segunda-feira, 2 de junho de 2014

Certo dia, no Templo... | Mauro Meister

Certo dia, por volta do ano 30 da chamada era comum, um homem de pouco mais de 30tp2 anos de idade se apresenta no Templo, em Jerusalem, na fila dos israelitas que vieram para apresentar sacrifício pela culpa. Ali, vários homens, chefes de família, alguns acompanhados de seus filhos pequenos, eram atendidos pelos porteiros, levitas escalados para aquela função segundo a ordem de suas famílias. Quando chega a vez do homem, o levita lhe pergunta, já com um tom estranho, uma vez que todos na fila traziam um animal e ele nāo:

- O senhor deve estar na fila errada! Aqui é para o sacrifício pelo pecado, e é preciso trazer o animal do sacrifício. O senhor pecou?
Ao que o homem respondeu:
- Não pequei, ainda que tenha sido tentado como todos os outros homens.
- Então o senhor deve ir para outro lugar. A não ser que seja o sacrifício pelos pecados desconhecidos, mas o senhor não trouxe animal nenhum.
- Não tem problema, Adonai proverá o sacrifício. Posso prosseguir?
- Não é possível. Como o senhor pode ver, todos os que entram aqui tem que trazer o animal do sacrifício para a inspeção. O sacerdote não vai recebe-lo desse jeito e se insistir o caso terá que ser levado à guarda do Templo. Não é possível entrar sem o animal para o sacrifício. Casos assim podem chegar ao Sumo-sacerdote!
- Não tem problema, eu sou Sumo-sacerdote.
- O senhor é da tribo de Levi, da família de Arão? Eu nunca lhe vi por aqui. Além do que,tp3 os rituais de purificação deste turno já se encerraram. Se é levita, de que ordem você é?
- Da ordem de Melquisedeque.
- Como? Esta ordem só existiu antes da lei de Moisés, na época de nosso pai, Abraão, e não temos noticia de nenhum descendente de Melquisedeque. Mais ainda, o que esta valendo é a lei mosaica.
- Não se preocupe, eu não vim quebrar a lei, mas cumpri-la. Posso entrar agora?
- Senhor, se eu deixá-lo entrar, no seu estado de impureza, tudo o que tocar se tornará impuro. O senhor não pode ir nem no átrio externo sem o sacrifício.
- Eu sou puro e limpo de coração. Nada do que eu tocar pode se tornar impuro.
- Senhor, não quero perder a paciência, mas tem mais gente na fila e já esta quase na hora dos sacerdotes entrarem no Santo Lugar para a reposição do óleo do candelabro. Este ritual é exclusivo e ninguém do povo pode entrar no Santo Lugar. Além do que, hoje o tempo é bem mais corrido, é a semana de preparação para a Páscoa.
- Não se preocupe, não vou atrapalhar em nada, afinal, eu sou a luz do mundo e o Cordeiro de Deus.
A esta altura o levita esta a ponto de chamar os guardas, também levitas, responsáveis pela segurança do lugar. Mas alguma coisa o impediu de o fazer, porque apesar das coisas que o homem dizia parecerem loucura, ele falava como quem tinha autoridade e com uma calma serena, como se estivesse em sua própria casa. Diante disso, o levita o argüiu:
- Senhor, com que autoridade dizes estas coisas?
- Com a autoridade de meu pai. Essa é a casa dele e ele me aguarda.
- O senhor esta dizendo que é o Filho de Deus?
Alguns na fila, já impacientes e ouvindo a conversa, começaram a balbuciar e outros até a gritar: blasfêmia! Mas o homem continuou falando:
- É necessário que meu sacrifício seja apresentado em favor de muitos, para a propiciação dos pecados do povo.
- Agora o senhor esta me dizendo que vai prestar o sacrifício no Santo dos Santos, sobre o propiciatório, em cima da arca? Ali só entra o Sumo-sacerdote, uma vez por ano, no Dia da Expiação. E se ele não estiver purificado, morre na presença de Adonai. Qualquer umtp1 que abra aquelas cortinas morre! Até nossas crianças sabem disso!
- Mais uma vez lhe digo, não tema. Meu pai vai abrir as pesadas cortinas, de cima abaixo, e receber o sacrifício perfeito para que todo aquele que nele crê, por meu intermédio, não pereça, mas tenha a vida eterna.

É óbvio que esta história nunca aconteceu dessa maneira, mas serve para nos ilustrar como o Evangelho de Cristo é o real cumprimento de tudo aquilo que o tabernáculo e o templo representaram.

Rev. Mauro Meister – Via: Facebook