segunda-feira, 24 de setembro de 2012

De volta à Eternidade Pretérita | Steven Lawson



Com o objetivo de pensar corretamente acerca da salvação, é crítico começar no lugar certo e com a perspectiva alinhada. Os acurados pensamentos acerca da graça salvífica procedem de uma correta perspectiva acerca da verdade. Mas, qual será o melhor lugar onde começar a estudar a nossa grande salvação? Onde havemos de conquistar a melhor posição da qual ver a graça de Deus? Termos diante de nós três possibilidades:

Primeiro, poder-se-ia dizer que o melhor ponto de partida para entender a salvação corretamente é a conversão da gente. Qualquer cristão pode refletir sobre a graça de Deus em sua vida, considerando a obra transformadora do Espírito Santo operada no novo nascimento. É essencial compreender corretamente a obra soberana do Espírito Santo na regeneração para entender adequadamente a salvação. Damos louvores a Deus pela poderosa obra do Espírito convencendo-nos do pecado e nos chamando para a fé em Cristo. Mas, se bem que esta é uma grandiosa perspectiva da qual contemplamos a nossa salvação, não é um posto de observação suficientemente elevado para vermos a nossa salvação.

Segundo, poder-se-ia dizer que o melhor lugar para alguém saber mais a respeito da salvação está há dois mil anos, com a morte substitutiva de Jesus Cristo na cruz. Para captarmos a graça salvífica, devemos “contemplar a estupenda cruz na qual o Príncipe da Glória morreu”, como Isaac Watts bem nos incentiva a fazer em seu grandioso hino. Quando pendia da cruz, Cristo garantiu a redenção eterna do seu povo. Ver Jesus Cristo ferido por nossas iniquidades! Contemplá-lo açoitado e abatido em nosso favor! Certamente a sua morte salvífica dá-nos um necessário entendimento da salvação – pois constitui o próprio coração do Evangelho. Mas, mesmo essa perspectiva, grandiosa como é, não permite a visão mais clara.

Terceiro, poder-se-ia dizer que o melhor lugar para entender a salvação é todo o caminho de volta à eternidade pretérita. Na verdade, esse é o melhor ponto de observação para ver e entender a graça salvífica de Deus. Ali, antes do princípio do tempo, Deus o Pai elegeu os seus para com eles formar o seu povo. Ele os isolou dos demais seres humanos para se tornarem os receptáculos de sua graça salvífica. Então o Pai comissionou seu Filho para entrar no mundo, que ainda estava para ser criado, e sofrer uma morte substitutiva em favor desses escolhidos. Naquela altura, a morte de Jesus era tão certa que ele se tornou o Cordeiro de Deus, morto desde antes da fundação do mundo. O Pai e o Filho, juntos, comissionaram então o Espírito Santo para aplicar o mérito da morte de Cristo aos eleitos. Somente observando a eternidade pretérita podemos ter a perspectiva própria para uma plena compreensão da magnitude da nossa salvação.

Antes da criação do mundo, antes de qualquer coisa ou de qualquer ser ter sido trazido à vida, Deus já tinha posto em movimento seu plano de salvação. Quem iniciaria um empreendimento tão grande, enorme, como a Criação do universo – e a salvação de um povo – sem um plano específico para levá-lo à concretização com sucesso? Certamente Deus não faria isso. Antes do princípio do tempo, ele traçou seu plano para tudo quanto haveria de acontecer. Claro está que Deus não olhou pelo túnel do tempo para ver o que o homem faria para, então, fazer suas escolhas baseadas nas decisões do homem. Isso não seria planejar, mas reagir. A verdade é que o Deus que tem pleno conhecimento de todas as coisas nunca olhou para o futuro para aprender alguma coisa. Ele sempre soube e sabe tudo. Ao contrário, antes da fundação do mundo, Deus determinou glorificar-se manifestando a sua grandeza num povo que ele escolheu, para ser uma herança para seu Filho.

Na eternidade pretérita, o Pai deu esta raça escolhida – os eleitos – a seu Filho como uma expressão do seu amor por ele. Esse povo predestinado louvaria para sempre o Filho e se conformaria à sua imagem. E mais: o Pai planejou todos os detalhes da história, de modo que nada fosse deixado ao acaso. Segundo o seu propósito eterno, o Pai determinou tudo o que acontece. Este plano é chamado decreto eterno de Deus, e o seu desdobramento é conhecido como providência.

Tudo foi planejado antes da Criação. Este é o lugar certo para começarmos a entender a nossa grande salvação – antes da fundação do mundo.

Trecho do livro FUNDAMENTOS DA GRAÇA, de Steven Lawson 
(futuro lançamento da Editora Fiel).
Fonte: Blog Fiel