Spurgeon envolvia os sentidos da congregação através de uma pregação extremamente vívida e imagética, utilizando descrições detalhadas, metáforas poderosas e até mesmo comandos diretos para fazer seus ouvintes verem, ouvirem, sentirem, provarem e cheirarem as verdades espirituais.
Jay Adams, em Sense Appeal in the Sermons of Charles Haddon Spurgeon, demonstra como isso acontecia em várias dimensões.
Aqui estão os principais métodos usados por Spurgeon:
1. Apelo à Visão (Sight Appeal): Uso de descrições detalhadas e imagens mentais fortes.
Spurgeon pintava quadros verbais, ajudando os ouvintes a ver a cena na mente. Ele não apenas falava sobre um conceito abstrato, mas descrevia com cores, luzes e sombras.
Exemplo: Pregando sobre a cruz de Cristo, ele diz:
"Seus olhos veem? Contemplem-no! Ali está Ele, com a coroa de espinhos cravada em Sua cabeça, com o sangue escorrendo por Seu rosto. Vejam suas mãos furadas! Olhem para Ele! Aquele lado foi aberto por uma lança... vocês O veem ali?"
Essa descrição cria uma cena na mente do ouvinte, tornando a pregação mais envolvente.
2. Apelo à Audição (Hearing Appeal): Uso de sons e diálogos vivos.
Ele fazia os ouvintes ouvirem o que estava acontecendo no texto bíblico, seja através de onomatopeias, seja encenando diálogos.
Exemplo: Pregando sobre o Juízo Final, ele dramatiza:
"Escutem! Vocês ouvem o rugir dos trovões? São os anjos descendo! Vocês escutam os gritos de terror dos ímpios? O dia do Senhor chegou!"
Além disso, Spurgeon frequentemente representava personagens, mudando o tom de voz ao citar diálogos bíblicos, como se os personagens estivessem falando diretamente com a congregação.
3. Apelo ao Tato (Touch Appeal): Figuras ligadas ao toque e sensações físicas.
Ele trazia experiências táteis à pregação, ajudando os ouvintes a sentirem na pele a realidade espiritual.
Exemplo: Sobre o pecado, ele diz:
"Você já pisou em espinhos descalço? Assim é o pecado: a princípio parece suave, mas então rasga sua carne e faz seu sangue escorrer."
Ou sobre o inferno:
"Imagine uma mão fria de esqueleto tocando seu ombro no meio da noite. Assim será quando a morte o chamar!"
4. Apelo ao Paladar (Taste Appeal): Metáforas de comida e bebida.
Spurgeon falava sobre o evangelho como algo doce como o mel, enquanto o pecado era amargo como fel.
Exemplo:
"O mundo oferece um cálice dourado, brilhante e reluzente, mas o que há dentro dele? Veneno! Oh, tolo que bebe desse vinho, em breve sentirás sua língua queimando como fogo!"
Ele também usava o gosto da comida para falar da Palavra de Deus:
"Venham e provem! Oh, como é doce o Evangelho para aqueles que o experimentam!"
5. Apelo ao Olfato (Smell Appeal): Perfumes e cheiros espirituais.
Embora menos frequente, Spurgeon fazia os ouvintes cheirarem o que estava acontecendo.
Exemplo: Falando sobre a ressurreição de Cristo:
"O túmulo onde Ele esteve não cheira a morte, mas exala o perfume da vitória!"
Ou contrastando a justiça de Cristo com a podridão do pecado:
"O pecado é como um cadáver apodrecendo ao sol – que cheiro horrível! Mas a justiça de Cristo é como um jardim cheio de lírios!"
6. Uso do Apelo Direto aos Sentidos: Outro elemento forte na pregação de Spurgeon era o uso de imperativos diretos, chamando os ouvintes a experimentarem com os próprios sentidos.
Exemplo:
"Olhem para Cristo!" (Apelo à visão)"Escutem a voz do Salvador chamando!" (Apelo à audição)"Toquem nas vestes do Mestre, como a mulher hemorrágica tocou!" (Apelo ao tato)"Venham e provem da graça de Deus!" (Apelo ao paladar)"Sintam o aroma do céu em sua alma!" (Apelo ao olfato)Esse tipo de abordagem envolvia completamente a congregação na pregação.
Conclusão: A Relevância para a Pregação Hoje.
Jay Adams conclui que o método de Spurgeon era eficaz porque ele não apenas falava sobre as Escrituras – ele as fazia ganhar vida diante dos ouvintes. Em um mundo saturado de informações e distrações, esse tipo de pregação visual e sensorial ainda pode ser um grande diferencial para envolver a audiência e tornar a Palavra de Deus inesquecível.
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