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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Antão começa sua vida de eremita (270)
Um dos principais fundadores das comunidades monásticas não tinha em mente a idéia de fundar coisa alguma. Ele estava simplesmente preocupado com a própria condição espiritual e passou a maior parte de sua vida sozinho. Antão [ou Antônio] nasceu no Egito, provavelmente por volta do ano 250, em uma família de pais abastados que morreram quando contava cerca de vinte anos, deixando para ele toda sua herança. As palavras de Jesus ao jovem rico "Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres" mudaram a vida do jovem Antão. A mensagem parecia ter sido direcionada a ele, uma vez que a entendeu literalmente. Doou suas terras aos vizinhos, vendeu suas outras propriedades e repartiu o dinheiro entre os pobres. Colocou-se sob os cuidados de um cristão idoso que lhe ensinou as alegrias da autonegação. Antão optou por comer uma única refeição por dia, composta de pão e água, e passou a dormir no chão. Com a conversão do imperador Constantino em 312, a situação da igreja mudoudrasticamente.Para se afastar ainda mais do mundo, Antão se mudou para um forte abandonado, onde viveu vinte anos sem ver rosto humano. Sua comida lhe era jogada por cima do muro. As pessoas ouvian sobre sua impressionante autonegação e suas batalhas com os demônios. Alguns admiradores ergueram casas rudes próximas ao forte, e, de modo relutante, ele se tornou conselheiro espiritual delas, dando-lhes orientação sobre jejum, oração e obras de caridade. Antão certamente se tornou um modelo de autonegação.
O eremita não conseguiu se desligar totalmente do mundo. Em 311, Maximino, um dos últimos imperadores pagaos, estava perseguindo os cristãos, o que fez com que Antão deixasse sua casa, disposto até mesmo a morrer por sua fé. Em vez disso, ele ministrou aos cristãos que foram condenados a trabalhar nas minas imperiais. Essa experiência o convenceu de que viver a vida Antão deixando o mosteiro. Pintura de Sassetta. cristã poderia ser algo tão santo quanto morrer por ela. Mais uma vez, em 350, ele saiu de casa para defender a ortodoxia contra a heresia ariana, que não fora extinta pelo Concilio de Nicéia (325).
Muitas pessoas, incluindo o imperador Constantino, buscavam o conselho espiritual do eremita. Antão morreu com 105 anos, aparentemente desfrutando vigor físico e mental. Ele insistiu para que fosse enterrado secretamente de modo que nenhum culto se desenvolvesse ao redor de sua sepultura. Apesar desse cuidado, porém, um culto surgiu. Atanásio, o influente teólogo que teve papel muito importante no Concilio de Nicéia, escreveu uma obra muito popular chamada Vida de Antão, na qual retratava-o como o monge ideal, que podia realizar milagres e discernir entre espíritos bons e maus. Não demorou muito para que a idéia de um verdadeiro guerreiro espiritual que se tornou monge e negou a si mesmo tomasse vulto dentro da igreja.
A prática das comunidades de monges que viviam juntos começou com Pacômio, um jovem companheiro de Antão. Como o austero e individualista Antão, a maioria de seus seguidores também foi eremita. Seja como for, Antão comunicou a idéia de que pessoa verdadeiramente religiosa se afasta do mundo, abstendo-se do casamento, da família e dos prazeres mundanos. Essa idéia só foi desafiada seriamente na época da Reforma.
Fonte: Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo
Por: A. Kenneth Curtis
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Cipriano escreve Unidade da igreja (251)
Que relação existe entre os membros da igreja e seus líderes? De que maneira a igreja pode disciplinar os membros? Essas são questões que a igreja deve abordar em qualquer época. Em meados do século m, as respostas a essas perguntas foram proferidas por Cipriano, que possuíra muita riqueza e nascera pagão em uma família culta, por volta do ano 200. Quando se tornou cristão, renunciou ao seu estilo de vida, doou seus bens e o dinheiro aos pobres e assumiu o voto de castidade. Com relação à sua conversão, escreveu: "O segundo nascimento fez de mim um novo homem por meio do Espírito soprado do céu". Professor de retórica e orador famoso, o eloqüente e devoto Cipriano destacou-se entre os membros da igreja, tornando-se bispo de Cartago por volta do ano 248.Embora tivesse conhecimento dos clássicos gregos e romanos, Cipriano não era teólogo. De modo diferente de Tertuliano, a quem admirava, Cipriano era um homem prático que se importava pouco com as disputas teológicas de seus dias. Ele simplesmente queria a unidade da igreja. Em uma igreja bem desunida, buscou unir os cristãos por meio da autoridade dos bispos. O imperador romano Décio perseguira os cristãos, e alguns negaram sua fé. Décio não procurava fazer mártires, porque sabia que o martírio simplesmente chamava mais a atenção para o cristianismo. Em vez de matar os cristãos, os torturava, na esperança de que dissessem "César é Senhor". Os que se rendiam e proferiam essa declaração passaram a ser conhecidos como lapsi. Os cristãos que se mantinham firmes, denominados "confessores", normalmente desaprovavam os lapsi. Desse modo, o concilio de bispos estabeleceu regras rígidas em relação à readmissão dos crentes proscritos na igreja. Diante dessa disciplina, um sacerdote chamado Novato deu início a uma igreja rival que oferecia admissão fácil aos lapsi.
Embora não tivesse sofrido por causa de sua fé, Cipriano não conseguia suportar a divisão. Acreditava que os cristãos dedicados deveriam passar pela penitência para provar sua fé. A penitência era composta de um período de tristeza verdadeira, depois do qual a pessoa poderia participar novamente da ceia do Senhor. Depois de o penitente ter "cumprido seu tempo", ele comparecia diante da congregação vestido de saco e coberto de cinzas para que os bispos pronunciassem o perdão. Cipriano via isso como um sistema graduado: quanto mais grave fosse o pecado, mais penitência a pessoa precisava cumprir. Sua idéia tornou-se popular e passou a ser um dos mais poderosos — e, às vezes, mais abusivos — métodos de disciplina da igreja.
No ano 251, Cipriano convocou o Concilio de Cartago e leu Unidade da igreja, seu trabalho principal, que teve profunda influência sobre a história da igreja. A igreja, conforme argumentou, é uma instituição divina a noiva de Cristo e somente pode haver uma noiva. Somente na igreja as pessoas poderiam alcançar a salvação; fora dela, há somente escuridão e confusão. Fora da igreja, os sacramentos e os pastores e até mesmo a Bíblia não tinham importância. O indivíduo não poderia viver a vida cristã em contato direto com Deus; ele precisava da igreja. Uma vez que Cristo estabelecera a igreja sob autoridade de Pedro, a Pedra, Cipriano disse que todos os bispos eram, em certo sentido, sucessores de Pedro e, portanto, deveriam ser obedecidos. Embora não declarasse que o bispo de Roma estava acima dos outros, Cipriano via o episcopado como especial em razão da conexão de Pedro àquela cidade.
Afirmações de Cipriano como "Fora da igreja não há salvação" e "Ninguém pode ter Deus como Pai se não tiver a igreja como mãe" encorajavam as pessoas a dar aos bispos lugar de grande importância. O bispo era capaz de determinar quem podia fazer parte da igreja, o que, com efeito, é o mesmo que ter o poder de dizer: "Você está salvo; você não está salvo". Em vez de confiar na obra do Espírito Santo por meio da igreja como um todo, Cipriano deixou implícito que o Espírito Santo trabalhava por meio dos bispos. Os bispos, naturalmente, ganharam poder com a disseminação dessas idéias. Cipriano também promoveu a idéia de que a missa era o sacrifício do sangue e do corpo de Cristo. Uma vez que os sacerdotes agiam como representantes de Cristo, oferecendo novamente o sacrifício em todos os cultos de adoração, isso somente serviu para lhes aumentar o poder. Cipriano morreu durante a perseguição do imperador Valeriano. Pelo fato de ter se recusado a oferecer sacrifícios aos deuses pagaos, o bispo de Cartago foi decapitado em 258.
A igreja da época de Cipriano, caracterizada pela desunião, apegou-se às suas idéias. O bispo não poderia ter previsto as conseqüências dos meios pelos quais procurou manter a igreja unida. Na Idade Média, alguns homens incrivelmente gananciosos e imorais exerceriam o ofício de bispo, usando-o em benefício próprio, em vez de cuidar dos assuntos espirituais. A estrutura hierárquica que criou a "união", também provocou uma enorme divisão entre o clero e os leigos.
Fonte: Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo
Por: A. Kenneth Curtis
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
História da Igreja 07 | Os Pais da Igreja
Ante-nicenos, Nicenos e Pós-nicenos / Ortodoxos? / Nomes Importantes
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