quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O chamado para o ministério da Palavra


Nas Escrituras, do começo ao fim, Deus é o Senhor que chama. Ele chama graciosamente pecadores ao arrependimento e à fé em Cristo. Por obra e graça do Espírito Santo, aqueles que anteriormente estavam mortos em seus pecados, que eram escravos do mundo, da carne e do diabo, são chamados e regenerados para viver uma nova vida em Cristo, chamados para provarem o poder da vida vindoura, já nesta vida, chamados para descansarem na esperança da glória eterna.

Deus também chama esses pecadores regenerados e justificados para participar da renovação da criação. Nesse sentido, cada cristão tem um chamado especial para desempenhar na preparação para a renovação da criação. Esse chamado também é conhecido nas Escrituras como o sacerdócio real dos cristãos. Todos os chamados em Cristo são chamados para desempenhar sua vocação como vocação sacerdotal. Dessa forma, todo chamado é um sacerdócio santo. A mãe, o pai, o filho, o engenheiro, o arquiteto, o motorista, o professor, o mestre de obras, o médico, o marceneiro, o músico, sendo cristãos, são chamados para viver para a glória de Deus, como sacerdócio santo.

A partir do conceito do sacerdócio de todos os cristãos, aprendemos que o Novo Testamento repudia totalmente qualquer tipo de clericalismo, justamente porque todos os cristãos são sacerdotes. Não existe fundamento bíblico para a ideia de que alguns cristãos são sacerdotes e outros não. Todos os cristãos são sacerdotes, mas com diferentes funções. Nesse sentido, Deus, graciosamente, chama alguns membros dessa santa companhia sacerdotal para fazer aquilo que nem os anjos fazem: pregar o evangelho, as boas-novas da livre graça de Deus, que justifica pecadores por causa da obra de Cristo na cruz. E estes, chamados para pregar, ensinar e cuidar do povo de Deus, são sacerdotes tanto quanto todos os demais cristãos o são. Todavia, paradoxalmente, foram chamados para desempenhar a mais importante tarefa que existe: expor fielmente as Escrituras, edificar a igreja, preparando os cristãos para viver bem e apontando para estes os novos céus e a nova terra.

Esse chamado é uma obra interna de Deus, que chama os servos da Palavra. E embora seja interno, o chamado para o ministério inevitavelmente virá acompanhado por um testemunho externo. Ou seja, aqueles chamados para a pregação da Palavra demonstrarão dons e aptidões para o exercício do ministério. Eles são equipados pelo Espírito para pastorear, evangelizar, pregar e ensinar — e frutos visíveis serão evidenciados por conta desse chamado interno. E este será confirmado diante da igreja, por conta dos frutos externos da obra da graça que já aconteceu interiormente. Por isso, há a necessidade de se testar aqueles que afirmam serem chamados: estes devem evidenciar dons ministeriais — pregando, evangelizando, confortando — antes mesmo de serem indicados para uma escola teológica. Até porque não é uma escola teológica que forma pastores. São pastores que formarão outros pastores, e estes servirão à igreja de Cristo.

E ainda que pastores sejam formados por outros pastores, o ensino teológico não pode ser desprezado. Escolas teológicas são importantes. Aqueles que foram chamados desejarão se aprimorar para desempenharem sua vocação, e buscarão preparo nessas escolas — enquanto são “mentoreados” por seus pastores. Nesse sentido, uma escola teológica deve ser o berçário dos futuros pastores. E um bom critério para julgar a qualidade dessa escola é buscar respostas para algumas perguntas primordiais: Essa escola oferece uma boa formação teológica? Os alunos são firmados na fé ortodoxa? A piedade é desenvolvida e nutrida? São preparados para a titânica luta por corações e mentes que será travada por toda sua carreira ministerial? Reafirmando: são pastores que formarão outros pastores; será caminhando com pastores mais experientes que os futuros pastores aprenderão a pregar, ensinar, visitar, aconselhar e fazer bem tudo o mais que o chamado pastoral exige. Mais do que isso: serão pastores, servindo como modelos, que atrairão outros pastores para o ministério. Foi isto que William Perkins (1558-1602) ensinou em seu clássico The Art of Prophesying:
“Se os ministros são poucos em número, então faça tudo o que puder para aumentar esse número. Quanto mais ministros, menor o fardo posto sobre cada ministro individualmente. Assim, que cada ministro em seu ensino e em sua conversação trabalhe de tal modo que honre o seu chamado, a fim de que outros possam ser atraídos a partilhar de seu amor pelo ministério.”

Por: Franklin Ferreira
Fonte: Vida Nova