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sábado, 12 de outubro de 2013

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Como Passar o Dia Com Deus | Richard Baxter

Richard-Baxter

“Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (I Cor 10.30)

Sono

Controle o tempo do seu sono apropriadamente, de modo que você não desperdice as preciosas horas da manhã preguiçosamente em sua cama. O tempo do seu sono deve ser determinado pela sua saúde e labor, e não pelo prazer da preguiça.

Primeiros Pensamentos

Dirijam a Deus os seus primeiros pensamentos ao acordar, elevem a Ele o coração com reverência e gratidão pelo descanso desfrutado durante a noite e confiem-se a Ele no dia que inicia.

Familiarizem-se tão consistentemente com isto, até que a consciência de vocês venha a acusá-los quando pensamentos ordinários queiram insurgir em primeiro lugar. Pensem na misericórdia de uma noite de descanso, mal acomodados, padecendo dores e enfermidades, cansados do corpo e da vida.

Pensem em quantas almas foram separadas dos seus corpos nesta noite, aterrorizadas por terem que se apresentar diante de Deus, e em quão rapidamente os dias e noites estão passando! Quão rapidamente a última noite e dia de vocês virão! Considerem no que está faltando no preparo da alma de vocês para tal momento e busquem isso sem demora.

Oração

Acostumem-se a orar sozinhos (ou com o cônjuge) antes da oração coletiva em família. Se possível, que isto seja feito antes de qualquer outra ocupação.

Culto Familiar

Realizem o culto familiar consistentemente e em uma hora em que é mais provável que a família não sofra interrupções.

Propósito Básico

Lembrem-se do propósito básico da vida de vocês, e quando estiverem se preparando para trabalhar ou realizar atividade neste mundo, que a inscrição santos para o Senhor esteja gravada no coração de vocês em tudo o que fizerem.

Não realizem nenhuma atividade que não possam considerar agradável a Deus, e que não possam verdadeiramente afirmar que Deus a aprova. Não façam nada neste mundo com nenhum outro propósito que não agradar a Deus, glorificá-lO e gozá-lO. O que quer que fizerdes, fazei tudo para a glória de Deus (1 Co.10:31).

Diligência na Vocação

Realizem as tarefas concernentes à ocupação de vocês cuidadosa e diligentemente. Assim fazendo:

1.Vocês demonstrarão que não são preguiçosos e escravos da carne (como aqueles que não podem negar-lhe o comodismo); e estarão mortificando todas as paixões e desejos que são alimentados pelo comodismo e preguiça.

2.Vocês estarão mantendo fora da mente os pensamentos indignos que fervilham nas mentes de pessoas desocupadas.

3.Vocês não estarão desperdiçando tempo precioso, algo do que pessoas desocupadas se tornam diariamente culpadas.

4.Vocês estarão num caminho de obediência a Deus, enquanto que os preguiçosos estão em constante pecado de omissão.

5.Vocês poderão dispor de mais tempo para empregar em deveres santos se realizarem suas tarefas com diligência. Pessoas desocupadas não têm tempo para os deveres espirituais, porque desperdiçam tempo demorando-se em seus trabalhos.

6.Vocês poderão esperar bênçãos da parte de Deus e provisões confortáveis para vocês e para as suas famílias.

7.Isto também pode exercitar o corpo de vocês, o que poderá habilitá-los mais para o serviço da alma.

Tentações e coisas que Corrompem

Estejam perfeitamente familiarizados com as tentações e coisas que tendem a corromper você, e sejam vigilantes o dia todo contra isso. Vocês devem estar alertas especialmente para as tentações que têm se mostrado mais perigosas e cuja presença ou emprego sejam inevitáveis.

Estejam alertas contra os pecados mestres da incredulidade: a hipocrisia, a auto-suficiência, o orgulho, o agradar a carne e o prazer excessivo nas coisas terrenas. Tenham cuidado para não se deixarem atrair para uma mente mundana, e para os cuidados excessivos , ou desejos cobiçosos pela abastança, sob a pretensão de serem diligentes no trabalho de vocês.

Se tiverem que negociar com outras pessoas, tenham cuidado contra o egoísmo ou qualquer coisa que se assemelhe à injustiça ou falta de caridade. Ao lidar com as pessoas, estejam alertas para não usarem de palavras vãs e desocupadas. Sejam vigilantes também com relação às pessoas que tentam vocês à ira (ou a qualquer tipo de pecado). Mantenham a modéstia e a clareza, no falar, que as leis da pureza requerem. Se tiverem que conviver com bajuladores, sejam vigilantes para não se deixarem inchar de orgulho.

Se tiverem de conviver com pessoas que desprezam ou injuriem vocês, resistam contra a impaciência e o orgulho vingativo.

No início estas coisas serão muito difíceis, enquanto o pecado for forte em vocês. Mas tão logo tiverem adquirido profunda compreensão do perigoso veneno de qualquer destes pecados, o coração de vocês irá pronta e facilmente evitá-los.

Meditação

Quando estiverem sozinhos nas ocupações de vocês, aprendam a remir o tempo em meditações práticas e benéficas. Meditem na infinita bondade e perfeições de Deus, em Cristo e na obra da redenção, nos céus e em quão indignos são de irem para lá e em como vocês merecem a miséria eterna do inferno.

Remindo o Tempo

Valorizem o tempo de vocês. Sejam mais cuidadosos em não desperdiçá-lo do que o são em não desperdiçar dinheiro. Não permitam que recreações inúteis, conversas vãs e companhias não proveitosas, ou o sono roubem o preciosos tempo de vocês.

Sejam mais cuidadosos em escapar das pessoas, ações ou situações da vida que tendem a roubar o tempo de vocês do que o seriam em escapar de ladrões ou salteadores.

Certifiquem-se não apenas de não estarem sendo desocupados, mas de estarem usado o tempo de vocês da maneira mais proveitosa possível. Não prefiram um caminho menos proveitosos à um outro de maior proveito.

Comer e Beber

Comam e bebam com moderação e gratidão, para serem saudáveis e não por prazer inútil. Jamais satisfaçam o apetite pela comida ou bebida quando isto tender a fazer mal à saúde de vocês.

Lembrem-se do pecado de Sodoma: “Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranquilidade, teve ela e suas filhas...” (Ez.16:49).

O Apóstolo Paulo chorou quando mencionou aqueles: “cujo destino é a destruição, cujo deus é o ventre, e cuja glória está na infâmia; visto que só se preocupam com as coisas terrenas”(Fp.3:19). Estes são chamados de inimigos da cruz de Cristo (v.18). “Porque se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis” (Rm.8:13).

Pecados Prevalecentes (queda em pecado)

Se qualquer tentação prevalecer, e vocês vierem a cair em qualquer pecado adicional às deficiências habituais de vocês, lamentem imediatamente e confessem isto a Deus. Arrependam-se rapidamente, custe o que custar. Certamente custará mais ainda continuar no pecado e sem arrependimento.

Não façam pouco caso das falhas habituais de vocês, mas confessem-nas e esforcem-se diariamente contra elas, tendo cuidado para não agravá-las pela falta de arrependimento e pelo descaso.

Relacionamentos

Atentes diariamente para os deveres especiais relativos aos vários relacionamentos de vocês, seja na condição de maridos, esposas, filhos, patrões, empregados, pastores cidadãos ou autoridades.

Lembrem-se que cada relação tem seus deveres especiais e seus proveitos da realização de algum bem. Deus requer de vocês fidelidade nestes relacionamentos, bem como em quaisquer outros deveres.

Ao Final do Dia

Antes de dormir, é sábio e necessário relembrar as nossas atitudes e misericórdias recebidas durante o dia que termina, de maneira que sejam agradecidos por todas as misericórdias recebidas e humilhados por todos os pecados cometidos.

Isto é necessário a fim de que vocês possam renovar o arrependimento bem como ser mais resolutos na obediência, e a fim de que examinem a si mesmos, para ver se a alma de vocês progrediu ou piorou, para ver se o pecado foi diminuído e a graça aumentada; e para avaliar se vocês estão mais preparados para o sofrimento, para a morte e para e eternidade.

Conclusão

Que estas instruções sejam gravadas na mente de vocês e se tornem prática diária nas suas vidas. Se vocês observarem sinceramente estas instruções, elas conduzirão vocês à santidade, à frutificação, à tranquilidade na vida, e ainda acrescentarão a vocês uma morte confortável e em paz.

Tradução: Pr. Paulo Anglada

Extraído de: Reformando-me

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Cuidado Com a Fé Falsificada - Lc 23:33-43 | Sillas Campos

Mensagem II: [1ª Mensagen][2ª Mensagen]
Cuidado Com a Fé Falsificada - Lc 23:33-43
Sillas Campos
Eu sou mesmo um cristão?
Ano: 2013
11ª Edição da Conferência Fiel para Jovens - Brasil

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A Blasfêmia Moderna Contra o Espírito Santo | John MacArthur

John MacArthur ensina sobre o ministério do Espírito Santo, Seus atributos, e desmascara e mostra as diferenças entre o verdadeiro e o falso, o santo e o profano, e o grande pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Indignação! O mundanismo e a incredulidade disfaçados de piedade.

petiçao

Ha um sentimento de tristeza em meu coração em ver não somente a situação do missionário José Dílson da Silva e Zeneide Moreira Novais, presos desde novembro de 2012 por acusações comprovadamente infundadas, após apurações realizadas pelas autoridades locais. Mesmo inocentes de tais acusações, permanecem ainda encarcerados, com o habeas corpus negado pelo governo do Senegal.

Mas minha tristeza vai além, depois de ouvir o apelo do Pastor Antonio Costa (ouça aqui), fui comparar os números, por exemplo do Festival Promessas da Globo, somente a página deste evento no Facebook tem mais de 105 Mil seguidores na página oficial do Festival o número é maior e mais especifico chaga a 105.674 (até este dia de 25 de março de 2013, às 21:30), ficando uma diferença de 72.977 a menos.

Não tenho problemas se você curte ou não curte o festival da Globo. Meu problema é com o tipo de cristianismo secreto, fraco, mundano e insignificante que muitos “cristão professos” vivem, eu sei, na verdade a grande maioria quer é; musica, benção, copo d´agua em cima da Tv, casas e etc. Ninguém que morrer para o mundo e viver para Cristo, e muitos acham que Cristo morreu para que ele tivesse duas casas, dois carros e uma (ou várias) boa renda. Você esta enganado meu amigo (pois se você age assim não tenho porque lhe chamar de irmão).

Jesus bem alertou em Mateus 7.22,23

Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.

A sua falta de piedade, de amor e de misericórdia será cobrada no dia em que Jesus voltar. Já que muitos não tem a coragem de deixar casa, conforto, família, amigos e igreja por amor dos perdidos, pelo menos dedique um tempo de oração por aqueles que largaram tudo por amor dos menos favorecidos.

Nesta hora eu fico indignado em ver uma igreja tão numerosa, porém tão fraca, que esta mais preocupada em crescer pra dentro, que esta mais preocupada com seu umbigo, sua bênçãos e que acha que Deus é um “papai Noel”, que só existe para lhe fornecer coisas que na verdade só vão servir para lhe afastar mais e mais dEle.

Este Jesus que morreu na cruz, que você pensam que nasceu de um ovo de chocolate, voltará e diante dEle, todos prestarão contas dos seus atos. inclusive dos sentimentos guardados no seus corações.

Se você é cristão e não esta sensibilizado com o que esta acontecendo com seus irmãos pelo mundo á fora, se você prefere não se manifestar é um problema seu, mas se as coisas são desta forma como falo, que lhe dizer; Você não é cristão! Você é um mundano, que gosta de estar na igreja, seja lá por qual razão for, seja lá qual for o motivo, mas certamente não é JESUS CRISTO.

Casso eu esteja errado ao seu respeito, convido-lhe a assinar a petição (AQUI), e mostrar ao nossos governantes e do Senegal, que a igreja no Brasil não esta morta.

A paz do Senhor seja conosco.

por: Evandro Marinho.

terça-feira, 19 de março de 2013

Sete Características dos falsos mestres | Colin Smith

Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. (2Pedro  2:1 )

Não há "si”, “e” ou “mas", nas palavras de Pedro. É uma declaração clara e definida. Havia falsos profetas entre o povo (de Israel no Antigo Testamento). Isso é uma questão de história.

Os falsos profetas eram um problema constante no Velho Testamento, e aqueles que falsamente afirmou ser profetas de Deus eram para ser apedrejada. As pessoas raramente tinha a vontade de lidar com eles, para que eles se multiplicaram, causando um desastre para a vida espiritual do povo de Deus.

Da mesma forma, Pedro diz: "Haverá falsos mestres entre vocês. " Observe as palavras "entre vocês." Pedro está escrevendo para a igreja e diz: "Haverá falsos profetas  entre vocês. " Assim, ele não está falando de pessoas da Nova Era na televisão. Ele está falando de pessoas na igreja local, membros de uma congregação local.

Não há tal coisa como uma igreja pura deste lado do céu. Você nunca vai encontrá-lo. O trigo eo joio crescem juntos. Warren Wiersbe escreve:

Satanás é o falsificador. . . . Ele tem um falso evangelho ( Gálatas 1:6-9 ), pregado por falsos ministros ( 2 Coríntios 11:13-12 ), produzindo falsos cristãos ( 2 Coríntios 11:26 ). . . . Satanás planta suas falsificações onde os crentes de Deus plantas verdadeiras ( Mateus 13:38 ).

Autêntico ou falsificado?

Como você reconhece o cristianismo falsificado?

Em 2 Pedro 1, lemos sobre os crentes genuínos. E em 2 Pedro 2, lemos sobre os crentes falsificados. Se você colocar estes capítulos lado a lado você vai ver a diferença entre os crentes autênticos e falsificados.

1.  Fonte DiferenteDe onde é que a mensagem vem?

Pedro diz: "Nós não seguimos  fábulas engenhosamente inventadas,  quando lhes falamos sobre o poder ea vinda de nosso Senhor Jesus Cristo "(1:16). E então ele diz que os falsos mestres explorão "com histórias que eles têm feito" (2:3). Assim as verdadeiras fontes de mestres que, segundo ele, a partir da Bíblia. O falso mestre confia em sua própria criatividade. Ele faz a sua própria mensagem.

2.  Mensagem diferente - Qual é a substância da mensagem?

Para o verdadeiro mestre, Jesus Cristo é o centro. "Nós temos tudo que precisamos para vida e piedade nele" (1:3). Para o falso mestre, Jesus está às margens: "Eles vão introduzir secretamente heresias destruidoras, negando até o Soberano Senhor que os resgatou" (2:1).

Observe a palavra “secretamente”. É raro alguém na igreja abertamente negar Jesus. O movimento de distância da centralidade de Cristo é sutil. O falso mestre irá falar sobre como as outras pessoas pode ajudar a mudar sua vida, mas se você ouvir com atenção o que ele está dizendo, você vai ver que Jesus Cristo não é essencial para a sua mensagem.

3 . Diferente posição - Em que posição a mensagem irá lhe deixar?

O verdadeiro cristão "escapa da corrupção no mundo causada pela cobiça" (1:4). Ouça como Pedro descreve o falso cristão: "Eles prometem ... liberdade, quando eles mesmos são  escravos da depravação , para um homem é um escravo para o que quer que ele tenha dominado "(2:19). O verdadeiro crente está escapando corrupção, enquanto o crente falsificação é dominado por ele.

4.  Diferente Personagem - Que tipo de pessoas esta mensagem produz?

O verdadeiro crente persegue bondade, conhecimento, auto-controle, perseverança, piedade, bondade, irmão e amor (1:5). O falso cristão é marcado pela arrogância e difamação (2:10). Eles são "especialistas em ganância" e "seus olhos estão cheios de adultério" (2:14). Eles também "desprezam a autoridade" (2:10). Esta é uma característica geral de um crente falsificado.

5.  Apelo diferente - Por que você deve ouvir a mensagem?

O verdadeiro mestre apela para a Escritura. "Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la," (1:19). Deus falou, e os verdadeiros mestres apelaram para sua palavra.

O falso mestre faz um apelo bastante diferente: "Ao apelar aos desejos lascivos da natureza humana pecaminosa, eles atraem as pessoas que estão escapando aos que vivem no erro" (2:18).

  • Assim, o verdadeiro mestre pergunta: "O que Deus disse em sua Palavra?"
  • O falso mestre pergunta: "O que as pessoas querem ouvir? Que vai apelar para a sua carne?"

. 6  Frutos diferentesQual o resultado que a mensagem tem na vida das pessoas?

O crente verdadeiro é eficaz e produtivo em seu conhecimento de Jesus Cristo (1:8). A contrafação é "como uma mola sem água" (2:17). Este é um quadro extraordinário! Eles prometem muito, mas produzem pouco.

7.  Final diferente - Onde a mensagem pode levar você?

Aqui encontramos o contraste mais perturbador de todos. O verdadeiro crente receberá "boas-vindas de um rico no reino eterno de nosso Senhor Jesus Cristo" (1:11). O falso crente  experimentará "repentina destruição" (2:1). "para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme." (2:3).

Jesus nos diz que haverá  muitos  que estiveram envolvidos no ministério em seu nome, a quem ele dirá: "Apartai-vos de mim, eu nunca conheci" ( Mateus 7:21 ). Quem são essas pessoas? Certamente Pedro está descrevendo-os nesta passagem.

Não seja ingênuo

Não devemos ser ignorantes: "Haverá entre vós falsos mestres" (2:1). Então, como vamos aplicar esta advertência?

Primeiro, esta simples declaração  de Pedro lembra-nos que a Igreja precisa ser protegida. Entre as muitas pessoas maravilhosas que vêm através das portas da igreja a cada ano, alguns fazem mais mal do que bem.

Eles podem parecer ótimas pessoas, mas eles não acreditam na autoridade da Bíblia ou na exclusividade da salvação em Cristo. Congratulamo-nos com essas pessoas, porque eles precisam de Cristo, tanto quanto nós, mas não devemos permitir que eles tenham influência na igreja.

Segundo, os céticos sempre serão capazes de apontar a hipocrisia e incoerência na igreja. Eles sempre fezem isso, e sempre farão. Um dos mais estranhos motivos para não seguir a Cristo é assim:

"Eu vi pessoas na igreja que são hipócritas". Então você não vai seguir a Cristo, porque algumas pessoas que afirmam seguir a Cristo são hipócritas?

A existência da falsificação nunca é uma boa razão para rejeitar o genuíno. Pedro essencialmente nos diz: "É claro que existem falsos cristãos. Claro que existem mestres que fazem mal a igreja mais do que bem. O que mais você poderia esperar deste mundo caído?

Cresçam! Não sejam ingênuos! Não percam o que é real, simplesmente porque você tem visto a falsidade ".

Aponte para 2 Pedro 2:1 da próxima vez que encontrar alguém escondido atrás essa desculpa.

Há quatro tipos de pessoas no mundo | Tim Challies

challies-leiEsta manhã eu revi o novo livro do Tim Keller “Galatians For You” [Gálatas para você]. Eu também queria compartilhar esta citação do livro que é uma forma muito útil para compreendermos os quatro tipos diferente de pessoas no mundo. Eis o que Keller diz:

É útil vermos que existem quatro tipos de pessoas no mundo:

Obediência a Lei, Confiança na Lei. Estas pessoas estão sob a lei e são geralmente muito presunçosas, hipócritas e se sentem superiores. Externamente, elas são muito seguras de que estão bem com Deus, mas, no fundo, carregam um monte de insegurança, uma vez que ninguém pode ter realmente certeza de que está vivendo de acordo com o padrão. Isso as torna irritáveis e sensíveis às críticas e devastadas quando suas orações não são respondidas. Isso inclui membros de outras religiões, mas aqui eu estou pensando, principalmente, em pessoas que vão à igreja. Essas pessoas têm muito em comum com os fariseus do tempo de Jesus.

Desobediência a Lei, Confiança na Lei. Essas pessoas têm uma forte consciência religiosa de obras de justiça, mas elas não estão vivendo de forma consistente com a sua consciência. Como resultado, elas são mais humildes e mais tolerantes com os outros do que os “fariseus” acima, mas também são muito mais guiados pela culpa, sujeitas a alterações de humor e, às vezes, com muito medo de temas religiosos. Algumas dessas pessoas podem ir à igreja, mas elas ficam na periferia por causa de sua baixa autoestima espiritual.

Desobediência a Lei, Não Confiança na Lei. Estas são as pessoas que jogaram fora o conceito da Lei de Deus. Elas são secularista intelectuais ou relativista ou tem uma espiritualidade muito vaga. Em grande parte escolhem seus próprios padrões morais e insistem que eles estão os alcançando. Mas Paulo, em Romanos 1:18-20, diz que em um nível subconsciente, elas sabem que existe um Deus a quem elas devem obedecer. Essas pessoas são geralmente felizes e mais tolerantes do que qualquer um dos grupos acima referidos. Mas, geralmente, há uma senso de justiça própria forte e liberal. Elas estão alcançando sua própria salvação por se sentirem superiores aos outros. Esta é apenas uma forma geralmente menos óbvia de justiça própria.

Obediência a Lei, Não Confiança Lei. Estes são os cristãos que entendem o evangelho e estão vivendo a liberdade dele. Eles obedecem a lei de Deus com gratidão e alegria advindas do conhecimento de sua filiação e da liberdade do medo e do egoísmo que falsos ídolos haviam gerado. Eles são mais tolerantes do que o número 3, mais simpáticos do que o número 1, e mais confiantes do que o número 2. Mas a maioria dos cristãos lutam para viver número 4, e tendem a ver o mundo como o 1ª,  2ª, e até mesmo a 3ª pessoa. Mas na medida em que eles fazem isso, eles empobrecem espiritualmente.

Por Tim Challies. © Tim Challies, 2002-2013. Todos os direitos reservados. Original: There Are Four Kinds of People in the World

Tradução e Divulgação : Voltemos Ao Evangelho. Original: Tim Challies – Há quatro tipos de pessoas no mundo

Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

terça-feira, 5 de março de 2013

O Homem por detrás do Ministério | Paul Tripp

ministerio-pastoralGostaria de iniciar este artigo a partir de onde o último terminou. Devemos ser cuidadosos ao definir prontidão ministerial e maturidade espiritual.

É perigoso pensar que o graduado muito bem treinado no seminário está pronto para o ministério ou mesmo confundir conhecimento, ocupação e habilidade com maturidade espiritual pessoal.

A maturidade é um fator vertical que será acompanhado por uma ampla variedade de manifestações horizontais - diz respeito ao relacionamento com Deus, resultando num viver sábio e humilde. O amor por Cristo se manifesta no amor ao próximo, a apreciação pela Sua graça se manisfesta em graça para com o próximo, a gratidão pela paciência e pelo perdão de Jesus o capacita a ser paciente e perdoador e sua experiência diária com o poder resgatador do evangelho produz amor por outros que estão experimentando o mesmo resgate.

Estes fatores precisam ser colocados em primeiro plano diante do pedido e análise de todos os candidatos ao pastorado. Não estamos selecionando habilidades, conhecimento nem experiência ministerial. Estamos selecionando pessoas consagradas de todo coração e cujos ministérios serão sempre moldados e dirigidos por alguma forma de adoração, em meio ao próprio processo de santificação, ainda lutando contra o poder tentador e enganoso do pecado e que enfrentam os engodos diários de um mundo que simplesmente não está funcionando da maneira planejada por Deus.

Estamos selecionando pessoas que Deus irá chamar à tribulação para a redenção delas mesmas e para a Sua glória, pessoas que possuam, no dia-a-dia, relacionamentos íntimos com outros pecadores, pessoas capazes de se desviar, de se enganar e que são tentadas a ser auto-suficientes e hipócritas, que trazem suas lutas e entendimentos das experiências ministeriais para este novo lugar, que precisam tão desesperadamente do perdão, da transformação, do fortalecimento e da graça libertadora quanto quaisquer outras às quais venham algum dia pregar e que ainda estão aprendendo sobre a graça.

Então devemos conhecer – realmente conhecer – quem colocamos na posição de cuidado e liderança espiritual do povo de Deus.

Alguns Exemplos Bíblicos

Ao examinarmos as Escrituras, fica claro que a liderança frutífera ou fracassada raramente se deve somente ao conhecimento, estratégia, habilidade e experiência. Vejamos o que Romanos 4 afirma de Abraão. Ele foi escolhido por Deus para receber as promessas da Sua aliança. Recebeu a promessa de que sua descendência seria como a areia do mar. Todavia, sua esposa já era idosa, muito além da idade de dar a luz, e ele ainda não tinha o filho que daria continuidade a sua linhagem. Romanos 4 nos diz algo importante sobre o coração de Abraão. Quando você e eu somos chamados por Deus para esperar por um longo período, como foi o caso de Abraão, nossa história é, não raro, uma narrativa de fé constantemente enfraquecida. Quanto mais pensamos sobre o que esperamos, mais enxergamos nossa falta de habilidade para atingir nosso objetivo. Quanto mais nos permitimos refletir porque fomos escolhidos para esperar, mais nossa fé se enfraquece.

Não é o caso de Abraão. Esta passagem nos ensina que durante este tempo de espera prolongada, sua fé, na realidade, aumentou. Ao invés de meditar na impossibilidade de sua situação, Abraão meditou no poder e no caráter Daquele que fez a promessa. Quanto mais Abraão permitia que seu coração se deleitasse na glória de Deus, mais se convencia de estar em boas mãos. Ao invés de um ciclo de falta de coragem e esperança, a história de Abraão foi um de estímulo e incentivo.

O que dizer de José, instrumento escolhido por Deus para preservar os filhos de Israel da fome e consequente extinção? Quando seduzido pela esposa de Potifar, capitão da guarda de Faraó, não cedeu. Por quê? Não foi por medo das consequências, por sua experiência de vida ou por suas habilidades de negociar as relações complicadas do palácio. Gênesis 39 nos diz claramente o que motivou José a tomar esta decisão crucial em sua vida. Ele resistiu devido à profunda devoção do seu coração ao seu Senhor. Seu coração não era movido por prazeres horizontais, mas por adoração vertical. Não podia conceber a prática uma ação tão iníqua contra Deus. Uma glória maior do que as glórias temporárias do mundo criado o cativou, e então disse um “não” sincero, enfático e sem delongas.

Pronto para Ir

Ou pense sobre Moisés diante da sarça ardente. Deus o havia escolhido para ser Seu instrumento de redenção, para livrar Israel da escravidão e levá-los à terra prometida. Mas o profeta não estava nem disposto nem otimista. Êxodo 3 e 4 registra sua argumentação com Deus. Moisés acreditava que era totalmente incapaz, despreparado e inadequado para realizar o que o Criador havia preparado para ele. A resposta do Todo-Poderoso foi simples: "Eu irei com você." A declaração final de Moisés também foi simples : "Ah! Senhor! Envia aquele que hás de enviar, menos a mim." Deus demonstrou a Moisés, em primeira mão, o poder que estava a sua disposição como o instrumento escolhido por Ele - mesmo assim, Moisés implorou-Lhe que não o enviasse.

O que está acontecendo aqui? Moisés não estava protegido por toda sua educação egípcia, não estava motivado pela abundância do seu conhecimento sobre a cultura dos egípcios e nem estava motivado pelo seu entendimento da política do palácio. Nenhum destes fatores ajudou Moisés neste ponto, pois ele foi traído pelo medo do seu próprio coração. Só em face da ira de Deus ele finalmente partiu.

Ou imagine o exército de Israel no vale de Elá, armado para a batalha, porém muito assustado para lutar. Ali permaneceu de pé como o exército escolhido do Deus Todo-Poderoso, o Senhor dos Exércitos, com medo de enfrentar o campeão filisteu, acometido por um caso lastimável de amnésia dissociativa. Esqueceram-se de quem eram e das promessas que receberam. Então formularam uma equação espiritual incorreta na medida em que levaram em conta o momento. A batalha não era aqueles soldadinhos insignificantes contra o enorme gigante, mas o gigante insignificante contra o Deus onipotente. 1 Samuel 17 narra a chegada de Davi. Este pastor de ovelhas, que ali estava para entregar mantimentos aos seus irmãos, era um homem de fé e já havia experimentado o poder resgatador de Deus. Davi não conseguia entender porque o exército não queria lutar. Num ato de coragem só possível a alguém que se reconhece como filho de Deus, Davi avançou até o vale para enfrentar Golias com nada além de uma funda. Sabia que o Senhor iria entregar em suas mãos o campeão filisteu e seu exército. Entendeu que sua luta não era na sombra da glória de Golias, mas no esplendor da glória de Deus. A coragem que vem da fé o impeliu até aquele vale.

Ou lembre-se de Elias, que após uma grande vitória contra os profetas de Baal no monte Carmelo, se sentiu tão sozinho, sem coragem e sem esperança que quis morrer. 1 Reis 19 nos mostra este patético profeta que se desviou totalmente do seu objetivo. Não conseguia ver uma saída. Convencido de que era o único homem justo que restara, estava certo que o mal triumfaria. Somente Deus poderia trazê-lo de volta ao juízo. Elias não estava sozinho, a obra de Deus não estava pronta e o mal não venceria no final. Havia ainda 7.000 homens fiéis para levar adiante o trabalho.

Pense no que disse Paulo em face da oposição de Pedro, que estava para comprometer um princípio central do evangelho por medo do que um certo grupo de pessoas pensaria a seu respeito e de como reagiriam.

Ele estava a ponto de agir de maneira a contradizer a mensagem a qual foi chamado a pregar, não por falta de conhecimento, experiência ou habilidade, mas porque, no momento, seu coração estava sendo governado mais por medo horizontal do que por fé vertical

O Fator Determinante

Em cada exemplo, a condição do coração do líder fez a diferença. O coração é, inevitavelmente, o fator determinante no ministério. Coloque duas pessoas lado a lado com exatamente o mesmo treinamento, experiência e habilidade, e seria fácil concluir que reagiriam de maneiras similares às exigências do ministério da igreja local. Sim, seria fácil, mas perigoso. O potencial para uma diferenciação significativa no sentido de como estes homens atuam como pastores é tão vasto quanto a lista de fatores que podem governar o coração de uma pessoa no ministério.

É ingenuidade pensar que o ministério pastoral é sempre estimulado pelo amor por Cristo e por Seu Evangelho, simplista concluir que as pessoas no ministério possuem um amor natural e permanente por outras e que todos estão trabalhando para difundir o reino de Deus. É importante reconhecer que muitos na obra foram seduzidos pela glória pessoal e perderam de vista a glória de Deus. Nem todos trabalham como resultado da humilde percepção de sua própria necessidade.

Ministérios fracassam porque líderes começam a pensar que já chegaram lá e não se protegem da maneira como orientam todo o resto do rebanho. É ingenuidade pensar que pastores estão isentos de tentações sexuais, medo do homem, inveja, ganância, orgulho, incredulidade, amargura e idolatria. Cada um está sendo restaurado pela graça de Deus.

Então, é essencial compreender o coração do homem por detrás do conhecimento, habilidade, experiência e estratégia ministerial antes de convidá-lo a pastorear o rebanho de Deus. Pode estar certo de que como os líderes de Deus do Antigo Testamento, os atuais irão enfrentar momentos cruciais de escolha no ministério e na vida pessoal. Nestes momentos importantes, o coração consagrado vencerá e determinará as escolhas certas. Porque, como todas as pessoas, o que governa o seu coração direcionará sua vida e seu ministério. É imprescindível ir além, muito além do perfil que surge dos dados do seu curriculo. Aquele chamado para ensinar a Palavra de Deus deve ter um coração governado pela graça.

 

  • Por Paul Tripp

  • Tradução: Adriana Misiara Rodrigues
  • Fonte: Livros e Sermões Bíblicos

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Hipocrisia no cristianismo | Kevin DeYoung

Muitos cristãos não compreendem a natureza da hipocrisia. É comum pensar que hipocrisia é a diferença entre suas ações e seus sentimentos.
Então, se eu fizer alguma coisa sem ter o meu "coração" nele, então eu sou um hipócrita. Evangélicos são especialmente sensíveis a essa acusação porque acreditamos (com razão) que o cristianismo é mais do que "apenas se movimentar."

Nós sabemos que ter um relacionamento pessoal com Cristo é crucial. Nós acreditamos que a fé deve ser sincera. E, no entanto, podemos facilmente desviar nossos bons instintos. Alguns cristãos se perguntam se devem ainda ir à igreja se não se sentir bem.

Eles se perguntam se é certo cantar as canções de louvor, se não querem adorar naquela manhã. Eles hesitam a dar generosamente, porque "Deus ama ao que dá com alegria" e, assim, dando não os torna mais felizes.

Eles não têm certeza de que se arrependeram de seus pecados ou trabalham para perdoar seu agressor, a menos que eles se sintam com muita vontade de perdoar. Muitos cristãos temem que fazendo a coisa certa, sem os sentimentos certos, os torna hipócritas. Mas isso é realmente hipocrisia? Outra palavra para descrever este comportamento pode ser "maturidade". Crianças só fazem o que querem fazer. Adultos aprendem a fazer coisas que deveriam fazer, mesmo que não estejam animados a fazer. É claro que, como cristãos, queremos crescer, e de uma forma que nos sentimos bem sobre o que é bom.

Hipocrisia é a incapacidade de praticar o que prega: 
“Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem.” Mateus 23:03. 
Aparecendo exteriormente justo para os outros, enquanto na verdade, cheio de impureza e auto-indulgência, que é a definição de hipocrisia.

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança! Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo! Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.” Mateus 23:25-28.

O hipócrita não é o cristão que luta contra o pecado, luta contra a tentação, e continua fazendo o que é certo mesmo em seus dias piores sentimentos. Isso é um herói. O hipócrita é o cristão que usa o verniz da virtude pública para cobrir a podridão do vício privado. Ele é o homem que vive uma vida dupla ou o aluno que orgulhosamente responde as perguntas de escola dominical e tão orgulhosamente maquina imoralidades no resto da semana.

O pecado da hipocrisia não é que estamos mais confuso do que parece. Isso é verdade para todos nós. O pecado está em usar a aparência de bondade para encobrir as obras do mal.

Traduzido e adaptado por Carlos Reghine 
Fonte: Reformando-me

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Quebrantamento: Espírito de Humilhação | Rev. Richard Baxter | Capítulo 02

Capitulo 2 | Utilidade e Propósito da Humilhação


Quando eu houver falado sobre a utilidade e propósito da humilhação, vocês entenderão mais do porquê da necessidade dela para vocês mesmos.

1. Um dos usos da humilhação é ajudar na mortificação da carne, ou do “eu” carnal, e aniquilá-la, visto ser esta o ídolo da alma. A natureza do estado pecaminoso e miserável do homem consiste no fato de haver se afastado de Deus, e de estar entregue a si mesmo, vivendo agora para si mesmo, estudando, amando e satisfazendo a si mesmo, ao seu “eu” natural mais do que a Deus. Um pecador se livrará de muitos pecados exteriores e se libertará de obras exteriores antes que venha a se libertar do seu “eu” carnal, e se livre da fortaleza e poder do pecado. Não há parte da mortificação tão necessária e tão difícil como a autonegação - na verdade, ela virtualmente compreende todo o resto, e se isto for feito, tudo estará feito. Se fosse apenas uma questão dos seus amigos, seus supérfluos, sua casa, suas terras, talvez um coração carnal pudesse abrir mão disso. Mas abrir mão da sua vida, do seu tudo, do seu “eu”, é uma palavra dura para ele, e suficiente para fazê-lo ir embora pesaroso. Assim sendo, aqui aparece a necessidade da humilhação; ela coloca todo o fardo sobre o “eu”, e quebra o coração do velho homem, e faz um homem não tolerar a si mesmo, a quem anteriormente amava sobremaneira.

A humilhação transforma esta torre de Babel em pó, e faz com que nos detestemos até o pó e cinzas. Ela toca fogo na casa, na qual confiávamos e nos deleitávamos, diante dos nossos olhos; e nos faz não apenas ver, mas sentir, que é tempo de nos rendermos. O orgulho é o pecado mestre do ímpio, e é parte da humilhação fazê-lo cair por terra. A auto-satisfação é o propósito de suas vidas, até que a humilhação ajude a mudar o curso do rio; e aí, então, se você pudesse ler os pensamentos deles, veria que eles agora se consideram os mais indignos; e se você pudesse ouvir suas orações e lamentos, você os ouviria clamar por si mesmos como se fossem os seus maiores inimigos.

2. A próxima utilidade da humilhação, e implícita na utilidade anterior, é mortificar aqueles pecados dos quais o “eu” carnal depende e pelos quais é nutrido, e bloquear todas as avenidas e passagens através das quais eles são supridos. O pecado é doce e querido por todos os que não são santificados; mas a humilhação faz com que se tornem amargos e vis.

Assim como as crianças são dissuadidas de brincar com uma colméia de abelhas quando são uma ou duas vezes ferradas por elas, ou de brincar com cães bravios quando são mordidas por eles, assim Deus ensina Seus filhos a saberem o que significa brincar com o pecado, quando são golpeados por ele. Eles distinguirão uma urtiga de arbustos inofensivos quando sentirem o seu ardor. Nós estamos tão acostumados a viver pelos sentidos, que Deus considera necessário que nossa fé tenha a ver com os sentidos para ajudá-la.  
Quando a consciência acusa, o coração sofre, geme de dor, e sentimos que nenhum expediente ou esforço nos livrará disso, então começamos a nos tornar mais sábios do que antes, e a conhecer o que é realmente o pecado, e o que ele nos causa. 
Quando aquilo que era o nosso deleite se torna a nossa aflição, e uma aflição pesada demais para suportarmos, isto cura o nosso deleite no pecado. Quando Davi estava encharcando o seu leito com lágrimas, e teve que beber delas, o seu pecado não era mais a mesma coisa para ele, como o foi quando o cometeu. A humilhação retira a pintura desta prostituta que é o pecado e mostra-a em sua deformidade. Ela desmascara o pecado, o qual assumiu uma máscara de virtude, ou de algo irrelevante, ou de uma coisa inofensiva. Ela desmascara Satanás, o qual foi transformado num amigo, ou em um anjo de luz, e revela o seu caráter maligno.

Quão difícil é curar um mundano do amor ao dinheiro! Mas quando Deus coloca tal peso em sua consciência, a ponto de fazê-lo gemer e clamar por socorro, o dinheiro perderá o seu atrativo. Quando ele começa a chorar e gemer por causa das misérias que vêm sobre si, e vê os efeitos da sua riqueza corrupta, e a gangrena do seu ouro e prata começar a comer a sua carne como fogo, e seu ídolo se torna nada menos do que um testemunho contra si, então estará melhor habilitado do que antes para avaliar o pecado. O devasso pensa que tem uma vida feliz quando os lábios da prostituta destilam favos de mel, mas quando ele percebe que o fim dela é amargoso como o absinto, agudo como a espada de dois gumes, que os seus pés descem à morte, e que os seus passos conduzem-na ao inferno[6], e ele jaz em tristeza, lamentando-se da sua loucura, estará então em mais condições de julgar corretamente do que antes estava. O Manassés humilhado em cadeias não é o mesmo que era quando estava no trono; embora a graça tenha contribuído mais para isso do que seus grilhões, estes foram úteis para este fim. A humilhação abre a porta do coração, e lhe diz o que o pecado faz à vida, e introduz a palavra de vida, a qual não havia ainda penetrado além dos ouvidos ou do cérebro.

É um trabalho cansativo falar a homens mortos, os quais perderam os seus sentimentos; especialmente quando se trata de uma doutrina efetiva e prática, a qual devemos lhes comunicar, e que será perdida se não for sentida e praticada. Até que a humilhação opere, nós falamos a homens mortos, ou pelo menos a homens profundamente adormecidos. Quantos sermões eu tenho ouvido que se pensava viriam a transformar os corações dos homens internamente, a fazê-los chorar por causa dos seus pecados, com tristeza e vergonha diante da congregação, levando-os a nunca mais se envolverem com o pecado; e, no entanto, os ouvintes quase que nem foram tocados por eles, mas saíram como vieram, como se não soubessem do que o pregador estava falando, porque os seus corações estavam o tempo todo sonolento dentro deles.

Uma alma humilhada, entretanto, é uma alma despertada. Ela considerará aquilo que é dito; especialmente quando percebe que vem do Senhor, e diz respeito à sua salvação. É um grande encorajamento para nós pregar para um homem que tem ouvidos, vida e sentimentos, que recebe a palavra com apetite, saboreando-a, engolindo a comida que é colocada na sua boca. 

A vontade é a principal fortaleza do pecado. Se nós pudermos alcançá-la, nós poderemos fazer alguma coisa, mas se ela bloquear o coração, e nós não pudermos chegar mais perto do que o ouvido ou o cérebro, não haverá benefício algum. A humilhação nos abre uma passagem para o coração, a fim de que possamos tomar de assalto o pecado em seu vigor. 
Eu lhes falo da natureza abominável do pecado, que causou a morte de Cristo, e leva ao inferno, e que é melhor correr para o fogo do que, de maneira propositada, cometer o menor pecado, embora se trate de algo tal que o mundo nem note. 
Mas, ao lhes falar, se você não for humilhado, pode ouvir tudo isto e superficialmente crer nisso, e dizer que é verdade, mas é a alma humilhada que pode sentir o que lhe está sendo dito. Que luta nós temos com um beberrão, ou com um mundano, ou com qualquer outro pecador frívolo, na tentativa de persuadi-lo a abandonar seus pecados com abominação; e tudo com tão pouco resultado! Às vezes ele deseja abandoná-los, mas é tentado a provar do pecado de novo; e assim fica adiando, porque a palavra não se assenhoreou do seu coração. Mas quando Deus vem sobre a alma como uma tempestade, arrebentará as portas, e como se fossem relâmpagos e trovões na consciência, apodera-se do pecador e o sacode todo em pedaços com o Seu terror e lhe pergunta: 
  • O pecado é bom para ti? 
  • Uma vida carnal e descuidada é boa? 
  • Tu, verme desprezível! 
  • Tu, tolo pedaço de barro! 
  • Ousas abusar de Mim face a face? 
  • Ignoras que Eu estou te olhando? 
  • É esta a obra para a qual continuas vivo? 
  • Fora com o pecado, sem mais delongas, ou jogarei fora a tua alma e te entregarei aos atormentadores. 
Isto o desperta da sua demora e procrastinação, faz com que veja que Deus tem boa vontade para com ele, e que, portanto, ele deve ter boa vontade para com Deus.

Se um médico tem um paciente amante da comida que sofre da gota ou de pedra nos rins, ou de qualquer outra doença, e lhe proibir do vinho, bebida forte e outros alimentos que deseja, logo que ele se sentir melhor se aventurará a prová-los, e não se sujeitará às palavras do médico; mas, quando for atacado pela doença e sentir o tormento, então se submeterá às prescrições médicas. A dor o ensinará mais efetivamente do que as palavras poderiam fazê-lo. Quando ele sente o que lhe é doloroso, e que aquilo sempre o faz adoecer, ele se reprimirá mais do que faria por atenção às recomendações médicas.

Assim, quando a humilhação quebrar o seu coração e lhe fizer sentir que está doente de pecado, e encher a sua alma com dores agudas e sofrimentos, então você terá mais desejo de que Deus destrua o pecado em você. Quando o pecado pesar sobre você, a ponto de não lhe permitir levantar os olhos, quando fizer com que vá a Deus com gemidos e lágrimas clamando: Oh, Senhor, tem misericórdia de mim porque sou pecador! Quando você ficar feliz em procurar os ministros para aliviar a sua consciência, encher os ouvidos deles com acusações a si mesmo, e revelar até os pecados mais odiosos e vergonhosos, então você ficará feliz em se desvencilhar dos pecados. Antes disso não adianta lhe falar sobre mortificação e sobre rejeição resoluta dos seus pecados; os preceitos do Evangelho parecerão rigorosos demais para que você se submeta a eles. Mas um coração quebrantado mudaria a sua mente.

Um saudável lavrador diria: “Eu como o que quero”; “os médicos só querem tirar o nosso dinheiro”; “eu nunca seguirei o conselho deles”. Mas quando a enfermidade vier sobre ele, e houver tentado em vão tudo que estava ao seu alcance e a dor não lhe der descanso, e for levado ao médico, então ele fará qualquer coisa, e tomará qualquer remédio que ele lhe der, a fim de que possa ter algum alívio e se recupere.

Assim, quando o seu coração estiver endurecido e não humilhado, estes pregadores e as Escrituras lhes parecerão severos demais. O que vocês desejam realmente são ministros afetados e presunçosos, que preguem o que bem quiserem. Vocês nunca acreditarão que Deus concorda com as coisas duras que os ministros fiéis pregam, nem que Deus condenará vocês pelas coisas às quais dispõem seus corações. Mas quando aqueles pecados se tornarem como que espadas no seu coração, e você começar a sentir aquilo de que os ministros haviam lhe alertado, então a sua reação será outra. Portanto, fora com o pecado! Não há nada tão odioso, tão maligno, tão intolerável. Oh, se você pudesse se livrar dele, custasse o que custasse! Então você teria por seu melhor amigo aquele que lhe pudesse dizer como matar o pecado, e se livrar dele; e aquele que afastasse você desse amigo lhe seria como o próprio Satanás. A humilhação cava tão profundamente que mina o pecado, e a fortaleza do mal; e quando o alicerce está profundamente enraizado, a humilhação o destroçará. Quando os assassinos de Cristo tiveram o seu coração golpeado, eles clamaram por um conselho dos apóstolos. Quando um assassino dos santos é jogado cego por terra, e o Espírito, além disso, humilha a sua alma, então ele é levado a clamar: “Senhor, o que tu queres que eu faça?” Quando um cruel carcereiro que açoita os servos de Cristo é levado por um tremor de terra a um tremor de coração, ele então clamará: “Que devo fazer para que seja salvo?”

Aqui se manifesta o uso das aflições; e mesmo o porquê delas favorecerem tanto a humilhação: os homens são trazidos à razão em momentos de crise. Quando eles jazem num leito de morte, alguém pode falar-lhes, que eles não vão, tão soberbamente, fazer pouco caso do que lhes é dito, ou escarnecer da Palavra do Senhor, como o fizeram na prosperidade. Deus será mais considerado quando Ele pleitear com eles com uma vara na mão. Os açoites são a melhor lógica e o melhor discurso para um tolo. Quando o pecado leva cativa a razão deles pela carne, o argumento que poderá convencê-los deverá ser tal que a carne seja capaz de entender. A carnalidade brutifica o homem de tal modo que, tornando-se brutos, não são mais as razões mais claras que prevalecerão; e se Deus não houvesse mantido no homem corrompido algum resquício de razão, nós pregaríamos aos animais com tanta esperança como pregamos aos homens. Mas as aflições tendem por enfraquecer o inimigo que os cativa; assim como a prosperidade tende a fortalecê-lo. A carne entende a linguagem da vara melhor do que a linguagem da razão e da Palavra de Deus.

Como a parte sensível da nossa humilhação promove a mortificação, assim a humilhação racional e voluntária, que é própria ao santificado, é a parte principal da mortificação. Assim, como você vê, é necessário que sejamos totalmente humilhados, a fim de que o pecado possa ser plenamente aniquilado em nós.

3. Outro uso da humilhação é o de preparar a alma para encontrar mais graça, para a honra de Cristo e para o nosso próprio bem.

(1) Com relação a Cristo, é de se esperar que Ele habite apenas em almas que estejam preparadas para recebê-Lo. Nem a Sua pessoa, nem a Sua obra são tais que possam se coadunar com um coração não humilhado. Até que a humilhação faça um pecador sentir o seu pecado e miséria, não é possível que Cristo, como Cristo, venha a ser bem-vindo ou recebido com a honra que Ele espera. Quem liga para o médico quando não está doente e nem teme a morte? Ele pode passar pela porta de tal homem, e este não o chamará, mas quando a dor e o temor da morte estão sobre si, ele irá atrás, procurará e implorará para que venha. Correria para Cristo, em busca de socorro, aquele que não sente sua própria necessidade ou perigo? Agarrar-se-iam Nele como o único refúgio das suas almas, achegando-se a Ele como sua única esperança, aqueles que não sentem necessidade Dele? Prostar-se-iam aos Seus pés mendigando misericórdia aqueles que passam muito bem sem Ele?

Quando os homens ouvem acerca do pecado e da miséria, e crêem apenas superficialmente, eles podem procurar Cristo e graça com frieza, e sentem tão pouco o valor do segundo, como sentem a importância do primeiro. Mas Cristo não é nunca valorizado e procurado como Cristo, até que a tristeza nos ensine como valorizá-Lo; nem é Ele recebido com a honra devida a um Redentor, até que a humilhação quebre todas as portas; nem um homem pode buscá-Lo de todo o seu coração, se não o fizer com o coração quebrantado.

Também é certo que Cristo não baixará o custo para vir a uma alma. Embora Ele venha para o nosso bem, receberá honra ao fazer isso. Embora Ele venha para curar-nos, e não porque tenha qualquer necessidade de nós, terá que receber as boas vindas devidas a um médico. Ele veio para nos salvar, mas será honrado na nossa salvação. Ele convida a todos para a festa do casamento, e até mesmo compele-os a vir; mas espera que tragam a veste nupcial, e não venham com uma roupa ordinária que desonraria Sua casa. Embora a Sua graça seja livre, Ele não a expõe ao desprezo, mas terá a Sua plenitude e liberdade glorificadas. Embora Ele não venha para redimir a Si mesmo, mas a nós, ainda assim vem para ser glorificado na obra da nossa redenção. A Sua graça não é tão livre a ponto de salvar aqueles que não a valorizam, e não dão graças por ela.

Assim sendo, apesar da fé ser suficiente para aceitar o dom, a fé deve ser uma fé grata, que magnificará o doador, e uma fé humilde que reconheça o Seu valor, e uma fé obediente que responda ao Seu propósito. Assim, a fé que é a condição de nossa justificação é apropriada tanto à honra do doador, como à necessidade do recebedor. E como a razão nos diz que deveria ser, assim confirma a experiência cristã. A alma que é verdadeiramente unida a Cristo e compartilha da Sua natureza, valoriza mais a obra da Sua salvação, onde a honra de Cristo é maior. Ela não consegue sentir prazer na idéia de uma graça tal que venha a desonrar o próprio Senhor da graça. Assim como Cristo é solícito para a salvação da alma, assim Ele faz a alma solícita em receber corretamente Aquele que a salva. Deste modo, foi através do Seu sangue, e não da nossa aceitação do Seu ensino ou governo, que obtivemos o resgate da nossa alma. Mas, por outro lado, Ele está resolvido a não justificar a ninguém através do Seu sangue, exceto sob a condição desta fé, que é um assentimento do coração ao Seu ensino e senhorio. A virtude não está tanto na aplicação ou concessão dos benefícios de Cristo quanto está na Sua obra de adquirir para nós esses benefícios.

Quando Ele veio para nos resgatar, consentiu em ser um sofredor, a dar a Sua face ao golpeador, e a se submeter ao opróbrio. Suportou a cruz, desprezando a vergonha, e sendo injuriado não injuriou, mas orou por Seus perseguidores. Todavia, Ele não virá através da Sua graça salvadora à alma para ser recebido ali com desprezo, porque Ele veio na carne com o propósito de ser humilhado, mas veio no Espírito com o propósito de ser exaltado. Cristo veio na carne para condenar o pecado que reinava na nossa carne, e assim foi feito pecado por nós, isto é, um sacrifício pelo pecado. Mas no Espírito, Ele veio para conquistar a nossa carne e, através da lei do Seu Espírito vivificador, para nos libertar da lei do pecado e da morte[7], a fim de que a justiça da lei se cumprisse em nós, e também para que não fôssemos condenados, nós os que andamos não segundo a carne, mas segundo o Espírito.

O reino de Cristo não era deste mundo, porque, se o fosse, Ele procuraria estabelecê-lo pela força das armas e da luta, que são os meios mundanos. Mas o Seu reino é dentro em nós; é um reino espiritual, e assim, apesar de estar no mundo, Ele foi tratado com desdém, como um tolo, como um pecador, e como um infortunado. Mas dentro em nós Ele deve ser tratado com honra, e reverência, como um Rei e Senhor absoluto. A vez do executor e do poder das trevas foi quando Ele estava em agonia; mas quando Ele vem através da Sua graça salvadora a uma alma, é a vez do Seu triunfo e casamento, e do poder prevalecente da luz celestial. Na cruz, Ele era como um pecador, e tomou o nosso lugar, e suportou o que era a nossa culpa, e não Sua. Mas na alma Ele é o conquistador de pecados, e vem para tomar posse do que é Seu, e para realizar a obra que pertence a Ele na Sua dignidade; e, assim, Ele será ali reconhecido e honrado. 

Na cruz, Ele estava derrubando o reino de Satanás, e estabelecendo o Seu próprio, apenas de um modo preparatório; mas na alma, Ele faz ambos serem executados imediatamente. Na cruz, o pecado e Satanás se vangloriaram; mas quando Ele penetra a alma, é Ele quem Se vangloria sobre eles, e não cessa até os haver destruído. Na redenção, Ele Se consumiu; mas na conversão, Ele toma posse do que remiu. Em uma palavra, Ele veio ao mundo em carne para ser humilhado, mas Ele vem à alma, através do Seu Espírito, para a Sua merecida exaltação. Assim sendo, embora Ele houvesse suportado ser cuspido na carne, não suportará ser desprezado na alma. Assim como no mundo Ele foi escarnecido com um título de rei, coroado com espinhos, e vestido com tais roupas reais a fim de que fosse feito objeto de opróbrio, assim, quando Seu Espírito entra em uma alma, Ele é ali entronizado com a nossa consideração mais reverente, subjetiva, e profunda. Ele é ali coroado com o nosso mais elevado amor, e gratidão, e adorado com a ternura da nossa obediência e do nosso louvor. A cruz haverá de ser a porção dos Seus inimigos; a coroa e o cetro serão a Sua. E assim como tudo foi preferido em detrimento Dele na terra, até mesmo o próprio Barrabás, assim também todas as coisas haverão de ser subjugadas a Ele na alma santificada, e Ele obterá a primazia diante de todas as coisas.

Este é o propósito da humilhação: preparar o coração para um maior gozo do Senhor, e preparar o caminho diante Dele, e habilitar a alma para ser o templo do Seu Espírito. Uma alma humilhada nunca se desvencilharia Dele usando bois, fazendas, ou casamentos como desculpas. Aquele, porém, que não é humilhado fará muito pouco caso Dele.

(2) Assim como o próprio Cristo será recebido com honra, ou então nem será recebido, assim deve acontecer com a misericórdia e com a graça que Ele oferece. Ele não aplicará o Seu sangue e a Sua justiça àqueles que não lhes dão valor. Ele não perdoará tamanha quantidade de iniqüidades, nem removerá tais montanhas que caem sobre a alma daqueles que não sentem a necessidade de tal misericórdia. Ele não resgatará do poder do mal, da opressão do pecado, dos arrabaldes do inferno e não fará membros de Seu próprio corpo, filhos de Deus e herdeiros dos céus, aqueles que não aprenderam a valorizar estes benefícios, mas são mais voltados para os seus pecados, misérias e frivolidades do mundo. Cristo não despreza Seu sangue, Seu Espírito, Sua aliança, Seu perdão, nem Sua herança celestial e assim Ele não as dará a ninguém que as despreze, até que Ele os ensine melhor a conhecer o Seu valor. Você pensa que estaria de acordo com a sabedoria de Cristo dar bênçãos indizíveis como estas a homens que não têm coração para valorizá-las? Porque dar a um homem justificação e adoção é mais do que lhe dar todo este mundo visível: o sol, a lua, o firmamento, e a terra. Deveriam estas graças ser dadas a alguém que não liga para elas? Porque assim Deus perderia Seu propósito. Ele não obteria o amor, a honra nem a gratidão tencionada no Seu dom. É necessário, portanto, que a alma seja totalmente humilhada, a fim de que o perdão seja recebido como perdão, e a graça como graça, e não negligenciados indevidamente.

(3) Assim como a humilhação é necessária tanto para a honra de Cristo e de Sua graça, assim também ela é necessária para o nosso próprio benefício e consolação. A misericórdia não pode ser realmente nossa, se a humilhação não nos habilitar a isso. Estas bênçãos devem ser engolidas por um estômago vazio, e não tomadas na vaidade e impiedade. Um homem à beira da forca se regozijará com um perdão; mas um mero observador que se julgue inocente, não daria valor a isso, mas tomaria o perdão como uma acusação. Não há muita doçura no nome de um redentor para uma alma não humilhada. Ela não valoriza o Espírito. O Evangelho não é evangelho para ela. As boas novas de salvação não são tão alegres para tal pessoa quanto as boas novas de riquezas ou deleites mundanos. Assim como um estômago sadio é o que faz a refeição parecer agradável a nós, e assim como o cardápio rústico é mais agradável para o sadio do que as refeições suculentas ao doente, da mesma forma, se não formos esvaziados de nós mesmos, vis e perdidos nas nossas próprias prisões, e se a contrição não estimular os nossos apetites espirituais, o próprio Senhor e todos os milagres da Sua graça salvadora seriam aos nossos olhos coisa sem valor, e ouvir ou pensar sobre estas coisas apenas nos aborreceriam. Oh, que tesouro inestimável é Cristo para uma alma humilhada! Que vida nas Suas promessas! Que doçura em cada experiência da Sua graça, e que festa no Seu imensurável amor!

(4) Outro uso da humilhação, implícito no item anterior, é que ela é necessária para fazer com que o homem se submeta aos termos do pacto da graça. O homem natural se agarra aos prazeres da carne, e vive pelos sentidos e é apegado às coisas do presente. Ele não sabe como viver apegado às coisas invisíveis através de uma vida de fé. Esta é a nova vida que todos os que vivem em Cristo devem viver. Assim, portanto, Ele os convoca a abandonar tudo, a crucificar o mundo e a carne, e negar a si mesmos, se quiserem ser Seus discípulos. Mas quão relutante é o homem natural para renunciar a tudo e se entregar totalmente a Cristo! Mas quão ansioso ele é para se agarrar às coisas do presente, por falta de confiança nas promessas celestiais, tendo os céus, em última análise, apenas como uma reserva. É nestes termos que os hipócritas são religiosos, e é assim que enganam as suas almas. Mas quando o coração é verdadeiramente quebrantado, ele não mais permanecerá desse modo com relação a Cristo, mas se submeterá totalmente aos Seus termos. Não estabelecerá condições com Ele, mas aceitará com gratidão as Suas condições. Com Cristo, com graça, e com a esperança da glória, qualquer coisa lhe satisfaz a alma.

(5) Outro uso da humilhação é nos preparar para reter e progredir na graça quando nós a recebemos. O ditado diz: “O que é conseguido com facilidade, facilmente se perde”. Se Deus desse o perdão dos pecados ao que não é humilhado, quão cedo Ele seria desprezado! Quão facilmente tal pessoa daria ouvidos à tentação, e retornaria ao seu próprio vômito! Como nós dizemos: “A criança queimada teme o fogo”. Quando o pecado o golpear, e quebrar o seu coração, você o abominará enquanto viver. Quando a tentação vier, você se lembrará da sua dor aguda: 
  • “Não é isto aquilo que me custou tantos gemidos, me deixou no pó, e quase me condenou, e vou eu cometê-lo novamente? 
  • Foi tão difícil para eu ser restaurado por um milagre de misericórdia, vou eu agora correr novamente para a miséria da qual eu fui salvo? 
  • Não tive eu tristezas, temor e inquietação suficientes para que vá agora buscar mais disso, e renovar o meu transtorno?” 
Assim, a lembrança dos seus sofrimentos será um contínuo alerta para você. Um espírito contrito, que é esvaziado de si mesmo, e ao qual é ensinado o valor de Cristo e da misericórdia, não apenas se agarrará a eles, mas saberá como usá-los, com gratidão a Deus e benefício para si mesmo.

(6) Outro uso da humilhação é preparar a alma para se aproximar do próprio Deus, de quem ela se afastou. Assim como a nenhuma criatura é permitido se aproximar do Deus dos céus, a não ser que o faça com reverente humildade, assim também a nenhum pecador é permitido se aproximar Dele, a não ser que o faça em contrita humildade. Quem é que pode sair de tal estado de impiedade e miséria, e não trazer consigo o senso disso em seu coração? Não é permitido a um filho pródigo encontrar seu pai com tanta confiança e ousadia, como se ele nunca o tivesse abandonado, a não ser que diga: 
  • "Pai, pequei contra os céus e contra ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho”[8]. Não é sem falta que uma alma culpada, ou que alguém que é resgatado do fogo, olhará para Deus com uma face soberba, mas com a cabeça baixa de vergonha e tristeza, batendo no peito e dizendo: “Ó Senhor, tem misericórdia de mim, pecador!”[9]; “Porque Deus resiste aos soberbos, contudo aos humildes concede a Sua graça”[10]
  • "O Senhor é excelso, contudo atenta para os humildes; os soberbos, Ele os conhece de longe”[11]
  • "Porque assim diz o Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos”[12]
  • “...mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito, e que treme da minha palavra”[13]
  • "Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito contrito”[14]
  • "Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito; não o desprezarás, ó Deus”[15]
Não há retorno para Deus, a menos que não nos toleremos por causa das nossas abominações.

Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais nós devemos nos detestar até o pó e cinzas. Ele não aceita um pecador em seus pecados; mas primeiro o lava e limpa. A conversão deve nos fazer humildes como crianças, as quais são ensináveis e não procuram por grandes coisas no mundo ou, de outro modo, não podem entrar no reino de Deus.

Estes são os usos e a necessidade da humilhação.