segunda-feira, 20 de maio de 2013

Não se Conforme com sua Pregação Medíocre | Paul Tripp

pregadorQuero examinar um aspecto onde há mediocridade demais na igreja de Jesus Cristo: a pregação. Aproximadamente 40 fins-de-semana por ano estou com o corpo de Cristo em algum lugar do mundo. Frequentemente não consigo sair no sábado, então participo do culto da congregação local (quando não sou eu o encarregado da pregação). O que vou dizer agora provavelmente vai me trazer problemas, mas estou convencido de que precisa ser dito.

Estou entristecido e aborrecido por dizer isto, mas estou cansado de ouvir palestras teológicas chatas e mal preparadas, feitas por pregadores pouco inspirados lendo manuscritos, tudo isso feito em nome da pregação bíblica.

Não é de surpreender que a atenção das pessoas vagueie. Não é de surpreender que elas tenham dificuldade em ficar atentas e acordadas. Surpreende-me que algumas consigam. Elas estão sendo ensinadas por alguém que não levou as armas necessárias para o púlpito, para lutar por elas e com elas. Pregar é mais do que regurgitar seu comentário exegético favorito, reescrever os sermões dos seus pregadores favoritos, ou reformular notas de uma de suas aulas favoritas no seminário. É trazer as verdades transformadoras do evangelho de Jesus Cristo a partir de uma passagem que foi devidamente entendida, aplicada de forma convincente e prática, e apresentada com a paixão e ternura cativantes de alguém que foi quebrantado e restaurado por essas mesmas verdades, e que agora se levanta para comunicá-las. Simplesmente não é possível fazer isso sem preparação, meditação, confissão e adoração adequadas.

Simplesmente não é possível começar a pensar sobre uma passagem pela primeira vez sábado à tarde ou à noite, e dedicar-lhe o tipo de atenção que ela exige. Você não vai conseguir compreender a passagem, ser pessoalmente tocado por ela, e estar preparado para comunicá-la aos outros de uma forma que contribua com a transformação constante deles. Como pastores, precisamos lutar pela santidade da pregação, ou ninguém vai. Precisamos exigir que nossas descrições de cargo incluam tempo necessário para nos prepararmos bem. Precisamos arrumar tempo em nossa agenda para fazer o que for necessário para que cada um de nós, de acordo com nossos dons e maturidade, esteja preparado como porta-voz do nosso Rei Salvador.

Não podemos nos acomodar com padrões que apequenam a pregação e degradam nossa habilidade de representar um Deus glorioso de graça gloriosa. Não podemos nos permitir estar ocupados ou distraídos demais. Não podemos estabelecer padrões baixos para nós mesmos e para aqueles a quem servimos. Não podemos ficar nos desculpando e nos acomodando. Não podemos tentar espremer uma preparação valiosa em alguns poucos minutos roubados do nosso dia-a-dia. Não podemos perder de vista Aquele a quem fomos chamados a representar, e sua maravilhosa graça. Não podemos, por estar despreparados, deixar seu esplendor parecer enfadonho e sua graça maravilhosa parecer ordinária.

A cultura e disciplina que permeiam nossa pregação sempre revelam o caráter verdadeiro do nosso coração. E é exatamente aí que confissão e arrependimento precisam acontecer. Não podemos culpar nossas descrições de cargo ou a correria do dia-a-dia. Não podemos ficar acusando as coisas inesperadas que aparecem na agenda de todo pastor. Não podemos culpar as demandas da família. Temos que confessar, humildemente, que nossa pregação é medíocre, e que não está à altura do nosso chamado. O problema somos nós. O problema é que perdemos a reverência e, ao perdê-la, ficamos satisfeitos em representar a excelência de Deus de uma forma que é tudo, menos excelente.

A mediocridade, em qualquer ministério, é sempre um problema do coração. Se isto o descreve, então corra humildemente para se confessar com seu Salvador, e abrace a graça que tem o poder de o resgatar de si mesmo e, assim, recuperar a reverência perdida.

Por: Paul Tripp

Fonte: Gospel Translations