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domingo, 4 de fevereiro de 2024

Cinco Evidências para Saber se seu Filho é Mesmo um Cristão | Brian Croft

Como pais, todos nós lutamos com essa pergunta e tenho observado que, no geral, há dois extremos que devem ser evitados.

O primeiro é agravado pela falta de discernimento que muitas igrejas demonstram quando estendem os chamados ao altar, para crianças de 4 e 5 anos de idade, pedindo-lhes que levantem as mãos se eles amam a Jesus e, logo, são batizados como seguidores de Cristo, como convertidos.

O segundo é, frequentemente, uma reação contrária à primeira. Esse extremo evita que tanto os pais como os pastores afirmem a conversão de um menino até que seja um adulto, independente da autoridade e cuidado de seus pais. Enquanto a relutância em ambos os casos é algo justificável, creio que deve-se encontrar um equilíbrio, a fim de discernir uma evidência bíblica, de que um menino, adolescente ou jovem adulto tornou-se uma nova criatura em Cristo.

Cinco Evidências

Partindo do óbvio, que não somos Deus e não podemos ver o coração de ninguém, creio que há certas evidências que podem nos ajudar a discernir a legitimidade da profissão de fé de um menino ou adolescente. Tomando como referência os cinco sinais da verdadeira conversão de Jonathan Edwards, aqui estão cinco evidências que utilizo, frequentemente, como um modelo quando se trata dessa questão:

  1. Uma afeição crescente e necessidade por Jesus e pelo Evangelho.
  2. Uma maior compreensão das verdades da Escritura.
  3. Aumento da bondade e generosidade para com seus irmãos.
  4. Uma maior consciência e desgosto pelo pecado.
  5. Desejo acentuado de obedecer a seus pais.

Em minha experiência como pai e pastor, percebi que a idade não é o indicador mais importante para determinar a verdadeira conversão. Em vez disso, é prudente buscar essas evidências de acordo com cada idade em particular. Por exemplo, um jovem de 16 anos de idade articulará sua compreensão acerca do Evangelho de maneira diferente e mais completa que um menino de 10 anos. O mesmo pode ser dito do desejo de um menino de obedecer a seus pais ou mostrar um espírito altruísta para com seus irmãos. Estas coisas parecem diferentes dependendo da idade, e nossas expectativas devem levar isso em conta.

No entanto, devemos observar os frutos de alguma maneira, e eu descartaria firmemente qualquer afirmação da conversão de um menino, sem algum tipo de evidência tangível, além de uma profissão de fé verbal. Por outro lado, porém, advirto os pais e pastores para que não caiam na armadilha de exigir mais de um menino além daquilo que pode ser razoavelmente esperado e observado na sua idade.

Cinco perguntas

Tenho aqui cinco perguntas que devem ser consideradas na busca por evidências anteriores e na avaliação da condição espiritual de um menino:

  1. Meu filho aparenta amar verdadeiramente Jesus?

    Os meninos comumente fazem e dizem o que lhes falamos para fazer e dizer, pois acreditam que devem crer no que falamos a eles. Quando se trata de dizer: “Eu creio em Jesus”, os pais podem manipular uma resposta até mesmo com a melhor das intenções. Em vez de persuadi-los a dizer as palavras corretas, devemos buscar que o menino tenha afeição genuína por Jesus, e tratar de confirmar, da melhor maneira possível, se esse afeto está enraizado naquilo que Jesus fez para salvá-los de seus pecados, através de sua morte e ressurreição.

  2. Meu filho busca conhecer a Palavra de Deus de forma independente?

    Leio a Bíblia com meus filhos antes mesmo que eles pudessem ler. O que mais me chamou a atenção, porém, foi quando a minha filha mais velha começou a ler e tratar de entender a verdade, sem a minha insistência. Lia as Escrituras por conta própria e logo me fazia perguntas. Estes comportamentos revelam o que minha esposa e eu identificamos como um desejo genuíno de conhecer a Palavra de Deus, independentemente de qualquer um de nós.

  3. Meu filho mostra uma maior compreensão das verdades espirituais profundas?

    Uma evidência útil de que meu filho mais velho havia se convertido ocorreu um ano depois de sua conversão. Ao terminar de ler o livro de João, em nosso estudo da Bíblia, nas quartas-feiras pela noite, meu filho contou que estava triste de ter perdido a última semana que consistia em um resumo do livro. Eu perguntei por que ele estava triste, já que ele havia estado ali durante todo o livro, e ele me respondeu: “Sinto que lembro muito bem dos três últimos capítulos de João, mas não me recordo muito bem dos primeiros”. Foi ali que percebi que havíamos começado o estudo de João um pouco depois de sentirmos que nosso filho havia se convertido. A palavra “despertar” é uma maneira útil de entender a conversão, não apenas nos adultos, mas também nas crianças. Observe se seu filho/filha entende, melhor do que antes, as verdades acerca de Deus, o Evangelho e a Bíblia. Você tem notado nele um despertar espiritual?

  4. Meu filho está demonstrando fruto espiritual contra sua personalidade?

    É comum confundir o fruto espiritual com os aspectos positivos da personalidade do filho. Por tal razão, temos que conhecer as diferentes características da personalidade de cada filho antes de podermos discernir o verdadeiro fruto espiritual. Por exemplo, meu filho é uma pessoa extrovertida, ama a gente e sempre amou os irmãos em nossa igreja. Portanto, o amor pela igreja local, apesar de ser um fruto da conversão, não era o melhor dado para discernir a conversão de meu filho, pois ele tende a nos amar de maneira natural. Minha filha mais velha, porém, não nos amava de maneira espontânea, algo que mudou notavelmente depois de sua conversão. Em resumo, é importante avaliar honestamente a personalidade de seu filho e buscar evidências de fruto sobrenatural,que pareça contrário a sua personalidade.

  5. Há remorso pelos pecados diários, de forma independente?

    Minha esposa e eu percebemos que é útil observar se nosso filho sente pesar por seupecado, além de qualquer disciplina, correção ou castigo. Um pai pode fazer com que um filho sinta-se “culpado” pelos pecados, contudo, isso não significa, necessariamente, que Deus, por seu Espírito, o tenha levado à convicção. Busque momentos quando um filho fere um irmão com suas palavras e pede desculpas por conta própria. Observe se seu filho vem até você e confessa uma mentira, antesdela ser descoberta, e não por outra razão (aparente), mas pelo fato de seu próprio coração e consciência serem condenados pelo Espírito Santo.

Compreenda que este é um terreno difícil. Como pai e pastor, tudo o que procede deve ser aplicado, segundo cada caso. Apesar de que muitos de nós podemos estar em lugares diferentes neste espectro, devemos, no entanto, tratar de evitar os extremos em ambos os lados. Encontrar um bom lugar no centro, como ponto de partida, e a partir dali ser sábio, avaliar com honestidade e orar para que o Deus misericordioso que regenera os adultos, adolescentes e meninos, igualmente, nos dê discernimento, paciência e graça.

Por: Brian Croft

Fonte: The Gospel Coalition

Tradução e Extração: Ministério Fiel

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

terça-feira, 6 de julho de 2021

Todos Batizados em um Espírito | Leandro Antonio de Lima

 Todos Batizados em um Espírito (Clique no Título para ler ou baixar)
 
Não há divisões ou classes distintas de crentes dentro da igreja, pois todos os crentes já foram batizados no mesmo Espírito.

Autor(a): Leandro Antonio de Lima
Fonte: Monergismo

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sete caracteristicas de um falso convertido | Renato Vargens

O número de pessoas que frequentam as igrejas evangélicas em nossos dias é absurdamente elevado, no entanto, acredito que boa parte daqueles que se dizem cristãos, não nasceram de novo. Aliás, assusta-me o fato de saber que em nossas igrejas existem um número considerável de indivíduos que desconhecem as verdades inequívocas do evangelho, vivendo portanto um cristianismo desprovido de vida e santidade.

Isto posto, gostaria de elencar as principais características de um falso convertido:

1- O falso convertido apesar de conjugar o "evangeliquês" com propriedade, de entoar as canções gospel de cor e salteado, ama demasiadamente o pecado e em virtude disso não está disposto a abandoná-lo.

2- O falso convertido não ama a Palavra de Deus nem tampouco está disposto a obedece-la. Para o falso convertido as Escrituras não devem ser consideradas como a Palavra infalível de Deus.

3- O falso convertido não sente prazer na oração. Para ele o hábito de se relacionar com o Senhor em oração é um fardo pesado e desnecessário.

4- O falso convertido não sente falta da comunhão dos santos. Para o falso convertido o relacionamento entre os irmãos na igreja é dispensável, nessa perspectiva, ele prefere o futebol, as festas, as baladas e todo tipo de entretenimento à reunião dos santos de Deus.

5- O falso convertido não manifesta em sua vida frutos de arrependimento nem tampouco mudança de comportamento. Para o falso convertido tudo é válido desde que no final redunde em satisfação pessoal.

6- O falso convertido não persevera em sua fé, antes pelo contrário, ao enfrentar as batalhas da vida, desiste do Senhor, voltando assim a uma vida de pecados e transgressões.

7- O falso convertido não teme ao Senhor, antes pelo contrário, desenvolve uma espiritualidade focada em si mesmo, onde Deus na verdade não passa de um provedor de seus caprichos.

Pense nisso!

Fonte e Autor: Renato Vargens

domingo, 25 de agosto de 2013

Confissões de um ex-neopentecostal | Jackson Jacques

Excelente vídeo de Jackson Jacques sobre a sua trágica experiência com o neopentecostalismo. É cômico, porém trágico... mas no fim, libertador! Assista:

Fonte: Vlog do autor

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Falsas Conversões: O Suicídio da Igreja | Mark Dever

Nesta pregação completa, Mark Dever fala sobre o perigo das falsas conversões, mostrando quatro problemas que elas geram, cinco verdades que devemos lidar com cuidado para não gerar falsos convertidos e algumas sugestões práticas.

Fonte: Editora Fiel

sábado, 4 de maio de 2013

Sinais de Uma Vida Agradável a Deus | Rev. Richard Baxter

... Veja então se você vive buscando principalmente agradar a Deus ... : você pode descobrir através destes sinais.

1. Vocês terão mais interesse em entender as Escrituras e em saber tanto o que agrada, quanto o que desagrada a Deus.

2. Vocês terão mais interesse na realização de todos os seus deveres, com o propósito de agradar a Deus e não aos homens.

3. Vocês olharão para seus corações e não só para suas ações; para seus fins e pensamentos; para o seu homem interior e seu nível de espiritualidade.

4. Vocês atentarão para seus deveres secretos, tanto quanto para os públicos e, para aqueles que não são vistos pelos homens, tanto quanto para os que são.

5. Vocês respeitarão suas consciências e não as desprezarão; quando elas lhe mostrarem o desagrado de Deus, isto os inquietará; quando elas lhe mostrarem Sua aprovação, isto os confortará.

6. Suas companhias serão pessoas caridosas e piedosas, que buscam agradar a Deus, e não orgulhosas e ambiciosas, que buscam honra própria, nem ímpias, que desagradam a Deus.

7. Se os homens são agradados ou desagradados, ou a forma com que o julgam, ou como eles o chamam, parecerá um assunto pequeno para você, como o próprio interesse deles, em comparação ao julgamento de Deus. Você não vive para eles. Você pode suportar seus desagrados , censuras, e reprovações, se tão somente agradar a Deus. Estas serão suas evidências.

 

por: Rev. Richard Baxter

Fonte: Monergismo

sábado, 9 de março de 2013

O paradoxo do arrependimento | C. S. Lewis

Em que tipo de "buraco" caíra o homem?

Ele procurara ser auto-suficiente e se comportara como se pertencesse a si mesmo. Em outras palavras, o homem decaído não é simplesmente uma criatura imperfeita que precisa ser melhorada; é um rebelde que precisa depor as armas. Depor as armas, render-se, pedir C_S_Lewisperdão, dar-se conta de que tomou o caminho errado, estar disposto a começar uma vida nova do zero — só isso pode nos "tirar do buraco". Esse processo de rendição, movimento de marcha a ré a toda velocidade, é o que o cristianismo chama de arrependimento.

Mas, veja só, o arrependimento não é nada agradável. E bem mais difícil que simplesmente engolir um sapo. Significa desaprender toda a presunção e a obediência à vontade própria que nos foram incutidas por milhares de anos; significa matar uma parte de si mesmo e submeter-se a uma espécie de morte. Na verdade, só um homem bom pode arrepender-se. E isso nos leva a um paradoxo. Só uma pessoa má precisa do arrependimento, mas só uma pessoa boa consegue arrepender-se perfeitamente. Quanto pior você é, mais precisa do arrependimento e menos é capaz de arrepender-se.

A única pessoa capaz de arrepender-se perfeitamente seria uma pessoa perfeita - e não precisaria fazê-lo em absoluto. Lembre que esse arrependimento, essa entrega voluntária à humilhação e a um tipo de morte não é algo que Deus exige de nós para que nos aceite de volta ou algo do qual pode nos livrar, se assim decidir. É simplesmente uma descrição de como é o próprio retorno a Deus. Se pedimos que ele nos aceite sem esse arrependimento, estamos na verdade pedindo para voltar sem voltar. Não é possível. Pois muito bem, temos de nos arrepender. Entretanto, a maldade que nos faz precisar disso nos impede de fazê-lo.

  • C. S. Lewis
  • In: Cristianismo puro e simples

sexta-feira, 8 de março de 2013

Como posso saber se sou chamado para o Ministério Pastoral? | Kevin DeYoung

deyoung-chamado

Já me perguntaram isso muitas vezes, e não tenho certeza se concordo com ela. Essa questão muitas vezes assume que o pastor, única entre todas as vocações do mundo, vai (e às vezes deve) ter um chamado poderoso, divino e subjetivo para o ministério, que sem sombra de dúvida o apontará para a direção ordenada por Deus. Eu não vejo apoio para esse tipo de experiência normativa nas Escrituras.

Mas eu entendo o que os jovens estão procurando. Eles entendem que o ministério pastoral é um trabalho pesado, que não deve ser assumido levianamente. Então, naturalmente, eles querem saber se as suas inclinações não visam o benefício próprio e se sua direção não é uma incumbência de tolo. Eles estão à procura de uma sinalização ao longo do caminho para mostrar-lhes que não estão, obviamente, no caminho errado. Isso é um impulso louvável.

Eis algumas perguntas que você deve perguntar a si mesmo enquanto considera o chamado para o ministério pastoral.

1. Eu preencho as qualificações estabelecidas em 1 Timóteo 3 e Tito 1? Esse é o lugar para começar. Se o seu caráter não é maduro, estável e (de forma não perfeccionista) exemplar, então você não está pronto para ser um pastor. Isso não significa necessariamente que você está no caminho errado, se você ainda não tem vitória sobre certos pecados (como pornografia), mas significa que você não estará pronto até preencher os padrões bíblicos.

2. Os cristãos que me conhecem melhor reconhecem consistentemente meus dons para o ministério? A chamada mais importante é a chamada objetiva de sua igreja encorajando-o a prosseguir o ministério pastoral.

3. Gosto de ensinar a todos os tipos de pessoas em todos os tipos de situações? A maioria das pessoas que pensam no ministério pastoral está animada para pregar. Eu quero saber se eles estão animados para pregar em uma missão e animado para ensinar o catecismo a crianças de cinco anos.

4. Eu me sinto tocado por uma pregação boa? Se um homem é chamado para pregar o evangelho, ele deve ficar animado ao ouvi-lo sendo pregado. O conteúdo deve movê-lo e ele deve se pegar pensando “Ah, se eu pudesse proclamar essa boa notícia”.

5. Eu me sinto inquieto por uma pregação ruim? O último ponto foi óbvio. Este é menos, mas tão importante quanto. Eu acho que deveria algo deveria queimar em um homem quando ele ouve a palavra de Deus sendo tratada de forma inapropriada.

6. Você gosta de estar perto de pessoas? Alguns pastores são extrovertidos; muitos outros não são. Eu sou uma espécie de meio-termo. Estou ansioso para estar com as pessoas mais do que alguns pastores que conheço, mas não tanto quanto muitos homens que admiro. Mas qualquer que seja a sua personalidade, você não será um bom pastor se não gosta de pessoas e as repele tanto quanto possível.

7. Eu faço amigos com facilidade? Este é um teste subjetivo (como muitas dessas questões), mas a falta de amizades significativas não é um bom sinal. Pode ser uma indicação de que você é muito ríspido, muito solitário, ou, francamente, muito estranho para ser eficaz no ministério pastoral.

8. Eu gosto de ler? Felizmente não há um Coeficiente de Rendimento ou Índice de Rendimento Acadêmico para o ministério pastoral. Mas mesmo assim, se queremos ser “aptos para ensinar”, devemos estar ansiosos para aprendermos. A pregação se torna superficial e o ministério, rançoso sem tempo no Livro e nos livros.

9. Já pensei em fazer isso por mais de alguns meses? Muitas vezes, quando os alunos ou adultos vêm a Cristo, eles rapidamente assumem que, por serem zelosos pelo Senhor, devem ir ao seminário e se prepararem para o ministério. Isso geralmente é um equívoco, às vezes por causa do orgulho e, por vezes, devido ao zelo equivocado. Há uma razão pela qual a Bíblia insiste em dizer que os líderes da igreja não devem ser neófitos.

10. Eu ainda quero ser um pastor se eu nunca escrever um livro, nunca falar em uma conferência e nunca ter uma igreja grande? Nossa paixão deve ser alimentar o rebanho, não o nosso ego.

Por: Kevin DeYoung

Por Kevin DeYoung. Copyright © 2013 The Gospel Coalition, Inc. Todos os direitos reservados. Original: How Can I Tell If I’m Called to Pastoral Ministry?

Tradução: VoltemosAoEvangelho.com. Original: Kevin DeYoung – Como posso saber se sou chamado para o Ministério Pastoral?

Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A alma Católica dos evangélicos no Brasil | Augustus Nicoudemus

Os evangélicos no Brasil nunca conseguiram se livrar totalmente da influência do Catolicismo Romano. Por séculos, o Catolicismo formou a mentalidade brasileira, a sua maneira de ver o mundo ("cosmovisão"). O crescimento do número de evangélicos no Brasil é cada vez maior segundo o IBGE (2006), somos 40 milhões – mas há várias evidências de que boa parte dos evangélicos não tem conseguido se livrar da herança católica.

É um fato que a conversão verdadeira (arrependimento e fé) implica uma mudança espiritual e moral, mas não significa necessariamente uma mudança na maneira como a pessoa vê o mundo. Alguém pode ter sido regenerado pelo Espírito e ainda continuar, por um tempo, a enxergar as coisas com os pressupostos antigos. É o caso dos crentes de Corinto, por exemplo. Alguns deles haviam sido impuros, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes e roubadores. Todavia, haviam sido lavados, santificados e justificados "em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus" (1 Co 6.9-11), sem que isso significasse que uma mudança completa de mentalidade houvesse ocorrido com eles.

Na primeira carta que lhes escreve, Paulo revela duas áreas em que eles continuavam a agir como pagãos: na maneira grega dicotômica de ver o mundo dividido em matéria e espírito (que dificultava a aceitação entre eles das relações sexuais no casamento e a ressurreição física dos mortos capítulos 7 e 15) e o culto à personalidade mantido para com os filósofos gregos (que logo os levou a formar partidos na igreja em torno de Paulo, Pedro, Apolo e mesmo o próprio Cristo – capítulos 1 a 4. Eles eram cristãos, mas com a alma grega pagã.

Da mesma forma, creio que grande parte dos evangélicos no Brasil tem a alma católica. Antes de passar às argumentações, preciso esclarecer um ponto. Todas as tendências que eu identifico entre os evangélicos como sendo herança católica, no fundo, antes de serem católicas, são realmente tendências da nossa natureza humana decaída, corrompida e manchada pelo pecado, que se manifestam em todos os lugares, em todos os sistemas e não somente no Catolicismo. Como disse o reformado R. Hooykas, famoso historiador da ciência, "no fundo, somos todos romanos" (Philosophia Liberta, 1957). Todavia, alguns sistemas são mais vulneráveis a essas tendências e as absorveram mais que outros, como penso que é o caso com o Catolicismo no Brasil. E que tendências são essas?.

1) O gosto por bispos e apóstolos

Na Igreja Católica, o sistema papal impõe a autoridade de um único homem sobre todo o povo. A distinção entre clérigos (padres, bispos, cardeais e o papa) e leigos (o povo comum) coloca os sacerdotes católicos em um nível acima das pessoas normais, como se fossem revestidos de uma autoridade, um carisma, uma espiritualidade inacessível, que provoca a admiração e o espanto da gente comum, infundindo respeito e veneração. Há um gosto na alma brasileira por bispos, catedrais, pompas, rituais. Só assim consigo entender a aceitação generalizada por parte dos próprios evangélicos de bispos e apóstolos autonomeados, mesmo após Lutero ter rasgado a bula papal que o excomungava e queimá-la na fogueira. A doutrina reformada do sacerdócio universal dos crentes e a abolição da distinção entre clérigos e leigos ainda não permearam a cosmovisão dos evangélicos no Brasil, com poucas exceções..

2) A idéia de que pastores são mediadores entre Deus e os homens

No Catolicismo, a Igreja é mediadora entre Deus e os homens e transmite a graça divina mediante os sacramentos, as indulgências, as orações. Os sacerdotes católicos são vistos como aqueles através de quem essa graça é concedida, pois são eles que, com as suas palavras, transformam, na Missa, o pão e o vinho no corpo e no sangue de Cristo; que aplicam a água benta no batismo para remissão de pecados; que ouvem a confissão do povo e pronunciam o perdão de pecados. Essa mentalidade de mediação humana passou para os evangélicos, com poucas mudanças. Até nas igrejas chamadas históricas, os crentes brasileiros agem como se a oração do pastor fosse mais poderosa do que a deles e como se os pastores funcionassem como mediadores entre eles e os favores divinos. Esse ranço do Catolicismo vem sendo cada vez mais explorado por setores neopentecostais do evangelicalismo, a julgar por práticas já assimiladas como "a oração dos 318 homens de Deus", "a prece poderosa do bispo tal", "a oração da irmã fulana, que é profetisa", etc..

3) O misticismo supersticioso no apego a objetos sagrados

O Catolicismo no Brasil, por sua vez influenciado pelas religiões afro-brasileiras, semeou misticismo e superstição durante séculos na alma brasileira: milagres de santos, uso de relíquias, aparições de Cristo e de Maria, objetos ungidos e santificados, água benta, entre outros. Hoje, há um crescimento espantoso, entre setores evangélicos, do uso de copo d'água, rosa ungida, sal grosso, pulseiras abençoadas, pentes santos do kit de beleza da rainha Ester, peças de roupa de entes queridos, oração no monte, no vale; óleos de oliveiras de Jerusalém, água do Jordão, sal do Vale do Sal, trombetas de Gideão (distribuídas em profusão), o cajado de Moisés... é infindável e sem limites a imaginação dos líderes e a credulidade do povo. Esse fenômeno só pode ser explicado, ao meu ver, por um gosto intrínseco pelo misticismo impresso na alma católica dos evangélicos..

4) A separação entre sagrado e profano

No centro do pensamento católico existe a distinção entre natureza e graça, idealizada e defendida por Tomás de Aquino, um dos mais importantes teólogos da Igreja Católica. Na prática, isso significou a aceitação de duas realidades coexistentes, antagônicas e freqüentemente irreconciliáveis: o sagrado, substanciado na Santa Igreja, e o profano, que é tudo o mais no mundo lá fora. Os brasileiros aprenderam durante séculos a não misturar as coisas: sagrado é aquilo que a gente vai fazer na Igreja: assistir Missa e se confessar. O profano – meu trabalho, meus estudos, as ciências permanece intocado pelos pressupostos cristãos, separado de forma estanque. É a mesma atitude dos evangélicos. Falta-nos uma mentalidade que integre a fé às demais áreas da vida, conforme a visão bíblica de que tudo é sagrado. Por exemplo, na área da educação, temos por séculos deixado que a mentalidade humanista secularizada, permeada de pressupostos anticristãos, eduque os nossos filhos, do ensino fundamental até o superior, com algumas exceções. Em outros países, os evangélicos têm tido mais sucesso em manter instituições de ensino que, além de serem tão competentes como as outras, oferecem uma visão de mundo, de ciência, de tecnologia e da história oriunda de pressupostos cristãos. Numa cultura permeada pela idéia de que o sagrado e o profano, a religião e o mundo, são dois reinos distintos e frequentemente antagônicos, não há como uma visão integral surgir e prevalecer, a não ser por uma profunda reforma de mentalidade entre os evangélicos.

.5) Somente pecados sexuais são realmente graves

A distinção entre pecados mortais e veniais feita pelo catolicismo romano vem permeando a ética brasileira há séculos. Segundo essa distinção, pecados considerados mortais privam a alma da graça salvadora e a condenam ao inferno, enquanto que os veniais, como o nome já indica, são mais leves e merecem somente castigos temporais. A nossa cultura se encarregou de preencher as listas dos mortais e dos veniais. Dessa forma, enquanto se pode aceitar a "mentirinha", o jeitinho, o tirar vantagem, a maledicência, etc., o adultério se tornou imperdoável. Lula foi reeleito cercado de acusações de corrupção. Mas, se tivesse ocorrido uma denúncia de escândalo sexual, tenho dúvidas de que teria sido reeleito ou de que teria sido reeleito por uma margem tão grande. Nas igrejas evangélicas – onde se sabe pela Bíblia que todo pecado é odioso e que quem guarda toda a lei de Deus e quebra um só mandamento é culpado de todos – é raro que alguém seja disciplinado, corrigido, admoestado, destituído ou despojado por pecados como mentira, preguiça, orgulho, vaidade, maledicência, entre outros. As disciplinas eclesiásticas acontecem via de regra por pecados de natureza sexual, como adultério, prostituição, fornicação, adição à pornografia, homossexualismo, etc., embora até mesmo esses estão sendo cada vez mais aceitáveis aos olhos evangélicos. Mais um resquício de catolicismo na alma dos evangélicos?

O que é mais surpreendente é que os evangélicos no Brasil estão entre os mais anticatólicos do mundo. Só para ilustrar (e sem entrar no mérito dessa polêmica), o Brasil é um dos países onde convertidos do catolicismo são rebatizados nas igrejas evangélicas. O anticatolicismo brasileiro, todavia, se concentrou apenas na questão das imagens e de Maria e em questões éticas como não fumar, não beber e não dançar. Não foi e não é profundo o suficiente para fazer uma crítica mais completa de outros pontos que, por anos, vêm moldando a mentalidade do brasileiro, como mencionei acima. Além de uma conversão dos ídolos e de Maria a Cristo, os brasileiros evangélicos precisam de conversão na mentalidade, na maneira de ver o mundo.

Temos de trazer cativo a Cristo todo pensamento, e não somente os nossos pecados. Nossa cosmovisão precisa também de conversão (2 Co 10.4-5). Quando vejo o retorno de grandes massas ditas evangélicas às práticas medievais católicas de usar no culto a Deus objetos ungidos e consagrados, procurando para si bispos e apóstolos, imersas em práticas supersticiosas, me pergunto se, ao final das contas, o neopentecostalismo brasileiro não é, na verdade, um filho da Igreja Católica medieval, uma forma de neocatolicismo tardio que surge e cresce em nosso país, onde até os evangélicos têm alma católica.

Augustus Nicoudemus

Fonte Editora Fiel

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O que eu devo fazer para ser um pescador de homens? | David Jeremiah

Jesus disse aos seus discípulos: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mateus 4.19). A implicação é que se realmente estamos seguindo, estaremos pescando homens. As últimas palavras de Jesus foram “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações…” (Mateus 28.19). Os cristãos no Novo Testamento foram a todos os lugares, pregando a Palavra (Atos 8.4).

Como, então, você e eu podemos ser testemunhas efetivas para Ele?

1. Peça a Deus que te dê responsabilidade evangelística pelos outros. Peça a Ele que te ajude a ver o mundo como Ele vê e para colocar no seu coração várias pessoas por quem você pode orar fervorosamente. Então, ore por esses nomes todos os dias. Tenha uma pequena lista de orações e ore por uma oportunidade de alcançar essas almas para Cristo. Uma música antiga dizia “Senhor, derrame no meu coração alguma alma e ame essa alma através de mim; / E que eu possa humildemente fazer a minha parte para levar aquela alma ao Senhor”.

2. Viva uma vida cristã consistente diante dessas pessoas. Jesus disse: “Vós sois a luz do mundo… Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5.14-16). Nós devemos viver vidas obedientes de integridade e fé autêntica. Nós devemos amar quando os outros odeiam e perdoar quando os outros nutrem ressentimentos. Nós devemos permanecer confiantes quando os outros entram em pânico e ser honestos quando todos ao nosso redor estão fraudando. Não que nós vamos ser perfeitos – somente Cristo não pecou. No entanto, devemos ter uma vida cristã crescente e madura que outros reconheçam e respeitem.

3. Construa pontes que alcance os outros. Quando o Senhor te mostrar aqueles que precisam de Cristo, procure construir um relacionamento com eles. Lembra como Jesus foi para a casa de Zaqueu, onde muitos pecadores tinham se reunido? Enquanto devemos ser cuidados para não nos colocarmos num ambiente no qual seremos puxados para baixo, devemos ser igualmente cuidadosos em cultivar amizades com aqueles que precisam de Cristo. Talvez Cristo tenha te colocado em sua escola ou seu ambiente de serviço especificamente apenas para aproximar-se daqueles que ninguém mais pôde.

4. Aprenda o Evangelho. Memorize os seguintes versículos e medite sobre eles, praticando-os: Romanos 3.23, 6.23, 5.8, 10.9, 10.10, 10.13; 1 João 5.1, 5.3.

5. Observe aberturas para compartilhar uma palavra por Cristo. Pedro disse: “Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós”. (1 Pedro 3.15).

6. Se a oportunidade certa não vier naturalmente, crie uma. Algumas vezes, nós esperamos muito procurando pelo momento certo para convidar alguém à igreja ou para compartilhar a mensagem do Evangelho. Frequentemente chega um ponto no qual precisamos, em oração, introduzir o assunto e fazer o nosso melhor para chamar a atenção de alguém para a necessidade de Cristo.

Nota do editor: Mike Riccardi tem um ótimo texto sobre “puxar assunto” e evangelização

7. Deixe os resultados com Deus. Nós somos responsáveis por compartilhar o Evangelho, mas somente Deus pode converter a alma. Tendo feito o seu melhor, deixe que Ele faça o resto. E se você sentir que fracassou no seu trabalho, lembre-se de Edward Kimball. Ele estava determinado em levar sua classe de Escola Dominical para Cristo, incluindo um adolescente chamado Dwight Moody que tendia a dormir nos domingos. Com seu coração forte, Kimball entrou na loja onde o jovem trabalhava. “Eu coloquei minha mão em seus ombros e, conforme eu me inclinei, eu coloquei meu pé numa caixa de sapato. Eu o convidei a ir a Cristo”. Não parecia ter ido bem e Kimball saiu pensando que ele tinha fracassado em seu trabalho. Moody, no entanto, saiu da loja naquele dia uma nova pessoa e eventualmente se tornou o evangelista mais proeminente na América durante a sua geração.

Não subestime como Deus pode usá-lo. Siga a Cristo e Ele o fará um pescador de homens.

Traduzido por Natália Moreira | iPródigo.com | Original aqui

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Conversão e Regeneração | Paul Washer


2ª Mensagem  [][][]
Conversão e Regeneração
Paul Washer
Alicerces da fé cristã - O que me torna um cristão?
Ano: 2012
28ª Conferência Fiel para Pastores e Líderes

terça-feira, 26 de junho de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

Autoridade, Intelecto, Coração | Benjamin B. Warfield (1851-1921)

O breve ensaio que se segue foi originalmente publicado no “The Presbyterian Messenger” (O Mensageiro Presbiteriano) em 30/01/1896.
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A exata natureza da íntima relação entre religião e teologia nem sempre é percebida. Algumas vezes, a religião é produto direto da teologia; com maior freqüência, teologia é compreendida como sendo diretamente baseada na religião. A verdade é que apesar delas refletirem continuamente, uma sobre a outra,  uma não é criação da outra. Elas são produtos paralelos do mesmo corpo de verdades, em diferentes esferas. Religião é o nome que nós damos à vida religiosa; teologia é o nome que damos ao corpo sistematizado do pensamento religioso. Uma não é produto da outra, mas ambas são produtos da verdade religiosa, operante nas duas esferas da vida e pensamento. Uma não pode existir sem a outra. Ninguém, exceto um homem religioso, pode ser um verdadeiro teólogo. Ninguém que é livre de toda concepção teológica pode viver de modo religioso. O homem é uma unidade e a verdade religiosa que o influencia deve afetá-lo em todas as suas atividades, ou em nenhuma delas. Mas é na origem da verdade religiosa que lhes é comum, que a religião e a teologia encontram suas mais profundas ligações. A verdade concernente a Deus, Sua natureza, Sua vontade, Seus propósitos, é o fato fundamental sobre o qual a religião e a teologia repousam. A verdade sobre Deus é, portanto, o que há de mais importante sobre a Terra. Sobre ela descansa nossa fé, nossa esperança e nosso amor. Através dela somos convertidos e santificados. Dela depende toda nossa religião, bem como toda nossa teologia.

Existem três meios ou canais pelos quais a verdade sobre Deus é trazida ao homem e feita sua possessão, para que possa afetar sua vida e assim fazê-lo religioso, ou para que possa ser sistematizado em seu pensamento resultando em teologia. Estes três meios ou canais de comunicação podem ser enumerados resumidamente como autoridade, o intelecto e o coração. Em qualquer religião sadia  e em qualquer pensamento religioso verdadeiro, o qual é teologia, todos os três devem estar ligados e devem trabalhar harmoniosamente juntos como a causa imediata de nossa religião e nosso conhecimento. Dar mais importância a qualquer um deles, em detrimento dos outros, irá, então, frustrar nossa vida religiosa e nosso pensamento religioso, igualmente e fará ambos parciais e disformes. Não podemos ter uma vida religiosa simétrica, ou uma verdadeira teologia, a não ser através da perfeita interação de todas as três fontes de comunicação da verdade.

Entretanto, pode-se argumentar, plausivelmente, que os três se reduzem, no fim das contas, a um só; e que este único canal da verdade, por sua vez, pode, com quase igual plausibilidade, ser encontrado em cada um dos três. Deste modo, pode‑se concluir que nossa confiança no processo de nosso intelecto e na liberação de nossos sentimentos, baseia-se na fidelidade de Deus; assim, afinal, a autoridade é a única fonte do nosso conhecimento que concerne a Deus. Sabemos somente o que e quanto Deus nos revela.

Semelhantemente, pode ser argumentado que toda a máxima da autoridade é endereçada ao intelecto, que também é o único instrumento para apurar as implicações dos sentimentos; assim sendo, toda nossa fonte de conhecimento reduz‑se, pelo menos, a esta única fonte: o intelecto. Sabemos apenas aquilo que nosso intelecto compreende e formula para nós.

Uma vez mais, pode ser argumentado que não a razão lógica, mas os fatos da vida, nossos esforços supernos, nossos sentimentos de dependência e responsabilidade, suprem os pontos de contatos entre nós e Deus, sem os quais todos os trovões da autoridade e toda excursão do pensamento no reino das coisas divinas, poderiam ser tão incompreensíveis para nós e tão inoperante em nós, como uma conversa sobre cores seria para um homem cego.

Há verdade em cada uma destas considerações; mas elas não servem para mostrar que temos somente um meio de acesso às coisas divinas; antes enfatizam o fato que as três fontes estão tão entrelaçadas e interagindo, que uma não pode ser superestimada, em detrimento das outras, como único canal de conhecimento concernente a Deus e às coisas divinas.

A superestima do princípio da autoridade poderia nos lançar no tradicionalismo e por fim nos entregar, de pés e mãos amarradas, ao dogmatismo irresponsável de uma casta privilegiada. Este é o caminho que tem sido trilhado pela Igreja de Roma, e que resulta numa submissão desanimada à máxima, primeiro de uma igreja infalível, depois de urna classe infalível e por fim de uma pessoa infalível. Aqui, nem ao coração, nem ao intelecto, é permitido falar na presença da “soberana” autoridade; mas homens são dirigidos, obedientemente, a receber pela autoridade, mesmo o que contradiz suas mais primárias percepções (como na doutrina da transubstanciação), ou o que se aproveita dos seus mais íntimos sentimentos (como no uso das indulgências).

A superestima do princípio do intelecto poderia nos trazer ao racionalismo e nos deixar sem ajuda, de posse do mero entendimento lógico. Este caminho tem sido seguido pelos racionalistas, e nós temos, como resultado, alguma quantidade de sistemas a priori, construídos, unicamente, sobre o mérito da faculdade da razão. Aqui, nem à revelação, nem à consciência, é permitido promover um protesto contra o deprimente processo intelectual; mas, todas as coisas são restabelecidas a convite de preferências conhecidas anteriormente e requer-se dos homens que rejeitem, como falso, tudo que não tenha prova concludente à mão, mesmo que Deus tenha falado para asseverar sua verdade (como na doutrina da Trindade) ou o coração diz: “eu tenho experimentado” (como no pecado original).

A superestima do princípio do coração poderia nos lançar no misticismo e nos entregar ao engano da corrente de sentimento que flui para cima e para baixo em nossas almas. Este caminho tem sido experimentado pelos místicos, e nós temos como resultado o conflito de revelações antagônicas e a deificação das mais mórbidas imaginações humanas. Aqui, nem à verdade objetiva da palavra revelada, nem à lealdade ao pensamento racional, é permitido confrontar o sonho desvairado de uma alma que se imagina divina, ou a confusão de nossos mais fracos sentimentos, com a forte voz de Deus; e os homens são proibidos de elucidar suas fantasias rudes por justa razão (como na doutrina da absorção em Deus), ou crer no testemunho do próprio Deus sobre sua real natureza (como com referência a sua personalidade).

Portanto, autoridade quando imposta além do limite se tornando tradicionalismo, intelecto no racionalismo e o coração no misticismo, ilustra o perigo de uma edificação parcial.

Autoridade, intelecto e o coração são os três lados do triângulo da verdade. Como eles interagem é observado em qualquer estágio concreto de sua operação.

Autoridade nas Escrituras, provê a  substância que é recebida no intelecto e opera no coração. As revelações das Escrituras não acabam no intelecto. Elas não foram dadas meramente para iluminar a mente. Elas foram transmitidas através do intelecto para embelezar a vida. Elas acabam no coração. Elas não deixam o intelecto intocado, se afetam o coração. Elas não podem ser totalmente entendidas pelo intelecto, agindo sozinho.  
O homem natural não pode receber as coisas do Espírito de Deus. Elas devem primeiro converter a alma antes de serem completamente compreendidas pelo intelecto. Somente quando são vividas, são entendidas. Por isso a frase: "Creia para que possa entender" é totalmente válida. Nenhum homem pode compreender, intelectualmente, todo o significado das revelações da autoridade, salvo como resultado de experimentá‑las na sua vida. 
Por isso, para que as verdades concernentes às coisas divinas possam ser compreendidas de tal forma, que se unam com um verdadeiro conjunto de verdade divina, elas devem ser: primeiro, reveladas em uma palavra autoritativa; segundo, experimentadas num coração santo; e terceira, formuladas por um intelecto santificado. Somente quando estes três se unem, então, podemos ter uma verdadeira teologia. E, igualmente, para que estas mesmas verdades possam ser recebidas de forma a produzir em nós uma religião viva, elas devem ser: primeiro, reveladas em uma palavra autoritativa; segundo, apreendidas por um intelecto sadio; e terceiro, experimentadas num coração instruído. Somente nesta união, portanto, podemos ter uma religião vital.

Por: Benjamin B. Warfield (1851-1921)
Fontes:Presbitério Michigan-Ontário 
da Igreja Presbiteriana Ortodoxa 
Igreja Reformada Canadense Bethel

quarta-feira, 7 de março de 2012

Cultos Agradáveis aos Incrédulos | Geoffrey Thomas

Um amigo me contou o que aconteceu à sua esposa, quando se vestia em determinada manhã. Ele observou que ela abotoou o casaco colocando o primeiro dos botões na segunda casa e assim sucessivamente, por treze vezes. Por fim, descobrindo que um dos botões havia sobrado, ela percebeu o que estivera fazendo. “Quantos erros ela tinha cometido?”, ele se perguntou. “Um ou treze? Treze, porque ela tinha co-metido um erro fundamental no começo.”

Este mesmo princípio é verdadeiro no que se refere à adoração: os crentes cometem o erro fundamental de crer que o propósito de reunirem-se aos domingos é a evangelização. Em seguida, os crentes avaliam tudo que compõe nosso culto à luz dos incrédulos que podem estar por acaso em nosso templo ou por terem sido convidados. Nada deve intimidá-los, ameaçá-los ou iludi-los. E, visto que eles não conhecem o sentido das palavras ou as melodias de nossos hinos, é recomendável a adoração na forma de cânticos de grupos musicais. O conceito de leitura pública de um livro que desconhecem é totalmente estranho para eles. Portanto, se houver leitura, tem de ser bem curta. Igrejas mudam a Ceia do Senhor para uma reunião particular no domingo pela manhã ou na quarta-feira à noite. As orações devem ser curtas e simplistas, bem como o sermão, que deve abordar assuntos que interessam aos incrédulos, tais como: solidão, maridos ausentes, falta de esperança, falta de contentamento, mágoas, dificuldade de criar adolescentes, e como lidar com tais problemas. A partir desta reunião de domingo, os incrédulos devem sentir-se encorajados a participar de pequenos grupos de estudo e de um curso sobre as doutrinas em que nós cremos. E somos fortemente encorajados a acabar com a forma de adoração a Deus que temos praticado por muitos anos.

No entanto, todas estas idéias mudarão, se cremos que nossa adoração está centralizada em Deus, que se revelou através da Bíblia. Nossa preocupação será agradar este grande Deus. Como devemos nos aproximar dEle? Somente por intermédio do nome do Senhor Jesus Cristo (temos de deixar isso bem claro); somente por meio de seu sangue e sua justiça; depois, com confiança exultante, mas também com reverência e piedoso temor. Quando o Filho de Deus orou, Ele mesmo se ajoelhou na presença do Deus que é fogo consumidor. Se alguém tinha direito de ser informal e casual com seu Pai, este alguém era Jesus de Nazaré. O Senhor Jesus nunca magoou seu Pai, mas se prostrava quando falava com Ele. Tudo o que fazemos e dizemos tem de ser agradável a Deus, ou seja, o Senhor Deus está ciente até do que se passa no íntimo daqueles que ofertam pequenas moedas; Ele se deleita com a alegria que demonstramos na administração de nossos talentos e em tudo o que fazemos. Nosso louvor e orações precisam estar de acordo com as Escrituras, e, acima de tudo, a Palavra pregada tem de servir ao propósito de agradar a Deus, porque o sermão é o aspecto mais importante da adoração, visto que através dele o Criador do universo fala a seres insignificantes. A mensagem, tanto em seu conteúdo quanto em seu significado, deve proporcionar aos incrédulos que foram atraídos ao culto o conceito exato a respeito de quão glorioso Ser é o Deus vivo — Pai, Filho e Espírito Santo — terrível em seu poder, incomparável em sua glória e extraordinariamente gracioso.

Não existe qualquer indício de que a Igreja tem uma chamada para afagar as emoções dos incrédulos. Os líderes da adoração não podem dizer: “Bem, sabemos que vocês não estão interessados na vida e na morte do Senhor Jesus Cristo. Por isso, temos algo mais para vocês”. Na verdade, não temos algo mais, além de Cristo. Temos de ser absolutamente claros e unânimes sobre isso, na congregação e no púlpito. Se eles não querem nosso Salvador, não podemos substituir a mensagem com maneiras de temperarem seu casamento, assim como não podemos utilizar um culto musical, coreografia ou regras de procedimento, para tornar mais agradável o seu trabalho no escritório, ou oferecer um curso sobre a vida de solteiros. Tudo o que temos a oferecer-lhes é um Profeta que os ensinará, um Cordeiro que removerá a culpa deles e um Pastor que os guiará e os protegerá.

Nossa própria vida tem de ser tão semelhante à de Cristo quanto possível, especialmente quando nos reunimos. Nós nos reunimos para encorajar uns aos outros a viver como imitadores de Deus. Precisamos ser irrepreensíveis em nosso vestir, nossa linguagem, nosso uso do tempo, nossos relacionamentos ou mesmo em nosso humor, a fim de sermos conhecidos como aqueles que desejam agradar o Jeová Jesus em todas as coisas; e nosso evangelismo está fazendo com que o mundo perceba isto e saiba por que cremos nisto. Os incrédulos descobrem que estão na companhia daqueles que têm como objetivo principal o glorificar a Cristo.

Odiamos qualquer coisa que não deixe isto bastante claro para eles; como, por exemplo, uma forma de adoração vazia que não tem qualquer significado. Queremos que nossas palavras sejam cheias de sentimentos e de afeições de temor a Deus. Linguagem popular e simplista é menos importante do que uma linguagem com elementos mais profundos e eficazes. Sempre ficamos comovidos quando as pessoas nos falam, de modo tão amável e transparente, a respeito do Salvador e de seu amor por elas, o que demonstra que abandonaram sua maneira frívola e irreverente de falar. Apreciamos muito isso; e trememos no que diz respeito a quaisquer tentativas que insistem em que nossa maneira de expressão no culto deve ser a linguagem comum de nosso dia-a-dia. Essa linguagem pode ser correta para a comunicação corriqueira com os outros, mas não para expressar as maravilhas de tão grande salvação. Se o estilo e a maneira de nos expressarmos, quando nos reunimos na presença de Deus, são aqueles mesmos que os incrédulos ouvem entre eles, no escritório ou em seu ambiente educacional, então, falhamos em alcançá-los. Nós, aqueles a quem o Senhor buscou e salvou, somos sensíveis às verdadeiras necessidades dos incrédulos. Portanto, se empregarmos qualquer coisa vulgar e superficial, estaremos cometendo o pecado de sugerir-lhes uma deidade indigna da atenção deles. Conseqüentemente, nossa adoração tem de ser simples, espiritual, calorosa, reverente, substancial, caracterizada por orações espontâneas, com hinos de mensagem profunda; uma adoração que terá como clímax a pregação expositiva; uma adoração apoiada em formas que rapidamente obtêm familiaridade com o que é divino; então, estes se tornam os melhores meios de conduzir as pessoas a Deus, a quem servimos, e de impedir que a atenção delas se prenda na observação de um pregador engenhoso que lhes esteja falando.

Por: Geoffrey Thomas
Fonte: Editora Fiel


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Você conhece Jesus Cristo como seu Salvador?

"E agora, por um pequeno momento, se manifestou a graça da parte do SENHOR, nosso Deus, para nos deixar alguns que escapem, e para dar-nos uma estaca no seu santo lugar..." Esdras 9.8 

Você conhece Jesus Cristo como seu Salvador? Ele é o seu Redentor?

Talvez você participe dos cultos de uma boa igreja evangélica. É possível que tenha lido vários trechos da Bíblia e talvez tenha em sua biblioteca livros sobre a vida cristã. Já ouviu falar do Evangelho e da salvação. Pode até ser que você seja batizado e professe estar entre os salvos.

E mesmo assim, apesar da aparência exterior, pode ser que você ainda não siga a Cristo, pois Ele ainda não é seu Senhor. Independente da sua situação religiosa, peço que considere por um momento: você já foi perdoado por Cristo?

Onde há perdão, houve primeiramente uma ofensa. É fundamental que entendamos que nosso pecado é a nossa maior ofensa contra Deus. Recomendo a leitura do capitulo 9 de Esdras pois neste capitulo, ele confessa seu pecado junto com o pecado do povo de Israel. Lemos a partir do versículo 5: "Me pus de joelhos, e estendi as minhas mãos para o SENHOR meu Deus; e disse: Meu Deus! Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a minha face, meu Deus; porque as nossas iniqüidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a nossa culpa tem crescido até aos céus. Desde os dias de nossos pais até ao dia de hoje estamos em grande culpa..." A atitude de Esdras demonstra que ele enxergava seus pecados como sendo ofensivos ao próprio Deus santo. Esdras não fez de conta que seus pecados eram ocultos ou discretos e nem ainda uma "escolha pessoal", mas admite que "nossa culpa tem crescido até aos céus". Nossa culpa é vista por Deus, pois vivemos todo dia perante Seus olhos. O próprio Esdras reconheceu, "Eis que estamos diante de ti, na nossa culpa" (Ed 9.5). O Rei Davi admitiu "Fiz o que é mal à tua vista" (Sl 51.3) e o profeta Isaias confessou, "as nossas transgressões se multiplicaram perante ti, e os nossos pecados testificam contra nós" (Is 59.12).

Essa culpa "que tem crescido até aos céus" é o efeito colateral do pecado. A culpa nos lembra a cada momento da condenação justa por causa do pecado. Carregamos o peso da punição vindoura, temendo um encontro com o Deus Justo depois da morte. "Todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão" (Hb 2.15). E com toda razão, afinal a Bíblia não poupa palavras quando descreve a punição eterna daqueles que zombam de Deus: "Este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira" (Ap 14.10).

Antes de ser salvo, é necessário que você perceba o quão perdido você é nos seus pecados. Somente o náufrago clama por socorro. Você já chegou a se ver culpado diante do seu Criador? Chegou a admitir, "Fui pesado na balança da perfeição divina e tenho sido achado em falta"? Já confessou, "estou destituído da glória de Deus"?

Se você está carregando o peso da condenação, as boas novas do Evangelho serão como água para sua alma sedenta. Aqueles que são corroídos pela podridão do pecado acharão restauração em Cristo. Ele diz: "Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede" (Jo 6.35). Este versículo diz a respeito à satisfação. Deus foi satisfeito com o sacrifício de Jesus Cristo na cruz. Cristo se satisfaz em remir pobres desgarrados e nós somos satisfeitos com a regeneração das nossas almas. Certamente, quem corre a Cristo, encontra satisfação eterna. Como não ser satisfeitos quando experimentamos que "se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2Co 5.17)? O Salmista escreveu, alegre e satisfeito: "Tu limpas as nossas transgressões. Bem-aventurado aquele a quem tu escolhes, e fazes chegar a ti, para que habite em teus átrios; nós seremos fartos da bondade da tua casa e do teu santo templo" (Sl 65.3,4).

Somos lavados das nossas transgressões! Cada detalhe do pecado é expurgado pelo sangue de Cristo. O sacrifico de Cristo é tão completamente imerecido e tão maravilhosamente completo. O Filho de Deus fez-se carne para resgatar-nos da nossa carnalidade. Ele deu sua vida na cruz para assim dar vida aos acusados. O Justo morreu pelos injustos. Foi paga a minha divida, pois o Filho de Deus aceitou morrer a minha morte na cruz aonde eu deveria ter sido crucificado. Claramente entendemos: "O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos" (Mt 20.28). Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus, tomou sobre Si a ira de Deus para que - morto e ressurreto - fosse a salvação completa dos mais indignos pecadores.

Pergunto: você está satisfeito em Cristo? A sua alma repousa nele? Ou está ainda a procura de outro consolo além de Cristo?

Talvez você esteja confusa em como chegar a Cristo. Vejamos novamente a oração de Esdras, em Esdras capitulo 9. Perceba como ele reconheceu sua vergonha e iniquidade no versículo 6, confessou sua culpa no versículo 7 e por fim agarra-se à graça de Deus no versículo 8: "Agora, por um pequeno momento, se manifestou a graça da parte do SENHOR, nosso Deus, para nos deixar alguns que escapem, e para dar-nos uma estaca no seu santo lugar; para nos iluminar os olhos, ó Deus nosso, e para nos dar um pouco de vida na nossa servidão" (Ed 9.8). A graça de Deus tem se manifestada, permitindo que nós - presos na servidão ao pecado - possamos escapar da culpa e da condenação. É um escape imerecido, pago na integra por Cristo. Boas intenções, ofertas financeiras ou serviço dedicado não alcançarão o que a graça de Deus alcança por nós: um escape!

Como então ir a Cristo? Correndo
Como confiar nele? Inteiramente
Como rogar Sua misericórdia? Confessando seus pecados e crendo que Ele providenciou um escape. 

Devemos agarrar esta verdade: "Na nossa servidão não nos desamparou o nosso Deus; antes estendeu sobre nós a sua benignidade...para que nos desse vida" (Ed 9.9).

Agora não seria a hora de buscar essa benignidade de Deus? Onde quer que você esteja, não seria agora o momento de buscar um tempo à sós, e, de joelhos dobrados e coração quebrantado, rogar que Deus lave sua alma no sangue de Cristo? Estas palavras deviam ser suas: "Esconde a tua face dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniqüidades. Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto" (Sl 51.9,10).

Nós nos preocupamos com a mensagem da salvação porque não temos outra mensagem a anunciar a não ser: "Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores" (1Tm 1.15). É bom ler artigos, é ótimo ouvir palestras e excelente investir em bons livros. Mas nada valerá a pena se em primeiro lugar você não tem buscado o perdão de Deus aos pés da cruz.

Pergunto novamente: você conhece Jesus Cristo como seu Salvador?