segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A Fé Nega a Razão? | Keith Mathison

Diz-se que quem define os termos, vence o debate. Os céticos sabem disso e tiram vantagem.entre-a-fc3a9-a-razc3a3o Observe uma das famosas definições de “fé” fornecidas por incrédulos. Mark Twain, por exemplo, brincou: “fé é crer no que você sabe que não é verdade”. Mais próximo aos nossos dias, o escritor ateu Sam Harris definiu fé como “a desculpa que pessoas religiosas dão a si mesmas para continuarem acreditando quando as razões falham”. Richard Dawkins, talvez o mais famoso ateu da nossa geração, afirma: “fé é o grande escape, a grande desculpa para fugir da necessidade de pensar e avaliar a evidência. Fé é a crença a despeito, ou até talvez por causa, da falta de evidência”.

A única coisa que todas essas definições têm em comum é a, explícita ou implícita, ideia de que a fé está em conflito com a razão. Infelizmente, alguns cristãos na história da igreja disseram coisas que deram suporte a essa visão de relação entre fé e razão. Martinho Lutero, por exemplo, fez declarações negativas muito pesadas sobre a razão, muitas das quais são citadas por céticos em suas tentativas de provar que o cristianismo é inerentemente irracional. Lutero chamou a razão de “a maior meretriz do Diabo”. Ele disse em diversos contextos diferentes que a razão deveria ser destruída. O contexto é crucial, porque nessas situações Lutero estava falando sobre a arbitrariedade da razão humana sozinha de discernir coisas divinas. Ainda assim, sua tendência à hipérbole passou a bola para os céticos.

A vasta maioria dos cristãos ao longo da história, todavia, não rejeitaram o correto uso da razão. Isso se sustenta pela tentativa deles de serem fiéis ao ensino da Escritura, que por si só fornece razões para crer. João escreveu seu evangelho inteiro para fornecer razões para crer que Jesus é o Cristo (João 20.30-31). João, Pedro e Paulo apelam à evidência para as afirmações que eles fazem (1 Co 15.5–6; 2 Pe 1.16; 1 Jo 1.1–4). Todos os seres humanos creem em certas coisas baseados no testemunho de outros. Os cristãos creem no que creem baseados no testemunho dos apóstolos. Tal fé é um dom, mas não é divorciada da razão.

Se vamos entender melhor o relacionamento entre fé e razão, devemos ter um entendimento mais claro sobre essas duas palavras. A palavra é usada de diversas maneiras diferentes pelos pensadores cristãos. Ela pode se referir às crenças que os cristãos têm em comum (a “fé cristã”). A palavra também pode se referir à nossa resposta a Deus e às promessas do evangelho. Isso é o que as Confissões Reformadas querem dizer quando falam de “fé salvífica” (por exemplo, CFW 14). Essa fé envolve conhecimento, concordância e confiança. Por último, muitos filósofos e teólogos falaram da fé como uma fonte de conhecimento. Como Caleb Miller explica: “As verdades da fé são aquelas que podem ser conhecidas ou justificadamente cridas por causa da revelação divina, e são justificadas por terem sido reveladas por Deus”.

A palavra razão também tem sido usada de maneiras diferentes. Ela pode se referir às nossas faculdades cognitivas humanas. A relação entre fé e razão nesse sentido envolve perguntar se as crenças cristãs são razoáveis. Em outras palavras, nós usamos apropriadamente as nossas faculdades cognitivas ao avaliar essas crenças? Nós também podemos usar razão para se referir a uma fonte de conhecimento. Em contraste com as “verdades da fé” conhecidas por revelação divina, as “verdades da razão”, nesse sentido, são verdades conhecidas através de faculdades naturais como percepção sensorial e memória. Um conflito entre conhecimento derivado de faculdades humanas naturais e conhecimento derivado da revelação divina só ocorre se uma aparente contradição surge. Finalmente, no sentido mais limitado, razão pode ser usada para se referir ao raciocínio lógico. Cristãos nunca devem argumentar que há um conflito aqui, porque essa faculdade é parte de quem somos como seres humanos criados à imagem de Deus.

A maior parte da discussão contemporânea sobre o suposto conflito entre fé e razão surgiu no contexto de discussões a respeito de ciência e religião. Limitações espaciais impedem uma discussão completa sobre essa questão, mas alguns pontos gerais devem ser avaliados para nos ajudar a entender como pensar sobre quaisquer supostos conflitos que venham surgir. Em primeiro lugar, devemos reconhecer com Agostinho, João Calvino e muitos outros que toda verdade é verdade de Deus. O que é verdade, é verdade porque Deus revelou, criou ou decretou.

ELE REVELOU: Tudo o que Deus revela, quer seja através da revelação geral na sua criação, ou através da revelação especial na Escritura, é necessariamente verdade. É impossível que Deus minta.

ELE CRIOU: Quando aprendemos algo a respeito da criação que corresponde com o que Deus criou de fato, nós aprendemos algo verdadeiro. Deus é a fonte dessas verdades em virtude do fato de ele ser o Criador.

ELE DECRETOU: Deus é aquele que decretou tudo o que vem a acontecer. Quando aprendemos algo sobre a história que está de acordo com o que de fato aconteceu, nós aprendemos algo de verdadeiro na medida em que o nosso conhecimento corresponde ao que realmente aconteceu, e o que de fato aconteceu, só aconteceu, em última análise, porque Deus decretou que acontecesse.

Um segundo ponto principal que deve ser analisado é o seguinte: se toda a verdade tem a sua fonte em Deus e toda a verdade é unificada, então uma coisa que sabemos por certo é que se há uma contradição entre uma interpretação da Escritura e uma interpretação do que Deus criou, então uma ou ambas as intepretações estão incorretas. Não podem ser ambas corretas. Cristãos devem reconhecer que o conflito pode ser devido a uma interpretação errada da criação, a uma interpretação errada da Escritura ou a uma interpretação errada de ambas. Isso significa que temos que fazer um meticuloso e cuidadoso exame tanto da teoria científica quanto da exegese bíblica para descobrir a fonte do conflito. Devemos nos certificar de que estamos lidando com o ensino verdadeiro da Escritura, em vez de uma interpretação equivocada da Escritura. E devemos examinar a evidência da teoria científica em questão para descobrir se estamos lidando com algo que é verdadeiro sobre a criação de Deus ou algo que é meramente especulação. Todo esse trabalho árduo leva tempo, e isso significa que não devemos saltar a conclusões precipitadas.

Deus nos criou à sua imagem como criaturas racionais. Nossas faculdades cognitivas foram distorcidas pela queda, mas não foram destruídas, e até mesmo incrédulos podem usar essas faculdades para descobrir verdades a respeito das coisas terrenas — ao contrário das coisas celestiais, sobre as quais eles são completamente cegos (Calvino, Institutas da Religião Cristã, 2.2.12-21). Nós não compreendemos Deus plenamente, mas isso é porque somos finitos e Deus é infinito. Fé e razão, entendidas corretamente, não podem estar e não estão em nenhum conflito real.

Tradução: Alan Cristie

Fonte: Ministério Fiel

Viver Cristo, Morrer Lucro | Joel Beeke (1/3)

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Pastor Joel Beeke: {1º Palestra}{2º Palestra}{3º Palestra}

XXIII Simpósio Reformado Os Puritanos 2014

Fonte: Os Puritanos

John Owen e a Comunhão com Deus | Joel Beeke (2/3)

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Pastor Joel Beeke: {1º Palestra}{2º Palestra}{3º Palestra}

XXIII Simpósio Reformado Os Puritanos 2014

Fonte: Os Puritanos

Os Puritanos e a Providência de Deus | Joel Beeke (3/3)

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Pastor Joel Beeke: {1º Palestra}{2º Palestra}{3º Palestra}

XXIII Simpósio Reformado Os Puritanos 2014

Fonte: Os Puritanos

Calvino, os Puritanos e o Trabalho | Elienai B. Batista (1 e 2)

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Pastor Elienai Bispo Batista

XXIII Simpósio Reformado Os Puritanos 2014

Fonte: Os Puritanos

domingo, 3 de agosto de 2014

A arca da “Ganância” | Rev. Leandro Lima

arcaApós a conclusão do Templo de Salomão (que deveria ser chamado Templo de Mamon), surge mais um objeto espantoso: uma réplica revestida de ouro da Arca da Aliança. O objeto era o mais sagrado do antigo templo de Israel, representava a presença de Deus na Velha Aliança. Com a primeira destruição do templo no século 6 a.C., a arca se perdeu, talvez tenha sido levada para Babilônia e derretida. Só o Indiana Jones no cinema conseguiu encontrá-la.

No meu post anterior sobre o templo que teve milhares de compartilhamentos (muito mais do que eu esperava) também recebi algumas críticas. As principais foram: inveja e escândalo para os incrédulos. O velho argumento do “pare de criticar e vá trabalhar” também foi evocado. Sobre “inveja" não vou perder tempo respondendo.

Sobre “escândalo”, creio que a acusação está invertida. Não sou eu quem está escandalizando os incrédulos. Segundo a Escritura, os desvios do verdadeiro Evangelho é que são “escândalos”. Além do mais, o mundo precisa saber que há muitos cristãos que não concordam com essas loucuras e megalomanias do Macedo e similares. Sobre “pare de criticar e vá trabalhar”, penso que uma coisa não elimina a outra. Devemos trabalhar, pregar o Evangelho, mas, ao mesmo tempo, temos a responsabilidade bíblica de apontar os desvios que deturpam e envergonham o verdadeiro Evangelho (Gal 1.6-9, Col 3.8, 16-19, 1Tm 4.1-2, 2Tm 4.-5, 2Ped 2.1-3).

Fica cada vez mais explícita a intenção mercadológica de todos esses empreendimentos. Num video que circula na internet, o Macedo chamou os empresários que haviam dado dinheiro para a obra à frente e lhes disse: “agora, Deus fica na obrigação de abençoar você, é uma troca”. (https://www.youtube.com/watch?v=U7_pWt1Z_QU).

Se chamei o templo do Macedo de “aberração”, preciso chamar essa arca de “abominação” (Is 44.19). Sim, pois trata-se de um objeto da mais pura e terrível idolatria. As pessoas simples, sem discernimento, olharão para esse objeto pensando que encontrarão ali o seu milagre. Mais uma vez, o grande problema é justamente abandonar o verdadeiro Cristo por objetos feitos por mãos. Deixar de lado a pura e límpida mensagem da Cruz, poderosa para salvar todos os arrependidos, por uma mensagem poluída, gananciosa, que torna os seguidores nada mais do que avarentos em busca de bens materiais.

E nesse caso, há um curioso fator adicional: Em Jeremias 3.16, a Escritura diz: "Sucederá que, quando vos multiplicardes e vos tornardes fecundos na terra, então, diz o SENHOR, nunca mais se exclamará: A arca da Aliança do SENHOR! Ela não lhes virá à mente, não se lembrarão dela nem dela sentirão falta; e não se fará outra”. O Edir Macedo fez.

Por: Rev. Leandro Lima – Via Facebook

*Considerações sobre o “Templo do Macêdo” | Rev. Leandro Lima

'Templo de Salomão'Algumas considerações me vêm a mente sobre a inauguração do “templo de Salomão” por Edir Macedo e a Igreja Universal. Antes de tudo é preciso “admirar” a capacidade administrativa e empreendedora deste homem. Ele, provavelmente, enriqueceria vendendo qualquer produto. Pena que escolheu vender a fé…
A grande habilidade do Macedo é saber aproveitar os “filões” do “mercado" religioso. Ele fez a Universal avançar nadando nas águas do sincretismo religioso brasileiro, especialmente na relação com as religiões afro-brasileiras e com o catolicismo popular. Se aproveitou dos símbolos, superstições e temores próprios dessas religiões para construir seu império baseado no slogan “pare de sofrer”, e na suposta vitória sobre os espíritos que produzem sofrimento.

Ao invés de “sacrifícios físicos”, passou a exigir “sacrifícios financeiros”, no que se deu muito bem. Agora, mais uma vez, imitando o catolicismo e outras religiões sacramentais, ele estabelece um “santuário" com o objetivo de atrair multidões, e especialmente, contribuições.

Em poucas palavras, entretanto, posso dizer que essa construção é uma aberração. Antes de tudo é uma aberração arquitetônica, pois tenta recriar algo de uma época que já passou e que não faz mais sentido no mundo atual. Além de ser um equívoco histórico, pois trata-se de uma cópia mal feita do templo de Herodes, aquele que foi reconstruído um pouco antes do tempo de Cristo. Por isso, em vez de Templo de Salomão, deveria ser chamado de “réplica do Templo de Herodes”. Mas nesse caso, não daria muito “marketing”…

Acima de tudo é uma aberração teológica. Imagino que ele não tenha ido tão longe ao ponto de fazer as divisões internas do templo (santo lugar, santo dos santos), até porque isso limitaria o número de pessoas lá dentro e, consequentemente, de ofertas. A menos que ele quisesse se entronizar lá dentro do Santo dos Santos… (a vantagem é que só um homem o veria uma vez por ano).

De qualquer maneira, é uma aberração teológica, pois tenta recriar, mesmo que em termos ilustrativos e comerciais, algo que o próprio Deus autorizou a destruição. Foi o Senhor Jesus quem disse, sobre aquele templo de Israel, que seria destruído e não sobraria pedra sobre pedra (Mt 24.1ss). De certo modo, ao reconstruir o simbolismo, ele está erguendo novamente algo que Deus quis que terminasse. E a razão é simples:

Jesus é tudo aquilo que o Templo de Israel prefigurava. Jesus cumpre em sua pessoa todas as promessas e realizações do antigo Templo. Reconstrui-lo, mesmo que apenas como uma homenagem ou dedicação, é uma forma de praticar tudo aquilo que o livro de Hebreus condena, é um modo de rejeitar a Cristo e a tudo o que ele fez.

Por: Rev. Leandro Lima – Via Facebook

*Obs. O titulo desta postagem é responsabilidade do Blog.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Deus está em Silêncio? | Leandro Lima

silencio-blogMuitas pessoas hoje em dia falam em nome de Deus, parecem saber tudo o que ele quer ou exige, mas o que Deus tem, de fato, falado?

Olhando para a situação do nosso mundo, não parece, muitas vezes, que Deus está em silêncio? Não parece que Ele guarda silêncio sobre os conflitos no Oriente Médio ou sobre os aviões que são derrubados? Ou mesmo sobre toda a corrupção do gênero humano, os assassinatos, a violência desmedida que toma nossas ruas e ceifa tantas vidas? Por que Deus não se manifesta a respeito da decadência moral de um país inteiro modelado pela “cultura" da novela das oito? Por que não derrama logo fogo e enxofre sobre os sodomitas do presente?

Penso que há quatro aspectos a respeito do “silêncio" de Deus que devem ser considerados.

Em primeiro lugar, não significa conivência. No salmo 50, Deus descreveu pecados típicos dos nossos dias como aborrecer a disciplina (v. 17), ter prazer em ver o ladrão se dar bem (v. 18), apoiar os adúlteros (v. 18), falar mal dos outros, inclusive das pessoas mais próximas (v. 19), então complementou: "Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te arguirei e porei tudo à tua vista” (Sl 50.20). Ou seja, o silêncio de Deus não significa conivência com os pecados humanos.

Em segundo lugar, o silêncio de Deus significa “disciplina”. Seria melhor que ele gritasse, condenasse, exigisse arrependimento, mas quando ele se cala, significa que entregou os homens à sua própria sorte, ou às mãos dos inimigos (Ne 9.30). Em Romanos 1.18-25, o Apóstolo Paulo descreve a impiedade dos homens daqueles dias que haviam rejeitado o conhecimento do Deus verdadeiro por causa dos ídolos. A consequência está nos versos 26-28:

“Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro. E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes”.

O estado da sociedade atual é o resultado do silêncio de Deus. Quando Deus se cala, quando entrega os homens a si mesmos, não há esperança.
Em terceiro lugar, o silêncio de Deus nunca é definitivo. O profeta Isaías falou em nome de Deus:

"Por muito tempo me calei, estive em silêncio e me contive; mas agora darei gritos como a parturiente, e ao mesmo tempo ofegarei, e estarei esbaforido. Os montes e outeiros devastarei e toda a sua erva farei secar; tornarei os rios em terra firme e secarei os lagos. (Is 42.14-15).

Para aqueles que desdenham do juízo, que se atrevem a viver despreocupados, pois julgam que Deus está calado, vale a advertência.

E, finalmente, na verdade, Deus não precisa trovejar do alto com sua voz estrondosa, porque ele já falou tudo o que é necessário. Na parábola do rico e Lázaro, do inferno, o rico suplica que Lázaro volte a terra para alertar seus irmãos. A resposta celeste é que os irmãos têm “Moisés e os profetas” (Lc 16.29), ou seja, as Escrituras Sagradas. Mas o rico perdido não está satisfeito e insiste que se alguém voltar dentre os mortos, as pessoas ouvirão. A resposta divina é surpreendente: "Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lc 16.31).

O que mais Deus precisaria falar para que as pessoas entendam as escolhas erradas da vida e se voltem para o que é certo? O que mais ele poderia dizer sobre salvação ou condenação? Temos 66 livros que reúnem tudo o que Deus já falou sobre o início e o fim do mundo, e principalmente, sobre o ponto central da história, onde se eleva uma cruz, dividindo a história, separando os homens à direita e à esquerda, conduzindo os arrependidos ao paraíso num piscar de olhos.

Deus fala na Escritura. Mas quem tem ouvidos para ouvir?

Por: Rev. Leandro Lima – Via Facebook