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segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Explicando a Adoração Reformada | Rev. Alan Kleber Rocha

INTRODUÇÃO

O culto público de adoração no Dia do Senhor é a atividade mais importante da vida cristã. Nele, Deus se encontra com seu povo. Nele, o Senhor fala conosco através de sua Palavra e dos Sacramentos, e nós respondemos com oração, confissão e canto. Na adoração pública, Deus se inclina dos céus para alimentar nossa alma, fortalecer nossa fé e nos edificar como o corpo de Cristo. No culto a Deus chegamos prontos para ouvir, prontos para receber e prontos para agradá-lo.

Hoje em dia, os cultos de adoração costumam ser mais para agradar aos homens ao invés de agradar a Deus. Tornou-se comum que os cultos de adoração se concentrem em entreter o público, parecendo mais concertos de música sacra, apresentações de bandas ou conjuntos musicais, seminários motivacionais, do que a adoração sagrada ao Deus triúno. Contudo, a Bíblia nos ordena que “tendo recebido um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor; porque o nosso Deus é fogo consumidor” (Hebreus 12.28-29).

Na Igreja Presbiteriana de Aracaju (IPA), você não achará as novidades da adoração evangélica contemporânea. Não há bandas gospel, efeitos especiais ou pastores modernos contando histórias irreverentes. Em vez disso, você encontrará uma liturgia bíblica, uma adoração alegre e reverente ao Deus vivo, e o Senhor Jesus Cristo sendo proclamado por toda a Escritura.

O QUE É UMA LITURGIA?

A palavra “liturgia” simplesmente significa “atos de adoração”. Uma liturgia se refere à ordem do culto em um serviço público de adoração. Cada igreja tem alguma forma de liturgia (mesmo que afirme não seguir qualquer ordem ou padrão). A liturgia que experimentamos na IPA tem precedentes históricos: cada parte pode ser encontrada nas liturgias históricas da igreja cristã, especialmente aquelas oriundas da Reforma do século XVI e dos primeiros Pais da Igreja Antiga.

Mais importante ainda, nossa liturgia está em total conformidade com a Palavra de Deus e é cuidadosamente planejada para nos conduzir a um diálogo pactual com nosso Criador e Redentor. A adoração reformada é um diálogo no qual Deus fala com seu povo por meio de sua Palavra e Sacramentos, e nós respondemos com oração, confissão e canto.

Deus entra neste diálogo pactual com seu povo todas as semanas no culto público a fim de renovar sua aliança da graça conosco. Apresentamos abaixo uma breve explicação de cada parte de nossa liturgia.

SAUDAÇÃO DE DEUS

Reunido o povo de Deus para a adoração, sua Palavra anuncia a graça e a paz para todos os que vêm a Ele por meio de Jesus Cristo. Como embaixador designado por Deus, o ministro levanta as mãos e anuncia a bênção de Deus em sua Palavra: ” … graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (Romanos 1.7).

CHAMADO À ADORAÇÃO

O culto então começa com o Deus Triúno nos chamando por meio de sua Palavra para adorá-lo com reverência e santo temor. Um texto das Escrituras é lido como um apelo ao povo de Deus: “Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do SENHOR, que nos criou” (Salmo 95.6). O Senhor nos chama para adorá-lo e receber de suas mãos as boas dádivas que Ele oferece para nossas almas.

CANÇÃO DE LOUVOR

Tendo ouvido a bênção de Deus, respondemos levantando a Ele nossas vozes e cantamos um salmo ou hino bíblico. Conforme nos foi ordenado: “Servi ao SENHOR com alegria, apresentai-vos diante dele com cântico” (Salmo 100.2). As palavras que cantamos ao Senhor são cuidadosamente escolhidas, pois o conteúdo de cada música deve estar de acordo com as Escrituras e deve nos fornecer um entendimento mais profundo sobre o Deus que exaltamos.

INVOCAÇÃO

Tendo ouvido o chamado de Deus para adorá-lo, respondemos em oração. Como povo pactual de Deus, nos levantamos e invocamos o seu santo nome, confessando que “O nosso socorro está em o nome do SENHOR, criador do céu e da terra” (Salmo 124.8).

LEITURA DA LEI

Deus anuncia sua vontade para nossas vidas por meio de sua lei, isto é, os mandamentos das Escrituras. A lei de Deus nos diz claramente como devemos viver e o que Deus espera de nós. Também revela a santidade de Deus, bem como nossa pecaminosidade, pois “… eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei” (Romanos 7.7).

CONFISSÃO DE PECADO

Tendo ouvido Deus falar conosco através de sua lei, somos levados a confessar nossos pecados. Em primeiro lugar, fazemos isso silenciosamente, confessando nossos próprios pecados individuais. Então, em segundo lugar, fazemos isso de maneira pública e corporativamente, confessando a Deus como um povo, “Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mau perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar” (Salmo 51.4).

DECLARAÇÃO DE PERDÃO

Tendo confessado os nossos pecados a Deus, ouvimos o anúncio alegre da sua promessa que diz: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1.9). Como embaixador de Cristo, o ministro declara perdão a todos os que confiam em Cristo e se arrependem de seus pecados.

CONFISSÃO DE FÉ

Confessamos juntos o Credo dos Apóstolos ou o Credo Niceno, ou ainda uma seção do Catecismo de Westminster. Herman Bavinck escreveu que “A confissão de um cristão não é uma ilha no oceano, mas o alto topo de uma montanha de onde toda a criação pode ser vista“. 

Fazemos isso não apenas para ser instruídos na fé cristã, mas também como uma oração a Deus onde declaramos que estamos unidos na verdade que Ele nos revelou: “há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (Efésios 4.5-6). Os credos e confissões resumem de forma bela essa verdade revelada nas Escrituras.

ORAÇÃO PASTORAL

O ministro ora em nome da congregação, trazendo “o fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hebreus 13.15), bem como uma intercessão pela igreja, pelo país e pelo mundo. Isso é concluído quando invocando o Senhor novamente, desta vez lhe suplica que “… o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, [nos] conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do [nosso] coração, para saberdes qual é a esperança do [nosso] chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder” (Efésios 1.17-19).

CANÇÃO DE PREPARAÇÃO

Louvamos em preparação para o alimento que Deus está prestes a oferecer para nossas almas por meio da pregação de sua Palavra. Cantamos outro salmo ou hino, essencialmente dizendo ao Senhor: “A tua palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Salmo 119.105).

LEITURA DAS ESCRITURAS

Tendo pedido a Deus para abrir nossos ouvidos e corações para receber sua Palavra, nós o ouvimos falar enquanto sua Palavra é lida. Isso também – “a leitura pública da Escritura” (1 Timóteo 4.13) – é um ato de adoração.

SERMÃO

Deus continua a falar enquanto sua Palavra é proclamada e explicada. Como o apóstolo Paulo disse ao jovem pastor Timóteo: “prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2 Timóteo 4.2-4 ). O ministro dá uma exposição fiel do texto, que em última análise nos chama ao arrependimento e à fé em Cristo Jesus.

CEIA DO SENHOR

Tendo ouvido a voz pactual do nosso Deus em sua Palavra, agora nos juntamos a Ele em uma refeição pactual. Assim como a Palavra pregada nos prometeu o favor de Deus em Cristo, também nosso Pai celestial adiciona esta conformação visível de sua promessa imutável. Na Mesa do Senhor, a fé torna-se visão. Pão e vinho nos garantem que Cristo veio, morreu e voltará novamente por nós. Participamos juntos para comungar e participar do corpo e sangue de Cristo: “Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?” (1Coríntios 10.16).

CANÇÃO DE RESPOSTA

Tendo ouvido a palavra de Cristo e participado de seu corpo e sangue, atendemos ao mandamento apostólico: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração” (Colossenses 3.16).

COMISSÃO

Prontos agora para obedecer, os crentes são desafiados a ir ao mundo para servir a Deus e cumprir a Grande Comissão. O ministro anuncia o decreto do Rei: Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mateus 28.18-20). O Senhor Jesus nos envia ao mundo para servi-lo.

BÊNÇÃO

No culto de adoração, o Deus triúno detém a primeira e a última palavra. E ambas são anúncios de sua maravilhosa graça. Com as mãos erguidas, o ministro abençoa o povo do pacto com a Palavra de Deus, que está ao alcance de todos os que a recebem pela fé: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2 Coríntios 13.13).

GLORIA PATRI OU DOXOLOGIA

Gloria Patri: Entoamos um cântico de louvor ao Deus Triúno por se revelar a nós por meio de sua Palavra.

Glória seja ao Pai, ao Filho e ao Santo Espírito!

Como era no princípio, e hoje e para sempre,

Eternamente! Amém! Amém!

Doxologia: Uma breve e triunfante canção de louvor e ação de graças ao Deus Triúno.

A Deus, supremo Benfeitor,

Anjos e homens deem louvor.

A Deus o Filho, a Deus o Pai,

E a Deus Espírito, glória dai.

Amém.

CONCLUSÃO

Nem todas as formas de liturgia são igualmente adequadas para expressar nossas convicções reformadas e presbiterianas. Não se pode separar a teologia da liturgia porque a teologia informa a liturgia e a liturgia informa a teologia. Vemos isso mais claramente quando nossos filhos crescem em igrejas presbiterianas com uma piedade batista ou carismática. Quando eles se tornam adultos e se mudam para outra cidade, não acabam em igrejas presbiterianas, mas em congregações batistas ou carismáticas, pois lhes parecem familiares.*

Dr. Joseph Pipa Jr. afirma que isso aconteceu com os huguenotes franceses quando migraram para a América no século XVII. Eles estavam bastante familiarizados a uma liturgia rica e formal. Porém, quando chegaram no Novo Mundo e constataram que a liturgia das igrejas presbiterianas havia se tornado extremamente livre, sem uma ordem formal segundo as Escrituras e a tradição reformada, eles acabaram em igrejas anglicanas e episcopais por causa do poder emotivo de suas liturgias [1].

O culto das igrejas reformadas é claramente revolucionário e ao mesmo tempo restaurador, pois reintroduz o povo de Deus à adoração bíblica. Hughes Old diz que a reforma teológica “exigia uma reformulação da adoração” [2].

A adoração reformada deu vida e expressão às convicções da teologia reformada. As igrejas reformadas planejavam propositalmente cultos de adoração simples e espirituais, e que consistiam em um conteúdo bíblico rico e substancial, expresso por meio de um número limitado de elementos essenciais, porque isso é o que a teologia reformada exigia.

Terry Jhonson afirma que “a adoração reformada tomou a forma que conhecemos não por causa do gosto, preferências de estilo ou etnia dos reformadores, mas por causa da teologia que estava por trás dela” [3]. Portanto, se tentarmos comunicar a teologia e a piedade reformada por meio de uma liturgia amplamente evangelical, anglicana ou carismática, comprometeremos a doutrina, e a história confirma isso.**

A adoração reformada nada contra a maré da cultura contemporânea. Enquanto a cultura celebra a juventude e a novidade, o culto reformado honra a sabedoria dos antigos. Enquanto a cultura nos encoraja à busca hedonista por prazer, o culto reformado encoraja uma congregação a se concentrar em dar alegria e prazer somente a Deus. Enquanto a cultura insiste que liberdade significa uma liturgia desordenada e sem forma, o culto reformado está fundado no princípio de que não há liberdade em meio à desordem e o caos disforme. Enquanto a cultura exalta a espontaneidade, a liturgia reformada nos treina em hábitos e respostas maduros. Enquanto a cultura lança seus apelos a um público soberano, o culto reformado é um apelo a um Deus soberano.

*Enfase minha.

**Enfase minha.

Rev. Alan Kleber Rocha

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

(ED) Identidade Presbiteriana (47) A Liturgia Presbiteriana | Rev. Ageu Magalhães


Fonte Igreja Presbiteriana Vila Guarany
Relação das Aulas Individuais
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Índice Geral
(1): O Governo da Igreja | Rev. Ageu Magalhães 
(2): O Presbítero Regente | Rev. Ageu Magalhães 
(3): O Diaconato em Genebra | Rev. Ageu Magalhães 
(4): Diaconato, o Ministério da Misericórdia | Rev. Marcos Cléber 
(5): O Presbítero Docente | Rev. Ageu Magalhães 
(6): Agostinho de Hipona | Rev. Ageu Magalhães 
(7): Valdo | Pb. Marcos Serra 
(8): John Wycliffe | Lauro Cangussu 
(9): John Hus | Rev. Ageu Magalhães 
(10): Girolamo Savonarola | Eduardo Koscak 
(11): A Reforma Protestante | Rev. Ageu Magalhães 
(12): Martinho Lutero | Sem. Thiago Fortunato 
(13): Ulrico Zuínglio | Pb. Marcos Serra
(14): Guilherme Farel | Lauro Cangussu 
(15): João Calvino | Rev. Ageu Magalhães 
(16): A Influência do Calvinismo | Rev. Ageu Magalhães 
(17): Martin Bucer | Pb. Marcos Serra 
(18): John Knox | Eduardo Koscak 
(19): As Mulheres da Reforma | Rev. Ageu Magalhães 
(20): Solus Christus | Pb. Marcos Serra 
(21): Sola Scriptura | Sem. Thiago Fortunato 
(22): Sola Gratia | Lauro Cangussu
(23): Sola Fide | Pb. Marcos Serra 
(24): Soli Deo Gloria | Eduardo Koscak 
(25): O Sínodo de Dort | Sem. Thiago Fortunato 
(26): A Depravação Total | Rev. Ageu Magalhães 
(27): Eleição Incondicional | Pb. Marcos Serra 
(28): Expiação Limitada | Lauro Cangussu 
(29): Graça Irresistível | Pb. Marcos Serra 
(30): Perseverança dos Santos | Eduardo Koscak 
(31): Os Puritanos | Sem. Thiago Fortunato
(32): A Assembleia de Westminster | Rev. Ageu Magalhães
(33): Franceses Calvinistas no Brasil | Pb. Marcos Serra
(34): Holandeses Reformados no Brasil | Lauro Cangussu
(35): Imigrantes Protestantes no Brasil | Pb. Marcos Serra
(36): Ashbel Green Simonton | Eduardo Koscak
(37): Alexander Blackford | Rev. Ageu Magalhães
(38): Francis Schneider | Sem. Thiago Fortunato
(39): José Manoel da Conceição | Pb. Marcos Serra
(40): Os Primeiros Passos da IPB | Rev. Ageu Magalhães
(41): Inspiração e Inerrância das Escrituras | Rev. Ageu Magalhães
(43): A Teologia da Aliança | Rev. Ageu Magalhães
(44): O Princípio Regulador do Culto | Rev. Ageu Magalhães
(45): As Bases do Culto Reformado | Rev. Ageu Magalhães
(46): A Soberania de Deus | Pb. Marcos Serra
(47): A Liturgia Presbiteriana | Rev. Ageu Magalhães
(48): A Participação das Crianças no Culto | Rev. Ageu Magalhães
(49): O Cessacionismo Bíblico | Eduardo Koscak
(50): A Ceia do Senhor | Rev. Ageu Magalhães
(51): O Batismo Bíblico | Sem. Thiago Fortunato
(52): A Predestinação | Pb. Marcos Serra

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quinta-feira, 28 de outubro de 2021

A ADORAÇÃO REFORMADA EXPLICADA | Mike Brown e Ewerton B. Tokashiki

 A ADORAÇÃO REFORMADA EXPLICADA

O culto semanal de adoração pública é a atividade mais importante na vida cristã.[1] Deus se encontra nele com o seu povo. Ele nos fala em sua Palavra e sacramentos, e nós respondemos em oração, confissão e com cânticos. Ele se inclina para alimentar nossas almas, fortalecer nossa fé e nos edificar como o corpo de Cristo. Estamos prontos para ouvir, receber e para agradá-lo.

Hoje em dia, os cultos de adoração costumam mais agradar a nós mesmos do que a Deus. Tornou-se comum que os atos do culto se concentrem em entreter o público, parecendo mais como concertos de rock e palestras motivacionais, do que a santa adoração do Deus Trino. Mas a Bíblia nos ordena a “oferecer a Deus a adoração aceitável, com reverência e temor, pois o nosso Deus é um fogo consumidor” (Hb 12.28-29).

Numa igreja reformada que pratica o Princípio Regulador do Culto você não encontrará o último modismo dos cultos evangélicos.[2] Não há bandas de rock, efeitos especiais ou pastores contando histórias irreverentes. Em vez disso, encontrará adoração alegre e reverente ao Deus vivo, uma liturgia bíblica e Cristo sendo proclamado a partir de toda a Escritura, em cada ato do culto.

O QUE É LITURGIA?

A palavra “liturgia” refere-se simplesmente à organização da adoração em um serviço público. Toda igreja tem alguma forma de liturgia. A liturgia que você vivencia numa igreja presbiteriana/reformada tem precedentes históricos: cada parte pode ser encontrada nas liturgias da igreja cristã histórica, especialmente naquelas da Reforma do século XVI e dos primeiros pais da igreja.

                Mais importante ainda é que a nossa liturgia está totalmente de acordo com a Palavra de Deus e é cuidadosamente planejada para nos conduzir em um diálogo com o nosso Criador e Redentor. É um diálogo em que Deus fala ao seu povo através da sua Palavra e dos sacramentos, e nós respondemos em nossa oração, confissão e canto.

Deus entra nesse diálogo com o seu povo a cada semana no culto público para renovar conosco o seu pacto da graça. Abaixo está uma breve explicação de cada parte da liturgia reformada.

CONVOCAÇÃO À ADORAÇÃO

O culto inicia com o Deus Trino convocando-nos com sua Palavra para adorá-lo com reverência e respeito. Um texto bíblico, muitas vezes um salmo, é lido como uma convocação ao povo de Deus: “Oh, vamos adorar e curvar-nos; ajoelhem-se diante do Senhor nosso Criador!” (Sl 95.6). Ele nos chama para adorá-lo e receber de sua mão bondosa as boas dádivas que Ele fornece às nossas almas.

O culto não é uma iniciativa humana, mas Deus nos despertando, convencendo, atraindo, estimulando e promovendo a sua santidade em nós, para que correspondamos ao seu chamado e obedeçamos a sua ordenança de adorá-lo. Sabemos que “Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13). E Agostinho escreveu que “fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração enquanto não repousa em ti”.

INVOCAÇÃO

Tendo ouvido o chamado de Deus para adorá-lo, respondemos em oração. Como o povo que possui um pacto com Deus invocamos o nome de Deus, confessando que “o nosso auxílio está no nome do Senhor, que fez o céu e a terra” (Sl 124.8).

Esta é a resposta de Deus ao seu povo invocando seu nome. Ele anuncia a sua graça e paz a todos que vêm a ele através de Jesus Cristo. Como ministro designado de Deus, o ministro levanta as mãos e anuncia a bênção de Deus em sua Palavra: “Graça a ti e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo” (Rm 1.7).

LEITURA DA LEI

Deus nos revela a sua vontade para nossas vidas em sua lei, isto é, os mandamentos das Escrituras. A lei de Deus nos diz claramente como devemos viver e o que Deus espera de nós. Também revela a santidade de Deus, bem como a nossa pecaminosidade, pois “se não fosse pela lei, eu não teria conhecido o pecado” (Rm 7.7).

CONFISSÃO DE PECADO

Tendo ouvido Deus falar conosco em sua lei, somos levados a confessar nossos pecados. Em primeiro lugar, fazemos isso pública e coletivamente, confessando a Deus como povo, “contra ti somente pequei e fiz o que é mal diante dos teus olhos” (Sl 51.4). Então, fazemos isso em silêncio, confessando nossos próprios pecados.

LEITURA DO EVANGELHO

        Somos incapazes de obedecer perfeitamente a lei de Deus como Ele requer, por isso, tornamo-nos merecedores de sua ira. Todavia, “não há mais condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). A leitura de textos com a instrução, promessas e a certeza da salvação para os que creem em Cristo Jesus complementam, logicamente, a leitura da lei de Deus. 

DECLARAÇÃO DE PERDÃO

Tendo confessado nossos pecados a Deus, ouvimos o alegre anúncio de sua promessa de que “se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). Como o embaixador de Cristo, o ministro declara o perdão a todos os que confiam em Cristo e se arrependem de seus pecados.

CONFISSÃO DE FÉ

Confessamos juntos o Credo dos Apóstolos, o Niceno ou Calcedônio, ou um parágrafo da Confissão de Westminster, ou questão do Catecismo de Heidelberg. Fazemos isso não apenas para sermos instruídos na fé cristã, mas também como uma oração a Deus na qual declaramos estar unidos na verdade que ele revelou: “Um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de tudo ”(Ef 4.5-6). Os credos e confissões resumem com beleza essa verdade revelada.

ORAÇÃO PASTORAL

O ministro ora em favor da congregação, trazendo “o fruto dos lábios que reconhecem o seu nome” (Hb 13.15), bem como a intercessão pela igreja e pelo mundo. Este ato pode ser concluído com a congregação recitando juntos a oração do Senhor.

CÂNTICOS DE LOUVOR

Tendo ouvido a bênção de Deus, nós respondemos levantando nossas vozes para ele e cantando um salmo, um hino ou cântico bíblico. Como está ordenado: “Vinde à sua presença cantando!” (Sl 100.2). As palavras que cantamos ao Senhor são cuidadosamente escolhidas, pois o conteúdo de cada canção deve estar de acordo com as Escrituras e deve nos proporcionar uma compreensão mais profunda de Deus.

OFERTÓRIO

Nós respondemos à graça de Deus com nossas ofertas e dízimos, que são para a propagação do evangelho no mundo e para a formação de discípulos. Fazemos isto como um ato de adoração, sabendo que “cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade, porque Deus ama a quem dá com alegria” (2 Cor 9.7).

CÂNTICO DE PREPARAÇÃO

Cantamos em preparação para a refeição que Deus está prestes a nos dar para as nossas almas na pregação de sua Palavra. Cantamos outro salmo, cântico ou hino, essencialmente dizendo ao Senhor: “A tua palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Sl 119.105).

ORAÇÃO POR ILUMINAÇÃO

Chamamos o Senhor novamente, desta vez pedindo-lhe para que nos dê “o Espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento dele, tendo os olhos de nossos corações iluminados, que possamos saber qual é a esperança que Ele nos chamou, quais são as riquezas de sua herança gloriosa nos santos, e qual é a imensurável grandeza de seu poder em relação a nós, os que cremos” (Ef 1.17-19).

O SERMÃO

Tendo pedido a Deus que abra os nossos ouvidos e corações para recebermos a sua Palavra, nós o ouvimos falar enquanto a sua Palavra é lida. Igualmente - “a leitura pública da Escritura” (1Tm 4.13) - é um ato de adoração.

Deus continua a falar enquanto a sua Palavra é explicada e proclamada. Como o apóstolo Paulo disse ao pastor Timóteo: “Prega a Palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2Tm 4.2-4). O ministro faz uma exposição fiel do texto, que finalmente nos chama ao arrependimento do pecado e para a fé em Cristo.

CEIA DO SENHOR

Tendo ouvido uma breve instrução da nossa aliança de Deus em sua Palavra, agora nos reunimos com Ele em uma refeição pactual. Como a Palavra pregada nos prometeu o favor de Deus, em Cristo, assim também nosso Pai celestial acrescenta esta confirmação visível de sua promessa imutável. Celebramos juntos para comungar e participar do corpo e sangue de Cristo (1Co 10.16). Não acreditamos que os elementos da ceia se transformem, ou contenham o corpo físico de Cristo, mas cremos que, o pão e o vinho permanecem inalterados, e a presença espiritual de Cristo nos comunica graça, por meio deles, para a nossa santificação.

CÂNTICO DE RESPOSTA

Tendo ouvido a Palavra de Cristo e participado no seu corpo e sangue, “deixamos a Palavra de Cristo habitar em nós, ricamente, cantando salmos e hinos e cânticos espirituais, com ações de graças em nossos corações a Deus” (Cl 3.16).

BENÇÃO FINAL

No culto de adoração, o Deus Trino dá a primeira palavra e a palavra final. E ambas são anúncios de sua graça. Com as mãos erguidas, o ministro abençoa o povo de Deus com a Palavra de Deus, que está disponível a todos os que o recebem por meio da fé: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2Co 13.14).

CÂNTICO DO TRÍPLICE “AMÉM”

Tendo recebido a benção apostólica, cantamos “amém” [que significa “assim seja”] para em resposta a cada benção das Pessoas da Trindade.

APRESENTAÇÃO DE VISITANTES E AVISOS

       Encerrado o culto solene os visitantes poderão ser apresentados. Deve-se usar de discrição, respeito e alegria pela sua presença, convidando-os a retornar mais vezes, e a continuarem no conhecimento de Cristo.

              Os avisos, de modo apropriado, são entregues para notificar, orientar, ou esclarecer as atividades da agenda da igreja local ou situações urgentes.

Por: Mike Brown e Ewerton B. Tokashiki


[1] Traduzido e adaptado de http://www.christurc.org/reformed-worship-explained/ . Este é apenas um modelo de liturgia reformada de um culto comum, obviamente, há elementos que foram omitidos como batismo, votos e juramentos de ordenação, etc. A ordem, o modo e outros detalhes de como realizar os elementos do culto são chamados de circunstâncias do culto, e devem ser decididos pelo pastor junto aos presbíteros. Barry Gritters observa que “a pregação está no coração e no centro de cada culto de adoração reformado” in: Public Worship ant the Reformed Faith, p. 18. Por isso, o Princípio Regulador do Culto é parte essencial da identidade do culto reformado.

[2]  D.G. Buttrick afirma que “o que distingue a adoração Reformada é mais a sua teologia do que a sua prática particular. A tradição presbiteriana/reformada de culto a Deus é para a glória a Deus. O nosso “principal fim” é glorificar a Deus. Assim, a adoração nas igrejas Reformadas tem muitas vezes designada pelo objetivo – o foco é Deus e não os sentimentos religiosas.” D.G. Buttrick, “Worship, Presbyterians and,” in: Mark A. Noll, ed., Dictionary of the Presbyterian & Reformed Tradition in America, p. 281.