segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A Doutrina do Pecado | Thomas Paul Simmons, D.Th

Nos capítulos sobre "Satã – Sua Origem, Obra e Destino" e "O Estado Original e Queda do Homem", ocupamo-nos com a origem do pecado no universo e também com sua entrada na família humana. Por essa razão estes assuntos não serão tratados neste capítulo.

É muito importante que tenhamos uma compreensão adequada do pecado. Muitos erros modernos a respeito da salvação não podem ser sustentados por aqueles que pensam logicamente, se tiverem uma concepção apropriada do pecado.


I. A NATUREZA DO PECADO

O pecado é uma coisa com cabeça de hidra. Ele apresenta diferentes fases. Um tratamento adequado do pecado deve jogar com estas diferentes fases:


1. O PECADO COMO UM ATO.

Em 1 João 3:4 temos a definição do pecado como um ato. É um transgredir, ou um ir contrário à Lei de Deus.


2. O PECADO COMO UM ESTADO.

Muita gente há que não pode ou não quer ver que o pecado vai mais fundo que um ato manifesto. Um pouco de reflexão mostrará que os nossos atos não são senão expressões dos nossos seres interiores. A pecaminosidade íntima, então, deve preceder os atos manifestos do pecado. As seguintes provas escrituristicas mostram não só que o homem é pecaminoso na conduta como que ele existe num estado pecaminoso – uma falta de conformidade com Deus na mente e no coração:

(1) As palavras hebraica e grega traduzidas por "pecado" aplicam-se tanto a disposições e estados como a atos.

(2) O pecado tanto pode consistir de omissão em fazer a coisa justa como de comissão em fazer a coisa errada.

"Ao que se sabe fazer o bem e o não faz, ao tal é pecado" (Tiago 4:17).

(3) O mal se atribui a pensamentos e afetos.

Gênesis 6:5; Jeremias 17:9; Mateus 5:22,26; Hebreus 3:12.

(4) O estado da alma que dá expansão a atos manifestos de pecados é chamado pecado, expressamente.

Romanos 7:8,11,13,14,17,20.

(5) Alude-se ao pecado como um princípio reinante na vida.

Romanos 6:21.


3. O PECADO COMO UM PRINCÍPIO.

O pecado como princípio, é rebelião contra Deus. É recusar fazer a vontade dEle que tem todo o direito de exigir obediência de nós.


4. O PECADO EM ESSÊNCIA.

"Podemos seguir o Dr. E. G. Robinson em dizer que, enquanto o pecado como um estado é dessemelhança de Deus, como um princípio é oposição a Deus e como um ato é transgressão da Lei de Deus, sua essência é sempre e em toda a parte egoísmo" (Strong, Systematic Theology, pág. 295).

O pecado pode ser descrito como uma árvore de vontade própria, tendo duas raízes mestras: uma é um "não" para Deus e Seus mandamentos, a outra é um "sim" para o Eu e interesses do Eu. Esta árvore é capaz de dar qualquer espécie de fruto no catálogo dos pecados. O egoísmo está sempre manifesto no pecador na elevação de "algum afeto ou desejo inferiores acima da consideração por Deus e Sua Lei" (Strong). Não importa a forma que o pecado tome; acha-se sempre ter o egoísmo por sua raiz. O pecado pode tomar as formas de avareza, orgulho, vaidade, ambição, sensualidade, ciúme, ou mesmo o amor de outrem, em cujo caso outros são amados porque são tidos como estando de algum modo ligado ao Eu ou contribuindo para o Eu. O pecador pode buscar a verdade, mas sempre por fins interesseiros, egoísticos. Ele pode dar seus bens para alimentar o pobre, ou mesmo o seu corpo para ser queimado, mas só por meio de um desejo egoísta de gratificação carnal ou honra ou recompensa. O pecado, como egoísmo, tem quatro partes:"

(1) Vontade própria, em vez de submissão; 
(2) ambição, em vez de benevolência; 
(3) justiça própria, em vez de humildade e reverência; 
(4) auto-suficiência, em vez de fé" (Harris).

Para prova do fato que o pecado é essencialmente egoísmo, insistimos nas seguintes considerações:

(1) Na apostasia dos últimos dias está dito que "homens serão amante de si mesmos" e também "amantes dos prazeres antes que amantes de Deus" ( 2 Timóteo 3:2,4).

(2) Quando se revelar "o homem do pecado", ele será o que "se exaltará contra tudo o que se chama Deus" ( 2 Timóteo 2:4).

(3) A essência da Lei de Deus é amar a Deus supremamente e aos outros como a si mesmo.

O oposto disso, o supremo amor de si mesmo, deve ser a essência do pecado. Mateus 22:37-39.

(4) A apostasia de Satã consistiu na preferência de si mesmo e de sua ambição egoística a Deus e Sua vontade.

Isaías 14:12-15; Ezequiel 28:12-18.

(5) O pecado de Adão e Eva no jardim surgiu de uma preferência de si mesmo e de sua autogratificação a Deus e Sua vontade.

Eva comeu do fruto proibido porque ela pensou que isso daria a sabedoria almejada. Adão participou do fruto porque ele preferiu sua esposa a Deus. E a razão porque ele preferiu sua esposa a Deus é que ele concebeu sua esposa como contribuindo mais do que Deus para a sua autogratificação.

(6) A morte de Abel por Caim foi incitada pelo ciúme, o qual é uma forma de egoísmo.

(7) O egoísmo é a causa da impenitência do pecado.

Deus mandou que todos os homens se arrependam em toda a parte. Recusam os homens fazer isso porque preferem seus próprios caminhos à vontade de Deus.

Vemos, então, que o pecado não é meramente um resultado do desenvolvimento imperfeito do homem: é uma perversidade da vontade e da disposição. O homem nunca a sobrepujará enquanto ele estiver na carne. A regeneração põe um entrave sobre ela, mas não a destrói. Nem o pecado é mero resultado da união do Espírito com o corpo: o espírito mesmo é pecaminoso e seria apenas tão pecaminoso fora do corpo como no corpo se deixado no seu estado natural. Satanás não tem corpo e contudo é supremamente pecaminoso. Nem o pecado é mera finitude. Os anjos eleitos no céu são finitos e contudo estão sem pecado. Os santos glorificados ainda serão finitos e no entanto não terão pecado.


II. A UNIVERSALIDADE DO PECADO NA FAMÍLIA HUMANA

Todos os homens, salvos por única exceção o Deus – homem, Cristo Jesus nosso Senhor, são pecaminosos por natureza e expressam essa pecaminosidade interior em transgressão deliberada tão cedo atinjam a idade de responsabilidade. Este fato está provado:


1. A NECESSIDADE UNIVERSAL DE ARREPENDIMENTO, FÉ E REGENERAÇÃO.

Lucas 13:3; João 8:24; Atos 16:30-31; Hebreus 11:6; João 3:3,18.


2. DECLARAÇÕES CLARA DA ESCRITURA.

1 Reis 8:46; Salmos 143:2; Provérbios 20:9; Eclesiastes 7:20; Romanos 3:10, 23; Gálatas 3:22.


III. A EXTENSÃO DO PECADO NO SER HUMANO

As Escrituras ensinam que a extensão do pecado no ser humano é total. Isto é o significado de depravação total.


1. A DEPRAVAÇÃO TOTAL CONSIDERADA NEGATIVAMENTE.

A depravação é um assunto muito mal entendido. Por essa razão precisamos de entender que a depravação total não quer dizer:

(1) Que o homem por natureza está inteiramente privado de consciência.

Até mesmo o pagão tem consciência. Romanos 2:15.

(2) Que o homem por natureza está destituído de todas aquelas qualidades que são louváveis segundo os padrões humanos.

Jesus reconheceu a presença de tais qualidades num certo homem rico (Marcos 10:21).

(3) Que todo homem está disposto por natureza para toda forma de pecado.

Isto é impossível, porquanto algumas formas de pecado excluem outras. "O pecado de sumiticaria pode excluir o pecado de ostentação; o de orgulho pode excluir o de sensualidade" (Strong).

(4) Que os homens são por natureza incapazes de se comprometer em atos que são extremamente conformes com a Lei de Deus.

Romanos 2:14.

(5) Que os homens são tão corruptos como podiam ser.

Eles podem piorar e pioram. 2 Timóteo 3:13.

Esta depravação total não quer dizer que a depravação é total no seu grau. Ela tem que ver com a extensão somente.


2. A DEPRAVAÇÃO TOTAL CONSIDERADA POSITIVAMENTE.

A depravação total quer dizer que o pecado permeou cada faculdade do ser humano assim como uma gota de veneno permeia cada molécula de um corpo de água. O pecado urdiu cada faculdade no homem e assim ele polui todo ato seu.

(1) Prova de depravação total.

  • A. O homem está depravado na Mente. Gênesis 6:5.
  • B. No coração. Jeremias 17:9.
  • C. Nos afetos, de maneira que o homem é oposto a Deus. João 3:19; Romanos 8:7.
  • D. Na consciência. Tito 1:15; Hebreus 10:22.
  • E. Na palavra. Salmos 58:3; Jeremias 8:6; Romanos 3:13.
  • F. Depravado da cabeça aos pés. Salmos 1:5,6; Isaías 1:6.
  • G. Depravado ao nascer. Salmos 51:5; 58:3.


(2) O efeito da depravação total.

A. Nenhum resquício de Bem Fica no Homem por Natureza. Romanos 7:18.

B. Portanto, o Homem, por Natureza, não pode sujeitar-se à Lei de Deus ou Agradar a Deus. Romanos 8:7,8.

C. O homem, por Natureza, está Espiritualmente Morto. Romanos 5:12; Colossenses 2:16; 1 João 3:14.

D. Logo, Ele não pode Compreender as Coisas Espirituais. 1 Coríntios 2:14.

E. Daí, Ele não pode, até que se vivifique pelo Espírito de Deus, voltar do Pecado a Deus em Piedoso Arrependimento e Fé. Jeremias 13:23; João 6:44,65; 12:39,40.

A base da depravação e da inabilidade espiritual jaz no coração. Ele é enganoso e irremediavelmente perverso (Jeremias 17:9). Do coração vêem as saídas da vida (Provérbios 4:23). Ninguém pode tirar uma coisa limpa de uma contaminada (Jó 14:4). Daí, nem a santidade nem a fé podem proceder do coração natural. As boas coisas procedem de um bom coração e as más de um coração mau (Mateus 7:17,18; Lucas 6:45).

por: Thomas Paul Simmons, D.Th
Fonte: www.monergismo.com