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sábado, 27 de dezembro de 2025

Estudo Bíblico: O Primeiro "Combinado" — Entendendo o Pacto das Obras

Introdução: As Regras do Jogo da Vida

Imagine que a vida com Deus é como um jogo épico. Desde o início, Deus não nos deixou no escuro; Ele estabeleceu as "regras do jogo" para que pudéssemos vencer. Esses acordos, que a teologia chama de "pactos" ou "combinados", são a base de tudo. Entender o primeiro deles é absolutamente fundamental para compreender toda a narrativa da Bíblia, desde a queda no Jardim do Éden até a missão redentora de Jesus Cristo.

De forma simples, um pacto é "um acordo e arranjo mútuo entre duas ou mais partes para dar ou fazer algo". A Bíblia nos apresenta dois pactos principais que governam o relacionamento de Deus com a humanidade: o Pacto das Obras e o Pacto da Graça.

O objetivo deste estudo é explorar em detalhes o Pacto das Obras, o acordo original que Deus fez com Adão no Jardim do Éden. Ao analisarmos seus termos, promessas e condições, poderemos entender o plano original de Deus para a humanidade, a profundidade da nossa queda e, consequentemente, a razão pela qual todos nós precisamos desesperadamente de um Salvador.

Então, vamos voltar ao início e descobrir qual foi o primeiro "combinado" que Deus fez com a humanidade e por que ele ainda importa tanto para nós hoje.

1. O Pacto das Obras: O Acordo no Paraíso

Compreender os termos do Pacto das Obras é de importância estratégica, pois ele revela tanto o caráter perfeitamente justo de Deus quanto a alta e nobre responsabilidade que foi confiada à humanidade desde o momento da sua criação. Não se tratava de um conjunto de regras arbitrárias, mas de um caminho claro para uma vida de plena comunhão e felicidade com Deus, baseado na lealdade e na obediência.

As Partes Envolvidas

Este pacto foi estabelecido entre duas partes bem definidas:

  • Deus: O Criador soberano, que estabeleceu os termos, as promessas e as penalidades do acordo.
  • Adão: O primeiro homem, que não agiu apenas por si mesmo, mas como "cabeça e representante de toda a raça humana". Isso significa que suas ações — sejam de obediência ou desobediência — teriam consequências diretas para toda a sua descendência.

A Grande Promessa: Vida!

A recompensa prometida por Deus a Adão, caso ele cumprisse a sua parte no acordo, era a vida. Essa promessa se desdobrava em três dimensões complementares e gloriosas:

  • Vida Natural: A continuação da união entre a alma e o corpo.
  • Vida Espiritual: A preservação da união entre Deus e a alma, mantendo a imagem e o favor divinos.
  • Vida Eterna: A concessão de uma felicidade perfeita, imutável e eterna, desfrutando da presença imediata de Deus.

A Condição: Obediência Perfeita

Este acordo foi chamado de "Pacto das Obras" precisamente porque a obtenção da vida eterna estava condicionada às obras de Adão, ou seja, à sua perfeita obediência à vontade de Deus. A Escritura resume esse princípio em Gálatas 3:12:

"O homem que as pratica viverá nelas."

Essa obediência exigida não era superficial ou parcial. Ela deveria ser perfeita em todos os aspectos:

  1. Assunto: Envolveria todo o ser de Adão, com todos os poderes da alma e membros do corpo sendo empregados no serviço a Deus. (Em outras palavras, não bastava fazer a coisa certa; todo o seu ser, de dentro para fora, precisava estar alinhado com Deus.)
  2. Princípio: Deveria partir de uma inclinação natural e espontânea do coração para obedecer, sem qualquer relutância ou indisposição. (Isso significa que Adão deveria obedecer com alegria, de coração, e não por obrigação.)
  3. Fim: O objetivo principal de cada ação deveria ser, acima de tudo, a glória de Deus. (Isso significa que a motivação por trás de tudo não seria o benefício próprio, mas honrar a Deus.)
  4. Maneira: A obediência deveria ser executada com perfeito amor e deleite. (Cada ato de obediência deveria ser uma expressão de amor e prazer em fazer a vontade de Deus.)
  5. Tempo: Precisaria ser constante e perpétua, sem interrupções ou falhas. (A obediência não podia ter "dias de folga"; deveria ser contínua e sem falhas.)

Para testar essa obediência de forma clara e objetiva, Deus estabeleceu uma regra específica e simbólica no coração do paraíso.

2. O Teste de Lealdade: A Árvore Proibida

É crucial entender que a árvore do conhecimento do bem e do mal não era mágica ou intrinsecamente venenosa. O fruto em si era bom, como tudo o que Deus criou. Sua importância estratégica residia em seu propósito: ser um teste claro, simples e direto da lealdade e da confiança de Adão em seu Criador. Era um símbolo da autoridade de Deus e da submissão voluntária do homem.

Por Que Esse Nome?

O nome da árvore não significava que comer dela daria um novo superpoder intelectual. Na verdade, o nome era profético e trágico. Ao comer o fruto, Adão e Eva conheceriam o bem e o mal de uma forma que nunca desejaram: pela experiência. Eles conheceriam experimentalmente o bem que haviam perdido (a perfeita comunhão e o favor de Deus) e o mal no qual haviam caído (a desgraça do pecado e da miséria). Foi o conhecimento adquirido através da perda.

A Regra do Jardim

A ordem de Deus foi apresentada de forma positiva e direta, seguida por uma única proibição:

"De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás." (Gênesis 2:16-17)

O Propósito do Teste

Deus, como um "Instrutor" sábio, usou essa proibição para ensinar a Adão lições fundamentais para seu desenvolvimento e relacionamento com Ele. O teste servia para:

  • Ensinar Domínio Próprio: Adão precisava aprender a governar seus próprios desejos e apetites sob a autoridade da palavra de Deus.
  • Ensinar Submissão: O teste o lembrava de que, embora fosse o senhor de toda a criação terrena, ele permanecia um súdito do Rei celestial.
  • Ensinar Obediência Inquestionável: O ponto central era obedecer à vontade de Deus simplesmente porque era a vontade de Deus. O bem e o mal não seriam definidos pela experiência ou pelo desejo de Adão, mas pela ordem do Criador.

A Punição: Morte

A penalidade pela violação do pacto foi declarada com a mesma clareza da ordem:

"No dia em que dela comeres, certamente morrerás." (Gênesis 2:17)

Assim como a promessa de vida, a ameaça de morte também se desdobrava em três dimensões terríveis, que se tornariam a consequência direta da desobediência:

  1. Morte Temporal: A separação da alma e do corpo, tornando o homem sujeito à finitude física.
  2. Morte Espiritual: A separação da alma de Deus e a perda de Sua imagem. Esta morte foi instantânea, ocorrendo no exato momento do pecado.
  3. Morte Eterna: A separação permanente e final da presença gloriosa de Deus, resultando em sofrimento sob a Sua justa ira no inferno.

Adão falhou no teste mais simples, mas as consequências foram as mais devastadoras imagináveis, colocando em movimento um plano de resgate que mudaria a história para sempre.

3. O Pacto Quebrado e a Solução Divina

A desobediência de Adão não foi apenas um erro pessoal; foi uma catástrofe cósmica. Como nosso representante, sua queda representou a queda de toda a humanidade. Ao quebrar o Pacto das Obras, ele introduziu o pecado e a morte no mundo, e essa herança de condenação passou a todos os seus descendentes.

Do Primeiro Adão ao Segundo Adão

É aqui que a história da redenção começa a brilhar. A Bíblia estabelece uma conexão direta e poderosa entre a falha do primeiro Adão e a missão vitoriosa do segundo Adão, Jesus Cristo. Como afirma o apóstolo Paulo, "...pela desobediência de um homem muitos foram feitos pecadores, mas pela obediência de um, muitos serão feitos justos" (Romanos 5:19).

A tabela abaixo contrasta o papel e o resultado de cada representante:

Representante

Aliança

Sua Ação Decisiva

Consequência Para Nós

O Primeiro Adão

Pacto das Obras

Desobediência (Quebra do pacto)

Morte Eterna

O Segundo Adão (Jesus)

Pacto da Graça

Obediência Perfeita (Cumprimento do pacto)

Vida Eterna

Aplicação Para Nossas Vidas Hoje

Embora os cristãos sejam salvos pela graça por meio da fé, e não por suas próprias obras, a obediência leal continua sendo o grande teste da nossa fé. Jesus mesmo advertiu: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus" (Mateus 7:21).

Isso não significa que ganhamos a salvação por obedecer. Significa que uma pessoa genuinamente "nascida de novo" pelo Espírito de Deus amará a Sua Palavra e, com a ajuda Dele, buscará viver em obediência aos Seus mandamentos como uma resposta de amor e gratidão.

Essa compreensão doutrinária não deve permanecer apenas no campo teórico; ela nos convida a uma profunda reflexão pessoal.

4. Perguntas para Reflexão e Aplicação Pessoal

Entender a doutrina do Pacto das Obras não é um mero exercício intelectual. É algo que deve transformar profundamente nossa gratidão por Cristo e moldar a maneira como vivemos cada dia. Use as perguntas a seguir para refletir sobre como essa verdade se aplica à sua vida.

  1. Se o teste de Adão era sobre obediência leal, como você demonstra sua lealdade a Deus hoje em suas escolhas diárias?
  2. Pense em uma decisão que você precisa tomar esta semana. Faça a si mesmo as perguntas do texto: "Isso pode ser feito no nome do Senhor Jesus?" e "Posso agradecer a Deus por isso e pedir Sua bênção sobre essa ação?"
  3. O mandamento em 1 Coríntios 10:31 diz para fazer "tudo para a glória de Deus". Como isso muda a maneira como você encara suas responsabilidades na escola, em casa ou com amigos?
  4. Refletindo sobre a obediência perfeita que Adão não conseguiu alcançar e que Cristo cumpriu em nosso lugar, como isso aumenta sua gratidão pela salvação que recebemos gratuitamente pela graça?
  5. O texto menciona que o teste ensinou a Adão sobre domínio próprio. Em que área da sua vida você precisa pedir a Deus mais domínio próprio para honrá-Lo?

Evandro Marinho

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Viva sem ansiedade | Ronaldo Lidório

Chegamos ao último devocional da nossa série “não andeis ansiosos”. Hoje, eu gostaria de recapitular o que vimos e deixar alguns pontos importantes para uma vida sem ansiedade à luz da Palavra.

Nos três versos que nos guiaram (Filipenses 4:6-8), aprendemos cinco pontos essenciais para quem busca uma vida sem ansiedade e repleta de paz.

Primeiro, é possível viver sem ansiedade. A Palavra nos ensina: “não andeis ansiosos por coisa alguma”. Portanto, nem pela saúde, problemas financeiros, perseguições ou questões relacionais, nada! Em Cristo Jesus é possível viver sem ansiedade, com o coração em paz.

Segundo, o remédio para a ansiedade é a confiança em Deus. Não encontramos solução em nós mesmos, cursos, livros ou conselhos. Somente a confiança em Deus destrona a ansiedade em nossas vidas. Assim, confiados no Senhor, colocamos perante Ele “as vossas petições” em relação a tudo que nos aflige, “pela oração e súplica, com ação de graças”. A oração mata a ansiedade.

Terceiro, viver na “paz de Deus” deve ser o nosso alvo. O resultado da confiança em Cristo, colocando tudo perante o Senhor em oração, é vivermos em paz. Essa “paz de Deus” guardará nossos corações e mentes em Cristo Jesus. É Ele quem dá. A plena paz se instala quando conhecemos mais quem Deus é. 

Quarto, a ansiedade se desenvolve na mente. Portanto, devemos filtrar aquilo que entra em nossas mentes, rejeitando o que não vem de Deus. Assim, devemos desenvolver pensamentos sobre “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude e se há algum louvor”. Pois lemos: “nisto pensai”.

Quinto, devemos pedir que Ele aumente a nossa fé. E, na Palavra, em oração e adoração, buscar viver com a fé em Cristo Jesus. À medida que cremos, temos paz, pois nossa mente entende e nosso coração percebe que o Altíssimo está conosco, e isto nos basta. 

Lembre-se! Ansiedade é nos preocuparmos com tragédias que podem ou não acontecer, enquanto paz é nos despreocuparmos mesmo quando chegam as tempestades. Que o Senhor encha o seu coração de paz em nome de Jesus!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

A MALIGNIDADE DO PECADO | John Flavel (1671)

Se a morte de Cristo foi aquilo que satisfez a Deus em favor de nossos pecados, existe uma infinita malignidade no pecado, visto que ele não pôde ser expiado de outro modo, senão por meio de uma satisfação infinita. Os tolos zombam do pecado, e existem poucas pessoas no mundo que se mostram verdadeiramente sensíveis a respeito de sua malignidade. No entanto, é certo que, se Deus exigisse de você a penalidade completa, os sofrimentos eternos não seriam capazes de expiar a malignidade que se encontra em um só pensamento pecaminoso. 

Talvez você pense que é muito severo o fato de que Deus sujeitaria as suas criaturas aos sofrimentos eternos por causa do pecado e nunca mais ficaria satisfeito com elas. Quando, porém, você considerar bem a verdade de que o Ser contra o qual você peca é o Deus infinitamente bendito e meditar em como Ele agiu em relação aos anjos que caíram, você mudará de ideia. Oh! Que malignidade profunda existe no pecado! Se você deseja entender quão grave e horrível é o pecado, avalie seus próprios pensamentos, quer à luz da infinita santidade e excelência de Deus, que é ofendido pelo pecado; quer à luz dos sofrimentos de Cristo, que morreu para oferecer satisfação pelo pecado. Então, você obterá compreensões profundas a respeito da gravidade do pecado. Se a morte de Cristo satisfez a Deus e, consequentemente, nos redimiu da maldição do pecado, a redenção de nossa alma é caríssima. As almas são preciosas e muito valiosas diante de Deus. 

Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo(1 Pe 1.18-19). 

Somente o sangue de Deus é um equivalente para a redenção de nossa alma. Ouro e prata podem redimirmos da servidão humana, mas não podem livrar-nos da prisão do inferno. 

Toda a criação não vale a redenção de uma única alma. As almas são muito preciosas; Aquele que pagou o preço da redenção delas pensou nisso. Mas os pecadores vendem por um valor muito baixo as suas próprias almas. Se a morte de Cristo satisfez a Deus no que diz respeito aos nossos pecados, quão incomparável é o amor de Deus para com pobres pecadores! Se Cristo, por meio de sua morte, consumou uma plena satisfação pelo pecado, Deus pode perdoar com segurança o maior dos pecadores que crer em Jesus.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Esforce-se para descansar | Jon Bloom

Se a Graça É um Favor Imerecido, Por Que Precisamos Nos esforçar?

O evangelho não é um convite para que nos aproximemos de Jesus e recebamos sua graciosa, inestimável e benevolente dádiva da salvação? Sim:

“Porque pela graça vocês foram salvos por meio da fé. E isso não é obra de vocês, é dom de Deus, não resultado de obras, para que ninguém se glorie.” (Ef. 2:8–9, NVI).

O evangelho não é um convite para que venhamos a Jesus para sermos aliviados dos fardos de nossas almas e recebermos seu incomparável descanso? Sim:

“― Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso a vocês. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para a alma. Pois o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” (Mt. 11:28–30).

Então, como podemos conciliar essas declarações maravilhosas e reconfortantes sobre a passividade do evangelho com as seguintes exortações à ação rigorosa e incômoda da santificação?

“― Se alguém quiser vir após mim, negue se a si mesmo, tome a sua cruz e siga me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a própria vida por minha causa a encontrará.” (Mt. 16:24–25).
“Portanto, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês.” (Col. 3:5).
Ponham em prática a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem produz em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele.” (Filip. 2:12–13).
Portanto, esforcemo-nos para entrar nesse descanso [de Deus], a fim de que ninguém venha a cair, seguindo aquele exemplo de desobediência [como a da geração de Moisés].” (Heb. 4:11).
Busquem... a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. Tomem cuidado para que ninguém se afaste da graça de Deus.” (Heb. 12:14–15).
Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado.” (1 Tim. 6:12).

Como pode o recebimento passivo do “dom indescritível” da graça de Deus (2 Cor. 9:15), que Jesus obteve integralmente para nós por meio de sua obra de redenção (Rom. 3:23-24; Ef. 2:8–9; Gál. 6: 14), a fim de nos libertar de nossas próprias obras sem esperança, para que, pela fé, possamos descansar em Cristo (Mt. 11:28–30; Rom. 11:6; Gál. 3:2–3), exigir nosso ativo “avançando” e “prosseguir[indo] para alcança-lo” (Filip. 3:12–14)?

Se a salvação é um dom gratuito e gracioso de Deus para nós e “não é resultado de [nossas] obras”, por que precisamos “pôr em prática [nossa] salvação”? Será que isso é apenas a Bíblia falando da boca para fora?

Não. Estamos simplesmente nos deparando com uma genialidade de proporções surpreendentes – o projeto paradoxal de nossa redenção. Se o examinarmos com cuidado, veremos a peculiar, autoafirmativa e reveladora glória de Deus neste plano de salvação, um plano que os seres humanos não pensariam em inventar (e que nunca foi inventado em nenhuma religião criada pelo homem).

Genialidade Surpreendente

Gostaria de destacar apenas um aspecto dessa glória. Embora sejamos salvos pela graça incondicional e eletiva de Deus (Ef. 1:4; 2:5), por meio do dom gratuito da fé (Ef. 2:8), as obras que nossa fé produz provam que nossa fé é real (Tg. 2:18). A fé é o dom gratuito da eleição; as obras são a evidência dessa eleição.

É por isso que, por um lado, Jesus diz: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair” (Jo. 6:44) – a dádiva gratuita da eleição – e, por outro lado, ele diz: “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos.” (Jo. 14:15) – a evidência da eleição. Ele une as duas coisas quando diz: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz (eleição), e eu as conheço, e elas me seguem (evidência)” (Jo. 10:27).

A genialidade do projeto de Deus aqui é vista em algumas das parábolas de Jesus. Ele diz que quando a rede do evangelho é lançada no mar do mundo, ela “apanha toda sorte de peixes” (Mt. 13:47), alguns justos e outros maus. A igreja visível é sempre uma pescaria mista, ou sempre tem joio no meio do trigo (Mt. 13:24–30), ou sempre tem bodes no meio das ovelhas (Mt. 25:31–46). O que distingue os eleitos dos outros é sua fé dada por Deus, demonstrada por suas obras dependentes de Deus (Tg. 2:14–26; 1 Jo. 3:10). A fé opera por meio do amor (Gál. 5:6).

Falar é fácil. Jesus disse: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” (Mt. 7:21).

Garanta Sua Escolha

Há muito mais glória a ser vista nesse projeto brilhante e paradoxal, que é o dom gratuito da graça salvadora de Deus, o qual se manifesta por meio de nossa vontade e obras (Filip. 2:13)! Poderíamos explorar como isso mostra a sabedoria e o poder de Deus de maneiras completamente imprevistas para os seres humanos orgulhosos (1 Cor. 1:27–31; 2:8), ou como isso dá testemunho público da realidade e do evangelho de Jesus (Jo. 13:35), ou como isso fortalece nossa fé concedida por Deus, aumenta nossa alegria Nele e nos santifica (Tg. 1:2–4; Heb. 12:11). Mas isso é assunto para outros artigos.

Não há contradição nos convites do evangelho para recebermos passivamente a dádiva gratuita da salvação de Deus e nas exortações do evangelho para que prossigamos para nos apropriarmos dessa dádiva. Nossas obras não são decisivas para nossa salvação. Elas são evidências da obra salvadora de Deus em nós.

E é por isso é dito “empenhem-se ainda mais para consolidar o [nosso] chamado e eleição” (2 Ped. 1:10), trabalhando em nossa salvação com temor e tremor.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Romanos 6:14 - A LEI E A GRAÇA | Augustus NIcodemus

Rom. 6:14 - A LEI E A GRAÇA (1)

Estamos aprofundando os princípios gerais para o crescimento espiritual. Nessa reflexão e na seguinte veremos a relação entre a lei e a graça na santificação do crente, como nos é ensinado por Paulo em Romanos 6-8. Observamos que o crente deve "saber" que morreu com Cristo para o pecado (6:1-9), que deve "considerar-se" morto para o pecado e vivo para Deus em Cristo (6:10-11), e que, consequentemente, não deve "oferecer" seus membros ao pecado, mas sim a Deus (6:12-14). A vitória é assegurada, explica o apóstolo, "pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça" (6:14). O que Paulo quis dizer com isso?
Entender corretamente a relação entre lei e graça na vida cristã é crucial. Uma concepção errônea sobre a função da lei pode levar a uma distorção do Evangelho, como o legalismo, por exemplo, e uma compreensão errada da graça pode levar à destruição das normas de conduta cristã, o antinomianismo. O tema é sério: Paulo dedica duas de suas epístolas fundamentais, Gálatas e Romanos, a este tópico. A dificuldade da afirmação paulina de que "não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça" (6:14b) é a seguinte: se o período da lei de Moisés foi ultrapassado com a vinda de Cristo (João 1:17), qual é exatamente agora a função da lei na vida cristã? Qual o significado de não estar debaixo da lei? Para responder à pergunta sobre a função da lei, devemos primeiro discernir o que a lei pode e o que não pode fazer, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Aqui, "lei" refere-se não à lei cerimonial (sacrifícios, rituais, abluções, etc.), mas à lei moral, resumida nos Dez Mandamentos (Êxodo 20:1-17). a. O que a lei pode fazer: (1) Revelar e ordenar a vontade de Deus, que é a santificação. (2) Pronunciar julgamento e condenação sobre cada infração de seus preceitos, exigindo cumprimento total (Gálatas 3:10) e condenando o mínimo infrator (Tiago 2:10). (3) Expor e condenar o pecado em suas mais variadas formas, revelando o íntimo das pessoas (Romanos 7:7) e fazendo sua maldade aparecer (Romanos 5:20). (4) Incitar o pecado a transgressões mais violentas e virulentas. A lei, por si só, não reforma o coração humano, apenas confirma sua depravação (Romanos 7:8-13). b. O que a lei não pode fazer: (1) A lei não pode justificar (perdoar, salvar) o pecador condenado, pois não provê expiação nem conhece clemência ou misericórdia. (2) A lei não pode libertar o pecador do domínio do pecado, mas acentua sua escravidão. O homem, caído e depravado por natureza, é incapaz de obedecer às exigências justas da lei (Romanos 7:14-25). Portanto, o contraste de "não estar debaixo da lei, mas sim da graça" em 6:14 não se refere à vigência da lei na época da graça, mas ao poder da lei e da graça para salvar e libertar o pecador do domínio do pecado. A vitória do crente sobre o pecado é segura porque não depende da lei (que condena), mas da graça, que elege, chama, justifica e santifica. Concluímos com as seguintes observações: (1) Todos os pecadores não regenerados permanecem debaixo da lei e, portanto, sob sua condenação, sem possibilidade de perdão. (2) Aqueles que se aproximam de Cristo pela fé recebem perdão e justificação de seus pecados pela graça. Não mais estão debaixo da condenação da lei. A grande pergunta é: você está debaixo da lei ou da graça? Estão os frutos da vida sob a graça evidentes em sua vida (justificação e santificação)? Rom. 6:14 - A LEI E A GRAÇA
Vimos na reflexão anterior que o pecado não terá jamais domínio sobre a vida do crente pois este "não está debaixo da lei, mas da graça" (Rm. 6:14). Isto significa, que a lei é impotente para justificar, perdoar e libertar o pecador que cai sob sua condenação; contudo, o crente está sob a graça de Deus revelada em Cristo Jesus, que o justifica, razão pela qual não volta a ser escravo do pecado.

Esta verdade, porém, levanta a questão: a lei de Deus deixou de ter validade para o crente sob a graça? Já entendemos que o crente não é justificado pela lei. No entanto, as Escrituras nos ensinam que a lei permanece válida eternamente para os filhos de Deus. Em que sentido?

A lei serve como norma de conduta para o crente, especialmente porque, vivendo sob a graça, temos o dever de agradar a Deus. Como fazer isso? A lei revela a vontade de Deus e ensina o que Lhe agrada, conforme exemplificado nas partes práticas das cartas do Novo Testamento (cf. Ef. 4:25-28). Além disso, sob a graça, temos o dever de amar o próximo, e Paulo nos ensina que o amor se expressa no cumprimento dos mandamentos (Rm. 13:8-10). A lei também revela as poluições pecaminosas da nossa natureza, vida e corações. Ela é chamada de "espada", penetrando nosso íntimo e revelando nossas intenções ocultas (Hb. 4:12) e de "espelho", mostrando nossos defeitos (Tg. 1:23-25). Pela lei vem o conhecimento pleno do pecado (Rm. 3:20), como na experiência do próprio Paulo (Rm. 7:7). Este conhecimento é valioso ao crente, pois leva a mais profundas convicções de pecado, maior humilhação diante de Deus por esses pecados, aversão e ódio ao pecado (Rm. 7:24), resultando em uma maior apreciação da graça e obra de Cristo em seu benefício. A lei, portanto, leva o crente a uma devida apreciação do valor de Jesus (Gl. 3:24). Além disso, a lei ajuda o crente a conter suas corrupções. Para os não regenerados, a lei só exacerba as corrupções, mas para os regenerados, restringe os pecados, pois (1) proíbe o pecado, o que ajudou José a não cair em adultério (Gn. 39:7-9); (2) as ameaças da lei mostram as consequências do pecado, como aflições temporais e perda de comunhão com Deus, refreando o crente de cair em pecado. Neste sentido, a lei protege o crente das consequências temporais do pecado (Pv. 10:9). A lei, consequentemente, encoraja o crente à santidade, mostrando que (1) Deus aprova a obediência - agradar a Deus é o desejo supremo do crente; (2) as bênçãos a esperar de Deus pela obediência à sua lei (1 Ped. 3:8-12; Ef. 6:1-3). Importante lembrar que esta obediência não é meritória para a salvação. Os usos da lei se harmonizam com a vida na graça. "Os usos da lei não são contrários à graça do Evangelho, mas suavemente condizem com ela" (Confissão de Fé de Westminster, cap. XIX, art. VII). Como isso ocorre? (1) A graça imprime nos corações dos crentes a lei de Deus (Hb. 8:10); (2) O Espírito capacita a guardar esta lei (Ez. 36:27), harmonizando ambos perfeitamente. Em conclusão, estes usos benéficos da lei só se aplicam aos regenerados. Para os não regenerados, a lei só serve de maldição e condenação. Ensinos que insistem que o cristão não anda pela lei, mas "pelo amor" ou "pelo Espírito" são imprecisos, pois o amor se expressa pelos mandamentos e o Espírito guia pelo padrão da lei. Assim, é dever de todo crente ler e estudar assiduamente a Palavra de Deus.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Como suportar a noite | Neil Quinn

 Introdução

Os cristãos se alegram porque Deus nos chamou das trevas espirituais para a sua maravilhosa luz ( 1Pe 2.9 ). Caminhamos pela fé na Luz do mundo. No entanto, às vezes Deus nos chama para caminhar à noite, quando sua providência nos deixa perplexos ou nos magoa. Mesmo assim, Deus nos deu sua palavra para nos guiar, como “uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que o dia amanheça” ( 2 Pedro 1:19 ). Um guia útil é a história de Noemi, que também foi chamada para caminhar através da escuridão espiritual do sofrimento. Ao vermos a obra graciosa de Deus na vida de Noemi, aprendemos três lições para suportar noites espirituais.

Lição 1: Prepare-se para a noite

A história de Noemi começa com sofrimento. Nós a encontramos viúva, enlutada e faminta ( Rute 1:1–5 ). Poderíamos ficar surpresos ao saber que esse tipo de dificuldade não é a exceção, mas a norma para o cristão. Deus pode não nos chamar para sofrer como Noemi sofreu, mas mesmo assim, Pedro diz aos cristãos para não “se surpreenderem com a prova de fogo quando vier sobre vocês para testá-los, como se algo estranho estivesse acontecendo com vocês” (1 Ped. 4.12 ). Jesus não nos disse para nos afirmarmos e assumirmos o nosso conforto, mas para negarmos a nós mesmos e tomarmos as nossas cruzes.

Isto não deve tornar-nos pessimistas; isso deveria nos preparar. A noite sempre chega. Não ficamos surpresos quando o sol se põe e, porque sabemos que ele está chegando, estamos preparados. A noite não deveria nos surpreender. O sofrimento também não deveria.

Em Gênesis 41 , Deus avisou Faraó em sonho que sete anos de abundância seriam seguidos por sete anos de fome. Ele fez isso para que Faraó se preparasse para os dias de fome, enchendo seus armazéns com grãos durante os dias de fartura. É verdade que Deus não nos disse quando chegarão as nossas noites espirituais e fomes, ou quanto tempo durarão, mas ele nos disse que virão. Portanto, não devemos desperdiçar os dias de fartura, mas usá-los para nos prepararmos para quando a noite ou a fome chegarem. Devemos absorver os raios do evangelho quando ele brilha intensamente em nossos corações e encher os depósitos de nossas almas com sua graça. Devemos nos preparar para a noite através dos meios da graça que Deus nos deu, porque a nossa fé não verá tão bem quando o sol se pôr.

A falta de uma teologia bíblica do sofrimento confunde e confunde. Podemos ser tentados a duvidar das promessas de Deus. Deus pode se sentir distante e silencioso. Nossa força física e espiritual pode diminuir. É nesse momento que precisamos ser sustentados pela graça armazenada. A nossa preparação não tornará o sofrimento mais agradável , mas torná-lo-á mais suportável .

Lição 2: Não confie na sua visão

Quando sofremos, não é incomum sentir que a escuridão nunca irá desaparecer. Podemos tentar, portanto, perscrutar o nosso futuro hipotético para encontrar qualquer fio de esperança ao qual nos agarrarmos. O problema desta abordagem é que não conseguimos ver claramente na escuridão do sofrimento – o sofrimento é como um microscópio que amplia a nossa dor e o nosso medo, preenchendo todo o nosso campo de visão – e assim podemos convencer-nos de que o nosso futuro não tem esperança. Foi assim que Noemi se sentiu.

Noemi expressa esse sentimento quando diz às mulheres de Belém: “Não me chamem de Noemi; chame-me de Mara, pois o Todo-Poderoso tratou comigo de maneira muito amarga. Saí cheio, e o Senhor me trouxe de volta vazio. Por que me chamar de Noemi, quando o Senhor testemunhou contra mim e o Todo-Poderoso trouxe a calamidade sobre mim?” ( Rute 1:20–21 ). Naomi significa agradável e Mara significa amargo. Em sua tristeza atual, Naomi pensou que nunca mais conheceria a plenitude ou o prazer.

A dor, assim como o choro intenso, embaça nossa visão. Quando nossos corações choram, não estamos em condições de avaliar nossa situação atual, muito menos a futura. Precisamos saber que não estamos em nosso estado de espírito correto quando vivenciamos uma calamidade e, portanto, não somos os melhores juízes de nossas circunstâncias. Como criaturas, a nossa visão é sempre limitada. Como sofredores, também pode ser distorcido.

Quando entramos em espiral em direção ao desespero, devemos lembrar que não podemos ver tudo, e o que podemos ver nem sempre é confiável, mesmo que algumas coisas sejam verdadeiras. Noemi não estava errada ao atribuir sua calamidade à mão de Deus. No entanto, como o resto da história deixa claro, ela estava errada ao acreditar que não tinha esperança. A noite havia chegado, mas ainda havia luz.

Lição 3: Procure o Luar

A história de Noemi nos lembra que a percepção nem sempre é realidade. O fato de não vermos a atividade de Deus em nossas vidas não significa que ele esteja deixando de agir. Deus muitas vezes nos dá vislumbres de sua atividade, mas podemos estar tão preocupados com nossa dor que a perdemos. Mesmo quando Deus traz a noite e remove temporariamente a luz do sol, ele não removeu toda a luz – ainda há luar. Não é tão brilhante, mas está lá e, através dele, Deus sussurra que ainda está trabalhando para o nosso bem. Portanto, mesmo quando lamentamos a luz que Deus leva, devemos procurar a luz que ele dá.

Deus deu a Noemi o luar, mas a perspectiva distorcida pela dor de Noemi cegou-a para isso. Nós, no entanto, precisamos ver estes raios críticos da luz amorosa de Deus.

O primeiro feixe é o fim da fome. Noemi volta para casa porque Deus visitou seu povo novamente com comida ( Rute 1:6 ) – que provisão misericordiosa! O segundo e mais significativo feixe é Ruth. A sua presença é a prova de que Deus não deixou Noemi sozinha. Através de Rute, Deus proverá comida e filhos para Noemi. Quando Noemi declara que Deus a trouxe de volta vazia, Rute provavelmente está bem ao lado dela! Noemi está sentindo falta da provisão de Deus.

Deus está sempre trabalhando para o nosso bem ( Romanos 8.28 ). Procure seus raios de luar, seus sinais sutis de graça e encontre, como diz o hino: “Força para hoje e esperança brilhante para amanhã”. Suas vigas são um argumento contra a nossa sentida desesperança.

Conclusão

Os cristãos sofrerão. Na verdade, devemos sofrer. O sofrimento é essencial: se quisermos partilhar a sua coroa, devemos primeiro partilhar a sua cruz ( Rm 8.17 ). Não há ressurreição sem morte. Deus deve nos esvaziar para nos preencher.

Deus trouxe Noemi do prazer ao amargor, da plenitude ao vazio. Ao contrário do que ela podia ver, Deus não estava agindo para destruí-la. Ele estava se movendo para salvá-la e a toda a humanidade. Deus lhe daria um filho através de Rute que seria o avô do Rei Davi, através de quem viria o Cristo prometido.

Deus não revelou nada disso a Noemi. Ela queria visão, mas precisava de fé. O mesmo é verdade para nós. Queremos que Deus nos diga como tudo vai funcionar. Queremos que ele responda a todas as nossas perguntas sobre o porquê . Mas a fé não depende dessas respostas. Mais do que por quê , precisamos saber quem. Quem é o nosso Deus? Quem nos colocou onde estamos? Quem está conosco? A resposta é: Nosso Pai celestial, que é nosso Deus em Cristo, aquele que tudo vê, conhecendo perfeitamente o fim desde o princípio, sempre agindo de acordo com sua perfeita sabedoria, conhecimento, amor, graça e fidelidade. Confie nele até que “o dia respire e as sombras fujam” ( Cântico dos Cânticos 2:17 ).

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Três aplicações pessoais; Por Evandro Marinho:

  1. Preparação para as adversidades: Assimilar a noção de que o sofrimento faz parte da jornada cristã e utilizar os momentos de abundância espiritual para fortalecer a fé, preparando-se para possíveis noites espirituais.

  2. Cautela na interpretação das circunstâncias: Em tempos de sofrimento, evitar confiar exclusivamente na própria visão, reconhecendo as limitações e distorções causadas pela dor, e buscar uma perspectiva mais ampla.

  3. Atenção aos sinais da graça de Deus: Manter-se alerta para os sinais sutis da atividade divina mesmo em meio à escuridão, lembrando que Deus continua trabalhando para o bem daqueles que O amam, mesmo quando não compreendemos completamente os acontecimentos.


Créditos
Autor: Neil Quinn atua como pastor da Good Shepherd Presbyterian Church (PCA) em Kalamazoo, MI, onde mora com sua esposa e quatro filhos.
Tradução & Aplicações Pessoais: Evandro Marinho

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O Batismo da Aliança | Peter Bloomfield

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O título deste estudo foi escolhido de propósito. Muitas palavras inúteis têm sido trocadas entre presbiterianos e batistas tratando de assuntos que são secundários, como “batismo infantil” e “batismo de crentes”. Ninguém deveria se satisfazer com estes títulos - eles não descrevem aquilo que qualquer desses grupos deseja defender. O presbiteriano não quer defender o batismo de crianças: ele quer defender o batismo de algumas crianças (i.e., as crianças da Aliança). O batista não quer defender o batismo só de crentes (pois, ele nunca poderia estar seguro de que o são); ele quer, isto sim, defender o batismo de crentes professos; i.e., esses que, por uma profissão de fé digna de crédito, pertencem à Aliança. Assim, ambos estão, na verdade, falando de um mesmo assunto, ou seja, da Aliança e do Batismo da Aliança. Abrindo esta questão, há três áreas importantes:

    • 1. A Continuidade da Aliança.
    • 2. A Continuidade da Igreja.
    • 3. A Continuidade do Sinal.

1. A CONTINUIDADE DA ALIANÇA Em todos os tempos só tem havido uma única Aliança salvadora entre Deus e os pecadores. É chamada Aliança da Graça (ou Pacto da Graça), ou, Aliança Abraâmica (ou Pacto Abraâmico). Nós lemos sobre sua origem em Gen. 17. Deus, em Sua misericórdia, veio a Abraão (um homem pecador como todos os demais; caldeu, de origem pagã idólatra) e lhe deu uma promessa. Abraão creu em Deus crendo em Sua palavra e Deus o declarou justo.

Qual era a essência dessa promessa pactual em que Abraão creu? Era uma promessa de união e comunhão com Deus para Abraão e para os seus descendentes, depois dele. “Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, como aliança perpétua, PARA SER O TEU DEUS, E DA TUA DESCENDÊNCIA DEPOIS DE TI” (Gen. 17:7). Todos que pertenceram a esta Aliança tiveram Deus como o seu Deus, e se tornaram o Seu povo por aliança. É dito que ela é uma aliança PERPÉTUA. Isto é digno de nota. Significa que se qualquer um, em qualquer ponto na história, entrar em união e comunhão com o Deus vivo, então a mesma Aliança Abraâmica estará em vigor. Ninguém é filho de Deus a não ser por adoção e o meio dessa adoção é a única e exclusiva Aliança pela qual Deus adotou Abraão como Seu filho, juntamente com a sua posteridade. Portanto, não é nenhuma surpresa, mas sim o que se espera, quando encontramos o Novo Testamento dizendo:“Ele nos resgatou para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebêssemos a promessa do Espírito” (Gal. 3:14) e “...se sois de Cristo, então sois descendentes de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” (i.e., a promessa da Aliança) (Gal. 3:29).

Assim, enfatizo o ponto apresentado na Bíblia: há uma continuidade da Aliança desde Abraão até agora. Não há tal coisa como uma Aliança da Graça do Velho Testamento e uma Aliança da Graça do Novo Testamento. Não há distinção entre a Aliança Abraâmica e a Aliança Cristã.

Elas são uma e a mesma coisa. Isto não é posto em nenhuma parte mais claramente do que em Gal. 3: 16: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E AOS DESCENDENTES, como se falando de muitos, porém como de um só: E AO TEU DESCENDENTE, que é Cristo”. Assim a Aliança Abraâmica incluía CRISTO ... de fato significava preeminentemente Cristo. Ele é a semente de Abraão - Ele é o único que fielmente guardou a Aliança. Se uma pessoa está em Cristo está na Aliança com Abraão, não apenas porque Abraão creu em Deus (e viu a Cristo pela fé, João 8:56) mas principalmente porque Cristo é a bênção prometida na Aliança, “se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão”. Nós não devemos pensar que Abraão foi salvo por uma aliança diferente ou creu num evangelho diferente. Só há uma aliança que salva porque só há um evangelho que salva. Foi este evangelho que foi pregado a Abraão e no qual ele creu. “E a Escritura .... preanunciou o evangelho a Abraão” (Gal. 3:8) Abraão creu e foi salvo por esta fé, “de modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão” ( Gal. 3:9). Há continuidade na Aliança. Nós vamos um pouco mais adiante. Tanto naquela época quanto agora sempre houve uma forma externa e outra interna da Aliança - uma forma visível e outra invisível. Esta é uma observação da maior importância. Os homens só podem lidar com a forma externa e visível. É Deus quem trata da forma interna e invisível. Foi assim no tempo de Abraão, desde o começo da Aliança.

Todos que pertenceram aos descendentes de Abraão eram considerados membros da Aliança (visível) e receberam o sinal da Aliança (circuncisão). Isto incluía os estrangeiros e qualquer que quisesse união e comunhão com o Deus de Abraão (i.e., prosélitos) (Gen. 17:14). Todavia, nem todos que pertenciam à forma visível ou externa da Aliança estavam verdadeiramente em união e comunhão com Deus. Nem todos eram espirituais. Desta forma, Deus declara que não é com os filhos da carne (Ismael) mas com os filhos da promessa (Isaque) que Ele internamente estabelece uma aliança (Gen. 17:18-21). De igual forma, mesmo hoje a Igreja só pode administrar a forma exterior da Aliança.

Os batistas, de boa vontade, admitem isso. Eles só podem batizar na base da profissão externa e visível. Nunca podem estar seguros de que todos que admitem ao batismo, como crentes, estão verdadeiramente arrependidos. Eles reconhecem que há membros da Igreja que são hipócritas. Assim, quando qualquer igreja cristã batiza alguém, ela não está dizendo (ou não deveria estar) que tal pessoa é definidamente um crente. Somente Deus pode realizar um batismo que faz infalivelmente de alguém um crente, o qual é chamado de Batismo do Espírito Santo, ou a lavagem da regeneração (1 Cor. 12:13).

A água do batismo é um sinal externo e visível aplicado pela Igreja externa e visível àqueles que pertencem à comunidade externa e visível da Aliança. O batismo do Espírito Santo é o sinal invisível aplicado pelo Deus invisível para unir uma pessoa à comunidade invisível da Aliança (i.e., o corpo de Cristo). O batismo da água significa o batismo do Espírito. A Confissão de Fé de Westminster sumariza tudo isso de modo claro no Capítulo 28:1:

“O batismo é um sacramento do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo, não só para solenemente admitir na IGREJA VISÍVEL a pessoa batizada, mas também para servir-lhe de sinal e selo do pacto da graça...”.

Notem que ele é um sinal e selo do pacto da graça (i.e., da operação interna de Deus).

SINAL: significa que ele aponta para a graça oferecida na promessa de Deus. Como qualquer “SINAL”, ele nos leva a olhar para outra direção... para Deus e Sua misericórdia e Sua prontidão para salvar qualquer que, como Abraão, tome Deus pela Sua palavra e creia nEle.

SELO: É a marca para nosso próprio benefício, para nos mostrar que a coisa selada é autêntica. Os reis costumavam SELAR uma carta com uma estampa de cera de seus próprios sinetes. Esse selo era para o bem daquele a quem a carta era enviada, para mostrar que era genuína. Não é o selo que faz a carta genuína: é a carta do rei, quer ele a sele ou não. Mas o selo a confirma à nossa mente. É uma confirmação visível de uma realidade invisível. Notemos, agora, que, enquanto o batismo da água é o selo da forma externa da Aliança, o próprio Espírito Santo é o selo da forma interna. Efésios 1:13: “... tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa”. Efésios 4:30: “... não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”. Este é o ponto em que devemos, respeitosa mas energicamente, apontar o erro de nossos irmãos batistas. Eles afirmam que o batismo da água é o selo da fé. Quando uma pessoa crê, então ela é batizada e este é um selo de sua fé. A Bíblia nega isto - O Espírito Santo, que é derramado nos nossos corações, é o selo da nossa fé.

A razão é simples: somente o Espírito pode selar algo que Ele próprio fez. Somente Ele pode nos assegurar que nos deu o novo nascimento, que somos renascidos do Espírito. Isto é o que Paulo quer dizer em Romanos 8:16: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. A Igreja visível adota pessoas no seu rol de membros através de um sinal e selo visíveis. O Deus invisível adota pessoas como membros de Cristo através de um sinal e selo invisíveis.

Portanto, todo presbiteriano e todo batista devem negar juntos que o batismo da água salva alguém. Nós todos rejeitamos integralmente a expressão “cristenizar” (designação que, na língua inglesa [“christening”], é dada ao batismo pelos católicos romanos). Esta expressão é uma herança da superstição católico-romana que supõe que o batismo da água lava pecados e “cristianiza” (“cristeniza”) alguém.

2. A CONTINUIDADE DA IGREJAA Igreja de Deus tem continuado através dos tempos, tanto do Velho quanto do Novo Testamento. É errado pensar que a “Igreja” começou com Jesus. Isto, todavia, subjaz na raiz de muito pensamento batista. Porém, antes dos dias de Abraão, Deus tinha um povo-chamado (uma Igreja) no mundo (os Setes, os Noés e os Enoques). A partir dos dias de Abraão esse povo ficou praticamente confinado a uma nação - os judeus. Mas mesmo na peregrinação do deserto no Êxodo, muito antes dos judeus terem uma terra prometida, um sacerdócio e um cerimonial de culto, foram chamados de “IGREJA”. Atos 7:38 refere-se a eles como “a igreja no deserto” (ekklesia). Novamente, Romanos 11 nos diz que os gentios que crêem em Cristo não são uma Igreja diferente dos crentes do Velho Testamento. Nós somos enxertados na mesma oliveira. A Igreja é descrita como uma oliveira crescendo através de todas as épocas. Tanto este é o caso que Pedro descreve a Igreja cristã do Novo Testamento com a rica linguagem judaica do Velho Testamento - “vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (1Pedro 2:9). Os crentes do Novo Testamento são, claramente, parte da ininterrupta Igreja de Deus. Há judeus que são realmente gentios e gentios que são realmente judeus: “... porque nem todos os de Israel são de fato israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos; ...estes filhos de Deus não são propriamente os da carne ..”. (Romanos 9:6-8). De sorte que Paulo diz: “se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão” (Gal. 3:29). Isto só pode fazer sentido se tiver havido continuidade da Igreja em todas as épocas.

Assim, não nos surpreende encontrar que na era por vir a Igreja única é descrita em termos de “gentios sentando à mesa com Abraão, Isaque e Jacó”. A Igreja visível hoje é uma continuação do que o Israel visível era no passado. Nós temos hipócritas hoje e eles também tinham. Nós podemos extirpá-los hoje e eles também podiam. De igual forma, a Igreja invisível hoje é a continuação do que o Israel invisível era então. Ora, dada essa continuidade tanto da ALIANÇA quanto da IGREJA (comunidade da Aliança), chegamos a uma observação vital. A Igreja visível tem sempre incluído os filhos dos crentes. Vemos isso em Gen. 17:7. Porque o crente Abraão e todos os seus filhos faziam parte da forma externa da Aliança, então deviam todos receber o sinal externo da Aliança - A CIRCUNCISÃO.

Sabemos que alguns eram como Esaú, incrédulos, e não incluídos na forma interna da Aliança. Mas é somente Deus quem opera este outro lado. Mesmo os Esaús devem ser recebidos como membros da Aliança e tratados como tais, até que cometam apostasia declarada. Desde que a Igreja visível e o sinal visível têm sempre incluído os filhos dos crentes, então também os incluem agora. Por qual processo de raciocínio devemos excluir hoje as crianças da Igreja visível, à qual elas sempre pertenceram? Ambos os lados concordam que a era neotestamentária da Aliança é até mais graciosa do que a antiga. Então, como podem os filhos dos crentes ter perdido esse gracioso privilégio que gozavam numa época muito mais estrita, nas escuras sombras da lei e do cerimonial?Se a Igreja inclui APENAS os crentes hoje, então a prova disso está para ser apresentada há muito tempo.

Notem que quando Paulo escreve suas cartas às várias igrejas, ele fala não só aos adultos, mas também aos seus filhos. “Filhos, obedecei a vossos pais” (Ef. 6:1). É uma carta a uma igreja com uma palavra aos filhos, porque a Igreja inclui os filhos. Filhos de crentes ainda são membros da forma visível da Aliança. Eles devem ainda receber o sinal visível do batismo. Não há mandamento explícito para batizar crianças no Novo Testamento exatamente porque tal mandamento não é necessário. As condições da Aliança, uma vez estabelecidas por Deus, são totalmente invioláveis. Ninguém pode revogar suas condições nem acrescentar outras. Este é o argumento de Paulo em Gálatas 3, que, embora não se refira à Aliança de Deus, ainda é verdade mesmo a respeito de uma aliança (ou testamento) feita pelo homem; “... falo como homem. Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez ratificada, ninguém a revoga, ou lhe acrescenta alguma coisa” (Gal. 3:15). Os batistas estão, na verdade, acrescentando condições. Eles dizem que você precisa primeiro ser crente antes de ser membro da Aliança.

Uma criança é muito nova para crer; portanto, as crianças não recebem o sinal da Aliança nem são admitidas como membros dela. Ora, além da séria violação da Aliança de Deus neste ponto (i.e., a exclusão dos filhos, a quem Deus uma vez admitiu) isto envolve algo muito triste. Quando você encontra um crente batista sincero, cujo filho morreu ainda criança, você o vê compreensivelmente triste. Mas sua tristeza não é como a dos que não têm esperança. Ele tem conforto e esperança em Deus. Se você lhe perguntar onde está o pequenino, ele lhe dirá, confiantemente, que o seu filhinho está com Jesus, no céu. Ele responde como um pai da Aliança em favor de um filho da Aliança. Mas em que base está a criança segura? Ela é muito nova para arrepender-se e crer. Claro que ele sabe que, na verdade, isso é devido a uma fidelidade pactual de Deus. Por que é então que, “quando as coisas apertam”, o batista confessa que seu filho pertence a Deus por aliança? Suspeito que é porque a única aliança encorajadora é a original, mantida em sua forma inalterada, como Deus a deu. Quem é o mais consistente, então: o presbiteriano (que admite que seu filho é filho da aliança enquanto vive) ou o batista (que apenas o admite chorosamente quando ele morre)?

3 - A CONTINUIDADE DO SINAL O que resta para considerar agora é a continuidade do sinal da Aliança. Isto pode parecer algo estranho porque todos sabem que há uma clara descontinuidade ... a circuncisão foi substituída pelo batismo. Não obstante, a continuidade é real, porque ambos representam a mesma verdade; ambos significam as mesmas graças espirituais. Assim como o sacramento cruento do Cordeiro Pascal é substituído pelo sacramento incruento da Ceia do Senhor, também o sacramento cruento da circuncisão é substituído pelo sacramento incruento do batismo. Antes de mostrar isto, há um ponto de vista (mantido pelos batistas) que deve ser tratado.

Eles dizem que não havia uma, mas duas alianças, nos dias do Velho Testamento - uma espiritual e outra nacional. Dizem que a circuncisão refere-se apenas à nacional e não à espiritual; i.e., afirmam que a circuncisão era um tipo de “emblema nacional” para os israelitas.

Ora, isto é uma tentativa de evitar o fato que o batismo substitui a circuncisão como sinal do pacto. Todavia, pode-se responder facilmente a esse ponto de vista com duas observações:

  • 1- A circuncisão não é um símbolo ou emblema nacional porque foi administrada 430 anos antes da nação de Israel existir. Israel só se tornou uma nação pactual distinta quando a Lei foi dada no Sinai.
  • 2- A circuncisão não era uma marca de descendência física porque foi administrada a todo gentio, e seus filhos do sexo masculino, que quisessem adorar a Jeová em Israel.

Primeiro: A CircuncisãoA circuncisão externa era sinal e selo de uma circuncisão interna muito mais importante. O despojamento físico da carne significava o despojamento espiritual da carne do coração pecaminoso. A circuncisão feita pela Igreja do Velho Testamento apontava para uma circuncisão muito maior, que somente Deus poderia realizar. Isto é claramente posto por Paulo em Romanos 2:28-29: “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão a que é do coração, no espírito”.

Portanto, não nos surpreende ler o que Moisés diz aos judeus quando se dirige a eles, nas planícies de Moabe, pouco antes destes entrarem na terra prometida. Ele diz: “O Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao Senhor teu Deus de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas” (Dt. 30:6). Observem que Moisés está falando a homens que eram circuncidados exteriormente, mas que necessitavam de uma circuncisão interior. Eles tinham o sinal externo e visível, mas faltava-lhes a realidade interna e invisível. Além disso, o texto nos diz o que a verdadeira circuncisão (a circuncisão do coração) efetua: a remoção da incredulidade, resultando em amor a Deus e vida em vez de morte (“para que vivas”).

A mesma coisa pode ser vista no mandamento de Moisés a Israel em Dt. 10:16: “Circuncidai, pois, o vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz”, i.e., Amai a Deus! Obedecei-O! Sede homens espirituais e não carnais! Todo esse assunto é resumido por Paulo em Romanos 4:11: “E recebeu (Abraão) o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé...” Aí está. A circuncisão não é meramente um emblema nacional. É um sinal externo da justiça da fé. O significado da circuncisão é uma realidade espiritual.

Segundo: O Batismo Muitos textos poderiam ser estudados para mostrar a conexão entre o batismo e a circuncisão, mas um só será suficiente. Em Col. 2:11-12 nós lemos: “Nele também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados juntamente com ele no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos”.

Aqui a circuncisão é descrita como um batismo! Isto só é possível porque eles significam a mesma coisa. Enquanto Moisés disse aos judeus circuncidados que eles não eram realmente circuncidados, agora Paulo diz a esses gentios incircuncisos que eles foram realmente circuncidados. Paulo diz: vós “fostes também circuncidados”.

  • Que tipo de circuncisão era aquela? Uma circuncisão feita “não por intermédio de mãos”.
  • Que significa isso? O “despojamento (remoção) do corpo da carne” (i.e., da natureza carnal, do espírito rebelde).
  • Quem a fez? Cristo a fez ... pela “circuncisão de Cristo”.
  • Como isso ocorreu? “Tendo sido sepultados juntamente com Ele no batismo”.
  • O que isso efetuou? “No qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé”.

Assim, fica claro que este batismo e esta circuncisão se referem à mesma obra interna de Deus. A circuncisão é feita sem mãos, i.e., a circuncis0ão de Cristo, e o batismo é a operação de Deus “que O ressuscitou dentre os mortos”. É essa circuncisão/batismo do coração que produz a fé num pecador ... ressuscitados com Ele MEDIANTE A FÉ. Assim, claramente não é o batismo da água que é referido aqui. Isto se torna ainda mais claro no próximo versículo (v. 13) porque Paulo diz que tudo isso aconteceu enquanto a pessoa era ainda um pecador, um incrédulo. Isto tornou vivos homens mortos (espiritualmente), e lhes obteve o perdão dos pecados: “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões, e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos”. Longe de ser o caso de “batismo de crentes” é exatamente o oposto - é o batismo/circuncisão de um incrédulo, que faz dele um crente.

Não é o batismo da água realizado por homens, mas o batismo do Espírito realizado por Deus. Não pode haver, portanto, dúvida de que o batismo e a circuncisão significam a mesma coisa. Há verdadeiramente uma continuidade do sinal da Aliança.

CONCLUSÃO Em razão da continuidade da Aliança, da Igreja e do Sinal, nós admitimos ao batismo todos os que pertencem à Aliança. Estes têm sido sempre os crentes professos e seus filhos menores. A comunidade da Aliança nunca excluiu as crianças. O batismo desses infantes (e apenas desses) é a única prática bíblica consistente. Os que se recusam a batizar tais crianças devem explicar por que estão acrescentando condições à Aliança, as quais Deus nunca acrescentou. Também, os que batizam tais crianças devem defender essa prática puramente na base da Aliança, devem deixar de lado todas as invenções humanas (tais como “padrinhos”, que a Escritura não reconhece), devem fazer distinção entre as formas interna e externa da Aliança, e devem repudiar qualquer sugestão de que o batismo da água salva.

por: Peter Bloomfield*

Fonte: Monergismo

* O autor é ministro da Igreja Presbiteriana do Leste da Austrália