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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Quando o desânimo leva a rebeldia | Pb. Evandro Marinho

O relato de Números 16:12-14 nos apresenta um momento de profunda insatisfação entre os israelitas no deserto. Datã e Abirão, em sua frustração, desafiaram Moisés e distorceram os fatos, dizendo que ele os havia tirado de uma terra que "manava leite e mel" para deixá-los morrer no deserto. Essa afirmação absurda revela como o desânimo pode nos levar a uma visão completamente errada da realidade. Quando as dificuldades surgem e nossas expectativas não se cumprem, podemos perder a clareza espiritual e, em vez de confiar em Deus, nos tornamos amargos e resistentes à Sua vontade.

R.C. Sproul afirmou: "O desânimo é um dos instrumentos mais eficazes que Satanás usa contra os cristãos." 

Quando nos sentimos desencorajados, podemos ceder ao pecado da incredulidade, questionando a bondade de Deus e rejeitando Sua orientação. Por isso, é essencial identificar as armadilhas do desânimo e combatê-lo com a verdade da Palavra.

Cinco Armadilhas do Desânimo

  1. O desânimo distorce a realidade
    Datã e Abirão se esqueceram da escravidão no Egito e passaram a idealizar um passado opressor, chamando-o de "terra que mana leite e mel" (Nm 16:13). Da mesma forma, quando estamos desanimados, podemos olhar para trás com nostalgia, como se o tempo antes de seguirmos a Deus fosse melhor. Charles Spurgeon adverte: "Nada pode satisfazer o homem que não está satisfeito com Deus." Se não estivermos contentes em Cristo, sempre veremos o passado ou os caminhos do mundo como mais atraentes do que a fidelidade ao Senhor.

  2. O desânimo leva à ingratidão
    Mesmo depois de tantos milagres – como a abertura do Mar Vermelho, o maná e a água da rocha – os israelitas preferiram murmurar contra Deus e contra Moisés. Quando estamos desanimados, podemos esquecer as bênçãos já recebidas e focar apenas no que nos falta. O apóstolo Paulo nos ensina que a gratidão deve ser um estilo de vida, independentemente das circunstâncias: "Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco" (1Ts 5:18).

  3. O desânimo nos torna resistentes à correção
    Moisés tentou chamar Datã e Abirão para dialogar, mas eles se recusaram a ouvi-lo (Nm 16:12). O desânimo pode nos levar a rejeitar qualquer palavra de exortação, vendo-a como uma afronta em vez de um meio de restauração. Quantas vezes, em meio à frustração, rejeitamos o conselho piedoso de irmãos ou líderes espirituais? Provérbios 12:15 nos lembra: "O caminho do insensato é reto aos seus próprios olhos, mas o que dá ouvidos ao conselho é sábio."

  4. O desânimo nos afasta da fé
    Quando não enxergamos a resposta de Deus no tempo que desejamos, podemos duvidar de Suas promessas e nos afastar d’Ele. Martinho Lutero dizia: "A fé é um salto no desconhecido, baseado na certeza do caráter de Deus." Em vez de permitirmos que o desânimo abale nossa confiança, devemos lembrar que Deus sempre cumpre Suas promessas, ainda que não no nosso tempo ou da nossa maneira.

  5. O desânimo nos leva à rebeldia contra Deus
    O descontentamento pode nos tornar resistentes à vontade de Deus, assim como aconteceu com Datã e Abirão. Eles não apenas murmuraram, mas incitaram outros a se rebelarem contra Moisés, colocando em risco toda a comunidade. Quando deixamos a frustração crescer, podemos acabar nos afastando da igreja, da comunhão e até da obediência à Palavra. Tiago 4:7 nos instrui: "Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós."

Conclusão e Aplicação

  1. Reoriente sua visão sobre Deus – O desânimo diminui quando focamos na grandeza e fidelidade de Deus, e não apenas em nossas circunstâncias (Isaías 40:31).
  2. Cultive a gratidão – Lembre-se das bênçãos passadas e treine sua mente para enxergar a providência divina no presente (Salmo 103:2).
  3. Esteja disposto a ouvir conselhos – Deus usa irmãos e líderes para nos ajudar a sair do estado de desânimo e a reencontrar a esperança (Hebreus 10:24-25).
  4. Fortaleça sua fé na Palavra – Alimente-se das Escrituras, pois nelas encontramos direção e encorajamento para os tempos difíceis (Romanos 15:4).
  5. Submeta-se a Deus com humildade – Confie que Ele está no controle, mesmo quando as circunstâncias parecem desfavoráveis. O verdadeiro descanso vem quando entregamos nossas preocupações ao Senhor (Mateus 11:28-30).

Como cristãos, podemos ter momentos de desânimo, mas jamais devemos permitir que ele nos domine. Em Cristo, encontramos forças para seguir adiante, confiando que Ele nos sustenta e nos guia, mesmo quando o caminho parece incerto.

Pb. Evandro Marinho

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

O Cristão e a Tecnologia | Augustus NIcodemus

O fenômeno da crescente influência das redes sociais, especialmente com a popularidade de plataformas como TikTok e Instagram (Reels), e o uso emergente da Inteligência Artificial (IA) em várias frentes, levanta questões cruciais do ponto de vista bíblico. Essas questões envolvem tanto o conteúdo que consumimos quanto o que criamos e divulgamos, especialmente na era da monetização e da ascensão de influenciadores digitais. A Bíblia oferece princípios claros sobre como os cristãos devem lidar com essas tecnologias e tendências, guiando tanto nosso uso quanto nossa postura em relação a esses temas.

Em primeiro lugar, devemos lembrar que toda a criação, inclusive o uso da tecnologia, deve ser usada para a glória de Deus. A Confissão de Fé de Westminster e o Breve Catecismo, que resumem bem a doutrina reformada, afirmam que o "fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre". Isso significa que, como cristãos, devemos perguntar como nosso envolvimento com redes sociais e IA reflete este propósito de glorificação a Deus. Isso abrange desde os conteúdos que criamos até o tempo que gastamos consumindo essas mídias. O apóstolo Paulo nos ensina em 1 Coríntios 10:31: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” Essa exortação se aplica perfeitamente ao cenário das redes sociais e à tecnologia: como o uso dessas ferramentas pode glorificar a Deus?

No que diz respeito ao conteúdo que consumimos e produzimos, a Bíblia nos adverte sobre a autenticidade e a verdade. O nono mandamento é claro ao proibir o falso testemunho (Êxodo 20:16). Nas redes sociais, onde é fácil apresentar uma imagem distorcida de si mesmo, de influenciar os outros por motivações egoístas ou enganosas, devemos nos questionar sobre a veracidade do que estamos comunicando. O que estamos promovendo em plataformas como TikTok e Instagram é verdadeiramente honesto e fiel ao padrão de Cristo? Efésios 4:25 nos lembra: “Pelo que, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.” A busca por seguidores e engajamento não deve nos levar a comprometer a autenticidade e o testemunho cristão.

Além disso, o conceito de micro e nano influenciadores — indivíduos com menos seguidores, mas com forte influência em nichos específicos — traz à tona a questão da responsabilidade e da influência. A Bíblia fala da grande responsabilidade daqueles que influenciam outros. Em Tiago 3:1, somos advertidos: “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo.” No mundo digital, onde qualquer pessoa pode ser um influenciador, essa responsabilidade se torna ainda mais séria para o cristão. Devemos ser luz nas redes sociais, refletindo o caráter de Cristo, ao invés de sermos levados pelas pressões de sucesso mundano.

Finalmente, a monetização de conteúdo nas redes sociais pode apresentar uma tentação significativa para buscar o lucro acima de tudo. O oitavo mandamento, que nos adverte contra o furto (Êxodo 20:15), também pode ser interpretado no contexto de ações que exploram ou prejudicam outros para ganho financeiro. Mateus 6:24 nos lembra que não podemos servir a Deus e ao dinheiro. A busca pela monetização não deve comprometer a ética cristã. Devemos perguntar se o conteúdo que estamos produzindo para monetizar promove valores bíblicos ou se está distorcido pela busca de lucro e fama.

Além disso, a ascensão da Inteligência Artificial traz uma série de preocupações éticas, especialmente em relação à criação de conteúdo autêntico e verdadeiro. A Bíblia nos ensina que Deus é o criador e sustentador da vida, e qualquer avanço tecnológico deve ser usado com sabedoria e temor diante do Senhor. A providência de Deus sobre todas as coisas (Salmo 103:19) nos lembra que Ele está no controle da história e dos avanços tecnológicos. O cristão deve, portanto, usar a IA e outras tecnologias com responsabilidade, evitando que essas inovações se tornem ídolos que controlam nossas vidas e distanciam-nos de nossa missão de glorificar a Deus.

sábado, 5 de julho de 2014

Daniel, um homem público incorruptível | Rev. Hernandes Dias Lopes

daniel

Deus tem usado homens incorruptíveis no meio de uma geração decadente para firmar os valores absolutos do seu reino. Um exemplo clássico é Daniel, um homem que viveu há 2.600 anos, mas cujo testemunho reverbera ainda hoje. Quem foi Daniel?

1. Um homem capaz de vencer os traumas do passado sem azedar o coração (Dn 1.1-6). Daniel foi arrancado da sua Pátria, da sua família ainda adolescente e levado cativo para a Babilônia. Ele perdeu sua nacionalidade, sua liberdade, seu nome e sua identidade, mas resolveu ser um influenciador em vez de sucumbir às circunstâncias adversas. O que na verdade mais importa não é o que as pessoas nos fazem, mas o que fazemos com o que elas nos fazem.

2. Um homem governado por um espírito excelente (Dn 6.4). Daniel não era apenas um homem culto, mas também um homem sábio. Ele olhava para a vida na perspectiva de Deus e buscava em tudo a direção divina. Ele viveu com discernimento em seu tempo e trouxe soluções divinas para os mais intrincados problemas do seu povo. Ele viveu acima do seu tempo.

3. Um homem íntegro cercado por um forte esquema de corrupção (Dn 6.5). Daniel estava cercado por uma horda de homens inescrupulosos, que encastelados no poder, buscavam seus próprios interesses e não os do povo. Os políticos haviam se corrompido de forma alarmante e viviam como ratazanas e sanguessugas, que se alimentavam do sangue da nação. A honestidade de Daniel incomodou os políticos corruptos e eles vasculharam sua vida privada e pública, para só descobrirem que ele era um homem impoluto e sem jaça.

4. Um homem piedoso cercado por uma geração perversa (Dn 6.10). Daniel era um político culto, ético e crente. Ele era um homem de oração. Sua religiosidade não era apenas de conveniência. Sua conduta privada e pública testificava sua integridade religiosa. Daniel manteve sua vida de oração, mesmo sabendo que seus inimigos haviam tramado contra ele para o matar. Homens honestos e piedosos incomodam o sistema. Mas, os políticos comprometidos com Deus e com as causas do povo não se intimidam com as ameaças de seus inimigos. Para estes, o ideal é maior do que a própria vida e por isso estão prontos a dar a vida pelo ideal.

5. Um homem duramente perseguido por causa de sua honestidade (Dn 6.4,7). Num contexto cercado por esquemas de corrupção, o homem público honesto será sempre perseguido. Com Daniel não foi diferente. Já que nada descobriam em sua vida para incrimina-lo, tentaram afastá-lo do caminho. O que é triste é perceber com isto a inversão dos valores: um homem ser perseguido por ser honesto, verdadeiro, defensor do erário público e lutar pelas causas justas.

6. Um homem protegido do ardiloso esquema dos homens maus (Dn 6.22). Daniel cuidou de sua piedade e Deus cuidou da sua reputação. Deus não apenas defendeu Daniel, mas, também o honrou. Ele foi jogado na cova dos leões, mas Deus o tirou da cova da morte e o alçou ao ponto culminante da honra. Os inimigos que urdiram e tramaram contra Daniel foram destruídos. A história deles foi manchada pela vergonha e pelo opróbrio, enquanto o testemunho de Daniel percorre o mundo.

7. Um homem abençoador e não vingativo (Dn 6.20,21). Daniel não era um político que destilava o veneno do ódio contra seus inimigos. Ele não vinga de seus inimigos nem pede vingança para eles. Da sua boca saem apenas palavras abençoadoras.

8. Um homem cuja influência foi conhecida em toda a terra (Dn 6.25-27). Daniel honrou a Deus e foi honrado por ele. Deus foi exaltado entre as nações pelo testemunho de Daniel. Deus é exaltado entre as nações quando os seus filhos permanecem fiéis no campo minado da sedução ou da perseguição. A Babilônia, com sua magnificente grandeza caiu, mas, Daniel permaneceu de pé. Daniel foi maior do que o próprio império babilônico. Que Deus nos dê homens públicos desse jaez!

Rev. Hernandes Dias Lopes

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Como a Graça Deveria Impactar a Execução do seu Trabalho | J. D. Greear

ComoAGracaDeveriaImpactarAExecucaoDoSeuTrabalho1

Quando alguém pensa em seu trabalho sendo “cristão,” todo tipo de imagem perturbadora vem à mente:

  • Abrir um salão de beleza chamado “Você Muito Melhor” ou uma livraria chamada “E Lias”.
  • Fazer momentos constrangedores de evangelismo nas chamadas promocionais.
  • Desafiadoramente dizer “Feliz Natal” ao invés de “Boas Festas” na fila do caixa, ou furtivamente dizer “Tenha um dia abençoado” na saudação.
  • Colar pôsteres de opções de estudo bíblico no horário de almoço ou enviar spams sobre visões da Virgem Maria no Equador.

Talvez você se lembre do incidente de 2004 com um piloto da American Airlines que, em seus anúncios antes do voo, pedia a todos os cristãos a bordo do avião que levantassem a mão. Ele então sugeria que durante o voo, os outros passageiros conversassem com essas pessoas sobre a fé deles. Ele também disse aos passageiros que ele ficaria feliz em conversar com qualquer um que tivesse dúvidas. É compreensível que isso fazia as pessoas surtarem: o piloto do seu avião falando com você sobre se você vai ou não se encontrar com Jesus?[1] Embora eles pudessem admirar o zelo do cara, muitos empresários cristãos pensam: “Eu acho que eu não conseguiria fazer isso sem ser demitido.”

Muitos cristãos pensam que simplesmente não dá para servir o reino de Deus no trabalho, e que o trabalho desse reino acontece “após o expediente” — voluntariando-se no berçário da igreja, frequentando grupos pequenos, indo a uma viagem missionária, servindo na cantina. A maioria pensa que o nosso trabalho é uma necessidade que deve ser suportada para colocar comida na mesa, e que o interesse de Deus no fruto de nosso trabalho é primariamente que entreguemos os nossos dízimos.

A Bíblia oferece uma perspectiva bem diferente. A Escritura nos ensina como servir a Deus através de nosso trabalho, não apenas após o trabalho. A Bíblia diz palavras claras e radicais às pessoas no local de trabalho, nos mostrando que mesmo o mais subalterno deles possui um papel essencial na missão de Deus.

De fato, certamente não é coincidência que a maioria das parábolas que Jesus contou tinha como contexto um local de trabalho, e que dos quarenta milagres registrados no livro de Atos, trinta e nove ocorreram fora do cenário de uma igreja. O Deus da Bíblia parece tão preocupado em demonstrar seu poder fora dos muros da igreja, quanto dentro.

Quero sugerir cinco qualidades que tornam o trabalho “cristão.” Por “cristão” neste contexto eu quero dizer “feito através da fé em Jesus Cristo.” Portanto, o trabalho que é cristão terá cinco qualidades:

  • (1) cumpre a criação,
  • (2) busca a excelência,
  • (3) reflete santidade,
  • (4) demonstra redenção e
  • (5) avança em missões.

O trabalho cristão cumpre a criação

Quando Deus colocou Adão no Jardim do Éden, ele não disse simplesmente para ele se manter longe de certas maçãs podres. Deus colocou Adão no jardim “para cultivá-lo e guardá-lo” (Gênesis 2:15). Lembre-se que Deus disse isso antes da maldição, indicando que o trabalho não era uma punição infligida em Adão por seu pecado, mas era parte do desígnio original de Deus.

O primeiro propósito que Deus tinha em mente para Adão não era ler uma Bíblia ou orar, mas ser um bom jardineiro.

A palavra hebraica ‘abad, traduzida por “cultivar,” mostra exatamente o que Deus quer dizer: tem a conotação de preparar e desenvolver. Adão foi colocado no jardim para desenvolver sua matéria-prima, para cultivar um jardim. Cristãos podem cumprir o propósito criado por Deus da mesma maneira, tomando a matéria-prima do mundo e desenvolvendo-as. Isso está acontecendo o tempo todo, tanto por crentes quanto por incrédulos. Empreiteiras pegam areia e cimento e os usam para criar prédios. Artistas tomam cor e música e os harmonizam em arte. Advogados tomam princípios de justiça e os codificam em leis que beneficiam a sociedade.

Este é o plano de Deus. Martinho Lutero, o famoso reformador alemão, coloca desta maneira:

“Quando oramos a Oração do Senhor, nós pedimos que Deus nos dê ‘o pão nosso de cada dia.’ E ele nos dá nosso pão diário. Ele faz isso através do fazendeiro que plantou e colheu o grão, o padeiro que transformou a farinha em pão, a pessoa que preparou nossa refeição.”

O que isso significa é que a vocação secular de um cristão ajuda a mediar o cuidado ativo de Deus no mundo. Deus está ativo através do trabalho de uma pessoa para assegurar que famílias estejam alimentadas, que lares sejam construídos, que a justiça seja cumprida. Muitos cristãos trabalham de má vontade quando deveriam festejar o fato de que Deus os está usando, em qualquer que seja o pequeno papel, para cumprir seus propósitos.

Outro grande exemplo disso vem do clássico filme Carruagens de Fogo. O filme mostra um atleta de corrida cristão, Eric Liddell, em sua preparação para as Olimpíadas de 1924. Em um ponto do filme, Liddell é confrontado com a objeção à sua carreira de que há questões mais urgentes na vida de um cristão do que meramente correr. Liddell responde: “Eu acredito que Deus me criou para um propósito, mas ele também me criou rápido. E quando eu corro, sinto o prazer de Deus.” Em um momento ou outro, enquanto trabalhamos em algo que amamos ou em algo que somos bons, muitos de nós temos um sentimento similar. É como se sentíssemos dentro de nós, bem literalmente: “Eu fui feito para isso.”

O trabalho cristão busca a excelência

Se nosso trabalho é feito “para Deus,” ele deve ser feito de acordo com os mais altos padrões de excelência. Paulo diz:

“E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Colossenses 3:17).

Isso deveria ser verdade quer recebamos qualquer recompensa por nosso trabalho ou não, e mesmo se nunca ninguém notar.

Sejamos honestos: é desmoralizante trabalhar para alguém que não nos dá crédito por aquilo que fizemos, ou pior, alguém que reage oferecendo apenas feedbacks negativos. Um chefe ruim pode transformar um trabalho que seria satisfatório em um absoluto terror. Numa situação como essa, a maioria das pessoas perde a motivação de trabalhar com excelência. “Afinal,” elas podem pensar, “qual o sentido de trabalhar duro? Ninguém vai notar de qualquer maneira, e mesmo que eles notem, eu certamente não ganharei o crédito por isso.” Essa pode ser uma resposta razoável, mas não é uma resposta cristã.

Cristãos devem buscar a excelência em seus trabalhos não porque eles querem impressionar seus chefes ou porque trabalhar duro leva a um pagamento melhor, mas porque eles trabalham para Cristo. C.S. Lewis uma vez observou como vales nunca antes descobertos pelos olhos humanos ainda são cheios de belas flores. Para quem Deus criou aquela beleza, se olhos humanos nunca a veriam? A resposta de Lewis era que Deus faz algumas coisas apenas para seu próprio prazer. Ele vê mesmo quando ninguém mais vê.

Essa perspectiva adiciona um novo significado para toda tarefa que os crentes executarem, mesmo que eles saibam que nunca serão reconhecidos. Eles não precisam mais da aprovação dos outros em seus trabalhos, porque não mais trabalham primariamente para outros. Eles trabalham em primeiro lugar para Cristo, e ele merece o melhor deles.

Na realidade, contudo, pouquíssimos trabalhos passam desapercebidos, especialmente se malfeitos. Um cristão com uma ética trabalhista medíocre ou um desenvolvimento acadêmico desleixado dá ao mundo um terrível testemunho de Cristo. Ele pode dizer com sua boca que “Jesus é Senhor,” mas quando ele não se importa em entregar seus trabalhos a tempo ou respeitar seu chefe, ele está dizendo mais alto ainda: “Eu mesmo sou senhor.” Ao trabalhar com excelência, os cristãos não apenas servem a Deus, mas também demonstram uma atitude de serviço ao mundo.

O trabalho cristão reflete santidade

Se cristãos trabalham para Deus, isso deveria inerentemente fazê-los trabalhar com excelência. Mas saber que Deus vê tudo o que fazemos deveria também fazer-nos trabalhar com integridade. Trabalho que é “cristão” nos conformará aos mais altos padrões de ética.

Paulo procede em Colossenses explicando que tudo o que fazemos é feito com respeito ao nosso Mestre que nos assiste dos céus, a quem prestaremos conta (Colossenses 3:23-25). Isso significa, Paulo disse, que mesmo quando nosso chefe é um idiota (e muitas pessoas para quem Paulo estava escrevendo literalmente pertenciam a seus chefes!), cristãos fazem seu trabalho para Deus. Nosso trabalho deve deixar evidente que nós servimos a um Deus de justiça e bondade. Isso significa que chefes cristãos devem se preocupar menos com as críticas, e mais com o fato de que eles prestarão contas a um Mestre celestial. Funcionários cristãos não devem fazer nada de forma descuidada ou mentir sobre quanto trabalho eles tiveram.

A ética nos negócios realmente importa, porque através dela nós espelhamos o caráter de Deus. Deus diz que “balança enganosa” — trabalhos malfeitos, balancetes falsificados, folhas de ponto inexatas, etc. — são uma “abominação” a ele (cf. Provérbios 11:1). Uma ética medíocre nos negócios não é uma questão insignificante.

O trabalho cristão demonstra redenção

Se cristãos agissem em seus empregos com equidade e justiça, só isso já os diferenciaria. Mas aqueles que foram tocados pelo evangelho não tentam meramente abraçar altos padrões éticos; eles vivem suas vidas com uma perspectiva de gratidão radicalmente transformada. O que Cristo fez ao nos redimir para o Pai produz uma resposta natural de graça para com outros.

Eu recentemente ouvi uma história sobre uma jovem recém-formada que conseguiu um emprego na Madison Avenue, em uma das mais prestigiadas firmas de propaganda. Com pouco tempo de empresa, ela cometeu um erro que custou à companhia aproximadamente US$25.000. A Madison Avenue não é um mundo definido pela graça e ela esperava ser demitida no fim do dia. Seu chefe, contudo, compareceu diante da diretoria e os convenceu sobre permitir que a culpa pelo erro dela recaísse sobre ele mesmo. Quando essa jovem mulher ouviu o que o seu chefe havia feito, ela foi até ele em lágrimas. Ela lhe perguntou o motivo pelo qual, naquela atmosfera absurdamente competitiva, ele escolheria colocar seu próprio pescoço no lugar do dela. Ele respondeu compartilhando como Jesus tinha feito algo similar por ele, tomando sobre si a ira que ele merecia. Por causa da grande graça que Jesus mostrou para com ele, ele queria demonstrar uma graça similar para com outros quando tivesse a oportunidade.

Isso significa que devemos enxergar nosso trabalho com um propósito diferenciado. Nós não procuramos mais apenas subir de posição ou maximizar nosso lucro pessoal. Se verdadeiramente tocados pela graça, cristãos empregados começam a usar seus recursos para abençoar aqueles em necessidade.

Alguns cristãos podem contestar uma perspectiva como essa. Graça é algo que se aplica ao âmbito espiritual, eles podem dizer, mas não nos negócios: “Eu trabalhei por aquilo que tenho — eu conquistei!”, eles podem dizer. Uma pessoa pode certamente sentir como se tivesse conquistado tudo o que tem, mas onde ela conseguiu sua ética trabalhista cabeça-dura? Sua inteligência? Tudo isso é graça de Deus. Por decreto de quem ela cresceu nos Estados Unidos ao invés de nascer em uma favela brasileira? Certamente não foi por seu próprio decreto — isso também foi graça de Deus. O próprio ar que ela respirou e a comida que ela comeu lhe foram dados como presentes da graça. Jesus ensinou que o reino de Deus pertence àqueles que são “pobres de espírito” — aqueles que reconhecem que tudo o que eles têm é um presente da graça. Os “classe-média de espírito,” que creem que estão apenas colhendo o fruto de seu trabalho, não conhecerão nada do reino de Deus, porque eles não têm o conceito da magnitude da graça de Deus em suas vidas. Quando alguém entende o quanto deve à graça, começará a ver cada situação em que estão, seja nos negócios ou na igreja, como um lugar não para ser servido, mas para servir.

O chamado para entregar nossas vidas pelo reino de Deus não é uma tarefa especial de poucos consagrados. Todos os discípulos de Jesus são chamados a verem suas vidas como sementes a serem plantadas para o reino de Deus. Jesus disse que se sua vida fosse uma festa, ela deveria ser dada àqueles que não podem nos pagar de volta. Às vezes eu penso que nós inventamos toda essa linguagem de “chamado ao ministério” para mascarar o fato de que a maioria das pessoas em nossas igrejas não estão vivendo como discípulos de Jesus.

O trabalho cristão avança em missões

O trabalho feito pelos discípulos de Jesus deve ser feito tendo em vista a Grande Comissão. Em Atos, vemos que Deus usou ministros não-vocacionados (talvez empresários, médicos, escravos, quem sabe!) para levar o evangelho pelo mundo a lugares que os apóstolos nunca tinham ido. Lucas registra que a primeira vez que a igreja “foi por todo lugar pregando a palavra,” os Apóstolos não estavam envolvidos (Atos 8:1). Ele também registra que quando Paulo finalmente chega a Roma para pregar a Cristo lá, ele é saudado por “irmãos” hospitaleiros, que parecem ter estado lá por algum tempo (Atos 28:7). Nas anotações de Steven Neill no clássico História das Missões, dos três grandes centros de plantação de igreja do mundo antigo (Antioquia, Alexandria e Roma), nenhum foi fundado por um apóstolo.

Da mesma maneira, os cristãos no mercado de trabalho hoje são capazes de acessar mais facilmente lugares estratégicos e não alcançados. A globalização, as revoluções na tecnologia e a urbanização deram à comunidade dos negócios acesso quase universal.

Habilidades seculares são necessárias para dar aos cristãos acesso a países que, de outra maneira, rapidamente rejeitariam sua presença. Os países que têm mais necessidade de uma presença do evangelho — aqueles chamados “janela 10-40” — são devastados pela pobreza e pelo desemprego. Tais lugares precisam tanto das palavras do evangelho quanto do reflexo tangível do amor de Deus que os negócios podem proporcionar. Milhões nessa região estão sem trabalho e sem o conhecimento de Cristo.

Um exemplo, apesar de haver dúzias de outros exemplos, é a nação do Irã. O Irã é uma área não alcançada em necessidade desesperadora do evangelho. Hoje mesmo, há 10 milhões de pessoas buscando um emprego no Irã, um número que pode chegar a 20 milhões nos próximos 15 anos. Como lugares como esse serão alcançados? O Irã pode ser alcançado através dos esforços de empresários cristãos comuns, levando suas habilidades e especialidades para o exterior. Isso pode não ser o caminho para todos os cristãos, mas talvez Deus o esteja desafiando a considerar dedicar seu trabalho para os seus propósitos de avanço de missões.

Nem todo cristão, é claro, será levado a executar seus negócios em um povo não alcançado. Mas os discípulos de Jesus devem sempre fazer seu trabalho tendo em vista a Grande Comissão. Uma “visão missional” para o trabalho cristão é fazê-lo bem, e fazê-lo, se possível, em algum lugar estratégico. Provérbios 22:29 diz: “Vês a um homem perito na sua obra? Perante reis será posto; não entre a plebe.”

Crentes que executam bem o seu trabalho podem ser grandemente usados no trabalho da Grande Comissão. Sua excelência nos negócios pode dar-lhes audiências com os “reis” e com os influentes dos povos mais difícieis de serem alcançados do mundo.

Deus está interessado em como os cristãos executam seus trabalhos, e ele quer estar envolvido neles. Seu trabalho pode fazer uma diferença eterna na vida daqueles com quem você trabalha, daqueles para quem você trabalha e daqueles que você serve através do seu emprego. Permita que a transformação do evangelho mude a maneira pela qual você enxerga e executa o seu trabalho. Você foi redimido pela graça — agora viva essa graça no contexto do seu emprego. Você pode nunca mais olhar para o trabalho da mesma maneira novamente.

[1] http://www.travelkb.com/Uwe/Forum.aspx/air/2002/American-Airlines-Preaching-Pilot [Em inglês] Encontrado em John Dickson, The Best Kept Secret of Christian Mission (O Segredo Mais Bem Guardado da Missão Cristã) (Zondervan, 2010), 172-173.

 

Tradução: Alan Cristie

Fonte: Ministério Fiel

Foto: Voltemos ao Evangelho

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Santificação | J.C. Ryle

A santificação não consiste na casual realização de ações corretas. Antes, é a operaçãojcryle habitual de um novo princípio celestial que atua no íntimo, influenciando toda a conduta diária de uma pessoa, tanto nas grandes quanto nas pequenas coisas. A sua sede é o coração, e, tal como o coração físico, exerce influência regular sobre cada aspecto do caráter de uma pessoa. Não se assemelha a uma bomba de água que só fornece água quando alguém a aciona; mas parece-se mais com uma fonte perpétua, de onde a torrente jorra perene e espontaneamente, com naturalidade. Herodes ouvia João Batista "de boa mente", ao mesmo tempo em que seu coração era inteiramente mau aos olhos de Deus (Mc 6.20).

Por semelhante modo, há dezenas de pessoas hoje em dia que parecem ter ataques espasmódicos de "atos de bondade", conforme os poderíamos chamar, e que fazem muitas coisas boas sob a influência da enfermidade, da aflição de morte na família, das calamidades públicas ou de alguma súbita agonia da consciência. Contudo, o tempo todo qualquer pessoa inteligente poderá observar claramente que tais pessoas não se converteram e que elas nada conhecem acerca da "santificação." Um verdadeiro santo, tal como Ezequias (2 Cr 31.21), age "de todo o coração" e poderá dizer, juntamente com o salmista: "Por meio dos teus preceitos consigo entendimento; por isso detesto todo caminho de falsidade" (Sl 119.104).

... Desafio qualquer pessoa a ler cuidadosamente os escritos do apóstolo Paulo para neles encontrar grande número de claras orientações práticas, atinentes ao dever do cristão, em cada relacionamento da vida, e acerca de nossos hábitos diários, de nosso temperamento e de nossa conduta de uns para com os outros. Essas orientações foram registradas por inspiração divina, para orientação perpétua dos crentes professos. Aquele que não dá atenção a essas normas talvez seja aceito como membro de uma igreja ou denominação evangélica, mas certamente não será aquele que a Bíblia chama de homem "santificado."

Por J.C. Ryle

Uma Parte da série Fe Para Hoje

Tradução por Editora Fiel

terça-feira, 1 de outubro de 2013

As Bases e a Defesa do Sábado Cristão | Dr. Joseph Pipa

O ensino bíblico a respeito da observância do quarto mandamento, o domingo, o sábado cristão, o Dia do Senhor.

Por: Dr. Joseph Pipa (Palestra — com perguntas e respostas).

XXII Simpósio Reformado Os Puritanos - (Ano: 2013) - Em: Maragogi, Alagoas.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Alguns Princípios Cristãos sobre o Lazer e Entretenimento | Augustus Nicodemus Lopes

Faz algum tempo acompanhei uma discussão entre jovens cristãos, pela Internet, sobre a ida a shows de artistas famosos. Após uma boa troca de mensagens, postei a mensagem abaixo sobre alguns princípios cristãos sobre o lazer. Fica para a reflexão de quem se interessar:
Queridos,

Acho que o método certo para analisarmos esta questão e outras é estabelecermos os princípios bíblicos que controlam o assunto. Sem o referencial bíblico ficaremos às apalpadelas. Menciono alguns princípios bíblicos que controlam a questão do LAZER do crente -- pois é aqui que se encaixa o assunto.

1. É dever do crente fazer todas as coisas para a glória de Deus. Isto inclui o lazer. Portanto, qualquer forma de lazer em que o crente não consiga glorificar a Deus deveria ser questionada. Esclareço que eu iria a um show de artistas cujo conteúdo, ambiente, letra das músicas, apresentação pessoal dos artistas (alguns se apresentam semi-despidos) não ofendam as virtudes cristãs nem os valores morais do Cristianismo.

2. Também é dever do crente desfrutar com moderação de todas as coisas boas que Deus criou, usando com moderação a alegria, o sono, a alimentação, os exercícios e certamente o lazer também. O lazer não pode se transformar num ídolo, e receber o primeiro lugar em minha vida. Cristo é quem deve ter esta prioridade.

3. O cristão deve evitar todas as ocasiões à impureza, em que a tentação é maior e mais pesada; deve evitar a sociedade com ímpios e devassos; sua mente deve estar sempre ocupada com "tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento" (Fp 4:8). Tenho certeza que a letra de algumas músicas de alguns artistas não se pode encaixar aqui. Não vejo como um crente pode descontrair-se e agitar-se ao som de uma música que exalta a infidelidade conjugal ou idolatra o homem ou a mulher.

4. Compete ao cristão também "examinar todas as coisas e reter o que é bom". Não devemos reter o mal e nem nos deliciarmos nele. Se estou escutando uma música que exalta o amor homossexual, ou a violência contra a mulher, ou o adultério, ou uma relação promíscua, certamente não devo ter prazer algum nestas coisas. Por outro lado, tem muita letra boa e sã, sem maldade ou malícia. Tudo OK, nestes casos. A graça comum de Deus permite que algumas coisas boas ainda sejam produzidas pela humanidade não regenerada.

5. Por último, o amor a Cristo e ao próximo precede o uso da liberdade cristã. Se no uso da minha liberdade irei ser escândalo para o Evangelho ou outros irmãos, me compete abrir mão por amor.

Apesar da "cultura de proibição de programas para a juventude" que foi mencionada numa mensagem da lista, não podemos esquecer que o crente é escravo de Deus e que tem com única regra de fé e prática a Bíblia. Até na hora de descontrair.

Um abraço,

Pr. Augustus

Fonte: O Tempora! O Morris!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Sabedoria e Maturidade

Quando comparados, eu prefiro um cristão maduro que tenha conhecimento teológico simples do que outro extremamente culto, versado, mas sem maturidade nenhuma. Mas, é claro que nenhuma dessas situações é desejável. Vou explicar.

Uma história com dois extremos

De um lado, temos o Sr. Rato-de-Biblioteca. Ele não completou ainda trinta anos de idade. É muito inteligente. Já leu Calvino, Edwards, Lutero e Bavinck. Conhece Warfield e Hodge, Piper e Carson, também. Desde que aceitou o Senhor na época da faculdade, o Sr. Rato tem buscado conhecimento. Ele ouve uma dúzia de sermões por semana no seu iPod. Tem mais discernimento sobre debates teológicos da atualidade do que a maioria dos pastores. Adora conferências cristãs — as boas, consistentes. O Sr. Rato sabe tudo sobre hermenêutica, propiciação, teologia da aliança, princípio regulador, e o ordo salutis. Está até aprendendo um pouco de Grego, Hebraico e Latim já sabe um pouquinho e, se tiver tempo, vai aprender ugarit.

O Sr. Rato é inteligente, sério na sua fé, e quer servir o Senhor. Mas tem vinte e poucos anos e não é maduro. Em termos de conhecimento, está muito adiantado, mas quanto à sabedoria, está começando. Não comete pecados grosseiros, apenas pecadinhos. Na escala da verdade, não mente. É chato, quase ridículo, excessivamente franco. Não tem senso de proporções. Ele não percebe que um debate de pressuposto e evidencialista de apologética  não é tão sério como Atanásio versus Ariano. Para ele tudo é uma questão de prioridade porque não há outro tipo de assunto.

Para piorar a situação, o Sr.Rato fala demais. Considera toda conversa como um debate. Ele é teimoso. Não faz perguntas. As pessoas têm medo dele e ele não sabe por quê. A não ser aqueles que concordam totalmente com ele, não tem muitos amigos. Não pretende ser rude ou arrogante. Na verdade, ele consegue ser um cara simpático. O problema é que ele sabe tanta coisa que não consegue usar o seu conhecimento com sabedoria ou elegância.

No outro extremo está o Sr. Simples-Fé. É cristão há quarenta anos. Ora e lê a Bíblia todos os dias. Criou quatro filhos piedosos. Está casado há mais de trinta anos. É calmo, sincero e respeitado por todos. Mas não devora livros. Nunca leu muito. Lê dois a três livros por ano, e um deles deve ser um livro cristão, alguma coisa leve. O Sr. Simples tem instintos teológicos decentes. Ele sabe que a Bíblia é a verdade, que Jesus é o único caminho para Deus, que o inferno é real, e que não podemos merecer o caminho para o céu. É ortodoxo, mas além do básico é bastante ignorante e, francamente, não está muito interessado em teologia.

Portanto, qual dos dois você preferiria ter como diácono em sua igreja? O Sr. Rato é mais impressionante, mas o Sr. Simples provavelmente vai tomar decisões melhores e vai ser recebido melhor pelos membros da congregação. Pessoalmente, eu prefiro a maturidade ultrapassando o conhecimento em vez do contrário.

Aprendendo a pilotar de Maneira Certa

Nem é preciso dizer que o alvo é ter os dois. Um cristão maduro sem um pouco de conhecimento teológico não atinge o seu potencial. Um cristão que tem conhecimento sem maturidade tem potencial que não sabe como utilizar.

Um cristão teologicamente astuto, imaturo é como um menino de cinco anos de idade pilotando um helicóptero Apache. Vejam que arma poderosa: pode destruir argumentos e defender-se contra heresia; pode voar para o céu e ter visões gloriosas que aquele que está no nível do mar não percebe. Este helicóptero teológico é tão bom para busca e salvamento quanto para descobrimento e destruição. Todo exercito congregacional deveria ter um veículo desses. É rápido. É furioso. É impressionante. Mas também é perigoso. E com um menino de cinco anos no controle (ou seja lá o que for), algumas pessoas vão se machucar. Não é que um menino não possa ter um helicóptero, mas seria bom que tomasse lições de vôo depois de adulto.

Por outro lado, um cristão maduro satisfeito com um conhecimento teológico rudimentar é como uma pessoa de 45 anos de idade pilotando um triciclo. Verdade, ele consegue andar de triciclo, mas não pode andar depressa nem vai muito longe. Fica limitado em termos do que pode ver e experimentar.  Não pode fazer muito para enfrentar inimigos ou escalar alturas. É firme, mas não tão firme quanto poderia ser. O alvo no discipulado é que nós não temos de escolher entre meninos pilotando helicópteros e adultos andando de triciclos. Queremos pilotos maduros pilotando máquinas complicadas. Nosso alvo é que o Sr. Rato-de-Biblioteca se transforme no Sr. Cabeça-e-Coração e que o Sr. Simples-Fé aprenda a ser o Sr.Verdade-Profunda.

E se nossas congregações ainda não chegaram a este equilíbrio, pelo menos podemos arranjar um instrutor próprio para os meninos e apressar o treinamento dos adultos.

Por: Kevin DeYoung
Tradução: Yolanda Mirdsa Krievin
Fonte: Blog Fiel

terça-feira, 28 de junho de 2011

Um momento de intercessão

O ministério cristão – Vida e obra dos crentes
A natureza e o exercício do ministério cristão

Leitura diária: Gênesis 18.23-33
Leitura da Bíblia em um ano: Jó, capítulos 21, 22 e 23

No decorrer de todo este trimestre, quando estaremos meditando sobre o valor e o significado do ministério cristão, ou seja, a missão que todos os crentes em Cristo têm de ser instrumentos de sua bênção para o mundo, vamos verificar que dentre os atributos e exigências para o melhor desempenho dessa tarefa, está a intercessão ao Senhor por aqueles que perecem no mundo sem o conhecimento da Palavra e da fé no Filho de Deus.

Somos hoje quase sete bilhões de humanos na terra, sendo que destes mais ou menos apenas 50% da população mundial já ouviu ou teve acesso à pregação do evangelho. Diante de números assim tão absolutos, pode ser que alguém se esteja perguntando: Como poderei eu ter a percepção de orar por tanta gente? Como poderei fazê-lo se não as conheço, não sei sequer que existem? Como poderei me lembrar do aborígene da Austrália e da Tasmânia, perdidos ainda em seu paganismo? E do africano incréu que vive preso à selva do fetichismo e da magia negra? E dos islamitas, budistas e hinduístas que em seus bilhões de seguidores, quase a metade da população do planeta, abominam e alguns querem mesmo extinguir a chama evangelística em seus países?

Foi esta visão que Abrão deve ter tido quando se viu diante do aviso do Senhor que Sodoma seria destruída. Nada tenho a ver com eles? Fora o meu sobrinho que lá reside, quem mais me importa? Porém, para verificarmos como a escolha de Deus foi acertada em chamar este homem de Ur dos caldeus vemos que Abrão se preocupou com isso. Orou pela cidade, pelas almas perdidas, pelos homens e mulheres que ali pereceriam. É uma oração de intercessão dramática e pungente: por 50, 45, 40, 30, 20, 10 almas justas que poderiam ser ali consumidas pela vontade do Senhor face ao pecado e a abominação que reinavam naquela cidade:

"Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás e não pouparás o lugar por causa dos cinqüenta justos que ali estão?" (Gn 18.24).

Assim deve ser o coração do ministro de Deus. A intercessão é sua arma.

Oração para o dia: Guia-me, Senhor, a ter amor pelas almas perdidas. Que num mundo tão anônimo como o de hoje, eu tenha sempre por quem orar e pregar a tua salvação.

Fonte:http://www.batistas.com