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terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

A Devoção Cristã num Tempo de Mudanças | Franklin Ferreira

A Devoção Cristã num Tempo de Mudanças

Franklin Ferreira19 de Fevereiro de 2014 - Vida Cristã

Vivemos numa época caracterizada por irracionalidade, relativismo, individualismo, consumismo e violência. O surpreendente é que há uma semelhança muito grande entre o nosso tempo e a época em que o cristianismo surgiu. O que se vê é o ressurgimento de uma cultura pagã, muito parecida com a do tempo em que Jesus Cristo e os apóstolos viveram.

A igreja cristã hoje é desprezada pelo mundo, tendo de lutar por sua sobrevivência ao lado de muitos outros movimentos religiosos. Essas mudanças, que estão ocorrendo na sociedade, têm tido poderosa influência sobre nossa doutrina, nossa pregação e nossa forma de ser igreja.

Concluindo o livro, este capítulo é dividido em duas partes. Na primeira, examinaremos brevemente o atual cenário e seu impacto nas formas de pensar e se posicionar da igreja evangélica em nosso país; na segunda parte, examinaremos como os personagens que foram considerados nesta obra podem ajudar-nos a manter a fé evangélica de forma fiel à herança cristã.

“Admirável mundo novo”

É comum percebermos no meio evangélico a influência deste novo paganismo, que leva muitas igrejas e denominações a adotar ordens de culto e liturgias em que o sentimento de reverência cede lugar à descontração, e o bem-estar do fiel se torna mais importante que a sua humilhação e dedicação a Deus. O Senhor Deus é transformado numa espécie de força, disponível sempre que necessário, mas que não incomoda, pois não exige nenhum tipo de mudança de comportamento ou santidade.

Nesse contexto, em que a pregação da Palavra de Deus muitas vezes é desprezada, a música produz um elevado clima emocional, onde é proposta uma teologia que se apoia vagamente no Evangelho, mas que, na verdade, é baseada numa experiência emocional dos crentes, sem um apelo à razão.

A crítica à razão e à instituição, além de promover divisões nas igrejas e uma desconfiança quanto aos ministros cristãos, as tem deixado sem defesa para as novas tendências teológicas. Por isso, os cristãos de hoje não veem dificuldades ou problemas em assumir conceitos e palavras que fazem parte de outros grupos religiosos, inclusive dos que são o oposto ao cristianismo.

Podemos ver essa descaracterização do evangelho naqueles que acreditam em simpatias, em benzedeiras, em copos de água em cima do rádio ou da televisão, imitando o catolicismo popular, resgatando até mesmo superstições da Idade Média, como a comercialização de óleo ungido, da água do rio Jordão, etc. Algumas pessoas viajam quilômetros apenas para orar com alguém que tem supostos dons especiais, ou uma oração mais poderosa. Infelizmente, em algumas igrejas, podemos perceber semelhanças com os cultos de matriz africana, cujo discurso se prende à obsessão por demônios, pela qual passa a igreja evangélica no Brasil. A vida cristã passa a ser movida por eventos supérfluos como os shows gospel e a “Marcha para Jesus”. E, como se não bastasse, a teologia da prosperidade, com seu vocabulário sem significado, tem substituído a simplicidade bíblica, centrada em Cristo Jesus.

O mais trágico é que há igrejas ensinando que, para uma pessoa ser salva, ela precisa cumprir uma elaborada lista de itens, da qual constam: receber o Senhor Jesus como único salvador, participar das “reuniões de libertação” para se ver livre do Diabo, buscar o batismo com o Espírito Santo, andar em santidade, ler a Bíblia todos os dias, evitar más companhias, ser batizado, frequentar as reuniões de membros da igreja, ser fiel nos dízimos e nas ofertas, orar sem cessar e vigiar.

E, mais trágico ainda, mesmo cumprindo toda esta lista, no entender dessas lideranças eclesiásticas, um cristão pode vir a perder a salvação. Entretanto, as Escrituras claramente nos ensinam que homens e mulheres pecadores são declarados justos apenas pela fé, apenas em Cristo; parece que os dirigentes desses movimentos religiosos nunca leram as epístolas de Paulo aos Romanos e aos Gálatas, assim como a epístola aos Hebreus.

Como resultado, o que podemos constatar é que os cristãos muitas vezes são pobres em cultivar amizades profundas e verdadeiras, fazendo com que a comunhão entre os irmãos seja fraca ou inexistente. É por isso que poderíamos sugerir que a igreja tem sido influenciada pelo contexto cultural em que vivemos, preso às emoções e individualidades.

Por outro lado, no começo do século xix, como fruto do Iluminismo, surgiu na Europa um novo movimento teológico, chamado de liberalismo teológico, que tem tido forte impacto sobre os seminários teológicos no Brasil, onde são formados os futuros pastores. O liberalismo teológico se tornou uma espécie de dossel sobre o qual se abrigam teólogos de várias tendências, muitas vezes amorfas, mas que compartilham dos mesmos pressupostos básicos, racionalistas, anti-sobrenaturalistas – por não crerem numa revelação sobrenatural ou em qualquer tipo de milagre e, no fim, ateístas.

Esses teólogos compartilham o desprezo pelos enunciados cristãos mais básicos, as doutrinas da Criação, da inspiração das Escrituras, do nascimento virginal de Cristo, de sua morte salvadora e ressurreição e do seu retorno final, triunfante. Essas doutrinas passaram a ser severamente criticadas ou claramente negadas por eles, numa tentativa de reinterpretar o cristianismo histórico.

Tal movimento chegou ao Brasil, trazido por missionários estrangeiros, em meados de 1960, e as principais denominações históricas brasileiras – presbiterianos, batistas, metodistas e luteranos – acabaram sofrendo forte influência nessa mudança teológica, ocorrida especialmente nos seminários teológicos, mas com reflexos nas igrejas locais.

Mas, como J. Gresham Machen escreveu no começo do século xx, “liberalismo não écristianismo”. Os liberais, imitando a velha heresia gnóstica, tentaram reinterpretar o cristianismo, justamente para não assumirem em público a diferença entre essas duas cosmovisões antagônicas.

Por  consequência, teólogos  oriundos  desse  movimento  acabam usando linguagem ambígua, para permanecerem ligados às igrejas e seminários das principais denominações no país.

Augustus Nicodemus Lopes acertadamente afirma:

O liberalismo teológico nasceu, alimentou-se e viveu como um parasita, usando o corpo, as energias, os recursos e a vida das organizações eclesiásticas fundadas e financiadas por conservadores. Os primeiros liberais eram ministros de denominações conservadoras – embora já minadas pelas ideias do Unitarismo e do Iluminismo –, de onde tiraram seu sustento e onde ganharam respeitabilidade. Mesmo que tenham mudado suas crenças, não largaram o corpo de onde se alimentavam. Pois não teriam para onde ir.

E, por isso mesmo, precisamos ser constantemente lembrados: liberalismo não écristianismo!

Essas várias tendências são extremamente perigosas, porque o cristianismo, que sempre sofreu ameaças de ser seduzido pela cultura de seu tempo – e por vezes sucumbiu a ela –, mais uma vez está diante do mesmo desafio. A partir desse quadro, podemos perceber com clareza que o resultado de tal capitulação será uma espiritualidade superficial e sem significado, num contexto onde a igreja evangélica está correndo risco de deixar de ser igreja evangélica, comunidade estabelecida sobre a mensagem do evangelho da graça livre de Deus.

Precisamos lembrar que as antigas confissões de fé, seguindo os ensinamentos das Escrituras, afirmavam que a pureza de uma igreja se mede pela fidelidade com a qual o Evangelho é pregado – o que inclui as doutrinas centrais do cristianismo – e as ordenanças celebradas – o que aponta para a teologia prática das igrejas –, e não pela quantidade de membros agregados.

Uma direção para a igreja

As personagens consideradas neste livro podem ajudar-nos a retomar o rumo, na medida em que descobrimos através de seus exemplos, o que fazer para manter a igreja fiel ao evangelho. Podemos resumir essa ajuda em três pontos.

  1. Se desejamos ser uma igreja fiel, precisamos redescobrir as doutri nas centrais da fé cristã, e isso não é uma tarefa fácil. Precisamos estudar todas as doutrinas bíblicas, buscando saber quais são aquelas cujo conhecimento é vital para nossa salvação e quais são aquelas em que podemos ter opiniões diferentes.

    A partir do estudo dos nossos biografados, e como ponto de partida para uma renovação evangélica, somos convidados, em nome do testemunho cristão, da clareza e da honestidade, a oferecer com coragem nossa confissão de fé neste tempo. As bases de fé da Comunidade Cristã de Universidades e Faculdades Cristãs (UCCF) são um um resumo fiel das crenças vitais da tradição cristã e evangélica:

    Deve-se crer:

    Na existência de um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, um em essência e Trino em pessoa.

    Na soberania de Deus na Criação, Revelação, Redenção e Juízo Final. Na inspiração divina, veracidade e integridade da Escritura, tal como revelada originalmente, e sua suprema autoridade em matéria de fé e conduta.

    Na pecaminosidade universal e culpabilidade de todos os homens, desde a queda de Adão, colocando-os sob a ira e a condenação de Deus. No Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado, plenamente Deus; ele nasceu da virgem; foi plenamente homem, mas sem pecado; ele morreu na cruz, e ressuscitou corporalmente dentre os mortos, e agora reina sobre a terra e o céu.

    Na redenção da culpa, pena, domínio e corrupção do pecado, somente por meio da morte expiatória do Senhor Jesus Cristo, nosso representante e substituto, o único mediador entre os pecadores e Deus.

    Em que aqueles que crêem em Cristo são perdoados de todos os seus pecados e aceitos por Deus somente por causa da justiça de Cristo imputada a eles; esta justificação é um ato da misericórdia imerecida de Deus, recebida apenas pela confiança em Cristo e não por suas próprias obras.

    Em que somente o Espírito Santo torna a obra de Cristo eficaz para os pecadores, levando-os a se voltarem de seus pecados para Deus e a confiar em Jesus Cristo.

    Em que somente o Espírito Santo habita em todos aqueles que ele regenerou. Ele os torna cada vez mais semelhantes a Cristo em caráter e comportamento e lhes dá poder para o seu testemunho no mundo.

    Na única Igreja, Santa e Universal, que é o Corpo de Cristo, à qual todos os cristãos verdadeiros pertencem e que na terra se manifesta nas congregações locais.

    Em que somente o Senhor Jesus Cristo voltará pessoalmente, como o juiz de todos, para executar a justa condenação de Deus sobre aqueles que não se arrependeram e receber os remidos na glória eterna.

    Um ponto importante que se deve ter em mente é que o que determina uma tradição denominacional ou mesmo a fé da igreja cristã não é a posição de um teólogo em particular, mas as confissões adotadas em concílios ou por segmentos representativos da igreja cristã. Nesse sentido, a fé cristã é definida a partir do Credo dos Apóstolos, do Credo de Niceia e pela Definição de Calcedônia. E a fé evangélica, construída e dependente da primeira, é determinada por documentos como a Confissão de Augsburgo, o Catecismo de Heidelberg, a Confissão Belga, a Confissão de Fé de Westminstere a Declaração Teológica de Barmen.

    O cristianismo histórico é confessional desde o seu princípio: “Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mt 10.32-33). Nesse sentido, se desejamos uma renovação da igreja que opere uma mudança na sociedade, precisamos confessar vigorosamente as antigas doutrinas cristãs e evangélicas como afirmadas nos antigos credos e confissões de fé.

    Então, a partir desse ponto, devemos pregar e ensinar doutrinariamente na igreja e nos seminários teológicos, enfatizando a centralidade e autoridade das Escrituras, a doutrina da Trindade – que nos ensina que Deus é o Pai, o Filho e o Espírito Santo –, os ofícios e a obra de Cristo – verdadeiro Deus, verdadeiro homem –, o pecado e a culpa, a expiação, a regeneração, a fé e o arrependimento, a justificação, a santificação como obra do Espírito Santo, julgamento, céu e inferno, e, em tudo isso, denunciando o cristianismo hipócrita e nominal.

    Nossa atenção precisa voltar-se para o fato de que é a verdadeira doutrina que produz a verdadeira unidade na igreja cristã (Ef 4.1-16).

  2. Agora, uma palavra especial para aqueles que têm servido à igreja na pregação e no ensino. Não basta apenas uma recuperação teológica, pois se nossa teologia não serve para ser pregada, então ela é uma má teologia. Precisamos recuperar uma pregação bíblica, que seja expositiva, doutrinária e prática. Precisamos de pregadores expositivos, que busquem pregar toda a Palavra de Deus, e saibam que somente o Espírito Santo, ligado à Palavra, pode salvar pecadores e edificar a igreja.

    A prática da pregação de Martinho Lutero em Wittenberg é uma boa ilustração da centralidade da Palavra de Deus no ministério cristão. Na Igreja do Castelo, no domingo, às 5h, ele pregava nas Epístolas Paulinas; ainda no domingo, às 9h, pregação nos Evangelhos Sinóticos; e no domingo à tarde, pregação baseada nos temas do Catecismo menor; nas segundas e terças, pregação nos temas do Catecismo menor; na quarta, pregação no Evangelho de Mateus; na quinta e na sexta, pregação nas Epístolas Gerais; e, no sábado, pregação no Evangelho de João. Aqui temos um bom modelo de pregação numa congregação, onde estilos literários bíblicos diferentes são bem combinados na pregação, e unidos com aulas catequéticas. Por isso, podia se afirmar de Lutero que ele pregava ensinando e ensinava pregando. Em nosso tempo, D. M. Lloyd-Jones pregou dez anos na epístola aos Romanos, e seis anos na epístola aos Efésios – e sua igreja ficava lotada!

    Lutero, Lloyd-Jones e outros que têm seguido esse método de pregação buscam enfatizar “todo o desígnio de Deus” (At 20.27), pregando toda a Escritura para o povo de Deus. Em outras palavras, o ministro cristão será um “pastor ensinador” (cf. Ef 4.11).

    No tempo da Reforma, tal modelo de pregação foi um claro ataque contra os métodos de ensino católicos. Estes usavam a dramatização, que era chamada de dramatização dos mistérios, quando atores profissionais eram pagos para, junto ao altar, representar diante do povo, que eles consideravam inculto e incapaz, as verdades das Escrituras, muitas vezes romanceadas. Mas, segundo a Segunda Confissão Helvética,“a pregação da Palavra de Deus é a Palavra de Deus”:

    Portanto, quando esta Palavra de Deus é agora anunciada na Igreja por pregadores legitimamente chamados, cremos que a própria Palavra de Deus é anunciada e recebida pelos fiéis; e que nenhuma outra Palavra de Deus pode ser inventada, ou esperada do céu: e que a própria Palavra anunciada é que deve ser levada em conta e não o ministro que a anuncia, pois, mesmo que este seja mau e pecador, contudo a Palavra de Deus permanece boa e verdadeira.

    Então, por causa do elevado conceito que as Escrituras tem de si mesmo (1Tm 3.16; 2Pe 1.19-21), por entender que a exposição da Palavra é o meio de salvação (Rm 10.13-17; 1Pe 1.23), e que o homem, por ter a imagem de Deus, é um ser com capacidades racionais, nossos pais espirituais rejeitaram esses acréscimos. O único sacramento que eles aceitaram era a pregação da Palavra de Deus.

    Além disso, a pregação bíblica não pode ficar de fora dos cultos, pois é parte integrante da adoração. Portanto, precisamos voltar a ensinar toda a Palavra, não apenas aquilo de que gostamos mais ou que nos é mais familiar, mas toda a Palavra de Deus. Quando o fiel ensino e a pregação da Palavra são negligenciados, sempre surgirão superstições e crendices dentro da própria igreja evangélica.

    Os ministros da Palavra devem ser pregadores práticos, lidando com os casos de consciência. Assim sendo, eles devem aplicar a Escritura àqueles que ainda estão em seus pecados, aos que estão lutando com alguma doença ou passando pela“noite escura da alma” e aos que estão crescendo na fé.

    Toda essa questão se torna ainda mais urgente quando vemos que, em pesquisa realizada em 2010, cerca de 51% dos pastores e líderes evangélicos brasileiros nunca leram a Escritura por inteira pelo menos uma vez, o que explica o declínio da qualidade dos ministros em nosso país e a grande quantidade de ensinos que estão em ruptura com a fé cristã histórica.

  3. Precisamosser igrejas bíblicas, criativas e relevantes. Ao definirmos “igreja”, pode-se lembrar de que, em termos confessionais, duas marcas caracterizam a verdadeira igreja: a Palavra de Deus pregada e ouvida em toda a sua pureza e a correta administração dos sacramentos do batismo e da ceia do Senhor. Como declara aConfissão de Augsburgo:

    Ensina-se também que sempre haverá e permanecerá uma única santa igreja cristã, que é a congregação de todos os crentes, entre os quais o evangelho é pregado puramente e os santos sacramentos são administrados de acordo com o evangelho. Porque para a verdadeira unidade da igreja cristã é suficiente que o evangelho seja pregado unanimemente de acordo com a reta compreensão dele e os sacramentos sejam administrados em conformidade com a palavra de Deus. E para a verdadeira unidade da igreja cristã não é necessário que em toda a parte se observem cerimônias uniformes instituídas pelos homens. É como diz Paulo em Efésios 4: ‘Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo’.

    O Novo Testamento oferece limites para sermos igreja, mas dentro desses há bastante liberdade para adaptações às mudanças que aparecem em diferentes lugares e épocas.

    Partindo desse ponto, precisamos reafirmar, de forma criativa, a vida em comunidade. Para isso, devem ser encorajados meios para incluir os vários dons espirituais dos cristãos no ministério de nossas igrejas, lembrando que cada crente é importante e tem um ministério necessário no corpo de Cristo (Rm 12.4-8; 1Co 12.8-11,28-30; Ef 4.11-16; 1Pe 4.8-11).

    Ao mesmo tempo, todos os membros deveriam estar conscientes de suas responsabilidades de mútua submissão e autodoação na igreja em que participam (Ef 5.18-21). A igreja existe para nutrir relações de cuidado entre seus membros (1Co 13.1-13). Como bem lembra Horrell, é preciso cultivar amizades profundas, para imitar a igreja do Novo Testamento. “Cultos nos lares, núcleos de estudos bíblicos, retiros e outras formas de comunhão contribuem para reunir em amor o povo de Deus, exaltando a alegria e o amor da Trindade, antecipando a comunhão abençoada do céu”.

    O ensino bíblico sobre a aliança precisa ser redescoberto. Em termos bíblicos, um pacto ou aliança é um vínculo de sangue graciosa e soberanamente administrado, na medida em que “sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hb 9.22). Portanto, as Escrituras registram a promessa do mediador pactual, o Senhor Jesus Cristo, no Antigo Testamento, e o cumprimento de tal juramento, no Novo Testamento. Essa doutrina funciona como o tema unificador das Escrituras Sagradas.

    Em termos práticos, a aliança é o vínculo dos crentes na comunidade da fé. Se, de um lado, pecadores são chamados soberana e graciosamente por Deus para a salvação, estas novas criaturas (2Co 5.17), agora renovadas pelo Espirito Santo, são incluídas numa comunidade que está ligada por um vínculo pactual gracioso e soberano com o próprio Deus, por meio de Jesus Cristo, e entre si mesma. Portanto, é preciso lembrar a esta comunidade da aliança que o Senhor tem prazer em cumprir suas promessas pactuais, assim como exige obediência às exigências pactuais estabelecidas por ele mesmo.

    O preço do discipulado e a disciplina precisam ser enfatizados, pois o que tem prevalecido na cultura da malandragem e do jeitinho é aquilo que Dietrich Bonhoeffer chamou de “graça barata”. Portanto, precisamos recuperar o ensino da graça custosa, que exige tudo daqueles que ouvem o chamado evangélico para seguir o Senhor Jesus Cristo:

    A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a Ceia do Senhor sem confissão de pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado.

    A graça preciosa é o tesouro oculto no campo, por amor do qual o homem sai e vende com alegria tudo quanto tem: a pérola preciosa, para adquirir a qual o comerciante se desfaz de todos os seus bens; o governo régio de Cristo, por amor do qual o homem arranca o olho que o escandaliza; o chamado de Jesus Cristo, ao ouvir do qual o discípulo larga as suas redes e o segue.

    A graça preciosa é o evangelho que há de se procurar sempre de novo, o dom pelo qual se tem que orar, a porta à qual se tem que bater. Essa graça é preciosa porque chama ao discipulado, e é graça por chamar ao discipulado de Jesus Cristo; é preciosa por custar a vida ao homem, e é graça por, assim, lhe dar a vida; é preciosa ao condenar o pecado, e é graça por justificar o pecador. Essa graça é sobretudo preciosa por tê-lo sido para Deus, por ter custado a Deus a vida de seu Filho – ‘fostes comprados por preço’ – e porque não pode ser barato para nós aquilo que para Deus custou caro. A graça é graça sobretudo por Deus não ter achado que seu Filho fosse preço demasiado caro a pagar pela nossa vida, antes o deu por nós. A graça preciosa é a encarnação de Deus.

    A graça preciosa é a graça considerada santuário de Deus, que tem que ser preservado do mundo, não lançado aos cães; e é graça como palavra viva, a Palavra de Deus que ele próprio pronuncia de acordo com o seu beneplácito. Chega até nós como gracioso chamado ao discipulado de Jesus; vem como palavra de perdão ao espírito angustiado e ao coração esmagado. A graça é preciosa por obrigar o indivíduo a sujeitar-se ao jugo do discipulado de Jesus Cristo. As palavras de Jesus: ‘O meu jugo é suave e o meu fardo é leve’  são expressões da graça.

    Durante quase dois mil anos, os Salmos foram centrais para a devoção da igreja cristã, ensinando os fiéis a orar, em resposta ao Deus que se revela, uma confissão e glorificação ao Deus trino, criador, redentor e restaurador. Na igreja primitiva e durante a reforma protestante, quando um pastor queria ensinar sua congregação sobre a oração, pregava nos Salmos. Portanto, as igrejas e comunidades cristãs devem redescobrir o saltério como o livro de oração dos crentes, a escola onde se aprende a orar, sempre de novo. E esta oração pode e deve ser aprendida por meio da leitura orante dos salmos em comunidade.

    As Escrituras, dessa forma, não são apenas a perfeita revelação de Deus, mas guia do cristão em suas lutas e vitórias – não apenas atos históricos passados e distantes, mas eventos vivos, aqui e agora.

    Precisamos também recuperar o rico conceito bíblico de sacerdócio de todos os crentes (1Pe 2.5,9; Ap 1.6; 5.10; 20.6). Segundo Lutero, todo cristão é sacerdote de alguém, e somos todos sacerdotes uns dos outros. Esse sacerdócio deriva diretamente de Cristo, pois “somos sacerdotes como ele é sacerdote”. É uma responsabilidade tanto quanto um privilégio: “O fato de que somos todos sacerdotes significa que cada um de nós, cristãos, pode ir perante Deus e interceder pelo outro. Se eu notar que você não tem fé ou tem uma fé fraca, posso pedir a Deus que lhe dê uma fé sólida”. Portanto, não podemos ser cristãos sozinhos, precisamos da “comunhão dos santos”: uma comunidade de intercessores, um sacerdócio de amigos que se ajudam, uma família em que as cargas são compartilhadas e suportadas mutuamente. Nem todos podem ser pastores, mestres ou conselheiros. Há um só estado – todos os cristãos são sacerdotes –, mas uma variedade de funções – cada cristão tem um chamado específico da parte de Deus, para glorificá-lo no mundo.

    Em todas essas coisas, somos ensinados que Deus Pai, em Jesus Cristo, por meio do Espírito Santo, nos chama como indivíduos para vivermos em comunidade.

    Num tempo de mudanças tão profundas e desafiadoras, temos diante de nós uma grande tarefa: a de, na dependência do Espírito, orar, pregar e ensinar, de tal forma que vejamos em nosso tempo uma igreja pura, ortodoxa, santa e relevante para a sociedade. O Livro de orações comum expôs toda nossa responsabilidade e toda a nossa esperança na tarefa de proclamarmos com força renovada a fé evangélica:

    Todo poderoso e eterno Deus, que pelo Espírito Santo presidiste o concílio dos abençoados apóstolos, e tem prometido, por teu Filho Jesus Cristo, estar com tua Igreja até o fim do mundo; (...) Livra-nos do erro, da ignorância, do orgulho e da parcialidade; e confiados em tua grande misericórdia, te imploramos, dirige, santifique e governe em nosso trabalho, pelo grande poder do Espírito Santo, a fim de que o confortante evangelho de Cristo seja verdadeiramente pregado, verdadeiramente recebido e verdadeiramente seguido em todos os lugares, para a derrota do reino do pecado de Satanás e da morte; até que ao fim todas as tuas ovelhas dispersas, sejam reunidas em um só rebanho, e se tornem participantes da vida eterna; pelos méritos e morte de Jesus Cristo, nosso salvador. Amém.

Obras consultadas e sugeridas para aprofundamento do assunto:

Beeke, Joel;  Ferguson, Sinclair. Harmonia das confissões reformadas. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.
Bonhoeffer, Dietrich. Discipulado. São Leopoldo: Sinodal, 2001.
Ferreira, Franklin; Myatt, Alan. Teologia sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2007.
Curso Vida Nova de teologia básica: teologia sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2013.
O uso dos Salmos na devoção cristã. Revista Teologia Brasileira 10 (2012).http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=294.
Horrell, J. Scott. O Deus Trino que se dá, a imago Dei e a natureza da igreja local.VoxScripturae, 6/2, dez./1996, p. 243-262.
Comissão Permanente de Doutrina da IPB. A Igreja Universal do Reino de Deus: sua teologia e sua prática. São Paulo: Cultura Cristã, 1997.
Livro de Oração Comum: forma abreviada e atualizada com Salmos litúrgicos. Porto Alegre: Igreja Episcopal do Brasil, 1999.
Lopes, Augustus Nicodemus. Sobre liberais, parasitas e neoliberais. O Tempora! O Mores! http://tempora-mores.blogspot.com.br/2006/01/sobre-liberais-parasitas-e-neoliberais.html.
Machen, J. Gresham. Cristianismo e liberalismo. São Paulo: Shedd, 2012. Robertson, O. Palmer. O Cristo dos pactos. São Paulo: Cultura Cristã, 2011. Schaeffer, Francis. A igreja no século 21. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. Trueman, Carl R. O imperativo confessional. Brasília (DF): Monergismo, 2012.
Wright, R. K. McGregor. A soberania banida: redenção para a cultura pós-moderna. São Paulo: Cultura Cristã, 1998.
Fonte: Excerto do Livro Servos de Deus, Franklin Ferreira (Conclusão).

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A Trindade e a Pessoa do Espírito Santo | Franklin Ferreira [1/3]

[][][] Mensagem
A Trindade e a Pessoa do Espírito Santo | Franklin Ferreira
A Obra do Espírito Santo
Ano: 2014 - 30ª Edição da Conferência Fiel para Pastores e Líderes - Brasil

terça-feira, 8 de julho de 2014

Galatas “5” | Franklin Ferreira [4/4]

Mensagens:

Doutrinas Reformadas  | O Evangelho X Outras Mensagens | A Lei e o Evangelho | Galatas

Por: Pr. Franklin Ferreira

Fonte: Igreja Batista Reformada de São Paulo

A Lei e o Evangelho | Franklin Ferreira [3/4]

Mensagens:

Doutrinas Reformadas  | O Evangelho X Outras Mensagens | A Lei e o Evangelho | Galatas

Por: Pr. Franklin Ferreira

Fonte: Igreja Batista Reformada de São Paulo

O Evangelho X Outras Mensagens | Franklin Ferreira [2/4]

Mensagens:

Doutrinas Reformadas  | O Evangelho X Outras Mensagens | A Lei e o Evangelho | Galatas

Por: Pr. Franklin Ferreira

Fonte: Igreja Batista Reformada de São Paulo

Doutrinas Reformadas | Franklin Ferreira [1/4]

Mensagens:

Doutrinas Reformadas  | O Evangelho X Outras Mensagens | A Lei e o Evangelho | Galatas

Por: Pr. Franklin Ferreira

Fonte: Igreja Batista Reformada de São Paulo

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Um Guia para a Formação Espiritual | Franklin Ferreira

discipuladoNas últimas duas décadas, a palavra discipulado foi suplantada pelo termoespiritualidade. O que aparentemente era algo restrito à devoção católica se tornou um dos aspectos centrais do interesse evangélico atual.

Uma definição mais básica de espiritualidade cristã é que esta seria o relacionamento profundo com Deus Pai, mediado pela cruz de Jesus Cristo, no poder do Espírito Santo. Indo um pouco além, Alister McGrath sugere que a espiritualidade cristã é:

A busca por uma existência cristã autêntica e satisfatória, envolvendo a união das ideias fundamentais do cristianismo com toda a experiência de vida baseada em e dentro do âmbito da fé cristã. (...) No cristianismo, a espiritualidade significa viver o encontro com Jesus Cristo. A expressão ‘espiritualidade cristã’ refere-se a como a vida cristã é entendida e às práticas devocionais explícitas desenvolvidas com vistas a nutrir e sustentar esse relacionamento com Cristo. A espiritualidade cristã pode, então, ser compreendida como a maneira pela qual indivíduos ou grupos cristãos buscam aprofundar sua experiência com Deus ou ‘praticar a presença de Deus’, para usar uma frase associada particularmente ao Irmão Lourenço.

Sublinhando a união entre as verdades cristãs e uma vida devota, ele escreve mais adiante:

A espiritualidade é a aplicação da verdade cristã à vida de fé. (...) Ela procura colocar Deus no coração e na mente. A espiritualidade ocupa-se do aprofundamento do conhecimento pessoal de Deus, ela se baseia em uma boa teologia, que alicerça a vida cristã. (...) Colocar uma barreira entre teologia e espiritualidade é pedir a duas pessoas apaixonadas que se relacionem friamente.

Assim sendo, de acordo com McGrath, a espiritualidade cristã é “um dos assuntos mais fascinantes que alguém pode estudar”.

Este livro se propõe a ser uma introdução à história da espiritualidade cristã, a partir da vida de trinta e dois importantes personagens da história da igreja. Em ordem cronológica, são eles: Policarpo de Esmirna, Irineu de Lião, Atanásio de Alexandria, Basílio de Cesaréia, Agostinho de Hipona, Leão Magno, Bento de Núrsia, Anselmo de Cantuária, João Wycliffe, João Huss, Tomás de Kempis, Martinho Lutero, Filipe Melanchthon, Ulrico Zuínglio, João Calvino, William Tyndale, Richard Baxter, John Bunyan, Blaise Pascal, Johann Sebastian Bach, Jonathan Edwards, John Wesley, William Carey, William Wilberforce, José Manoel da Conceição, Charles Spurgeon, Abraham Kuyper, Karl Barth, Dietrich Bonhoeffer, C. S. Lewis, Francis Schaeffer e D. M. Lloyd-Jones.

Muito já se escreveu sobre a espiritualidade cristã, sob os prismas devocionais ou pastorais. Em inglês, existem obras que cobrem a história da espiritualidade. Mas, em português, ainda que tenhamos bons livros publicados sobre devoção e espiritualidade, somente recentemente começou-se a publicar algumas obras sobre a história da espiritualidade. Este livro tenta preencher tal lacuna, na medida em que considera a vida de alguns dos principais pensadores cristãos como o terreno onde a devoção e a espiritualidade cristã foram formadas. Assim, busco demonstrar a ligação entre devoção disciplinada, erudição, produção teológica e renovação eclesial e social.

As personagens tratadas nesse livro foram escolhidas obedecendo a três critérios. O primeiro considerou a influência que certos personagens têm em toda a igreja cristã, não apenas uma denominação ou segmento. Aqui podemos destacar Irineu, Atanásio, Basílio, Agostinho, Leão, Anselmo, Lutero, Calvino e Barth, cujos escritos e influência permanecem até hoje conosco. A bibliografia produzida acerca destes personagens e de seus escritos teológicos é imensa, o que dá testemunho de sua influência duradoura. O segundo critério foi a influência salutar que alguns destes personagens podem desempenhar, se forem descobertos por pastores e líderes evangélicos no Brasil. Aqui podem ser nomeados Policarpo, Bento, Tomás de Kempis, Baxter, Bunyan, Edwards, Wilberforce, Conceição, Spurgeon, Kuyper, Lewis, Schaeffer e Lloyd-Jones. A vida e obra de cada um destes personagens merecem um estudo mais aprofundado por parte dos cristãos brasileiros. E o último critério foi o interesse desse autor em pesquisar mais sobre estes personagens. Obviamente, tal interesse se estende a todos os biografados. Mas pode-se citar, mais especificamente, Wycliffe, Huss, Melanchthon, Zuínglio, Tyndale, Pascal, Bach, Wesley, Carey e Bonhoeffer.

Nessa nova edição há dois capítulos inéditos, que tratam de Karl Barth e Dietrich Bonhoeffer. Preciso, nesse ponto, oferecer uma explicação da inclusão destes dois personagens nessa obra.

Ao fim do século xix, as igrejas reformadas e luteranas na Suíça e na Alemanha haviam sido seduzidas pela teologia liberal. Karl Barth não apenas rompeu com este método teológico, mas também o criticou de forma veemente e definitiva, e ele deve receber o crédito por este feito. Ele escreveu o comentário à Carta aos Romanos, considerado um dos mais importantes tratados teológicos do século xx, no qual criticou impiedosamente o liberalismo teológico e o sentimentalismo religioso.

Curiosamente, na atualidade, alguns tentam buscar respaldo em Barth para justificar posições liberais, opostas às doutrinas centrais da fé cristã. Estes tomam um elemento isolado dos escritos de Barth e a empregam para fazer conexões com, por exemplo, a teologia da esperança - a qual ele não conseguia diferenciar do “princípio esperança” marxista. Este é um tipo de apropriação que ele, sem dúvida, repudiaria.

Barth ainda é um teólogo influente na atualidade, ensinando a muitos a fazer teologia confessional, a escrever em diálogo com os Pais da Igreja e os reformadores do século xvi, a basear as formulações dogmáticas numa exegese do texto bíblico centrada em Cristo Jesus e a ambicionar uma teologia sistemática esteticamente bonita.

Portanto, ainda que discordemos da interpretação de Barth sobre a Criação, de sua compreensão da inspiração da Escritura, e de sua explicação da predestinação, deve-se admitir que ele foi um dos grandes teólogos do século passado. Michael Horton avaliou judiciosamente a importância deste escritor para a igreja cristã:

Quaisquer sejam suas deficiências com respeito a sua própria doutrina das Escrituras, o projeto de Barth ao menos representa uma revolução copérnica na história da teologia moderna no que diz respeito ao menos a este ponto: opondo-se ao antropocentrismo do neo-protestantismo com um teocentrismo absoluto que direcionou novamente a luz sobre a iniciativa divina. Deus não apenas determina a resposta, mas também as perguntas. Temos todas as razões para desafiar a doutrina da Palavra de Deus de Barth, mas no que diz respeito à fonte da teologia, estamos juntos: a Escritura, e não a igreja ou a cultura é a norma normans non normata (a norma que normatiza, mas ela própria não é normatizada).

Baseando-se na herança do pietismo, (…) outros [autores] que defendem um evangelicalismo pós-conservador normalmente exibem uma visão mais schleiermachiana que bartiana das Escrituras e da doutrina. Enquanto Barth falou claramente sobre pecado e graça, a pregação e a teologia evangélica de hoje tendem a falar em termos de disfunção e recuperação, distendendo a missão de Cristo ao ‘encarnar’ seu amor e vida transformadora. Barth estava convencido que seres humanos não poderiam contribuir para sua própria redenção e que nada menos que um ato soberano da misericórdia divina era necessário [para tal]. Por contraste, o evangelicalismo está sendo crescentemente inundado por um pelagianismo prático que justifica a avaliação de Bonhoeffer de que o cristianismo americano é um ‘protestantismo sem reforma’. Atualmente, um número crescente de teólogos evangélicos compartilha o antigo desconforto liberal com a doutrina do sacrifício substitutivo de Cristo, enquanto (...) estudantes e admiradores de Barth o defendem.

Alguns evangélicos contemporâneos demonstram uma maior abertura a outras religiões como fontes de revelação redentiva, enxergando o evangelho em termos de seguir o exemplo de Cristo (...). Qualquer que seja nossa posição sobre as tendências ‘otimistas’ de Barth em direção ao universalismo, elas são embasadas em sua visão da graça e eleição divina, com Cristo somente como o fundamento. Em outras palavras, o monergismo do cristianismo reformado tem Barth como seu defensor corajoso, em contraste com o evangelicalismo (...). Na terra do ‘protestantismo sem a reforma’, Barth é, de fato, uma voz revigorante. Eu me junto à galeria dos admiradores, especialmente quando as alternativas são o liberalismo ou o fundamentalismo, movimentos que têm mais em comum um com o outro (a saber, a herança pietista) que com o cristianismo reformado. Cristãos reformados confessionais podem aprender muito de Barth (...). No entanto, estou convicto de que onde estas estradas divergem, ocorre um declínio ao invés de uma renovação do legado reformado. Barth permanece como uma figura importante com que se pode contar, não para ser levianamente desconsiderado, nem para ser abraçado sem crítica. Para o bem ou para o mal, sua voz ainda é ouvida entre nós.

Então, usando as palavras de Barth com uma ênfase um pouco diferente, nos entristecemos em discordar dele, contudo somos compelidos a isto em obediência às Escrituras. Mas isso não anula sua importância para a história da igreja e o estudo da fé cristã.

Sobre Dietrich Bonhoeffer, é necessário lembrar que foi somente após 1950 que seus escritos ocasionais e fragmentários foram redescobertos. E estes foram interpretados muitas vezes por meio de especulação ou mera projeção. Infelizmente, como disse Ernesto Bernhoeft, “muitas expressões [de Bonhoeffer, especialmente em Resistência e submissão,] foram interpretadas erroneamente ou sequer foram entendidas”. Então, de acordo com Eberhard Bethge, intérpretes liberais falharam em manter uma continuidade entre seus escritos mais antigos, cujo teor ele mantinha integralmente, e suas cartas da prisão, extrapolando suas ideias “no interesse do marxismo”, citadas como inspiradoras de metodologias teológicas tão díspares como as teologias da libertação latino-americanas e a teologia da morte de Deus anglo-saxônica.

Muitos evangélicos rejeitam os escritos de Bonhoeffer, tratando-os como mera variante do liberalismo teológico do século xix. Com isso, estes deixam de se beneficiar de livros valiosos para a fé cristã, como Vidaem comunhão e Discipulado, e perdem de vista percepções instigantes e provocadoras, como: a religião como idolatria; o tenso equilíbrio entre o viver no mundo “como se Deus não existisse” e a necessidade da “disciplina do segredo” (disciplina arcani) por parte da igreja; e a fraqueza de Deus em Cristo revelada na cruz.

No entanto, de seus escritos emerge um quadro teológico com nuances e complexidades, e tanto evangélicos como liberais permanecem desconfortáveis diante do quadro maior, no qual a sua oposição política ao nazismo foi resultado direto de sua teologia. Mas a pergunta importante é: o que podemos aprender dos escritos de Bonhoeffer para sermos melhores cristãos? Logo, ainda que discordando de algumas de suas posições, reconheço que ele foi um seguidor de Cristo, que cria no evangelho, e que a nossa fé pode ser encorajada pela leitura de suas obras e do estudo de sua vida.

Ainda que este livro tenha uma perspectiva histórica, os estudos de tais biografias, juntas, nos fornecem pistas para uma teologia da espiritualidade cristã. Mas, antes, é necessário fazer um alerta ao leitor: estas personagens nos lembram da imagem bíblica de que a vida cristã é uma peregrinação (1Pe 2.11), e, como peregrinos, exemplificam a multiforme sabedoria de Deus (Ef 3.10) e combatem a popular ideia de que há um modelo único, normativo, de espiritualidade cristã.

Levando-se em consideração que se tornou tão comum criar categorias rígidas para julgar a devoção – com o surgimento de rótulos banais e superficiais –, essas vidas lembram que nossa peregrinação cristã é individualizada e não pode ser resumida a chavões. Cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus. Por isso, não existe um modelo pelo qual nossa espiritualidade deva ser medida. A devoção não pode ser resumida a caricaturas simplistas ou reducionistas. Em outras palavras, não existe um modelo único de espiritualidade cristã. O que devemos aprender de mais importante é que a espiritualidade e a devoção não devem ser exibidas (Mt 6.1-8). As personalidades retratadas neste livro não gastaram seu tempo falando das próprias experiências com Deus, mas empreenderam a vida para promover a glória de Deus no sacrifício de seu Filho bendito, recebido por meio do Espírito e ensinado e afirmado na Escritura.

Podemos, então, resumir dez princípios teológicos que emergem deste estudo histórico.

  1. O primeiro princípio é que na vida de todas as personagens aqui estudadas é enfatizada a conversão do pecado, como fruto da graça livre e soberana de Deus. Isso é exemplificado especialmente na vida de Agostinho, Lutero, Pascal, Wesley e Lewis. Como resultado, esses homens se percebiam peregrinos, cuja pátria está nos céus. A grande ambição da vida deles era a glória de Deus, e para isso viveram, escreveram, pregaram e serviram ao bem comum.
  2. Podemos constatar que a espiritualidade na vida dos nossos biografados é moldada pela Escritura. Deus revela seu amado Filho nas Escrituras, inspiradas pelo Espírito Santo e, por isso, sem erro. Kenneth Kantzer nos diz que a Bíblia, assim como Martinho Lutero nos ensinou muitos anos atrás, é o berço pelo qual Cristo vem a nós. Se tirássemos o bebê do berço e o colocássemos na rua, ele morreria. E se o berço fosse instável e fraco, prejudicaria a segurança do bebê. Da mesma maneira, a doutrina da inerrância é a salvaguarda de uma fé cristã saudável e completa. Em conexão com isto, nossas personagens enfatizaram fortemente uma teologia exegética e bíblica. George Eldon Ladd nos diz que:

    A teologia bíblica é a disciplina que estrutura a mensagem dos livros da Bíblia em seu ambiente formativo histórico. A teologia bíblica é primariamente uma disciplina descritiva, cuja abrangência não busca primeiramente o significado final dos ensinos da Bíblia ou sua relevância para os dias atuais, uma tarefa da teologia sistemática. A tarefa da teologia bíblica é expor a teologia encontrada na Bíblia em seu contexto histórico, com seus principais termos, categorias e formas de pensamento. Opropósito óbvio da Bíblia é contar a história a respeito de Deus e de seus atos na história para a salvação da humanidade.

    Ainda que concordando com a definição de Ladd, devemos ir além, e afirmar que o propósito da teologia bíblica não é ser meramente descritiva. A teologia bíblica tem um papel também normativo, uma vez que demonstra o significado do texto e sua relevância para a vida cristã. Isso pode ser exemplificado nas Institutas da religião cristã, de João Calvino. Exposta de maneira sistemática, a teologia presente nesta obra, desenvolvida em torno do Credo dos Apóstolos, começa com a compreensão do texto bíblico em seu contexto histórico. Por esta característica, as Institutas se tornaram, nas palavras de Alister McGrath, “uma declaração definitiva sobre a natureza da fé cristã (...), a obra teológica de maior influência da Reforma Protestante”.

    Essa teologia também está unida à pregação e ao uso da imaginação. Como modelo de teólogos criativos e bíblicos, temos Irineu, Basílio, Agostinho, Leão, Lutero, Calvino, Edwards e até mesmo Barth. Nos textos deles, o uso das ferramentas filosóficas está a serviço do estudo das Escrituras. Por outro lado, em Lloyd-Jones, Spurgeon e Wesley temos modelos de grandes pregadores, cuja mensagem era centrada em Cristo Jesus, morto e ressurreto, e que construíram sobre o legado de seus predecessores. E em Bunyan, Bach e Lewis temos modelos do uso da imaginação, saturada da linguagem das Escrituras, sempre para a edificação da igreja e para a glória de Deus.

  3. Outra característica que se destaca é um forte senso de inadequação para o ministério cristão, e isso está presente em quase todos os biografados, mas é exemplificado especialmente na vida de Atanásio, Agostinho e Calvino. Quando completou oitenta anos, Karl Barth comparou seu próprio trabalho como teólogo ao jumento que carregou Jesus Cristo para Jerusalém (Mt 21.1-3):

    Se fiz alguma coisa nesta minha vida, o fiz como parente do jumento que seguiu seu caminho carregando um importante fardo. Os discípulos haviam dito a seu dono:‘O Senhor precisa dele.’ E, assim, parece que agradou a Deus ter-me usado nesse tempo, exatamente como eu era, a despeito de todas as coisas, as coisas desagradáveis, que muito corretamente são e serão ditas sobre mim. Assim fui usado. (...) Apenas aconteceu de eu estar no ponto certo. Uma teologia um pouco diferente da teologia usual fazia-se claramente necessária em nossa época, e foi-me permitido ser o jumento que carregou essa teologia melhor ao longo de parte do caminho, ou tentou carregá-la da melhor forma que pude.

    Como veremos, todos eles foram pastores e reformadores relutantes. Sabiam que eram pequenos para a grande tarefa à qual Deus os chamou. Sabiam que sua suficiência estava em Deus. Por isso, relutaram em entrar para o ministério cristão. Alguns chegaram a lutar para não entrar no ministério cristão! Eles sabiam que pecadores falarem do Deus vivo para outros pecadores não era uma tarefa corriqueira.

  4. O teólogo reformado holandês G. C. Berkouwer disse certa vez para seus alunos na Universidade Livre de Amsterdã que todos os grandes teólogos começam e terminam a sua obra com uma doxologia. Na vida das nossas personagens, piedade e louvor caminham lado a lado com erudição e conhecimento. Não há uma falsa polarização, tão comum em nosso tempo, entre estudo e devoção ou luz e paixão nesses homens, e isso pode ser visto nas obras de Irineu, Atanásio, Agostinho, Lutero, Calvino, Edwards e Barth. Eles escreveram e pensaram para a glória de Deus e edificação da igreja.
  5. A maioria das personagens que estudaremos nesta obra foram pastores – e grandes pastores. E, neles, as artes esquecidas do discipulado, da mentoria, da catequese e da evangelização estavam unidas. Vemos isso especialmente em Bento, Tomás de Kempis, Baxter, Wesley, Conceição e Bonhoeffer.
  6. Essas personagens moldaram o que tem sido chamado de cosmovisão cristã, isto é, uma visão integral da obra de Deus na criação e restauração de todas as coisas, com suas abrangentes aplicações para a vida espiritual, social e cultural. Isso é notado sobretudo em Kuyper, mas também em Schaeffer.
  7. A fé que esses homens tinham na graça de Deus também estava ligada ao seu serviço à sociedade. Eles se dedicaram não apenas à igreja, mas serviram a homens e mulheres de forma integral. Fundaram escolas, universidades, hospitais, lutaram pela abolição da escravatura, traduziram Bíblias e alimentaram os pobres. Essa característica é notada principalmente em Basílio, Melanchthon, Wilberforce e Kuyper.
  8. No estudo dessas personagens, devemos destacar a ênfase na comunhão dos santos. Pode ser de ajuda ter em mente que a igreja cristã estava unida até o século xi, quando a igreja ocidental e a igreja oriental se dividiram. E, no século xvi, a igreja ocidental novamente se dividiu, durante a reforma protestante, quando a mensagem central das Escrituras foi redescoberta – Deus salva pecadores somente pela graça, recebida pela fé somente.

    Principais Ramos da Igreja Cristã

    séc. I ao séc. XI: A Igreja Cristã

    século XI: Católica Ocidental  - Católica Oriental

    século XVI: Protestante  Católica Romana - Católica Oriental - Igrejas Protestantes

    século XVI: Anabatista  Reformada   - Luterana  - Anglicana

    século XVII: Puritanos (presbiteriana, congregacional, batista)

    século XVIII: Metodista

    século XX: Pentecostal

    Adaptado de What It Means To Be Reformed: An Identity Statement. Grand Rapids, MI: CRC, 2002, p. 8.

    O gráfico anterior pode ajudar o leitor a situar as várias personagens deste livro no ramo denominacional a que pertencem, e seu lugar na história da igreja. Mas, ao mesmo tempo, devemos lembrar o que o famoso evangelista inglês do século xviii, George Whitefield, afirmou, num sermão:

    Pai Abraão, quem está com você nos céus? Os episcopais? Não! Os presbiterianos? Não! Os independentes ou metodistas? Não, não, não! Quem está com você? Nós, aqui, não sabemos seus nomes. Todos os que estão aqui são cristãos (...). É esse o caso? Então, Deus, nos ajude a esquecer o nome de grupos e nos tornarmos cristãos de verdade.

    A vida desses homens nos lembra que a igreja é maior que uma denominação. Na Escritura, o vocábulo igreja nunca é usado para designar um prédio, uma denominação ou a influência cristã na sociedade, mas a grupos locais reunidos para ouvir a Palavra de Deus (At 8.1; Rm 16.16; 2Ts 1.4), e a todo o povo de Deus, através dos séculos (Mt 16.18; 1Co 15.9; Ef 5.25). A igreja é composta de todos aqueles que confiam e descansam apenas no sacrifício único de Cristo na cruz. Então, somos chamados a apreciar a multiforme graça de Deus que age além da denominação à qual pertencemos. Como bem lembra Bruce Shelley:

    A ideia [do termo denominação] remonta a uma ala minoritária do partido puritano na Inglaterra do século xvii. Na Assembleia de Westminster (1643) havia um grupo de independentes [congregacionais (...)]. Esses homens chegaram à conclusão de que a condição pecaminosa do ser humano, até mesmo dos cristãos, tornava impossível a compreensão da plena e clara verdade de Deus. Desse modo, nenhum conjunto único de crenças poderia jamais representar plenamente a exigência total de Deus sobre a mente e o coração dos crentes, e nenhum corpo único de cristãos poderia afirmar ser a verdadeira igreja de Deus sem considerar outros crentes em outros grupos. Assim sendo, na mente desses puritanos, a palavra denominação implicava em que um corpo particular de cristãos (digamos, por exemplo, os batistas) era apenas uma parte da igreja cristã total, chamada – ou denominada – por seu nome especial, batista.

    Que o estudo dessas personagens nos estimule para que venha a ser verdade em nosso tempo o antigo dito cristão: “Em coisas essenciais, unidade; nas não essenciais, liberdade; em todas as coisas, caridade”.

  9. A vida dos biografados foi marcada por grande coragem. Eles dominaram seus medos e confiaram na graça e soberania de Deus. Eles seguiam a senda do Cristo sofredor. Isso é exemplificado na vida de Policarpo, Atanásio, Huss, Tyndale, Carey e Bonhoeffer.
  10. Seguindo-se a esse ponto, em todas as personagens temos exemplificada a ligação entre devoção, avivamento e triunfo escatológico. Deus conduz sua igreja por meio de contínuos avivamentos na história, o que nos faz esperar pela vinda triunfante de Cristo no último dia. Por isso, nossas personagens continuaram a servir a Deus de forma corajosa, sem nunca ficarem desiludidos ou sem esperança. Já que o Senhor Jesus Cristo ressuscitou dentre os mortos, eles não seriam derrotados de forma alguma, se Deus estivesse ao seu lado.

O teólogo medieval Pierre de Blois, que viveu cerca de trezentos anos antes de Lutero, afirmou que somos anões espirituais, e, quando estudamos os escritos dos gigantes do passado, no caso, os Pais da Igreja, nos colocamos sobre seus ombros, vendo mais longe. Sou devedor de vários escritores contemporâneos, sobretudo dos textos do eminente historiador metodista Justo Gonzalez. Mas, intencionalmente, evitei escrever um texto acadêmico. Por isso, ao final de cada capítulo, o leitor poderá encontrar não apenas sugestões de leituras para aprofundamento, mas também a recomendação dos livros escritos por esses homens, que, em nome de Cristo, nosso Senhor, fizeram a história da igreja, e que servirão de edificação, desafio, correção, conforto e estímulo em nossa peregrinação. Ao fim do livro são citadas outras obras em língua inglesa que foram úteis na preparação deste livro e que podem ter utilidade para o leitor.

O tema comum a todas as vidas abordadas neste livro é a glória de Deus. Que em tudo o Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, receba a glória: “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre!” (Rm 11.36).

Fonte: Livro “Servos de Deus”, lançamento de fevereiro de 2014 da Editora Fiel, do autor Franklin Ferreira.

Extraído de: Ministério Fiel - O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Palestra "A escalada da violência como oportunidade para a igreja cristã" | Franklin Ferreira

Palestra do Pr. Franklin Ferreira, realizada na Conferência de Teologia Vida Nova em Curitiba - PR no dia 02/10/2013, quarta-feira, às 19h, com o tema "A escalada da violência como oportunidade para a igreja cristã".

"A graça de Deus e a justiça social" foi o tema da Conferência de Teologia Vida Nova em Curitiba - PR. Os palestrantes foram o Pr. Franklin Ferreira e o Pr. Jonas Madureira e o evento foi realizado na Igreja Evangélica Menonita Nova Aliança nos dias 02, 03 e 04 de outubro de 2013.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Os Cânones de Dort | Franklin Ferreira - Aula 10/10



Por: Pastor Franklin Ferreira

Demais palestas: [][][][][][][][][][10ª]

Conferencia Teológica "Batalhando pela Fé"

Fonte: Escola Teológica Charles Spurgeon

Realizada na: Igreja Batista Parquelândia – Fortaleza – Ce. 

Os Cânones de Dort | Franklin Ferreira - Aula 09/10



Por: Pastor Franklin Ferreira

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Conferencia Teológica "Batalhando pela Fé"

Fonte: Escola Teológica Charles Spurgeon

Realizada na: Igreja Batista Parquelândia – Fortaleza – Ce. 

Os Cânones de Dort | Franklin Ferreira - Aula 08/10



Por: Pastor Franklin Ferreira

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Conferencia Teológica "Batalhando pela Fé"

Fonte: Escola Teológica Charles Spurgeon

Realizada na: Igreja Batista Parquelândia – Fortaleza – Ce. 

Os Cânones de Dort | Franklin Ferreira. Aula - 07/10



Por: Pastor Franklin Ferreira

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Conferencia Teológica "Batalhando pela Fé"

Fonte: Escola Teológica Charles Spurgeon

Realizada na: Igreja Batista Parquelândia – Fortaleza – Ce. 

Os Cânones de Dort | Franklin Ferreira - Aula 06/10



Por: Pastor Franklin Ferreira

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Conferencia Teológica "Batalhando pela Fé"

Fonte: Escola Teológica Charles Spurgeon

Realizada na: Igreja Batista Parquelândia – Fortaleza – Ce. 

Os Cânones de Dort | Franklin Ferreira - Aula 05/10



Por: Pastor Franklin Ferreira

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Conferencia Teológica "Batalhando pela Fé"

Fonte: Escola Teológica Charles Spurgeon

Realizada na: Igreja Batista Parquelândia – Fortaleza – Ce. 

Os Cânones de Dort | Franklin Ferreira - Aula 04/10



Por: Pastor Franklin Ferreira

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Conferencia Teológica "Batalhando pela Fé"

Fonte: Escola Teológica Charles Spurgeon

Realizada na: Igreja Batista Parquelândia – Fortaleza – Ce. 

Os Cânones de Dort | Franklin Ferreira - Aula 03/10



Por: Pastor Franklin Ferreira

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Conferencia Teológica "Batalhando pela Fé"

Fonte: Escola Teológica Charles Spurgeon

Realizada na: Igreja Batista Parquelândia – Fortaleza – Ce. 

Os Cânones de Dort | Franklin Ferreira. Aula - 02/10



Por: Pastor Franklin Ferreira

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Conferencia Teológica "Batalhando pela Fé"

Fonte: Escola Teológica Charles Spurgeon

Realizada na: Igreja Batista Parquelândia – Fortaleza – Ce. 

Os Cânones de Dort | Franklin Ferreira - Aula 01/10



Por: Pastor Franklin Ferreira

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Conferencia Teológica "Batalhando pela Fé"

Fonte: Escola Teológica Charles Spurgeon

Realizada na: Igreja Batista Parquelândia – Fortaleza – Ce.