitadores de Deus. Precisamos ser irrepreensíveis em nosso vestir, nossa linguagem, nosso uso do tempo, nossos relacionamentos ou mesmo em nosso humor, a fim de sermos conhecidos como aqueles que desejam agradar o Jeová Jesus em todas as coisas; e nosso evangelismo está fazendo com que o mundo perceba isto e saiba por que cremos nisto. Os incrédulos descobrem que estão na companhia daqueles que têm como objetivo principal o glorificar a Cristo.

Odiamos qualquer coisa que não deixe isto bastante claro para eles; como, por exemplo, uma forma de adoração vazia que não tem qualquer significado. Queremos que nossas palavras sejam cheias de sentimentos e de afeições de temor a Deus. Linguagem popular e simplista é menos importante do que uma linguagem com elementos mais profundos e eficazes. Sempre ficamos comovidos quando as pessoas nos falam, de modo tão amável e transparente, a respeito do Salvador e de seu amor por elas, o que demonstra que abandonaram sua maneira frívola e irreverente de falar. Apreciamos muito isso; e trememos no que diz respeito a quaisquer tentativas que insistem em que nossa maneira de expressão no culto deve ser a linguagem comum de nosso dia-a-dia. Essa linguagem pode ser correta para a comunicação corriqueira com os outros, mas não para expressar as maravilhas de tão grande salvação. Se o estilo e a maneira de nos expressarmos, quando nos reunimos na presença de Deus, são aqueles mesmos que os incrédulos ouvem entre eles, no escritório ou em seu ambiente educacional, então, falhamos em alcançá-los. Nós, aqueles a quem o Senhor buscou e salvou, somos sensíveis às verdadeiras necessidades dos incrédulos. Portanto, se empregarmos qualquer coisa vulgar e superficial, estaremos cometendo o pecado de sugerir-lhes uma deidade indigna da atenção deles. Conseqüentemente, nossa adoração tem de ser simples, espiritual, calorosa, reverente, substancial, caracterizada por orações espontâneas, com hinos de mensagem profunda; uma adoração que terá como clímax a pregação expositiva; uma adoração apoiada em formas que rapidamente obtêm familiaridade com o que é divino; então, estes se tornam os melhores meios de conduzir as pessoas a Deus, a quem servimos, e de impedir que a atenção delas se prenda na observação de um pregador engenhoso que lhes esteja falando.

Por: Geoffrey Thomas
Fonte: Editora Fiel


domingo, 1 de maio de 2011

Reverência para com Deus

Quando Davi intentou tomar a arca do concerto da casa de Abinadabe, ele teve intenções corretas, mas ele o fez da maneira errada, levando, no final das contas, à morte de Uzá (2 Samuel 6:1-11 e 1 Crônicas 13). Como Davi entendeu mais tarde (em 1 Crônicas 15:13 ss), ele estava errado na primeira vez em que tentou levar a arca para Jerusalém. Ele comentou que porquanto da primeira vez vós não a levastes, o Senhor fez uma brecha em nós, porque não o buscamos segundo a ordenança. Ele então declara o modo que deveria ser feito – os Coatitas (um clã dos Levitas) deveriam carregar a arca nos pólos e aos Levitas não lhes eram permitido tocar nas coisas santas (Números 4:14-15 dá estes mandamentos); somente um grupo seleto de Levitas deveria tocar os instrumentos musicais, e não Davi e todo o Israel. Note que Davi diz isto embora Deus não tenha proibido explicitamente o uso de um carro – o mandamento de carregar a arca nos pólos é suficiente para proibir qualquer outro método de transportar a arca. Como C.H. Spurgeon escreveu num sermão sobre A Lição de Uzá:

"O povo não demonstrou qualquer reverência para com Deus, consultando Seu registro de regras que Ele tinha imposto para orientação deles, - parecendo pensar que tudo o que lhes agradasse, O agradaria, - todo tipo de adoração que eles escolhessem inventar, seria suficiente o bastante para o Senhor Deus de Israel, - portanto, isto terminou em fracasso......"[15]

Quando Davi fez estas coisas como Moisés tinha ordenado, conforme a palavra do Senhor (1 Crônicas 15:15), então, Deus ajudou os levitas que Levavam a arca do concerto do Senhor (verso 26). Assim, novamente vemos claramente que Deus Se agrada somente com aquilo que Ele ordena.

Nota

[15] C. H. Spurgeon, um sermão sobre A Lição de Uzá. Vol 49(1903) #2855 , Página 517 citado em O Princípio Regulador Escriturístico da Adoração por Rev. G.I.Williamson, para a Conferência Psalmody (Salmodia), na Assembléia de Bonclarken, Flat Rock NC, 1990.

Fonte:
Monergismo.com