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quarta-feira, 29 de março de 2023

Justificação | Martin Lloyd-Jones

Justificação não significa meramente perdão. Inclui o perdão; no entanto, é muitíssimo maior do que este. Além disso, a justificação afirma que Deus nos declara completamente inocentes, considerando-nos pessoas que jamais pecaram. Ele nos proclama justos e santos. Agindo assim, Deus está refutando qualquer acusação que a lei faça contra nós. Não é apenas o juiz, no tribunal, asseverando que o réu está perdoado, mas declarando-o uma PESSOA JUSTA E INOCENTE.

Ao justificar-nos, Deus nos informa que removeu nosso pecado e culpa, imputando-os, ou seja, lançando-os na conta do Senhor Jesus Cristo, castigando-os nEle. Deus também anuncia que, fazendo isso, lança em nossa conta (ou seja, imputa-nos) a perfeita justiça de seu querido Filho. 

O Senhor Jesus Cristo obedeceu completamente a Lei; jamais a transgrediu em algum aspecto, satisfazendo-a em todas as suas exigências. Esta completa obediência constitui a justiça dEle. O que Deus faz ao justificar-nos é lançar em nossa conta (ou seja, imputar-nos) a justiça do Senhor Jesus Cristo. Ao declarar-nos justificados, Deus proclama que nos vê não mais como realmente somos, e sim como pessoas vestidas da justiça de Cristo. Um hino escrito pelo conde Zinzendorf expressa deste modo a justificação:

  • Jesus, tua veste de justiça 
  • É agora minha beleza;
  • minha gloriosa vestimenta.
  • Entre os mundos flamejantes,
  • Envolvido em tua justiça,
  • Com alegria eu Te exaltarei.

Martin Lloyd-Jones


sexta-feira, 17 de setembro de 2021

A União com Cristo nas Epístolas de Paulo | J.V. Fesko

Uma das passagens mais espantosas da Escritura aparece na abertura da epístola de Paulo aos efésios, onde o apóstolo literalmente começa do início de tudo quando escreve: “E amor [isto é, Deus] nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo” (1:4-5). 

Conforme Paulo revela todas as bênçãos que os crentes recebem, ele ancora a salvação em Cristo com a repetição de uma frase: “Nele…” Paulo escreve, “Nele temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados [...] de fazer convergir nele [...] todas as coisas [...], nele [...] fomos também feitos herança,  [...] tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa” (vv. 7-13, ênfase minha). Paulo repete o refrão “nele,” que nos aponta para a doutrina da união com Cristo. Mas o que exatamente é união com Cristo?

Em sua Teologia Sistemática, Louis Berkhof define a união com Cristo como “aquela união íntima, vital e espiritual entre Cristo e seu povo, em virtude do que ele é a fonte da vida e da força de seu povo; de sua bendição e salvação.” Há diversas passagens ao longo das Escrituras que revelam que os crentes são unidos a Cristo: 

  • Nós somos os ramos e Jesus é a vinha (João 15:5); 
  • Jesus é a cabeça e nós somos seu corpo (1Co. 6:15-19); 
  • Cristo é o fundamento e nós somos as pedras vivas unidas ao fundamento (1Pe. 2:4-5); 
  • e o casamento entre o marido e a mulher aponta derradeiramente para a união entre Cristo e os crentes (Ef. 5:25-31). 
  • Além dessas imagens bíblicas, a específica frase “em Cristo” ocorre umas vinte e cinco vezes nas epístolas de Paulo. 
Podemos dizer que a união com Cristo ocasiona todos os benefícios de nossa redenção. A questão 69 do Catecismo Maior de Westminster, por exemplo, pergunta: “Que é a comunhão em graça que os membros da Igreja invisível têm com Cristo?” E então responde: “A comunhão em graça que os membros da igreja invisível têm com Cristo é a participação da virtude da sua mediação, na justificação, adoção, santificação e tudo o que nesta vida manifesta a união com Ele .”

A resposta do Catecismo Maior é facilmente verificada a partir da Escritura. Por exemplo, como vimos acima, somos escolhidos “nele” antes da fundação do mundo (Ef. 1:4). Paulo escreve à igreja em Roma que “não há condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus” (Rm. 8:1), que é outra maneira de dizer que aqueles que estão unidos a Cristo são justificados. Qualquer um que está “em Cristo Jesus” é um filho de Deus através da fé (Gl. 3:26). Além disso, se os Cristãos habitam em Cristo, eles dão muito fruto; eles produzirão boas obras (João 15:5). Somente Cristo nos dá nossa salvação, quer seja considerado como um todo ou como diferentes benefícios individuais, como a justificação e a santificação.

Qual é a significância do fato que os crentes são unidos a Cristo? Teólogos reformados têm argumentado historicamente que há diversos aspectos diferentes da nossa união com Cristo. Por exemplo, somos unidos a Cristo em termos de nossa eleição “nele.” Não fomos habitados pelo Espírito Santo neste ponto e unidos a Cristo pela fé porque nem sequer existíamos exceto na mente de Deus. Todavia, somos unidos a Cristo em termos da decisão do Pai de eleger pecadores caídos individuais e redimi-los através de seu Filho. Consequentemente, nesse sentido, somos unidos a Cristo no decreto da eleição.

Há um segundo aspecto da união com Cristo, que alguns chamaram de nossa união representativa ou federal. No ministério terreno de Cristo, tudo o que ele fez, ele fez em nome de sua noiva, a igreja. Quando ele foi batizado no Rio Jordão, que era um batismo de arrependimento, ele não estava confessando pecado pessoal, visto que era um cordeiro sem mácula — ele não tinha pecado (Marcos 1:4; 1 Pedro 1:19). Ao invés disso, como representante do povo, ele estava agindo em nome do povo. Consequentemente, não apenas em seu batismo, mas em seu cumprimento de toda vírgula e til da lei, em seu perfeito sofrimento, sua ressurreição e sua ascensão — tudo o que Cristo fez foi em nome de sua noiva. Os perfeitos sofrimento e guardar a lei de Cristo se tornam nossos através da fé — eles são imputados, ou creditados, a nós. 

A ressurreição de Cristo é representativa, em que conforme a cabeça é levantada, também o corpo, a igreja, será levantado precisamente da mesma maneira. Agora, como Cristo se assenta em sessão real à destra de seu Pai celestial, nós estamos assentados com Cristo e governamos com ele nos lugares celestiais (Ef. 1:20-21).

Um terceiro aspecto de nossa união com Cristo é o que alguns chamam de união mística ou pessoal. Esta é a habitação pessoal do crente pela fé através da pessoa e da obra do Espírito Santo. Várias passagens falam dessa dimensão de nossa união com Cristo, incluindo Efésios 2, onde o apóstolo Paulo explica que somos membros da casa de Deus, edificada na fundação dos apóstolos e profetas, com Cristo como a pedra angular. Sobre esse grandioso e definitivo templo, Paulo escreve que nós crescemos “para santuário dedicado ao Senhor,” e nele nós estamos “juntamente sendo edificados para habitação de Deus no Espírito” (v. 22).

Durante a cerimônia de casamento, quando um homem e uma mulher ficam diante do ministro, eles são dois indivíduos separados. No fim da cerimônia, contudo, eles são declarados “marido e mulher.” São unidos; e ambos se tornam “uma só carne” (Gn. 2:7; Ef. 5:25-31). A propriedade de cada indivíduo se torna a propriedade de ambos. 

Mas em nossa união matrimonial com Cristo, a gloriosa troca é muito maior. Nosso pecado e nossa culpa são imputados a Cristo, e sua perfeita guarda da lei e seu sofrimento são imputados a nós — o que é nosso se torna dele, e o que é dele se torna nosso. Por causa da união representativa que compartilhamos com Cristo, o Pai não mais olha para nós como pecaminosos, mas vê apenas a justiça e a santidade de Cristo.

A Questão 60 do Catecismo de Heidelberg pergunta: “Como você é justo diante de Deus?” O catecismo, então, dá uma resposta muito tranquilizante:

Apenas por uma genuína fé em Jesus Cristo; isto é, embora minha consciência me acuse de que pequei gravemente contra todos os mandamentos de Deus e não guardei nenhum deles, e ainda sou inclinado a todo mal, ainda assim Deus, sem qualquer mérito meu, por pura graça, concede e imputa a mim as perfeitas satisfação, justiça e santidade de Cristo, como se eu nunca tivesse tido ou cometido qualquer pecado, e como se eu mesmo tivesse cumprido toda a obediência que Cristo transmitiu a mim; se eu apenas aceitar tal benefício com um coração crente.

  • E quanto a santidade pessoal e boas obras? 
  • Elas não são mais necessárias? 
  • Os crentes estão livres da necessidade de fazer boas obras por causa de sua justificação? 
  • Eles são livres para pecar?

Estas são perguntas que Paulo enfrentou após falar das glórias de nossa justificação pela graça somente, através da fé somente e em Cristo somente em Romanos 3 a 5. Paulo responde com seu conhecido e enfático “De maneira nenhuma!” à pergunta de se os cristãos são livres para pecar por causa de sua justificação. A realidade para qual ele aponta como a razão pela qual não podemos mais viver em pecado, é nossa união com Cristo:

Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição. (Rm. 6:4-5)

Em outras palavras, em nossa união com Cristo, recebemos não apenas o benefício da justificação, mas também temos o benefício da santificação. Muitas pessoas pensam que sua santificação, sua transformação espiritual e conformação à imagem santa de Cristo, é simplesmente uma questão de tentar com mais vontade, vestir toda sua armadura moral — de decidir ser mais santo. Contudo, uma coisa que deveria estar clara é que Jesus claramente nos diz que a única maneira de produzirmos fruto é se habitarmos nele: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (João 15:5).

Devemos perceber que não devemos viver para a vida, mas a partir dela — fomos crucificados com Cristo e não somos mais nós que vivemos, mas Cristo que vive em nós (Gl. 2:20). Cristãos têm a grande certeza de que quando somos unidos a Cristo pela fé, nós recebemos a Cristo plenamente e todos os benefícios da redenção, não apenas alguns deles.

 
Por J.V. Fesko. Extraído do site www.ligonier.org. © 2013 Ligonier Ministries. Original:Union with Christ in Paul’s Epistles
Este artigo faz parte da edição de Fevereiro de 2013 da revista Tabletalk sobre “União com Cristo”.
Tradução: Alan Cristie. Editora Fiel © Todos os direitos reservados. Original: A União com Cristo nas Epístolas de Paulo (J.V. Fesko)

Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Vinícius Musselman Pimentel é formado em engenharia química pela UNICAMP e graduando em Teologia pelo Seminário Martin Bucer. Em 2008, fundou o blog Voltemos ao Evangelho ao conhecer a doutrina reformada e ser confrontado com a dura realidade teológica do Brasil. Atualmente, trabalha como Editor Online no Ministério Fiel. Vinícius é casado com Aline e vive em São José dos Campos/SP.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Passagens Bíblicas sobre as Bênçãos da União com Cristo | Matt Perman

Mulheres-permanecer Cristo é o centro da nossa salvação:

O amor de Deus está localizado em Cristo: Romanos 8:39
A graça de Deus está em Cristo: 2 Timóteo 2:1
A salvação está em Cristo: 2 Timóteo 2:10
A vida eterna está em Cristo: 1 João 5:11; 2 Timóteo 1:1
Tudo pertencente à nossa salvação é encontrado em Cristo e, portanto, vem dEle: 1 Coríntios 1:30
Todos os santos estão em Cristo: Filipenses 1:1
Portanto, é em Cristo que somos abençoados com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais: Efésios 1:3
Estamos em Cristo por obra de Deus: 1 Coríntios 1:30


Pelos menos duas implicações surgem do fato de que tudo, com respeito à salvação, está em Cristo:

1. Se você é um crente em Cristo, você está nEle e, portanto, participa de todos estes benefícios.
2. Visto que as bênçãos da salvação estão todas em Cristo, não há outro meio de recebê-las, senão através da fé nEle. Portanto, aqueles que não crêem nEle, não compartilham destas bênçãos.


Todo e qualquer aspecto e dimensão de nossa salvação é encontrada em Cristo e, portanto, vem de Cristo.


Bênçãos que têm sua origem antes da criação:

A graça de Deus nos foi dada, em Cristo, antes da criação, totalmente aparte da nossa própria iniciativa: 2 Timóteo 1:9
Em Cristo, o Pai nos escolheu antes da criação para ser santos e irrepreensíveis: Efésios 1:4
Através de Cristo e com amor, o Pai nos predestinou para a adoção como filhos: Efésios 1:5

Bênçãos conquistadas por Cristo durante Sua vida terrena e recebidas na conversão:

A graça do Pai é livremente nos concedida em Cristo, a quem o Ele ama: Efésios 1:6
Nós nascemos de novo em Cristo: Efésios 2:10; Colossenses 2:11
Aqueles que estão em Cristo são novas criaturas: 2 Coríntios 5:17
Todos os crentes são selados em Cristo com o Espírito Santo, no primeiro momento da fé salvadora: Efésios 1:13
Em Cristo, fomos trazidos para perto de Deus através da Sua morte: Efésios 2:13
Nossa redenção está em Cristo: Romanos 3:24; Efésios 1:7; Colossenses 1:14
Assim, o perdão dos nossos pecados está em Cristo: Efésios 1:7; Colossenses 1:14
Portanto, estar em Cristo nos remove de toda condenação: Romanos 8:1
Assim como Adão trouxe condenação sobre todos os homens por sua desobediência como nosso representante federal, assim também Cristo trouxe justificação sobre todos os crentes por Sua obediência como nosso representante federal: Romanos 5:12-21
A justiça está em Cristo: 1 Coríntios 1:30
Ser encontrado em Cristo, pela fé, nos veste com Sua justiça: Filipenses 3:9
Assim, os crentes se tornaram a justiça de Deus em Cristo: 2 Coríntios 5:21
Portanto, somos justificados em Cristo: Gálatas 2:17
Por causa disto, temos liberdade em Cristo: Gálatas 2:4
Fomos santificados em Cristo: 1 Coríntios 1:2
Morremos com Cristo: Colossenses 2:12; Romanos 6:3
Nosso velho eu foi crucificado com Ele, para que não mais sejamos escravos do pecado: Romanos 6:6
Porque morremos com Cristo, seremos ressuscitados da morte em união com Cristo: Romanos 6:4-5
O Pai, num certo sentido, já nos ressuscitou com Cristo: Efésios 2:5-6; Colossenses 2:13; 3:1
O Pai nos fez assentar com Ele nos lugares celestiais em Cristo: Efésios 2:6

Bênçãos concernentes à nossa esperança para o futuro:

Os cristãos morrem no Senhor: 1 Tessalonicenses 4:14, 16
Em Cristo, seremos ressuscitados: 1 Coríntios 15:22
Em Cristo obtivemos uma herança: Efésios 1:11
Somos herdeiros com Cristo porque somos filhos de Deus: Romanos 8:17
Quando Cristo retornar, seremos revelados com Ele em glória: Colossenses 3:4
Assim, Cristo em nós é a esperança da glória: Colossenses 1:27
Quando sofremos, assim o fazemos com Cristo: Romanos 8:17
O resultado é que seremos glorificados com Cristo: Romanos 8:17
Nas eras que hão de vir, será mostrada a incomparável riqueza de Sua graça, demonstrada em Sua bondade para conosco em Cristo: Efésios 2:7
A preservação está em Cristo: Romanos 8:35, 39; 2 Coríntios 1:21

Tudo que precisamos para desenvolver nossa salvação está em Cristo:

Cristo é nossa santificação: 1 Coríntios 1:30
A verdade está em Jesus: Efésios 4:21
Em Cristo, estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento: Colossenses 2:3
Cristo é nossa sabedoria: 1 Coríntios 1:30
Em Cristo há encorajamento, consolação de amor, comunhão do Espírito, afeição e compaixão: Filipenses 2:1
A fé e o amor são encontrados em Cristo: 1 Timóteo 1:14
Nossos dons espirituais são considerados enriquecimento em Cristo: 1 Coríntios 1:5
As riquezas de Deus na glória estão em Cristo, e Ele pode satisfazer todas as nossas necessidades com elas: Filipenses 4:19
Em Cristo, estamos completos: Colossenses 2:10

Devemos fazer tudo em Cristo:

Devemos andar (viver nossas vidas) em Cristo: Colossenses 2:6
Devemos estar firmemente enraizados e edificados em Cristo: Colossenses 2:6
Devemos fazer tudo em nome de Cristo: Colossenses 3:17
Podemos esperar no Senhor pela realização dos nossos planos: Filipenses 2:19
Devemos permanecer firmes no Senhor: Filipenses 4:1; 1 Tessalonicenses 3:8.
Devemos regozijar nos Senhor: Filipenses 4:4
Devemos ser fortes no Senhor: Efésios 6:10
Sempre orando, regozijando e dando graças é a vontade de Deus para nós, em Cristo: 1 Tessalonicenses 5:16-18
Podemos exortar as pessoas no Senhor: 2 Tessalonicenses 3:12
Nosso objetivo no ministério deve ser apresentar a cada um completo em Cristo: Colossenses 1:28
Em Cristo, temos livre acesso a Deus em confiança: Colossenses 1:28
Devemos viver uma vida piedosa no Senhor: 2 Timóteo 3:12.
Devemos ter um bom comportamento no Senhor: 1 Pedro 3:16.
Podemos trabalhar arduamente no Senhor: Romanos 16:12.
Podemos confiar no Senhor: Filipenses 1:14.
Podemos ser aprovados no Senhor: Romanos 16:10.
Devemos permanecer em Cristo: 1 John 2:28; 3:6.
Em Cristo, podemos labutar pelo Seu reino: 1 Coríntios 15:58.
No Senhor, as crianças devem obedecer aos pais e as esposas se submeterem aos seus maridos: Efésios 6:1.
Podemos fazer todas as coisas através do Senhor: Filipenses 4:13.

União com Cristo envolve comunhão íntima com Cristo

Nossos espíritos estão unidos a Cristo: 1 Coríntios 6:17
Nossos corpos físicos estão em união com Cristo: 1 Coríntios 6:15
Portanto, nossos corpos são templos do Espírito Santo que está em nós: 1 Coríntios 6:19
Nós pertencemos a Cristo porque Ele nos comprou, tanto fisicamente como espiritualmente, pela Sua morte: 1 Coríntios 6:20; 7:23
Porque somos membros do corpo de Cristo, Ele cuida de nós e nos alimenta: Efésios 5:29-30
O chamado eficaz é em Cristo: 1 Coríntios 7:22; 1:9
Tornar-se um cristão, significa ser chamado para uma íntima comunhão com Cristo: 1 Coríntios 1:9
Cristo está em nós, habitando-nos pelo Seu Espírito Santo: Romanos 8:9-11; Colossenses 1:27

Através de Cristo, todos os crentes estão unidos uns aos outros, como um corpo espiritual:

Os crentes são o corpo de Cristo e, portanto, estão unidos um ao outro através de Cristo: Romanos 12:5; 1 Coríntios 12:27
Assim, se algum membro sofre, devemos sofrer juntamente com ele, e se algum membro é honrado, devemos regozijar com ele: 1 Coríntios 12:26
A unidade espiritual entre os crentes está em Cristo: Romanos 15:5; Gálatas 3:28; 6:15; Efésios 2:13, 21-22
Os crentes estão crescendo para tornarem-se um santuário santo no Senhor: Efésios 2:21
Em Cristo, estamos sendo edificados juntos, para nos tornarmos morada de Deus no Espírito: Efésios 2:22
As igrejas locais estão em Cristo e no Pai: 1 Tessalonicenses 1:1; 2:14

A Dimensão Cósmica: Cristo é o centro do propósito redentor de Deus para o universo inteiro:

A vontade de Deus e Seu bom propósito atrás deste foi proposto por Deus em Cristo: Efésios 1:9
O objetivo de Deus é convergir todas as coisas em Cristo: Efésios 1:10
Deus realizou Seu eterno propósito em Cristo: Efésios 3:11
Ao Pai seja a glória na igreja e em Cristo para sempre: Efésios 3:21

por Matt Perman

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: Monergismo

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Justificação e Mérito | Bíblia de Estudo de Genebra

genebraGálatas 3:11: “E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé”.

A doutrina da justificação – o núcleo tormentoso da Reforma – era, para Paulo, o âmago do evangelho (Rm 1:17; 3:21-5:21; Gl 2:15-5:1), dando forma à sua mensagem (At 13.38-39) e à sua devoção (2Co 5.13-21; Fp 3.4-14). Ainda que outros escritores do Novo Testamento afirmem a mesma doutrina em substância, os termos com que os Protestante a têm afirmado e defendido, por quase cinco séculos, são tirados essencialmente de Paulo.

Justificação é o ato de Deus pelo qual ele perdoa pecadores e os aceita como justos por causa de Cristo. Por esse ato, Deus endireita permanentemente o anterior relacionamento alienado que os pecadores tinham com ele. Essa sentença justificadora é a concessão por Deus de um status de aceitação de pecadores por causa de Jesus Cristo (2Co 5.21).

O juízo justificador de Deus parece estranho, pois declarar justificados os pecadores parece ser exatamente o tipo de ação injusta praticada por um juiz, que a própria lei de Deus o proíbe (Dt 25.1; Pv 17.15). Contudo, é um julgamento justo, porque sua base é a justiça de Jesus Cristo. Como o ‘último Adão' (1Co 15.45), agindo em nosso favor, como nosso Cabeça representativo, Cristo cumpriu a lei que nos prendia e suportou o castigo que merecíamos pela desobediência à lei e, assim, ‘mereceu' a nossa justificação. Por isso, nossa justificação tem base justa (Rm 3.25-26; 1Jo 1.9), com a justiça de Cristo creditada em nosso favor (Rm 5.18-19).

A decisão justificadora de Deus é, na prática, o julgamento do Último Dia, com relação ao lugar onde devemos estar na eternidade; essa decisão já é trazida para o presente e é pronunciada aqui e agora. É um juízo sobre o nosso destino eterno; Deus nunca voltará atrás, por mais que Satanás possa apelar contra o veredito (Zc 3.1; Rm 8.33-34; Ap 12.10). Estar justificado é estar eternamente seguro (Rm 5.1-5; 8.30).

O meio necessário para a justificação é a fé pessoal em Jesus Cristo como Salvador crucificado e como Senhor ressurreto (Rm 4.23-25; 10.8-13). A fé é necessária porque o fundamento meritório de nossa justificação está totalmente em Cristo. Ao nos entregarmos a Jesus, em fé, ele nos concede seu dom da justiça, de modo que no próprio ato de ‘fechar com Cristo' – como os mais antigos mestres Reformados diziam -, recebemos o perdão e a aceitação divinos, que não podemos encontrar em nenhum outro lugar (Gl 2.15-16; 3.24).

A teologia católica romana histórica inclui a santificação na definição da justificação, considerada como um processo, ao invés de um único evento decisivo, e afirma que, embora a fé contribua para a nossa aceitação diante de Deus, nossas obras de satisfação e mérito devem contribuir também. Os católicos vêem o batismo como portador da graça santificadora, que nos justifica primeiramente. Depois, o sacramento da penitência permite que mérito suplementar seja alcançado através das obras, assegurando a justificação se a graça da aceitação inicial por Deus se perder por causa de um pecado mortal. Esse mérito suplementar não obriga Deus a ser gracioso, embora seja o contexto normal para recebe-lo. Segundo o conceito católico romano, os fiéis efetuam sua própria salvação com a ajuda da graça que procede de Cristo através do sistema sacramental da Igreja.

Os Reformados ressaltaram que esse conceito da salvação solapa o sentido de confiança que só a livre graça pode oferecer àqueles que não têm méritos. Paulo já tinha mostrado que todos os seres humanos, seja qual for o grau de sua piedade, estão sem méritos e necessitam da livre justificação para serem salvos. Uma justificação que precisa ser completada pelo beneficiado não oferece repouso sólido.

Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra

Extraído de Monergismo

Justificação pela Fé Somente | RC Sproul; John Marcarthur, Joel Beeke; John Gerstner; John Armstrong

fideA nossa vitalidade espiritual é medida pelo quanto conhecemos sobre a doutrina da justificação pela fé somente. Conhecer a profundidade dessa doutrina é descobrir o quão profundo podemos descobrir a respeito da nossa miséria como pecadores e passar por uma transformação vital.

Descobrir pessoalmente essa doutrina é passar por uma transformação existencial.

1. Deve ser perfeito para ser aceito por um Deus perfeito

Vamos andar por um caminho de redescobertas. Duas narrativas bíblicas nos servirão de marco inicial em nossa caminhada: Lucas 18.9-14 e Mateus 5.20-48.

“Propôs também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo para orar; um fariseu, e o outro publicano. O fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho. Mas o publicano, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: ó Deus, sê propício a mim, o pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado; mas o que a si mesmo se humilhar será exaltado.” [Lucas 18.9-14, ênfase nossa]

Para entendermos bem essas narrativas, primeiro devemos derrubar uma imagem pré-concebida comum dos fariseus: hipócritas, num sentido de não serem sinceros no que dizem fazer. E os fariseus e escribas não eram os hipócritas judeus? Eram, mas não nesse sentido popular. Aliás, é o mesmo erro que cometemos quanto ao sentido da palavra maquiavélico: um ato maléfico em benefício particular de um indivíduo. Porém este é o sentido popular. O sentido real e original (político) era um ato – considerado maléfico segundo a moral vigente da época (moral católica medieval) – praticado por um governante ou príncipe em benefício da comunidade de seu Estado.

Mas a primeira narrativa não está mostrando que o fariseu estava exagerando ou contando uma mentira. Aliás, a denúncia de Jesus quanto à hipocrisia dos fariseus (em outras passagens) era num sentido de cometerem um engano quanto à maneira (que achavam) de se tornarem justos. Ora, a narrativa apenas mostra o esforço que o fariseu teve em alcançar ou conquistar o favor de Deus em sua justificação, para isso luta em viver um padrão moral acima dos outros homens, procurando não errar em nada.

Nos dias atuais a primeira narrativa poderia substituir o fariseu pelo “santo” católico Francisco de Assis ou pela madre Teresa de Calcutá – e não estamos aqui colocando em questão a veracidade da fé de ambos, pois o julgamento não nos pertence. Dois exemplos de pessoas que buscavam viver um padrão acima dos outros, sacrificando a própria vida em favor dos outros, buscando o bem em seu maior extremo. Nossa prática moral não chega nem perto da deles. Aliás, Agostinho dizia que melhores que ele foram para o Inferno! Essa comparação é apenas para dar uma idéia do que a primeira narrativa quer dizer: não adianta confiar nossa justificação (sermos considerados justos, limpos, inocentes perante uma lei) em nossa prática moral, por mais alta que possamos chegar. Então devo praticar imoralidade porque não adianta de nada ter alguma moral? De forma nenhuma, como veremos em nossa caminhada.

A primeira narrativa apenas quer mostrar um pensamento que era comum entre os fariseus e que muito persiste nos dias atuais: nivelar o padrão moral de Deus pelo padrão mais alto conhecido entre os homens (nossos conhecidos), isto é, como praticamos o padrão mais alto, então é o padrão aceito por Deus. A idéia errônea principal, portanto, é que por sermos os maiores praticantes da lei (de Deus) devemos acreditar ser tal prática suficiente (aceitável) como o padrão que Deus requer. Na pratica, hoje, isto acontece de uma forma variante: existem vários padrões “mais altos” – “mais altos” porque é relativo a “altura” de um padrão para outro –, cada um acha que o seu padrão é o suficiente para Deus aceitar, normalmente por causa da existência de padrões piores. Geralmente tais padrões são conhecidos pelos seguintes mandamentos: “pratique o bem”, “ame ao próximo”, “não mate”, “não faça mal aos outros”, “faça caridades”, “ame sua família” entre outros. E não estamos aqui discutindo a relatividade da moral. Aliás, vamos considerar que ela exista e seja verdadeira. Ainda assim não resolve o problema que Jesus procura mostrar na primeira narrativa! Por exemplo, você acha que fazer caridade todos os dias é o padrão aceito por Deus para se tornar justo. Certo. Então este será o padrão mais alto entre os homens. Só que isso não resolve o problema. Então o que resolve finalmente? A resposta se encontra na próxima narrativa.

“Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus. Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser um insulto a seu irmão será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno. (...) Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. (...) Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil. Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes. Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos. Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? não fazem os gentios também o mesmo? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.” [Mateus 5.20-48, ênfase nossa]

Essa segunda narrativa completa o mistério da primeira narrativa. Veja que ela já começa dizendo que se não ultrapassarmos em muito o padrão mais alto conhecido entre os homens (a dos fariseus e dos escribas) não seremos considerados justos. Na verdade Jesus colocou os seus ouvintes num beco sem saída. Já era difícil viver um padrão como a daqueles judeus, pior seria ultrapassar em muito tal padrão. Humanamente impossível! Então Jesus começa a exemplificar o que é ultrapassar em muito tal padrão – talvez não consigamos nem chegar perto de um desses exemplos – até por fim mostrar a causa disso tudo: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial”. Este é o ponto crucial para Cristo e fatal para nós: a perfeição.

Qualquer padrão moral que passarmos a viver (e mesmo considerar como o mais alto) deve ser perfeito para ser aceito por um Deus perfeito. Se nos achamos bons, caridosos, amáveis, amigo, fiel, íntegro, trabalhador, devemos sê-lo sempre a todo instante, a toda circunstância, em todos os dias, meses e anos e para com todos. Não importa se você relativa a sua moral, se há alguma, então você deve ser perfeita nela para ser considerado justo.

Ora, racionalmente ser bom não é está bom, porque para ser bom é necessário está perfeitamente bom. Ser algo é está perfeitamente esse algo. Logo ser (considerado) justo é está perfeitamente justo, seja nessa vida inteira ou em próximas – mesmo existindo reencarnações ou purgatórios. Quando se é perfeito não existe padrão mais alto ou mais baixo, logo se reencarnações ou purgatórios objetivam nos tornarem perfeitos é porque este “perfeito” é apenas um padrão mais alto. Não deixou de ser imperfeito, apesar de aparentar para nós perfeição. Ser perfeito é ser incapaz de ser imperfeito, com uma mesma natureza.

E agora? Como podemos sair dessa situação? Como podemos pagar tal dívida humanamente impossível de ser quitada? Prossigamos em nossa caminhada.

2. O caminho controverso da fé

O que deixamos claro anteriormente era: temos uma dívida impagável para com Deus por causa de nossa imperfeição. Não temos “dinheiro” suficiente para pagar a dívida e mesmo com todos os nossos próprios esforços nunca conseguiríamos tal “dinheiro”. Talvez “roubando”, mas ai a dívida aumenta e entramos num círculo vicioso. A única solução é alguém pagar a nossa dívida de forma perfeita. Não apenas isto! Mas também não voltarmos a cometer mais qualquer erro. Ora, sabemos que a dívida é conseqüência e não causa do problema. Por isso, além de pagarmos a dívida devemos ter a certeza de que não a teremos novamente, pois caso contrário, de nada adiantará pagar uma dívida com a possibilidade de que a venhamos a tê-la novamente – e no nosso caso é certo que a teremos de novo porque ainda continuamos sendo imperfeitos mesmo com a dívida paga e, portanto não vai demorar muito para pecarmos. Logo temos dois aspectos que precisamos resolver: o positivo (pagar a dívida) e o negativo (não contrair mais dívida). Será que há alguém que possa ter a iniciativa que não merecemos (graça) de nos dar esta graça?

Por meio da imputação – recurso forense, legal – poderíamos resolver este dilema. Isto é, alguém poderia pagar não só a nossa dívida, mas cumprir para nós a lei perfeitamente. Mas nem todos entendem dessa forma – a forma protestante. E, portanto falaremos das concepções católico-romana e protestante a respeito da justificação pela fé. E iremos descobrir que existe muito católico que mal compreende a doutrina protestante e vice-versa.

Dizer que Roma ensina a justificação pelas obras é uma mentira ou pura ignorância de quem a acusa. Em seu Concílio de Trento afirma que a fé é começo, o alicerce e a raiz da justificação: “a fé é o começo da salvação, o fundamento e raiz de toda justificação, sem a qual é impossível agradar a Deus”. Mas não é só isso. Roma também ensina que a graça é infundida no coração do pecador para que este manifeste essa fé, que há pouco falamos, junto com a santificação e com as boas obras de modo a conseguir nesta vida ou no purgatório a aceitação de Deus ou a justificação, logo com merecimento. Em outras palavras, as virtudes de Cristo infundidos no coração do pecador o permitem inerentemente se tornar um justo diante de Deus: “graça e caridade que é derramada em seus corações pelo Espírito Santo”. Em resumo, temos os seguintes conceitos utilizados por Roma na doutrina da justificação pela fé:

1. A justiça que nos justifica é a que vem de dentro de nós: justiça inerente.
2. Essa justiça é desenvolvida por nós (pelo menos durante a vida): justificação por processo.
3. Essa justiça que desenvolvemos dentro de nós recebe a ajuda da graça: pecador tornado justo.
4. Um pecador não pode ser justificado, deve ser antes justo para ser justificado: declaração analítica.
5. A fé para justificar deve conter qualidades, principalmente o amor, infundidas pelo Espírito Santo: fé como obra.
6. A fé participa do início da justificação, e depois as boas obras vindas da graça junto com os sacramentos garantem o processo de justificação.
7. Santificação participa do processo de justificação. O status do pecador só muda se mudar a natureza desse pecador – se tornando justo com a santificação. Logo, justificação não é apenas uma questão forense.

Quem ensina a justificação pelas obras é o pelagianismo puro. O que na verdade mais se aproxima dessa concepção católica é a corrente protestante conhecida como arminianismo (para alguns um tipo de semi-pelagianismo), principalmente com relação aos pontos 2, 3 e 5, que são semelhantes. Não é de surpreender, portanto, que muitos protestantes e evangélicos a cada dia concordam com o documento Colson-Neuhaus, elaborado por um grupo de católicos e protestantes: “Afirmamos juntos que somos justificados pela graça por meio da fé por causa de Cristo... Todos os que aceitam Cristo como Senhor e Salvador são irmãos e irmãs em Cristo. Os evangélicos e católicos são irmãos e irmãs em Cristo”. [Evangélicos e Católicos Juntos: A Missão Cristã no Terceiro Milênio. 1994]

Certa vez ouvi a seguinte frase de um pastor em João Pessoa que muito resume a concepção católico-romana: “Com a fé se conquista a salvação e com a santificação se garante a salvação”. Ora, para Roma Deus apenas nos dar graciosamente as ferramentas para merecermos, conseguirmos, alcançarmos, conquistarmos a justificação e, por conseguinte, nos ajuda graciosamente a sustentarmos, garantirmos a salvação. O mesmo diz o arminianismo. E não vamos aqui entrar na questão calvinismo X arminianismo. Cada um procure conhecer bem suas convicções. Aqui nos deteremos somente à doutrina da justificação pela fé X doutrina da justificação pela fé somente. Lembrando que a falta de conhecimento leva a prática religiosa ao fanatismo (inconsciente) como o apóstolo Paulo adverte em Romanos 10.2-3: “Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento. Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus”.

Assim como há enganos quanto ao conhecimento da doutrina católica, da mesma forma ocorre com o protestantismo. Por isso faremos um resumo dos conceitos envolvidos na concepção protestante:

1. A justiça que nos justifica é a de outro: justiça imputada.
2. Essa justiça foi desenvolvida por Jesus Cristo: justificação por ato.
3. Essa justiça de Cristo é imputada por causa da graça: pecador declarado justo.
4. Por causa da imputação o pecador pode ser declarado justo: declaração sintética. Ao mesmo tempo pecador e justo.
5. A fé não deve ter qualquer qualidade: fé como ato.
6. O início e fim da justificação são mediante a fé somente. Mas a própria fé é justificada pelas obras, isto é, após a justificação as boas obras devem existir apenas para confirmar a fé como verdadeira. Assim o pecador é justificado pela fé somente e a fé é justificada pelas obras.
7. Santificação não participa do ato de justificação, mas ocorre depois. O status do pecador muda apenas com a justificação e a sua natureza apenas muda a partir da regeneração e se aperfeiçoa com a santificação. Logo, justificação é estritamente uma questão forense, mas num sentido amplo é sempre acompanhada da regeneração, isto é, o pecador justo não é (vive) mais o mesmo pecador de antes, pois sua natureza é transformada de forma a querer viver para Deus.

Em Romanos 4.4-5 – “Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça” – e Filipensses 3.8,9 – “não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé” – encontramos embasamento para o primeiro ponto. A justificação por meio da imputação da justiça inerente de Cristo contém dois aspectos: negativo e positivo. O aspecto negativo é que Cristo precisou morrer no lugar do pecador para pagar por seus pecados. O aspecto positivo é que Cristo precisou viver perfeitamente a lei no lugar do pecador para que este tivesse uma justiça perfeita diante de Deus. Portanto o pecador, por imputação, teve sua dívida paga e cumpriu perfeitamente a lei. A justiça infundida encontra um problema em relação ao sacrifício de Jesus. Isto porque se os pecados fossem infundidos em Cristo, este se tornaria inerentemente mal e não poderia pagar nem pelos os próprios pecados. Assim foram imputados a Cristo os resultados dos pecados (a dívida e a impossibilidade de cumprir perfeitamente a lei) daqueles que foram justificados pela fé.

A justificação não pode ser um processo porque a justiça do pecador, por imputação (um ato), é a justiça perfeita de Cristo. Por isso encontramos nas Escrituras que ao ser justificado o pecador já não entra mais condenação – “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Romanos 8.1,2) – ou juízo – “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (João 5.24).

O terceiro e quarto ponto pode ser resumido pela expressão “Justo e Justificador” em Romanos 3.26: “para Ele mesmo ser Justo e o Justificador daquele que tem fé em Jesus”. Num mesmo ato Deus agiu com misericórdia e justiça.

O quinto ponto baseado em Romanos 5.1,2 – “Justificados, pois mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes” – e em Efésios 2.8 – “Porque pela graça sois salvos,mediante a fé, e isto não vem de vós; é dom de Deus” – diz que não é por causa da força, pureza, sinceridade ou qualquer qualidade na fé que o pecador é justificado, pois é a justiça de Cristo por causa da graça que nos justifica. A fé é meramente um instrumento e não tem valor em si, um vaso vazio e de barro, respectivamente, como bem expresso em 2 Coríntios 4.7: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós”. É por causa da graça (favor imerecido) que a justiça de Cristo nos é imputada mediante a fé. A fé, portanto, não tem nenhuma condição meritória, mas uma condição instrumental ou lógica. A fé em si é vazia para a justificação, pois ela apenas recebe o que realmente tem valor: a justiça de Cristo. Por isso Deus não pode responder a nossa fé, e sim usar a nossa fé como vaso para derramar a justiça de Cristo, pois a causa da justificação não é a fé do homem, mas a graça de Deus. A justificação é pela graça somente porque a fé é um instrumento e não mais uma obra: “E, se é pela graça, já não pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Romanos 11.6). Aliás, se a fé em si salvasse (ajudasse a salvar) então ela teria que ser perfeita para gerar uma salvação perfeita. Muitos justificam que Salmos 51.17 dar a entender que Deus não despreza a justificação do pecador quando a sua fé é acompanhada de um coração quebrantado, mas lendo o versículo anterior descobrimos que o texto faz um contraste entre oferecer um sacrifício que Deus prefere e oferecer um sacrifício que Deus não se agrada, que pode ocorrer na santificação e não para a justificação: “pois não te comprazes em sacrifícios; do contrário, eu tos daria; e não de agradas de holocaustos. Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantando; coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus”. (Salmos 51.16,17)

O início e fim da justificação são mediante a fé somente exatamente porque Cristo é o “Autor e Consumador” dessa fé: “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus” (Hebreus 12.2). Novamente repetimos que o importante é o conteúdo do vaso e não o vaso. Por isso que Deus se agrada da fé do pecador como dito em Hebreus 11.6. Porque é a justiça de Cristo que Deus “vê” em nossa fé em vez da nossa justiça própria.

E como é viver sendo um pecador justificado? Quer dizer que não importa se faço boas obras de agora em diante?

3. Obedecendo pela fé

Estamos chegando na última etapa de nossa caminhada, onde aprenderemos como obedecer pela fé, sendo um pecador e justificado ao mesmo tempo. O ponto mais importante aqui é compreender o lugar das boas obras na vida de um pecador já justificado, pois alguns podem questionar: “De que adianta boas obras se já estamos justificados?”. Ou mais corrente no meio evangélico onde as boas obras se tornam em santidade: “De que adianta santidade se estou justificado de todo jeito?”; “De que adianta vigilância se não perderei a salvação?”.

As perguntas anteriores são típicas de pessoas que não entenderam a obediência pela fé ou não receberam uma nova natureza para obedecer pela fé. E não tocamos num ponto que foge ao escopo do estudo: regeneração. Quando ocorre a justificação o pecador é também regenerado em sua natureza de forma a não ser o mesmo pecador de antes. Ele agora busca ser justos diante dos homens – sabendo que diante de Deus só será justo pela fé – e santo diante de Deus. Ora, “Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” [I Co 1.30]. Jesus já cumpriu tudo aquilo que Deus requer de nós em sua lei de forma perfeita: santidade, sabedoria e justiça. Nada que façamos irá aumentar (diminuir) alguma coisa em nossa justificação.

Estamos justificados pela fé diante de Deus, mas pela fé não estamos “justificados” diante dos homens. Precisamos demonstrar aos homens que somos justificados, para isso nossa fé precisa ser validada (justificada) com as boas obras. E é exatamente isso que Tiago diz em sua carta. O erro de Roma aqui está em entender Tiago 2.14-26 como justificação pela fé e pelas obras, e na verdade está se falando de justificação da fé e não do pecador, pois em Gênesis 15, Abraão é justificado por sua fé – texto usado por Paulo – e em Gênesis 22.9-18, a fé de Abraão é justificada por sua obediência. Mas esse entendimento é claro só é possível se usar uma regra básica de hermenêutica: contexto.

Essa questão de justificação diante dos homens é uma coisa séria. Como pode um justificado não se comportar como um? Ora, para algo ser (justificado como) sabedoria deve ter frutos de sabedoria (Mateus 11.19). Portanto a palavra justificado usado por Tiago tem um sentido de validado.

Além de não demonstrar hipocrisia aos homens o justificado deve ser santo diante de Deus, não para alcançar ou melhorar sua justificação (salvação), pois não pode, porém para não atrapalhar a sua vida espiritual e sua intimidade com Deus (Salmos 32; 51). O sentido de boas obras não é apenas caridade. Santidade também é uma boa obra, porque se feita de forma perfeita pelo homem então este recebe merecidamente aceitação de Deus. Ora, não foi pela santificação e justiça perfeita de Cristo que fomos justificados?

Um grande problema que pode ocorrer na vida de um pecador justificado é exatamente achar que não é mais pecador e pensar ter alcançado a perfeição. Isto porque ele não compreende muitas vezes que apesar de não podermos mais sofrer a condenação de algum pecado (Romanos 8.1,2), pensa que não pecou, que não é culpado por algum pecado cometido. Isto fica mais claro no meio pentecostal, pois alguns quando cometem determinados pecados culpam os demônios. Só que quem comete o pecado é o culpado e não quem monta uma circunstância que nos propicia a pecar. Isso eles vão fazer sempre. É tolice se preocupar se um demônio está irado ou não com nossa situação. Ele sempre está! Portanto a justificação pela fé tira a condenação do pecado, mas não a culpabilidade do pecado. Por isso, devemos confessá-los para reconhecer que somos os autores desse pecados e assim progredirmos na santificação e não esquecer que para isso temos um Advogado junto ao Pai (1 João 2.1). A justificação nos tira de uma prisão onde fomos sentenciados à morte (perdoado) e a santificação nos tira de uma doença mortal (curado).

Quem obedece com boas obras e/ou santificação para garantir a salvação ou alcançá-la não obedece pela fé e, portanto, não demonstra ser justificado pela fé, pois está tentando acrescentar algo a justiça perfeita de Cristo.

Livro base

Nome: A Marca da Vitalidade Espiritual da Igreja: Justificação Pela Fé Somente.

Autores: RC Sproul; John Marcarthur, Jr; Joel Beeke; John Gerstner; John Armstrong.

Editora: Cultura Cristã.

Fonte: Cidade Viva

terça-feira, 1 de julho de 2014

Salvador, mas não Senhor? | Michael Horton

Jesus CristoO anunciado “debate senhorio-salvação”, a visão amplamente sustentada de que Jesus pode ser o Salvador de uma pessoa sem ser o seu Senhor, está finalmente recebendo a crítica que merece. Contudo, há perigos em ambos os lados deste debate.

Por um lado, há aqueles que afirmam que uma pessoa pode se virar para Cristo em fé sem nunca se submeter ao Seu senhorio. Somos salvos, eles dizem, fazendo de Cristo Salvador, não O fazendo Senhor. O outro lado reage dizendo que isso é “fé do diabo” — isto é, o tipo de “fé” da qual Tiago falou quando perguntou retoricamente, “Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?” (Tiago 2:14).

A fé salvadora inclui não apenas a dependência em Cristo para a libertação do julgamento, mas compromisso com Cristo e submissão ao Seu senhorio.

No caso daqueles que negam a necessidade de “fazer de Cristo, Senhor”, deveríamos responder, em primeiro lugar, concordando que não somos salvos “fazendo de Cristo, Senhor”. Mas também não somos salvos “fazendo de Cristo, Salvador”. Não fazemos nada de Cristo! Ele é Salvador e Ele é Senhor sem levar em consideração o que pensamos ou fazemos dEle. Na verdade, é porque Ele é Salvador completamente à parte de nossa atividade que somos salvos em primeiro lugar. Ele veio a nós “estávamos mortos” (Efésios 2:5). Ele nos regenera, nos dá o dom da fé e, então, nos justifica através da fé em Cristo. A escola de pensamento “fazer dEle seu salvador” adere ao que tem sido chamado “regeneração que provém de decisão”. Para muitos, é esta “pequena” obra que fazemos que se torna merecedora da vida eterna.

Uma segunda falha no ensino “Salvador, mas não Senhor” é o recorrente erro wesleyano de tornar justificação e santificação dons que são separadamente obtidos através de atos separados de fé. De acordo com as Escrituras, há um ato de fé que nos une a Cristo e, uma vez unidos a Ele através deste ato de fé, tanto a justificação (a declaração de justiça de uma vez por todas) quando a santificação (um processo gradual, lento e doloroso de crescimento na justiça) se tornam nossos em Cristo. Somos justificados de uma vez, mas só somos santificados em um processo gradual. Contudo, tanto a declaração quanto o processo são dados apenas através da mesma condição de fé em Cristo somente (Romanos 8:30; 1 Coríntios 1:30; Efésios 2:8-10).

Por isso, neste campo deveríamos insistir na união com Cristo como a obra soberana de Deus em não apenas tornar possível uma nova vida, mas criá-la onde nenhuma causa existia além da Sua própria vontade e esforço.

É aceito pela razão que se nós “fazemos de Cristo, Salvador”, podemos também determinar se permitiremos que Ele seja nosso Senhor. Mas a Bíblia não fala sobre permitir que Ele seja ou faça isso ou aquilo. “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade” (Filipenses 2:13). Conseqüentemente, é inevitável que a árvore boa produza bons frutos. Aqueles a quem Deus regenera tornam-se árvores vivas. “Não fostes vós que me escolhestes a mim”; disse Jesus, “pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” (João 15:16). Quando a salvação é vista como programa de homem, é deixado para o homem escolher se deixará Deus fazer isso ou aquilo, mas quando é vista como programa de Deus, há uma confiança e uma certeza que ninguém a quem Deus regenera será chamado de “cristão carnal”. Lutero disse;

“Se as obras e o amor não florescerem, não é fé genuína, o evangelho ainda não ganhou posição segura, e Cristo não é ainda corretamente conhecido”.

Novamente, se temos Cristo, temos Sua santidade imputada (justificação) como também Sua santidade transmitida (santificação). Sem o sentido de uma, não pode haver sentido da outra.

Ao mesmo tempo, no entanto, há um perigo igual quando reagimos contra esta falsa mensagem: enfatizar a inevitabilidade do fruto a ponto de subestimar a realidade da pecaminosidade em andamento. Novamente, é “simultaneamente pecador e justificado”. Calvino nos preveniu a esse respeito. Existe a igreja visível, constituída de todos os cristãos professos de todos os tempos e lugares e, então, existe a igreja invisível, constituída de todos os verdadeiros crentes. Para pertencer à primeira, uma pessoa precisa confessar a Cristo, ser batizada, e receber a Santa Comunhão. E aceitamos todos em nossa congregação que pertencem à igreja dessa forma, quer pareçam ou não possuir o zelo ou grau de compromisso que esperaríamos. Visto que definitivamente não podemos saber o número de crentes genuínos (igreja invisível), não devemos nos tornar “polícia dos frutos”. Nas próprias palavras de Calvino;

“Saber quem são seus é uma prerrogativa que pertence unicamente a Deus (2 Timóteo 2:19)...Porque aqueles que parecem totalmente perdidos e acima da esperança são, pela Sua bondade, chamados de volta ao caminho; enquanto aqueles que, mais do que os outros, parecem estar firmes, freqüentemente caem”.

Há ainda outra falha mais crítica, como a vejo, com algumas versões do “senhorio salvação”. Isto é, a tendência de alargar a definição de fé ao ponto onde realmente se torna uma obra. Por exemplo, os Reformadores definiram fé como conhecimento (compreensão dos fatos do evangelho), aceitação (ser convencido de que eles são verdadeiros), e confiança (confiar a salvação da alma a Cristo com base no conhecimento e aceitação). Apesar disso, um proponente dominante do “senhorio salvação” escreveu “a fé circunda a obediência” e que a confiança (terceiro aspecto da fé) “é a determinação da vontade para obedecer à vontade”. Pode bem ser um caso de semântica aqui, mas quando estamos falando do maior e mais santo assunto de todos das Escrituras, cada palavra é importante. A fé não circunda a obediência. Este é o ponto do apóstolo Paulo em Romanos 4, e, quanto à questão, por todos os seus escritos: Somos justificados pela graça através da fé — não através da obediência. Assim, quando fazemos da obediência um aspecto da fé, maculamos a fé e as obras, a justificação e a santificação. Uma vez justificados, a fé e as obras não são divergentes — a primeira produz as últimas. Porém, a fé é sempre divergente do mérito. O fruto que observamos ou deixamos de observar nunca pode ser usado como uma vara de medida; neste caso, a fé produz mérito em vez deobras, e isso é claramente não escriturístico. Justiça de obras pode facilmente se confundir com “fé” quando a fé é definida como se circundasse a obediência. Além disso, confiança justificadora não é “a determinação da vontade em obedecer à verdade”, mas a confiança que Deus nos dá de que Cristo já cumpriu nossa obediência. Estas palavras são, de fato, importantes.

Todavia, embora a fé não circunde a obediência, ela a produz. E, embora a confiança certamente não seja “a determinação da vontade em obedecer à verdade”, confiar em Cristo pela fé apenas inevitavelmente levará a uma nova vontade de obedecer à verdade. Para o campo “Salvador”, mas não “Senhor”, deve haver um reconhecimento de que a fé inevitavelmente produz obediência devido à iniciativa soberana de Deus (em vez de uma pessoa fazê-lo Senhor). E para a escola “senhorio salvação”, deve haver o reconhecimento de que, embora a fé inevitavelmente produza obediência, a fé não é, apesar disso, obediência.

A Reforma realmente respondeu esta questão de uma forma às vezes negligenciada por ambos os lados do presente debate. Por exemplo, Lutero falou sobre sermos justificados só pela fé, mas não pela fé que está só. Àqueles que adicionariam à fé um elemento de obediência ativa (outro que não a de Cristo), os Reformadores repreenderiam, “Fé apenas!” Mas aos antinomianos (i.e., aqueles negariam o efeito da fé salvadora), eles insistiriam que a fé verdadeira nunca é isolada. Isso, de fato, é a semente que cai no solo rochoso ou é sufocada pelas ervas daninhas.

Outra definição da posição Reformada é expressa no Catecismo de Heidelberg. Somos advertidos contra qualquer perfeccionismo, “Até mesmo o melhor que fazemos nesta vida é imperfeito e manchado com o pecado”, fazendo com que toda obediência seja, na melhor das hipóteses, imperfeita. Isso, naturalmente, é consistente com Isaías 64:6, onde nos é dito, “todas as nossas justiças são como trapo da imundícia”. Mesmo assim, o Catecismo apressa-se em responder à pergunta, “Este ensino não faz com que as pessoas se tornem indiferentes e más?” “Não. É impossível que aqueles enxertados em Cristo pela fé verdadeira, não produzam frutos de gratidão”.

Eis aqui, então, dos dois corrimões da Reforma: somos justificados unicamente pelo conhecimento, aceitação e confiança na pessoa e obra de Jesus Cristo. Porém, qualquer pessoa justificada, foi regenerada, enxertada na vida de Cristo, e frutos de gratidão inevitavelmente se seguirão. Sem um interesse no Salvador e na Sua Palavra e sacramentos, não há vida. O senhorio de Cristo não é uma opção para os cristãos de primeira classe, mas uma inevitabilidade para todos os que compartilham Sua vida.


Por: Michael Horton

Fonte: As Doutrinas da Maravilhosa Graça, Michael Horton, Editora Cultura Cristã, páginas 169-173.

Fonte secundária: Monergismo

domingo, 23 de fevereiro de 2014

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Como um homem pode ser justo diante de Deus? | Bob jennings, Charles Leiter.

TRANSCRIÇÃO DO VÍDEO

Como pode um homem ser justo diante de Deus? O que pode remover meus pecados? Nós costumávamos a cantar isso, eu cantava isto com as crianças… O que pode remover meus pecados? E eu falava: “Nada” O que pode remover meus pecados? “Nada…” “Nada além do sangue de Cristo.” Nada além do sangue de Cristo. Esse é o único caminho. Os nossos pecados foram atribuidos a Cristo, tudo foi cobrado na Sua conta e Ele pagou na íntegra. Ele realmente fez isso! Ele realmente levou os seus pecados e os meus pecados. Se você é um filho de Deus, Ele realmente levou todos os pecados em Seu próprio corpo na cruz. Os seus pecados não estão voando pelo ar. Você imagina as coisas mais perversas que você já fez, amados, os seus pecados não estão voando pelo ar. Os seus pecados caíram sobre Jesus Cristo e Ele pagou na íntegra! Essa é a unica maneira de ser achado justo diante de Deus.

Considere o Cordeiro de Deus em Sua ressurreição, Levantado com grande poder! não há força muscular, nenhuma força mecânica, nenhuma potência elétrica, nenhuma energia nuclear, que poderia tê-lO ressuscitado da morte, e esse mesmo poder está em você.

Eu não sou mais um criminoso debaixo da ira de Deus, que destá diante de um juiz furioso. Eu sou um filho que foi adotado por uma família. Você tem que lançar mão do fato de que você está em uma nova posição. Você está em uma posição de graça. Você é um filho.

Lembre-se que uma coisa surpreendente é que você não está realmente debaixo de um julgamento de um juiz. Quando você peca, crente, você não está diante de um juiz com uma seta apontada em sua cabeça. Você está diante de um pai. Você está diante de um pai que quer te levantar e fazer você andar novamente. Que mudança de status. Isso não é glorioso?

Quarenta e um anos que eu comecei a virar meus olhos para longe dos confins da terra e passei a olhar apenas para Jesus… E agora eu poderia estar de frente para o final e estou ainda mais grato que eu posso dirigir meus olhos para Jesus.

Quando alguém ainda está tentando se acertar com Deus guardando a Lei, quando as pessoas estão tentando merecer a salvação por alguma forma de obediência pelas coisas que elas fazem, então isso mostra que elas realmente acham que é possível, que elas podem de alguma forma merecer o seu caminho para Deus.

Sua justificação e sua aceitação por Deus não é baseado em seu desempenho. O quão bem você andou ontem. Você diz: “Oh, ontem eu orei o dia inteiro.” Bem, você sabe o que a Bíblia diz? Ela diz que as nossas orações são feitas aceitáveis pelo sangue de Jesus. Paulo começa em Romanos, ele diz, “Primeiramente dou graças ao meu Deus por meio de Jesus Cristo por causa de todos vocês…” (Rm 1:8a) Você não pode nem sequer agradecer a Deus a não ser através do sangue de Jesus Cristo. E nós somos chamados a oferecer sacrifícios espirituais agradáveis ​​a Deus através de Jesus Cristo. As melhores obras que poderíamos fazer não têm nada a ver com isso. O remorso não tem nada a ver com isso. “Mesmo que minhas lagrimas caiam para sempre, ou mesmo que meu zelo não conheça alívio algum, nada disso poderia expiar os meus pecados. Tu é quem tem que salvar e somente Tu.” [Trecho do hino Rocha das Eras/"Rock of Ages" de Augustus M. Toplady]

Vocês percebem cada vez mais, não é irmãos? Que o problema com este mundo não é econômico não é educacional, não é ambiental, não é político, não é governamental. O problema supremo da raça humana é o pecado. E o problema supremo que eu sempre vou ter que enfrentar é o pecado. Esse é o inimigo número um. É o pecado, em todas as suas formas. É isso que tem enchido nossos tribunais e nossas cadeias. Isso é o que tem enchido os cemitérios em cada cidade e em cada aldeia. Isso é o que fez com que o mundo de hoje seja um lugar de devastação em uma zona de guerra. Todo o crime, toda a dor, todas as lágrimas, todas as mortes, todos os lutos, todos os acidentes, todas as tristezas, e todas as perdas; Todas as tragédias são por causa do pecado. O pecado entrou no mundo e nós estamos sob o reinado do pecado e da morte. Ele está agitando o mundo, fazendo com que o próprio mundo sofra Os céus e a terra que gemem diante do peso do pecado [rf. Rm 8:22]. e o que o mundo precisa não é um filósofo, o mundo não precisa de um professor. O mundo não precisa, necessariamente,de um professor ou um algo do género. O que este mundo precisa é de um salvador. Seu nome será Jesus, porque Ele salvará. Ele deve salvar, tirar todos os pecados do mundo. e até mesmo os pagãos sabem disso, não é?

O maior pecado que alguém pode cometer é não dar valor a Deus e não apreciá-lO. Todos os outros pecados provêm desse. O primeiro mandamento é: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, alma, mente e força.” Essa é a primeira chamado a toda alma. É isso que tudo na criação chama você a fazer. Essa é a essência do universo é que Deus deve ser adorado, porque Ele é um Deus glorioso. E o que faz com que os cananeus sejam tão maus, é que por quatrocentos anos eles não cairam com o rosto por terra e disseram: “Eu Te amo senhor. Você fez o sol. Você fez a lua. Você fez meus filhos. Você fez este mundo glorioso. Perdoe-me dos meus pecados.”

E você criança, vocês que crescem em um lar cristão. A Palavra está perto de você. O caminho da salvação está perto de você hoje. Portanto, não digas no teu coração que você tem que esperar por uma determinada idade porque você pode crer em Cristo agora! Neste momento e ser salvo. E olhe para Ele agora.

Eu sou aceito na família, pelo sangue de Jesus Cristo. Isso é imutável. Seu amor está em mim. Ele é para mim. Ele esta comigo. E eu sou novo. E eu realmente gosto de fazer justiça. E eu não tenho que viver como eu vivia antigamente. E eu não estou sozinho. E eu tenho autoridade… porque eu sou um filho de Deus.

Ele desceu do Seu trono; e Ele desceu para o meio de pecado e miséria, e lágrimas e Ele tocou as pessoas que nunca tinham sido tocadas; e Ele falou com pessoas com quem nunca se falava; e em Sua hora mais escura, Ele desceu ainda mais como um escravo em uma cruz e morreu sob a ira de Deus. E com uma vida derramada na morte, Ele te puxou para fora do buraco que você tinha cavado. É assim que o Senhor Jesus te amou. “…como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim.” (Jo 13:1b)

Diga-lhes, ‘Olha, se você acredita genuinamente, sinceramente, realmente, verdadeiramente, amorosamente, inteiramente neste Cordeiro de Deus, você entenderia que Ele pagou sua dívida de pecado. Você entenderia que Ele morreu por você Devemos proclamá-lo em todos os lugares. Diga a todos a boa notícia de que um Salvador morreu.

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segunda-feira, 18 de março de 2013

Justificação: a diferença entre o conceito Protestante do Católico Romano | R. C. Sproul

Fonte: Editora Fiel

Qual a diferença entre a fé protestante da católica romana? Apesar de existir várias diferenças, a principal controvérsia da época da Reforma Protestante foi sobre a questão da justificação somente pela fé. É sobre isso que R. C. Sproul fala neste vídeo.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Se você tivesse dois minutos para falar com o Papa, o que você diria a ele? | John Piper

  • Por: John Piper
  • Fonte: Desiring God.
  • Tradução: Victor Hugo Marinho
  • Legendas: Evandro Marinho

Você tem permissão, bem como nosso incentivo, para reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, contanto que não altere, em alguma maneira, a fraseologia e não cobre um valor além do custo de reprodução. Para postar na internet, preferimos a utilização de um link referente a este documento remetendo a nosso website. Quaisquer exceções a essas orientações têm de ser aprovadas pelo Desiring God.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A salvação na perspectiva do tempo | Rev. Hernandes Dias Lopes

  • A salvação é obra de Deus e não do homem. 
  • É salvação do pecado e não no pecado. 
  • É salvação pela graça divina e não pelo mérito humano. 
  • É recebida pela fé e não pelas obras. 
  • A salvação foi planejada na eternidade, é executada na história e será consumada no segunda vinda de Cristo. 
A salvação pode ser analisada na perspectiva do tempo. Quanto ao passado já fomos salvos, quanto ao presente estamos sendo salvos e quanto ao futuro seremos salvos. Quanto ao passado, já fomos salvos da condenação do pecado; quanto ao presente, estamos sendo salvos do poder do pecado; e quanto ao futuro, seremos salvos da presença do pecado. Vejamos esses três tempos da salvação:

Em primeiro lugar, quanto à justificação já fomos salvos. A justificação é um ato e não um processo. É feita fora de nós e não em nós. Acontece no tribunal de Deus e não em nosso coração. Pela justificação, Deus nos declara justos em vez de nos tornar justos. A justificação é completa e não possui graus. Todos os salvos estão justificados de igual forma. A justificação é um ato legal e forense. Com base na justiça de Jesus, o Justo, Deus justifica o injusto sem deixar de ser justo. Seria injusto Deus justificar o injusto. Porém, Deus, é justo e o justificador do que crê. Isso, porque Deus satisfez sua justiça quando entregou seu Filho, o Advogado Justo, para sofrer as penalidades que nós deveríamos sofrer. Deus fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. Agradou a Deus moê-lo. Jesus foi traspassado pelos nossos pecados. Ele foi feito pecado por nós. Ele bebeu, sozinho, todo o cálice cheio da ira de Deus contra nós, pois éramos filhos da ira. Pela morte de Cristo a lei foi cumprida e a justiça foi satisfeita, de tal maneira que, agora, Deus pode ser justo e justificador. Deus considerou satisfatório o sacrifício substitutivo do seu Filho e nos declarou quites com sua justiça. Já não pesa mais nenhuma condenação sobre aqueles que estão em Cristo Jesus, pois o próprio Jesus é a nossa justiça.

Em segundo lugar, quanto à santificação estamos sendo salvos. A salvação já está consumada pelo sacrifício perfeito e irrepetível de Cristo. Diante do tribunal de Deus já estamos salvos. Nossos pecados passados, presentes e futuros já foram tratados na cruz de Cristo. Porém, quanto ao processo da santificação, estamos sendo transformados de glória em glória na imagem de Cristo. Agora, Deus está trabalhando em nós, formando em nós o caráter de seu Filho. Se a justificação é um ato, a santificação é um processo que começa na regeneração e só terminará na glorificação. Se a justificação não tem graus, a santificação tem. Nem todos os salvos estão na mesma escala de crescimento rumo à maturidade. Precisamos, dia a dia, negarmo-nos a nós mesmos. Precisamos de alimento sólido e de exercício contínuo, a fim de fortalecermos as musculaturas da nossa alma. Se Cristo é o nosso substituto na justificação, ele é o nosso modelo na santificação.

Em terceiro lugar, quanto à glorificação seremos salvos. A salvação é um fato pretérito, uma realidade presente e uma garantia futura. Todos aqueles que foram conhecidos por Deus de antemão, foram também predestinados, chamados, justificados e glorificados. Muito embora a glorificação seja um fato consumado nos decretos de Deus, há de historificar-se apenas na segunda vinda de Cristo. Nós, que já fomos salvos da condenação do pecado e estamos sendo salvos do poder do pecado, seremos, então, salvos da presença do pecado. Receberemos um corpo imortal, incorruptível, poderoso, glorioso e celestial, semelhante ao corpo da glória de Cristo. Quando Cristo voltar, em sua majestade e glória, os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro e os que estiverem vivos, serão transformados e arrebatados para encontrarem o Senhor Jesus nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Essa expectativa bendita não é apenas uma vaga esperança, mas uma certeza inabalável. Nós que fomos escolhidos na eternidade e chamados eficazmente no tempo, seremos recebidos na glória!


Rev. Hernandes Dias Lopes