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domingo, 9 de fevereiro de 2025

O que a bíblia diz sobre o divórcio | Pb. Evandro Marinho

A questão do divórcio à luz das Escrituras é um tema teológico de grande importância, pois reflete a natureza da aliança de Deus com Seu povo e os princípios divinos para o relacionamento conjugal. A análise dos textos fornecidos revela que Deus vê o casamento como uma aliança solene e considera o divórcio uma violação dessa aliança, ainda que, em certos casos, seja permitido devido à dureza do coração humano.

1. O Casamento como Aliança Irrevogável

Gênesis 2.24 estabelece o fundamento do casamento na ordem criacional:  

"Portanto, deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne."  

Este versículo apresenta três aspectos fundamentais do casamento:  

1. Separação – O homem deixa a família original para formar uma nova unidade familiar.  

2. Unidade – O vínculo conjugal é exclusivo.  

3. Permanência – O casal torna-se "uma só carne", uma expressão que sugere uma união indissolúvel.  

A palavra hebraica דָּבַק (dabaq), traduzida como "apegar-se-á", denota um vínculo forte e duradouro, frequentemente usado no Antigo Testamento para descrever a fidelidade de Israel a Deus (Dt 10.20).

2. Deus Detesta o Divórcio (Malaquias 2.14-16)

Malaquias 2.14-16 reforça a natureza da aliança do casamento e a visão de Deus sobre o divórcio:  

"Porque o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual foste desleal, sendo ela tua companheira e a mulher da tua aliança."* (Ml 2.14)  

A palavra "aliança" (בְּרִית, berit) enfatiza que o casamento é um compromisso sagrado. O versículo 16 é claro:  

"Porque o Senhor Deus de Israel diz que odeia o divórcio."

A razão apresentada é que o divórcio viola a fidelidade da aliança e causa violência. Assim, Deus exorta a fidelidade no casamento.

3. O Ensino de Jesus sobre o Divórcio

Jesus reafirma a visão da aliança indissolúvel do casamento e limita as permissões para o divórcio.

Mateus 19.6-9; Jesus declara:  

"Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem." (Mt 19.6)  

Os fariseus questionam sobre a permissão mosaica para o divórcio (Dt 24.1-4), e Jesus responde que Moisés permitiu por causa da dureza do coração humano, mas que não era o ideal divino.  

Ele estabelece uma exceção:  

"Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério."* (Mt 19.9)  

A palavra grega πορνεία (porneia) refere-se a imoralidade sexual, o que indica que o adultério pode dissolver a união, pois rompe a aliança da fidelidade.

Mateus 5.32; Jesus reitera essa visão ao dizer:  

"Qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de fornicação, faz com que ela cometa adultério; e qualquer que casar com a repudiada comete adultério."

Isso mostra que o divórcio sem base legítima leva ao pecado.

Marcos 10.11-12 e Lucas 16.18

Esses textos reafirmam que o divórcio seguido de novo casamento resulta em adultério, sem mencionar exceções.

4. O Ensino de Paulo sobre o Divórcio

Romanos 7.2-3; Paulo usa a metáfora do casamento para ilustrar a relação entre a Lei e Cristo:  

"Porque a mulher casada está ligada pela lei ao marido enquanto ele vive; mas, se o marido morrer, fica livre da lei do marido."

Isso reforça a permanência do casamento até a morte.

1 Coríntios 7.10-11, 39; Paulo enfatiza que o casamento deve ser mantido:  

"Todavia, aos casados mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher."

Ele permite a separação, mas não recomenda novo casamento.  

No versículo 39, ele reafirma que a aliança matrimonial dura até a morte:  

"A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que seu marido vive; mas, se falecer seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor."

5. Aplicação Teológica e Pastoral

Deus vê o casamento como uma aliança indissolúvel, e o divórcio é permitido apenas em casos excepcionais, como adultério e abandono irreversível (1Co 7.15). O chamado cristão é à fidelidade e reconciliação sempre que possível.

Aqui estão as fontes utilizadas na pesquisa sobre a visão bíblica do divórcio, conforme os textos indicados:

Pb. Evandro Marinho

sexta-feira, 15 de março de 2024

(ED) - Os Erros do Romanismo (45) Os Votos Monásticos | Rev. Ageu Magalhães


Sequência de Estudos "Os Erros do Romanismo" Por temas abaixo:

O DOM DE FICAR SOLTEIRO E PURO | Augustus Nicodemus

Em sua primeira carta aos Coríntios o apóstolo Paulo procura responder várias perguntas que eles haviam enviado sobre temas como alimentos sacrificados aos ídolos e dons espirituais. Entre as perguntas, havia algumas sobre o que seria melhor, casar ou ficar solteiro? Diante das circunstâncias que cercavam a igreja cristã naquela época, entre elas o risco permanente de prisão, tortura e morte por causa do Evangelho, Paulo responde assim:

"Quero que todos os homens sejam tais como também eu sou; no entanto, cada um tem de Deus o seu próprio dom; um, na verdade, de um modo; outro, de outro. E aos solteiros e viúvos digo que lhes seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo. Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado" (1Co 7.7-9).

Eu gostaria de me deter no fato que Paulo se refere aos estados civis de casado ou solteiro como sendo um “dom” da parte de Deus. A palavra que ele usa para “dom” aqui é a mesma que ele usa para se referir aos dons espirituais (veja 1Co 12.4, 9, 28, etc.). Paulo não era casado. Não sabemos ao certo se era solteiro ou viúvo. É possível ainda que ele tinha sido casado, mas que sua esposa o abandonou por pressão da sinagoga após ele se tornar cristão. De qualquer forma, Paulo estava só e até mesmo queria que os cristãos de Corinto seguissem o seu exemplo em não procurar casamento (1Co 7.7). É claro que essa orientação, como já dissemos, se devia ao que Paulo chama de “angustiosa situação presente” (veja 1Co 7.26). 

Portanto, não podemos afirmar que, em qualquer situação, ficar solteiro sempre é melhor. Mas podemos afirmar outras coisas.

Primeira, está implícito que ficar solteiro inclui a abstinência sexual. É o que chamamos de celibato: solteiro e puro sexualmente. 

Segunda, o celibato deve ser visto como um dom da parte de Deus. Infelizmente, muitos que não casaram se sentem diminuídos e se achando inferior aos outros como se ficar solteiro representasse um fracasso pessoal. Se essas pessoas entenderem o celibato como um dom da parte de Deus, terão uma perspectiva melhor de si mesmas e perceberão, como Paulo diz, que “cada um tem de Deus o seu próprio dom; um, na verdade, de um modo; outro, de outro” (1Co 7.7).

Terceira, se é um dom da parte de Deus, significa que podemos aproveitar o fato de que não somos casados para empregar nosso tempo, que de outra forma teria de ser investido no casamento e criação de filhos, em servir ao Senhor mais intensamente. Paulo vai desenvolver esse argumento mais adiante. 

Quarta, se Deus nos conceder o dom do celibato, podemos confiar que ele haverá de suprir as necessidades que estão relacionados ao ficar sem casar, como o necessário controle do impulso sexual. Além disso, os que estão sozinhos precisam encontrar satisfação e contentamento em amizades significativas. Se ficar solteiro é um dom da parte de Deus, podemos confiar que ele haverá de suprir todas essas necessidades.

Por fim, se o celibato é um dom de Deus, não deveríamos pressionar indevidamente os jovens, viúvos e viúvas ou separados a que se casem; e muito menos deveríamos fazer bullying com os jovens adultos que não casaram. Se tiverem oportunidade de se casar, que casem! Casar é uma bênção. Mas nem todos os cristãos irão casar. A igreja e as famílias deveriam entender isso e parar de colocar uma pressão e um estigma na testa dos solteiros adultos e outros que estão sós.

Devemos valorizar o casamento e buscar que os nossos solteiros adultos se casem, mas sempre sabendo que cada um tem de Deus o seu próprio dom. E dessa forma, devemos estar abertos para sugerir aos solteiros adultos a opção do celibato e valorizar igualmente esse dom que vem de Deus.

Augustus Nicodemus

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quarta-feira, 13 de março de 2024

(ED) - Os Erros do Romanismo (43) O matrimônio | Rev. Ageu Magalhães


Sequência de Estudos "Os Erros do Romanismo" Por temas abaixo:

sábado, 10 de fevereiro de 2024

As Relações entre o marido e a esposa | Evandro Marinho

Publicado por @marinho_evandro
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O que é matrimônio e divórcio? | Solano Portela

Mateus 19.3-6: "Vieram a ele alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo? Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem".

 ***

Os Fariseus experimentavam a Jesus. É interessante que o ponto para esse teste era sobre o seu conceito quanto ao matrimônio. Nessa era, em que a instituição do casamento é tão contestada, ou por vezes desprezada, e até mal definida, qual é o nosso conceito do Casamento? É o conceito bíblico, o conceito divino dessa união? E o que dizer do divórcio? É aceitável, pela Bíblia?

Na época dos fariseus, havia duas escolas: a de Shammai – que acatava o divórcio por causa do adultério e a de Hillel – que dizia que o divórcio era permissível por qualquer motivo. Essa questão era sempre alvo de debate acirrado entre as duas correntes. Jesus não apela a nenhum desses dois, mas refere-se a Moisés – aos escritos inspirados da Palavra de Deus (“não tendes lido”?).

Jesus não se preocupa em responder primária e especificamente a pergunta deles, sobre a questão de quebra do casamento; da quebra dos votos matrimoniais; da ruptura desse pacto solene feito na presença de Deus, tendo como testemunha o seu povo. Antes que entendamos as diretrizes bíblicas sobre o divórcio é necessário que entendamos o que é o matrimônio, e é isso que Jesus quer explicar. Casamentos cristãos são celebrados dessa maneira até aos nossos dias: o povo de Deus testemunha o comprometimento solene que os noivos fazem um ao outro, na presença de Deus, em paralelo ao cumprimento de todas as prerrogativas e registros legais, que devem ser feitos em cartórios e onde a lei assim o definir.

É por isso que em vez de responder a pergunta dos Fariseus, Jesus faz uma exposição do que é o casamento. E isso interessa muito ao povo de Deus, principalmente no cenário contemporâneo em que vivemos. Notem que Jesus explica quatro coisas, sobre o matrimônio:

1. É uma relação singular de gênero

“Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher”? Percebam a atualidade da Bíblia! Jesus parece estar falando aos nossos dias! Procedemos de um Criador. Esse criador, sabiamente, nos fez diferentes, complementando um ao outro. Ele criou dois sexos. Isso não é uma opção quantitativa (mais de dois sexos) ou qualitativa (um sexo, com as qualidades do outro) – não existem três ou quatro sexos. Confrontamos as barreiras das impossibilidades biológicas, porque o Criador assim o quis: dois sexos – homem e mulher. Essa é a estrutura da criação. Por mais que os homens tentem pervertê-la, ou transformá-la; por mais que tentem se enganar, prescrevendo felicidade e adequação a outros esquemas de gênero – a humanidade retratará sempre essa estrutura de gênero – homens e mulheres. O que passa disso é distorção e desvio. Outras configurações não podem ser legitimamente chamadas de “casamento”, pois o casamento é entre um homem e uma mulher. É isso que temos nos casamentos cristãos: testemunhamos um casal adequado aos padrões divinos, comprometendo-se um com o outro. Pela misericórdia de Deus, em nosso país a Constituição ainda tem essa definição de casamento, mas existem muitos esforços para que isso seja mudado – como seguidores da Palavra, temos que ter uma visão precisa de qual é o ensino Bíblico, aqui reforçado por Jesus.

2. É uma relação singular social. 

“Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher”. Cada família é uma relação singular, única. E ela gera outras famílias. Esse princípio era sempre importante para ser frisado naquela sociedade patriarcal. Por mais ascensão hierárquica que tivesse o patriarca, o esposo e esposa constituíam uma unidade autônoma, com vida própria, com limites próprios, com diretrizes próprias, com interesses próprios. Contando com o respeito mútuo externo, mas sem interferências externas indevidas. Notem os termos utilizados: Deixar, e depois, unir: a palavra grega utilizada para “unir” é “kollaô”. É de onde vem a nossa palavra cola. É cola divina, mais forte do que superbond! Esse é o plano de Deus desde o início. Jesus não ensina nada de novo, mas leva os pensamentos daqueles que o ouvem, como os nossos devem ser levados, agora, ao projeto original de Deus. Quantos problemas podem ser evitados nos casamentos, se esse modelo for seguido. Se não houver confusão e interferência das famílias de onde procedem os noivos para com a NOVA família que eles agora formam. Esse relacionamento social singular traz grandes privilégios e promove mais responsabilidade, aos cônjuges, na construção de um lar, que é só deles.

3. É uma relação singular sexual.

“De modo que já não são mais dois, mais uma só carne”. Jesus também apresenta esse aspecto, que é típico do matrimônio. O plano de Deus, desde a criação, reconhece a propriedade da sexualidade e a abriga, com toda legitimidade, sempre na esfera do casamento. O casal que procura seguir as diretrizes de Deus, nessa área, compreenderá esse simbolismo de harmonia, complementação, prazer e alegria, e ensinará aos seus filhos os limites, o respeito e a santidade que é o sexo no casamento. Esse singular relacionamento mostra a dependência mútua, e o interesse com uma só mente, que deverá nortear a vida do casal, por toda a vida. Em uma era de dissolução moral, como esse aspecto é importante! Temos que reforçar em nossas famílias e nas nossas igrejas que o sexo é uma bênção, que Deus preparou para o casamento. Todas as demais opiniões a esse respeito, procuram legitimar desculpas para não cumprir o padrão de pureza que Deus deseja, não somente aos jovens cristãos, mas a todos aqueles que integram o Seu Povo.

4. É uma relação singular espiritual.

“Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”. Deus é o agente supremo por trás de tudo o que ocorre em um casamento. O matrimônio procede de Deus e enquadra-se em sua perfeição quando essa centralização divina é percebida, prezada e perseguida. O casamento é mais do que uma convenção humana; é mais do que um mero contrato social – é um pacto solene de duas pessoas firmado com Deus e firmado um para com o outro, sobre algo que foi criado por Deus, com o testemunho de todos aqueles que presenciam a cerimônia. Jesus, aqui, não se refere mais aos indivíduos que celebram o casamento. Ele diz “o que Deus ajuntou” (não “aqueles”) – a referência é, portanto, ao matrimônio.

Vejam o paralelo! Na relação social: deixar, unir. Aqui, na relação espiritual: ajuntou, não o separe. A palavra “ajuntar” (sunesukein; suzeugnumi) é a mesma utilizada para designar uma canga – aquela peça que prende uma JUNTA de bois para puxar uma carroça! Isso significa que temos, no matrimônio, indivíduos – duas pessoas, mas caminhando juntas, na mesma direção.

É exatamente por que o matrimônio não foi algo gerado pelo homem, que ele não está sujeito a modismos, a modificações segundo os tempos, e muito menos a quebras e dissoluções geradas pelos próprios homens. O divórcio, as separações, não são normas, por mais comum que se apresentem, mas anomalias – que trazem tristeza e dor a muitos.

Mas o que fazer perante a realidade do DIVÓRCIO? O que ensina a Bíblia?

No nosso texto, em Mateus 19, Jesus trata do divórcio levando a concentração dos pensamentos ao matrimônio. Se a instituição do matrimônio fosse bem entendida e seguida, não teríamos de lidar com divórcio, especialmente à luz de textos como Hebreus 13,4: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros”. O divórcio é a dissolução do matrimônio e hoje, em nosso país e no mundo, ele ocorre pelas mais variadas razões e, às vezes, até sem razão, por mera concordância dos cônjuges (“consensual”; nos Estados Unidos isso é chamado de “no fault divorce”).

Igreja Presbiteriana do Brasil já se pronunciou em diversas ocasiões sobre a questão do divórcio. Um dos pronunciamentos mais extensos é a Resolução do Supremo Concílio em 1986 (SC-86-026 - Doc. XCIX), na qual faz referência às decisões anteriores e às diversas mudanças na legislação brasileira; apresenta o resumo apresentado em Nossa Confissão de Fé (Cap 24); reforça a indissolubilidade do matrimônio encontrada nos ensinamentos de Jesus (Mt 19.7-9; Mc 10.2,12.); e indica que “somente o adultério e a deserção irremediável são causas Bíblicas reconhecidas pela Igreja como justificativas para o divórcio”.

Nossa Confissão de Fé (de Westminster – CFW), que é uma compilação sistemática de ensinos bíblicos, tem todo um capítulo (XXIV – 24) tratando “Do Matrimônio e do Divórcio”. Ela expressa claramente, na seção 6 deste capitulo, o que a Bíblia ensina: “Posto que a corrupção do homem seja tal que o incline a procurar argumentos a fim de indevidamente separar aqueles que Deus uniu em matrimônio, contudo só é causa suficiente para dissolver os laços do matrimônio o adultério ou uma deserção tão obstinada que não possa ser remediada nem pela Igreja nem pelo magistrado civil; para a dissolução do matrimônio é necessário haver um processo público e regular. não se devendo deixar ao arbítrio e discreção das partes o decidirem seu próprio caso”. Além de outros pontos, esse texto demonstra o erro do chamado “divórcio consensual”, alternativa infelizmente encontrada dentro de igrejas contemporâneas.

Mas a Bíblia (e a CFW) também ensina que o divórcio nem sempre é errado. Ele é permitido especificamente naqueles dois casos previstos na Escritura: o adultério e a deserção obstinada.

Dois textos bíblicos são pertinentes a essa compreensão:

·        Mateus 5.32 (e 19.9): “Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério”.
·        1 Coríntios 7.15: “Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos, não fica sujeito à servidão nem o irmão, nem a irmã; Deus vos tem chamado à paz”.

Mas é claro que o divórcio não é algo natural. Desde o Antigo Testamento, onde temos casos de divórcio, lemos também que “O SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio” (Malaquias 2.16). E tanto no nosso texto inicial, em Mateus, como no registro de Marcos 10.9, a máxima de Jesus subsiste: “Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem”.

Conclusão

É verdade que existem muitos desvios desses padrões, sobre matrimônio e divórcio. Desvios que ficam aquém do ideal bíblico em nossa sociedade. Como cristãos somos também realistas. Vemos isso. Admitimos que esses desvios ocorrem ao nosso redor. E é verdade, também, que a nossa fé é uma fé de esperança. Deus nos apanha onde estamos, perdoa pecadores, conserta o nosso caminhar, repara vidas e até recupera relacionamentos e matrimônios quebrados.

No entanto, devemos objetivar os padrões traçados pela Palavra de Deus. Assim, quando estivermos presentes, participando ou testemunhando um casamento nas bases da Palavra de Deus, temos muita razão para prestar a Ele muitas ações de graça. Dar graças porque jovens estão trilhando o caminho traçado por Deus como norma. Orar a ele para que preserve a união deles, em todos esses aspectos que nos foram ensinados por Jesus. Interceder para que Deus conceda a eles muita felicidade, por estarem obedecendo aquilo que agrada a Deus, em suas vidas. Suplicar que sejamos preservados, como Povo de Deus, para que os matrimônios sejam bíblicos e o divórcio não venha a ser uma realidade, na vida dos recém-casados, dos cristãos e da igreja de Cristo.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Quando pecadores dizem “sim” | Dave Harvey

 

O casamento é a união de duas pessoas que chegam ao altar com uma bagagem surpreendentemente grande. Em geral, ela se abre durante a lua-de-mel; às vezes, espera até à semana seguinte. A Bíblia chama-a de pecado. Compreender a sua influência pode fazer toda a diferença para um homem e uma mulher que estão construindo a vida juntos. Quando Pecadores Dizem Sim aborda a importância do poder transformador do evangelho na imprevisível jornada do casamento. O estilo de redação de Dave Harvey cativa o leitor, enquanto fala com honestidade e, às vezes, humor a respeito do pecado e do poder do evangelho para vencê-lo. Ele descortina a maravilhosa verdade da Palavra de Deus e encoraja o leitor a perceber com mais clareza o glorioso panorama do que Deus faz quando pecadores dizem Sim.


Fonte: Ministério Fiel   - Ouça o Áudio Book Clique Aqui

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Auxiliadoras Idôneas | Rev. Paulo R. B. Anglada

A revelação bíblica é progressiva. A nossa compreensão dela também. Com o passar dos séculos, a igreja avança na sua compreensão da Palavra de Deus. A hermenêutica tem feito considerável progresso, tanto no campo da lingüística, como do conhecimento do contexto histórico-religioso das épocas. Isto, sem dúvida, nos obriga constantemente a rever algumas interpretações.

Por outro lado, é inegável, também, que as filosofias e costumes contemporâneos exercem forte influência sobre a nossa interpretação bíblica. Não se pode imaginar, por exemplo, que a igreja esteja imune à influência do movimento feminista moderno. Nem é de estranhar que numa época em que as mulheres reivindicam e assumem cada vez mais papéis e posições que antes lhes eram negados, as igrejas sejam levadas a rever a sua interpretação sobre a questão da ordenação feminina ao ministério sagrado.

É indiscutível que o Novo Testamento reconhece e eleva a dignidade das mulheres a um patamar bem superior ao anteriormente concebido. No que diz respeito à dignidade, na igreja "não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gl 3:28). Também não se pode negar que as mulheres, tais como Lídia, Priscila e muitas outras, tiveram participação ativa e importante na igreja primitiva.

Não obstante, parece inegável, também, que o Novo Testamento reconhece e mantém uma distinção funcional entre os gêneros, tanto no âmbito do casamento (Ef 5:22-24), como da igreja. Esta distinção, na qual o homem é o cabeça e a mulher uma auxiliadora, não pode de modo algum ser explicada em termos de contexto histórico (ou preconceito) antigo. A explicação bíblica para esta distinção é encontrada na própria criação, quando Deus criou a mulher como "uma auxiliadora idônea" (Gn 2:18) — idônea, sim, à sua altura, digna; mas auxiliadora, alguém que ajuda, assiste.

É verdade que, por causa da queda, esta distinção funcional original adquiriu outra conotação. A submissão da mulher tornou-se um castigo: "O teu desejo será para o teu marido, e ele te governará" (Gn 3:16). A liderança do homem também: "em fadiga obterás o sustento durante os dias da tua vida... no suor do teu rosto comerás o teu pão" (Gn 3:17,19). É verdade, também, que o preconceito e abusos da tradição judaica, e mesmo gentílica, contra a mulher agravaram ainda mais a situação.

Entretanto, parece evidente que a tese da ordenação feminina ao ministério se deve não a uma reinterpretação necessária do ensino bíblico, motivada por novas descobertas lingüísticas ou históricas, mas à influência inquestionável do moderno movimento feminista ocidental. O ministério do governo eclesiástico, conferido a pastores, presbíteros, ou bispos — os termos são sinônimos no NT (ver At 20:17,28, Tt 1:5-7 e 1 Pd 5:1-4) — e da pregação e ensino, conferido aos ministros da Palavra (ver 1 Tm 5:17), uma especialização do ofício do governo, é responsabilidade de homens no NT. Não apenas em nenhuma passagem do NT estes ofícios são conferidos a mulheres, como também os critérios indicados para a escolha desses oficiais determinam que sejam "esposos de uma só mulher... e que governem bem a sua própria casa" (1 Tm 3:2,4; cf. Tt 1:6).

Qual a explicação bíblica para a limitação do ofício de governo eclesiástico e da Palavra aos homens? Tradição? Costumes judaicos? Não. Poucos versos antes destas instruções a Timóteo, Paulo proíbe à mulher de falar publicamente e de exercer autoridade eclesiástica: "A mulher aprenda em silêncio com toda submissão. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade sobre o marido: esteja, porém, em silêncio" na igreja (1 Tm 2:11; cf. 1 Co 14:34-35). Por quê? Qual a explicação de Paulo para tal proibição? A resposta está nos versos seguintes: "Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão" (v. 12-13). A explicação de Paulo para a distinção funcional entre o homem e a mulher na igreja está no Éden; na queda e, especialmente, na criação: primeiro foi criado Adão, e depois Eva, como auxiliadora idônea — idônea, sim; mas auxiliadora.

Se quisermos nos conformar com este século, ordenemos mulheres ao ministério. Se desejarmos permanecer fiéis à vontade de Deus revelada nas Escrituras, que as honremos como dignas cooperadoras.

Rev. Paulo R. B. Anglada

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

A íntima União Entre Cristo e o Crente | J. C. Ryle

Leia João 15.1-6 

Esses versículos, precisamos lembrar com atenção, contêm uma parábola. Ao interpretá-la, não podemos esquecer a grande regra que se aplica a todas as parábolas de Cristo. O ensino geral de todas elas é a primeira verdade a ser observada. Não precisamos insistir sobre os pequenos detalhes, interpretando-os em excesso, ao ponto de achar um significado para todos eles. São muitos e imensos os erros em que os crentes têm caído por negligenciar esta regra. 

Primeiramente, esses versículos nos ensinam que existe íntima união entre Cristo e o crente. Ele é a “videira”, os crentes são os “ramos”. A união entre os ramos e o caule principal de uma videira é a mais íntima que podemos imaginar. Nisso consiste o segredo de toda a vida, beleza, vigor e fertilidade do ramo. 

Se for desligado do caule, o ramo não possui vida em si mesmo. A seiva que flui através do caule é a fonte e o poder que mantém todas as folhas, botões, flores e frutos. Arrancado do caule, logo o ramo há de secar e morrer. 

A união entre Cristo e o crente tanto é íntima quanto verdadeira. Em si mesmos, os crentes não possuem vida, poder e vigor espiritual. Tudo que possuem em sua vida espiritual procede de Cristo. Eles são pessoas que vivem, se comportam e agem como crentes, porque recebem de Cristo um contínuo suprimento de graça, auxílio e capacidade. 

Unidos pela fé ao Senhor Jesus, em uma misteriosa união realizada pelo Espírito Santo, os crentes permanecem firmes, andam e percorrem a jornada da vida cristã. Mas qualquer sinal de bondade existente neles procede de seu Cabeça, o Senhor Jesus Cristo. 

Este pensamento produz conforto e instrução. Os crentes não têm motivo para sentirem-se desesperados quanto à sua salvação, imaginando que nunca chegarão ao céu. Devem meditar sobre o fato de que não foram deixados a viver por si mesmos, na dependência de seu próprio poder. Sua raiz é Cristo; tudo que existe na raiz tem em vista o benefício dos ramos. Se Cristo vive, eles também viverão. Os incrédulos não devem se admirar da perseverança e firmeza dos crentes. Embora sejam fracos, a raiz dos crentes está nos céus e jamais morrerá. “Quando sou fraco”, disse o apóstolo Paulo, “então é que sou forte” (2 Co 12.10). 

Em segundo, esses versículos nos ensinam que existem tantos os falsos quanto os verdadeiros crentes. Existem ramos na videira que parecem estar unidos ao caule principal, mas não produzem qualquer fruto. São homens e mulheres que aparentam ser membros do corpo de Cristo, porém no último dia ficará comprovado que não possuíam qualquer união com Ele. 

Nas igrejas, há miríades de pessoas que professam ser crentes, mas sua união com Cristo é apenas exterior e formal. Alguns deles pensam estar unidos a Cristo por causa do batismo ou por serem membros de igreja. Alguns deles vão muito além disso, tornando-se membros que participam da Ceia do Senhor e conversam com entusiasmo sobre as coisas espirituais. Mas falta-lhes algo necessário. Apesar de participarem dos cultos, ouvirem os sermões, terem sido batizados e participarem da Ceia do Senhor, não possuem a fé, a graça divina e a obra do Espírito Santo em seus corações. Não estão unidos a Cristo, e Ele não está nestas pessoas. Sua união com Cristo é apenas nominal e não verdadeira. Tais pessoas têm nome de que vivem mas, aos olhos de Deus, estão mortas. 

Este tipo de crente está apresentado na figura dos ramos da videira que não produzem fruto. Inúteis e desagradáveis, estes ramos servem ape nas para serem cortados e queimados, pois nada recebem da seiva do caule e não produzem resultado em troca do lugar que ocupam na videira. Assim ocorrerá no último dia aos crentes falsos, que apenas professam o nome de Cristo. 

Se não se arrependerem, seu fim será a eterna condenação. Ficarão eternamente separados da companhia dos verdadeiros crentes e, à seme­lhança dos ramos secos e inúteis, serão lançados no fogo eterno. Por fim, descobrirão que, não importando o que eles pensam neste mundo, existe o verme que não morre e o fogo inextinguível. 

Em terceiro, esses versículos nos ensinam que os frutos do Espírito são a única evidência satisfatória de alguém ser um verdadeiro crente. O discípulo que “permanece” em Cristo, assim como o ramo que permanece na videira, produz muito fruto. 

Aquele que deseja saber o significado do vocábulo “fruto” logo achará a resposta. Arrependimento para com Deus, fé em nosso Senhor Jesus Cristo, santidade de vida e de conduta — isto é o que o Novo Testamento chama de fruto. Estas marcas caracterizam a pessoa que vive como genuíno ramo da “videira verdadeira”. Se não tivermos estas coisas, em vão confessaremos que possuímos a graça divina e vida espiritual. 

Não existe vida onde não há frutos. Aquele que não possui estas virtudes, embora es­teja vivo, encontra-se morto. 

A verdadeira graça, não podemos esquecer, jamais é infrutífera. Não dorme, nem cochila. Em vão supomos que somos membros do corpo de Cristo, se o exemplo dEle é a única evidência satisfatória da união salvado­ra que existe entre nossa alma e o Senhor Jesus. Não existe a verdadeira vida espiritual no coração em que não podemos ver o fruto do Espírito. O Espírito de vida em Cristo Jesus sempre se manifestará na vida e conduta diária daqueles em quem Ele habita. O próprio Senhor Jesus declarou: “Cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto” (Lc 6.44). 

Por último, esses versículos nos ensinam que Deus frequentemente levará o crente a progredir em santidade através das providências que utiliza em seu lidar com ele. Está escrito: “Todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda”. 

O significado destas palavras é evidente. Assim como o viticultor po­da e apara os ramos de uma vinha frutífera, a fim de tomá-la mais frutífera, assim também Deus purifica e santifica os crentes através das circunstâncias da vida em que Ele os coloca.

Falando sinceramente, as provações são o instrumento pelo qual nosso Pai celestial toma o crente mais santificado. Por meio destas, Ele desperta nos crentes suas virtudes passivas e comprova se eles são capazes de suportar a vontade dEle, tão bem quanto o fazê-la. 

Por meio das provações, Deus os afasta do mundo, atraindo-os a Cristo, aproximando-os da Bíblia e da oração, fazendo-os conhecer seus próprios corações e tomando-os humildes. Este é o processo pelo qual Deus “limpa” os crentes e os toma mais fru­tíferos. As vidas dos santos de todas as épocas são o melhor e mais verdadeiro comentário desse texto. Raramente encontramos um crente, do Antigo ou do Novo Testamento, que não foi purificado por meio de sofri­mentos e, à semelhança de seu Mestre, não foi “um homem de dores”. 

Aprendamos a ser pacientes nos dias de trevas, se realmente conhe­cemos a união vital com Cristo. Sempre lembremos a doutrina ensinada nessa passagem, para que não murmuremos e queixemos por causa das aflições. 

Nossas provações visam fazer-nos o bem. Deus “nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade” (Hb 12.10). Fruto é algo que nosso Senhor deseja ver em nós; por isso, se achar necessário, utilizará a podadeira. 

J. C. Ryle 
Meditações no Evangelho de João 
Editora Fiel

domingo, 29 de novembro de 2015

A Família no Temor do Senhor | Conferência: Seminário José Manuel da Conceição - 2015



Conferência: A Família no Temor do Senhor
Local: Seminário José Manuel da Conceição 

Palestras e Preletores:

  1. O que é submissão - Rev. Augustus Nicodemus 
  2. Educando os Filhos no Temor do Senhor - Rev. Jayro Caceres 
  3. Compreendendo o Papel do Marido no Casamento - Rev. Valdeci dos Santos 
  4. A Comunicação no Lar – Rev. William Moore

terça-feira, 18 de novembro de 2014

“Como Ser Uma Esposa Piedosa” | Mary Beeke

victorian-family O plano perfeito de Deus para as famílias inclui a criação de homens e mulheres bem como a maneira que um deve se relacionar com o outro. Nós fomos criados perfeitos; infelizmente, o pecado alterou o plano. Mas Deus, em sua misericórdia, nos deu o casamento, uma jóia do Paraiso. O chamado do marido para amar, nutrir e se entregar pela sua noiva, como Cristo o fez pela Igreja, é complementado pelo chamado da esposa para respeitá-lo e se submeter a ele. Juntos ele formam um time.

Ele é o cabeça da casa, provendo e protegendo. Ela está ao seu lado como eixo, parte central na casa. À medida que a cultura muda, os detalhes de como isso funciona pode mudar, mas o plano de Deus está além do tempo. Nós o desprezamos por nossa conta e risco, mas quando o seguimos seremos abençoados. Focando no papel da esposa piedosa, a primeira bênção vem quando nós nos submetemos aos planos de Deus com contentamento, confiando na Sua sabedoria, sendo firmes contra a insistência do feminismo em dizer que isso é degradante, escolhendo estar no centro da vontade de Deus e aguardando mais bênçãos.

A esposa piedosa é abençoada quando ela ama a Deus acima de todas as coisas, e a Sua Palavra está escrita no seu coração e é demonstrada em sua vida. Ela luta contra o pecado que ainda habita dentro de si gastando tempo a sós com Deus em oração e leitura. Seu andar e falar são como luz sobre o monte e sal na terra. Caminhar com o Senhor a capacita a andar em harmonia com o seu marido.

A esposa piedosa é abençoada quando ela é fiel ao seu marido. Ela dá a ele amor, carinho, compromisso e atenção de todo o seu coração. Ceder a tentação não é um opção, ainda que os músculos dele estejam diminuindo, a barriga e os cabelos brancos aumentando e a vida menos cheia de emoções. Ela não busca uma nova receita, mas tempera com os ingredientes que tem, colocando toda a sua energia no seu relacionamento como seu marido.

A esposa piedosa é abençoada quando ela trata o seu marido da forma pela qual ele foi criado para ser tratado. Para as solteiras que desejam ser uma esposa piedosa: ore e escolha sabiamente. Case-se com um homem que você possa respeitar, não com um tolo, egoísta, raivoso e imaturo. Case-se com um homem piedoso que a ame por completo. Spurgeon nos advertiu a mantermos os olhos bem abertos antes do casamento e semi-fechados após o casamento. Então a mulher casada deve se concentrar nas virtudes do seu marido e minimizar as suas irritantes idiosincrasias. ( Não é isso que queremos que pensem ao nosso respeito, mulheres?) O respeito por seu marido começa no seu coração e flui para o seu tom de voz, expressões faciais, afeto (ou a falta deste) e palavras. Ele deseja a sua apreciação pelo trabalho que faz bem como o reconhecimento de seus dons. Assim como ele naturalmente flexiona os bíceps quando você coloca sua mão acima do cotovelo dele, da mesma forma ele naturalmente flexiona as caraterísticas que você elogia. Preocupe-se menos em alimentar o ego dele; concentre-se em reconhecer os seus pontos fortes e espere para ver que coisas boas acontecerão no seu casamento. Ingresse no mundo dele perguntando-lhe como foi o dia. Mantenha-se conectada. Converse sobre seus pensamentos e sentimentos, sobre coisas naturais e espirituais. Mantenha o romance e a intimidade vivos. Continue a sair juntos. Mantenha-se o mais saudável e atraente possível. E sempre seja carinhosa. Nutra o seu casamento, isso é precioso.

A esposa piedosa também é abençoada quando ela se submete ao seu marido. O time marido-mulher pode ser comparado ao de presidente e vice de uma empresa que se especializa em liderança servil. São pessoas de igual valor, assim como as crianças e empregados, mas alguém tem que assumir o controle. Marido e mulher devem ser melhores amigos. Devem discutir questões familiares e tomarem decisões para o bem da família. Quando não concordarem, o marido tem a palavra final, submetendo-se apenas a Deus e às Escrituras. Alguns homens são difíceis de respeitar e se submeter; suas esposas têm o desafio de passar por cima do comportamento deles e seguir o caminho de obediência a Deus. Essa esposa não é como um tapete, ela não pode concordar ou aprovar o pecado, mas ela experimenta um duro amor. Ela terá que orar por coragem. Ela aguarda e ora que ele seja santificado pelo seu exemplo (1Co 7:10-17).

A esposa piedosa é abençoada quado ela ama e nutre os seus filhos, quando serve como exemplo de piedade. Ela dita o tom de alegria e paciência da casa. Ela trabalha duro. Seu papel como esposa e mãe são separados, mas interligados. Efésios 5 e Provérbios 31 nos diz que o marido deve ser a sua prioridade. É bom lembrar disso já que o instinto materno é tão forte e nossos filhos geralmente precisam de mais cuidado físico que os nossos maridos. Ela acode ao próximo, primeiro os da casa da fé, e depois aos que ela encontrar. Bênçãos seguirão a esposa piedosa quando ela segue o plano de Deus para o casamento, e aqueles que estão ao seu redor também serão abençoados.

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 Mary Beeke pic*Mary Beeke é esposa do Dr. Joel Beeke e mãe de Calvin, Esther e Lydia. Ela trabalhou como enfermeira e professora, e tem mestrado em educação especial. Desde 1989 é dona-de casa e esposa de pastor.

**Esse artigo foi originalmente publicado na revista The Banner of Sovereign Grace Truth (Edição online de Setembro/2013) , traduzido com permissão do editor.

Tradução: Roberta Macedo – Extraído de Mulheres Piedosas

domingo, 18 de maio de 2014

Família, nosso maior patrimônio | Rev. Hernandes Dias Lopes

familiaA família está sendo atacada com rigor desmesurado por aqueles que deveriam protegê-la. Os legisladores, os governantes, os magistrados, a imprensa, a mídia, a academia, os formadores de opinião, em vem de fazer uma cruzada em favor da família, muitas vezes, drapejam suas bandeiras contra ela.

Querem desconstruí-la. Querem acabar com o gênero. Querem confundir os papéis. Querem jogá-la na região cinzenta do relativismo absoluto. Querem zombar da honra e aplaudir o vício. É lamentável que aqueles que legislam, governam e julgam, não raro, não manifestam qualquer compromisso com os castiços valores cristãos que forjaram, guiaram e protegeram a família ao longo dos séculos. Destruir os fundamentos da família, entretanto, provoca um colapso na própria sociedade. Lutar contra a família, como legítima instituição divina, é conspirar contra nós mesmos, é declarar uma guerra insana para a nossa própria destruição.

Destaco aqui três pontos para nossa reflexão.

Em primeiro lugar, a família é nosso maior patrimônio porque foi instituída por Deus para o nosso maior bem e a nossa mais plena felicidade. A família é ideia de Deus. Nasceu no coração de Deus, no céu, na eternidade. O mesmo Deus que instituiu a família, estabeleceu princípios para governá-la. Deus criou o homem e a mulher, instituiu o casamento e uniu-os numa relação de plena comunhão emocional, espiritual e física. O casamento, segundo o preceito de Deus, é heterossexual, monogâmico, monossomático e indissolúvel. Consequentemente, a relação entre homem e homem, entre mulher e mulher está em aberta oposição aos preceitos divinos. No casamento deve prevalecer o amor e a fidelidade, a fim de que a intimidade física seja desfrutada com pureza e deleite. Só dentro dessa perspectiva, a família pode cumprir seu desiderato, e dar ao mundo uma descendência santa.

Em segundo lugar, a família é nosso maior patrimônio porque é guiada por Deus para cumprir sua vocação no mundo. A família tem o papel de criar filhos no temor de Deus, para cumprir no mundo seu mandato cultural e espiritual. Mesmo vivendo numa sociedade decadente, a família deve ser governada pela santidade. Mesmo vivendo numa cultura de relativismo, a família precisa viver dentro das balizas da verdade absoluta. Nossos filhos são herança de Deus e devem merecer nossa maior atenção. Os filhos são como flechas na mão do guerreiro. Os pais carregam os filhos e depois os lançam para longe, na direção do projeto de Deus. Nossos filhos devem cumprir o plano de Deus e serem vasos de honra nas mãos do Altíssimo. Nossos filhos devem ser reparadores de brechas e portadores de boas novas de salvação. Devem contribuir decisivamente na construção de uma sociedade mais humana, mais justa e mais solidária.

Em terceiro lugar, a família é nosso maior patrimônio, porque é um presente de Deus que devemos cuidar com o máximo desvelo. Seria uma consumada insensatez gastarmos nosso tempo correndo atrás de coisas, relegando nossa família a um plano secundário. Nenhum sucesso compensa o fracasso da família. Construir o sucesso pessoal sobre os escombros da família é loucura. A vitória sem a valorização da família tem sabor amargo. Devemos dedicar o melhor do nosso tempo e o melhor dos nossos recursos na formação espiritual, moral e intelectual da família. Investir na família é investir em nós mesmos. Semear nesse canteiro fértil é a garantia de uma abundante colheita. Quando a família vai bem, a igreja é edificada. Quando a família vai bem, a Pátria é bem-aventurada. Quando a família vai bem, os céus se alegram com a terra. Quando a família vai bem, todos, irmanados, caminhamos rumo à bem-aventurança!

Rev. Hernandes Dias Lopes