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quarta-feira, 26 de junho de 2024

O DIA DE PENTECOSTES - Em que pentecostais e reformados concordam e discordam.

O que era Pentecostes?

Pentecostes era a festa dos judeus celebrada 50 dias após a Páscoa. E foi durante uma celebração destas que o Espírito Santo de Deus veio sobre os apóstolos e os 120 discípulos em Jerusalém, cerca de 50 dias após a morte do Senhor, de acordo com Atos 2:1-4. Os cristãos se interessam pela data, portanto, por este motivo e não pela festa de Pentecostes em si.

A descida do Espírito naquele dia marcou o início da Igreja Cristã. Todavia, este que foi um evento da mesma magnitude que a morte e a ressurreição do Senhor Jesus, acabou se tornando motivo de polêmicas e controvérsias em meio à Cristandade, apesar de existir um bom número de pontos em comum entre os evangélicos sobre Pentecostes.

Em que pentecostais e reformados concordam?

Podemos, por exemplo, concordar que a vinda do Espírito representou o início da Igreja Cristã. Concordamos que ele veio para capacitar os discípulos com poder para poderem pregar o Evangelho ao mundo, que Ele habita na Igreja de Cristo, isto é, em todos que são realmente regenerados. Confessamos que Ele concede dons espirituais ao povo de Deus, que Ele nos ilumina, santifica, guia e consola em nossas tribulações. 

Concordamos que devemos buscar a plenitude do Espírito mediante a oração. Cremos que nossos pecados entristecem o Espírito. Sabemos que o Espírito nos sela para a salvação, que é o penhor, a garantia que Deus nos dá de que haveremos de herdar o Seu Reino.

Todavia, em que pese este consenso não pequeno, permanecem diferenças de entendimento sobre diversos aspectos da obra do Espírito e o significado histórico-teológico de Pentecostes. Vamos encontrar homens de Deus, sérios, dedicados e usados por Deus em lados diferentes. Ainda que brevemente, vou enumerar algumas destas diferenças e expressar a minha opinião.

Pontos de divergência

1) Quanto ao significado histórico de Pentecostes. 

Para muitos, o que aconteceu em Pentecostes é um paradigma, um modelo e um padrão para hoje. Estes entendem que a descida do Espírito, o revestimento de poder e as línguas faladas pelos apóstolos estão hoje à disposição da Igreja exatamente como aconteceu naquele dia no cenáculo em Jerusalém. Os que assim acreditam se caracterizam pela busca constante desta experiência. Para eles, a Igreja ficou sem o Pentecostes por quase dois mil anos, e foi somente em 1906, no chamado avivamento da Rua Azusa 312, em Los Angeles, Estados Unidos, que Pentecostes retornou à Igreja, e tem se repetido constantemente entre os cristãos de todo o mundo.

Do outro lado há os que pensam diferente, como eu, por exemplo, mas que creem que podemos experimentar a plenitude e o poder do Espírito Santo hoje. Desejo isto e busco isto constantemente. Todavia, não creio que cada enchimento que eu ou outro irmão venhamos a ter é uma repetição de Pentecostes, mas sim uma apropriação pessoal daquele evento, que aconteceu de uma vez por todas e que não tem como se repetir. 

Pentecostes foi o cumprimento das promessas dos profetas do Antigo Testamento de que o Messias derramaria Seu Espírito sobre Seu povo. Foi assim que Pedro entendeu, ao dizer que a descida do Espírito era o cumprimento das palavras de Joel (Atos 2). Pentecostes é um evento da história da salvação e à semelhança da morte e da ressurreição de Cristo, ele não se repete. E da mesma forma que hoje continuamos a nos beneficiar da morte e da ressurreição do Senhor, continuamos a beber e a nos encher daquele Espírito que já veio de uma vez por todas ficar na Igreja. E eu creio que neste ponto podemos todos concordar.

2) Quanto à nomenclatura da plenitude do Espírito

Não há consenso, igualmente, em como designar o enchimento do Espírito. Alguns irmãos chamam a experiência de plenitude e revestimento de poder de "batismo com o Espírito". Outros, entre os quais me incluo, não estão certos de que esta designação é a mais correta. Ninguém discute que devemos buscar esta plenitude. Eu quero ser sempre cheio do Espírito. Mas não acho que devamos chamar o enchimento de "batismo". 

Meus motivos para isto estão num artigo que escrevi comparando a posição de John Stott e Martyn Lloyd-Jones (é só procurar na internet). Fico com Lloyd-Jones que enfatiza a necessidade de buscarmos este enchimento como uma experiência distinta da conversão, mas fico com Stott em não chamá-la de batismo. Apesar da diferença de nomenclatura, acredito que estamos juntos neste ponto, que todos precisamos nos encher constantemente do Espírito de Deus.

3) Quanto aos sinais miraculosos que aconteceram em Pentecostes

Há diferença também quanto aos sinais miraculosos que acompanharam a descida do Espírito no dia de Pentecostes, conforme Atos 2. Alguns acreditam que falar em línguas é o sinal externo da descida do Espírito sobre uma pessoa. Assim, buscam esta experiência constantemente e encorajam os novos convertidos a fazer o mesmo. 

Eu, contudo, não encontro na Bíblia evidência suficiente que me convença que a plenitude do Espírito sempre será seguida pelo falar em línguas e que devemos buscar falar em línguas como um dos melhores dons. Em Pentecostes houve outros sinais além das línguas, como o som de um vento impetuoso e a aparição de línguas de fogo, sinais estes que aparentemente não são repetidos nas experiências de hoje (salvo desinformação de minha parte). 

A minha dificuldade e de muitos outros é que não conseguimos ver nas cartas do Novo Testamento qualquer orientação, ordem ou direção para que aqueles que já são crentes busquem o batismo com o Espírito seguido pelas línguas. O que eu encontro são ordens para nos enchermos do Espírito, andarmos no Espírito, vivermos no Espírito e cultivarmos uma vida no Espírito. Bem, este ponto é mais controverso e acirra mais os ânimos do que os anteriores. Ainda assim existe o consenso entre nós de que sem os dons do Espírito a Igreja não tem como realizar sua missão aqui neste mundo.

Lamento tão somente que, apesar de termos tanta coisa em comum quanto ao Espírito, acabemos divididos por uma atitude de arrogância espiritual por parte daqueles que acham que somente eles conhecem o Espírito, e pela atitude de soberba daqueles que se consideram teologicamente superiores aos que vivem à base de experiências.

Minha oração é que todos os que verdadeiramente creem no Senhor Jesus e o amam de todo o coração, apesar das diferenças, glorifiquem ao Pai e ao Filho por terem enviado o Espírito Santo para santificar, capacitar e usar a Sua Igreja neste mundo.

Rev. Augustus Nicodemus

sexta-feira, 29 de março de 2024

A ORIGEM DO PENTECOSTES | Augustus Nicodemus

A festa de Pentecostes é a mesma festa das semanas ordenada em Lv 23.15-21. O nome “pentecostes” não aparece no Antigo Testamento, visto que se trata da palavra grega para “cinquente,” se referindo ao fato que era para ser celebrada cinquenta dias após a festa da Páscoa.

Pentecostes ou “semanas” marcava o término da colheita de cereais. Era, portanto, uma festa de ação de graças e da celebração da entrega dos dez mandamentos recebidos por Moisés no Sinai. O nome do evento, Pentecostes, só aparece nos evangelhos escritos em grego, mas a data precisa de cinquenta dias após a Páscoa é uma característica dos ritos judeus desde tempos imemoriais. 

O livro dos Atos dos Apóstolos nos relata que no dia de Pentecostes, que era o último dia da festa, estando os discípulos de Cristo reunidos no mesmo lugar, o Espírito Santo desceu e repousou sobre eles. Foi então que a igreja iniciou sua missão, continuando a obra de Deus no Antigo Testamento, de proclamar o Evangelho a todo o mundo.

Augustus Nicodemus

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Una Mirada Bíblica al “Bautismo em el Espíritu Santo | Gregg R. Allison

batismoFogoMucho se ha dicho y escrito del Espíritu Santo, y con mucha razón. Si bien la obra del Padre en la creación y al enviar a su Hijo es algo objetivo, y  si bien la obra de Cristo en la cruz trae una salvación objetiva a todo aquel que cree, el trabajo del Espíritu está rodeado de subjetividad. Esto no lo hace menos real: que algo sea subjetivo no significa que es menos tangible. Pero si le preguntas a un grupo de hermanos, que dicen haber tenido un excelente tiempo en el Señor —donde la presencia del Espíritu Santo era evidente—, cómo sintieron al Espíritu, lo más probable es que te den respuestas diferentes, si bien complementarias. El trabajo del Espíritu Santo es algo subjetivo, sentido por el individuo, pero eso no lo hace menos real.

No es una sorpresa, entonces, que el bautismo en/con/del Espíritu Santo, la forma en la que la Tercera Persona de la Trinidad hace habitación en el cristiano, ha sido interpretado de diversas formas. Por ejemplo, está en la sangre de la denominación pentecostal el que el bautismo en el Espíritu Santo es manifestado en hablar en lenguas, en un momento subsecuente a la conversión. El propósito de este escrito es argumentar algo diferente. Es mi firme creencia que el Espíritu Santo bautiza a cada creyente tan pronto profesa fe salvadora en Cristo Jesús, y que el bautismo en el Espíritu Santo no está regularmente acompañado de fenómenos externos, específicamente el hablar en lenguas. 

Por supuesto, la opinión que importa es la opinión de Dios, revelada en la Escritura. Por tanto, veamos algunos de los pasajes claves que traten este tema y cómo poder interpretarlos, incluyendo algunos pasajes más difíciles de armonizar.

El primer bautismo

La primera ocurrencia del bautismo en el Espíritu Santo lo encontramos en Hechos 2. Por brevedad, no voy a citar el texto completo. Sin embargo, recomiendo encarecidamente que el lector pueda ir allí en su Biblia y leer la porción completa. Este momento especial, Pentecostés, era el cumplimiento de diversas promesas a lo largo del Antiguo Testamento (cp. Isaías 44:3; Ezequiel 36:25-28; Joel 2:28-32). Es también el cumplimiento de la profecía de Juan el Bautista, que él bautizaba en agua, pero Jesús bautizaría con el Espíritu Santo (cp. Mt. 3:11). Jesús mismo le había dicho a los discípulos que ellos recibirían el Espíritu Santo, para ser Sus testigos (Hechos 1:8). Dada todas estas promesas, podemos entender por qué Pedro decía que el Espíritu Santo era una promesa del Padre (Hechos 2:33), y que Pablo luego le llamara el Espíritu Santo de la promesa (Efesios 1:13). 

En Pentecostés, entonces, la promesa de Dios es completada, y los discípulos son llenos del Espíritu de Dios (Hechos 2:4). Este suceso fue acompañado de la venida de lenguas como de fuego (Hechos 2:3) que le permitieron hablar de una manera que todos los comprendían, a pesar de venir de diferentes nacionalidades (Hechos 2:7-11). Este fue uno de los momentos donde la historia del Universo tomó un giro. Así como el Espíritu había descendido en el hombre que era Dios (Lucas 3:22), ahora los hombres que Él había enviado serían llenados del mismo Espíritu (Hechos 1:4). Y ahora Pedro podía decir a todos los que escuchaban “arrepiéntanse y sean bautizados cada uno de ustedes en el nombre de Jesucristo para perdón de sus pecados, y recibirán el don del Espíritu Santo” (Hechos 2:38). 

A partir de este momento, y a lo largo del Libro de los Hechos y del Nuevo Testamento, escuchamos de diversos hombres y mujeres que son llenados del Espíritu. Antes, en el Viejo Pacto, ciertos individuos recibieron el Espíritu. Pero a pesar de los miles de años que el Antiguo Testamento reporta, apenas escuchamos de algunos escasos individuos: algunos profetas (Números 11:29), jueces (Jueces 13:25) y reyes (1 Samuel 10:10). Lo que Pentecostés inauguró, y lo que describen las Epístolas, es que ahora grupos completos de individuos (¡cuyos nombres muchas veces no sabemos!) son llenos del Dios del Universo. Como bien dijo Pedro, este es el cumplimiento de la promesa del Padre, y es solo posible por la vida, muerte y resurrección de Jesús (Hechos 2:32-36). 

Todos fuimos bautizados

Como dije al principio, entiendo que todos los cristianos son bautizados por el Espíritu Santo, sin la señal externa de la glosolalia, el hablar en lenguas. Además de la experiencia de la historia de la iglesia hasta hoy, creo que diversos pasajes dan testimonio de esto.  En 1 Corintios 12:13, el Apóstol Pablo le dice a la iglesia que “por un mismo Espíritu todos fuimos bautizados en un solo cuerpo, ya judíos o griegos, ya esclavos o libres, y a todos se nos dio a beber del mismo Espíritu”. Este texto es significativo puesto que está estableciendo que todos los que formaban parte de esa iglesia habían sido bautizados en el Espíritu. Sin embargo, tan solo unos versículos más adelante dice que no todos hablaban en lenguas (1 Corintios 12:30). Si la señal del bautismo en el Espíritu Santo es el hablar en lenguas, ¿qué hacemos con aquellos en Corinto que sí fueron bautizados en el Espíritu mas no hablan en lenguas?

Algo más que debemos reconocer es que, fuera del Libro de los Hechos, solo en 1 de Corintios está el hablar en lenguas en una posición de importancia, donde aparenta ser regulado y aun desanimado si no hay intérpretes presentes. Pero si bien el hablar en lenguas es apenas mencionado fuera de los Hechos, la Escritura constantemente habla de los cristianos como el pueblo del Espíritu. Romanos habla de los cristianos como aquellos que “caminan en el Espíritu” (Romanos 8:4) y que tienen el Espíritu (Romanos 8:7); 1 Corintios habla de los cristianos como el templo del Espíritu Santo (1 Corintios 3:16; 6:19), al igual que 2 de Corintios (6:19) y (probablemente) Santiago (Santiago 4:5); Efesios dice que los cristianos fueron sellados con el Espíritu Santo (1:13); y Tito dice que fuimos lavados y regenerados por el Espíritu (Tito 3:5). Creo que es inevitable la conclusión de que el tener el Espíritu, y por tanto el haber sido bautizado en Él, es algo que se espera de todos los creyentes.

Es difícil encontrar algún pasaje donde los apóstoles se refieran a los cristianos sin encontrar cerca una mención del obrar del Espíritu en ellos, pero apenas encontramos mención de el hablar en lenguas como una marca del cristiano.

Entendiendo ciertas dificultades

Hay dos momentos particulares en los Hechos a los que debemos acudir, puesto que parecieran mostrar que el Espíritu Santo se recibe un tiempo después de la conversión. Pero antes, debo hacer un comentario hermenéutico importante: el libro de los Hechos consiste en una recolección de eventos específicos, en un período histórico específico (después de todo, son los “hechos” de los “apóstoles”). Por tanto, no debemos suponer que todas las experiencias registradas allí serán la norma a lo largo de la vida de la Iglesia. Sin embargo, tampoco podemos descartar estas experiencias simplemente porque no las vemos suceder alrededor nuestro. Como ya dijo el profeta, “A la ley y al testimonio” (Isaías 5:20). La Biblia, entendida correctamente, es lo que debe guiar nuestras experiencias y prácticas. Dicho esto, pasemos a Samaria. 

Hechos 8 registra al primer grupo de creyentes fuera de Judea. Felipe va a Samaria y predica el evangelio de Cristo, con señales que testifican de su veracidad. Aparentemente, muchos creyeron, puesto que hubo mucho gozo en la ciudad (Hechos 8:8). Sin embargo, no es hasta que Pedro y Juan vienen desde Jerusalén que ellos reciben al Espíritu Santo (Hechos 8:17). Esto pareciera sugerir que, ciertamente, somos bautizados con el Espíritu tiempo después de nuestra conversión. Pero debemos entender que lo que aconteció aquí es un suceso extraño y fuera de lo común. Lucas mismo te lo deja ver en Hechos 8:16 “pues todavía no había descendido (el Espíritu Santo) sobre ninguno de ellos; sólo habían sido bautizados en el nombre del Señor Jesús”. Como dice el Dr. Gregg Allison;

“el comentario aclaratorio de Lucas apunta a que esta era una experiencia inusual; este retraso no es la norma. Si la experiencia común del cristiano fuera tal retraso al experimentar el Espíritu Santo, entonces no hubiera necesidad para tal explicación”[1].

Creo que esta interesante ocurrencia pudiera ser explicada como una instancia en particular donde el Señor quería confirmar a la iglesia naciente que los samaritanos también habrían de recibir el Espíritu Santo: que ellos también serían cristianos en toda su plenitud. Dado que los samaritanos eran odiados por judíos y gentiles, creo que fue una gracia de Dios hacia ellos el permitir que los apóstoles vieran y fueran canales de la promesa del Espíritu Santo, para que ellos no fueran discriminados en ninguna manera.

El otro texto que presenta una posible dificultad es el intercambio de Pablo con los hombres en Éfeso, según nos cuenta Hechos 19. Estos eran discípulos que no habían recibido el Espíritu Santo. Sin embargo, una lectura cuidadosa del pasaje nos va a mostrar que no hay ninguna dificultad. Estos discípulos no habían siquiera escuchado del Espíritu Santo, puesto que eran discípulos de Juan, no de Jesús. Habían sido bautizados en un bautismo de arrepentimiento (Hechos 19:3-4), pero no eran creyentes en Cristo. Por tanto, no podían recibir el Espíritu Santo aún. Ahora bien, tan pronto escucharon el evangelio y creyeron, Pablo los bautizó en agua y recibieron el Espíritu Santo (Hechos 19:6-7). De hecho, vale notar que la pregunta de Pablo de “¿recibieron el Espíritu Santo cuando creyeron?” (Hechos 19:2) favorece nuestra interpretación de que lo normal es que los cristianos sean bautizados con el Espíritu Santo cuando profesan fe salvadora. 

¿Y si mi experiencia fue diferente?

Sin duda, América Latina está saturada de abusos y de experiencias “espirituales” caracterizadas por el desorden más que por vidas cambiadas. Tales sucesos son contrarios al testimonio del Espíritu Santo (1 Corintios 14:39-40) y son dañinos para quienes estén allí. Esto ha llevado a que muchos, luego de conocer mejor la Escritura, tiendan a irse un extremo opuesto, donde prácticamente niegan el poder del Espíritu y hasta ridiculicen a los que no han estudiado correctamente a la persona del Espíritu Santo. En este sentido, no podemos olvidar que tener todo el conocimiento pero no tener amor no nos hace ningún bien (1 Corintios 13:2).

Alrededor nuestro muchos testifican haber sido bautizados con el Espíritu semanas después de su conversión. Por todo lo que vimos anteriormente, es mi firme convicción que las Escrituras testifican algo diferente: que los creyentes son bautizados con el Espíritu al creer. Sin embargo, la Biblia sí nos habla de procurar ser llenos del Espíritu (Efesios 5:18), y de no apagar el Espíritu (1 Tesalonicenses 5:19). Para aquellos que muestran una fe genuina, y que dicen que una experiencia espiritual posterior a su profesión de fe ha avivado su vida y los ha llevado a un mejor tiempo en la Palabra y en oración, creo que no sería sabio ni amoroso el descartar de plano tal experiencia como algo simplemente emocional o falso. Habría que observar cada caso, pero es posible que este pudiera ser un momento donde Dios, en su gracia, le haya llenado con el Espíritu, le haya visitado de una manera especial. Esto, también, es un don de Dios, que si bien Él ya habita en nosotros, a veces Él decide llenarnos y capacitarnos de una manera especial, para un tiempo especial. Y esto, el ser llenados genuinamente por el Espíritu, es algo que debemos anhelar.


[1] Gregg R. Allison, “Baptism with and Filling of the Holy Spirit,” Southern Baptist Journal of Theology, vol. 16, no. 4 (Winter 2012): p. 12.

​Jairo sirve como director editorial de Coalición por el Evangelio y está encargado de idear y supervisar el contenido del ministerio. Sirvió en la Iglesia Bautista Internacional en República Dominicana como líder de jóvenes y asistente pastoral hasta mudarse a Louisville, Kentucky, para realizar su Maestría en Divinidad en el Southern Baptist Theological Seminary. Está casado con Patricia.

sábado, 24 de maio de 2014

Conferência Fogo Estranho: A Crítica de Calvino aos Calvinistas Pentecostais | Steve Lawson

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Por: Steve Lawson

Fonte Original: Strange Fire Conference

Legendas: Rafael Abreu

Conferência Fogo Estranho: Depreciando o Pentecostes | R. C. Sproul

strange-fire-image_thumb[2]O título é uma referência ao entendimento debilitado do Pentecostes, registrado no livro de Atos. R. C. Sproul não esteve presente na conferência devido a problemas de saúde.

Por: R. C. Sproul

Fonte Original: Strange Fire Conference

Legendas: Rafael Abreu

Conferência Fogo Estranho: Provando os Espíritos | John MacArthur

strange-fire-imageNota: John MacArthur parece usar o termo "Carismático" para se referir aos Pentecostais e "Pentecostal" para se referir aos Neo-pentecostais. Essa é uma observação importante, devido ao teor da mensagem.

Por: John MacArthur

Fonte Original: Strange Fire Conference

Legendas: Rafael Abreu 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O que a Bíblia diz sobre: Dom de Línguas e Batismo do Espírito Santo | Pr. Wilson Porte Jr.

Por: Wilson Porte Jr. 

Fonte: Igreja Batista Liberdade

O que a Bíblia diz sobre o Batismo do Espírito Santo e o Dom de Línguas? Nesta pregação, Pr. Wilson analisa o texto bíblico e o compara com as "manifestações" extraordinárias de nossos dias.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Carta ao Apóstolo Juvenal | Augustus Nicodemus Lopes

[Não se preocupem, o apóstolo Juvenal não existe. Também nunca tive amigo que virou apóstolo. O apóstolo Juvenal é uma personagem fictícia, embora baseada em personagens da vida real.]

Meu caro Juvenal,

Espero que você se lembre de mim, o Augustus Nicodemus, seu colega de turma do seminário presbiteriano (talvez você se lembre pelo apelido "Brutus" que eu odiava...!). Faz uns 20 anos que não temos contato. Só recentemente consegui seu e-mail, com o Mário, nosso amigo comum.

Desculpe não lhe tratar como "apóstolo". Você sabe, desde os tempos do seminário, que minha opinião é que os apóstolos constituíram um grupo único e exclusivo na história da Igreja e que hoje não existem mais. Qual não foi a minha surpresa quando me deparei com seu programa de televisão e com você se apresentando como "apóstolo" Juvenal! Eu não sabia que você tinha deixado o pastorado em nossa denominação, montado uma comunidade e adquirido esse título de "apóstolo", o qual, como já disse, não consigo reconhecer como legítimo.

Você sabe que para nós, cristãos históricos reformados, os apóstolos de Jesus Cristo tiveram um papel crucial e extremamente relevante na fundação da Igreja cristã. É um cargo, um ofício, tão sério e fundamental, que ver pessoas usando esse título nos dias de hoje causa um grande desconforto, uma profunda perplexidade e tristeza inominável. Não consigo imaginar uma banalização maior do que essa. Não que você seja uma pessoa indigna, pífia, pérfida ou mesquinha -- não se trata disso. Eu sentiria a mesma coisa se o próprio Calvino resolvesse usar esse título para si.

Não sei o que se passou por sua cabeça para que você, que conhece a Bíblia e a história da Igreja, resolvesse virar um "apóstolo" e montar sua própria comunidade. Pelo seu programa de televisão, ficou patente para mim que você adotou os cacoetes, o linguajar e as idéias que são próprias dos outros "apóstolos" que já estão por ai há mais tempo que você. Valendo-me da nossa amizade dos tempos de seminário, resolvi escrever-lhe e tirar as dúvidas, perguntar diretamente a você, para não ficar imaginando coisas.

1) Quem foi que lhe conferiu esse status, Juvenal? Refiro-me ao título de "apóstolo". Nas igrejas históricas ninguém toma para si o cargo, a função e o título de diácono, presbítero, pastor. São títulos concedidos por essas igrejas a pessoas que elas reconhecem como vocacionadas e aptas para a função. Não sei quem lhe conferiu esse título de "apóstolo". Ouvi falar que existe um conselho de apóstolos no Brasil, ligado a outros conselhos similares no exterior, que é quem ordena e investe os apóstolos no Brasil. Mas, pergunto, quem ordenou, investiu e autorizou os membros desse conselho de apóstolos? Em algum momento, chegaremos ao ponto em que alguém se autonomeou apóstolo, já que esse título e ofício deixaram de existir na Igreja Cristã desde o século I. Os apóstolos de Cristo não deixaram sucessores que por sua vez fizessem outros sucessores, numa corrente ininterrupta até os dias de hoje. Só quem reivindica isso é o Papa e nós não aceitamos essa reivindicação -- aliás, esse foi um dos motivos da Reforma protestante ter acontecido. Por isso, considero a utilização do título "apóstolo" hoje como uma usurpação, uma apropriação indevida dentro da Igreja de uma função histórica que não mais existe.

2) Fala sério, Juvenal, você acha mesmo que é um apóstolo? Quando você usa esse título para si, você está se igualando aos Doze Apóstolos e a Paulo, ou simplesmente usa o termo no sentido de "enviado, missionário", que é o sentido básico da palavra no grego? Se for nesse último sentido, fico menos consternado. Há outras pessoas na Bíblia que são referidas como apóstolos, além dos Doze e Paulo, como Tiago, irmão do Senhor (Gálatas 1:19; mas veja 1Coríntios 9:5 onde Paulo distingue entre apóstolos e os irmãos do Senhor) e Barnabé (Atos 14.14). O sentido aqui é quase sempre de enviado de igrejas locais, missionário, para usar o termo mais popular. Todavia, esse uso é secundário e desconhecido pelas igrejas modernas. Quando se fala em "apóstolo", as pessoas imediatamente associam o termo a Pedro, Tiago, João, Paulo, etc. Usar o título "apóstolo" hoje é igualar-se a eles ou, no mínimo, causar confusão na mente das pessoas. Você acredita mesmo que é um apóstolo como Paulo, Pedro, João, Mateus, André, Felipe, etc.?

3) Se você acredita, então minha próxima pergunta é essa: você viu Jesus ressurreto? Ele lhe apareceu e lhe comissionou como apóstolo? Pois foi assim que ele fez com os Doze e com Paulo. Todos eles foram chamados diretamente por Jesus e o viram depois da ressurreição. Se você disser que Jesus lhe apareceu e lhe comissionou, pergunto ainda como fica a declaração de Paulo em 1Coríntios 15:8, "e, afinal, depois de todos, [Cristo] foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo"? Ele está defendendo que Jesus apareceu a várias pessoas, depois da ressurreição, e "afinal, depois de todos" apareceu a ele. Literalmente, no grego, Paulo está dizendo que "por último de todos" (eschaton de pantwn) Cristo apareceu a ele. Ou seja, Paulo entendia que a aparição do Cristo ressurreto a ele era a última de uma seqüência. É assim que os cristãos históricos sempre entenderam. Se a condição para ser apóstolo era ter visto Jesus ressurreto, conforme Pedro declarou (Atos 1:22; veja também 1Coríntios 9:1), então Paulo foi o último apóstolo. Desculpe, não creio que Cristo lhe apareceu no corpo da ressurreição. Se você disser que sim, prefiro acreditar em Paulo, de que ele foi o último.

4) Você acha, sinceramente, que usar esse título de alguma forma vai ajudar a Igreja? Em que sentido? Veja só, grandes líderes da Igreja, através de sua história, pessoas que deram contribuições duradouras na área de teologia, missões, social, nunca buscaram esse título. Nem mesmo aqueles grandes homens de Deus que viveram na época imediatamente após os apóstolos e que foram discípulos deles, como Papias e Policarpo. Outros, como Agostinho, Calvino, Lutero, Wesley, Spurgeon, e os grandes missionários como Carey, jamais arrogaram para si essa designação. Se alguém teria esse direito, depois dos apóstolos, seriam eles, e não pessoas como você e outros que se apropriaram desse título, e cuja contribuição para a Igreja cristã é mínima comparada com a contribuição deles.

5) Outra pergunta. Pelo que entendi, você é o fundador e presidente dessa igreja "Igreja Apostólica Global da Misericórdia de Deus". Como você concilia isso com o fato de que os apóstolos de Cristo não se tornaram donos, presidentes, chefes e proprietários das igrejas locais que eles fundaram? Eles eram apóstolos da Igreja de Cristo, da igreja universal, e não de igrejas locais. A autoridade deles era reconhecida por todos os cristãos de todos os lugares. Aonde eles chegavam eram recebidos como emissários de Cristo, com autoridade designada por ele. A prova disso é que os escritos deles, como os Evangelhos e as cartas, foram recebidos por todas as igrejas como Palavra de Deus e autoritativas em matéria de fé e prática, foram organizadas e colecionadas naquilo que hoje conhecemos como o cânon do Novo Testamento. Pergunto, então: quem reconhece sua autoridade como apóstolo? As igrejas cristãs do Brasil ou somente sua igreja local? Seus escritos, seus sermões -- eles são recebidos como Palavra infalível e autoritativa da parte de Deus em todas as igrejas cristãs ou somente na sua igreja local?

6) Juvenal, pelo que me recordo de você, você sempre foi uma pessoa com dificuldades de relacionamento com as autoridades. Lembra daquela suspensão que você pegou no seminário por desacato ao diretor e ao capelão? Para não mencionar as brigas constantes que você tinha em sala de aula com os professores, não por causa dos conteúdos, mas porque você insistia em questionar, às vezes até zombeteiramente, a autoridade deles em sala de aula. Lembrando-me desse traço da sua personalidade e do seu caráter, até que posso entender o motivo pelo qual você resolveu abandonar o sistema conciliar da nossa denominação e fundar uma outra, onde você é o chefe supremo. Imagino que você não presta contas a ninguém da sua conduta, do que ensina e de como usa os recursos financeiros que arrecada. Afinal de contas, acima dos apóstolos só Jesus Cristo, e pelo que sei, ele não emite nada-consta nessas áreas...

7) Uma última pergunta e depois vou lhe deixar em paz. Você faz os mesmos milagres que os apóstolos fizeram? Não me refiro a curas em massa de pessoas que não têm CPF nem endereço e que foram curadas de males internos como enxaqueca, espinhela caída, pressão alta, etc. Refiro-me à curas daquele tipo efetuadas pelos apóstolos de Cristo, de aleijados, surdos, cegos, paralíticos, cujas deformidades, endereço e identidade eram conhecidos das comunidades. Refiro-me às ressurreições de mortos, como a ressurreição de Dorcas feita por Pedro. Você faz esse tipo de sinais? Os apóstolos não fracassaram nunca quando diziam "em nome de Jesus, levanta-te e anda". O índice de sucesso deles era de 100%. E as curas eram instantâneas e completas. Quem era cego voltava a ver completamente, e não em parte. Aleijados voltavam a andar e a pular. Você faz isso, Juvenal? Você se incomodaria em me deixar participar de uma daquelas reuniões de cura que você anuncia em seu programa, para que eu entrevistasse as pessoas que dizem ter sido curadas? Não me leve a mal, mas é que tem muita charlatanice nesse meio, muita gente que é paga para dar testemunho falso de cura, muitos que pensam que foram curados quando no máximo foram sugestionados nesse sentido. Curas reais e autênticas serão assim comprovadas por laudo médico, exames, etc. Não é que eu não creia em milagres hoje. Eu creio, sim, que Deus cura hoje em resposta às orações. Inclusive, eu mesmo já fui curado em resposta às orações. O que eu não creio é que existam hoje pessoas com o dom apostólico de curar simplesmente pelo comando verbal, e de realizar curas imediatas e completas de aleijados, cegos, surdos, paralíticos, doentes mentais, cancerosos, aidéticos, etc. Esse dom fazia parte do equipamento apostólico e servia como "credenciais do apostolado", conforme Paulo declarou aos coríntios (2Coríntios 12:12). Se você não é capaz de fazer os sinais que os apóstolos faziam, não creio que tenha o direito de se chamar de apóstolo.

Bom, não sei se você vai me responder. Fique à vontade. Eu precisava lhe perguntar essas coisas, para não ficar imaginando no coração que você é um mercenário, uma daquelas pessoas que está disposta a tudo para ganhar poder, espaço e dinheiro, mesmo que seja às custas da credulidade do povo brasileiro e em nome de Deus.

Um abraço,

Augustus

terça-feira, 13 de março de 2012

Cinco Pecados que Ameaçam os Calvinistas: Parte 1 | Solano Portela- O Pecado do Orgulho Espiritual

Definindo Orgulho Espiritual
O primeiro pecado que procuraremos examinar é o pecado doorgulho espiritual. Poderíamos definir o orgulho espiritual como sendo umaatitude de desprezo aos outros irmãos. Seria abrigar a sensação de se acharpossuidor de uma visão superior. Seria o desenvolvimento de uma atitude derejeição do aprendizado, contrária à humildade que Deus requer dos seus servos.Seria achar que se é conhecedor de uma faceta de compreensão que os demaisirmãos ainda não alcançaram.

A Tendência de se Criar uma Hierarquia dos Salvos
A natureza humana pecadora carrega para o seio da comunidadecristã o orgulho espiritual sob diversas formas. Uma tendência sempre latentena Igreja através da história foi a de subdividir a dicotomia estabelecida pelaBíblia, na divisão das pessoas. Com relação ao posicionamento perante ocriador, todos estão subdivididos em salvos ou perdidos; crentes ou descrentes;os que receberam a fé por dom de Deus ou aqueles sem fé que se encontram nocaminho da perdição.

Ocorrências ao Longo da História da Igreja
O renitente orgulho espiritual tem gerado muitos movimentosdentro da Igreja que acrescentam uma terceira categoria de pessoas, no que dizrespeito ao status espiritual dos homens perante Deus: os sobrenaturalmenteagraciados com um fenômeno fora do comum, que difere e está além do atosoberano de Deus da salvação.

Se fizermos uma rápida viagem ao longo da história da igreja,veremos que estamos confrontando uma das mais sérias demonstrações da naturezahumana caída e que Satanás sutilmente traz, em ondas intermitentes, ao seio daigreja para perturbar o relacionamento dos fiéis.

Os Gnósticos e o Orgulho Espiritual na IgrejaNeotestamentária
Mesmo no início de sua história neotestamentária, a Igrejaexperimentou uma “cristianização” da heresia secular gnóstica, que afirmavacertos patamares de conhecimento serem misteriosamente propriedade de unspoucos. Esses protognósticos “cristãos” do primeiro século cresceram etornaram-se uma força destrutiva dentro das igrejas.

No segundo século da era cristã o movimento gnóstico jáhavia atingido “grandes proporções”.(4) Os gnósticos dividiam os crentes entreos que possuíam conhecimento espiritual apenas rudimentar e aqueles quepossuíam o verdadeiro conhecimento (gnosis), velado aos demais. Encontramospresente a tríplice divisão: (1) os descrentes, (2) os crentes rudimentares e(3) os crentes iluminados.

Os Alegoristas e o Orgulho Espiritual
No terceiro século os alegoristas dividiram os crentes entreaqueles que entendiam o sentido mais espiritual e profundo das passagens eaqueles que não conseguiam penetrar além do significado literal do texto.Orígenes, grande expoente da Escola de Alexandria, mas um dos proponentes doalegorismo, ensinava, na realidade, que a Palavra de Deus possuía trêssentidos: (1) o sentido comum, histórico—inteligível aos de mente simples; (2)o sentido espiritual—que se constituía na alma das Escrituras; e (3) o sentidoperfeito—que representava um sentido espiritual mais profundo, possível de serexpresso somente por meio de alegorias. Mais uma vez uma subdivisão estranha aoconceito bíblico do estado espiritual das pessoas, é introduzida no ensinamentodas igrejas, refletindo o desenvolvimento de orgulho espiritual.

Os Quakers e o Orgulho Espiritual
Na época dos puritanos tivemos o surgimento dos Quakers quedeclaravam-se possuidores de uma experiência fora do normal com o EspíritoSanto. Uma constante, em suas pregações, era a procura pela “inner light” – luzinterior, que declararia a perfeita vontade do Espírito a cada um na qualbrilhasse. Com sua diferenciação dos “crentes comuns” eles representaram umnovo surgimento da tão prejudicial divisão tríplice, evidência de orgulhoespiritual.

A idéia do Crente Carnal e o Orgulho Espiritual
Pulando para época mais recente, até dentro do campoevangélico conservador fundamentalista, mesmo quando este ainda não havia setornado quase todo pentecostal, foi gerada uma nova e superior categoria decrentes–o crente espiritual. Este seria aquele que deu o segundo passo deaceitação. Já havia aceito a Cristo como Salvador, mas, em um segundo passo eem uma segunda experiência, o aceita como Senhor. Essa aceitação do senhorio deCristo faz com que ele se dissocie do crente carnal. Crentes carnais seriamaqueles que permanecem em um estágio inferior e primitivo de espiritualidademantendo um comportamento virtualmente similar ao do descrente. Temos,novamente, o ensinamento da existência de três categorias de pessoas: osdescrentes, os crentes carnais e os crentes espirituais.

As Experiências Pentecostais e o Orgulho Espiritual
O pentecostalismo, abrigou e renovou esta tendência dentroda igreja, dando-lhe novos rótulos, mas postulando uma hierarquia dos salvosestranha à Palavra de Deus. Ele trouxe à cena evangélica o inusitado e oextraordinário como sendo não apenas parte da realidade existencial, históricae religiosa da Igreja, mas como objeto de anelo e desejo na vida individual de cadacrente. Os ensinamentos do pentecostalismo deixaram a expectativa de que semestas experiências algo estaria a faltar na vida do cristão. Era necessário seatingir um patamar superior, obter-se uma segunda bênção, elevar-se acima donível do crente comum. Gerou-se assim uma hierarquia de crentes: os batizadosvs. os não-batizados pelo Espírito Santo, ou, utilizando uma outraterminologia: os recebedores vs. os “ainda-carentes-de-uma-segunda-bênção”.

A questão da Cura Divina e o Orgulho Espiritual
A questão da cura divina, trazida pelo pentecostalismo,segue linhas paralelas semelhantes. Ela coloca os crentes em uma escalahierárquica, qualificando o seu cristianismo, fazendo uma divisão entre os quejá atingiram um patamar de fé que é suficiente a torná-los recebedores de curasmilagrosas vs. aqueles cuja fé é insuficiente ao recebimento destas bênçãos.Tais experiências estariam reservadas aos mais aquinhoados espiritualmente. Viade regra, formamos uma casta de orgulhosos espirituais que vivem a propagar asgraças “alcançadas”, em função da sua fé.

O Perigo do “gnosticismo reformado”
Com tantas recaídas, de segmentos diversos da igreja cristã,no mesmo problema, o meu ponto é que nós calvinistas precisamos nos guardarpara não seguirmos esta trilha tão repisada na história da igreja. Não podemosnos considerar imunes ao desenvolvimento de uma atitude de que “nós reformados”somos os iluminados, únicos entendedores das verdades divinas que se encontramveladas à grande parte dos crentes comuns, a não ser que recebam a explicaçãológica e incontestável de nossa parte. Muitos calvinistas têm se deixado levarpela síndrome da descoberta da pólvora, passando a demonstrar o mais evidenteorgulho espiritual, no relacionamento com os irmãos, prejudicando o testemunhoda fé reformada.

Um Exemplo de Como o Orgulho Pode Tomar Conta de Nós
Vou citar o que me disse um grande amigo meu, e não gostariaque entendesse que eu o estou acusando de orgulho espiritual. Faço a citaçãoapenas como exemplo de como devemos nos guardar, porque às vezesimperceptivelmente, estamos nos colocando, como calvinistas, numa castaespecial de iluminados, cujo resultado será o desenvolvimento desse tãoperigoso orgulho espiritual do qual devemos fugir. Após haver lidoextensivamente vários trabalhos sobre justificação e de ter ouvido umabrilhante exposição desta doutrina, dentro da perspectiva bíblica/reformada,ele me disse: “Estou impressionado e chegando à conclusão de que ninguém sabena realidade o que é a justificação…” Continuando, disse: “o nosso povo não tema mínima idéia do que significa ser justificado.”

Notem que essas palavras foram ditas não com orgulho, mascom humildade e profunda admiração pelo trabalho de Cristo, mas quero chamaratenção para o fato de que essa apreensão doutrinária, e até essa apreciaçãodas doutrinas da graça, traz em si a semente latente e destruidora que podegerminar, sem muito esforço, em orgulho espiritual. Minha resposta, na ocasião,foi: “Sabem, meu irmão, elas sabem sim. Se uma pessoa foi realmente resgatadapelo precioso sangue de Cristo ela sabe experimentalmente o que éjustificação”.

A Experiência da Graça de Deus
Não estou colocando experiência acima da revelaçãoescriturada, mas estou fazendo uma distinção entre saber o que é, e saber realizaruma exposição lógica, sistemática e detalhada de uma doutrina. Não podemosnunca cair no engano de que a ignorância espiritual é algo que será arraigadopela visão que temos da soberania de Deus. Não podemos nunca menosprezar asimplicidade dos crentes comuns, resgatados que foram por Cristo Jesus, peloDeus soberano que todos amamos, predestinados desde a fundação do século,separados para a glória do Deus todo poderoso. Eles sabem o que é justificação,mesmo que nunca tenham ouvido falar de Lutero e Calvino, mesmo que não consigamdizer os cinco pontos do calvinismo, mesmo que não consigam explicar o que éjustificação. O Deus poderoso que salva, o faz soberanamente, não dependendo daperspicácia, lógica ou inteligência do escolhido.

O Exemplo do Cego de Jericó
Temos que nos mirar no exemplo do cego curado por Jesus, emJoão 9. Ele não sabia muitas coisas. Havia discernido autoridade, nas palavrasde Jesus, por isso fez o que ele mandou e o classificou como “profeta” (v. 17).Não sabia, entretanto, a razão da sua cura. Não sabia a procedência ou odestino do soberano que o curara (Vs. 12 e 25). Além do lodo com o qual haviasido untado, não sabia, obviamente, explicar como fora curado (vs. 11 e 27).Uma coisa porém ele sabia e isso lhe era suficiente naquela ocasião: “uma cousasei, eu era cego e agora vejo”.

Razões Para Nossa Ampla Comunhão
Por que podemos ter comunhão genuína com aqueles que não sãocalvinistas? Porque se verdadeiramente salvos, somos irmãos, filhos do mesmoDeus soberano. Porque apesar das inconsistências verificadas nas suasformulações teológicas, por mais que digam que a salvação foi fruto do pretenso“livre arbítrio” do homem; por mais que, em seus discursos, venham a inferiruma subordinação das ações de Deus a este “livre arbítrio”, quando se põem dejoelhos e oram, oram a um Deus soberano que tudo pode, a um Deus que é tudo eoram a ele reconhecendo que nada são.

Incoerências Humanas
Temos que reconhecer que nós mesmos, como seres humanosfalíveis, nunca somos totalmente coerentes com nossas premissas. Querem umexemplo? Sabemos da importância do Dia do Senhor, do domingo. Temos a convicçãoque neste dia devemos nos reunir e adorarmos o nosso Deus. A maioria de nós,aqui, nunca pensaria esquecer o nosso culto dominical para nos envolvermos em,vamos dizer, uma partida de futebol. Entretanto muitos de nós torcemos bastantepor este ou aquele clube de futebol. Secretamente apoiamos tanto o divertimentoquanto o ganha-pão naquele dia, ou pelo menos fechamos os olhos e estabelecemosum duplo padrão de comportamento: um para nós e para os nossos filhos e outro,desculpável, para aqueles por quem nós torcemos. Chegamos até a inventar umacategoria de cristãos, “os atletas de Cristo”, que sacramentaliza, cristianizae justifica a atividade no domingo. Isto é: peça a nossa opinião e condenaremoso esporte dominical. Observe a nossa prática e condescendência e verificará umaaceitação tácita dos esportes praticados no Dia do Senhor. O que é isso?Incoerência humana, para sermos bem gentis, e Deus nos agüenta!

Por acaso achamos que poderemos encontrar total coerênciaentre o discurso e a prática nos demais cristãos? Digo isso apenas parareforçar que é bastante provável que venhamos a encontrar a fé genuínareformada em pessoas, mesmo quando o discurso externo estiver um poucoincoerente com a nossa fé reformada. Nunca devemos ser orgulhosos emenosprezadores daqueles que constituem a verdadeira igreja de Cristo, pelaqual ele deu o seu sangue. Conclamando calvinistas a ter um comportamentocordato e humilde, o Rev. Ian Hamilton, da Escócia, disse: “A graça de Deusdeveria adoçar nossas discordância. Existe um grande perigo de absolutizar anossa forma de fazer as coisas. Devemos nos apegar àqueles que se apegam aCristo”. (5)

O Amor que Aniquila o Orgulho
O apóstolo Pedro, escrevendo em sua primeira carta (1.22 e23) nos fala do amor cristão que aniquila o orgulho. Neste trecho lemos: Tendopurificado as vossas almas, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista oamor fraternal não fingido, amai-vos de coração uns aos outros, ardentemente,pois fostes regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível,mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente.

A base deste amor é a regeneração comum (v. 23) que todos oscristãos têm em Cristo Jesus. Ele é também o nossos exemplo, pois no verso 17lemos que ele julga “sem acepção de pessoas”, isto é, com equidade detratamento. O amor comissionado no versículo 22 possui três características:
· É questão de obediência (“obediência à verdade”),
· Tem que ser sincero (“não fingido”) e
· Tem que ser intenso (“ardentemente”)

Tendo sido regenerados pelo Deus vivo e pela Palavra viva,de nada podemos nos orgulhar, nem mesmo da nossa compreensão de Deus e de Suamajestade, pois só dele procede a iluminação para o entendimento das verdadesespirituais e ele deseja que sejamos caridosos e pacientes na instrução da SuaPalavra. Que Ele nos livre do pecado do orgulho espiritual.

(4) Kenneth Scott Latourette, A History of Christianity (N.York: Harper & Row, 1953, 1975) pp. 26, 114, 123, 124.

(5) Ian Hamilton, palestra: “O Propósito que Governa o CultoReformado”, no VI Simpósio do Projeto Os Puritanos, Águas de Lindóia, 6-13 dejunho de 1997.

Sequência: [Introdução][1ªParte][2ªParte][3ªParte][4ªParte][5ªParte]

Por: Solano Portela
Fonte: solanoportela.com

Este livreto foi publicado no site da 1a Igreja Presbiteriana do Recife contendo uma versão preliminar publicana na revista "Os Puritanos". A versão publicada aqui é a completa. Este texto completo foi publicado pela Editora PES e pode ser adquirido através do site da editora:
http://www.editorapes.com.br

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Um Cristão Precisa do Batismo do Espírito Santo Para Obter uma Vida Mais Cheia da Plenitude do Espírito Santo?

A QUESTÃO:

Um dos ensinos fundamentais da Teologia Pentecostal/Carismática é que o crente regenerado precisa de uma segunda obra da graça, a qual é comumente chamada de o batismo do Espírito Santo. Geralmente, esta experiência é supostamente evidenciada pelo falar em línguas. Para uma prova bíblica, esta visão aponta para os vários derramamentos do Espírito Santo como registrado no livro de Atos (2,8,11,9) e insiste que estas experiências devem ser normativas para a vida cristã. Isto levanta questões altamente significantes, tais como, o que é a obra batizadora do Espírito Santo, e, um cristão deve receber uma necessária segunda obra da graça, para viver na plenitude do Espírito Santo, como somos ordenados a viver (Efésios 5:18)? Este estudo tratará destas questões e sugerirá algumas respostas bíblicas.


O REGISTRO BÍBLICO

A expressão atual, “batizado com o Espírito Santo”, ocorre somente 7 vezes no Novo Testamento, embora haja outros versos que estão relacionados ao conceito. Para ser acurado (como alguém sempre dever ser ao interpretar a Bíblia), a expressão comum “Batismo DO Espírito Santo” nunca é usada na Bíblia. Ela fala do “batismo DE João” (Mateus 21:25, Marcos 11:30; Lucas 7:29; 20:4, Atos 1:22; 18:25) e descreve-o como “o batismo de arrependimento” (Marcos 1:4, Lucas 3:3; Atos 13:24; 19:4). Pelo contrário, a cláusula em discussão sempre usa o verbo “batizar” seguido pela frase preposicional “com o Espírito Santo”


A PREDIÇÃO DE JOÃO NO BATISMO DE JESUS:

Mateus 3:11 - Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.
Marcos 1:8 - Ele vos batizará com o Espírito Santo.
Lucas 3:16 - João respondeu, dizendo a todos: Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem aquele que é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de desatar a correia das alparcas; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.
João 1:33 - “Eu não o conhecia; mas o que me enviou a batizar com água, esse me disse: Aquele sobre quem vires descer o Espírito, e sobre ele permanecer, esse é o que batiza com o Espírito Santo”.

Observações:

João profetiza um evento futuro, apontando um tempo quando o Messias batizaria (tempo futuro) com o Espírito Santo.
Ele contrasta seu próprio batismo de água com o batismo com o Espírito do Messias, sendo esse o grande cumprimento e realidade espiritual do sinal externo.

A CLÁUSULA USADA EM CONEXÃO COM O DIA DE PENTECOSTE

Atos 1:5 - “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias”.

Observações:

O Senhor Jesus fez esta profecia precisamente antes de Sua ascensão aos céus.
Ele se refere ao evento que estava para acontecer, e o contexto obviamente encontra cumprimento no Dia de Pentecoste, quando Ele derramou o Seu Espírito Santo sobre os discípulos no Cenáculo (Atos 2). Isto se torna uma evidência primária de que Jesus verdadeiramente é o Messias (Atos 2:33).

REFERÊNCIA DE PEDRO AO DIA DE PENTECOSTE

Atos 11:16 - “ Lembrei-me então da palavra do Senhor, como disse: João, na verdade, batizou com água; mas vós sereis batizados com o Espírito Santo”.

Observações:

Este derramamento do Espírito Santo é relacionado ao Pentecoste (Atos 2) como um cumprimento contínuo do ministério do Senhor que ascendeu em batizar o Seu povo com o Espírito Santo. Isto mostra que o batismo com o Espírito é mais do que aquilo que aconteceu em Pentecoste, mas, contudo, ele liga todo crente ao grande evento na história da redenção.
A expressão está intimamente ligada com o batismo com água; de fato, ela é quase sempre usada no contexto de batismo de água (isto é, o batismo de Jesus bem como o batismo de Cornélio nesta passagem). Uma pessoa deve deduzir que o batismo de água é evidentemente uma evidência do batismo com o Espírito. Claramente, dos dois, o batismo com o Espírito é a realidade e a obra eficaz pela qual o Espírito Santo vem para habitar no crente.

A CLÁUSULA USADA EM 1 CORÍNTIOS 12:13 COM UMA DECLARAÇÃO DOUTRINAL DO FATO EXPERIMENTAL:

O verso mais importante para explicar o ser batizado com o Espírito Santo deve, certamente, ser 1 Coríntios 12:13, visto que ele é o único verso do Novo Testamento que realmente explica o conceito: “Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito”.


Observações:

Paulo descreve claramente uma experiência universal verdadeira de todos os cristãos: “fomos todos nós batizados em um só corpo...e a todos nós foi dado beber de um só Espírito”. Isto é comum para alguém que está no corpo de Cristo.
Esta experiência obviamente não divide cristãos entre aqueles que têm o batismo com o Espírito Santo e aqueles que não o têm, mas antes, ela unifica o corpo inteiro de Cristo num mesmo status espiritual como todos aqueles que compartilham do batismo com o Espírito Santo em comum.

Paulo fala de uma experiência passada produzida pelo Espírito Santo: ele não escreve, “Vocês precisam ser batizados com o Espírito Santo”, mas antes, ele declara, “Vocês foram batizados” (o grego aoristo passivo indica uma experiência num tempo passado). Note esta mudança para o tempo futuro usado nos Evangelhos e em Atos, pois o cumprimento aconteceu no Dia de Pentecoste e foi repetido na regeneração de indivíduos.

OUTROS DIVERSOS VERSOS QUE MENCIONAM O ASPECTO ESPIRITUAL DO BATISMO:

Romanos 6:3 - Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?
Romanos 6:4 - Fomos, pois, sepultados com Ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.
Gálatas 3:27 - Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo.
Colossenses 2:11,12 - No qual [Cristo] também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados com Ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados com Ele pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos;

Observações:

Embora estes versos sejam freqüentemente citados para explicar o batismo de água, sua referência primária é ao batismo experimental em Cristo. Embora a obra do Espírito Santo não seja mencionada especificamente como o agente eficaz do batismo, é razoável assumir que este seja o caso, visto que é o Espírito Santo quem nos une ao Senhor Ressurrecto na obra da regeneração. Em todo caso, Paulo descreve não uma segunda experiência, mas a obra inicial pela qual somos batizados em Cristo. Esta experiência se torna a raiz de todas as mudanças reais efetuadas pelo Espírito Santo, capacitando os crentes a andaram em novidade de vida.

REFERÊNCIAS ADICIONAIS AO BATISMO:

Hebreus 6:2 chama a “doutrina de batismos” um dos princípios elementares de Cristo, mas não especifica quais batismos são estes. Ele espera que o leitor já saiba.

Este estudo tem mostrado que há diversos batismos mencionados no Novo Testamento. Além do batismo de arrependimento de João, do batismo com água, do batismo com o Espírito, do batismo em Cristo (Romanos 6:3) e do batismo em Sua morte (Romanos 6:4), o Novo Testamento também menciona o batismo pelos mortos (seja lá o que for! 1 Coríntios 15:29), e o ser batizado em Moisés (1 Coríntios 10:2).

Todavia, a fórmula credal em Efésios 4:5 menciona somente “um batismo”. A qual destes batismos ela se refere? Qual destes vários batismos é essencial para a salvação?

É o batismo de água, como os que crêem no batismo regeracional insistem? Se sim, por que Paulo subestima a cerimônia do batismo quando ele diz em 1 Coríntios 1:17, “Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho; não em sabedoria de palavras, para não se tornar vã a cruz de Cristo”. Embora Pedro nos diga que “o batismo nos salva”, ele adiciona que ele não é a mera remoção da imundícia da carne, mas “a resposta de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo” (1 Pedro 3:21).

É o “um batismo” a segunda obra da graça, ou seja, o batismo do Espírito Santo, como os Pentecostais insistem? Se ele é a cura total para o pecado e a chave para a plenitude do Espírito, porque tal doutrina crucial é discutida somente uma vez nas epístolas (1 Coríntios 12:13)? Por que o Novo Testamento não promove o batismo do Espírito como a resposta para todo problema encontrado na igreja primitiva? O silêncio é atordoador!

Claramente, o “um batismo” que nos une a Cristo é ser batizado com o Espírito Santo, pelo qual um pecador morto é feito vivo quando seu espírito é unido com a Vida do Senhor Ressurrecto, pela regeneração e renovação do Espírito Santo (Tito 3:5). Este é o verdadeiro batismo com o Espírito que é absolutamente essencial para a salvação: ele é a resposta à obrigação imposta por Jesus, “Vocês devem nascer de novo” - concebida espiritualmente pelo Espírito (João 3:3,5,7). Embora o Espírito se mova soberanamente como o vento (João 3:8) e não possa ser manipulado pelo homem pecador, Jesus nos encoraja, em Lucas 11:13, “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o vosso Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”.


IMPLICAÇÕES DA DOUTRINA DA SEGUNDA OBRA:

Se é um segundo batismo do Espírito Santo que traz a verdadeira plenitude, isto não implica que a regeneração sofre de uma inadequação que precisa ser suplementada por uma segunda obra da graça? Como pode isto ser, quando na regeneração o cristão recebe a Pessoa do Espírito Santo (1 Coríntios 2:12), é batizada em Cristo (Romanos 6:3-4) , é feita completa nEle (Colossenses 2:10) e lhe é dado tudo o que diz respeito à vida e à piedade (2 Pedro 1:3-4)? A necessidade, pelo que parece, não é receber algo mais que a pessoa não possua, mas reivindicar o que já lhe foi dado!

Além disso, se o batismo de água é uma figura visual do derramamento do Espírito Santo (uma óbvia conexão freqüentemente não vista por muitos), então a necessidade de uma segunda ora da graça denigre o batismo de água como o sinal do batismo do Espírito. Um cristão que entende que o batismo de água celebra a obra transformadora de regeneração pelo Espírito Santo, não verá qualquer necessidade de uma segunda obra da graça após a regeneração, visto que a vinda do Espírito Santo nos une com o Senhor Ressurecto e nos faz completos nEle, de forma que não temos falta de nenhum dom (1 Coríntios 1:7).


CONCLUSÕES:

A questão principal é se o batismo do Espírito Santo é uma segunda obra da graça necessária para o viver cristão bem sucedido, se ele é acompanhado pelo dom de línguas ou pela santificação completa (como a teologia Wesleyana ensina), e se ele é a chave para uma vida espiritual profunda (como implicado pelo Movimento da Vida Superior).

Certamente o Novo Testamento ensina que é essencial para alguém o ser batizado com o Espírito Santo, mas a Bíblia mostra que a obra do Ungido em batizar com o Espírito Santo é, de fato, uma obra inicial da graça, não uma segunda obra da graça. Todo regenerado pelo Espírito Santo foi batizado pelo Espírito Santo como uma experiência de fato, segundo 1 Coríntios 12:13.

Além disso, uma leitura do Novo Testamento não revelará que ele ensina uma segunda obra da graça após a regeneração, muito menos uma evidenciada pelo falar em línguas, visto que 1 Coríntios 12:13 declara claramente que nem todos falam em línguas. Pelo contrário, ele revela a necessidade de santificação progressiva pelo enchimento e pelo guiar do Espírito Santo.

Mas, o que dizer do mandamento de Jesus para “esperar pela promessa do Pai” (Atos 1:4)? Fazer com que isto seja normativo hoje é confundir o que é único na experiência da igreja primitiva e o que é regular para a igreja em existência. Fazer vistas grossas para esta distinção cria um perigo muito real de interpretar a Escritura à luz de uma experiência, e não a experiência à luz da Escritura.
Qualquer experiência espiritual que não concorde com a Bíblia é emocionalmente induzida ou, ainda pior, produzida pelo demônio. Seja qual for, ela prova ser uma experiência falsa que leva alguém para longe de Cristo, e não para perto dEle.

A solução, então, não é encontrada na busca de uma segunda obra da graça necessária após a regeneração, mas antes no uso de todos os dons e graças concedidos na regeneração. Em Cristo, o cristão é completo, tudo que diz respeito à vida e à piedade é lhe dado: o que ele necessita é conhecer mais dEle através do guiar e do enchimento diário do Espírito Santo, de forma que possamos andar no fruto do Espírito Santo (Gálatas 5:22-23). Este é verdadeiramente o caminho para a vitória e a plenitude!


Por: Stephen O. Stout, D. Min., Th. M., D. Min.
Stephen O. Stout é Pastor da Igreja Presbiteriana Prosperidade em Charlotte, Carolina do Norte.
Fonte: Monergismo.com
Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 03 de Maio de 2005.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

P-Probemas e P-Pespectivas de um P-Protestantismo P-Pau-Brasil

É preciso pensar o protestantismo pau-brasil! Protestantismo do país pentacampeão, pentasecular, pós-pentecostal, perigosamente problemático, praticamente pós-moderno! Parapensar, em prolegômenos, o protestantismo principiante do principal país português, precisamos proferir palavras propriamente planejadas, previamente preparadas, pesquisando os períodos do protestantismo pau-brasil: partindo-se do pioneiro e principiante, e prosseguindo até o presente e pós-moderno. Possivelmente poderemos prosseguir pincelando o painel polimorfo protestante! Podemos prosseguir? Perfeitamente!

O primeiro protestantismo é o principiante, o primogênito. Primaveril! Parece-me plácido, progressista, platônico e promissor. Produziu profusamente pastores, presbíteros, pregadores e professores. Padeceu perigosamente pelo poder dos padres, pois era protestantismo de persuasão! Porém, prosseguiu, proclamando a Palavra. Para os pesquisadores, pendia para a perspectiva pró-saxônica. Por isso, pasmem! Perdeu a possibilidade de preconizar uma perspectiva protestante pau-brasil. Praticou a perigosa polarização, protelando um protestantismo palpavelmente pentacampeão, um protestantismo perfeitamente pau-brasil. Podemos permanecer perplexos!

Pouco passou para o protestantismo preguiçoso projetar-se. Perfeito protetor do passado, o protestantismo preguiçoso priorizou a preservação do pretérito! Progressista e paleozóico, pôs em prisão a profecia! Pôs-se a prosseguir paulatinamente pelo pavimento pachorrento da postergação. “Podemos praticar posteriormente”, pensavam. Para que pressa? Pianissimamente, premiou os prelúdios e os poslúdios. Preconizou as prerrogativas de uma prepotência possivelmente putrefata! Pouco pôde prevalecer, pois permitiu a pluralização parcimoniosa do protestantismo principiante! Era pouco popular, porém pertencia ao “pequeno povo”. Ponderado, premeditado, predeterminado, parou! Praticamente parou! Parou por que? Petrificou! Petrificou para propalar o paternalismo, preservando o personalismo profundamente presente no povo paubrasil. Pareceu-me parcialmente paranóico, permeado pelo pavor: pavor de prosseguir, pavor de permutar, pavor de prejudicar o passado! Puxa!

O protestantismo posterior é o protestantismo pró-pentecostes! Pôs os preteristas em polvorosa! Passou a possuir o perfil de protestantismo propagador! Pareceu prejudicar os plácidos e praticar a preteritoclastia! Passou a pender para uma perspectiva possivelmente paubrasil. Porém, perseguiu o prazer e profetizou a proibição! Prosseguiu proclamando um protestantismo de Parusia. Passou a pregar pomposamente! Porém, passou a possuir a preferência dos pobres. Pôde pregar e profetizar propriamente para os pobres, os paupérrimos, os piores pervertidos e os pretos preteridos pelos poderosos perversos. Precipitadamente, preferiu o profeta e preteriu perigosamente o professor! Possivelmente por isso, passou a pulverizar.

Pulverizou em partículas pequeninas, precipitando-se num perfil pavorosamente perturbador! Pôs-se a projetar pontífices próprios. Passou a prognosticar, promover prodígios, perseguir principados e potestades. Proporcionou e potencializou plenamente o perfil polimorfo do protestantismo presente. Paralelamente, projetou-se o protestantismo possivelmente pró-proletariado. Propulsionado por perspectivas políticas, pendeu para um posicionamento predominante em parte do planeta que preconizava a polarização “proletariado-poderosos”. Posicionamente que pulula! Pareceu-me prioritariamente político. Passou a preterir o púlpito, e permutou-o pelo palanque. O pastor-pregador preferiu passar-se por político-prometedor. Perderam-se os papéis! Passaram a praticar a parcialidade, pixando os pecados perversos dos povos poderosos, pisoteando os principais da pirâmide do poder. Porém, politicamente predeterminados, passaram a prender a Palavra para poupar os perversos que possivelmente protegiam o proletariado e praticavam os próprios pecados dos poderosos. Pode? Perdidos, passaram a piscar passionalmente para o pensamento pós-cristão, para os profetas das psicologias prevenidas para com a Palavra e para uma pulverização pós-moderna e perdida do próprio pensamento. Perderama perspectiva! Preteriram o porto da partida. Procuram o porto promissor, possivelmente perdidos em perspectivas e prazeres passageiros. Papelão! Que Papelão!

Prometendo progredir, pretendo pensar no perfil do protestantismo posterior, o protestantismo pós-pentecostal. Plenamente pós-moderno, é prenhe de problemas perigosíssimos. É perfeitamente paliativo. Passou a proporcionar aos pobres a perspectiva dos poderosos: a prata pode preencher e é prioridade. É o protestantismo do poder, da prosperidade e da psicose. O pastor-profeta passou a possuir o perfil papagueador-promotor. Passa-se por psicólogo, e péssimo psicólogo! Pulverizados na perscrutação da Palavra, porém perversamente projetados pela pragmática da prata, preferem preterir e pisar as palavras dos principais pensadores do próprio protestantismo. Os pós-pentecostais prescrevem práticas parvas e pueris! Proclamam perspectivas perdidas, pisoteando a precisão do pensar! Preconizam pensamentos paliativos! Parecem predeterminados a promover o perecimento pleno dos próprios pobres. Para os pesquisadores, é pretenso protestantismo! Prostituiu-se! Perdeu-se em promiscuidade! Pobre protestantismo! Pobre protestantismo! É preciso praticar o pranto!

Paremos com o pessimismo, pois o protestantismo é promissor, pujante e prevalecente. Precisamos pensar e praticar passionalmente o protestantismo parelhado com a Palavra. Para podermos prevalecer, precisamos ponderar e prosseguir. A primeira ponderação é a prioridade da Palavra. Pressuposto primordial! Precisamos pesquisar, perquirir e pescrutar a Palavra. Propulsionados pelo perscrutar persistente da Palavra do Pai poderemos perfeitamente prosseguir. Os preceitos da Palavra perfazem o próximo passo. Precisamos praticar os preceitos do Príncipe da Paz. Palavra e Prática prosseguem em par! Por fim, penso que precisamos priorizar a prece. Perscrutar e praticar a palavra prepara o profeta, o pregador, o pastor a proferir palavras para o Pai Perene. Praticar a prece profetiza o prevalecer perpétuo pelo poder do Pai. Palavra, Preceito e Prece. Perfil perpétuo para o povo do Pai Perene e do Príncipe da Paz.

Para sempre permanece a Palavra … (Psalmus 119.89)

Por: Luiz Sayão
Pastor, Professor e Preletor