segunda-feira, 26 de abril de 2010



Como a Lei Me Ajuda a Conhecer Meu Pecado?
por John Piper


Comecemos olhando o contexto de Romanos 7.7-8

1. Paulo está defendendo a Lei, após dizer algumas coisas negativas a respeito da Lei (tais como: você precisa morrer para a Lei — 7.4; paixões pecaminosas são despertadas pela Lei — 7.6; a Lei veio para que a ofensa avultasse — 5.20).

2. O argumento de Paulo é que a Lei não é pecado, mas expõe o pecado como pecado. Ao fazer isso, a Lei freqüentemente torna o pecado evidente e recebe a culpa por ele.

3. Existe uma condição pecaminosa por trás de nossos pecados, uma condição sobre a qual precisamos ter conhecimento. Paulo diz no versículo 8: “O pecado... despertou em mim toda sorte de concupiscência”. Em outras palavras, o pecado da cobiça é produzido por uma condição que Paulo chamou de “pecado”. Esta é a nossa “depravação”, a nossa “queda” ou (para os crentes) a nossa “corrupção remanescente”.

4. Paulo usou o mandamento contra a cobiça para ilustrar como a Lei nos mostra nossa condição pecaminosa.

5. “Cobiça” significa apenas desejos que você não deveria ter. Os nossos desejos são maus porque brotam da perda de satisfação em tudo o que Deus é para nós em Cristo. Os desejos são maus quando procedem da perda de contentamento em Deus.

6. Até que a Lei de Deus entre em cena e proíba alguns de nossos desejos (“Não cobiçarás”), nossos desejos não são experimentados como pecado, e sim como exigências imperativas que parecem ter sua própria legitimidade. Até que a Lei de Deus confronte esta “lei” sediciosa, não experimentamos nossos desejos como pecado (“sem lei, está morto o pecado” — 7.8). “Eu quero isso. Portanto, eu devo ter isso.” Esse tipo de pensamento é inato. “Desejo equivale a merecimento”, até que a Lei de Deus venha e diga: “Não”. Percebemos isto com clareza nas criancinhas, que acham muito doloroso aprenderem que seus desejos não são leis.

7. Isto nos mostra a fonte da condição pecaminosa: independência de Deus, rebelião contra Deus. Em sua fonte, nossa condição pecaminosa é o comprometimento de sermos nosso próprio deus. Serei a autoridade final de minha vida. Decidirei o que é certo e o que é errado para mim, o que é bom ou mau para mim, o que é verdadeiro ou falso para mim. Meus desejos expressam minha soberania, minha autonomia e — embora normalmente não o digamos — minha suposta deidade.

Esta independência de Deus — esta rebelião e hipotética soberania, autonomia e deidade — produz todo tipo de cobiça. A expressão “toda sorte” dispõe-nos a pensar sobre quão diabolicamente a cobiça pode se expressar. Precisamos saber disso, pois, do contrário, não conheceremos o nosso próprio pecado ou a nós mesmos.

Em geral, existem dois tipos de desejos maus (cobiça) que a Lei desperta, e ambos são expressões de amor, de um caso de amor com a independência e auto-exaltação.

1. Um é bastante óbvio, ou seja, o desejo de ter as coisas proibidas. Provérbios 9.17 afirma: “As águas roubadas são doces, e o pão comido às ocultas é agradável”. Agostinho confessou sobre a sua juventude: “Eu sentia disposição de roubar, e roubava, embora não fosse impelido por qualquer carência, exceto pela carência de um senso de justiça ou por um desprazer por aquilo que era certo ou por um amor ávido para praticar o erro... Não tinha qualquer desejo de gozar das coisas que eu ansiava roubar, mas somente gozar do roubo em si mesmo e do pecado”.1 Portanto, uma das formas de desejo que o mandamento desperta é o desejo de fazer a própria coisa proibida. Isto se deve ao amor inato de sermos nosso próprio deus e ao nosso desprazer por submissão.

2. O outro tipo de desejo mau, despertado pela Lei, é o desejo de guardar a Lei por nossos próprios esforços, tendo em vista a exaltação de nossa proeza moral. Isto parece bastante diferente. Não matarás, não furtarás, não adulterarás, não mentirás. Em vez disso, apenas justiça própria. Não que guardar a Lei seja errado ou cobiçoso. Antes, o problema é o desejo de guardá-la por meus próprios esforços, e não por dependência sincera do poder de Deus. O problema é desejar a glória de minha realização, e não a glória de Deus. Esta é uma forma sutil de cobiça.

Portanto, conheça a si mesmo! Conheça os seus pecados, sua condição pecaminosa de rebelião e insubordinação. Se isto o levar, repetidas vezes, à cruz e ao evangelho da justificação somente pela graça, por meio da fé, exaltará a Cristo, será cura para a sua alma e doçura para todos os seus relacionamentos.

Extraído do livro:
Penetrado pela Palavra, de John Piper
Copyright: © Editora FIEL 2009.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.