sexta-feira, 16 de março de 2012

Cinco Pecados que Ameaçam os Calvinistas: Parte 4 - O Pecado da Falta de Ação

Uma Grave Distorção
Esse pecado tem muita relação com o pecado anteriormentemencionado e representa uma grave distorção da doutrina da soberania de Deus.Muitas vezes seguimos adquirindo conhecimento e profundidade na nossa fé, masficamos inativos e não temos colocado a nossa fé em prática – não temos a açãoque deveríamos ter. Entendemos e nos convencemos das verdades que dizemrespeito à soberania de Deus, mas indolentemente ficamos aguardando ocumprimento dos Seus decretos.

Falta de Compreensão da Responsabilidade Humana.
Esse pecado é aquele que leva calvinistas a cruzarem osbraços, quando deveriam estar agindo, achando que Deus vai atuar de qualquerforma. É aquele pecado que faz com que a gloriosa doutrina da predestinação, emvez de ser alvo de admiração e humildade, seja utilizada como uma desculpa. É opecado que evidencia a falta de compreensão do que é o ensinamento bíblicosobre a responsabilidade humana. Temos que nos mirar no exemplo de Paulo. Elefoi o magistral expositor das doutrinas da graça, escolhido para isso peloEspírito Santo de Deus. Mesmo assim, ou melhor, precisamente pela sua completacompreensão da soberania divina e da responsabilidade humana, vemos Paulotrabalhando, lutando, sofrendo, escrevendo cartas, chegando a perder o sono,com o propósito de executar o serviço de Deus.

A “História” de um Casal Puritano
Lembro-me de uma ilustração que ouvi sobre um casal, daépoca dos puritanos. Por mais duvidoso que seja o relato, ele estimula o nossopensamento sobre a atitude de pessoas com relação à questão da responsabilidadehumana. Conta-se que um puritano, na Nova Inglaterra, habitava com sua famíliaem uma cabana no meio da floresta, distante de tudo e de todos, cuidando apenasdos campos plantados, em clareiras abertas no meio da floresta. Certo dia teveque sair de sua cabana para ir ao vilarejo, atravessando aquela florestainfestada de ursos ferozes, que atacavam animais e pessoas. O puritano colocoua sua melhor roupa preta e começou a se preparar para a jornada. Ao chegarperto da porta de saída, ele estendeu a mão e pegou sua espingarda, verificandose estava carregada. Nesse momento sua esposa exclamou!
– Não entendo essa sua preocupação com a espingarda, porquese você estiver predestinado a ser devorado por um urso, será devorado por ele;mas se estiver predestinado a chegar ao vilarejo em segurança, assim chegará!Deixe essa arma aí!
O puritano voltou-se à esposa, e com toda longanimidade quelhe era habitual, respondeu:
– Ó mulher! E se eu encontrar um urso que estejapredestinado a levar um tiro da minha espingarda e eu estiver sem ela, como éque eu vou fazer?

Podemos rir com a história, mas muitas vezes estamos, emnossas vidas, retratando aquela atitude da mulher daquele puritano. Comfreqüência, passamos a descansar indevidamente na soberania de Deus, quando Eleestá colocando as coisas na nossa frente, requerendo, de nós, alguma ação.

Temos que nos conscientizar que vivemos sob a égide davontade decretiva de Deus, mas no conhecimento e sob a diretriz clara de suavontade prescritiva. Nela, conforme expressa nas Escrituras, temos tudo o queprecisamos saber para agirmos responsavelmente, da forma como Ele quer quevenhamos a agir.

Um exemplo prático de Paulo
Talvez a maior confirmação prática, de como Paulo conjugavaesses dois lados da moeda, da soberania divina e da responsabilidade humana, éencontrado em Atos 27, no relato do naufrágio que sofreu, a caminho de Roma.Principalmente os versículos 22 a 44.

Uma das dramáticas declarações de Paulo, no meio datempestade que precedeu o naufrágio, é que nenhuma vida iria se perder! Eleafirma esse prognóstico com tanta segurança porque o anjo de Deus lhe disseraisso. Paulo era possuidor, nesse evento, de um conhecimento específico, porrevelação. No auge da época apostólica ele recebe esta revelação, que todosaqueles no navio seriam preservados. Ninguém iria se perder, pois Deus tinhaoutros propósitos. Assim, com uma determinação tão clara, Paulo transmite comtoda segurança a informação recebida – apesar de todos estarem temerosos, asvidas seriam poupadas, no meio da feroz tempestade. Notemos, entretanto, quePaulo não fica de braços cruzados, dormindo, esperando a milagrosa preservaçãode todos. Pelo contrário – encontramos Paulo ativo, dialogando e persuadindo aocenturião que era necessário que aqueles que procuravam safar-se do barco,voltassem ao navio. Paulo manda que se alimentem, para ficarem fortes, apesarde saber que Deus iria salvar a todos, mesmo em jejum. Ele estava ali cumprindoas suas responsabilidades, aquelas que foram colocadas por Deus perante ele.Paulo andava passo a passo, sob a vontade prescritiva do Senhor. Depois quetodas as 270 pessoas que se encontravam a bordo se alimentaram, passaram afazer o que estava à frente para ser feito: aliviaram o navio, lançando a cargaao mar. Diz-nos o verso 44 que “foi assim que todos se salvaram em terra”.

A plena consciência e convicção da soberania de Deus, navida de Paulo, nunca o levou a ser vítima do pecado da falta de ação. Que estepecado nunca esteja presente em nossas vidas, mas que, como Paulo, estejamosandando passo a passo debaixo da vontade prescritiva de Deus, revelada nasSagradas Escrituras. Que possamos, como calvinistas, ser confiantes nasoberania de Deus, mas também que estejamos engajados nas Suas verdades, na Suaobra e na Sua palavra.

Sequência: [Introdução][1ªParte][2ªParte][3ªParte][4ªParte][5ªParte]

Por: Solano Portela
Fonte: solanoportela.com

Este livreto foi publicado no site da 1a Igreja Presbiteriana do Recife contendo uma versão preliminar publicana na revista "Os Puritanos". A versão publicada aqui é a completa. Este texto completo foi publicado pela Editora PES e pode ser adquirido através do site da editora:
http://www.editorapes.com.br