quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

5 Verdades Impactantes sobre o Islã que Mudam sua Percepção sobre o Diálogo Religioso

1. O Desafio da Compreensão Mútua: O Islã em Solo Brasileiro

O Islã não é mais uma realidade distante confinada ao Oriente Médio; é a religião que apresenta o crescimento mais acelerado do globo. Estima-se que, em três décadas, o número de muçulmanos se equipare ao de cristãos mundialmente. No Brasil, o fenômeno é notável: enquanto o Censo do IBGE de 2010 registrou cerca de 35 mil fiéis, fontes da própria comunidade islâmica, como o Centro Cultural Beneficente Árabe Islâmico de Foz do Iguaçu, apontam para um número que já alcança 1,5 milhão de seguidores.

Essa expansão em território nacional é impulsionada por fluxos migratórios de países como Bangladesh, Afeganistão, Palestina, Síria e Líbano, com uma concentração expressiva na região Sul, especialmente em Foz do Iguaçu. Muitos desses imigrantes buscam o Brasil sob a égide de perseguições políticas ou religiosas. Apesar dessa presença vibrante, o público ocidental ainda patina em interpretações superficiais. Para o estudioso das religiões, é imperativo compreender que o Islã é um sistema totalizante, onde a espiritualidade não se separa da organização civil e jurídica.

2. A Revelação Final: Por que o Alcorão se vê como Superior à Bíblia

Na teologia islâmica, a história sagrada é uma sucessão de três grandes revelações: a Torá dada a Moisés, o Evangelho dado a Jesus e, finalmente, o Alcorão entregue a Maomé. Entretanto, essa não é uma cronologia de igualdade, mas de superação. Para o muçulmano, as escrituras anteriores foram corrompidas ou deturpadas pela ação humana ao longo dos séculos.

Uma nuance fascinante e pouco conhecida no diálogo inter-religioso é a crença de que, quando Jesus subiu aos céus, ele teria levado consigo o "verdadeiro Evangelho", deixando para trás uma versão falsificada que os cristãos hoje seguem. Portanto, o Alcorão é visto como a "leitura por excelência", a palavra final e completa de Alá que corrige os erros das religiões precedentes. Essa autoridade absoluta molda todas as esferas da vida — desde o direito sucessório e transações comerciais até a ética no campo de batalha e as relações domésticas.

"O Alcorão significa 'leitura por excelência' ou 'recitação'. É a coleção dos ditos que Maomé recebeu do anjo Gabriel durante 23 anos, constituindo a fonte suprema de autoridade no Islã."

3. Jesus no Islã: Um Profeta Sem Cruz e Sem Divindade

A figura de Issa (Jesus) é honrada no Alcorão como um dos maiores profetas de Alá, reconhecendo-se seu nascimento virginal e seus milagres extraordinários. Contudo, a divergência com o cristianismo é intransponível no que tange à sua natureza e ao seu fim. O Islã considera o título "Filho de Deus" uma blasfêmia imperdoável contra a unicidade de Alá.

Além disso, a teologia islâmica sustenta a "teoria da substituição" na crucificação. Crê-se que Alá, para proteger seu profeta de uma morte vergonhosa, "confundiu" os perseguidores, fazendo com que outra pessoa morresse no lugar de Jesus, enquanto este foi elevado ao céu sem experimentar a morte. Para o muçulmano, a cruz não é um símbolo de redenção, mas de um equívoco histórico. Ao negar a morte de Cristo, o Islã anula o conceito de sacrifício vicário — o pilar cristão de que a culpa do pecado é paga pelo sangue de um substituto divino.

4. Salvação por Checklist: O Peso dos Cinco Pilares e a Incerteza do Destino

Diferente da fé cristã, que enfatiza a mudança interna e a regeneração do coração pela graça, o Islã é uma religião de submissão externa. A conversão é pautada pela adesão rigorosa aos Cinco Pilares: o Testemunho de fé (Shahada), as cinco orações diárias (Salat), a esmola obrigatória (Zacate), o jejum no Ramadã e a peregrinação a Meca (Hajj).

Essa natureza externa permite que o sistema avance mesmo sob coerção — o que o historiador religioso identifica como a possibilidade de "conversão pela espada" — pois a convicção interna não é um pré-requisito jurídico para a entrada na comunidade. Outro ponto de impacto é a incerteza soteriológica: o sistema é baseado estritamente em méritos. Conforme o Alcorão (Surata 46:9), nem mesmo Maomé tinha certeza absoluta de seu destino final no paraíso, deixando o fiel em um estado de constante ansiedade espiritual sobre a soberania de Alá no Dia do Juízo.

No que tange à expansão da fé, existe uma hierarquia de recompensas: enquanto o fiel que permanece em casa é valorizado, o Alcorão (Surata 4:95) afirma que Alá concede uma dignidade e recompensa superior aos combatentes (Jihad) que sacrificam seus bens e vidas pela causa.

5. A Geometria do Além: Os Sete Portões do Inferno e os Luxos do Paraíso

A escatologia islâmica é descrita com um detalhismo sensorial que visa motivar a obediência. O Inferno é estruturado em sete portões sobrepostos, cada um destinado a uma categoria específica de condenados. Entre os nomes dessas portas destacam-se: Garrama (destinada aos monoteístas rebeldes e apóstatas), Laza (para os judeus) e Alhutama (específica para os cristãos).

Em contrapartida, o Paraíso é um jardim de delícias físicas desenhado sob uma perspectiva de satisfação masculina, com rios de vinho que não provocam embriaguez ou dor de cabeça, e abundância de frutos e carnes.

"E deles serão as ruris, virgens de olhos escuros, castas como pérolas bem guardadas, em recompensa por tudo quanto houverem feito. Sabei que criamos as ruris para eles e as fizemos virgens, companheiras amorosas para os justos." (Surata 56:12-40)

6. A Mulher, a Sharia e a Dualidade entre Sunitas e Xiitas

Para compreender o papel da mulher e a aplicação da Lei Islâmica (Sharia), é preciso distinguir as duas principais vertentes. Cerca de 90% dos muçulmanos são sunitas, que aceitam a Suna (tradições sobre os atos de Maomé) e tendem a "atualizar" ou abrandar interpretações conforme o contexto moderno. Já a minoria xiita é frequentemente associada a um purismo tradicionalista e radical na implementação da Sharia.

A posição feminina nos textos sagrados é de subordinação autoritária, baseada na premissa de que Alá fez o homem superior em intelecto e autoridade. Figuras históricas proeminentes, como o Califa Omar e Amru bin al-Aas, referiram-se às mulheres como "brinquedos" do homem, que devem ser cuidados mas mantidos em submissão. Outros pontos de tensão com a modernidade incluem o casamento infantil — exemplificado pelo matrimônio de Maomé com Aisha, aos seis anos de idade (consumado aos nove) — e a poligamia permitida para até quatro esposas, sob a justificativa de proteger o homem do adultério.

7. Conclusão: O Futuro da Coexistência

A análise técnica das bases teológicas do Islã revela que, embora o monoteísmo seja um ponto de contato, as fundações dos sistemas islâmico e cristão são incompatíveis. As divergências sobre a trindade, a eficácia da cruz e a natureza da salvação não são meros detalhes semânticos, mas divisores de águas ontológicos.

Em um mundo globalizado, o conhecimento profundo dessas crenças não deve ser encarado apenas como uma curiosidade acadêmica, mas como uma ferramenta de honestidade intelectual. Em última análise, a investigação dessas verdades é um convite à reflexão séria: se ambos os sistemas reivindicam a exclusividade da revelação divina, o diálogo religioso exige mais do que cordialidade; exige o reconhecimento de que a verdade possui consequências eternas e contornos definidos.

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