sábado, 17 de janeiro de 2026

Entre o Alcorão e a Bíblia: 5 Fatos Impactantes sobre o Islamismo que Você Precisa Entender

O Islã é, contemporaneamente, a religião com o crescimento mais vertiginoso do globo. Projeções demográficas indicam que, em aproximadamente três décadas, o número de muçulmanos deverá se equiparar ao de cristãos em escala mundial. Para o observador atento, compreender as engrenagens teológicas dessa fé não é meramente um exercício acadêmico, mas uma urgência para o diálogo em uma sociedade plural. Sob a ótica do cristianismo reformado, este artigo propõe uma análise rigorosa de cinco pontos fundamentais que revelam as distâncias abissais entre essas duas visões de mundo.

1. Antropologia da Neutralidade e a Negação da Redenção

No cerne da divergência entre a Bíblia e o Alcorão reside uma concepção antropológica radicalmente distinta. Enquanto o cristianismo professa a doutrina do Pecado Original — a ideia de que a natureza humana é inerentemente caída e inclinada ao mal —, o Islã ensina que o ser humano nasce em um estado de "neutralidade espiritual".

Nessa cosmovisão, cada indivíduo nasce livre de mácula, sendo perfeitamente capaz de cumprir as exigências divinas por seus próprios méritos. Essa premissa altera toda a soteriologia (a doutrina da salvação): se não há uma natureza corrompida, não há necessidade de um Salvador que regenere o coração. Para o muçulmano, a humanidade não está "perdida", mas apenas "desorientada". Consequentemente, a solução divina não é o sacrifício vicário, mas a instrução. O papel dos profetas, culminando em Maomé, é prover o código de conduta (leis e ritos) necessário para que o homem, pelo seu esforço externo, alcance o paraíso. A salvação, portanto, é estritamente meritocrática e baseada em obras.

2. Jesus (Issa): O Profeta do "Evangelho Corrompido"

A figura de Jesus, ou Issa, é amplamente reverenciada no Alcorão. Os muçulmanos aceitam o nascimento virginal, sua vida sem pecado e seus milagres extraordinários. Contudo, essa veneração possui limites teológicos intransponíveis: a negação da divindade de Cristo e da Trindade, considerada uma blasfêmia imperdoável.

Um ponto de ruptura crucial, frequentemente ignorado, é a teoria islâmica da corrupção das Escrituras. Segundo essa visão, Jesus subiu aos céus levando consigo o "Verdadeiro Evangelho", deixando para trás apenas uma versão deturpada e alterada pelos homens. Isso explica por que o Islã rejeita o Novo Testamento atual em favor da "revelação final" de Maomé. Além disso, a maioria dos teólogos islâmicos nega a crucificação, sustentando que Deus teria substituído Jesus por outra pessoa no momento da execução, poupando Seu profeta de uma morte vergonhosa.

"A negação da morte substitutiva de Cristo é o divisor de águas definitivo. Sem a cruz, o cristianismo perde seu fundamento de graça; para o Islã, a cruz é desnecessária, pois Alá salva através da obediência aos pilares da fé, e não pelo sangue de um intermediário."

3. Escatologia Sensorial e o Determinismo de Inshallah

As descrições islâmicas do pós-morte são marcadamente sensoriais e hierárquicas. O paraíso é apresentado como um lugar de deleites físicos tangíveis, conforme ilustra a Surata 56:

"[Os justos] se deitarão sobre leitos incrustados com pedras preciosas... onde lhes servirão jovens de frescores imortais com taças e jarras cheias de vinho... que não lhes provocará dores de cabeça nem intoxicação; frutas de sua predileção, carne das aves que desejarem e deles serão as ruris, virgens de olhos escuros, castas como pérolas bem guardadas."

Inversamente, o inferno é estruturado em sete portões de sofrimento crescente. O dado mais impactante é que o primeiro portão (Garrama), o nível de punição mais severo, é reservado aos "monoteístas rebeldes" — os apóstatas muçulmanos que abandonaram a fé.

Essa estrutura escatológica é acompanhada por um determinismo radical. Sob o conceito de Inshallah (se Deus quiser), muitos muçulmanos creem que Alá é o autor direto de tudo, inclusive do mal, e que o livre-arbítrio é inexistente. Historiadores e teólogos apontam que essa visão fatalista historicamente estagnou a curiosidade científica e o empreendedorismo em diversas nações islâmicas, uma vez que o progresso humano é visto como irrelevante diante do decreto arbitrário de Alá.

4. Conversão Externa e a Autoridade da Suna

Diferente da conversão cristã, que exige uma regeneração interna e invisível operada pelo Espírito Santo, a conversão ao Islã é um ato essencialmente externo. Ela se concretiza pela profissão pública do credo e pela prática dos Cinco Pilares (oração, esmola, jejum, peregrinação e testemunho).

Essa natureza externa permitiu que, historicamente, o Islã se expandisse através da conquista territorial. Como a fé é medida pela submissão à lei (Sharia) e pelo cumprimento de ritos, a conversão pode ser induzida ou coagida, algo impossível no modelo de "mudança de coração" do cristianismo. É neste contexto que se entende a divisão entre as duas principais vertentes:

  • Sunitas (90%): Aceitam o Alcorão e a Suna (uma coleção de histórias e tradições sobre Maomé) como fontes de autoridade, permitindo interpretações que se adaptam às mudanças geopolíticas.
  • Xiitas: São puristas que rejeitam a Suna como apócrifa, seguindo estritamente apenas o Alcorão e defendendo uma aplicação radical e conservadora da Sharia.

5. A Condição Feminina: Entre Autoridade e a Metáfora do "Brinquedo"

A estrutura social islâmica é fundamentada em uma hierarquia de autoridade masculina rígida, frequentemente justificada pela Surata 4, que afirma que os homens são superiores às mulheres por decreto divino.

Embora existam interpretações mais brandas entre as populações sunitas modernas, as raízes teológicas e os textos de grandes sábios islâmicos apresentam uma visão crua da mulher. Califas e legisladores históricos, como Al-Musanaf e Armed Zaquito Tufarra, citam repetidamente que "a mulher é um brinquedo" (brinquedo), um objeto de prazer e cuidado que deve ser mantido sob a tutela absoluta do homem. Essa mentalidade sustenta práticas como o casamento forçado de virgens (muitas vezes sem consulta prévia, seguindo o exemplo do casamento de Maomé com Aisha, iniciado quando ela tinha seis anos) e a poligamia, vista como uma proteção necessária contra o adultério masculino.

Conclusão: A Verdade em Perspectiva

Ainda que o islamismo e o cristianismo compartilhem o vocabulário do monoteísmo e respeitem figuras proféticas comuns, suas fundações são diametralmente opostas. O Islã ergue-se sobre a submissão externa, o esforço humano e um determinismo austero. O cristianismo reformado, em contraste, aponta para a falência moral do homem e para a necessidade absoluta de uma transformação interna que só ocorre através da graça de um Salvador crucificado e ressurreto.

Em um mundo onde o Islã avança não apenas por conquistas, mas por uma vigorosa taxa de natalidade e expansão cultural, resta a provocação: estamos preparados para articular as razões da nossa própria fé com clareza e autoridade teológica diante desse novo cenário global?

Baseado no Estudo de Augustus Nicodemus Lopes

Por Evandro marinho

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