sexta-feira, 17 de junho de 2011

ABNEGAÇÃO: Um Elelemento na Adoração (1)


CONTRIBUIR NA ADORAÇÃO


Primeiramente, o elemento desacrifício pode ser visto na questão de ofertar dinheiro. “Trazei oferendas e entrai nos seus átrios.” Nenhum judeu vinha adorar com as mãos vazias. Ofertar de seus bens era uma parte de sua adoração. Dos treze cofres que havia no tesouro do templo, quatro eram para as ofertas voluntárias do povo. Esse espírito nobre da adoração no Antigo Testamento passou à adoração realizada pela igreja e foi grandemente intensificada e aprofundada pelo novo conceito do sacrifício de Cristo. “Graças a Deus pelo seu dom inefável!” — este sentimento era a mola mestra da liberalidade cristã. O sublime pensamento a respeito de tudo que Cristo havia dado estimulava até os mais pobres a ofertarem. Este pensamento santificou de tal maneira o ofertar por parte dos crentes, que Paulo falou sobre o triunfo da ressurreição e, em seguida, parecendo inconsciente da mudança de assunto, acrescentou: “Quanto à coleta para os crentes…” Ora, enquanto todas as ofertas dos crentes eram aceitáveis a Deus e traziam bênção aos ofertantes, desde tempos remotos os homens espirituais sentiam que o verdadeiro ofertar tinha de envolver o negar-se a si mesmo. Lembramos o repúdio de Davi contra a atitude de oferecer a Deus algo que nada lhe custaria (2 Sm 24.24). Esse comportamento do rei Davi, em meio a todas as suas falhas, revela seu caráter centralizado em Deus. E lemos a respeito do Senhor Jesus e de seu julgamento referente à oferta da viúva e às riquezas que Ele encontrou em tal oferta, porque houve abnegação no ofertá-la. Foi um maravilhoso clamor que brotou dos lábios de Zaqueu, quando ele se encontrou face a face com o Senhor Jesus. Ele clamou olhando para Jesus: “Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens” (Lc 19.8). Zaqueu sempre havia ofertado de conformidade com sua maneira judaica de fazê-lo. Ele nunca entrara no templo sem levar uma oferta; mas agora, ao contemplar Jesus, sentiu que nunca poderia dar o bastante. Irmãos, esta é a característica distintiva da oferta cristã: ela alcança a abnegação. Você pode contribuir como cidadão e nunca sentir essa característica; mas não penso que você pode ofertar como cristão e deixar de experimentá-la. Não penso que podemos ofertar no mesmo espírito de Jesus, até que, assim como Ele, nossa abnegação seja atingida, até que o amor de Cristo nos constranja a algum sacrifício, assim como O compeliu ao maior de todos os sacrifícios. Com seriedade, perguntemos a nós mesmos: o nosso ofertar já chegou ao ponto de envolver sacrifício? Temos negado a nós mesmos alguma coisa, para que tenhamos condições de trazer oferendas aos átrios de Deus? Somente assim o ofertar é uma alegria e nos aproximará mais de Cristo; somente assim o ofertar será um dos meios da graça, tão espiritual e fortalecedor quanto a oração. Agora aprofundemo-nos um pouco mais; pois gradualmente, à medida que nos tornamos mais espirituais, o conceito de renúncia própria também se aprofunda em nós. Apenas trazer uma oferta em suas mãos não era o suficiente para uma pessoa que vinha adorar a Deus. Lentamente foi gravado na mente dos judeus o fato de que a verdadeira oferta estava no coração. E não existe algo tão instrutivo quanto observar nas Escrituras o desenvolvimento desse conceito — o gradual aprofundamento da abnegação como um elemento na adoração aceitável a Deus. Primeiramente, devemos pensar no caso de Davi, um homem treinado em rituais de adoração. Podemos deduzir que desde a sua juventude ele jamais havia adorado a Deus oferecendo alguma coisa que não lhe custasse nada. Ele trouxera suas ofertas, pagando por elas, e negara algo a si mesmo, de modo que pudesse comprá-las. O Deus que Davi encontrara, enquanto pastoreava seus rebanhos, não era um Deus que deveria ser adorado sem custo algum. Em seguida, Davi subiu ao trono, ocorreu sua queda e a terrível devasta ção de seu caráter real; e ele descobriu que todo o sangue de bodes não poderia torná-lo um verdadeiro adorador novamente. “Os sacrifícios agradáveis a Deus são um espírito quebrantado, um coração humilhadoe contrito”. Ainda que ele desse seu reino como oferta, não seria um adorador aceitável a Deus. Ele tinha de entregar a si mesmo como uma oferta a Deus; pois, do contrário, não seria um adorador aceitável. Davi tinha de negar a si mesmo e suas concupiscências; precisava abandonar seu orgulho e arrepender-se; pois, doutro modo, toda a sua adoração seria uma zombaria e o santuário, um lugar de esterilidade para ele. Desde o início ele sabia que adorar significava renunciar. Seu pensamento de renúncia própria aprofundou-se. Ele reconheceu que não existe qualquer bênção no santuário, a menos que em seu coração houvesse arrependimento e humilhação. Esta era uma poderosa verdade que Davi precisava assimilar, uma verdade que enriqueceu a adoração a Deus através dos séculos, passando à Nova Aliança e a todas as congregações dos santos.

Fonte: Revista Fé para Hoje
Por: George H. Morrison
Tadução: Editora Fiel